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ARQUIT E T U RA FLE X Í V E L PA RA

O M O RA R C O N T E MPORÂ NE O

VI CTÓ RIA SC ALLET BAR N ABÉ


UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de arquitetura, artes e comunicação Departamento de arquitetura, urbanismo e paisagismo

TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO

ARQUITETURA FLEXÍVEL PARA O MORAR CONTEMPORÂNEO

Aluna: Victória Scallet Barnabé Orientadora: Profª Drª Maria Solange Gurgel de Castro Fontes Co-orientadora: Profª Drª Silvana Aparecida Alves

Bauru 2018


VICTÓRIA SCALLET BARNABÉ

ARQUITETURA FLEXÍVEL PARA O MORAR CONTEMPORÂNEO Trabalho Final de Graduação apresentado à Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação como requisito para a conclusão do curso de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP Campus Bauru, sob orientação da Profª Drª Maria Solange Gurgel de Castro Fontes.

Bauru 2018


Agradeço aos meus pais, pelo incentivo, orientação e amizade, e por sempre me ajudarem a ver o melhor em mim. Às minhas irmãs, pelo companheirismo, aprendizado, parceria e cumplicidade desde sempre. Aos meus colegas da faculdade que, durante os anos de curso, se tornaram minha família, e que continuarão grandes amigos que levarei comigo, agradeço pela colaboração, parceria e amizade tão verdadeira. Ao Aloysio, agradeço pela união, cumplicidade e apoio, e pela ajuda e paciência nos momentos finais desse trabalho. Às minhas amigas de Rondonópolis, agradeço pela ajuda, contato e apoio que superaram a distância durante todos esses anos. Às professoras Solange e Silvana, sou grata pela orientação, direcionamento e paciência durante o desenvolvimento desse trabalho. Agradeço a todos que passaram pela minha vida ao longo desses anos de faculdade, ajudando direta ou indiretamente na construção de um período tão feliz da minha vida, e do qual me lembrarei sempre com carinho e saudade.


RESUMO O contexto habitacional brasileiro tem apresentado diversas modificações com o passar dos anos, tanto no que diz respeito às formações das famílias e núcleos habitacionais, como no modo de vida da população, e essas mudanças refletem diretamente nas formas de morar. O surgimento de novas demandas torna necessária a adaptação da arquitetura, para que seja possível que a habitação reflita as individualidades e necessidades de cada usuário. Dessa forma, esse Trabalho Final de Graduação tem como objetivo a criação de um sistema modular para a construção de habitações que se adequem ao contexto habitacional contemporâneo, com capacidade de suprir as necessidades individuais dos usuários, proporcionar conforto, flexibilidade, sustentabilidade, economia, diminuição de desperdício e otimização do processo projetual e construtivo. Como o projeto busca a criação de um modelo construtivo modular que possa ser reproduzido em diferentes contextos e tipologias, será realizada a implantação do sistema em terrenos de orientação e topografia diferentes, afim de ilustrar sua aplicação.


01. I NTROD U Ç ÃO 5 01.01. OBJETIVO 5

S

01.02. JU STIFIC ATIVA 6 02. METOD O LOGIA 7 03. HEBITAÇ ÃO N A C ON TEMPO RAN EID AD E: O MO RAR C ONT E M PORÂNE O

U

9

03.01. N O VAS FORMAS D E MO RAR 1 0 04. S U STEN TABILID AD E 1 3 04.01. EFIC IÊN C IA EN ERGÉTIC A 1 3

M

05. F LEXIBILID AD E, AD APTABILID AD E E AMPLIABILI DADE

17

06. I ND U STR IALIZ AÇ ÃO 2 1 06.01. MO D U L ARID AD E 2 2

Á

07. S ISTEMAS C O N STR U TIVO S 2 5 08. L EITU RAS D E PROJETO D E HABITAÇ ÃO C ON TEMPORÂNE A

29

09. O PR OJETO 3 7

R

09.01. SISTEMA C O N STR U TIVO D AS C ÁPSU L AS

38

09.02. PR OC ES SO PR OJETUAL 3 8 09.03. C ÁPSU L AS 4 1

I

09.04. IMPL AN TAÇ ÃO D O SISTEMA 5 0 CA S A 1 5 6 CA S A 2 5 8

O

CA S A 3 6 0 CA S A 4 6 2 CA S A 5 6 6 10. CON SID ERAÇ ÕES FIN AIS 7 7 11. REFERÊN C IAS 7 9


01.

INTRODUÇÃO

namismo, de forma que a habitação seja adequável às mutáveis necessi-

A habitação está diretamente relacionada ao uso e ao modo de vida do ser

é necessário maior atenção às questões ambientais, no sentido de causar

humano, apresentando direta influência na qualidade de vida e nas ativi-

menos impacto ambiental e reduzir o uso de recursos naturais sem que o

dades estabelecidas por seus usuários, o que faz dela um dos principais

conforto e a qualidade de vida dos usuários sejam afetados. Com o fim de

produtos arquitetônicos. Dessa forma, é necessário ter ampla compreensão

se produzir resultados efetivos e satisfatórios, é necessário que esses con-

da complexidade das necessidades dos usuários para que um projeto de

ceitos sejam considerados desde a fase projetual da arquitetura, passando

habitação apresente resultados coerentes à sua demanda e sua função,

pela fase construtiva e se estendendo até uso de uma edificação, segundo

além do conhecimento de vários outros fatores que intervêm no processo

Zandemonigne, Tibúrcio, Monteiro (2010).

de projeto.

Nesse contexto de insere esse Trabalho Final de Graduação, que objetiva

Entre esses fatores se inclui o conceito de moradia, que vem sendo alterado

a produção de um sistema modular de habitação flexível, que possibilite a

com o passar do tempo à medida que a sociedade, como um organismo em

influência do usuário desde a fase projetual até durante o uso da edificação,

constante movimento, se modifica e se transforma. Essas variações exigem

e que busque promover conforto e qualidade de vida através de soluções

que a arquitetura se molde e se adapte, uma vez que a habitação deve suprir

projetuais, ao otimizar o uso de materiais e técnicas que causem o mínimo

a demanda e as necessidades de seus usuários, levando em conta o con-

de impacto possível ao meio ambiente, e utilizar da modularidade como

texto social e as características do meio em que está inserida.

forma de projeto, sempre levando em consideração a viabilidade da cons-

Nos últimos anos, a formação dos núcleos familiares apresentou perfis

dades de seus usuários, com a otimização de usos e espaços. Além disso,

trução, a economia, a estética e a sustentabilidade.

bastante heterogêneos, de forma que os antigos conceitos de habitação

0 1 . 0 1 . O B J E T I V O

não mais se encaixam a esse novo contexto. Com o aumento crescente de núcleos habitacionais com diferentes formações, a inserção da mulher no

O trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de um sistema modular

mercado de trabalho, a diminuição da contratação de mão de obra para a

econômico, sustentável e confortável para habitação, além de uma forma

realização de tarefas domésticas, entre outras alterações sociais, houve o

rápida de construção e a possibilidade de adaptação da tipologia de acordo

surgimento de diferentes demandas e necessidades que acabam por refletir

com as singularidades das necessidades de cada usuário. O projeto visa

nas formas de habitar (OSORIO, 2002; CAMARGO, 2003).

ainda o uso de soluções efetivas de conforto, uso inteligente do espaço e

Assim, o “morar” contemporâneo requer flexibilidade, adaptabilidade e di-

características ecológicas positivas. 5


0 1 . 0 2 . J U S T I F I C AT I V A A escolha do tema dessa pesquisa e projeto se deu a partir da observação da padronização das tipologias de moradia, padrões habitacionais não condizentes com o contexto social e modos de vida atuais, além da baixa variedade e utilização de métodos construtivos alternativos no contexto brasileiro, especialmente no que diz respeito à habitação. Considerou-se um tema pertinente por se tratar de um assunto contemporâneo e de influência frequente no dia a dia dos indivíduos.

6


02.

M E T O D O LO G I A

Esse Trabalho Final de Graduação foi iniciado a partir de pesquisa biblio-

a finalidade de demonstrar o conceito e o produto final de forma clara, além da construção de uma maquete física para auxiliar na compreensão do projeto.

gráfica em fontes relacionadas ao tema habitação contemporânea, além de fontes acerca de condicionantes para o desenvolvimento de um projeto de habitação no contexto contemporâneo, considerando fatores como industrialização, modularidade, sustentabilidade, flexibilidade, economia e conforto. Além da revisão bibliográfica, buscou-se identificar e analisar projetos que pudessem representar o conceito contemporâneo da habitação unifamiliar, com a finalidade de reunir referências para a fase projetual desse TFG. A partir do levantamento de conceitos a serem levados em conta no processo de projeto, e também da escolha dos sistemas e materiais existentes no mercado que se adequam aos objetivos do trabalho, foi possível realizar o desenvolvimento das cápsulas modulares que formam o projeto proposto de um sistema modular e econômico de habitação. A partir das cápsulas, foram propostas implantações das mesmas em 5 diferentes terrenos, com variadas orientações e topografia, em um condomínio localizado na cidade de Indaiatuba – São Paulo, em terrenos de 7,5 x 20 metros, o que foi visto como uma oportunidade de buscar soluções para um projeto confortável, sustentável, econômico e flexível em um terreno consideravelmente estreito. Essa implantação tem o objetivo de exemplificar a utilização do sistema modular desenvolvido. Após a conclusão do projeto, foi desenvolvida a representação gráfica com 7


8


03.

