Page 94

92  •  universo periférico

urbanos brasileiros, como uma das formas mais criativas e eficazes dos vários usos possíveis da cultura como recurso inclusivo, de geração de renda, de promoção de conhecimento, de estímulo à educação formal e, portanto, de autoestima”.  Literatura marginal, periférica, divergente. Esses são os principais termos utilizados para qualificar a produção escrita da periferia. “É uma nomenclatura adequada na medida em que, sem sombra de dúvida, essa literatura representa uma parte da cidade praticamente desconhecida pelo que até hoje chamamos de centro (...). Mas acho marginal ainda pouco porque não fala dos compromissos que esta literatura assume enquanto agente de transformação social. É uma literatura que vai bem além das funções sociais atribuídas à literatura canônica ou mesmo de entretenimento. É uma literatura de compromisso”, relata Heloisa no artigo A questão agora é outra. Nesse ponto, Sérgio e Heloisa mantêm a afinidade, já que para o poeta a função do artista é muito mais complexa do que, simplesmente, entreter os leitores (ou espectadores). “Eu acho que o artista tem uma responsabilidade com a sua comunidade. Eu costumo dizer que o artista é a última linha da sociedade, quando ele desiste ou se entrega é porque não resta mais nada”.

Poesia no ar: um gesto elegante Sérgio não desistiu até hoje e, pelo jeito, o verbo “desistir” não está em seus planos. Pelo contrário, ele quer expandir a arte da periferia para outros ares. Em 2007, pela primeira vez na história, a poesia invadiu o céu de São Paulo e foi parar em diversos cantos da cidade. Como? Voando, oras!

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

Advertisement