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conta da maturidade trazida pelos anos e um pouco também por ter que aprender a lidar com todo tipo de gente da forma mais diplomática possível – tática que ela aprendeu com o “Mestre da Diplomacia”, Sérgio Vaz. “É claro que eu não mudei totalmente, mas melhorei bastante. Hoje posso dizer que sou uma pessoa mais centrada”, conta. Por causa da Cooperifa, atualmente Rose também é poeta, apesar de não assumir o título com tanta ênfase quanto o de musa. Embora tenha alguns poemas escritos, ela não pensa em publicar um livro, como é o sonho de tantos outros poetas da periferia. “Na verdade, a poesia entrou na minha vida de uma forma muito legal e eu gosto. Mas eu não acho que este seja o meu momento. O meu momento é estar aqui na frente, é apresentar e receber vocês”, diz. “E eu acho que para escrever é preciso gostar de ler e essa não é minha verdade. Não é que eu não goste de ler, mas é que eu tenho dislexia. Poucas pessoas sabem disso. Então eu decoro as minhas poesias”, revela timidamente. Mesmo tendo cada um de seus versos gravados mentalmente, o que Rose não deixa de carregar é o seu caderno de poesias: algumas folhas de papel sulfite encadernadas em espiral, protegidas por uma capa de plástico transparente. O livro anda tanto de um lado para o outro, seguro entre as mãos de Rose ou então guardado em sua bolsa, que as folhas já estão amassadas e com algumas “orelhas”. Ao se colocar na frente do microfone, a musa-poeta segura firmemente o caderno entre os dedos, mas não lê uma palavra sequer. A primeira poesia do livro é a escolhida para a noite: “Sou filha de quem mesmo? / Sou filha da rua / Sou filha da lua / Sou filha do ar / Sou filha do povo / Sou filha de Iansã Iemanjá”. Assim como a autora, a plateia também

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O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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