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a poesia muda de endereço  •  21

M’Boi Mirim. Desta vez não foram os ônibus, mas os botecos que fizeram meus olhos brilharem. Finalmente consegui compreender o que Sérgio quis dizer sobre os bares serem os únicos espaços públicos da periferia. Os botecos são, na verdade, o único lugar que todos os moradores têm em comum. É ali que todos se encontram para colocar a conversa em dia, além de servir como distração e entretenimento – já que faltam ali parques, cinemas e teatros, por exemplo. Ao longo da Estrada do M’Boi Mirim, os botecos são tantos que cheguei a contar três deles em um mesmo quarteirão. Uns grandes, outros menores. Nenhum vazio. Outro lugar que despertou a minha curiosidade foi a “Boite Café Paris”. Na fachada, o nome do lugar estava coberto por luzes piscantes nas cores verde e vermelho. Um espaço dedicado à diversão, certamente a alegria de muitos homens que não resistem a uma breve “paradinha” depois de um longo dia de trabalho. Após percorrer um curto trecho na Estrada do M’Boi Mirim, foi preciso virar à direita na Rua Humberto de Almeida e, novamente, à direita na Amitaba. Até aí tudo bem, o mapa estava claro. Foi depois disso que as coisas se complicaram. Umas quebradas aqui e ali e eu já estava perdida entre as vielas do Jardim Guarujá. Isso porque, até então, só conhecia a Estrada do M’Boi Mirim através das infinitas reportagens sobre o transporte público precário da região. Resolvi perguntar para um homem que passava pela rua como chegar à Rua Bartolomeu dos Santos, mas ele ficou olhando para mim com cara de “ih, pergunta difícil”. Mudei de tática e questionei sobre o bar do Zé Batidão, “aquele onde acontece a Cooperifa que, aliás, já deve ter começado”. Depois disso ficou fácil e logo o moço abriu um sorriso e apontou para cima: “é só subir a ladeira e virar à esquerda”. Pronto!

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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