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“P OVO LINDO, POVO INTELIGENTE: SEJAM BEM-VINDOS!” O que a periferia de São Paulo tem? Desigualdade e injustiça? Medo e revolta? Falta de oportunidades e de perspectivas? Isso também... Mas resumir as coisas assim, em prosa tão objetiva, é perder a essência de um universo muito maior, tão complexo quanto seus atalhos e vielas, e que está em constante expansão. É atropelar o lirismo de iniciativas como a Cooperifa, cujos saraus de poesia sempre têm lugar para mais um... Puxe uma cadeira, “abunde-se” em qualquer canto: aqui impera o poder da metáfora, do malabarismo estético da linguagem. E há personagens épicos, como Sérgio Vaz – que, em 2001, reuniu alguns amigos em um boteco paulistano com o lúdico propósito de... bem... recitar poemas! Mal sabia Sérgio que, de forma encantadoramente despretensiosa, lançava ali as bases de um movimento cultural relevante. A Cooperifa segue viva e passa bem. Hoje está “encarnada” no boteco do Zé Batidão – mas, como espírito imortal que é, já habitou outras moradas, outros endereços... Foi despejada e desacreditada. Mas, convertendo-se em uma ideia, tornou-se virtualmente imune ao cepticismo e a qualquer vicissitude do universo periférico. Pare e pense: como se mata uma ideia? Uma ideia não se mata, oras! Nesta obra, a autora Natália Inzinna conta em detalhes a origem, a ascensão, as “mortes anunciadas” e as “ressurreições milagrosas” da Cooperifa. E nos põe em contato com personagens fascinantes – gente movida a sensibilidade, determinação e nobreza, que insiste no propósito de tornar a vida melhor para quem realmente precisa. Seja debaixo de chuva ou de estrelas... Eduardo Torelli Jornalista

Universo Periférico  

O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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O ponto final aponta para um novo começo COOPERIFA

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