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Gazeta Universitária 27 de Junho de 2012 — 1ª EDIÇÃO Aline Salmin, Gabriel Zuccolotto, Lorena Martins, Marcos Paulo Assis, Paulo Machado, Thaís Scarlet e Victor Albergaria

EDITORIAL As mídias impressas sempre foram úteis para a veiculação da informação e formação crítica da sociedade. Sabe-se que no século XXI as mídias impressas tem valor fundamental para que a informação, cada vez mais rápida, seja veiculada com ética e compromisso social. É útil então, que este jornal se valha da responsabilidade que a mídia impressa tenha: auxílio na formação crítica do cidadão. E nada mais claro que veicular tal formação à criança e ao jovem. Sendo assim, é função da comunicação social, a informação para a formação. Para que a junção da informação para a formação seja efetiva, torna-se necessário que as mídias impressas sejam analisadas criticamente no ambiente escolar. E é dessa forma que o Jornal da UFU traz, em sua primeira edição, o modo de formação responsável no âmbito escolar e jornalístico.

Senso (In)Comum mobiliza escolas O Senso (In)Comum, jornal produzido pelos alunos do curso de Comunicação Social - Jornalismo da UFU, vem recebendo diversos elogios de toda a comunidade universitária. Mas os limites do ensino superior foram ultrapassados: neste ano, o projeto pulou os muros do campus Santa Mônica e agora também faz parte dos projetos pedagógicos de diversas escolas da cidade de Uberlândia. Cindhi Belafonte, editorachefe, repórter e redatora do Senso, conta como funciona o projeto nas escolas. “Primeiro, optamos pelas escolas porque queríamos divulgar e popularizar o jornal, e achamos que entre os alunos de ensino médio que estão almejando a UFU, isso seria mais fácil de acontecer.” Cindhi ainda conta que foram selecionadas 20 escolas, e que foram priorizadas as de ensino médio e as da região mais central de Uberlândia. “Tanto as públicas quanto as particulares. A gente queria distribuir em todas, mas a quantidade de escolas aqui em Uberlândia é muito grande e não daria. Seriam 10 exemplares para cada uma e ia fugir da proposta.“ Ela afirma que o processo é trabalhoso. “A gente coloca os jornais dentro do carro da professora orientadora, Ana Spannenberg, da Daniela (Protetora) e de uma das bolsistas. Então são três eixos de distribuição. E daí passamos de escola em escola distribuindo.” Quando o jornal sai da gráfica, as responsáveis contam os exemplares (por escola, são distribuídos uma média de 35 exemplares), ligam e informam que irão entregar naquela semana. “Vamos de carro, entregamos os exemplares, geralmente na própria portaria e deixamos lá. Eles se encarregam da distribuição interna.” A estudante também frisa que a distribuição dos jornais tem surtido efeito na grade pedagógica das esco-

las. ”Agora a gente está ligando pras escolas pra ter um feedback. Se deu certo, se eles querem mais exemplares, se emplacou de verdade o projeto ou se só estão acumulando os exemplares lá. Mas até o momento, todas as escolas disseram que o projeto está dando certo, que gostaram. Algumas estão desenvolvendo atividades com os alunos do terceiro ano. “ A ideia surgiu no ano passado, quando um professor de geografia de uma escola pública da região contatou a equipe do Senso. O professor perguntou se havia a possibilidade de uma distribuição descompromissada para sua escola, pois queria trabalhar assuntos do jornal em sala de aula. “A gente gostou muito, claro, levou os exemplares e agora no começo desse ano, a gente imaginou, ‘por que não continuar isso?’”, conclui Cindhi .

