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vezes, até que o governador da época mandou que a imagem fosse levada para a capela do Palácio do Governo, onde ficou guardada pelos soldados, que passaram a noite em vigília, para impedir que alguém ali penetrasse ou de lá saísse. Mas, no dia seguinte, a santa foi de novo encontrada às margens do igarapé, no mesmo lugar para onde sempre retornava, com gotas de orvalho e carrapichos presos a seu manto, numa “prova” da longa caminhada através da estrada: a santa “viva” novamente se locomovera por seus próprios meios. Para atender aos desejos da santa, Plácido resolveu então construir uma pequena ermida para abrigar a imagem. A notícia do “milagre” espalhou-se rapidamente, atraindo para a palhoça do caboclo os lenhadores seus vizinhos e os

habitantes da cidade que, de curiosos, passaram a engrossar as fileiras dos devotos da santa milagrosa. A cada ano aumentava o número dos que iam até a cabana do caboclo a fim de ofertarem ex-votos – objetos de cera representando membros do corpo humano, muletas ou retratos, forma utilizada pelos fiéis para demonstrar o reconhecimento por graças alcançadas – aos pés do altar. Nas peregrinações sobressaíam-se os círios ou velas de cera que, tal como em Portugal, depois passaram a denominar a própria procissão feita em homenagem à santa. O primeiro bispo do Pará, Dom Bartolomeu do Pilar, visitou a modesta ermida da santa e incentivou a devoção iniciada pelo caboclo Plácido. Entre 1730 e 1774 construiu-se

Círio de Nazaré - 10

Círio de Nazaré  

Livro desenvolvido como trabalho Acadêmico para o curso de Design Gráfico do Instituto INFNET

Círio de Nazaré  

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