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“A melhor forma de prever o futuro é inventando-o” Ahhh... a temporada das ondas! Não há como esta altura do ano

e os artistas estão mais predispostos. Simplesmente porque as

com algo louco, insano... algo que passa a barreira do convencional

para ver de perto o bodyboard progredir. Para ver as alminhas a

ondas entram de feição em toda a extensão da costa portuguesa.

e perdurará nas bocas do povo. É o futuro a ter lugar!

atirarem-se de cabeça ou a sair meio zonzos de cavernas enormes.

É nesta altura que tudo acontece e batalhas são vencidas.

Ai, a temporada das ondas... que saudades já tínhamos dela.

Mas uns preferem arriscar o pescoço a conquistar novas paragens.

As próximas horas, dias, meses... verão os bodyboarders

Outros dão às asas em voos absolutamente irreais – como este

a reinventarem-se e a partir em busca de sonhos e muita

de António Azevedo. Sim, é nesta altura que os palcos se alinham

adrenalina. Muitos dão o tudo por tudo e chegam a fazer história,

{ Mtn-photo.com }


TEASER PHOTO

— Alan Kay


{ Ricardo Bravo }

Soldado nĂŁo identificado num visual apaixonante da costa de Sintra ĂŠ o prato principal da ementa. Bom apetite!


8 PRIMEIRA ONDA

26 RAWLINS BEAT

32 STOKED

Estaremos nós condenados a ser a nova América do bodyboard?

Mitch Rawlins em exclusivo sobre a Found e o seu novo filme.

Fantásticas histórias de um imponente conjunto de imagens.

50 YOUNG GUNS

52 40 ANOS DE BODYBOARD

62 LONGE DOS HOLOFOTES

Rumámos ao sul para conhecer a nova geração de Sagres.

Hora de balanço no 40º aniversário da Boogieboard.

Neves Grosso foi o motor da ação do desporto em Portugal.

64 ONDAS

66 SETE PECADOS

78 GUARDIÃO DO LEGADO

Provavelmente, o melhor spot do Algarve e arredores.

Conhece sem medos os 7 pecados do bodyboard.

O futuro do bodyboard português chama-se Tó Cardoso.

86 COFFEE BREAK

88 GALERIA

98 KICK OUT

Desbravámos o bunker da No Fraangos.

Os derradeiros flashes da edição para vosso deleite.

PLC é o fenómeno em destaque.

Mitch Rawlins. Foto: Trent Mitchell

STAFF Fundadores António Fonseca, Miguel Simões e Pedro Crispim Editor António Fonseca Assistente de edição Ricardo Miguel Vieira Fotografia Miguel Nunes, Ricardo Bravo, João Melo, Tim Jones, Mauro Motty, Phil Gallagher, Jem Cresswell, Ricardo Amaral, Tony Mateo, Pedro Carvalho, Luke Shadbolt, António Cruz, Tó Mané, Paul Castle, Wilson Ribeiro, Rod Owen, Stork, Calum Macaulay, Seamus Makim, Fábio Inácio, Lee Kelly, Danny Hernández, André Carvalho, Matt Ryan, Cobus Bosman, Henrique Pinguim, Edu Bartolomé, Alexis Diaz, João Serpa, Mike Maxted, Nuno Cardoso e Pedro Ferreira

Design, Arte Final e Pós-Produção David Rafachinho Impressão Printer Portuguesa Distribuição Vasp Tiragem 8.000 exemplares Periodicidade Trimestral Depósito Legal 85639/95 Registo ERC 119004 Edita M.S.T.Z., Lda Correspondência Apartado 21, 2564-907 Santa Cruz, Portugal Tel +351261933225 E-mail info@vert-mag.com

É proibida a reprodução total ou parcial de textos e imagens sem prévia autorização escrita do editor. As opiniões expressas nos artigos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. A Vert é publicada quatro vezes ao ano, está escrita nos termos do novo acordo ortográfico e utiliza papel proveniente de fontes responsáveis (FSC® C006423).


{ Tim jones }

Hauoli Reeves a divertir-se em Sandy Beach é um retrato que nos transporta para os tempos de criança, mas também para as primeiras sensações do bodyboard.