A Escola Estadual de Uberlândia (MUSEU) é uma das escolas contempladas pelo projeto do Senso Incomum iniciado este ano. (Foto: Reprodução)


REPORTAGEM ESPECIAL Distribuição de jornais auxilia aprendizado de estudantes O programa Algar Lê-Correio Educação de distribuição de jornais nas escolas públicas da rede municipal de ensino de Uberlândia, desenvolvido pelo grupo Algar mídia em parceria com a Prefeitura Municipal, vem contribuindo para a alfabetização e o estímulo à leitura e escrita dos estudantes há 18 anos. Surgido em 1994 por iniciativa de uma professora da rede municipal, o programa atende atualmente 15 instituições do ensino fundamental. Adonai de Cassia Naves Rocha Oliveira, diretora da Escola Municipal Irmã Odélcia Leão Carneiro, declara que o programa contribui para a alfabetização das crianças. “As professoras já pedem pra formar palavras com as letras do jornal, recortar as letras e as sílabas, e há também um estudo de imagem”, relata. Além do estímulo às aptidões cognitivas das crianças, o programa contribui também para a construção crítica dos estudantes para formar cidadãos, afirma Marcos Ferreira, supervisor da mesma escola.

GAZETA ENTREVISTA Regina Garcia Giaretta, coordenadora do Programa Algar Lê-Correio Educação Entrevista realizada em 22 de junho de 2012. Quando e como surgiu a iniciativa do Projeto Algar Lê Correio Educação? A ideia surgiu em 1994 na Secretaria Municipal de Educação. A professora Maria Eunice Genaro, acompanhando as discussões que aconteciam em todo o país sobre projetos do tipo, procurou as empresas responsáveis pela produção do jornal (na época na Gráfica Sabe e CTBC) com perspectiva de que elas pudessem financiar as ações propostas e, o objetivo era levar o jornal para dentro das escolas de Uberlândia. O intuito era dispor de um recurso que levasse informações atualizadas para o ambiente escolar e que pudesse ser tratado em sala de aula de forma mais dinâmica, diferentemente do livro didático. Na prática escolar propriamente dita, quais ações se esperava desenvolver? E, como elas contribuiriam e contribuem para a formação das crianças ao longo do trajeto do programa, desde sua criação até hoje? Dentro da instituição de ensino, a expectativa era trabalhar com as crianças os aspectos da alfabetização como, por exemplo, leitura e letramento. Além da criticidade e produção de uma escrita melhorada, sobrepondo assim os métodos já utilizados pela escola. Nesse sentido, nós produzimos essas ações e tentamos melhorá-las ao longo dos anos. De modo mais específico, quais as práticas pedagógicas utilizadas com o jornal? No início o objetivo era levar o jornal até as escolas. Com o passar do tempo nós percebemos que professores de todas as disciplinas pinçavam no jornal atividades que poderiam ser desenvolvidas. A partir daí, eram oferecidas oficinas de capacitação, para que os profissionais da educação pudessem estabelecer estratégias de ensino nas instituições participantes. Em todo o desenvolvimento do programa nós passamos por ações diferenciadas. Isso aconteceu porque, a princípio, o projeto era parceiro da Gráfica e CTBC e, desde 2004 foi implantado nas empresas o Instituto Algar. Com essa mudança, começamos a compartilhar com as empresas o monitoramento das ações pedagógicas (proposta oferecida pelo Instituto) e, também a gestão do trabalho. Dessa forma, é possível dar a cada ano uma cara nova ao projeto. São discutidas temáticas importantes como, por exemplo, educação ambiental, política, educomunicação (além do jornal, através de vídeo, músicas, etc.) e assim, as ações são direcionadas de acordo com o tema sugerido. Professora observa colagem de aluno (Foto: Paulo MachaComo é feita a seleção das escolas participantes? A cada ano é aberto um edital onde são expostas as ideias a serem trabalhadas, se serão atividades temáticas, projetos, ou encontros de formação continuada e a escola que se apropriar dessa dinâmica se inscreve para participar. Como a equipe de trabalho foi reduzida,


