Page 1

1


SUMÁRIO Calouras e calouros, sejam bem-vindos à universidade!....3 Quem somos?......................................................................4 Cenário Nacional e da USP.................................................4 Conjuntura e Permanência em São Carlos..........................5 Conjuntura no campus de Piracicaba - ESALQ.....................7 A entidade estudantil da pós-graduação: as APG’s.............8 Movimento Estudantil.........................................................9 Movimento por uma Universidade Popular - MUP............10

2


Calouras e calouros, sejam bem-vindos à universidade! A União da Juventude Comunista vem parabenizar os ingressantes da Universidade de São Paulo por essa conquista! Sabemos das dificuldades enfrentadas pelos vestibulandos e vestibulandas e, por isso, também queremos apresentar as principais questões relacionadas à universidade pública hoje. Afinal, a USP é pública? Todos os estudantes têm as mesmas oportunidades dentro da universidade? Analisando os grupos sociais que formam o conjunto discente da USP, vemos que as barreiras impostas pelo vestibular são apenas o começo. No último ano, a questão da permanência foi um dos pontos centrais nos debates a respeito do caráter público da universidade, sobretudo após a aprovação do ingresso por cotas étnico-raciais. Entendemos como “permanência” a possibilidade de, após ingressar na universidade, concluir os estudos e ter suas principais demandas atendidas. Os altos custos de alimentação, transporte e materiais, por exemplo, são alguns dos entraves que fazem com que os percentuais de evasão da universidade sejam notavelmente grandes. Somam-se a isso a falta de vagas nas creches e moradia estudantil e os crescentes cortes em bolsas de auxílio. Não menos importantes, há ainda outros fenômenos que afetam diretamente a permanência do estudante na universidade: depressões, crises de ansiedade e outras questões relacionadas à saúde mental, além das opressões, perseguições e assédios. O que vemos, na realidade, é uma universidade que serve somente a uma parcela da população que tem condições mais favoráveis para manter-se durante a graduação, por não ser explorada e oprimida. Além disso, as políticas de privatização do governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), vão cada vez mais transformando a educação em mercadoria e gerando lucros a empresários. A mesma tendência observamos em nível federal, com os cortes de verba no ensino superior. Por isso, além de desejar as boas-vindas, a UJC também convida a todos e todas para compor a luta por uma educação de fato pública, gratuita e de qualidade, capaz de atender às necessidades dos trabalhadores brasileiros, numa verdadeira Universidade Popular! 3


Quem somos? Em 2017, a União da Juventude Comunista completou 90 anos de história. Fundada em 1 de agosto de 1927, a UJC vem, desde então, fazendo-se presente nas lutas protagonizadas pela classe trabalhadora em busca de sua emancipação do Capital. Histórica, política e ideologicamente está vinculada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), que hoje atua no movimento estudantil, feminista, negro, indígena, LGBT, de jovens trabalhadores, cultural e nos demais movimentos ligados ao combate às opressões e explorações.

Cenário Nacional e da USP A USP está bem longe de ser uma “bolha” na qual os problemas “de fora” não entram. Na verdade, há inúmeros problemas aqui que são um reflexo do projeto de universidade com o qual a USP é tocada e, mais, do próprio caráter de nossos governos Estadual e Federal. Por exemplo, sucatear o ensino público e jogá-lo nas mãos da iniciativa privada tem sido a postura dos governos neoliberais no cenário pós-golpe, em que se intensifica a crise econômica e política do Brasil. Nacionalmente, isso se torna visível no corte de milhões na educação, no baixo repasse de verba para as universidades estaduais paulistas e, de forma geral, na transformação da educação em mercadoria, esvaziada de seu valor e potencial de emancipação, servindo para aumentar o lucro dos capitalistas. Na USP, isso é visto, por exemplo, quando a reitoria – nossa maior instância gestora – resolve superar a “crise” da universidade cortando empregos, sobrecarregando funcionários e professores, mantendo postos de trabalho sem direitos, tirando auxílios dos estudantes mais pobres e inserindo progressivamente o setor privado nas decisões da USP. Outro exemplo da relação entre o que acontece “lá fora” e o que nos atinge diretamente na USP é a ideia de que os direitos dos explorados e oprimidos são meros “acessórios” a serem cortados nessa sociedade divida em gênero, raça e classe. Se no Brasil vimos a PEC 55, as Reformas Trabalhista e da Previdência, a “Cura Gay” e a “PEC Cavalo de Tróia das Mulheres”, aqui na USP assistimos aos cortes em assistência estudantil, fechamento de vagas em creche e desmonte do Hospital Universitário; 4