O dia começou com um vendaval terrível e as ondas, desordenadas e sem força, não ultrapassavam os dois pés de altura. Em Kailua, cerca de 20 km a nordeste de Honolulu, capital do Havai, um homem trabalhava num pedaço de polietileno Dow, na esperança de criar um molde que lhe permitisse deslizar nas ondas. Uma manhã bastou e, à hora do almoço, já se encontrava pronto para estrear a sua obra-prima. As fracas ondas que davam à costa não o demoveram e, de pés-de-pato na mão e com um bloco debaixo do braço, o homem lança-se ao mar. Tom Morey era o seu nome e, através da sua criatividade, o bodyboard acabava de nascer, a 7 de julho de 1971. Passámos agora a barreira das quatro décadas de existência e, entre todos esses anos, contamos inúmeros altos e baixos, vitórias e derrotas, de um desporto que, digam o que disserem, ainda corre atrás da sua afirmação e independência. Certo é que, olhando para trás, para todas as incidências que decalcaram o bodyboard até ao que ele é no presente, constatamos, sem dúvidas, que nos encontramos no ponto mais alto da montanha da sua história: o circuito mundial está ao rubro, com etapas em ondas cem por cento bodyboard, com duas divisões em disputa e com uma transmissão online irrepreensível; surfamos e desafiamos ondas de consequência pela constante vontade em estender os próprios limites do bodyboard; e temos uma legião de praticantes que não para de crescer.

Porém, também nos encontramos numa encruzilhada, onde se avizinham muitos desafios para os tempos mais próximos: o balanço sobre o primeiro ano do novo modelo competitivo vai ditar o futuro da competição mundial, pois do seu sucesso (ou fracasso) dependem muitos dos apoios que agora nos assistem; a vertente ecológica do bodyboard tem de ser uma prioridade; a sobrevivência da própria indústria tem de ser ponderada, com o objetivo primário de atrair, no mínimo, os seus praticantes; e a nova geração tem de assimilar e continuar com a herança que lhes foi delegada. Portugal não está imune a todos estes desafios, mas, a bem da verdade, tem muitos mais obstáculos para ultrapassar do que qualquer outra nação bodyboarder. Somos um país à beira-mar plantado, o ponto europeu mais ocidental, com uma costa versátil e rica em ondas e temos uma tradição no bodyboard como poucos países se podem orgulhar. Afinal, em que é que estamos a falhar? Para onde nos dirigimos? Qual o nosso lugar ao fim de 40 anos de história? Sejamos realistas, à passagem destas quatro décadas, enfrentamos, primeiro que tudo, uma autêntica crise de identidade. E o combate tem de começar pela definição daquilo que pretendemos para o bodyboard em Portugal. Até podia mencionar aqui a mais que batida lengalenga sobre a indústria, como ela está estagnada, se não mesmo em declínio, e como nós, praticantes, somos os principais responsáveis pela sua lenta e angustiante morte. Podia, também, aferir sobre o estado da nossa nova geração, em como não vislumbramos um nome a quem se possa entregar o testemunho, em como ninguém se destaca como potencial sucessor de quem já nos representa nos campeonatos mundiais. Podia falar de muitas mais coisas, mas seria bater na mesma tecla e, além da tecla já estar desgastada, este discurso começa a esgotar.

Prefiro dar conta de como passámos e assinalámos o 7/7 no nosso país, de como prestámos tributo ao nascimento do desporto que mudou e moldou as nossas vidas. Pois bem, na realidade, não prestámos homenagem alguma. No passado dia 7 de julho, dia dos 40 anos do bodyboard, realizaram-se diversos campeonatos, tanto regionais como nacionais, ao longo da nossa costa. E até parece mentira, mas quantos deles pararam por uns momentos para relembrar tão importante dia? Alguém se lembrou do 7/7? Como é que conseguiremos transmitir o feeling do bodyboard aos mais novos se ignoramos a única data que temos para celebrar a existência do desporto? É um pouco como o futebol... Como é que um plantel pode espalhar a mística de um clube a um jogador recém-chegado se não tiver no seu grupo alguém que conheça bem os cantos à casa e que saiba o real peso da camisola que veste? Olhemos para o Brasil, onde a festa foi outra. O 7/7 foi relembrado com pompa e circunstância. Marcos Kung, lenda viva do bodyboard canarinho, reuniu vários internacionais brasileiros para um encontro de confraternização entre miúdos e graúdos. Uma verdadeira festa ao bodyboard, o reconhecimento da importância que o desporto tem nas suas vidas. Talvez seja o sinal de que, no fundo, eles são mais puros e únicos do que nós. Quem sabe... Em Portugal, a passagem destes 40 anos do bodyboard foi nula (salvo raros apontamentos na Web), quando deveria ter sido uma chamada de atenção para os terrenos que temos de enfrentar nos próximos tempos. Uma coisa é tão certa como a água ser transparente: o bodyboard português atravessa uma verdadeira crise de identidade e ainda não descobriu para onde se move.

