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Victor Neves

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SKETCHES OF ARCHITECTURE the memory of time and place

Esquissos de Arquitectura

ESQUISSOS DE ARQUITECTURA da mem贸ria do tempo e dos lugares


Mediateca da Universidade Lusíada – Catalogação na Publicação

CBC CDU ECLAS Ficha TĂŠcnica TĂ­tulo ProprietĂĄrio

ESQUISSOS DE ARQUITECTURA da memĂłria do tempo e dos lugares             

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Lisboa 2012 Universidade LusĂ­ada Editora Rua da Junqueira, 188-198 1349-001 Lisboa Tel.: +351 213611500 / +351 213611568 Fax: +351 213638307 URL: http://editora.lis.ulusiada.pt E-mail: editora@lis.ulusiada.pt

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         !  "    # $# %&#  ' () * ;<* => 1050 â&#x20AC;&#x201C; 196 Lisboa Tel: + 351 213529006 / + 351 213529008 Fax: + 351 213159259  ?    GH#(

Fotocomposição Capa

Alfredo Quingue K  "  

ImpressĂŁo e Acabamentos Tiragem

500 M    (  N P ( VWH N XH Y  N "  Z N M      N [      %H     \    $  $   Rua da Junqueira, 188-198 â&#x20AC;&#x201C; 1349-001 Lisboa Tel.: +351 213611617 / Fax: +351 213622955  ?    G # #(

© 2012, Universidade Lusíada de Lisboa ] H (    (     ( !  (  ^^  (    _  *  `   c  j

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Índice Texto < O ELOGIO DA MÃO ou a fugaz esperança da invenção - Victor Neves ........................................................................................................ 5 Desenhos < DESENHOS QUE BUSCAM TEMAS - esquissos de Victor Neves ...................................................................................................... 12 Desenhos < DESENHOS DE PROJECTOS - esquissos de Victor Neves ............................................................................................................... 44

Texto < DESENHANDO AS IDEIAS - Pedro Lebre .................................................................................................................................................. 119

Esquissos de Arquitectura

Texto < O ESQUISSO EM ARQUITECTURA IRÁ FICAR! - José Barros Gomes .................................................................................................. 125

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Desenhos < DESENHOS DE DESIGN - esquissos de Victor Neves ....................................................................................................................... 90 Desenhos < DESENHOS DE CIDADE - esquissos de Victor Neves ........................................................................................................................ 96 Desenhos < DESENHOS DIDÁCTICOS - esquissos de Victor Neves ................................................................................................................... 100 Texto < HAY PLACER EN DIBUJAR - Luiz Ángel Dominguez ................................................................................................................................ 113


O elogio da mão ou a fugaz esperança da invenção Víctor Neves

                          TambĂŠm nĂŁo sĂŁo â&#x20AC;&#x153;mausâ&#x20AC;?. Talvez sejam â&#x20AC;&#x153;assim-assimâ&#x20AC;?. No entanto, julgo que sĂŁo desenhos que expressam, com alguma clareza, ideias e objectivos que, em algumas         "   #    $ %      &           '     meios -para revelar e registar de forma mais ou menos imediata - o que a mente pensa. Pensar que esse processo ĂŠ fĂĄcil, ĂŠ cair num logro - nĂŁo ĂŠ fĂĄcil. Desenhar ĂŠ um processo complexo, intrigante, atĂŠ. Como se aprende a desenhar para se conseguir captar essencialidade? &   

 #        "    ()  ( * +    +    Se analisarmos friamente os desenhos - os esquissos - desses dois arquitectos, temos de reconhecer que, tecnicamente, sĂŁo â&#x20AC;&#x153;mausâ&#x20AC;? desenhos,no sentido em que nĂŁo              / 

 +    

# +   +             7 8    + #    # &           #        ; =;     "       >  

8 /  8   7     @ 8 K  W"XZZ"

 8 K="[\  >     ]           8  "     '  ()    > +  Pertenço a uma geração que entronizava os â&#x20AC;&#x153;mestresâ&#x20AC;? do Movimento Moderno - Mies, Alvar Aalto, Gropius, Frank Lloyd-Wright e claro - Le Corbusier. De todos, era @    ;        $   7 ()    +      mas tambĂŠm um provocador. Na arquitectura e no urbanismo, mas tambĂŠm, nas pinturas e nas esculturas que insistia em fazer quase como um exercĂ­cio diĂĄrio de adestramento da mente e da mĂŁo. Os seus desenhos esquemĂĄticos, mas ao mesmo tempo explicativos e doutrinĂĄrios, acompanhados, por vezes, de palavras escritas, eram extremamente atraentes.