além de uma série de violências de cunho machista, racista e LGBTfóbico para as quais a institucionalidade não olha. Com essa reitoria escolhida a dedo pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), na figura de Vahan Agopyan – para quem não cabe à universidade garantir a permanência dos estudantes –, sem financiamento, socialização do cuidado com as crianças, atenção à saúde e combate às opressões, se manter na USP até o fim da graduação é ainda mais difícil do que entrar. É por isso que lutamos por uma Universidade Popular, na qual o acesso à educação seja universal, eliminando o vestibular e garantindo a permanência de todos os estudantes. Queremos que nossas universidades tenham os bancos das salas de aula cheios de mulheres, negras e negros, indígenas, LGBTs e trabalhadores. Queremos que as universidades tragam o conhecimento produzido por esses grupos ao longo da história para as grades dos currículos e forneçam também uma educação de qualidade voltada aos reais interesses dessas camadas, colocando-os acima dos interesses daqueles que mercantilizam o conhecimento, para caminharmos rumo à transformação radical da sociedade.

CONJUNTURA E PERMANÊNCIA EM SÃO CARLOS Em São Carlos as coisas não são diferentes do todo da USP. O Movimento Estudantil enfrenta grande repressão na universidade. A mo5


radia estudantil, o Aloja, um dos principais pólos de luta do campus, sempre esteve em contato direto com a luta pela permanência e, consequentemente, sempre sofreu com as investidas institucionais. O último exemplo disso ocorreu no início de 2017. Após repetidos pedidos pela regularização das dependências físicas do Aloja, houve uma ocupação reivindicando o cumprimento das obrigações da Prefeitura do Campus. Embora pacífica e organizada, a ocupação foi respondida pela USP com a perseguição jurídica, sob ameaça de expulsão, de nove estudantes. Outro ponto é a criminalização do uso dos espaços públicos. Desde 2013, existe uma liminar municipal que proíbe quaisquer tipos de evento sem licenciamento dentro do campus. Espaços tradicionais, como a festa junina do Alojamento – que recebe ex-alunos, funcionários e moradores da região há mais de 35 anos –, e os Palquinhos, eventos periódicos que aconteciam no espaço do Centro Acadêmico (CAASO) e reuniam apresentações de bandas da região para confraternização dos alunos, deixaram de acontecer ou foram realocados devido às constantes ameaças. São Carlos é um campus majoritariamente de cursos de exatas, exceção para a Arquitetura. Presenciamos de forma evidente a inserção do setor privado dentro da Universidade e o incentivo da prática empreendedora aos alunos, mercantilizando a produção de conhecimento. Vemos a expansão do modelo de empresa junior, aumento do financiamento de projetos por empresas e até mesmo casos de financiamento pelo exército americano. Somos contrários à lógica em que a produção de conhecimento e o ensino são submetidos ao capital e às demandas imperialistas! Nossa Universidade deve ter em vista as demandas populares e, num momento da história em que o Brasil se coloca de forma dependente na economia mundial, a Universidade deve ser peça chave na luta pela soberania nacional. Lutando por esse objetivo, a UJC está presente no campus desde 2016, iniciando nossa atuação de forma mais organizada em 2017. Estivemos presentes nas movimentações do último ano, sempre colocando uma visão classista, disputando os debates e nos inserindo nos espaços organizados. Iremos estar presentes em todos os espaços de luta do campus 6


nesse próximo período, levando uma política revolucionária, tendo sempre como horizonte a criação de uma Universidade Popular e, consequentemente, a superação da sociedade capitalista.

