Page 1

romântica

romance no campo Passou anos a tentar decidir se preferia viver no campo ou na cidade. Como não chegou a qualquer conclusão, manteve a sua casa de Londres e comprou outra em Dartmoor, sul de Inglaterra. A história do retiro de Suzy Bennett, jornalista de viagens, decorado pela designer de interiores britânica Holly Sullivan. Texto Petra Alves

Fotografia Constantino Leite

66 Março 2010 CASA CLÁUDIA

CASA CLÁUDIA Março 2010 67


romântica

O

mau estado em que a casa se encontrava não desmotivou Suzy Bennet, que uma hora depois de ter as chaves da sua nova (segunda) morada já envergava um macacão de trabalho e retirava o velho papel de parede. O espaço não é grande, mas foi suficiente para que a jornalista caísse de amores. Na época, procurava uma casa de campo “inserida num parque nacional, por haver menos risco de construção a rasgar a paisagem, como auto-estradas, por exemplo”. Num passeio pelo sudeste de Inglaterra descobriu Dartmoor: “Nem queria acreditar como era bonito. Já viajei muito, mas sinceramente penso que este é o lugar mais bonito do mundo. É um cenário perfeito para uma casa de férias: os telhados de colmo, o pub, a igreja, o verde dos carvalhos, o sentido de comunidade, a paz e o sossego, o ‘clip clop’ dos cavalos, meio de locomoção de alguns moradores… Aqui não mudou muita coisa nos últimos 300 anos!” Em três dias, visitou seis casas para venda; uma delas dava pelo nome de Moorland View. Através do agente imobiliário tomou conhecimento de que a casa integraria, no fim-de-semana seguinte, a secção de imobiliário do The Guardian. Não perdeu tempo e logo fez a sua oferta ao proprietário, impedindo a publicação do anúncio. “Tinha de me mexer, não podia brincar com o assunto. É que a perfeição é coisa rara de encontrar e eu encontrei-a assim que vi aquela a casa.” Por esta pertencer a um parque nacional, as normas de (re)construção são muito mais rigorosas do que em qualquer outro lugar. Lembrando a época em que teve

Foram mantidos intactos o maior número possível de elementos, como a laje do pavimento do piso térreo e a tábua corrida do superior, as vigas de madeira à vista, incrustadas nas paredes rebocadas. Boas ideias: na sala de jantar, a decoradora conjugou a estrutura de uma mesa com o tampo de outra; no WC social, exíguo, lavatório em inox de diâmetro reduzido assente sobre tábua de madeira

68 Março 2010 CASA CLÁUDIA

CASA CLÁUDIA Março 2010 69


romântica

de pedir dezenas de autorizações, além da permissão para alterações estruturais, Suzy graceja: “Quando perceberam que eu vivia em Londres, devem ter pensado que eu queria transformar a cottage (casa de campo) num open space cheio de aço inox!” O processo burocrático foi um dos grandes desafios deste projecto. Uma vez transpostos todos os obstáculos a esse nível, outros emergiam: como acompanhar a obra a partir de Londres? “Eu trabalhava em tempo integral como jornalista de viagens e a Holly tem ateliê em Londres. Dávamos as indicações ao responsável de obra e quando regressávamos, semanas depois, nada estava como previsto. Uma série de falhas de comunicação obrigaram a que a maioria das coisas tivesse de ser refeita duas e três vezes, o que encareceu o orçamento inicial.” Apesar de todos os contratempos, um ano depois a casa de campo estava pronta. Aquando da remodelação foram mantidos intactos o maior número possível de elementos, como a laje do pavimento do piso térreo e a tábua corrida do superior, as vigas de madeira à vista, incrustadas nas paredes rebocadas. Sob a orientação profissional de Holly, amiga, além de designer de interiores, o projecto ganhou forma, cor, texturas. “Ela ‘fez’ o meu apartamento em Londres, que adoro. Para a Moorland View, dei-lhe carta branca e apenas uma indicação: quero uma casa romântica, com algum luxo.” A intervenção resultou num estilo “britânico moderno, com sotaque francês”, colorido a cinzas luminosos, verdes, castanhos-chocolate e rosas-pastel. A rusticidade do

Curosidade: no piso térreo, na parede das escadas, há um cesto pendurado no cabide onde se deposita a correspondência; na cozinha, sobre a bancada, junto à janela, a tábua de cortar é de carvalho. Ainda na cozinha, destaque para os utensílios à vista

70 Março 2010 CASA CLÁUDIA

CASA CLÁUDIA Março 2010 71


romântica

pavimento e toros de madeira cravados na parede é suavizada pelo papel de parede ‘cintilante’, lustres e espelhos. Como peças favoritas, Suzy elege a banheira de cobre – cujo transporte para o 2.º andar foi uma aventura – comprada pela “internet por menos 60% do valor do mercado de loja”; a tábua de cortar, em carvalho, os utensílios da lareira, encomendados a um ferreiro local: “Estavam ainda quentes quando os fui buscar”, recorda. No que toca aos pormenores, a jornalista descreve-os assim: “Lençóis brancos de linho, bem passados, proporcionam-me sonhos encantadores, cores neutras e bem coordenadas clareiam os meus pensamentos, linda loiça artesanal faz com que me apeteça cozinhar pratos saudáveis e criativos!” Se o todo faz sentido, é porque o detalhe foi realmente bem trabalhado. Quando optou por uma segunda casa, Suzy sabia que teria de a rentabilizar, pois o seu orçamento não suportava duas habitações. Decidiu, então, alugar a casa de campo por curtos períodos, férias (www.moorlandview. com), a ‘visitantes’ cuidadosos em busca de dias tranquilos e ambiente romântico. A C iniciativa está a ser um sucesso! A intervenção resultou num estilo “britânico moderno, com sotaque francês”, colorido a cinzas luminosos, verdes, castanhoschocolate e rosas-pastel; a rusticidade do pavimento e toros de madeira cravados na parede é suavizada pelo papel de parede ‘cintilante’, lustres e espelhos. Curiosidade: a banheira da casa de banho foi comprada pela internet, 60% mais barata do que o seu valor no mercado

72 Março 2010 CASA CLÁUDIA

CASA CLÁUDIA Março 2010 73

Casa Claudia (March 2010)  

“Perfect for city people looking for a tranquil and romantic atmosphere. A great success.” — Petra Alves, Casa Claudia (March 2010)

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you