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O SEMINARISTA Capítulo 01 Eugênio tinha uns 12 ou 13 anos e Margarida era um pouco mais nova que ele, eles estavam brincando e perceberam que já estava na hora de recolher as vaquinhas. Enquanto eles tocavam as vacas, Margarida ficou sabendo de uma triste noticia: Eugênio iria para Congonhas daqui a um mês para estudar e ser padre. Ela ficou triste com a idéia de que os pais de Eugênio iriam separá-los durante muito tempo, Eugênio prometeu a ela que não iria confessar ninguém ate que ela fosse a primeira a se confessar com ele (Margarida tinha medo e vergonha de se confessar com outros padres, mas com Eugênio sendo padre ela iria abrir uma exceção). Margarida também jurou que iria a primeira missa de Eugênio. Já à noite, Margarida e Eugênio foram para a fazenda logo após de recolher todas as vaquinhas.

Capítulo 02 Antunes e sua mulher (pais do Eugênio), eram padrinhos de Margarida, pois eles tinham uma grande relação de amizade com o falecido alferes, deram a mão para a pobre desvalida viúva, e a estabeleceram em suas terras. Eugênio muito pequeno sem ter com quem brincar achou aquilo tudo uma maravilha, seus pais gostaram tanto da idéia que tratavam Margarida com todo o mimo, como se fora sua própria filha. Um certo dia Margarida desapareceu das vistas de sua baba e de seu amiguinho, quando Eugênio a achou começou a gritar para que sua mãe e Umbelina ouvissem, pois ela estava brincando com uma jararaca (uma cobra). A cobra parecia inofensiva. Quando passaram por aquele sufoco a senhora Antunes ordenou aos escravos que matassem a cobra, mas Umbelina defendeu a cobra, pois ela apenas brincou com sua filha e não lhe fez mal algum. Mas a senhora Antunes não concordava, e a lembrava que foi uma serpente que tentou Eva, e que ela não a mordeu e sim a enganou, arrastou-se aos seus pés e afagou-a para melhor enganá-la. A senhora Antunes fez uma simpatia infalível para matar a cobra: encarou-a fixamente e sem despregar os olhos dela, levou as mãos ate a cintura da saia que começou a arrochar cada vez com mais forca, murmurando certas orações e esconjuros cabalísticos. A simpatia deu certa, quando a cobra ficou imóvel seu escravo chegou com um varapau, veio dar um cabo nela, ele a arremessou no gramal e parou nos pés de D. Umbelina, que deu graças a Deus por sua filha ter sobrevivido a aquele bicho medonho. A mulher de Antunes deu uma bronca em Josefa (a escrava que cuidava das crianças), e passou a acreditar em superstições.

Capítulo 03 Às vezes Margarida dormia na casa de Antunes, pois ela passava a tarde toda lá, e quando Umbelina tinha muitos afazeres e não tinha como ir buscá-la ou quando o tempo não estava bom. Margarida era muito querida naquela casa, ela era inseparável de Eugênio e quando foi chegando na idade certa sua madrinha lhe ensinava a por as mãos na agulha e no dedal. Dia pós dia eles eram mais grudados, trocavam beijos e se enamoravam, eles ainda não eram Romeu e Julieta, mas eram inseparáveis. Eugênio já tocava aos seus nove anos, e um dia foi preciso mandá-lo morar na Vila em casa de parente, a fim de freqüentar uma escola de primeiras letras. A casa ficou muito triste com alguém chorando a todo instante, Francisco Antunes não gostava muito desta confusão só porque o menino foi estudar a uma légua e meia de distância. Eugênio ia para a fazenda todos os domingos, Margarida foi se consolando e acomodando com a sua sorte. Eugênio esteve dois anos na escola e quando voltou definitivamente para a casa paterna, Margarida, que estava entre os nove e dez anos, já não era tão assídua em casa do fazendeiro, a menina já podia ajuda a sua mãe, ela já sabia fazer tudo que era compatível a sua idade. Portanto somente aos domingos e dias santos, ou por acaso em alguma tarde costumava aparecer na casa de seus padrinhos então eles inverteram os papeis: Eugênio que iria à casa de sua tia Umbelina. A mãe de Eugênio estava ficando com raiva porque ele estava passando o dia inteiro fora de casa, quando Eugênio explicou que sua tia Umbelina tinha pedido para que ele desse aula para Margarida ela se tranqüilizou, mas ainda queria que ele passasse o dia um pouco mais em casa, então Eugênio decidiu que iria voltar um pouco mais cedo para casa. Depois de Margarida seu principal entretenimento era um pequeno oratório, que zelava com extremo cuidado e trazia sempre enfeitado de flores, pequenas quinquilharias e europeis. Ele fazia o papel de capelão, rezando terços e ladainhas e celebrando novenas com a regularidade e com uma gravidade verdadeiramente cômica. Seus assistentes eram crioulinhos da casa, e às vezes ele tinha por sacristã a Margarida, em vista de tudo isso seus pais perceberam que ele tinha vocação para ser padre, e ficaram lisonjeados. Um dia antes de Eugênio viajar, ele foi ate a casa de sua tia Umbelina para se despedir dela e de sua amiga Margarida, ele demorou mais de o de costume, tiveram que ir buscá-lo, ele estava abraçado com ela chorando muito, pois ele ia para Congonhas do Campo estudar em um seminário.