H A B I TA Ç Ã O N A C O N T E M P O R A N E I D A D E : O MORAR CONTEMPORÂNEO

Para se realizar um estudo sobre a habitação contemporânea, é necessário

Um fator de grande importância na modificação da composição familiar e

iniciar pelo entendimento das composições familiares e domiciliares, com

habitacional foi a alteração da posição da mulher tanto socialmente quanto

o fim de criar um embasamento teórico para a compreensão do perfil da

no lar. Ao serem inseridas no mercado de trabalho, as mulheres deixaram

demanda por habitação no Brasil, no contexto atual.

de ter como sua única ocupação os afazeres domésticos, ainda que os

A sociedade é claramente mutável ao longo do tempo. Suas características e necessidades são transformadas e adaptadas de acordo com as condições e fatores contextuais referentes ao momento histórico. Dessa forma, deve-se ter em mente que a percepção das pessoas com relação ao espaço e à arquitetura não é uma constante. Dessa forma, a arquitetura e os métodos projetuais precisam acompanhar essas alterações cronológicas e sofrer mudanças em suas próprias configurações, de forma a servir à sociedade e acompanhar suas mutáveis necessidades. Estudos sobre as alterações nas estruturas familiares, como o de Medeiros e Osório (2002) e Camargo (2003), mostram o aumento na heterogeneidade na formação das famílias e arranjos domiciliares do Brasil. Essa mudança apresenta como característica a diminuição de núcleos familiares formados por um casal e filhos e aumento de formações individuais, compostas apenas por mulher ou apenas por homem, sem cônjuge. Essa nova composição acarretou também no aumento de núcleos considerados arranjos domiciliares, sendo que há uma distanciação do modo habitacional burguês, que consistia em mais que um núcleo familiar formado por casal e filhos morando em uma residência.

mesmos permaneçam sendo desempenhados majoritariamente por elas, o que fez com que as mulheres fossem precursoras do surgimento da busca por formas de tornar o ambiente e o trabalho doméstico mais práticos e repensar o modelo tripartido burguês (MENDONÇA, 2015; CAMARGO, 2003). Apenas a partir dessa alteração no contexto social é que surge a necessidade de racionalização do ambiente doméstico, de forma a facilitar e otimizar as atividades de manutenção da habitação. A união dessa nova demanda com as teorias e técnicas de otimização da produção industrial dão início à arquitetura moderna, caracterizada pela racionalidade e funcionalidade. O modernismo apresentou o movimento linear e a modularidade na produção arquitetônica, com otimização no uso de materiais e no trabalho. Os arquitetos modernos defendiam que a produção industrial viabilizaria os ideais modernistas, seguindo padronizações com o objetivo de melhorar e facilitar a produção arquitetônica. Portanto, apesar de ter como objetivo a funcionalidade e a facilidade do desempenho das atividades domésticas, o modernismo também tinha como característica a padronização da habitação, o que se mostra ineficiente, diante da variedade e dinamismo dos modos de morar. A impessoalidade e padronização do modo de vida e do 9


ser humano foi vista como uma grande falha no modo de produção arquite-

habitação, as quais podem ser observadas em todo o Brasil. Através dessa

tônico moderno. Autores defendem, ainda, que o modernismo eliminava as

análise, foi possível observar diferenças tanto na disposição dos cômodos,

características de multifuncionalidade ao impor funções pré-estabelecidas

como nas dimensões e até mesmo na presença ou ausência de determina-

para os cômodos das casas (BUKOWSKI, 2012; MENDONÇA, 2015).

dos ambientes domésticos.

Apesar de suas falhas, é valido considerar que o movimento moderno teve

De acordo com a análise realizada na cidade de Uberlândia, uma das princi-

influência na criação de conceitos importantes para o melhoramento e a

pais alterações visíveis foi a integração cada vez mais presente de cômodos

inovação na habitação. A proposta de planta livre, permitindo que o layout

antes compartimentados. Dentre eles, a sala de estar/televisão e a sala de

do mobiliário seja feito mais livremente de acordo com as necessidades de

jantar se apresentam sempre integradas a partir do ano de 1994, bem como

cada usuário, bem como a concepção de funcionalidade dentro da habita-

a cozinha e a área de serviço, que também não possuem paredes para sua

ção, nas devidas proporções, são algumas das características positivas do

divisão, na maior parte das vezes. Além disso, em exemplos mais recen-

modernismo que podem ainda ser empregadas nos projetos arquitetônicos

tes, esses quatro cômodos aparecem frequentemente integrados, sendo a

e que permanecem atuais e pertinentes. Dessa forma, é possível dizer que

cozinha e a área de serviço divididas da sala de estar/televisão e de jantar

ainda hoje podemos aproveitar e extrair ideias positivas do movimento mo-

apenas por um balcão, que aparece ao mesmo tempo como meio de sepa-

derno, fazendo uso de conceitos cabíveis à atualidade e efetuando as alte-

ração e integração dos espaços.

rações, adaptações e adições necessárias para a viabilidade no contexto atual.

Os apartamentos mais recentes apresentam redução tanto nas dimensões totais quanto nas dos cômodos, com destaque para a área de serviço e

0 3 . 0 1 . N O V A S F O R M A S D E M O R A R A sociedade dinâmica em que vivemos atualmente apresenta diversas alterações se comparadas a alguns anos anteriores, decorrentes de mudanças

cozinha (considerando como cômodos as áreas designadas às funções correspondentes, mesmo que não haja divisões fixas por paredes). Além disso, alguns cômodos antes presentes nas residências foram subtraídos das construções mais recentes, como as dependências de empregados,

nos hábitos sociais, o que se reflete na arquitetura e em especial nas habi-

banheiro de serviços e hall.

tações.

Todas essas modificações ao longo do tempo nos mostram que, por moti-

A partir de uma comparação feita por Mendonça (2015) entre os mode-

vos como influências de mercado, redução de custos, busca pela facilitação

los de apartamentos construídos em Uberlândia entre os anos de 1975 e 2011, é possível ter um parâmetro das mudanças ocorridas nas formas de 10

do desempenho das atividades domésticas, entre outros, os apartamentos estão sendo reduzidos e simplificados, o que é constatável na arquitetura


habitacional como um todo. Entretanto, mesmo que venham ocorrendo alterações visíveis na composição de pequenas residências, ainda é possível visualizar a influência do modelo burguês tripartido, no qual é clara a divisão da habitação em área

dade de acompanhar essas modificações culturais e sociais uma vez que sua função é suprir as necessidades e demandas da população, o que não pode ser efetivamente desempenhado se baseando em teorias e fórmulas antigas, que não se encaixem no contexto contemporâneo.

íntima, área social e área de serviço, além dos cômodos serem divididos

Para a criação de cômodos e ambientes domésticos que componham uma

de acordo com suas funções, de forma setorizada, compartimentada e

habitação condizente com as necessidades e que seja de fato compatível

monofuncional, resultando em estanqueidade das funções, inflexibilidade

com sua demanda, é necessário compreender as atividades realizadas em

e rigidez do ambiente doméstico (GÓIS, 2015; MENDONÇA, 2015; VILLA,

suas dependências, com o fim de elencar as funções que precisem ser rea-

2004).

lizadas em um determinado cômodo e as que podem ocorrer associadas ou

Somando essas características às pequenas áreas das novas habitações, essa nova configuração habitacional apresenta deficiências em sua eficiência e efetivo uso, dificultando a sobreposição de funções e atividades. Nos últimos anos, as habitações de tamanhos reduzidos vêm sendo reproduzidas em grandes quantidades, repetindo conceitos antigos e sem qualidade arquitetônica e, muitas vezes, apresentando até mesmo deficiências

que não exigem ambientes específicos, de acordo com Mendonça (2015). Dessa forma, é possível fazer a divisão dos cômodos de modo mais eficiente, não compartimentando excessivamente a habitação e a adaptando ao máximo às necessidades do morador, uma vez que a qualidade arquitetônica está diretamente relacionada à adequação do ambiente construído às necessidades do usuário (LONGSDON; AFONSO; OLIVEIRA, 2011).

decorrentes da falta de soluções de insolação, resultando em alto nível de

Para se adaptar ao contexto atual, é necessário que a indústria da constru-

insatisfação dos usuários (VILLA, 2004).

ção civil seja apta a realizar projetos que, além de respeitarem as exigên-

O contexto social contemporâneo se apresenta muito ativo, mutável e o dinamismo é uma das principais características da atualidade e as formas de morar se modificam a medida que a sociedade se altera. Cada vez mais

cias mínimas de habitabilidade e conforto, apresentem bons resultados no que se refere a baixo custo, efetividade e desempenho ambiental (GREVEN; BALDAUF, 2007).

as pessoas estão tendo empregos incomuns, são formadas famílias cujas

Deve-se buscar incluir mais o usuário no processo de projeto e de cons-

configurações fogem do que poderia ser considerado tradicional, e a dinâ-

trução, de forma que suas necessidades individuais sejam supridas satis-

mica dentro dos núcleos familiares mudando de forma acelerada pelo uso

fatoriamente, da mesma maneira que se deve projetar tendo como objetivo

da tecnologia e os processos de acesso à informação e inovação. Assim,

a arquitetura flexível. Uma vez que os hábitos da sociedade têm passado

a arquitetura, desde o processo projetual até a construção, tem a necessi-

por mudanças de forma rápida, cabe ao arquiteto criar um meio que possa 11


acompanhar e viabilizar as mudanças de necessidades dos usuários. Nos próximos tópicos desse trabalho final de graduação, serão abordadas questões de grande importância para o processo projetual da arquitetura habitacional no contexto contemporâneo.

12


04.

S U S T E N TA B I L I D A D E

a diminuir o desperdício, e também incluir o reuso no processo de construção, tanto na utilização de produtos reciclados quanto na reciclagem dos

Além das alterações relacionadas às funções, o novo habitar deve contem-

resíduos produzidos pela obra.

plar conceitos de sustentabilidade. Segundo Macedo (2016), o conceito

Portanto, a sustentabilidade na arquitetura vai desde a concepção do proje-

de que as ações para suprir as necessidades do presente precisam ser tomadas levando em consideração os efeitos que poderão causar no futuro, afim de reduzir impactos ambientais, foi definido pela primeira vez em 1987. No Brasil, as pesquisas englobando o tema da sustentabilidade se iniciaram por volta da década de 90, o que é bastante recente, se comparando a um ramo tão antigo quanto o da construção. Além disso, é constatado que a alteração ambiental causada pelas construções e pela urbanização é bastante considerável ao longo do tempo, de forma que à construção civil deve ser dada a devida importância no que se refere ao planejamento de impacto ambiental e aos conceitos de sustentabilidade (LAMBERTS et al., 2007). Por poder ser compreendida como uma forma de reduzir a utilização de recursos naturais e o impacto ao ambiente, a sustentabilidade, quando diz respeito à arquitetura, é muito abrangente e se refere a diversas fases de projeto, construção e utilização de uma edificação (ZANDEMONIGNE; TIBÚRCIO; MONTEIRO, 2010).

to, através da utilização de soluções projetuais para proporcionar conforto e reduzir gastos, passando pela escolha de materiais e métodos construtivos a serem utilizados, indo até a construção em canteiro de obra, tendo como objetivo reduzir os desperdícios. Além disso, deve-se pensar na sustentabilidade no emprego de métodos que garantam a redução do impacto ao ambiente causado pelo uso da construção, como métodos que garantam eficiência energética, reaproveitamento de águas pluviais e uso de energia solar, juntamente com o emprego de soluções projetuais que garantam um uso mais ecológico da construção.

