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a poesia muda de endereço  •  33

O ar fica mais leve com tua presença, dizem os enamorados. Você deu o ar da graça, comenta o lisonjeiro. Você está com ar de quem não quer nada, replica o decepcionado. Ar, ar, ar, eu quero ar! Liberdade, dirá o prisioneiro... E a ideia segue em nova praia. Dividida e acrescida. MAR! O mar é minha alforria, observa o marujo no cais. As ondas são servis, amada! Aos teus pés o mar termina... Aguarde-me, eu sou a maré que avança e inunda. Sou a RAMA verdejante que o teu corpo há de fazer florir... Decomposta a palavra absorvo o dissabor. E não importando a forma transformo o conteúdo. Ar, mar e rama são derivações de igual tronco. Mais uma cabe. A mais importante, talvez. O verbo radiante: AMAR! AMAR! AMAR! Eis o projétil. Eis o vínculo com a vida! Amar é a arma de meu constante disparo!

Marco Pezão

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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