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Decidi publicar este livro, com alguns desenhos meus, incentivado por alguns amigos â&#x20AC;&#x201C; em particular por LuĂ­s Ă ngel-Dominguez, professor da Escuela TĂŠcnica Superior de Arquitectura de Barcelona â&#x20AC;&#x201C; e tambĂŠm por alguns antigos colaboradores que, em algumas ocasiĂľes me disseram: â&#x20AC;&#x153;publique-osâ&#x20AC;?.

Esquissos de Arquitectura

ÂŤThere is no way to make a drawing â&#x20AC;&#x201C; there is only drawingÂť â&#x20AC;&#x201C; Richard Serra 1977


Depois, Fernando Tåvora e Siza Vieira. Tåvora esquissava em papel cenårio, num cavalete, enquanto explicava projectos e dava as suas aulas. Aqueles traços que apareciam rapidamente no papel, que acompanhavam um discurso pausado mas crítico, trocista, por vezes, encantavam-me. #    _  +  _   #       7    

8 " `8w  7    +       \K     8Z ( * +      $   ]  +              %     Z   os seus desenhos nos livros - desenhos publicados a preto e branco, de traço grosso, quase infantil, mas muito expressivos e extremamente objectivos e intensos. Tal como era o seu discurso para com os alunos que o tiveram como professor. {   

          |   K `} 8 w Fig 1 K                           /  8   >       de feltro, por exemplo. Ă&#x20AC; minha frente estiveram dezenas de desenhos originais de Kahn. A força que aqueles desenhos transmitiam, estava para alĂŠm da arquitectura que representavam. PossuĂ­am uma vitalidade tectĂłnica que saltava do papel. Hoje, sĂŁo objectos venerados. E nessa medida, surpreendeu  +   KZ`} 8 w          nĂŁo conhecia esses desenhos. SĂŁo sinais da tĂŁo propalada desvalorização do desenho e do reinado da computação ? Outros arquitectos como Michael Graves e, mais recentemente John Hejduk, dois dos â&#x20AC;&#x153;New York }+  8 +     7       Â&#x20AC;     contemporânea. Michael Graves,que hoje ĂŠ praticamente um desconhecido, esquissava sobre papel vegetal, a caneta, e os seus desenhos tinham, por vezes, â&#x20AC;&#x153;espessuraâ&#x20AC;? porque eram perspectivados em axonometria, adquirindo volume e massa. Essa caracterĂ­stica â&#x20AC;&#x153;volumĂŠtricaâ&#x20AC;? era, nitidamente uma novidade, que os distinguia dos esquissos mais ou menos       

 +    %        } Quanto a Hejduk, falecido hĂĄ poucos anos, os seus desenhos eram extremamente â&#x20AC;&#x153;delgadosâ&#x20AC;?, quase nus, desenhos que evoluem numa espĂŠcie de labirinto de formas. Hejduk era essencialmente um teĂłrico, professor e crĂ­tico. Os seus desenhos eram, em grande parte ilustraçþes de conceitos e essa foi a parte que mais retive no contexto da sua obra, ou seja a ideia de que o desenho pode ser ilustrativo de um pensamento teĂłrico. Fig 3           

        7       7Â&#x201A;   ]$Â&#x201A;      

      

  +    +   @      >  + ` w       %   7    `        'w mas tambĂŠm um auxiliar inestimĂĄvel de registo desses pensamentos, as vezes fugazes. TĂŁo fugazes que sĂł os esquissos rĂĄpidos permitem capturar.


 7    +       

  sĂŁo tambĂŠm registados em alguns dos esquissos agora publicados, abordando temas, como: _=+'        `  _ Â&#x201E;w       da cidade _ ]$                      

    _  ]$       7  @                 estabilização ou dinamização do tecido urbano.