Capítulo 04 Neste capitulo o autor decide descrever como era a Capela do Senhor Bom Jesus de Matosinho. Ele diz que, segundo a lenda, o bom Jesus revelou por evidentes e repetidos milagres queria que ali erguessem seu templo e seus altares. No


novo lugar o pequeno menino de doze ou treze anos de idade, o lugar não podia deixar de ser curioso e interessante, e nem a nova fase de vida em que ia entrar deixaria de ter encantos para um menino que gostava tanto de praticas de devoção religiosa, e ele tinha uma forte tendência para o misticismo. Bom, mas como Eugênio era acostumado a correr e brincar pelos campos ele estranhou o lugar severo e monótono. Eugênio se acostumou rápido com o novo lugar e logo tomou gosto pelo seu novo modo de viver, como se fosse o elemento em que nascera, apesar de ter se acostumado rápido ele sentia muita saudade, especialmente de Margarida. Em qualquer momento ele sempre encontrava mil motivos que lhe ativavam na idéia a imagem de Margarida. Eugênio pensava em Margarida em todo o tempo na missa havia uma menina muito parecida com ela, da qual se iludia com ela, na hora dos hinos religiosos ele sempre ouvia a sua voz. No seminário eram divididos por idade, Eugênio era da classe dos submedios. Na hora do recreio enquanto os outros meninos iam brincar ele ficava triste olhando para o ocidente (direção de sua casa), e pensava na Margarida, toda vez que um grupo de meninas passava por sua frente ele suspirava pela "falsa" Margarida. Na hora das orações Eugênio rezava cada vez com mais fervor, pois estava com seu espírito tomado pelo fogo de um amor infantil.

Capítulo 05 Eugenio tinha uma simpatia de todos, porem seu progresso não estava muito bom, por causa da saudade de seu lar e de Margarida. Então ele teve que usar toda sua memória para decorar pelo menos algumas palavras do latim. O amor e a devoção estavam se confundindo na alma de um pequeno adolescente. Apesar da imagem de Margarida não sair de seu coração ela estava um pouco mais fraca, com isso Eugênio se empenhou mais, e conseguiu progredir bem mais (à medida que seu coração ia se acalmando, sua inteligência se deslumbrava). Já fazia dois anos que Eugênio estava lá. Eugenio já tinha entrado para a terceira classe do latim, ele já estava vivendo em um mundo de poesias e cada vez que lia uma poesia cheia de luz, magia e harmonia, ele lembrava de Margarida. Eugênio estava fascinado por poemas, ele começou a escrever também, e por azar em um certo dia quando ele foi para o recreio o regente foi olhar o que estava escrito em alguns papeis escondidos de Eugênio. Quando ele começou a ler ele descobriu que entre alguns esboços tinha uma longa carta cheia de versinhos amorosos para uma certa menina chamada Margarida, enquanto isso Eugênio estava sossegado no pátio pensando em Margarida.

