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invasão poética  •  75

duo. A gente vive numa sociedade absurdamente bárbara. Nós estamos tomados por procedimentos muito mecanizados, então tudo aquilo que sensibiliza é interessante”, argumenta.

A rima que revoluciona “E quem diria, depois de tanta bala perdida, que seria pela poesia que a ordem das coisas seria ferida de morte?”, Eliane Brum discursa em texto sobre a Cooperifa. Talvez a jornalista Eliane Brum tenha escrito isso porque conheceu Maria Vera, moradora do Jardim Guarujá. Talvez, a dona-de-casa simplesmente se encaixe entre as histórias de tantas outras pessoas que tiveram o rumo da vida colocado de cabeça para baixo por conta das letras. Maria Vera tem 39 anos e três filhos que andam sob as suas asas. Ela estudou até o primeiro colegial em uma escola pública e mesmo assim continuou sem saber escrever e sem conseguir fazer simples contas de matemática. É a verdadeira mulher-estatística. Quando chegou aos 21 anos de idade resolveu que queria aprender tudo aquilo que já deveria saber, de acordo com os anos em que frequentou a escola. Colocou então os cadernos debaixo do braço e foi compensar o tempo perdido. Depois de ter os conhecimentos avaliados, Maria precisou voltar para a quarta-série e começar tudo outra vez, mas não reclamou. “Mas aí eu fiz o meu primeiro filho e tive que parar outra vez”, declara, mais uma vez se colocando como prova da veracidade das estatísticas. Foi apenas em 2010, quando já estava com 38 anos que Maria Vera voltou a sentar nas carteiras da escola Zacharias. “Eu sentia vergonha dos meus filhos. Quando eles iam estudar perguntavam as coisas para mim e eu não sabia nada”, assume.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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