Nessa medida, o esquisso pode e deve ser usado como uma ferramenta para projectar/      @ +   ' {  8    O desenho Ê uma expressão do pensar. Ou talvez uma reprodução do pensar. De certo modo, podemos concluir que Ê uma expressão do cÊrebro. Uma expressão treinada, diria 8   

 8        7      _       Fig. 2 +   8  ` #  w   #     _Â&#x2021;_)    >  # _ 

  _\8               _ >        Â&#x2C6;\  8 > Â&#x2030;           O â&#x20AC;&#x153;Elogio da MĂŁoâ&#x20AC;?, o espantoso ensaio de Henri Focillon, inicialmente inserido no seu livro â&#x20AC;&#x153;A vida das Formasâ&#x20AC;?, sintetiza em toda a linha esta questĂŁo. "       7   #   >|          +  _    #"   

Â&#x160; â&#x20AC;&#x153;A mĂŁo acumula sĂŠculos num sĂł instanteâ&#x20AC;?. E ĂŠ aqui que se revela a importância do conhecimento â&#x20AC;&#x201C; acumulado e depois transmitido . â&#x20AC;&#x153;A arte faz-se com as mĂŁos. elas sĂŁo o instrumento da criação, mas primeiro que tudo o ĂłrgĂŁo do conhecimento.â&#x20AC;? SĂŁo quase seres vivos, diz Focillon. E pergunta â&#x20AC;&#x153;Servas? Talvezâ&#x20AC;?. Ora ĂŠ neste â&#x20AC;&#x153;talvezâ&#x20AC;? que reside a interessante ambiguidade da mĂŁo.  8 '  Â&#x2021;Â&#x2039; 88@ * Â&#x152; Â? Â&#x152; `Â?Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x201C;/Â?Â&#x201D;Â&#x2022;Â&#x2013;w+ artista ;

, pintor de estilo ukiyo-e e gravurista do perĂ­odo Edo

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         ;        que a Paisagem seja um patrimĂłnio de primeira ordem. Planear a cidade ĂŠ tambĂŠm planear o territĂłrio. E a arquitectura ĂŠ um dos principais protagonistas desse processo, que se faz DESENHANDO. Desenha-se a cidade, planeando.

Esquissos de Arquitectura

_ ]$     $   '  


A propĂłsito de Hokousai, que, por vezes, desenhava com a ponta de um ovo ou com a ponta do  #}  `\w    _   _    # Â&#x2014;  $     7             $   8 este imprevisĂ­vel, que estĂĄ para alĂŠm da ĂĄrea do espĂ­rito - o acidenteâ&#x20AC;? â&#x20AC;&#x153;No momento em que começo a escrever, vejo as minhas mĂŁos que solicitam o meu espĂ­rito, que o arrastamâ&#x20AC;? acrescenta Focillon. No momento em que começo a desenhar, tambĂŠm eu olho para as minhas mĂŁos na tentativa que elas arrastem o meu espĂ­rito, na fugaz esperança de que elas me tragam, de imediato, um brilho de invenção - E sei que elas sĂŁo capazes disso. Â&#x2030;     7   +   $       ideias. O desenho ĂŠ para mim a expressĂŁo de uma actividade enraizada: a de projectar arquitectura, ou seja a de inventar, re-inventar, coisas que eu aprendi, que eu vi, experimentei e em que eu me   #Â&#x2030;   ` #w+  $            %   [ 8         tambĂŠm de sĂ­ntese. & $  8  @   " #  

    computadores substituem tudo.

Fig. 3

_          

  +        ;  7Â&#x201A;    '    `  # ' w 

                 das ferramentas digitais. Essas ferramentas permite-lhes produzir imagens de elevada complexidade +       #  @       7    sĂ­tios. Em parte, porque nĂŁo          '    %     humana encerra e que transmite no acto de pensar atravĂŠs do desenho. SerĂĄ isto uma nostalgia da reapropriação da mĂŁo no acto de â&#x20AC;&#x153;fazer â&#x20AC;&#x153;arte, considerando a arquitectura ainda como arte?