Capítulo 06 Os versos de Eugênio eram apenas coisas toscas e imperfeitas em pequenas tiras de papel. Os versos que o regente achou menos toscos que os outros e resolveu conservar foram esses dois: Longe de teus lindos olhos, O’ Margarida, Passo a noite, passo o dia, Em cruel melancolia; Ai! Triste vida! ............................................................. Que importa estejas ausente O’ bem querida; O teu formoso semblante Estou vendo a cada instante, O’ Margarida. O que havia de mais de completo e de inteligível, era o seguinte: Enquanto o nosso gado vai pastando A verde relva ao longo da ribeira, Vamos, Menalca, repousar um pouco


A sombra da paineira. Ali tu ressoando a doce avena A Clore cantarás que é tua vida; E eu te escutando chorarei saudades Da minha Margarida. .......................................................... Mas basta; a sombra desce dos outeiros, E o sol se esconde atrás daquela ermida, E tempo de ir buscar o manso gado Da minha Margarida. O regente levou os versinhos ao diretor que leu e queria mandar um castigo para Eugênio, porque ele era muito novo para ter um coração corrompido. O diretor ficou indignado com as cartinhas e achou que Eugênio estava apenas fingindo que era santo e que ele acreditou. Quando bateu o sinal de os seminaristas se recolherem, Eugênio foi intimado pelo seu regente para comparecer no quarto do padre-mestre diretor. Foi um chamado terrível. Quando Eugênio entrou no quarto dele o padre estava furioso, pediu para que ele não escrevesse mais esses versos pecadores, ou então se ele quisesse continuar escrevendo era para ele ir embora para a fazenda de onde veio. O padre estava decepcionado com Eugênio, pois no seminário só podiam escrever versos aos anjos e a Deus, mas fazer versos amorosos era um pecado muito grande. O padre fez com que Eugênio queimassem os papeis em sua frente com suas próprias mãos, e que nunca mais ele iria escrever aquele tio de verso, Eugênio o fez, assim o padre perdoou-o. O padre pediu para ele fazer orações pedindo para se livrar daqueles pecados, que ele fizesse um jejum e pagasse uma penitencia de uma semana e logo após de fazer tudo isso que ele se confessasse.

Capítulo 07 Quando Eugênio entrou no salão todos olharam para ele com medo, porque se um santo como ele foi chamado, o que será deles? Eugênio não entendia qual era o problema de querer bem a uma menina e fazer-lhe versos. Ele sabia que um padre não podia amar uma mulher e muitos menos se casar com ela, mas, ele jamais teria pensado dessa forma a respeito de Margarida, ela não podia ser considerado um amor. Ele ficou muito confuso, pois um sentimento que parecia ser tão inocente foi considerado um crime muito grave. Ele iria obedecer ao seu diretor, mas esquecer Margarida e uma coisa que ele jamais iria fazer, porque era impossível. Ele não deixava de compreender o padre. Ele começou a sentir horrores pela idéia de amá-la, então ele começou a tentar esquecê-la, na hora da missa ele parou de olhar para as meninas, na hora do recreio em vez de pensar nela ele fazia outras coisas, na hora dos hinos ele fazia de tudo para não escutar a voz parecida com a de Margarida e procurava rezar e em seus sonhos com Margarida ele despertava e começava a rezar. Mas era tempo perdido, ele nunca iria apagar Margarida de sua mente. Ao pagar seu jejum, e cumprir suas penitencias ele escolheu o padre-mestre para se confessar, ele contou sobre suas lutas para tentar esquecer Margarida e de seu fracassos por não ter conseguido esquecê-la, o padre deu conselhos e o orientou, Eugênio procurou segui-los. Na hora do recreio ele procurava jogar bola, peteca,... Nas horas vagas ele procurava estudar e quando não tinha nada para estudar ele lia algum livro, de noite, ao invés de se entregar ao sono ele estudava ou ficava rezando. No fim de algum tempo ele estava magro, pálido, alquebrado, parecendo uma múmia. Ele estava em péssimo estado físico e moral para tentar esquecer Margarida, era uma maratona sem fim. Ele tinha que jejuar, orar, ficar com insônia, e fazer modificações continuas, ele acabou ficando nesse estado. Em fim, Eugênio esqueceu Margarida, o seu anjo de luz tina se apagado. Eugênio já estava co quinze anos de idade.

Capítulo 08 Já fazia quatro anos que Eugênio estava no seminário. Seus pais estavam com saudades, então escreveram uma carta pedindo que Eugênio passasse as ferias na fazenda, mas os padres já sabendo do seu problema amoroso não deixaram, pois, ele poderia ficar com muitas tentações. Como Eugênio estava mal de saúde e já fazia quatro anos que ele estava no seminário, os padres deixaram ele partir, não tinha como impedi-lo.