0 4 . 0 1 . E F I C I Ê N C I A E N E R G É T I C A A busca pela eficiência energética não se justifica apenas pela economia financeira, mas também pela diminuição dos impactos da construção em relação ao meio ambiente. O desenvolvimento da tecnologia, com o passar dos anos, facilitou o emprego de fontes alternativas de energia e equipa-

Lamberts et al (2007) propõem uma série de pontos para os quais o pro-

mentos eficazes, o que fez com que aumentasse a demanda por eficiência

fissional de arquitetura deve ter atenção especial, com o fim de obter uma

energética aliada ao conforto para os usuários das edificações no meio da

construção menos impactante ao meio ambiente. Entre elas estão conside-

construção civil (LAMBERTS et al., 2007).

rar o ciclo de vida dos materiais a serem utilizados e do edifício em si, de forma a optar pelos que apresentem menores impactos, visar a flexibilidade da construção, buscar reduzir o trabalho necessário em canteiro de forma

Maciel (2006) aborda a importância de elementos básicos da arquitetura como fundamentais para o desempenho energético final da edificação, como o tamanho das aberturas ou do pé direito, e também como as estraté13


gias bioclimáticas são importantes para assegurar a construção de edifica-

o coletor solar plano. O sistema permite que a água seja aquecida e reser-

ções confortáveis e econômicas. É necessário que a construção atenda às

vada em um reservatório térmico, para que possa ser utilizada mesmo em

recomendações mínimas de habitabilidade, presentes na NBR 15220-3, lei

horários de menor incidência solar. Esses modelos contam ainda com um

de zoneamento bioclimático que apresenta as diretrizes para a construção

sistema de aquecimento auxiliar para aquecer a água em períodos de baixa

de habitações unifamiliares de interesse social.

incidência solar ou de aumento no consumo, que ultrapasse o valor calcu-

Existem fatores que devem ser levados em consideração de forma indispensável durante a fase projetual para que se resulte em uma arquitetura confortável e sustentável, como a orientação solar, os ventos predominantes e características climáticas do local (PINTO, 2009). O ideal é que o projeto favoreça o uso de estratégias passivas, que são aquelas que se

lado no projeto. O autor ainda afirma que, para ser utilizado como sistema auxiliar, o ideal no que diz respeito à economia é a utilização de chuveiros elétricos que tenham potência variável, mesmo que o método mais utilizado no Brasil seja o que conta com resistências elétricas dentro do reservatório térmico.

aproveitam de características do meio, sem necessitar do uso de energia

Além do uso de energia solar para o aquecimento de água, essa fonte reno-

para seu funcionamento. Entre essas formas de garantir conforto e redução

vável pode ser utilizada para a geração de energia elétrica. Através do sis-

de impacto ambiental estão o uso de ventilação cruzada, aproveitamento

tema fotovoltaico de geração de energia, os fótons são transformados em

da iluminação natural, utilização de vegetação para sombreamento, cober-

energia elétrica para ser utilizada na habitação. Além disso, esse sistema

turas e brises estrategicamente localizados e materiais sustentáveis, que

pode ser conectado à rede pública de energia, de forma que em situações

possibilitam que seja proporcionado ao usuário um ambiente agradável e

nas quais o sistema gere mais energia do que necessário para a edificação

que dispense o uso excessivo e desnecessário de medidas paliativas. Além

em que está instalado, esse excesso pode ser enviado para a rede pública.

das estratégias passivas, também é importante a utilização de estratégias

Essa ligação permite também que a habitação seja abastecida com energia

que utilizem energia de fontes renováveis para funcionar, como por exemplo

vinda da rede pública em caso de insuficiência na energia produzida pelo

aquecimento por energia solar e geração de energia elétrica a partir da ener-

sistema fotovoltaico (MARTINAZZO, 2014).

gia solar (ZANDEMONIGNE; TIBÚRCIO; MONTEIRO, 2010).

Quando nos referimos ao uso consciente de água, é possível vincular a fer-

Os aquecedores solares são uma boa solução para o aquecimento de água

ramenta de reuso de águas pluviais ao projeto arquitetônico com o objetivo

sem uso de energia elétrica. Por mais que existam variados modelos des-

de reduzir o desperdício. A partir da captação da água da chuva pela cober-

ses aquecedores, Martinazzo (2014) afirma que o mais apropriado para a

tura da edificação, a mesma é canalizada, passando por um compartimento

demanda no Brasil e, consequentemente, o mais utilizado em nosso país é

que retém uma quantidade determinada de água que leva mais impurezas

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provenientes do telhado/cobertura, e o restante, que se trata da água mais limpa, é direcionada para o reservatório. A água pluvial pode ser utilizada em uma série de atividades como descargas e irrigação (MARTINAZZO, 2014).

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05. FLEXIBILIDADE, A D A P TA B I L I D A D E E AMPLIABILIDADE

1

2

3

4

Existem características que, se empregadas na fase projetual, melhoram consideravelmente o desempenho da residência, tornando-a mais personalizada e adequada às individualidades dos usuários. Flexibilidade é considerada por diversos autores como a capacidade que o ambiente e o espaço físico têm de possuir diferentes combinações físicas (COSTA; BRANDÃO, 2014; MENDONÇA, 2015). Esse conceito tem sido bastante disseminado nos últimos anos, uma vez que as mudanças na sociedade e na economia têm se tornado cada vez mais frequentes e rápidas, criando a necessidade de que a arquitetura acompanhasse esses processos, e apresenta a flexibilidade como meio para sustentabilidade (LARCHER; SANTOS, 2015). A forma mais disseminada de flexibilidade nos últimos tempos tem sido nas plantas, especialmente quando se trata de edifícios verticais, em que as unidades de apartamentos são compradas ainda na planta, antes da construção. Dessa forma, é apresentada ao usuário uma variedade de possíveis

Figura 1: Tipologia com closet

tipologias para que esse escolha a que mais se adapta às suas necessida-

Figura 2: Tipologia com SPA Ofurô

des, como é possível visualizar nas figuras 1, 2, 3 e 4, que apresentam um

Figura 3: Tipologia com Home Office

mesmo apartamento de 48m² em quatro variações distintas.

Figura 4: Tipologia com dois dormitórios Fonte: Site CRB Construtora – Plantas flexíveis: adequação ao seu momento de vida. Disponível em: <https://www.crbconstrutora.com.br/blog/empreendimentos/plantas-flexveis/>; Acesso em jul. 2017.

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De acordo com Abreu e Heitor (2007), podemos dividir a construção em

Outro conceito interessante é o da ampliabilidade, aplicado quando o pro-

camadas, tais como estrutura, fechamento, instalações, e essas devem

jeto arquitetônico apresenta opções de ampliação para um núcleo residen-

ser o mais independentes possível, com o fim de que seja viável a alte-

cial básico, oferecendo assim a possibilidade de expansão da habitação

ração ou reconstrução de camadas individuais, independentemente das

de acordo com a necessidade (COSTA; BRANDÃO, 2014). Com o fim de

outras parcelas do edifício.

proporcionar esse tipo de facilidade, o arquiteto deve considerar as opções

Além dessa forma de flexibilidade, também é possível encontrar empreen-

de ampliação da edificação na fase projetual. A figura 6 mostra um proje-

dimentos que ofereçam divisões móveis ou retráteis entre cômodos, ao invés de paredes fixas, como é o exemplo da figura 5, onde os ambientes são formados a partir da movimentação de módulos que são, ao mesmo tempo, divisórias, armários e móveis:

to de habitação social feito pelo escritório chileno Elemental, do arquiteto Alejandro Aravena, no qual foi aplicado o conceito de ampliabilidade, que possibilita aos usuários adquirir a habitação básica, a qual apresenta a viabilidade de expansão, ou o modelo completo. A figura 7 apresenta modelos que sofreram ampliação.

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6

Figura 5: Divisão móvel Fonte: Site Archdaily –Escritório PKMN Architectures cria casa flexível em Madri. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/757237/escritorio-pkmn-architectures-cria-casa-flexivel-em-madri>; Acesso em jul. 2017. Figura 6: Habitação Villa Verde Figura 7: Habitação com ampliação Fonte: Site Elemental Chile – Villa Verde. Disponível em: <http://www.elementalchile.cl/en/ projects/constitucion-i-villa-verde/>; Acesso em jul. 2017.

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7


Outro um conceito pertinente ao contexto contemporâneo é a adaptabilida-

8

de, definida como a versatilidade no ambiente, no mobiliário, a possibilidade de desempenhar diferentes funções em um mesmo ambiente, com o mesmo mobiliário, a partir da necessidade e intervenção do usuário (COSTA; BRANDÃO, 2014; MENDONÇA, 2015). Permitir ao usuário influenciar na organização de sua habitação é muito interessante, uma vez que multiplica as possibilidades de uso e de funções de um determinado espaço, e evita a estanqueidade e a rigidez do produto arquitetônico. São diversas as possibilidades de garantir essas características ao edifício, como é possível observar na figura 8, onde cômodos inteiros podem ser movimentados de acordo com a necessidade, e na figura 9, na qual é possível visualizar a flexibilidade da fachada por conta dos brises.

Figura 8: Casa S harifi-ha Fonte: Site Archdaily – Casa Sharifi-ha / Nextoffice – Alireza Taghaboni. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/626010/casa-sharifi-ha-nextoffice-alireza-taghaboni>; Acesso em jul. 2017. Figura 9: AME-LOT Fonte: Site Archdaily – AME-LOT: Fachada flexível a partir da reutilização de pallets / Ste

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06.