      

 8  +'          

        >   8 (    # 

X  Â?Â&#x2013;Â&#x2019;Â&#x2018;_Â?Â&#x2013;Â&#x2019;Â&#x201D;    8 +     X   a inventariar uma lista exaustiva, de procedimentos que sĂŁo, na sua maioria devedores da mĂŁo: enrolar, diminuir, dobrar, armazenar, curvar, encurtar, torcer, cortar, seccionar, enlaçar, despejar, abrir, suspender, apreender, ligar, serrar, cavar, acender, laminar, etc. Fig 6 Estes verbos, que estĂŁo ligados ao domĂ­nio da mĂŁo, parecem fazer apelo a tĂŠcnicas que a prolongam, como a prĂłtese de uma espĂŠcie de tarefeiro que desemboca na acto criador de uma qualquer arte. Seria bom ainda recordar, muito antes de Serra, os fotogramas de LĂĄzlĂł MoholyNagy, e o seu â&#x20AC;&#x153;auto-retratoâ&#x20AC;?, realizado pela sua mulher Lucia Moholy-Nagy em 1926. Fig 5. que questionava o carĂĄcter indispensĂĄvel da mĂŁo, na arte. A mĂŁo era aĂ­ apresentada como um ser +' `   +  ' w$  

      

Fig. 4


Fig. 5

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Fig. 6

Esquissos de Arquitectura

SerĂĄ isto ainda possĂ­vel nos dias de hoje?

Ilustraçþes: }Â?_" ( * +   +  

W &} 8  ' }Â _" { Â&#x2DC; /) ) }  _{

 Z Â&#x152;  Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2018;_Â&#x2018;Â&#x201D;{ Â&#x2DC; {   Â&#x2122;   Â&#x161;" (  Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2013; }Â&#x203A;_" Â&#x153; Â?;Â&#x152;W {  )=Â&#x2039;Â?Â&#x2013;Â&#x2013;Â&#x203A;Â&#x2014; }Â&#x2022;_Â&#x2039;  

 / & Z  {Â&#x2039; Â?Â&#x2013;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2014; }Â?_(   _X  Â?Â&#x2013;Â&#x2019;Â&#x2018;_Â?Â&#x2013;Â&#x2019;Â&#x201D; Fig. 6 - Self-portrait - Lucia Moholy-Nagy â&#x20AC;&#x201C; impressĂŁo em gelatina de prata 1926


THE HAND OF EULOGY ]

 +  â&#x20AC;&#x201C; Victor Neves

I decided to publish this book with some of my drawings, encouraged by some friends - in particular by Luis-Angel Dominguez, a professor at the Escuela Tecnica Superior de   Â&#x2C6;      Â&#x161; +      Â&#x201E;  ++     Â&#x160; Â&#x2039;  

  Â&#x161;Â&#x161;  Â&#x161; I have always been aware that these drawings, now revealed, are not technically â&#x20AC;&#x153;goodâ&#x20AC;? drawings. Nor are â&#x20AC;&#x153;bad.â&#x20AC;? Perhaps they are â&#x20AC;&#x153;so-so.â&#x20AC;? However, I think that these are drawings that express clear ideas. And for me, the clarity of ideas must be an exercise continuously pursued. To that extent, the design must contain the essential, eliminating the accessory. It must simplify means to reveal and record-more or less immediately- what the mind thinks. This process is not easy. Drawing is a complex process, even intriguing. How do we learn to draw, in order to fully capture essence? In my case, I learned a lot, watching and the drawings of Le Corbusier and Louis Kahn were my initial references. If we look them coldly, we must admit that, technically, they are ÂŤbadÂť drawings, in the sense that are     Â&#x161;     _ 

 

Â&#x161;+  

 +    Â&#x152;  Â? Â&#x201E;   Â&#x201E;  +  Â&#x161; Â&#x201E;Â&#x161;       ;Â&#x2039;   + Â&#x2039;Â&#x161; Â&#x201E;   Â&#x152;  poetic value - through meaningful assessment of its aesthetic contents. Because the truth can also be poetry ...    ]Â&#x201E; Â&#x161;[

