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a poesia muda de endereço  •  17

Foi Pezão quem descobriu um novo boteco para hospedar o tão sonhado sarau. Após uma conversa com o dono do comércio, estava tudo acertado. A Cooperifa aconteceria a cada quinze dias, às quartas-feiras, no Garajão – um bar localizado em Taboão da Serra. Não poderia haver lugar melhor, afinal, como Sérgio costuma dizer: “o bar é o único espaço público da periferia”. Os primeiros saraus não chegaram a ser um fracasso, mas também passaram longe de um sucesso. Foi a falta de público que marcou o início da Cooperifa no Garajão. Nesse momento a resistência dos idealizadores do evento tornou-se imprescindível. Sérgio criou o hábito de ligar para todos os amigos e conhecidos, cobrando (e exigindo) a presença de todos. Enquanto isso, Pezão divulgava o evento em jornais da região. Contrariando a lógica, os dois decidiram que o sarau aconteceria não só a cada quinze dias, mas toda semana – debaixo de chuva ou estrelas. A teimosia e a persistência surtiram efeito. Em dois anos o Sarau da Cooperifa ficou tão conhecido que até o jornalista Marcelo Rubens Paiva se deslocou até a periferia para escrever uma reportagem, publicada no jornal Folha de S. Paulo. No dia 11 de dezembro de 2002, os leitores de um dos maiores jornais de São Paulo puderam conhecer o sarau da periferia através das palavras do jornalista. “O público senta em torno de mesas regadas a cerveja, para ouvir o grito semântico da perifa: poemas de denúncia social, exaltação à consciência negra e, claro, amor. Mano Brown, dos Racionais, é presença constante. Afro-X e Simony já apareceram por lá. Organizados por Vaz, da Cooperifa, os saraus atraem expoentes da antiga comunidade e novos poetas, como os adolescentes Kennya e Pelezinho”, descreve Marcelo Rubens Paiva em matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo.

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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