consequentemente, o número de escolas atendidas também diminuiu. Hoje são atendidas 15 instituições que foram escolhidas de acordo com as propostas do edital. Os jornais são disponibilizados de forma totalmente gratuita? Ou, a prefeitura também arca com os custos da distribuição? Até 2009 a prefeitura também disponibilizava um investimento financeiro, mas, desde 2010 todos os custos são financiados pelo Instituto. São oferecidos jornais diários de segunda a sexta feira (pois, são esses os dias letivos) e, são entregues durante o ano todo. Quais as políticas de desenvolvimento do projeto e distribuição dos jornais? Há um plano de ação elaborado pelas instituições de ensino parceiras, no qual se mostra a forma como ela vai utilizar esse material ao longo do ano. De acordo com esse plano é feita a entrega do jornal para os professores e, há um intuito maior direcionado pela Associação Nacional de Jornais – ANJ. Trata-se de órgão nacional que acompanha as atividades jornalísticas do país, mas, que também oferece projetos de jornal e educação e, nós temos essa parceira. A orientação é que seja oferecido um jornal diário, mas nem todos os projetos do país conseguem atender a essa proposta. No caso do Algar Lê Correio Educação, sabemos que a quantidade de jornais oferecida diariamente (34 jornais) não são suficientes para atender uma escola com aproximadamente mil alunos. Portanto o plano de ação da escola é que prevê formas na qual todos os professores interessados possam trabalhar com jornal, distribuindo-os entre si. O objetivo final é não apenas pedagogizar (sic) o jornal, mas levar informação para a sala de aula, e, dessa forma proporcionar a interdisciplinaridade. Como é vista essa questão da interdisciplinaridade? O jornal por trazer informações de diversas áreas contribui para que a aluno compreenda não só a leitura e escrita, mas enxerga que a partir delas, ele pode trabalhar a questão da oralidade, interpretação de problemas da matemática, gráficos, questões de ciência, cultura, dentre outras.

Análise dos alunos sobre o projeto (Foto: Reprodução)

Qual o retorno dos alunos com relação ao programa desenvolvido? No início do ano, os alunos das escolas participantes passam por um diagnóstico e no final da parceria, fazem novamente essa atividade. Após isso, ocorre um relatório acerca do posicionamento dos alunos no começo e no fim – “É como se fosse uma foto de antes e depois”. O retorno dos alunos, portanto, é um maior interesse pela leitura e a busca por informações mais atualizadas.

Nesses dezoito anos já houve algum momento difícil, em que vocês pensaram em parar com o projeto? Em geral, como é uma ação mediada por uma empresa e por uma rede pública, sempre passamos por questões indelicadas. Agora por exemplo, é um momento de redução da equipe, e eu fiquei sozinha, então é complicado dar um direcionamento para uma ação, fazer formação, avaliação, monitoração, planejamento... acontece quando ficamos frente ao programa. Mas eu acho que temos resistido bem, apesar de tudo. Mas a estratégia que encontramos foi reduzir o número de escolas atendidas, porque atendemos um grupo maior, e pra dar continuidade reduzimos o número de escolas para conseguir garantir a qualidade da mesma forma. Então, durante esse período, apesar do programa ter dezoito anos, faz sete que eu estou a frente. Quando estamos na escola, não percebemos as dificuldades, isso só ... acontece quando ficamos frente ao programa. Mas eu acho que temos resistido bem, apesar de tudo. Acompanhamos também as visitas das escolas ao jornal, eles vão até a empresa e conhecem como se produz. É muito bom, as crianças ficam impressionadas. Na realidade do ensino fundamental, muitas vezes as crianças ficam muito presas à escola, a saída da casa delas é quase somente para a escola, então é uma oportunidade bacana que considero também a questão do aspecto cultural, o deslocamento. Acho também que a maioria dos alunos não tem condições financeiras pra comprar o jornal. No geral atendemos muitas escolas de periferia e zona urbana, portanto fica claro a falta de acesso aos jornais. Nas escolas do distrito, por exemplo, o jornal não chega, a não ser pelo programa, porque a entrega é feita na escola, a cada dia, então essa é uma forma que eles têm de ter acesso e até mesmo levar o jornal pra casa para que os pais possam ler. Então, concluímos que estimulamos essa questão da democratização da informação, e é bacana ver essa procura, essa espera pelo jornal. Isso modifica a rotina.


Trabalho Sobre Impresso