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A proposta deste trabalho não é buscar o consenso, e sim elaborar um dialogo e levantar o questionamento : “no que se da a pratica social atual no espaço publico”. Assim, tendo como base o texto referencial, pode-se analisar as praças escolhidas a partir do modo como atuam na esfera pública que elas ocupam.


Maquete eletronica do projeto feito para a praça.

A praça projetada Arautos da Paz no bairro taquaral em campinas possui quase que todos os pré-requisitos para a criação de um espaço de convivência bem frequentado. É um lugar amplo, localizado em uma região privilegiada, não fazendo parte de nenhum contingente periférico, ou um lugar que sofra sprawling (espraiamento) urbano. Ou seja, a praça pertence a uma malha urbana com uma certa homogeneidade com um fluxo diário bem significativo perante o município. Além das carências projetuais que não priorizam o lazer dos moradores do entorno, a praça tem vários problemas de manutenção publica, Localização da Arautos da Paz, proxima a Lagoa do Taquaral.


Jovens praticando esporte proximo as vias, por falta de iluminaçao na Arautos da Paz.

desde de falta de iluminação a fissuras na estrutura projetada. O que leva os usuários que a utilizam, fazerem uso da parte periférica da praça, a que beira as vias publicas. A falta de iluminação limita os horários e os locais de uso da praça, que pode ser percebido mesmo em horários de grande fluxo. A pesar do não uso, não se pode dizer que este se deve a localização ou outros fatores semelhantes, já que a Arautos da Paz se comporta como um complemento da Lagoa do Taquaral, e esta por sua vez, tem um fluxo diário bem expressivo. Enfatizando ainda mais as carências da Arautos da Paz.  

Essas carências levam a uma degradação do lugar bem como uma desvalorização do projeto. Todos esses aspectos mostram que nem sempre uma intervenção projetual de caracter publico urbano atende as necessidades da população. Fazendo crer que o que “cria o lugar” é o uso dado a ele. Ou seja, a identificação do lugar é criada pelo usuário e não pelo projeto.  


Vista periferica a partir do centro da praça, demonstrando as tipologias de entorno.

A praça Rui Barbosa localizada no centro de campinas, também sofreu transformações projetadas. Porem a própria forma da disposição do entorno demonstra a inexpressividade da praça, a Catedral de Campinas está voltada de costas; as tipologias ao redor sao todas lojas de departamento, com gabarito de altura moderado, mas fachadas cegas, sem vitrines convidativas. Tendo no seu centro um monumento, que visa relembrar um momento histórico importante de Campinas, a grande influencia das artes, no caso cinema e teatro. Que existiam no local nos anos de 1930 (com o Teatro Municipal de Campinas) e em 1965 (com o Teatro Municipal Carlos Gomes).    


Monumento Projeto ao centro da Praça Rui Barbosa

Estes foram demolidos por serem considerados antiquados para a crescente expansão da cidade e a mudança rápida das tipologias do centro. Assim, o monumento consiste em uma parte elevada e dois pares de pilares que representariam o palco e os pilares dos dois teatros que existiram no local. No entanto a simbologia é tao ampla que acaba representando nada significativo para os cidadãos que percorrem a praça, se tornando despercebível. Isso pode ser percebido pelo percurso dos cidadãos. O grande fluxo de pessoas percorre a praça pelas margens, usando o centro somente como uma travessia, nao vivenciando o espaço, atuando dessa forma mais como uma espécie de calçadão.  

Grande fluxo de pessoas em direçao a Rua treze de maio


Há varias explicações que elucidam esses eventos, nos quais o espaço público, passa a não ter significado expressível para a esfera pública. Isto é, no caso das praças, elas passam a ser lembradas somente pela sua localização privilegiada ou pela sua grandeza, mas não são consideradas significantemente segundo a sua função programada, não seguem o programa estabelecidos para ela pela falta de uso.  

Sabendo que espaço público (segundo Arendt) é tudo aquilo que não faz parte da esfera privada, ou seja é tudo o que pode ser ouvido e visto por todos. Um dos motivos para os eventos descritos talvez seja a desvalorização do espaço público perante a esfera privada, devido a valorização do individualismo na sociedade capitalista. No entanto todas as atividades humanas são condicionadas pelo fato de os homens viverem juntos; Na antiguidade romana, viver era sinônimo de “estar entre os homens” e morrer, de “deixar de estar entre os homens”. Logo, a esfera de vida correspondente as ações é portanto, a esfera pública, sendo a vida publica e privada não opostas, e sim complementares.   A esfera pública para Habermas, criada na sociedade burguesa é bastante complexa, já que acompanha a sofisticação ideológica das sociedades capitalistas. Assim, a partir do Iluminismo, vê a importância do crescente público leitor, do surgimento de espaços da esfera pública, como cafés parisienses , já que se  


prestavam a discussão política. Compreende-se também a formação do Estado moderno e suas instituições como fundamental elemento da esfera pública. Percebe-se um aumento no número de cidadãos na mesma proporção em que se diminui o poder dos mesmos em participar das decisões político-governamentais. Lembrando que na sociedade capitalista democrática, ser cidadão é ter seus direitos respeitados, inclusive o direito de se alienar, e de acumular riquezas privadamente.  

Outro ponto importante de se ressaltar é que a esfera pública se relaciona ao domínio da cultura, do cotidiano as artes. E que tem no seu lugar o espaço para manifestação, discussão e Manifestação Passe Livre na 5a Feira (20/06)-Campinas, SP.

estabelecimento do movimento dialético entre dissenso e consenso, entre conflito e acordo. Isso pode ser observado em situações contemporâneas no ocidente, por vezes pactuados entre partidos e demais agremiações políticas. Mas não é necessário ir muito longe, basta se atentar aos acontecimentos da semana passada. Habermas, já considerava as novas mídias de informação e telecomunicação como integrantes da esfera pública, sendo aquelas mais abertas, como a internet, as mais adequadas ao discurso público, ao debate político; já que possuem a eficiência técnica necessária.


Texto Referencial:

“DIMENSÕES PÚBLICAS DO ESPAÇO CONTEMPORÂNEO: resistências e transformações de territórios, paisagens e lugares urbanos brasileiros” Eugenio Fernandes Queiroga  

Fotografia: Acervo Pessoal Bill Ranier Fotografia www.arquitetocaetanodelima.blogspot.com.br  


Victoria Lanzi de Souza RA: 11078292


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