Durante a viajem ele estava inquieto, parecia voltar ao normal. Quando chegou em casa foi um dia de festa. Somente no dia seguinte ele pode ver Margarida de carne e osso (já estava muito tarde). Umbelina foi ate a sua casa com sua filha Margarida, ele olhou para ela e ficou imóvel, pálido e corado ao mesmo tempo, já Umbelina, deu um salto no rapaz e o beijou na testa. Todos estavam chamando Eugênio de "o pequeno padre". Eugênio se assustou quando viu uma mocetona tão mudada em sua frente ao invés de ver uma pequena criança que havia deixado para trás. Ele estava com poucas mudanças, nestes quatro anos, mas Margarida estava bem diferente do que antes, ele ficou impressionado como a mudança de uma mulher e tão rápida. O autor descreve a menina em muitos detalhes o que eu mais gostei foi quando ele descreveu a sua boca: era vermelha, fresca e úmida como de uma rosa orvalhada. Estavam todos tímidos, ela agora o chamava de senhor e ele a chamava de dona, tudo tinha mudado, a tia Umbelina disse que era para eles se tratarem como na época que eles brincavam de "esconde, esconde", mas não tinha como, eles já estavam jovens e tímidos para isso. Eles lembraram da jura que os dois fizeram há quatro anos atrás, e ficaram envergonhados. Para Eugênio o titulo de padre lhe parecia ser tão bonito, mas naquela ocasião ele não sabia porque lhe causava arrepios. E Margarida comentou que a sua pilheira tinha acabado, fazendo com que o rapaz ficasse desorientado.

Capítulo 09 Quando um garoto sai de um seminário ele sai para a cidade com a figura de um idiota, principalmente quando a criança já era tímida antes de ir para lá, e o caso de Eugênio. Então esta e a explicação da qual Eugênio ficava muito acanhado com a família e com sua melhor amiga. O coração de Eugênio passava por uma forte crise violenta. Por quatro anos longe de Margarida Eugênio tentava lhe esquecer e não conseguiu completamente imagine agora a vendo de perto todos os dias, seu esforço clerical estava indo por água a baixo. Margarida deu uma rosa para Eugênio e ficou com um cravo dizendo a ele que quem não cuidasse da flor não sabia querer bem, Eugênio não conseguiu dizer nada. Eugênio estava matando a saudade da vizinhança e ao caminhar respirava profundamente o ar puro do campo e das colinas da terra natal.No caminho da casa da Tia Umbelina, Eugênio encontrou-se com Margarida. Depois seguiram para a ponte das Paineiras. Margarida mostrou a Eugênio as letras gravadas em duas arvores E e M feitas no passado, que representava os dois. Margarida começa a recordar as promessas de Eugênio. Ele fica encabulado. Eugênio está decidido a não ser padre, mas está preocupado com a opinião de seus pais, que com certeza irão ficar chateados. Fizeram um novo juramento: eles sempre hão de querer bem.

Capítulo 10 Eugênio era um mocetão de 16 a 17 anos, e Margarida, com seus 14 anos era uma moca feita. Umbelina agora não permitia mais que eles ficassem sozinhos durante muito tempo, como antes. À medida que Eugênio se interessava por Margarida ele ia tomando repugnância pelo eclesiástico. Aos domingos Eugênio ajudava na missa, era a ordem de seus pais. Eugênio ficava perturbado ao ver Margarida na missa. A freqüência de Eugênio em casa de Margarida já causava desgostos e equitação a seus pais. Depois de muita pressão de sua mãe, Eugênio confessou a ela que não queria ser mais padre, sua mãe ficou furiosa com a péssima noticia que recebera. Eugênio ficou aliviado, mas sua mãe não queria aceitar, e disse que iria falar com o pai dele para devolvê-lo ao seminário mesmo antes das férias terem terminado isso se ele continuasse freqüentando a casa de Margarida. Eugênio se perguntava o porque que ninguém o aconselhou a respeito de seus sentimentos. A Sr. Antunes lembrava da cobra no corpo de Margarida e refletiu convencendo-se que a menina estaria seduzindo seu filho para a perdição. Eugênio, proibido de se encontrar com Margarida, resolveram encontrar-se à noite expandindo os seus afetos.