Ricardo Miguel Vieira

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“Eu era apenas uma homem que estava na praia, com um pedaço de 'FOAM' e uma navalha na mão, e precisava de algo para surfar” – Tom Morey


M itch ell Lu ke Rawlin s, 28, tem influenciado uma legião de bodyboarders e dominado como poucos a dianteira do desporto. Dono e senhor de uma linha fluida, apoiada em curvas perfeitas e consistentes, é também na velocidade e no poder de explosão que tem conseguido fazer a diferença. Para iniciar a edição, em mais um exclusivo com o selo da Vert, eis o que o aussie tem para nos contar sobre o lançamento do seu mais recente filme (Hiding From Comfort) e ainda o que visa conseguir com a entrada da Found no mercado europeu.

entrevista_António Fonseca fotografia_Trent Mitchell


Criar algo de raiz é um processo extremamente duro. Quais os planos para os próximos tempos? Espero que o futuro nos dê coisas muito positivas, sempre com o bodyboard em mente. Eu nunca alimentei uma imagem do desporto que não fosse positiva. Sempre quis ser um miúdo toda a minha vida, portanto, parece-me que a Found irá ser sempre uma marca jovial à qual poderei estar associado. No dia a dia isso motivame bastante...

Deixar a VS para iniciar a Found foi um processo longo ou apenas algo que estava altura de fazer? Bem, há cerca de um ano, não muito antes do meu contrato terminar com a VS, eu já andava com a ideia na cabeça. Mas a verdade é que sempre tive esta ideia de que, eventualmente, um dia iniciaria a minha própria marca...

Poder contar com a experiência de Jarrod Gibson foi uma boa forma de começar. Que podes dizer-nos sobre esta parceria? O Jarrod é excelente, trabalha em shape há muitos anos, e, por isso, estou muito contente por tê-lo na Found. Através do seu talento, posso ver as minhas ideias a serem desenvolvidas e materializadas em pranchas. É simplesmente fabuloso!


O teu novo filme, Hiding From Comfort, apresenta uma qualidade de imagem simplesmente brutal. Apesar de não ser muito comum no bodyboard, o recurso aos “slow motions” captam bem a intensidade e os detalhes do momento. Foi algo em que pensaste?

Penso que esta coleção serve toda a gente - riders de 11 anos que estão a começar a riders mais experientes na casa dos 30. Eu não reinventei a roda com esta coleção, mas a fábrica onde produzimos (AGIT) possui todos os recursos para, no futuro, vir a fazer os melhores bodyboards. N o m í n i m o , i s s o d e i x a - m e m u i to entusiasmado. Mas, por agora, as pranchas desta primeira coleção são tão boas quanto qualquer uma outra que se encontre no mercado.

Uma vez que tens o teu próprio modelo assinado – MR Series – seria de esperar que andasses sempre com ele. No entanto, isso nem sempre acontece... (risos) Talvez isso suceda porque agora te nho mais lib e rda de para o f aze r. A empresa é minha, o que me dá acesso a usar qualquer modelo sem estar sujeito à minha “Signature Series”... que era a situ a ç ã o e m q u e m e e n co ntrava anteriormente. De qualquer forma, para que conste, ultimamente tenho andado praticamente só com a MR Series. (risos).

Que significa ter as tuas pranchas no mercado europeu? A Europa significa muito para mim , pois já estive várias vezes por aí e adoro as vossas ondas. O nível dos europeus é simplesmente fantástico, nos próximos anos vão certamente aparecer mais e mais talentos. Tal como na Austrália, vou procurar que a Found seja uma marca respeitada no vosso mercado que tem claramente muitas pessoas apaixonadas pelo bodyboard.

Na tua opinião, qual a melhor sessão do filme? Muito provavelmente, a sessão em Western Austrália. Estava um dia absolutamente p e r feito, com tub os estupidam e nte longos e apenas alguns amigos na água. Sabes, é difícil conseguir melhor que isto...

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Que tipo de coleção quiseste pôr no mercado pela primeira vez?

Bem... sim, a câmara lenta pode ser incrível. O oceano e a água movem-se a alta velocidade, então quando abrandamos o ritmo temos a possibilidade de criar imagens incríveis que podem ser apreciadas por um público mais alargado que não só os bodyboarders.


Como resumirias este teu segundo filme? Penso que o DVD é uma espécie de ponta do icebergue, pois mostra o que bodyboard pode realmente ser. Este projeto teve um orçamento muito limitado, mas sei que se tivéssemos mais dinheiro poderíamos ter feito muito mais. Estou confiante que um dia o mundo conhecerá a espetacularidade do desporto e aí, junto do público em geral, seremos tão reconhecidos como os surfistas.