Conjuntura no campus de Piracicaba - ESALQ A Esalq, campus localizado na cidade de Piracicaba, foi umas das primeiras unidades da Universidade de São Paulo, sendo incorporada a esta em 1934. Conta atualmente com os cursos de Engenharia Agronômica, Biologia, Administração, Economia, Engenharia Florestal, Ciência dos Alimentos e Gestão Ambiental. A vinculação com o agronegócio marca de maneira importante não só a produção de conhecimento do campus, mas também as relações interpessoais, trazendo para dentro da universidade uma lógica conservadora e mercantilizante. O conservadorismo do campus se expressa, entre outras coisas, pela presença intensa do trote, que se utiliza da violência física, do machismo, do racismo e da LGBTfobia em suas práticas, nos espaços de convivência universitária e principalmente em diversas repúblicas. No entanto, tal prática tem sido, ainda que de maneira insuficiente, coibida dentro do espaço estudantil, resultado em grande parte de pressões externas, como a CPI do trote. Além disso tem se desenvolvido dentro da Esalq um campo progressista, como grupo de direitos humanos e feministas que buscam denunciar a violência, o que também tem contribuído para a redução do trote em suas expressões violentas e discriminatórias. Com relação a mercantilização, a Esalq apresenta um cenário próximo ao vivenciado por universidades em todo nosso país, que é a presença cada vez mais intensa de empresas privadas influenciando o conhecimento e a pesquisa dentro do campus. Com a redução do investimento público e o sucateamento do ensino superior no Brasil, abre-se um espaço significativo para que essas empresas passem a financiar laboratórios e pesquisas. Um exemplo importante disso é o AgTech Valley ou Vale do Piracicaba, que visa o desenvolvimento de tecnologias para o agronegócio, segundo a própria Esalq: A ESALQ associa a sua participação no Vale do Piracicaba como facilitadora do acesso ao conhecimento por meio de ensino acadêmico e projetos científicos. Também promove ações pontuais como a realização 7


de eventos científicos, projetos colaborativos focados no estabelecimento de convênios acadêmicos e de parcerias público-privada, além de sua incubadora, ESALQTec, que oferece suporte ao empreendorismo ligado ao setor tecnológico agrícola. A descrição colocada acima denuncia um pouco do caráter do projeto, sendo este apenas um exemplo das políticas praticadas na Esalq. Além disso, tal como vem ocorrendo em outras unidades da USP, temos um quadro de desmonte das políticas de permanência estudantil, como a redução do número de vagas da creche e a terceirização do restaurante universitário. O ambiente conservador e repressivo da unidade coloca uma barreira significativa para o desenvolvimento de uma política progressista dentro do campus, porém isso não significa que não há resistência. No ano de 2017 a nossa articulação juntamente com diversos CA’s de curso e com o DCE impulsionou um importante debate sobre a necessidade de cotas e permitiu a ampliação de vagas do SISU destinadas a estudantes de escola públicas e aos PPIs (pretos, pardos e indígenas). Também no ano de 2017 participarmos da construção do JURA (Jornada Universitária em apoio a Reforma Agrária), evento que congrega grupos progressistas da unidade e que intensificou o debate em torno do tema, no ano de 2018 continuaremos construindo esse evento, que pretende ser ainda maior do que foi no ano passado. A Esalq conta também com uma atuação significativa na área da pós-graduação, sendo que atualmente mais de um terço dos alunos são pós-graduandos. A entidade representante destes estudantes é A Associação de Pós-Graduandos (APG). Ela lida com os problemas cotidianos dos estudantes, representando-os frente à instituição, sendo o principal instrumento político dessa categoria, defendendo nossos direitos e buscando melhorar a qualidade de trabalho dentro da universidade. A entidade estudantil da pós-graduação: as APG’s Na USP, possuímos APG’s por campus, mas também algumas APG’s por departamento (no caso do campus Butantã), e no cenário nacional existe a Associação Nacional de Pós-Graduandos, que tenta travar essa disputa de direitos a nível nacional, organizando as APG’s do país em torno do Movimento Nacional Nacional de Pós-Graduandos. 8


A APG-ESALQ/USP tem realizado diversas atividades para fomentar o debate sobre temas que afetam a pós-graduação e os pós-graduandos. Além da presença de atos pela reforma da Casa do Estudante, contra os cortes na USP e PEC 55; organizamos mesas de debate de conjuntura, Precarização na USP, Cotas, Recepção dos Pós-graduandos, Direitos dos Pós-graduandos e Congressos de Escrita Científica. A pós-graduação é responsável por mais de 70% do desenvolvimento de ciência no país, e mesmo assim, possui péssimas condições de trabalho, que tem levado ao aumento de problemas psíquicos e físicos nos últimos anos. Nós, da UJC, estamos presentes também nessa luta. Participamos da APG-ESALQ/USP desde 2015 e lutamos em prol de assistência estudantil e permanência para pós-graduandos; contra o assédio moral na relação entre orientadores e orientandos; por uma universidade pública, gratuita e com acesso garantido para toda população, também na pós-graduação; pelo direito de férias, décimo terceiro e ajuste de bolsas.