Capítulo 11 Algum dia depois da proibição de Eugênio ir à casa de Umbelina, houve um mutirão em sua casa. Mutirão e um costume dos pequenos lavradores, ou da gente pobre dos campos, que vivem como agregados dos grandes fazendeiros, e que não possuem terras. Quando chega o tempo de qualquer dos serviços de roça: roçar, plantar, capinar e colher – o pequeno roceiro convida seus parentes, amigos e conhecidos da vizinhança para vir ajudá-lo, e todos pelo direito costumeiro são obrigados a vir dar-lhe uma mão – e a frase usada. O dono ou a dona da casa tem por obrigação uma boa mesa, os divertimentos e folguedos. Assim trabalhava-se de dia e a noite toca a comer e beber, a dançar a cantar e folgar. Eugênio não foi ao mutirão, ele ficou em casa impaciente e desesperado ouvindo os barulhos da festa. Ele estava curioso de ver como Margarida se comportaria em uma reunião. Como estava perto de Eugênio voltar para o seminário Eugenio decidiu ir para casa de seu primo que morava ali perto (na vila de Tamanduá), seus pais concordaram, pois, achavam que ele iria esquecer Margarida (ele estava enganando seus pais, ele queria mesmo era ir para a festa).


Margarida ficou surpresa ao vê-lo Eugenio acanhado, aproximou-se da roda. Ele ficou surpreso ao ver um rapaz (Luciano), que estava interessado em Margarida, ele se achava entre todos o melhor pretendente para ela. Luciano não conhecia Eugenio. Luciano foi aos ares quando os viu, sentiu ciúmes.

Capítulo 12 Quatragem e a dança pitoresca dos camponeses formada por quatro pessoas, Luciano convidou Margarida e Eugênio para dançar, ambos não aceitaram, Luciano insistiu e acabou descobrindo que o rapaz era filho do Capitão Antunes. Luciano teve uma discussão com Umbelina que defendia Eugênio, Luciano revoltado foi embora dizendo que nunca mais íris colocar os pés ali novamente. Eugênio e Margarida aproveitando o tumulto, trêmulos retiraram-se para um canto.

Capítulo 13 Dissolvida a reunião, Eugênio seguiu para a Vila e ficou durante dois dias. Seu pai foi buscá-lo. Eugênio estava desconfiado que seu pai já estava sabendo da confusão no mutirão, Eugênio estava certo. Levou uma bronca de seu pai Antunes. O senhor Antunes revoltado ameaçou expulsar Dona Umbelina e sua filha de suas terras. Eugênio confessou a seu pai que ele não tinha mais vontade de ser padre. O pai de Eugênio disse antes de acabar as férias ele iria voltar para o seminário, no dia seguinte. Isto para Eugênio era como um prenúncio de morte. Sua mãe também não voltava atrás.

Capítulo 14 Eugênio estava febril e tendo noites com insônia e pesadelos perturbadores. Enquanto amanhecia um dia maravilhoso, onde toda natureza parecia estar em festa, só Eugênio estava triste e sombrio, nada o deixava contente. Com o olhar perdido ele fixava em algo, mas sua mente estava em outro lugar. Eugênio foi pedir a sua mãe para se despedir de sua tia e de sua paixão, Margarida, sua mãe contestou dizendo que eles ainda iam se ver, mas ele ainda tinha esperança de encontrá-la à noite. Eles se despediram, Eugênio pede mais um beijo ele puxou que sempre ia quebrá-la, ela chorava e ele prometeu voltar e disse que nada mais o separariam. Ela disse que ia morrer de saudade, mas ele iria fazer tudo para sair do seminário, se despediram com um beijo e disseram adeus.