INDUSTRIALIZAÇÃO

processo de construção, requerendo uma grande quantidade de mão de

A industrialização de produtos em geral vem sendo intensificada ao longo

exista processo de produção seriado e organizado nas fases anteriores à

dos anos e se tornando cada vez mais comum e necessária para a otimi-

construção, como nos produtos a serem utilizados, esse processo não se

zação e funcionalidade daquilo a que se aplica. Aproximadamente no ano

estende até o canteiro de obra.

de 1950, Rosa (2006) afirma que houve o que foi considerada a Segunda

Além disso, é possível observar que os trabalhos em canteiro acontecem

Revolução Industrial, quando a operação das máquinas passou a ser feita por mecanismos, e não mais pelo homem.

obra e apresentando, por vezes, resultados insatisfatórios. Por mais que

quase que sem diálogo, as funções são realizadas de forma dissociada, o que resulta em diversos problemas e incidentes que poderiam ser evitados

Para alcançar o objetivo de projetar e construir arquitetura de alta qualidade

com mais planejamento e organização, integrando as partes contidas no

e baixo custo, deve-se buscar racionalizar e industrializar o processo de

processo de construção. Simplificando e reduzindo as funções em canteiro,

projeto e construção, afim de otimizar as fases que envolvem a construção,

é possível minimizar esse tipo de problema prático.

de acordo com Greven e Baldauf (2007).

Para Rosa (2006), não se pode considerar um edifício convencional para os

O método industrial pode ser caracterizado como aquele que se baseia em

padrões atuais brasileiros como um produto industrial pois, apesar de ser

processos repetitivos, no qual as funções realizadas de forma artesanal dão

a união de produtos industrializados, são unidos de forma artesanal. Para

espaço para processos mecanizados, resultando em processos e produtos

o autor, não são aplicadas a esse método de construção as características

uniformes. Dessa forma, a construção industrializada seria aquela que faz

da produção industrial, o que o descaracterizaria como produto industrial.

uso de produtos e componentes oriundos de fábricas e processos de pro-

Entretanto, para Ribeiro (2002), os sistemas industriais podem ser abertos

dução em série, de forma a otimizar e reduzir as funções a serem realizadas em canteiro de obra (RIBEIRO, 2002).

e fechados. O sistema fechado se assemelha mais à definição de construção industrializada apresentada por Rosa (2006), uma vez que se trata de

De acordo com Rosa (2006), mesmo que a industrialização esteja cada

um método no qual o edifício seria projetado para que seus elementos e

vez mais presente nos meios de produção, na arquitetura e construção civil

partes fossem produzidas em série especificamente para aquele projeto.

ainda é possível observarmos uma permanência de modos de construção

Por outro lado, o sistema industrial aberto seria uma construção não total-

antigos e desorganizados, especialmente no Brasil. Os produtos e materiais

mente industrializada, mas que faz uso de elementos industrializados e que

utilizados nas construções chegam aos canteiros de obra de forma desor-

possam ser utilizados em diferentes tipos de arquitetura. Se trata de uma

denada, além de os elementos serem ajustados de forma improvisada no

arquitetura que utiliza não apenas materiais, mas elementos produzidos de 21


forma industrial para a construção, mesmo que o edifício não seja total-

Em todas as situações apresentadas, a utilização de uma medida básica

mente feito em uma linha de produção em série ou seguindo os conceitos

norteava a produção arquitetônica e até mesmo a organização urbana.

de método industrial de produção.

A coordenação modular é um modelo de medida sobre o qual a produção

A industrialização da habitação não é necessariamente, portanto, sinônimo

da habitação deveria ser projetada e construída, o que resultaria na orga-

de padronização, monotonia ou inflexibilidade. Considerando a industrializa-

nização da industrialização, de acordo com Ribeiro (2002). Dessa forma,

ção como um processo organizado e coordenado, não necessariamente de

as dimensões do edifício e seus elementos seguem uma relação mútua, de

produção em série, é possível otimizar e racionalizar o processo projetual

modo que possam ser combinados, organizados e interligados de diversas

e construtivo, ao fazer uso de materiais e elementos de origem industrial

maneiras.

para isso. Industrializar a arquitetura é algo justificável, desde que possa ser personalizada e não padronizada, atendendo às individualidades de cada usuário, uso e local a ser implantada. Se realizada com infraestrutura e mão de obra adequadas, seria possível reduzir gastos, tempo de execução de

Apesar de ter sido um dos primeiros países a aprovar uma norma referente à Coordenação Modular, o Brasil ainda não apresenta a utilização e aplicação do conceito no meio da construção civil, afirmam Greven e Baldauf (2007).

obras, acidentes de trabalho, desperdício de materiais, proporcionar um

A coordenação modular, metodologia de organização que relaciona os ele-

canteiro de obras mais organizado, além de fazer com que a habitação de

mentos da construção entre si e com o edifício, seria a condicionante in-

qualidade se torne acessível a um maior número de pessoas.

dispensável para a industrialização da construção, uma vez que é um meio de organização e racionalização do processo construtivo. A necessidade

0 6 . 0 1 . M O D U L A R I D A D E

de economia e otimização tanto na produção dos elementos construtivos quanto na execução da obra fez com que a coordenação modular surgisse

O conceito de Modularidade ou produção modular apresentado por Rosa

(ROSA, 2006). Greven e Baldauf (2007) afirmam que a Coordenação Mo-

(2006) é definido como sendo uma forma de organização do processo de

dular é o sistema que permite que a indústria da construção civil apresente

produção em módulos, peças pré-determinadas que sigam um padrão com

as mesmas características positivas das outras indústrias, de forma que

o objetivo de serem combináveis entre si, de forma a garantir a efetividade

faça uso de um sistema de medidas que se estenda em todas as fases en-

do funcionamento da construção final.

volvidas no processo construtivo, desde o projeto até a manutenção.

O uso do conceito de módulo na arquitetura aparece historicamente sob

O uso de Coordenação Modular na construção civil possibilita a redução

leituras diferentes na Grécia, Roma e Japão, de acordo com Greven e Bal-

de custos durante várias etapas do processo construtivo, uma vez que ga-

dauf (2007), podendo ter caráter estético, estético-funcional ou funcional. 22

rante maior agilidade ao processo projetual, otimização de materiais, maior


velocidade na execução da obra e redução do desperdício. Esses fatores garantem não somente economia financeira à obra, mas também melhores resultados no que diz respeito à sustentabilidade, por conta da redução de perdas (GREVEN; BALDAUF, 2007).

23


24


07.

SISTEMAS CONSTRUTIVOS

sidade de pilares e paredes estruturais, esse método construtivo facilita a

Além das estratégias e sistemas adotados para o funcionamento susten-

Um método recente no contexto brasileiro que apresenta diversos pontos

tável, a escolha dos materiais e do método construtivo também tem muita influência nas características ecológicas de uma edificação, na liberdade projetual e características do produto arquitetônico final, além de também

construção de obras flexíveis, nas quais o usuário possa modificar posteriormente o ambiente com mais liberdade (BONAFE, 2016).

positivos é o Light Steel Framing. Trata-se de um sistema construtivo autoportante formado por estrutura leve de perfis de aço galvanizado e seus subsistemas, como fechamento e isolamento, e que é caracterizado pela

influenciar as possibilidades de intervenções posteriores.

velocidade de construção, baixo desperdício de materiais, alta resistência e

Tendo como objetivo a redução do trabalho necessário em canteiro de obras

simples e baixo peso próprio, o que facilita sua utilização em construções

e a redução da necessidade de mão de obra, os métodos construtivos a seco são bastante interessantes, uma vez que passam por um processo de industrialização anterior ao canteiro, e apenas devem ser montados in loco. Dessa forma, o processo resultante é racionalizado e otimizado, gerando economia e rapidez na obra. O uso de estruturas metálicas tem aumentado no Brasil mais recentemente, sendo cada vez mais escolhido por arquitetos. Esse método possibilita planejamento da obra e agilidade no processo de construção, pois exige menos tempo de atividade em canteiro, devido à estrutura ser produzida na indústria e necessitar apenas da montagem no local da construção, o que resulta em um canteiro de obras mais limpo, organizado e com baixo desperdício de materiais. A estrutura metálica também é resistente, exige menos gasto com logística e energia durante a montagem, além de ser reciclável e poder ser utilizada em combinação com outros métodos construtivos. Além disso, a estrutura em metal garante maior liberdade projetual, versatilidade e economia. Como possibilita grandes vãos e reduz a neces-

versatilidade (CRASTO, 2005). O sistema LSF também apresenta montagem já existentes, como método construtivo em ampliações e também como fechamento, apresentando reduzida carga para a estrutura principal da edificação. Os materiais possuem, além disso, fácil transporte, por se tratar de estruturas leves, facilitando a logística envolvida no processo construtivo (SANTIAGO; ARAUJO, 2008; MACHADO, 2010; LOPES, 2016). Oliveira (2013) apresenta comparações entre alvenaria convencional e o método LSF e mostra que, apesar de terem o preço por metro quadrado similares, a produtividade e a agilidade na construção quando utilizado o sistema em aço são maiores que em construções em alvenaria, o que reduz o tempo de construção e, consequentemente, os gastos de mão de obra, além da economia com perdas de materiais. Por se tratar de um método de construção a seco, o Light Steel Framing possibilita um canteiro de obras mais limpo e organizado. No LSF, o fechamento das estruturas pode ser feito com diferentes materiais, como placas cimentícias, painéis de madeira OSB e placas de gesso 25


acartonado (Figuras de 10 a 14). Além disso, a estrutura pode ser preen12

chida com materiais isolantes como lã de vidro, lã de rocha, lã de pet, EPS, XPS ou poliuretano. Para revestimento, o sistema permite o uso de materiais convencionais, além da cobertura, que também pode ser feita com telhas comuns (OLIVEIRA, 2013; GOUVEIA, 2015). 10

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11

Figura 10: Parede externa Figura 11: Parede interna Figura 12: Laje Mista Figura 13: Laje Mista Impermeabilizada Figura 14: Laje Seca Impermeabilizada Fonte: Site Fastcon: Construção Sustentável – Saiba o que é Steel Frame e porque usá-lo na sua próxima obra. Disponível em: < http://fastcon.com.br/o-que-e-steel-frame/>; Acesso em out. 2017.