Â&#x152;    First, Le Corbusier himself. I belong to a generation that enthroned the ÂŤmastersÂť of the Modern Movement - Mies, Alvar Aalto, Gropius, Frank Lloyd-Wright and, of course, Le Corbusier. Among all them, it was this latter who better took a desire of continuous searching and experimentation. Le Corbusier was an unhappy, a relentless researcher, but also a provocateur. In architecture and urbanism, but also in the paintings and sculptures that he insisted on doing almost as a daily exercise .His schematic drawings, which are also explaining drawings, sometimes accompanied by written words,were extremely attractive. Then Fernando Tavora and Siza Vieira. Tavora used to sketch on scenario paper, as he explained their projects and gave lessons. Those traits hat appeared rapid y, accompanied by a paused but critical speech,  Â&#x152;  #   ++ Â&#x201E; Â&#x161;/Â&#x161; Â&#x161;   ++ +

 Â&#x161;[Â&#x201E; `w  +    sculptor that I could not imitate ... so it was kind of a God. (  *  Â&#x201E;     +   Â&#x201E;    $  ]   Â&#x201E; Â&#x161;  Â&#x201E; [  Â&#x201E;   Â&#x201E;          + Â&#x161; + [   +  its drawings in the books - They were published in black and white, thick lined, almost childlike,but they were very expressive and extremely intense and objective. Later, I had the opportunity to see these designs on live at the Architectural Archives of the University of Pennsylvania. There,I have noticed that, after all, some of those sketches were not black and white, but had colour - through the use of colour pencils or felt tip pen, for example. Ahead of me were dozens of original drawings by Kahn. The strength of those drawings, was beyond the architecture they represented. They have a kind of tectonic vitality that almost jumped from the paper. Today, they are venerated objects. And to that extent, it a surprise me that most students that were attending the conference I gave at Penn Design, did not know those drawings. Is that a sign of a devaluation of drawing? Other architects like Michael Graves and more recently John Hejduk, two of the â&#x20AC;&#x153;New York Fiveâ&#x20AC;? were also references in the context of and drawing in contemporary architecture. Michael Graves, used to sketch on tracing paper with an ink pen and their drawings were sometimes â&#x20AC;&#x153;thickâ&#x20AC;? because they were viewed in axonometric, gaining    Â&#x2039;   Â&#x201E;  Â&#x161;  Â&#x161; +       Â&#x152;  Â&#x201E;  

 usually at the level of the beholder eye. As for Hejduk, who died a few years ago, his drawings were extremely â&#x20AC;&#x153;thinâ&#x20AC;?, almost naked. Hejduk was essentially a theorist, teacher and critic. Their drawings were largely illustrations of concepts and that was the part that I most retain from his work, namely the idea that drawings can be illustrations of abstract thoughts. I learned to use this prerogative of drawing and by that reason some drawings that are part of this publication, are simple illustrating drawings.     

Â&#x161;    

Â&#x161;Â&#x161;      Â&#x201E; ` w Â&#x201E;Â&#x152;      + Â&#x152; Â&#x201E;      +   ]  ]  Â&#x161;Â&#x152;Â&#x152;    The changes that have taken place on the understanding and on the designing of the contemporary city, are also recorded in some of the sketches now published, covering topics such as:


- The phenomenon of urban sprawl and the absence of recognized urban limits _ ]        +   _ ]      

+     #   +  +   _ ]   $  Â&#x161; Â&#x2039;Â&#x201E;Â&#x161;   Â&#x201E;    Â&#x161;   K Â&#x161;      Â&#x161;    +  protagonists of this process, which could be achieved by DRAWING. We Draw the city, planning the city... As such, the sketch can be used as a tool to design the city and also to record ideas, numbers, facts, hypotheses, everything. The drawing is an expression of thought. Or perhaps a reproduction of thinking. In a way, we can conclude that it is an expression of the brain. A trained expression, because, +    +      + _  #

  `    w     Â&#x2039;       Â&#x2021;   Â&#x2039;        #              +Â&#x161;     Â&#x201E; use to draw- the pencil, the crayon, the brush, the Bic pen... . It is the hand that sets the gesture of holding each of them and that drives them to the routine In â&#x20AC;&#x153;O Elogio da MĂŁoâ&#x20AC;?, Henri Focillon remarkably sums up this issue.