Capítulo 15 Os seminaristas Congonhas do Campo viam o anoitecer depois que a sineta havia vibrado a hora do recolhimento, onde seus companheiros, pálido e abatido, atravessar de braços cruzados e olhos baixos a longa fila de dormitórios, e encaminhar-se para o quarto do padre diretor e ali ficar largo tempo em íntima e misteriosa prática, ao principio era por fim um menino travesso e brincalhão como os outros, iam-se tornando o moço cada vez mais tristonho e misantropo. Grave e pausado como velho ermitão formava um vivo contraste com a tumba jovial de seus gárrulos e travessos companheiros; dir-se-ia triste e moroso noitibó perdido entre um bando de inquietos chilradores melros. Os seminaristas novos que ainda não conheciam, telo-iam tomando por um idiota, se na aula o rapaz não devolvesse prodígios de memória e de inteligência dando de si melhores contas de que nenhum outro. O pai de Eugênio, reenviando-a para o seminário, tinham escrito aos padres comunicando-lhes os desvios e desregramentos de seu filho e pedindo-lhes muito encaricidamente que tomassem debaixo de seu particular cuidado dirigir-lhe a consciência e procurar desarraigar-lhe do espírito de certa paixãozinha. Para o pai diretor não era nenhuma novidade. Ele se esquece dos versos feitos para Margarida. Em viagem para o seminário Eugênio com o coração cortado de angústia e de saudade e cheio de despeito contra a tirania paterna, formava em seu espírito o projeto de mostrar-se inteiramente rebelde à disciplina claustral, firme nesta coisa ate o padre começou a ter conversas, pois Eugênio estava muito mal. Eugênio disse não posso, não consigo combater o mal!

Capítulo 16 Mais um ano se passou e ele na mesma vida depressiva, os reverendos decidiram escrever uma carta contando seu estado de melancolia e apesar de todos os seus esforços tudo foi em vão. Eles deram a idéia de casar Margarida, assim Eugênio sabendo que a menina havia se casado ajudaria a banir o espírito, aquela teimosa tentação. Antunes sabendo que Luciano tinha atração por Margarida e era um ótimo rapaz achou que ele seria um bom marido. Margarida resistiu a tudo que seus padrinhos falaram e que não casaria com Luciano, ou qualquer fosse o homem. Umbelina havia afagado no espírito a esperança de unir Eugênio e Margarida. Umbelina deixava os acontecimentos seguirem seu curso natural, contanto, todavia que não se afastassem no que lhe tocavam de perto do caminho da


honra e honestidade. Mas não deixou de aconselhar sua filha as vontades dos padrinhos. Margarida a sua alegria e o sucesso fugiram de sua alma onde só havia saudade tinham firme crença em seu amor por Eugênio. O espírito religioso, que constituía um dos traços mais proeminentes do seu caráter lhe fazia olhar com veneração aquele edifício morada dos padres santos, e consideraria o mais abominável dos pecados profaná-lo com o ato de desregramento e rebeldia. Contentou-se em chorar sobre sua sorte. A saudade o devorava. Eugênio sofria muito, com muito custo se continha em não blasfemar, mas não tentava combater essa paixão, pois sabia que era impossível. O tempo foi passando e os padres começavam a se preocupar com o estado deplorável de Eugênio. Antunes expulsou Margarida e sua mãe de forma rude e grosseira do "jardim das delícias - o Éden".

Capítulo 17 Eugênio estava perdido. Ele decidiu correr aos pés de Jesus, suas lágrimas o regou seus pés e os beijou implorando-lhe que lhe acalmasse aquela febril agitação que lhe queimava o cérebro trazendo-lhe a paz no coração. Eugênio ao completar 19 anos, teve que dormir na turma dos grandes que se chamava seminaristas ou candidatos ao sacerdócio. Nesta cela, particular, ele poderia devotar a seu Deus, ele estudava matemática, filosofia e teologia, mas isso não fez com que ele esquecesse de Margarida, ele sempre se lembrava de Margarida orando ao seu lado junto a Virgem Maria. O triunfo era certo, Eugênio se entregara a sua vocação – o sacerdócio. Seu Antunes recebeu uma carta informando-lhe que Eugênio estava certo de sua vocação, na pedia-se para que comunicassem o casamento de Margarida. Eugênio mantinha-se firme na resolução de não tomar ordens, pois tinha jurado a Margarida. Margarida, mesmo não podendo ser sua esposa era sua irmã; embora o não fosse pelo sangue, o destino, colocando junto ao seu o berço dela, os tinha feito irmão pela alma. Eugênio desesperado queria fugir do seminário, o mais breve possível.

