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invasão poética  •  77

Sérgio resolveu começar com algo escandaloso, para chamar a atenção e zombar da cara de alguns intelectuais que torcem o nariz para a produção cultural da periferia. Os conselheiros do sarau mais famoso das quebradas criaram, em 2007, a Semana de Arte Moderna da Periferia. A alusão à semana de artes mais famosa do século XX não é pura coincidência. Muitos não concordaram com a escolha do nome e brigaram por um título que fizesse referência à periferia. Porém, ganharam aqueles que resolveram afrontar a elite. “O que alguns não sabiam era que nós da Cooperifa queríamos justamente isso mesmo, comer esta arte enlatada produzida pelo mercado que nos enfiam goela abaixo, e vomitar uma nova versão dela, só que desta vez na versão da periferia. Sem exotismos, mas carregada de engajamento”, declarou Vaz. A semana aconteceu como foi previsto, após centenas de reuniões e resoluções. A periferia pôde então sentir o gosto das artes. Em diversos pontos de cultura da zona Sul paulistana, como a Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim, CÉU Casablanca e Centro Cultural Monte Azul, entre outros, celebraram a manifestação artística do povo lindo, povo inteligente da Cooperifa. Apresentações de dança e teatro arrancaram sorrisos e gargalhadas das bocas cerradas dos moradores. Encontros literários, debates, exposições de artes plásticas e cinema completaram a bagunça, que não precisou da iniciativa do governo para acontecer. Na Cooperifa o que eles já aprenderam faz tempo é que se quiserem alguma coisa precisam correr com as próprias pernas: sem depender de nada e nem de ninguém. Depois de a provocação ter dado certo, a periferia nunca mais passaria por um regime cultural. Desde 2008, o coletivo que se reúne no bar do Zé Batidão organiza mostras culturais, denominadas “Mostra Cultural da Cooperifa”.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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