They are almost living things, says Focillon. And question. â&#x20AC;&#x153;Servants? Maybe. â&#x20AC;&#x153; It is in this â&#x20AC;&#x153;Maybeâ&#x20AC;? that lies the interesting ambiguity of hand The hand is autonomous? It is, undoubtedly * Â&#x152; Â? Â&#x152; `Â?Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x201C;_Â?Â&#x201D;Â&#x2022;Â&#x2013;wÂ&#x201E;  Â&#x153;  Â&#x152;Â&#x161; _Â&#x161;     Â&#x152;  +"         Â&#x201E; Â&#x201E;    +         Â&#x161; }   `w Â&#x2039;  

      + Â&#x161;    + Â&#x201E;   $ Â&#x161;  explores with an unprecedented safety, features of a long science, but it also explores this unpredictable, which is beyond the area of the spirit- the accident â&#x20AC;&#x153; â&#x20AC;&#x153;The moment I start writing, I saw my hands that commend my spirit, and trail itÂť adds Focillon. The same way, in the moment I start drawing, I look for my hands in an attempt    Â&#x161;]

 Â&#x161;  Â&#x161;   + _[Â&#x152; Â&#x201E;Â&#x161;   The drawing searches for the invention, instigates, develops, tests, experiments and structure ideas. The drawing is for me the expression of an ingrained Â&#x161;Â&#x160;   +         _    [     [Â&#x17E;      # [     `  ++w Â&#x201E; Â&#x161;   $      Â&#x201E;  [      Â&#x161; [      +        Â&#x161; In this context, drawing is still useful, at least. And effective, I would say, despite of the computer immergence. Â&#x2039;    Â&#x161;  

Â&#x161;  +Â&#x161;    +  Â&#x152;     `       w  other hand, endowed with a great capacity for handling digital tools,. These tools allow them to produce images of high formal complexity, which in many cases are empty of content and completely absent of site relationship. Partly because they are not   +  Â&#x161;       Â&#x161; the act of thinking through drawing. Ii Is it a nostalgia for a kind of hand re- appropriation, in the act of â&#x20AC;&#x153;makingâ&#x20AC;? art, considering the architecture as art? If we consider that contemporary art is still a phenomenon that calls for the emergence of â&#x20AC;&#x153;Beingâ&#x20AC;?, than,the hand can be seen as an emblem that is connected to it. The +   +  Â&#x161;X  Â?Â&#x2013;Â&#x2019;Â&#x2018;_Â?Â&#x2013;Â&#x2019;Â&#x201D;  Â&#x152; + + +       Â&#x161; +    +   that are mostly indebted to the hand: wind, decrease, fold, store, bend, shorten, twist, cutting, slicing, snare, dump, open, suspend, seize, bind, saw, dig, turn, laminating, etc. These verbs, which are connected to the domain of hand, seem to appeal to techniques that extended the hand as a kind of prosthesis, leading to the creative act of any art. It would be nice to remember, the photogram made by LĂĄszlĂł Moholy-Nagy, and the â&#x20AC;&#x153;Self-Portrait,â&#x20AC;? made by his wife Lucia in 1926, which questioned the indispensability of the   Â&#x2039; Â&#x201E;    _    `      w Â&#x201E; 

  +   Â&#x152; [

  Â&#x161;Â&#x2021;

11 Esquissos de Arquitectura

â&#x20AC;&#x153;Between the hand and the instrument begins a friendship that will never end. One communicates its heat to the other and shapes it forever, â&#x20AC;&#x153; he says. He adds later: â&#x20AC;&#x153;The hand builds centuries in an instant.â&#x20AC;? And it is here that the importance of knowledge - accumulated and then transmitted, is revealed. â&#x20AC;&#x153;Art is made with hands. They are the   +     + Â&#x161;  Â&#x161; +Â&#x152; Â&#x201E;


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13 Esquissos de Arquitectura


Alentejo - 1990


15 Esquissos de Arquitectura


Cubo, 1992


17 Esquissos de Arquitectura


         +  ––”


19 Esquissos de Arquitectura


Animais, 2000


21 Esquissos de Arquitectura


Arquitectura Ai-TĂŠc, 2007


23 Esquissos de Arquitectura


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25 Esquissos de Arquitectura


Ensaios, 2009


27 Esquissos de Arquitectura


Fugas, 2009


29 Esquissos de Arquitectura

Esquiços de Arquitectura da memória do tempo e dos lugares.  

127 total pages, are present here 30 pages..."[...] o desenho deve conter o essencial, eliminar o acessório, simplificar meios -para revelar...

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