26


Segundo Oliveira (2013), para esse sistema, é recomendado que se faça

tudo da resistência térmica chegou à conclusão de que a parede estudada

as instalações sanitárias após a montagem do esqueleto da construção e

apresenta uma resistência térmica quase dez vezes maior que a resistência

fechamento externo das paredes. O método de instalação desse tipo de

de uma parede de alvenaria, além do valor de transmitância térmica con-

construção também diminui os custos da obra, uma vez que não há quebra

cluído ser 0,647 W/m².K, quando uma parede de concreto de 10cm pode

e reconstrução, como acontece no caso da alvenaria comum, além de faci-

chegar a 4,4 W/m².K. Esse estudo comprova as ótimas características de

litar a manutenção dos sistemas embutidos nas paredes.

isolamento que o sistema de light steel framing apresenta.

Gouveia (2015) afirma que o desempenho acústico de LSF com uma camada de lã de vidro de 50mm apresenta isolamento de 45dB, valor adequado a qualquer tipo de parede residencial, de acordo com a NBR 15575:2013. O autor afirma ainda que uma parede de alvenaria comum apresenta um isolamento acústico de 38dB, o que é apenas permitido pela norma para paredes cegas de cozinhas e salas, e coloca que uma parede de LSF sem uso de preenchimento com material isolante apresenta o mesmo valor de isolamento que a parede comum de tijolos. Dessa forma, conclui-se que os resultados acústicos do sistema de Light Steel Framing, fazendo uso de isolamento, é superior ao do sistema convencional e segue os padrões propostos pela norma de desempenho acústico em edificações. Também sobre adequações às normas brasileiras, Gouveia afirma que o sistema de LSF atende às exigências da ABNT e do Corpo de Bombeiros, sendo que pode facilmente superá-las dependendo do material de fechamento. No que diz respeito ao isolamento térmico, Anjos, Pietrochinski e Meira (2014) fizeram uma análise de uma parede de Light Steel Framing formada pela estrutura de perfis de aço galvanizado de 90mm, revestimento de duas placas cimentícias de 10mm cada, uma placa de gesso acartonado medindo 12,5mm e preenchimento da estrutura com lã de rocha de 50mm. O es27


28


08.

L E I T U R A S D E P R O J E T O D E H A B I TA Ç Ã O CONTEMPORÂNEA

Para as referências projetuais, buscou-se construções com uso de mate-

e a montagem, redução de resíduos por se tratar de materiais ecológicos e

riais industrializados, sistemas modulares e habitações em terrenos peque-

peças pré-fabricadas (Figura 16).

nos, meios-lotes, com boas soluções de conforto e sustentabilidade, além do bom aproveitamento do espaço. Os projetos escolhidos foram o Sistema Aberto Modular de Casas sustentáveis, Casa Geminada, Casa Brackenbury, Casas Gêmeas, Casa Modular, Estúdio Madalena e a empresa chilena TecnoFast.

Como soluções ecológicas para redução do gasto de energia e insumos naturais, a casa oferece ventilação cruzada e fachadas ventiladas e contou, ainda, com placas solares para a produção de energia e reaproveitamento de água pluvial e residual. 16

O Sistema Aberto Modular de Casas Sustentáveis – Cso Arquitetura é um projeto bastante interessante e que se assemelha à intenção desse trabalho final de graduação, no que diz respeito à modularidade e liberdade de criação de diferentes tipologias, além

15

de se tratar de uma arquitetura industrializada (Figura 15).

Figura 15: Perspectiva do projeto Fonte: Site CSO Arquitectura –SAVMS-VUCP01. Disponível em: <http://www.csoarquitectura.com/portfolio_page/vucp01/>; Acesso em mai. 2017. Figura 16: Processo de montagem

sentadas no site do escritório CSO Arquitectura, tais como: tempo reduzido

Fonte: Site Archidaily – Sistema aberto modular de casas sustentáveis (SAVMS) / Cso Arquitectura. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/01-83253/sistema-aberto-modular-de-casas-sustentaveis-savms-slash-cso-arquitectura>; Acesso em mai.

para a construção, que foi o período de um mês e meio para a fabricação

2017.

Essa construção apresenta diversas qualidades e vantagens que são apre-

29


O cliente pode compor sua residência adequando-a às suas necessidades e funções a serem desempenhadas, possuindo um catálogo com as combinações possíveis, além da variedade nos acabamentos internos e externos

Figura 18: Fachada

(Figura 17). Ao núcleo principal podem ser anexadas extensões, de forma

Fonte: Site Archidaily – Casa geminada / CR2 Arquitetura. Disponível em: <http://www. archdaily.com.br/br/869050/casa-geminada-cr2-arquitetura>; Acesso em mai. 2017.

que o usuário possa ter a opção de ampliar a residência posteriormente, de acordo com sua necessidade. O site do escritório não traz detalhes técnicos aprofundados sobre a área, o projeto ou a obra.

17 Figura 17: Esquema de módulos Fonte: Site CSO Arquitectura –SAVMS-VUCP01. Disponível em: <http://www.csoarquitectura.com/portfolio_page/vucp01/>; Acesso em mai. 2017.

18

A Casa Geminada – CR2 Arquitetura é um projeto que apresenta duas

Nesse projeto, o que pode ser observado como meio de conferir amplitude

casas gêmeas com uma fachada aparentemente única (Figura 18), cons-

aos ambientes internos é o emprego de cômodos integrados entre si e com

truídas em um terreno pequeno e com boas soluções de aproveitamento do

o meio externo (Figuras de 19 a 22), que se estendem de uma ponta a outra

espaço e de uso de luz e ventilação natural, como pátios internos e utiliza-

da planta, poucas divisórias e utilização de vedação com vidro, permitindo

ção da declividade do sítio para solucionar a circulação e a disposição dos

entrada de luz natural e integração com o meio externo.

cômodos.

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Figura 19: Sala ampla e contínua Figura 20: Cozinha – cômodo contínuo dando sensação de amplitude Figura 21: Corte 1 Figura 22: Corte 2 Fonte: Site Archidaily – Casa geminada / CR2 Arquitetura. Disponível em: <http://www. archdaily.com.br/br/869050/casa-geminada-cr2-arquitetura>; Acesso em mai. 2017.

31


A Casa Brackenbury – Neil Dusheiko Architects é outro projeto que faz uso de artifícios interessantes como soluções de conforto para o pequeno terreno. São adotadas varandas internas com paredes/portas inteiramente de vidro que podem ser dobradas, o que interliga ambientes internos e externos, de forma que fique quase imperceptível a separação entre esses ambientes, em decorrência do uso do mesmo revestimento no piso e trilhos discretos para as portas. Além disso, é feito o uso de vários elementos transparentes para assegurar a permeabilidade da luz natural, como claraboias e chão transparente (Figuras de 23 a 25).

24

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Figura 23: Varanda interna integrada e piso transparente Figura 24: Luz natural entrando no andar inferior através de teto transparente Figura 25: Claraboia no banheiro

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Fonte: Site Archidaily – Casas Brackenbury / Neil Dusheiko Architects. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/867721/casas-brackenbury-neil-dusheiko-architects>; Acesso em mai. 2017.


Com o objetivo de construir uma residência elegante, com economia e Outro projeto interessante é o das Casas Gêmeas – Zoom Arquitetura, que

construção rápida, a Casa Modular – VTaller + Tropico de Arquitectura

apresenta também residências vizinhas, praticamente iguais, e que dividem

+ Taller Dos é um projeto modular que apresenta os materiais aparentes,

um terreno bastante estreito, com menos de 10 metros de fachada para as

estrutura em aço e fechamentos em painéis de madeira, alvenaria e vidro.

duas casas. As casas apresentam clarabóias, uso de vidro nas janelas e

A amplitude do projeto fica por conta do uso de vidro, planta com poucas

portas e poucas divisões entre os cômodos, o que proporciona a sensação de fluidez e de continuidade, como foi possível visualizar em exemplos anteriores, ampliando o reduzido espaço disponível para a casa.

divisões fixas, pátio no andar térreo e pé direito duplo (Figura 28). Como solução para o conforto térmico, são usados brises na fachada para barrar a incidência direta de sol mas que permite a entrada de luz natural (Figura 29).

Os pátios internos também são uma ótima solução para terrenos estreitos, uma vez que incluem os ambientes externos nas áreas de circulação, ocupando melhor a área do terreno e auxiliando na sensação de amplitude e continuidade da residência (Figuras 26 e 27).

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Figura 28: Ambiente interno integrado, pátio e uso de vidro. Figura 29: Fachada com uso de brises

26

Fonte: Site Archidaily – Casa Modular / VTALLER + TROPICO DE ARQUITECTURA + TALLER DOS. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/ br/805121/casa-modular-vtaller-plus-tropico-de-arquitectura-plus-taller-dos?utm_source=MyArchDaily&utm_medium=bookmark-show>; Acesso em jul. 2017.

27

Figura 26: integração entre ambientes internos e externos. Figura 27: Circulação com parede de vidro. Fonte: Site Zoom Arquitetura – Casas Gêmeas. Disponível em: <http://www.zoom.arq.br/ casas-gemeas>; Acesso em mai. 2017.

29 33


O Estúdio Madalena – Apiacás Arquitetos desperta atenção por seu aspecto estético, com estrutura esguia vertical e materiais aparentes (Figura 30). Construída para uso misto de trabalho e habitação é dividida em dois volumes, sendo seu volume superior suspenso por pilotis, a construção é feita em estrutura metálica e painéis de concreto pré-fabricados. Dessa forma, o 32

projeto pôde se encaixar no orçamento restrito disponível e diminuir o tempo necessário para a execução da obra. Os painéis foram utilizados para a vedação da construção, dispostos em forma de sanduíches, resultando em paredes com um vão interno, assim como nas lajes (Figuras de 31 a 33).

30 33 Figura 30: Fachada do edifício Figura 31: Ambiente interno com vedação em concreto sem acabamento. Figura 32: Maquete mostrando volumes Figura 33: Esquema com detalhes técnicos

31 34

Fonte: Site Archidaily – Estúdio Madalena / Apiacás Arquitetos. Disponível em: <http:// www.archdaily.com.br/br/778729/estudio-madalena-apiacas-arquitetos?utm_source=MyArchDaily&utm_medium=bookmark-show>; Acesso em jul. 2017.