Capítulo 18 Eugênio com seus vinte anos tentava se convencer que não sente mais um amor entre homem e uma mulher mais sim como uma irmã. Um dia conversando com um padre ele disse que estava certo que um amor é impossível de ser banido. O padre disse que ele deveria orar, pois era, uma forma de combater a tentação. Eugênio perguntou ao padre se jurar era uma traição se não cumprida e ele respondeu, que juramento inspirado pelas sugestões do demônio não é juramento. O espírito de Eugênio ficou abalado. Ele estava com uma luta entre duas paixões a Margarida e a religião. Era domingo. O padre Jerônimo foi convidado a pregar o sermão desse dia. O principal tema do sermão foi os desvarios das paixões mundanas, o apetite sensual e o elogio da castidade e concluiu realçando com um desenho feito por ele mesmo de uma pintura da sedução de Eva tentada pela serpente no paraíso, e que essa serpente destilaria dos lábios enganosos o veneno que nos dá morte à alma e nos faz perder para sempre as delícias da celeste de Jerusalém. Eugênio lembrou-se de Margarida afagada por uma cobra. Para Eugênio isso tinha sido um aviso do céu. Eugênio adormeceu ajoelhado, teve um sonho com Margarida. O sonho impressionou-o vivamente à vontade do céu. Ele compreendeu que Margarida era morta e transformada em anjo do céu como já fora sobre a terra, viera-lhe anunciar que era só ordenando-se que se encontraria com ela na bem-aventurança.

Capítulo 19 O padre chamou Eugênio e disse que tinha uma notícia em uma carta que seu pai enviou. Eugênio perguntou se era a respeito de seu pai, ele negou. Perguntou se era de Margarida, ele disse sim. Eugênio pálido perguntou se ela havia morrido e o padre contou que ela havia se casado. Ele ficou confuso, pasmo, doeu muito em seu coração, encostou na mesa para não cair. O padre pensou que não podia ser resultado imediato daquela situação mas sabia que seria o golpe fatal. Eugênio desenganado entrou em seu quarto gritando Margarida infiel. Eugênio ficou indignado, contudo que acabara de ouvir. Ele blasfemava, estorcia-se e entrava em acessos febris. Ele preferia que Margarida fiel ao seu amor houvesse sucumbido vítima da mágoa e da saudade. Ele se odiava e tinha vergonha de si mesmo. Às vezes, depois de alguns dias Eugênio pensava em se vingar ou em suicídio outras vezes se culpava da deslealdade de Margarida. Seu espírito parecia ter adormecido. O padre diretor procurou consolá-lo.

Capítulo 20 Banidas da fazenda do capitão Antunes, Umbelina e Margarida tomaram o caminho da vida de Tamanduá, onde Umbelina possuía uma pequena casa habitada por uma velha parenta.


O anjo do amor puro velava desde o berço sobre a encantadora Margarida, e com suas asas cândidas afugentava para longe dela as larvas do gênio da devoção. Entregue a melancolia e ao desalento após a partida de seu querido companheiro de infância, Margarida, ainda que aparentemente robusta e sadia sofria de um mal de coração. Ao seu aspecto, ninguém à primeira vista adivinharia que um germe de morte lhe ia solapando a existência. Apenas uma esperança e um dever lhe davam ânimo para continuar vivendo. Era a esperança de ver ainda um dia o seu querido Eugênio, e o dever para sua pobre mãe. O destino impiedoso, porém, a livrou de um desses cuidados: Umbelina, velha e enferma, faleceu deixando a órfã mais desvalida e angustiada que nunca. Ela, porém resistia ainda alentada ainda por uma ultima esperança – à volta de Eugênio. Esta ultima esperança era o início e débil feio que ainda a prendia a existência. Poucos meses após a morte de Umbelina, Margarida sente-se sufocada e quase lançada ao chão sem sentidos. A moça pediu a sua velha parenta para que chamasse o vigário, pois sentia que não tinha tempo de vida. A velha, mesmo relutante, fez a vontade de Margarida.

Capítulo 21 Na tarde deste mesmo dia, na sala de visita de uma casa de sobrado das melhores da antiga vila de Tamanduá, achavasse uma reunião de várias pessoas gradas e notáveis do lugar. Eram visitas que vinham cumprimentar a um jovem sacerdote. Faltavam-lhe apenas mais alguns meses de noviciado para ser definitivamente admitido no seio da Congregação. Era o padre Eugênio, filho do capitão Antunes, que acabava de chegar a Tamanduá. Porém apesar de toda cortesia e afabilidade com que acolhia os visitantes, via-se que o padre estava entregue a uma penosa preocupação, que mal podia ser anulado. Havia ele chegado na véspera à fazenda de seu pai, onde pernoitara. A noite que passou na fazenda foi para ele uma noite de horríveis inquietações e tribulações de espírito. No outro dia o padre Eugênio levantou-se com o espírito cheio de vagas apreensões. Em companhia de seus pais, posse a caminho da vila. Ao avistar em distância a casinha de Umbelina, fora informando pelo pai sobre a morte da velha e o suposto casamento de Margarida. À noite, quando havia apenas poucas visitas, bateram à porta; um jovem procurava o padre Eugênio. O jovem informou sobre uma moça que estava em grande risco de vida. O padre desculpou-se com as visitas e saiu em companhia do rapazinho que o vira chamar. Este o foi conduzindo até uma viela. Ali parou á entrada de uma casinha. Sugeriu à porta uma velhinha.