Movimento Estudantil Os últimos anos não têm sido bons para a juventude. Sabemos que a forte crise econômica nos prejudica através do desemprego, além de nos perturbar com a falta de perspectivas para o futuro. Além disso, o avanço das forças de direita no Brasil promete ainda mais ataques e

9


perseguições aos estudantes e aos jovens trabalhadores. Na USP, há casos emblemáticos que ilustram isso: no campus de São Carlos, por exemplo, nove estudantes sofreram sanções disciplinares e quase foram expulsos da universidade por lutarem em defesa da moradia estudantil. Diante desse cenário, frequentemente nos sentimos impotentes e frustrados. Isto não é uma surpresa, já que nenhum de nós é capaz de vencer sozinho a força dos capitalistas e do Estado burguês. Esse desespero, porém, não pode durar para sempre. Se queremos defender nossos direitos e construir a sociedade justa da qual precisamos, devemos nos unir. É para isto que serve o Movimento Estudantil! No Movimento Estudantil, diversas organizações e entidades se articulam para organizar os estudantes para atuar politicamente. É através do Movimento Estudantil que podemos defender a educação pública, a permanência estudantil e todos os direitos da juventude! Isto não foi inventado agora. O Movimento Estudantil tem uma longa história no Brasil e na USP. É normal que essa história seja sistematicamente apagada, mas as principais medidas feitas em prol dos estudantes na USP foram conquistas do Movimento Estudantil: os bandejões, as moradias, os descontos no transporte e, mais recentemente, as cotas sociais e raciais. Movimento por uma Universidade Popular - MUP Nós, da União da Juventude Comunista, integramos nacionalmente o Movimento por uma Universidade Popular (MUP). Indo além do que poderia ser uma bandeira abstrata, a Universidade Popular se converte em um eixo unificador dos setores populares que estão em luta pela educação. Consideramos fundamental lutar contra os ataques privatizantes, por condições de estudo e permanência dos estudantes de origem popular, pelo estabelecimento de espaços de formação crítica e pela democratização do acesso e da produção cultural. Trata-se, na prática, de construir o modelo de educação do Poder Popular! No MUP, acreditamos na defesa intransigente do caráter público da universidade. Isso é fundamental, já que “quem paga a banda, escolhe a música”. Isto é, uma universidade que recebe capital privado agirá pela manutenção de lucro dos empresários que ali investem, também compro10


metendo-se ideologicamente com esses setores. Assim, com a autonomia de seu ensino e pesquisa comprometidos pelas dúbias relações com a iniciativa privada, e tendo como única finalidade o lucro da burguesia, a universidade sem o caráter pública se torna incapaz de atuar de acordo com os interesses dos explorados e oprimidos - já que, em vez disso, estará justamente atuando pelos exploradores e opressores. Além disso, no MUP, entendemos que ensino, pesquisa e extensão devem estar efetivamente integrados – ou seja, o que vemos em sala de aula ou o conhecimento que produzimos fora dela precisa estar em diálogo direto com a sociedade, atendendo às demandas sociais, e aprendendo com o que o povo também produz fora das universidades. Isto é, entendemos como fundamental romper os muros universitários, não para levar conhecimento aos “menos favorecidos”, mas para constituir uma unidade de luta real com a classe trabalhadora. Não queremos nos contentar com a mera massificação do ensino. Queremos, na verdade, a democratização da educação. Isto é, consideramos fundamental que as salas de aula, nas quais hoje se entra através das tais peneiras sociais, não sirvam para reproduzir a ideologia dos capitalistas, machistas, racistas e LGBTfóbicos, formar mão de obra barata e disciplinar a pobreza. O que queremos é um amplo acesso a uma educação que sirva como uma das ferramentas dos trabalhadores e oprimidos na sua definitiva emancipação. É parte da estratégia das classes dominantes impedir-nos de constituir o nosso projeto societário. A sociedade que vislumbramos, que supere as injustiças e disparidades, é um projeto em construção que passa invariavelmente pela educação. Nós sabemos disso. Os que estão “em cima”, que defendem que as coisas fiquem como estão, também sabem: não é à toa que o modelo educacional vigente se alia a esses interesses. No entanto, é justamente na unidade dos explorados, na consolidação e organização de um amplo movimento de massas voltado para a edificação de um projeto contra-hegemônico comum é que reside a força de nosso movimento. VEM CONSTRUIR COM A GENTE O MOVIMENTO POR UMA UNIVERSIDADE POPULAR! 11


UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA fb.com/ujc.usp

12

Manual dos Calouros - UJC (2018)  

https://www.facebook.com/ujc.usp/

Manual dos Calouros - UJC (2018)  

https://www.facebook.com/ujc.usp/

Advertisement