Seja em tow-out, a voar alto ou a dropar grandes ondas, é óbvio que estás comprometido com a evolução do desporto. Qual destes cenários preferes? Gosto de todos eles! Acima de tudo o que gosto realmente é de estar no oceano e surfar todos os dias. Raramente me importo como está o mar, para mim está sempre bom...

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Que tipo de energia absorves do oceano? Dirias que é o local onde estás mais vivo e livre? Diria antes que sempre que estou na água sinto-me como um miúdo que não tem qualquer responsabilidade e pela frente tem apenas possibilidades ilimitadas... Curiosamente, ultimamente tens estado mais envolvido na competição. O título mundial continua a ser um dos teus objetivos? Claro que sim! A conquista do título seria algo fantástico! A sensação deve ser incrível e é por isso que tenho andado a competir com mais regularidade.

Última questão. Imagino que seja difícil ser bodyboarder profissional e patrão ao mesmo tempo? Mudarias algo se tivesses oportunidade? Este tem sido um desafio que tem exigido muito de mim, mas penso que não mudaria nada. Só espero um dia poder viver do bodyboard e proporcionar a outros tantos as mesmas condições. É esse o comprometimento que tenho para com o desporto.


Ondas são como fotocópias, especialmente naqueles dias em que deliramos, pois vêm umas atrás das outras e não param. Vê as melhores cartas de amor ado inverno passado e da primavera contadas pelos protagonistas da tribo. A felicidade é o desejo pela repetição.


Backdoor 11 março | 09:46:21

Nunca pensei que este pico debitasse ondas desta qualidade, pois sempre olhei para ele como sendo um canal do Reef, com pedra e areia à mistura. Quando cheguei, de manhãzinha, ainda sem ninguém na água, o tempo estava fechado e, apesar do offshore que se fazia sentir, não estava nada de especial. Contudo, eu, o Martelo, o Gastão e o Nunito resolvemos entrar porque a previsão dizia que o vento ia virar. Mal entrámos começámos a apanhar altas ondas. Estava perfeito para bodyboard. Metro e meio com altos tubos, bocas, junções e quebras, tudo para a direita. Estávamos a vibrar uns com os outros e íamos fazendo, à vez, tubos atrás de tubos e grandes voos. Eu demorei a entrar no ritmo, mas quando apanhei esta onda, uma das maiores até ao momento, tudo mudou. Ela fez um degrau e fechou mais à frente, limitei-me a fazer o que ela pedia. Nesse dia surfei 4 horas seguidas e foi definitivamente a melhor surfada desde que voltei do Havai.

Esta foi uma semana recheada de terral, por isso, foram muitos os bodyboarders que convergiram à Ericeira. Pronto para mais uma investida, a alvorada começou bem cedo, por volta das 6h30, sendo que duas horas mais tarde já estava a ver o mar com um belo pequeno-almoço no buxo. Na vida nem tudo é perfeito e o céu estava carregadinho de nuvens, um dos piores inimigos dos fotógrafos. Contudo, nem tudo estava perdido, pois rolavam umas direitas incríveis. Decidi então procurar um sítio visualmente agradável e comecei a fazer pontaria. Estavam apenas quatro bodyboarders na água, mas a primeira onda de cada um ditou o ritmo: o Nunito veio em primeiro e faturou um tubo seco; Gastão veio na segunda onda e aplicou um valente backflip; Martelo, na terceira, meteuse para um tubo bem deep; Porkito atirou-se à junção como se estivesse a surfar há horas. Se as quatro primeiras ondas foram assim, então imaginem o resto...

- Porkito

- Miguel Nunes


{ Mtn-photo.com }

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Stoke—d M ergulha na a v entura . . e entra em sintonia com um imponente con j unto de imagens q U E escondem histórias fant á sticas do bodyboard Quem as conta são os pr ó prios protagonistas da tribo . S toked é 100% bodyboard

Onda: Cave Data: 27/04/2011


Fot贸grafo: Ricardo Bravo Hora: 08:23


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HUGO PINHEIRO

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MANUEL CENTENO

FRANCISCO BESSONE

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— Hugo Pinheiro a recarregar baterias num cilindro bem "caliente" —


GUIA DE NEOPRENE

INVERNO Miguel Nunes —

Lentamente, as marcas de fatos ligadas ao bodyboard têm vindo a impor o seu nome no mercado, conquistando já uma boa parcela de adeptos. Por esse motivo, decidimos que estava na hora de revelar algumas das opções que temos à mão. É que o inverno já anda por aí a dar sinais, por isso, façam-nos o favor de fazerem escolhas inteligentes. Boas sessões!