A empresa chilena TecnoFast trabalha com construção modular através da combinação de cápsulas de medida fixa (6m x 3,5m), de forma que o usuário tenha liberdade para buscar um projeto que mais se aplique às suas necessidades individuais. Os projetos são realizados a partir de 10 cápsulas, organizadas em diferentes composições e cômodos, para proporcionar diversas possibilidades de combinações. Além de trazer as opções de cápsulas (Figuras 34 e 35), a TecnoFast ainda apresenta indicações de combinações para formar diferentes tipologias de

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habitação, como um modelo mais básico apresentado na Figura 36, ou mais completo e com mais cápsulas, na Figura 37.

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Figura 34: Cápsula 01 - Quarto Figura 35: Cápsula 06 - Cozinha Figura 36: Modelo de tipologia Figura 37: Modelo de tipologia Fonte: Site TecnoFast. Disponível em: <http://tecnofasthome.cl/modelo-assadi/>; Acesso em Out. 2017.

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09.

O PROJETO

Como já foi apontado anteriormente, o projeto desenvolvido nesse Trabalho Final de Graduação tem como objetivo um sistema de habitação modular flexível que faça uso de materiais industrializados, técnicas de melhoramento da eficiência energética, além buscar um resultado econômico, esteticamente agradável e que promova um ambiente confortável e compatível com

entre meio externo e interno, por exemplo. Além disso, a flexibilidade não está apenas na planta e em uma edificação que atenda às necessidades do usuário no momento do projeto, mas está na criação de uma construção que possa se adaptar a essas mutáveis necessidades ao longo do tempo e do seu uso, de forma natural e espontânea. O projeto tem como objetivo principal permitir a liberdade de escolha do

o usuário.

usuário e sua intervenção tanto na fase projetual quanto no espaço construí-

O projeto consiste no desenvolvimento de cápsulas de medidas iguais for-

contempladas. Tendo isso em mente, o projeto foi realizado intencionando

madas por diferentes ambientes e cômodos, e que devem ser combinadas entre si de modo a unir ambientes de acordo com a necessidade ou intenção de cada usuário. Essas unidades funcionam como peças de lego no processo de projeto, quando o usuário pode selecionar as cápsulas e arranjá-las entre si da forma que mais se adequar às suas intenções e necessidades. Dessa forma, as cápsulas não são todas independentes, mas são complementares para que possa se chegar em um resultado satisfatório de

do, permitindo que suas individualidades e preferências sejam valorizadas e a maior flexibilidade possível, para que o produto final possa solucionar as mais diversas necessidades dos usuários, fazendo uso de elementos que permitam essa adaptabilidade. O projeto desenvolvido nesse trabalho se configura no conceito de sistema industrial aberto apresentado por Ribeiro (2002), uma vez que se trata de um produto arquitetônico que faz uso de materiais e produtos industrializa-

habitação única e personalizada.

dos que podem ser usados em diferentes tipos de construções, resultando

A flexibilidade e a adaptabilidade não dizem respeito apenas às disposições

mas que utiliza em sua concepção e construção, elementos industrializados

dos cômodos ou como podem ser arranjados e mudados, mas também à interação do edifício com seu entorno e a forma como seus ambientes podem ser utilizados individualmente e em conjunto. Além de estar no interior do projeto, a flexibilidade pode incluir as fachadas pelos elementos de aberturas como brises ou painéis de brises, que possam ser movimentados e alocados como o usuário preferir, ou mesmo portas e janelas que permitam priorizar a privacidade quando necessário, ou possibilitar maior integração

em uma edificação não oriunda de um processo de produção em série, encontrados no mercado. Pensando em todos esses fatores, o conceito de construção industrializada e modular parece ser adequado para suprir as necessidades da sociedade contemporânea. Além disso, as tecnologias empregadas no projeto devem favorecer a sustentabilidade e a eficiência energética, como métodos de aproveitamento de energia solar para aquecimento de água e também para geração de energia. 37


0 9 . 0 1 . S I S T E M A

CONSTRUTIVO DAS CÁPSULAS

Para dar início ao projeto do sistema modular para construção de habitação, foi necessário escolher métodos construtivos disponíveis no mercado que favorecessem o planejamento da construção, a redução de desperdício e perdas, a otimização da obra, bem como o conforto e as características de habitabilidade da edificação. Dessa forma, buscou-se técnicas que

Para esse projeto, o LSF será utilizado como fechamento vertical, combinado à estrutura principal metálica, de forma que sejam garantidas velocidade do processo construtivo e economia de materiais, proporcionadas por métodos de construção a seco, sem abrir mão da liberdade do usuário desde as escolhas projetuais até a vida útil da edificação e sua utilização.

0 9 . 0 2 . P R O C E S S O P R O J E T U A L

favoreçam o uso de materiais industrializados e construção a seco, em

A partir da definição do método construtivo a ser utilizado, precisou ser de-

substituição dos métodos artesanais mais comumente utilizados no Brasil.

finida a modulação que viria a nortear o processo de projeto das cápsulas,

Com o objetivo de reduzir e racionalizar o processo de construção in loco, foi escolhida para o projeto a construção em estrutura metálica, uma vez que essa permite liberdade de projeto, racionalização e agilidade na construção, redução de desperdício e facilidade de montagem in loco. Para o fechamento vertical das cápsulas, foi escolhido o sistema de Light Steel Framing. Apesar de ser relativamente recente no Brasil, onde ainda é pouco utilizado, o sistema LSF foi escolhido por apresentar diversas qualidades e vantagens compatíveis com as intenções desse trabalho. Esse sistema construtivo, também conhecido como construção a seco, consiste em um método racional e industrializado de estrutura leve feita de perfis de aço galvanizado. É um sistema com menor geração de resíduos, execução mais rápida, mais econômico, pois reduz gastos com materiais e mão de

e sobre a qual os eixos das paredes seriam estabelecidos. Para se estipular a medida mínima modular, foi necessário dimensionar o menor cômodo de acordo com suas exigências. No caso das cápsulas, o menor cômodo limitante do restante do projeto é o banheiro acessível. A NBR 9050, norma de acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, estabelece as dimensões mínimas para um banheiro acessível com ducha. Para que fosse possível que uma das medidas do banheiro fosse 2,40 metros, como estabelece a norma, a distância entre eixos deveria comportar essa medida interna do banheiro mais a medida das paredes. Dessa forma, chegou-se à medida de 50 centímetros como dimensão básica modular e, a partir disso, foi criada a malha modular, formada por eixos horizontais e verticais.

obra, além de possuir precisão na execução e orçamentação, facilidade de

Para o dimensionamento das cápsulas, buscou-se o desenvolvido um

manutenção e reformas, eficiente isolamento termoacústico e alta resistên-

modelo mínimo seguindo a norma de acessibilidade, de forma que seria

cia (OLIVEIRA, 2013; FASTCON, 2015).

possível, com apenas uma cápsula, possuir as funções necessárias para moradia, como quarto, banheiro e cozinha, e acessibilidade para pessoas

38


com mobilidade reduzida. Para a definição das dimensões e formato da cápsula mínima, uma série de limitantes e condicionantes foi levada em consideração, descritas a seguir. A tipologia das cápsulas foi inicialmente retangular, entretanto uma das características objetivadas no projeto é a interligação do meio interno e o meio externo com a criação de pátios internos e poços de luz, de forma a possibilitar iluminação e ventilação natural mesmo em caso de terrenos estreitos. Portanto o formato das cápsulas deveria favorecer a formação desses pátios. Dessa forma, o formato foi sendo modificado até chegar à forma semelhante à letra T.

38

Entretanto, o Código Sanitário estabelece áreas mínimas para os poços de luz, sendo essas 6m² para casos de edificações térreas e 10m² para sobrados. Assim sendo, o formato padrão das cápsulas deveria possibilitar que os pátios internos se adequassem às definições da legislação, o que não era possível com a tipologia em T, sem que o comprimento da cápsula fosse aumentado, o que viria a dificultar a implantação do sistema em terrenos de pequenas dimensões. A partir desses fatores, a tipologia da cápsula foi trabalhada e ajustada,

A=7,3m²

A=14,65m²

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resultando em um modelo em L (Figura 38), no qual a medida do pátio seja adequada para edificações térreas e, no caso de haver o segundo pavimento, é possível modificar a posição das cápsulas de forma que as áreas designadas aos pátios de somem, resultando em uma medida compatível com o código de obras (Figura 39).

Figura 38: Processo de desenvolvimento da tipologia padrão Figura 39: Área dos poços de luz Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

39


Com a definição da tipologia a ser seguida, foi possível dimensionar a cáp-

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sula mínima (Figura 40) e estabelecer as medidas padrão (Figura 41), a partir das quais as outras cápsulas foram desenvolvidas, seguindo o mesmo modelo para que todas tivessem as mesmas dimensões e pudessem, dessa forma, ser combinadas ou sobrepostas, de acordo com a necessidade e vontade dos usuários. Outro ponto que precisou ser levado em consideração foi o das aberturas. Tendo sempre por objetivo um bom aproveitamento de iluminação e ventilação natural para reduzir a necessidade do uso de medidas paliativas pra o conforto ambiental, foram propostas aberturas amplas que podem variar de acordo com as características de cada local de implantação. Outra intenção do projeto é a integração dos espaços, afim de que o layout defina os ambientes, garantindo assim mais liberdade de intervenção ao usuário. Para tanto, foi priorizado o uso de portas camarão nas aberturas entre as placas, pois garantem mais amplitude de abertura e integração dos ambientes, mas ainda mantendo a possibilidade de fechamento. Além disso, são propostas também diferentes formas de proteção das aberturas, como brises pivotantes, placas móveis de brises e elementos vazados, sempre levando em conta que esses fatores projetuais podem variar de acordo com a região de implantação, orientação solar, características bioclimáticas e necessidades do usuário. Figura 40: Cápsula mínima Figura 41: Dimensionamento padrão da cápsula e malha modular Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

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0 9 . 0 3 . C Á P S U L A S Como resultado do processo de projeto, foram desenvolvidas 17 cápsulas e 7 anexos com a intenção de possibilitar um grande número de combinações para que seja conferida ao usuário liberdade durante o projeto e escolha da tipologia mais adequada para suas necessidades (Figuras de 42 a 68). Na representação das unidades, o layout e a posição das aberturas são propostas, uma vez que podem variar de acordo com a necessidade, escolha ou combinação de cápsulas.

