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poder de transformação  •  49

guarda os versos de Rose na memória e todos pronunciam as palavras na mesma batida, seguindo o ritmo estabelecido por Rose Dorea. Ao falar sobre a inspiração para o poema, Rose simplifica. “Acho que essa poesia trata realmente da pessoa que eu acredito que eu sou”. Em vez do livro publicado, o sonho de Rose é lutar pela justiça no Brasil como promotora pública. Embora tenha concluído o ensino médio, a faculdade de direito é um objetivo que ainda não pôde ser alcançado. “Eu queria ter feito faculdade, mas abri mão porque na época eu estava construindo a casa do meu pai e da minha mãe, que hoje é minha porque infelizmente eles morreram”, diz. Desde sempre Rose sentiu na pele as dificuldades da vida. Ela sempre soube que nada seria fácil. Apesar de todos os pesares, a alegria transborda de dentro dela. Rose Dorea não é do tipo de gente que se deixa abater, nem que foge da luta. “A Cooperifa me trouxe autoestima, porque eu sou uma negra, porque essa é a realidade e não adianta fugir dela”. Rose brada aos quatro ventos o orgulho que tem por ser negra. Mas o que essa mulher detesta mais do que racismo é radicalismo. “Tem negro que acha um absurdo se envolver com branco. Para esse povo extremista não pode misturar as raças. Meu pai era branco”, fala indignada. “Tem gente que quando vê minha filha quase leva um susto, porque ela é bem clara”, completa. Paola é filha de pai branco, do jeito que Rose gosta. “Se um dia você me vir com um negão, separa que é briga!”, brinca. No dia em que a musa recebeu MV Bill em São Paulo e o levou até a Cooperifa, até se assustou com a mulherada desesperada. “Meu negócio não é esse não. Prefiro um Fábio Jr, um Lenine, Arnaldo Antunes... Sabe?”, ri.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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