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artista cidadão  •  63

outra forma, voltados para o público infanto-juvenil. Tem música, tem poesia...”, descreve. Hoje, Emerson consegue se manter apenas com o que ganha da arte, na casa da sua mãe, onde nasceu e cresceu, após passar parte da infância na cidade de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Apesar de sobreviver como artista, o poeta não pode se dar ao luxo de acordar tarde todos os dias. Durante a semana, a rotina começa cedo, às sete horas da manhã. “Eu faço um curso de dramaturgia na SP Escola de Teatro”, explica. O curso é o responsável por seu sustento. “A escola é pública, então eu ganho uma bolsa-auxílio para frequentar as aulas”. É durante as tardes que o artista se dedica aos projetos e poesias. Já as noites são preenchidas por eventos e saraus, que Emerson frequenta para divulgar seu trabalho e se divertir um pouco. E quem pensa que o fim de semana é reservado ao descanso está enganado. É nos sábados e domingos que as peças produzidas pela Companhia Extremos Atos são apresentadas em diferentes pontos da periferia paulistana. Com o pouco dinheiro que recebe, Emerson vai levando a vida, mas diz que não é fácil. “Sobreviver da arte e ganhar dinheiro com isso é muito difícil. Hoje mesmo eu estava no metrô vindo para cá, pensando em como vou fazer para ganhar dinheiro. Porque é instável, tem épocas boas e outras ruins”, desabafa. Lucrar com a poesia então, é mais complexo ainda. “Mas juntando tudo eu consigo. Os cursos, as peças, os livros... Tem que fazer bastante coisa”, completa. Os saraus fazem parte do circuito de divulgação de Emerson, por isso é importante que suas declamações chamem a atenção, o que realmente acontece. As poesias são representadas com tanto drama e intensidade que as apresentações de

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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