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Figura 42: Cápsula - Cozinha, área de serviço e sala - modelo 1 - layout 1

Figura 46: Cápsula - Cozinha, área de serviço e sala - modelo 3

Figura 43: Cápsula - Cozinha, área de serviço e sala - modelo 1 - layout 2

Figura 47: Cápsula - Cozinha e área de serviço

Figura 44: Cápsula - Cozinha, área de serviço e sala - modelo 2 - layout 1

Figura 48: Cápsula - Sala

Figura 45: Cápsula - Cozinha, área de serviço e sala - modelo 2 - layout 2

Figura 49: Cápsula - Sala e banheiro

Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

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Figura 53: Cápsula - Suíte, banheiro e circulação Figura 54: Cápsula - Quarto e banheiro Figura 55: Cápsula - Suíte - modelo 1 Figura 56: Cápsula - Suíte - modelo 2 Figura 57: Cápsula - Suíte e circulação

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Figura 58: Cápsula - Quarto, banheiro e circulação modelo 1 - pavimento superior

Figura 50: Cápsula - Quarto, banheiro e circulação

Figura 59: Cápsula - Quarto, banheiro e circulação modelo 2 - pavimento superior

Figura 51: Cápsula - Quarto, escritório e circulação

Figura 60: Cápsula - Modelo Mínimo

Figura 52: Cápsula - Suíte, escritório e circulação

Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

42


Conforme foram sendo experimentadas diferentes combinações das cápsulas, surgiu a necessidade da criação dos anexos e expansões, para garantir ainda mais liberdade de projeto e aumentar a capacidade de proporcionar edificações completas e adequadas.

A proposta do projeto é proporcionar opção ao usuário, desde a escolha e combinação das cápsulas até as possibilidades de esquadrias. Dessa forma, foi desenvolvido um catálogo de esquadrias e elementos de proteção solar que possibilitem a interação entre os espaços, filtragem da incidência de luz solar e também permitam ou não a interação entre os ambientes internos e o meio externo (Figuras de 69 a 75).

61

62

63

64

65

67

66

68 69

Figura 61: Anexo - Expansão - modelo 1 Figura 62: Anexo - Expansão - modelo 2 Figura 63: Anexo - Churrasqueira - modelo 1 Figura 64: Anexo - Churrasqueira - modelo 2 Figura 65: Anexo - Lavabo - modelo 1 Figura 66: Anexo - Lavabo - modelo 2 Figura 67: Anexo - Lavabo, circulação e roupeiro Figura 68: Escada Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

70

Figura 69: Janelas Figura 70: Abertura das janelas Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

43


Figura 71: Porta de correr - veneziana em madeira Figura 72: Brises pivotantes em madeira Figura 73: Detalhe - abertura veneziana em madeira

73

Figura 74: Portas camarão - veneziana em madeira e vidro Figura 75: Abertura - portas camarão

74

Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

75

71 44

72


As cápsulas podem ser arranjadas de diversas formas. Para ilustrar as infinitas possibilidades, foram feitos arranjos diversos, usando diferentes cápsulas, afim de facilitar a compreensão do funcionamento do processo projetual utilizando as unidades (Figuras de 76 a 91).

76

79

80

77

Figura 76: Arranjo 1 Figura 77: Arranjo 2 Figura 78: Arranjo 3 Figura 79: Arranjo 4

78

Figura 80: Arranjo 5 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

45


Figura 81: Arranjo 6 Figura 82: Arranjo 7

82

Figura 83: Arranjo 8 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

PAV TÉRREO PAV TÉRREO

PAV SUPERIOR

PAV SUPERIOR

81 46

83


PAV TÉRREO

PAV TÉRREO

84

PAV SUPERIOR

PAV SUPERIOR

86

Figura 84: Arranjo 9 Figura 85: Arranjo 10 Figura 86: Arranjo 11 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

85 47


PAV TÉRREO

Figura 87: Arranjo 12 Figura 88: Arranjo 13 Figura 89: Arranjo 14 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

PAV SUPERIOR

87 48

88

89


PAV TÉRREO

91

Figura 90: Arranjo 15 Figura 91: Arranjo 16 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

PAV SUPERIOR

90 49


0 9 . 0 4 . I M P L A N TA Ç Ã O D O S I S T E M A O projeto se trata da criação de um sistema modular que pode ser adaptado às características do local no qual venha a ser implantado. Para realizar a implantação do sistema como forma de exemplificar seu uso em diferentes situações, foi escolhida uma área localizada no condomínio “Jardins do Império”, na cidade de Indaiatuba, estado de São Paulo, demarcado em azul na Figura 92. 92

93

O condomínio em questão foi escolhido por se tratar de uma área à qual tenho fácil acesso e cujas informações técnicas são acessíveis, além de ser adequado à premissa desse projeto, apresentando lotes de 7,5 x 20m. A partir disso e com o intuito de trabalhar com a situação mais próxima da real possível e com a viabilidade de implantação do projeto final, foram selecionados 5 lotes que se encontram atualmente vagos para serem utilizados nesse projeto, os quais estão demarcados em azul na figura 93: Figura 92: Localização da área de implantação Fonte: Adaptado do Aplicativo Google Earth® Figura 93: Demarcação dos terrenos para projeto com curvas de nível Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

50

Para poder desenvolver a implantação do sistema, foi necessário buscar a zona bioclimática à qual a cidade de Indaiatuba pertence afim de seguir as diretrizes da legislação. A NBR 15220-3, norma de desempenho térmico de edificações traz o zoneamento bioclimático e apresenta as diretrizes para a construção de habitações unifamiliares de interesse social. A lei não lista a cidade de Indaiatuba, porém lista Viracopos e, por conta da proximidade entre a cidade e o aeroporto de Viracopos, será considerada Zona bioclimática 4. Uma levantamento de informações foi realizado acerca do desempenho ambiental dos materiais a serem utilizados no projeto, afim de indicar aqueles mais adequados à zona na qual o projeto está inserido. A pesquisa realizada


por Gomes (2007) apresenta as características térmicas de diversas com-

madas utilizadas para a pesquisa está bem abaixo da exigida pela norma, o

posições de paredes e coberturas em steel framing. Dessas, algumas se

que significa que é adequado para a cidade de implantação do projeto.

adequam às diretrizes da norma 15220-3 para a zona bioclimática 4. Tendo em vista os resultados alcançados pela pesquisa e levando em consideração valores adequados e simplicidade de composição dos fechamentos, foi escolhido um modelo adequado ao projeto (Figuras 94), uma vez que a lei de zoneamento bioclimático exige para a zona 4, um atraso térmico de 6,5 horas.

Com as informações trazidas por Anjos, Pietrochinski e Meira (2014), é possível realizar o cálculo de transmitância térmica de uma parede semelhante à apresentada por Gomes (2007) na figura 94. Considerando uma parede formada por três camadas de placa cimentícia de 10mm, uma camada de lã de pet de 50mm e perfis metálicos de 90mm, a transmitância térmica resultante é 0,76 W/m².K, o que está muito abaixo da exigida na NBR 15220-3. Dessa forma, serão utilizadas no projeto paredes externas com duas camadas externas de placas cimentícias, uma camada interna de placas cimentícias em áreas secas e uma placa interna de gesso acartonado em áreas

94 Como já foi abordado anteriormente, os estudos de Anjos, Pietrochinski e Meira (2014) mostram que uma parede de LSF com isolamento em lã de rocha, gesso acartonado e duas camadas de placa cimentícia apresenta

molhadas, além de preenchimento interno da estrutura em lã de pet. Para as divisórias internas, serão utilizadas paredes simples utilizando drywall, formado por uma camada de gesso acartonado de cada lado e preenchimento em lã de pet.

um valor de transmitância térmica de 0,647 W/m².K. A NBR 15220-3 de-

Os terrenos em questão apresentam dimensões de 7,5 metros de testa-

termina, para a zona bioclimática 4, que as paredes devem ser pesadas

da e 20 metros de comprimento entretanto, no condomínio no qual foram

e apresentarem transmitância térmica U £ 2,20 W/m².K. A partir dessas

implantadas as casas, o recuo frontal obrigatório de todas as construções

informações, o resultado da transmitância obtido pela configuração das ca-

é de 5 metros. Dessa forma, a área útil do terreno é de 7,5m x 15m em terrenos no meio da quadra.

Figura 94: Fechamento externo pesado

Como o objetivo da implantação nos terrenos anteriormente demarcados

Fonte: GOMES, A. P. G. Avaliação do desempenho térmico de edificações unifamiliares em light steel framing. 2007. 172 f. Dissertação (Mestrado – Área de Concentração: Estruturas Metálicas) – Departamento de Engenharia Civil da Escola de Minas, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2007.

é a demonstração da aplicação do sistema modular em diferentes casos, foram propostas cinco tipologias distintas, com orientações e topografias variadas. Além disso, a escolha das tipologias apresentadas resultou da 51


busca por diferentes formas de arranjos entre as cápsulas, tamanhos de

As curvas de nível foram remanejadas de modo a possibilitar a implantação

habitações e tipos de uso. Os terrenos escolhidos possuem diferentes di-

das casas e integrar o projeto e a topografia (Figura 95). Dessa forma, foi

mensões e particularidades e se encontram próximos, afim de se produ-

realizada a implantação dos projetos nos terrenos escolhidos (Figura 96).

zir uma pequena vizinhança com variações de implantação de cápsulas. O desenvolvimento dos projetos teve como intenção explorar uma grande diversidade de cápsulas e demonstrar variadas formas de implantação do conceito em terrenos reais. Foram utilizados dois terrenos de 7,5m x 20m localizados no meio da quadra, nos quais foram propostas duas residências de 2 pavimentos, ambas utilizando uma composição de cápsulas muito semelhante, porém arranjadas de formas diferentes. A intenção aqui foi de demonstrar a variedade possível de arranjos com as mesmas cápsulas e a liberdade que as mesmas proporcionam no momento de projeto. Também foi realizada uma proposta unindo dois terrenos, de forma a desenvolver o projeto em uma área de 15m x 20m. Para esse local, foi proposta uma habitação térrea de maior dimensão e que faz uso da topografia para criar diferentes níveis na casa. Além disso, foram escolhidos dois terrenos de esquina, localizados em la-

