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Emerson se destacam entre as outras. O que não é de se estranhar, já que a formação em artes cênicas é bastante utilizada para colocar as palavras para fora. De suas poesias, a preferida foi batizada de “Massa”. “Eu participava de Slam (batalhas de poesia) e nunca ganhava. Aí um dia eu resolvi escrever uma para ganhar e escrevi Massa. Ganhei!”, exclama. Hoje, esses são os versos mais conhecidos do poeta, que acabou ganhando o apelido de Massa, por conta da poesia. “Todo mundo me conhece pela ‘Massa’. Quando eu vou me apresentar todo mundo fala ‘olha lá o cara da Massa’. Aí acabou virando um rótulo mesmo”, complementa. Circulando de um sarau para o outro e apresentando suas peças para diversos públicos, o Poeta da Massa vai vivendo o sonho de ser artista, dia após dia. A falta de dinheiro é compensada quando as risadas das crianças compõem a trilha sonora de suas peças – declarando o sucesso que arte faz nas ruas da zona Leste. A poesia então, não é capaz de mover montanhas, mas seus versos já fizeram com que o secretário de cultura saísse de seu gabinete para conhecer a precariedade do bairro de Cangaíba. “Eles não entendem ou não aceitam a ideia do pobre ver e fazer teatro. E para o pesadelo do sistema a periferia não está só fazendo, mas produzindo e escrevendo projeto para editais. A massa, até então silenciosa, está começando a se formar. Se informar. E isso é só o começo. A nossa história, agora, vai ser contada por nós mesmos, de baixo para cima”, finaliza.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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