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Enquanto um rapaz recita uma letra de rap em forma de poesia, todos ficam calados. Quando alguém se atreve a falar um pouco mais alto, logo se escuta um “shi” vindo de algum lugar. Mas se as conversas persistirem é Rose Dorea quem assume o microfone. Com a voz empostada, a Musa lembra os visitantes de que ali o silêncio é uma prece. “Eu procuro quem está falando e faço questão de olhar dentro da bolinha do olho da pessoa enquanto aviso”, declara. Enquanto cada pessoa tem seu momento de desabafo em frente à plateia, alguns visitantes se aconchegam no fundo do bar. É ali que o balcão de quitutes e bebidas, onde também são vendidos cigarros e doces, divide espaço com uma estante de livros. Sim, no boteco do Zé Batidão também tem livro à disposição dos moradores, na falta de uma biblioteca pública por perto. Os estilos literários são diversos, tem história para leitores de todas as idades e de preferências variadas. Entre as tábuas de madeira dá para ver obras de Machado de Assis, Jô Soares, Fernando Moraes, Marcos Rey, entre outros. Qualquer um pode pegar O Mistério do 5 Estrelas emprestado, por exemplo. Desde que o livro volte para a estante depois e outas pessoas tenham a oportunidade ler as mesmas páginas. Atrás do balcão a correria é grande, ninguém para. José Claudio Rosa, o famoso Zé Batidão anda de um lado para o outro sem parar, não há tempo para perder. Uma bandana cobre os fios de cabelo grisalhos que demonstram o poder que o tempo possui. Com um avental branco e muita disposição, o José da Cooperifa serve as quase cem pessoas que se espremem no bar sem perder a simpatia. “Ô Zé, me vê um escondidinho?”, ouve-se uma voz pedindo o quitute mais famoso da culinária local, o escondidinho de carne seca do Zé Batidão. De prontidão, o pedido é anotado mentalmente.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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