95

dos opostos da rua. Os terrenos possuem formatos diferentes, o que influencia na área útil dos mesmos, uma vez que devem ter um recuo de 5 metros em ambas as fachadas voltadas para a rua. Dessa forma, as duas habitações utilizaram disposições totalmente diferentes, mesmo se tratando de duas casas de apenas um quarto. Com isso, foi possível, mais uma vez, ilustrar as variedades possíveis mesmo buscando-se o mesmo plano de necessidades. 52

Figura 95: Planta de remanejamento das curvas de nível Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé


1

2

1 2

3

Figura 96: Planta de remanejamento das curvas de nível

4

5

Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

96

53


Além da proposta do reuso de água e da implantação de painéis fotovoltaicos para o aproveitamento da energia solar para aquecimento da água e geração de energia, foram utilizadas estratégias de projeto para a melhoria do conforto e desempenho ambiental das construções. Tendo em mente a orientação dos terrenos, foi realizada a disposição das cápsulas de forma a não posicionar ambientes de maior uso voltados para as fachadas de maior incidência solar, além de posicionar aberturas estrategicamente para que possa ser aproveitada a luz natural porém sem excesso de incidência solar, afim de manter o conforto térmico dentro da residência. Outra estratégia para garantir conforto à habitação foi uso de elementos para a filtragem da luz solar, permitindo ainda a passagem de iluminação natural. Além disso, foram propostas portas camarão e de correr feitas em veneziana de madeira, de modo que o interior fique protegido da luz direta quando necessário. Além disso, foram propostas portas de vidro em locais onde não há incidência direta de luz solar, como fachadas sul, ou nos quais a abertura é protegida, de modo a valorizar a interação com o meio externo e uso de luz natural. Também foram propostas placas móveis de brises e elementos vazados afim de proteger aberturas ou promover maior privacidade para o interior da casa ou pátios internos. Para a cobertura das casas, foram propostas telhas metálicas isolantes, que apresentam baixo peso próprio, por conta do material do qual são compostas, possuem bom isolamento acústico e térmico, além de apresentarem alta durabilidade e redução da estrutura necessária para a sustentação da cobertura. 54


55


CASA 1 A casa 1 foi projetada em um terreno de 15 x 20m. Nela, foram utilizadas 4 cápsulas e 3 anexos. Os quartos foram posicionados na fachada leste, para que recebam luz solar direta no período da manhã. Para a fachada oeste, foram posicionados ambientes de menor uso, como lavanderia e lavabo. Além disso, as aberturas para a orientação de maior incidência solar foram protegidas, de forma que os cômodos possam fazer uso de luz natural sem que o conforto térmico seja prejudicado. Foi feito o uso de elementos vazados (1) e brises móveis (2) para garantir maior privacidade aos usuários, além de funcionarem como proteção solar, principalmente em aberturas voltadas para oeste (2). Outra singularidade dessa casa é o uso do relevo para criar níveis no interior da construção. Entre a área dos quartos e da sala, foram usados 3 degraus para vencer o desnível de meio metro. Dessa forma, é amenizada a diferença de nível, fazendo com que a vizinhança fique mais homogênea, e também diminui o volume de movimento de solo necesspário para a implantação da casa.

Figura 97: Planta baixa - casa 1 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

56


1,56

N 0,50

0,52

0,50

1,51

0,52

0,52

0,50

S

1

0,00 0,02 0,04

0,02

0,00

2

0,02

5,20

BAIXA CASA 1 97 PLANTA Escala 1:100

2,00

0,02

3

2

1

0

5

57


CASA 2 A casa 2 foi projetada em um terreno de esquina de aproximadamente 200m². Nela, foram utilizadas 2 cápsulas e 1 anexo. A tipologia em questão apresenta um modelo bastante básico, com apenas um quarto. Afim de otimizar o espaço e a funcionalidade da casa, foi utilizada a cápsula com banheiro e quarto separados, o que elimina a necessidade de um lavabo. A edificação também conta com dois pátios internos (1 e 2) para aproveitar iluminação e ventilação natural, além de uma pequena varanda criada pelo uso de brises móveis (3). A orientação do terreno é favorável, tendo as duas fachadas voltadas para leste e sul.

Figura 98: Planta baixa - casa 2 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

58


5,21

N

0,02

5,78

0,04

3 0,04

0,04 0,02

0,00

0,00

0,00

1

BAIXA CASA 2 98 PLANTA Escala 1:100

2

3

2

1

0

5

59


CASA 3 A casa 3 foi projetada em um terreno de 7,5 x 20m. Nela, foram utilizadas 4 cápsulas e 2 anexos. Esse projeto se trata de uma edificação de dois pavimentos, contendo sala, lavabo, cozinha, área de serviço e churrasqueira no pavimento térreo, e uma suíte e um quarto com banheiro no pavimento superior. Os quartos e ambientes de maior uso foram posicionados voltados para o sol da manhã, o que melhora as características de conforto da habitação. A disposição das cápsulas e anexos faz com que a casa possua um grande pátio na parte do fundo do terreno, que serve como fonte de luz e ventilação natural. A presença de aberturas em todas as orientações, fato possibilitado pelo uso de pátios internos, favorece a ventilação cruzada, melhorando o conforto

N

1,56

térmico nos ambientes.

5,71

0,02

0,04 0,00 0,04

0,02

BAIXA CASA 3 - TÉRREO 99 PLANTA Escala 1:100

60

0,00

0,02

3

2

1

0

5


Figura 99: Planta primeiro pavimento - casa 3 Figura 100: Planta segundo pavimento - casa 3 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

N

3,26

3,28

3,28

3,28

3,26

100

PLANTA BAIXA CASA 3 PAV. SUPERIOR Escala 1:100

3

2

1

0

5

61


CASA 4 A casa 4 foi projetada em um terreno de 7,5 x 20m. Nela, foram utilizadas 4 cápsulas e 1 anexo. Com o programa e a escolha das cápsulas bastante semelhantes à casa 3, essa edificação varia na forma como as cápsulas são arranjadas. O posicionamento das cápsulas fazendo com que seus pátios se somem, o que permite bastante integração entre a área interna e a área externa, além da iuminação e ventilação natural. Além disso, esse projeto conta também com o uso de placas móveis de brises (1), o que permite a filtragem da incidência de luz solar, favorece a intimidade do interior da casa e também garante uma fachada dinâmica.

A

1,56

N

2,11

0,04

1 0,04

0,00

0,00

5,00

0,00

0,02

0,02

B

B BAIXA CASA 4 - TÉRREO 101 PLANTA Escala 1:100

3

A

62

2

1

0

5


Figura 101: Planta primeiro pavimento - casa 4 Figura 102: Planta segundo pavimento - casa 4 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

A

N

3,28

3,26 3,28

3,28

3,26

B

B

PLANTA BAIXA CASA 4 102 PAV. SUPERIOR

3

Escala 1:100

2

1

0

5

A

63


Figura 103: Corte AA - casa 4 Figura 104: Corte BB - casa 4 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

Os cortes foram feitos na casa 4 uma vez que essa apresenta elementos diferenciais, como a escada e o pátio interno. Foram feitos dois cortes passando por escada, caixa d’água e áreas molhadas com o objetivo de exemplificar a forma de implantação desses elementos. Nos cortes é possível observar o acesso até o segundo pavimento através da escada, além do forro falso, dimensionado para receber o encanamento dos banheiros localizados no pavimento superior. Também é possível observar a estrutura metálica do telhado e o local de caixa d’água e boiler, bem como as áreas molhadas.

64

103


104

65


CASA 5 A casa 5 foi projetada em um terreno de aproximadamente 255m². Nela, foram utilizadas 3 cápsulas e 1 anexo. Apesar de possuir um programa semelhante à casa 2, esse projeto utilizou diferentes estratégias para o aproveitamento do espaço. Foi criado um pátio central que atende à cozinha, sala e banheiro, fornecendo iluminação e ventilação natural. Nessa edificação, os ambientes são integrados criando uma grande sala central, a partir da qual pode-se acessar a cozinha, a varanda interna e o quarto. Uma pequena varanda é criada no fundo do quarto, com o uso de elementos vazados (1). Nesse projeto, diferente da casa 2, foram utilizados uma suíte e um lavabo. Além disso, esse projeto aproveita a topografia para criar desnível dentro da casa, como foi feito na casa 1. O desnível de meio metro foi utilizado para criar um patamar mais baixo na área do quarto e lavabo. A orientação do terreno favorece a iluminação natural sem atrapalhar o conforto térmico, e o posicionamento das cápsulas permite a ventilação cruzada.

Figura 105: Planta baixa - casa 5 Fonte: Imagens de Victória Scallet Barnabé

66


5,15

N

0,50

0,02

1 S

0,54

0,52

0,04

0,54

0,00

0,02

0,50

5,00

BAIXA CASA 5 105 PLANTA Escala 1:100

3

2

1

0

5

67


Elevação 1 68


Elevação 2 69


70


71


72


73


74


75


76


10.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir de todo o levantamento teórico desenvolvido e organizado nesse caderno de dados, foi possível compreender os fatores e condicionantes que influenciam no projeto de uma habitação unifamiliar contemporânea. A atualidade apresenta demandas e formas de vida bastante distintas de anos atrás, pelo fato de a sociedade estar em constante modificação e adaptação. O contexto atual exige conceitos como a sustentabilidade e a flexibilidade, e é indispensável que a arquitetura utilize e desenvolva métodos para garantir aos usuários o acesso a habitação de qualidade, com conforto e funcionalidade, levando em consideração os fatores sustentáveis e ecológicos. O desenvolvimento do sistema modular utilizando materiais industrializados realizado nesse trabalho, buscou suprir essas necessidades constatadas no contexto contemporâneo e possibilitar o projeto e construção de arquiteturas habitacionais condizentes com a sociedade atual e com as individualidades de cada usuário. Fazendo uso de estratégias bioclimáticas, soluções passivas e ativas de eficiência energética e aproveitamento de recursos naturais, materiais ecologicamente amigáveis e métodos construtivos que reduzam o desperdício, além de estratégias projetuais, é possível chegar a uma arquitetura eficiente e satisfatória.

77


78


11.

REFERÊNCIAS

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ABNT (2005c). NBR 15220-3: Desempenho térmico de edificações – Parte

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