I. Jo達o Barciela

II. francisco bessone

II. francisco alegria

IV. bernardo barroso


Ph > AD/Wrrider.com

Ph > Tony Mateo

Textos por Ricardo Miguel Vieira


É um dos históricos do circuito mundial e um nome há muito conhecido em Portugal. Regular na Vert é, muito provavelmente, o bodyboarder canário mais reconhecido do globo, uma distinção que lhe vale o apoio do turismo das ilhas. A prioridade de Ardiel é o dropknee, estilo a que se mantém fiel e que lhe garante mais hipóteses de arrecadar um título: “Acho que ainda tenho muito para dar ao bodyboard. Motiva-me imenso estar entre os melhores do mundo e é no dropknee que reúno mais hipóteses de conquistar um título. Acredito que tenho possibilidade de um dia ser campeão, se continuar a trabalhar e a treinar no duro, dentro e fora de água.” As Canárias estão nas bocas do lineup há meses, senão mesmo anos. Os atletas evoluíram depressa – muito à conta das sessões épicas proporcionadas pelo Frontón – e o top 24 mundial concentra três nomes em representação das ilhas. A nova geração já se mostrou ao mundo e revela muita qualidade, não só no prone como no dropknee. “O nível do

dropknee nas Canárias é muito elevado. Temos um grupo que promove o estilo e organiza campeonatos específicos para os amantes do dropknee. Há jovens que já se destacam, como é o caso do Elliot Morales, um atleta muito versátil e que surfa muito bem. Mesmo assim, gostava de ver mais riders a surfar em dropknee nas Canárias, principalmente quando o mar está maior e mais difícil. É uma forma de aumentar o nível do estilo e de o projetar nos amantes do desporto”, atesta. Ardiel Jiménez passou por muitas das transformações do tour mundial. Com o novo modelo competitivo, o futuro do bodyboard parece assegurado, faltando apenas o garante do apoio aos atletas de topo. “Gostava de ver mais gente a viver do bodyboard de maneira digna e totalmente profissional, sem terem de passar por penúrias e tanto trabalho para chegar onde estamos, como tem acontecido até agora. Demorámos muito tempo a chegar aqui, agora tem de ser a valer.” Para bem de todos, oxalá isso se concretize...


Revisitando a Macaronésia* Os tugas não param e estão em constante movimento pelos quatros cantos do globo. O objectivo é aperfeiçoar, desafiar... evoluir! Aproveitando as últimas movimentações dos bodyboarders lusitanos, eis a novela e as melhores imagens de três fantásticas aventuras no Atlântico.


{ Ricardo Amaral }

* Macaronésia é um nome moderno para designar os vários grupos de ilhas do Atlântico Norte, perto da Europa e da costa noroeste Africana (entre Marrocos e o Senegal). Consiste de quatro arquipélagos: Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.


Evan Deverian Idade: 20 Origem: Norte-americana Anos de bodyboard: 4 Spot: Salt Creek

Ricardo Miguel Vieira

Os putos do futuro

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Tahurai Henry Idade: 20 Origem: Taitiana Anos de bodyboard: 8 Spot: Hava'e

A juventude do presente alimenta-se de aspirações e ambições. É convicta, focada, e aponta, desde cedo, os seus ideais, as suas visões, alinha e define objetivos. Para os praticantes de tenra idade, o bodyboard é sonho, é algo que mexe com o seu imaginário.

JB Hillen Idade: 19 Origem: Havaiana Anos de bodyboard: 4 Spot: 2D's

Espalhados pelo globo, dedicam-se com afinco a este estilo de vida, desenhando a sua própria identidade e assumem as rédeas da herança que as atuais gerações vão enriquecendo. O destino do desporto passa por eles... Eles são os putos do futuro!

Rodrigo Fernandez Idade: 16 Origem: Brasileira Anos de bodyboard: 3 Spot: Posto 5


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Maxime Castillo Idade: 16 Origem: Francesa Anos de bodyboard: 7 Spot: La Salie

Daniel Fonseca Idade: 17 Origem: Portuguesa Anos de bodyboard: 7 Spot: Supertubos

Pedro Santiago Idade: 19 Origem: Can谩ria Anos de bodyboard: 8 Spot: Front贸n

Tristan Roberts Idade: 14 Origem: Sul-africana Anos de bodyboard: 7 Spot: Onrus

Lewy Finnegan Idade: 16 Origem: Australiana Anos de bodyboard: 6 Spot: Mullaloo


[ Frederico Palma, Inside Corner Uluwatu ]


— GALERIA —


[ PLC, Cova do Vapor. Foto Mtn-photo.com ]



Vert Magazine (Sample Version)