Capítulo 22 No quarto da enferma, apesar da sua pobre simplicidade, reinava uma ordem e asseio, que contrastava com o aspecto miserável do resto da casa. Margarida estava sobre a cama deitada, meio assentada, com as costas apoiadas na cabeceira, os braços cruzados e a cabeça pendida sobre o peito. Não aparecia uma pessoa que precisava dos últimos socorros da religião. Mal deu com os olhos na moça, o padre estacou de repente, fez um gesto de espanto e dava mostra de querer sair precipitadamente. Desde o primeiro momento Eugênio e Margarida se haviam reconhecido, sem dizer, porém, uma única palavra. Eugênio, tentando aparentar seriedade, perguntou se era mesmo Margarida que estava deitada. A moça exclamou que sim, com vivacidade. O padre queria retirar-se, e disse à Margarida que a moça não precisava pedir confissão. Margarida foi insistente ao pedir que Eugênio ficasse. Este perguntou por seu marido, e soube, assim, que a moça não era casada. Margarida continuava insistindo em se confessar, apesar de afirmar melhora com a visita de Eugênio. A moça começou a chorar. O padre encarou-a com doçura, pediu que não chorasse e tocou seus lábios com instintivamente. Por alguns instantes, ficaram ambos em silêncio. Eugênio pediu perdão à Margarida que, também se sentindo culpada, pediu que o padre voltasse no outro dia. Eugênio ficou por um momento pensativo, mas que cumpria a vontade dela.


Capítulo 23 Eugênio ainda não acreditava que seu pai havia mentido. A paixão que acreditara não existe mais não havia extinguido se debaixo das vestes sangradas do sacerdote. Entrando em casa, não queria ver pessoa alguma e recolheu-se sozinho em seu quarto. Rezava para que tudo passasse. No dia seguinte pergunto-lhe seu pai quem era a moça, respondeu que era apenas uma rapariga, que na verdade, nem precisava de cuidados. O padre durante a noite jurou que não iria voltar mais à casa de Margarida apesar da promessa. Portanto ao sair de casa dirigiu-se para o lado oposto ao bairro em que ela morava. Porém, ao final da caminhada, se encontrou nas vizinhanças da habitação, de que fugia. Pensando no estado de saúde de Margarida, Eugênio resolveu visitá-la. Margarida, depois que Eugênio saíra na véspera, sentia-se tão aliviada, que lhe parecia ter voltado ao gozo de perfeita saúde. Quando Eugênio entrou, Margarida estava recostada ao travesseiro. Achava que a moça estava zombando dele e estranhou a vivacidade dela.

Capítulo 24 No dia seguinte, domingo, o padre Eugênio tinha de dizer a sua primeira missa na vila de Tamanduá. Depois da missa um lauto jantar esperava os convidados. Porém o padre de palidez cadavérica. Apenas o padre tinha acabado de fazer uma breve oração, quando a ele se dirigiu uma pobre velha e lhe pediu para fazer a encomendação a um cadáver que ia dar a sepultura, e que se achava no corpo da igreja. O padre ficou transito de horror. O templo estava quase deserto. O sacristão tirou o lenço ao rosto da finada; o padre soltou um grito e foi socorrido pelo sacristão. A finada era Margarida. O padre limpou o suor gelado. Chegando à escada que se sobe para o altar-mor o padre parou, e quando já todos de joelhos esperavam que rezasse o "intróito", viraram-no com assombro arrancar do corpo um por um todos os parlamentos sacerdotais, arrojá-los com fúria aos pés do altar, e com os olhos desvairados, os cabelos hirtos, os passos cambaleantes, atravessar a multidão pasmada, e sair correndo pela porta principal. Estava louco... louco e furioso.

O smeinarista  

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