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Porém, como nem tudo na vida é fácil, a alegria vivida no bar do Garajão chegou ao fim em meados de 2003. Em uma quarta-feira qualquer, comum como todas as outras, Sérgio ia chegando ao boteco acompanhado de sua mulher quando viu que o lugar estava fechado. Os rumores que ele e os amigos escutavam há algum tempo tornaram-se realidade. O bar foi vendido. O atual proprietário deixou bem claro que não queria saber de saraus de poesia, aquele seria um point de rock›nroll. No livro Cooperifa - Antropofagia Periférica, Vaz descreve aquele momento como um dos piores de sua vida. “Ficamos ali sentados por muito tempo como viúvos e viúvas consolando um ao outro, e avisando as pessoas que chegavam sobre o falecimento do lugar. Entre lágrimas, lembro que foi um dos dias mais tristes da minha vida, e quando olhei para aquele bar como um amigo que acabara de morrer, também pensei que morreria”. Pela segunda vez, o sonho de levar a poesia para as margens da sociedade foi paralisado. Mas todas aquelas pessoas, que choraram em frente às portas fechadas do bar, estava longe de desistir. “Como de dor a gente entende, antes mesmo que o cadáver apodrecesse enterramos nossas lágrimas, juntamos nossas memórias com as nossas roupas de batalha e encarnamos num outro corpo, o bar do Zé Batidão”. Por ironia do destino ou não, o tal boteco do Zé Batidão já havia sido do pai de Sérgio, muitos anos antes. Foi no Bar e Empório Guarujá (primeiro nome do comércio) que o poeta passou a adolescência trabalhando. “Atrás do balcão eu via a vida passar sobre mim. Minha vida se resumia a trabalhar no bar e ir à escola, e eu não gostava de nenhum dos dois. (...) Eu nem sequer desconfiava que a minha senzala, durante mais de

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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