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se preocupar com as lutas e com os movimentos sociais”, relata. Emerson não interpreta isso de forma negativa, para ele, cada um tem sua arte e sua forma de expressão – não existe obrigação nenhuma a cumprir. “Também tem muita companhia de arte que não está ligada à periferia, mas que realiza protestos políticos e sociais em seus trabalhos. Uma coisa não tem a ver com a outra”, argumenta. Além de trabalhar no próprio bairro, lutando por melhores condições culturais – levando diversão e conhecimento aos moradores –, Emerson é também um “poeta nômade”. Ele frequenta vários saraus, cada dia está em um. “São muitos saraus acontecendo e eu procuro participar de todos. Divulgo a minha poesia, e aproveito para tentar vender meu livro...”, diz. Érica Peçanha, antropóloga que se dedica a pesquisar a produção literária da periferia, lembra bem quando o nome de Emerson é citado. “Ah, ele circula entre os saraus. Não frequenta apenas um específico”, recorda. Pode-se dizer que Emerson não torce para nenhum time, mas está sempre nas torcidas. É aí que fica claro que o verdadeiro comprometimento dele é com a poesia e não com um grupo ou evento literário determinado. Para desenvolver seus projetos, o poeta criou a Companhia Extremos Atos. “Quando eu terminei a faculdade trabalhei em alguns grupos de teatro. Mas essa companhia eu formei justamente para trabalhar ali no bairro com foco nas discussões sociais. Eu não quero só apresentar peças, eu quero discutir essas questões e apresentar nos lugares mais carentes”, explica. A peça “O Boneco do Marcinho”, criada para o público infantil é apresentada nas ruas, em ONGs e em bairros mais afastados. “São os mesmos temas sociais, só que tratados de

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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