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Zé Batidão. Antes de recitar o rap Brasil com P, não poupou elogios à “negona” do sarau. “Eu queria falar de coração que a Rose é minha parceira, minha amiga e minha irmã. Acho que tudo aconteceu para que eu viesse aqui hoje, para deixar esse beijo de perto e abraçar muito a nega”. Ao se dirigir diretamente a ela, o galanteio continuou. “Você é muito mais do que a Musa da Cooperifa. Você é uma pessoa que me faz acreditar que a mulher pode ter estilo, verdade e verborragia mesmo sendo linda!”. A prova de que GOG não é o único a pensar dessa maneira veio segundos depois, quando o silêncio no boteco do Zé Batidão foi preenchido pelas palmas dos espectadores, que chegaram a ruborizar as mãos – tamanha a exaltação. Rose acompanha a Cooperifa desde os tempos em que as palavras eram celebradas despretensiosamente nas “Quintas Malditas”. E foi por causa destas tais palavras, que ela resolveu retomar os estudos aos 32 anos de idade e conquistou, além do título de musa, o diploma do ensino médio. “A Cooperifa tem o poder de transformar. Eu, por exemplo, tinha parado de estudar na oitava série e quando chegou o ano 2005 eu decidi voltar, porque não estava dando mais para levar. Eu tinha uma dificuldade muito grande de entendimento das poesias, não sabia o significado de muitas palavras”, relata. “Esse foi o único tempo em que eu precisei me afastar da Cooperifa. Entre aspas, é claro. Nas quartas-feiras eu ficava num mau humor tão desgraçado que algumas vezes a professora me liberava. Ela até achava engraçado”, lembra rindo. Porém, não foi apenas nessa época que Rose precisou se manter distante do bar do boteco. “Na verdade, quando eu tive a minha nenê também fiquei um tempo sem ir. Foram quatro meses sem pisar no Zé Batidão e foi muito difícil”, reitera.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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