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a arte que liberta  •  93

A ideia surgiu da violência. “Um dia eu estava ouvindo sobre esse negócio de bala perdida na periferia, aí eu fiquei pensando que a gente podia fazer um outro tipo de bala perdida: atentados poéticos. Foi então que surgiu a ideia de fazer com que as poesias viajassem via aérea”, explica Vaz. Então, em abril de 2007 aconteceu a primeira edição do “Poesia no Ar”. Centenas de balões brancos foram lançados ao ar – cada um com uma poesia amarrada na ponta. Naquela noite, após a celebração das palavras pronunciada, cada espectador lançou seu verso no ar. Enquanto os balões subiam até o céu, o povo, na terra, assistia àquela cena como se fosse a coisa mais linda que já tinham visto até então. “Não há palavras para descrever o que foi aquela noite no Sarau da Cooperifa. Quem sabe talvez “catarse” seja a palavra para defini-la. Na noite mais fria de São Paulo a periferia teve uma das noites mais lindas de sua vida. Uma das noites mais gentis e belas de nossas vidas”, descreveu Vaz no texto Batalha de abril. Desde então, a “Poesia no ar” acontece todos os anos e cada verso vai acompanhado do remetente. “Todo ano nós recebemos telefonemas de pessoas de todos os lugares perguntando sobre o que se trata”, conta Sérgio. “É o dia mais lindo da periferia. Eu acho que é um gesto de gentileza”, declara Vaz. Além de bonita, a noite é também cheia de liberdade. Aqueles que sentem vergonha de falar em público podem expressar seus sentimentos naquele pedaço de papel, lido apenas por um desconhecido em qualquer lugar da cidade. Em frente ao boteco do Zé Batidão, cada um dos espectadores porta um balão com munição poética capaz de despertar corações adormecidos ou roubar sorrisos de faces enraivecidas. Quintais alheios são invadidos pela poesia, sem ao menos os moradores terem a chance de recusar a visita.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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