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a poesia muda de endereço  •  23

determinado, sorriso contagiante, voz de trovão e coração de mãe: Rose é assim, inconfundível. Quando Sérgio chega, a agitação vem junto. Cheio de brincadeiras nos bolsos, ele não se preocupa em economizar. Em frente ao microfone, o poeta fala como se estivesse recebendo alguns amigos em sua casa. “Dona Edite, cala a boca!”, brinca com D. Edite, a Diva do Sarau que acabara de chegar. Aos poucos ele vai acalmando os espectadores, pedindo silêncio e atenção. Mestre de cerimônias da casa, Sérgio se prepara para dar início a mais uma noite de poesias no boteco do Zé Batidão. “Povo lindo, povo inteligente, sejam bem-vindos. Aqui só tem uma regra: o silêncio é uma prece. E é uma prece mesmo!”, enfatiza. Apesar de estar em frente ao microfone durante todo o tempo, o que Sérgio não consegue é ficar parado. As mãos completam as palavras, que saem através dos seus lábios impetuosamente. As pernas, cobertas por uma calça jeans, parecem dançar um ritmo frenético: para frente e para trás, de um lado para o outro. Enquanto isso a voz avisa: “se alguém aqui tiver ódio, inveja ou raiva no coração, saia agora. Aqui não tem espaço para isso”. Ansioso e orgulhoso por conta da chegada do aniversário de dez anos da Cooperifa, Sérgio discursa sobre o trabalho que cada um ali se dedicou a fazer em prol da comunidade. “Eu não fiz nada disso sozinho”. Depois de dizer os nomes de cada um dos envolvidos nesse projeto cultural, o poeta completa: “vamos chegar porra! Vamos mudar esse país!”. E assim o sarau começa embalado por um coro entusiasmado e contagiante. “Uh Cooperifa! Uh Cooperifa!”. Então as rimas e os versos tomam conta do bar.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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