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o EMPRESÁRIO


Foi saindo do túnel, e entrando na Consolação, janela do carro aberta, barulho da cidade entrando, enquanto a paciência dele saia. Sabia que tinha chegado no centro mesmo se estivesse de olhos fechados, o cheiro de sempre, descritível, uma mistura de lixo com urina forjando um aroma que não tem nome, mas sabe-se que pertence ao centro da cidade de São Paulo.


Jรก de inicio ele se preparava com o seu sinal negativo para a abordagem da velha que todo dia estava lรก a procura de um trocado perdido no porta luvas, quando nรฃo era a velha era a crianรงa vendendo bala, ou um homem vendendo carregadores de celular e guarda-chuvas.

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Dali, mal ele percebia, mas todo o dia vinha a tona na sua cabeça – Porque São Paulo? deveria mudar para Europa, continente desenvolvido, até em crise é melhor para se morar do que aqui – derivados disso, outros pensamentos transpassavam por pelo menos um Segundo em sua mente. Trânsito, assalto, sujeira, miséria, fome, corrupção. Isso se levava até uma musica qualquer da radio lhe tomar a atenção.


Mas era esperando no Farol da Avenida Ipiranga lá estava ele, o Copan. O prédio que lhe incomodava, não passava desapercebido por nenhum dia sequer, pela sua aparencia suja, pelo seu aspecto estranho e antigo e pela sua altura, não mais tão alta. Pensava “este já foi o prédio mais alto de são Paulo? Mas este não é nem páreo ao meu condominio no Panamby”. Para ele aquele prédio era um confronto, a tudo o que ele repudiava na cidade, uma estrutura falida, lar de prostitutas, e pessoas sem classe, antro que cultiva probreza, e subdesenvolvimento. [07


Um prédio que desabava literalmente, lembrava ele a historia da cachorrinha que foi morta por um pedaço do prédio que caiu em sua cabeça, aquilo o indignava, e só causava mais repudio. “Como uma cidade pode crescer, se estruturas falidas como essa ainda sao cartão postal?” Miséria, sujeira, governos irresponsaveis.


Novamente tudo aquilo vinha a sua cabeça fazendo novamente este perguntar. “porque morar em são Paulo?” e antes que a resposta viesse a sua mente, o farol abriu, a musica mudou, e ele seguiu em frente, sem nem olhar pra trás, pro copan, pra rua, pra São Paulo. E mal sabia que ali ele ia viver para o resto da sua vida, com os mesmo problemas, e sem nenhuma solução.

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