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28  •  universo periférico

arredores de onde acontece a Cooperifa. Além disso, ele é também o mentor de Miguel no que diz respeito a literatura e poesia. “Eu comecei a falar de poesia e ele gostou”, simplifica o pernambucano que, diferente do sobrinho, esconde certa timidez entre as palavras. Miguel nasceu um ano antes da Cooperifa, no dia 8 de junho de 2000, e apesar da pouca idade divide o tempo entre a escola EMEF M’Boi Mirim III, o violão e a poesia. No colégio, ele já fez sucesso até com uma “paquera”, usando os versos como tática. Ao ser questionado se já havia escrito algum poema para uma menina, Miguel respondeu com um sorriso travesso nos lábios e sem um pingo de timidez na fala: “olha, se eu disser que não, vou estar mentindo...”. Ao ver o menino lendo, escrevendo e declamando poemas a torto e a direito por aí, é possível imaginar que suas aulas preferidas são as de português. Mas não é nada disso. Miguel gosta mesmo é de inglês. “Eu sempre me interessei por línguas diferentes”, argumenta com a voz cheia de conhecimento e cara de intelectual. Durante as aulas de informática, ele não perde a oportunidade de mostrar para os colegas as fotos do sarau da Cooperifa. Miguel já até conseguiu levar alguns amigos para conhecer o bar do Zé Batidão. “Eles ficam curiosos de me ouvir contar como é”, diz. Vestido com moletom para se proteger do frio e boné azul virado para trás, o poeta mirim avisa que logo mais precisa ir embora. Apesar de morar perto, próximo ao Hospital M’Boi Mirim, é quarta-feira e no dia seguinte tem aula. Miguel tem apenas 11 anos e já escreveu oito poesias, mas não deixou de ser criança e precisa ir para a escola. Quinta-feira, então, é o melhor dia. É o momento de contar para os amigos sobre os acontecimentos da noite anterior. Isso, ele não pode perder.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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