Versus Magazine #35 Junho / Julho '15

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ENTREVISTA

SONORIDADE DOS WE B? FERNANDO MARTINS: Nada é descartado

quando compomos. Se gostamos fica, se não gostamos sai. É assim que gostamos de trabalhar. Peso e melodia são características inatas da nossa música, não o fazemos porque sabemos que as pessoas estão à espera disso. Fazemo-lo porque é assim que gostamos, é assim que nos sai. Faz parte do nosso ADN enquanto banda.

GRAVARAM O ÁL BUM NO S R A IS IN G LEG EN D S STUDI OS COM O AN D R É MAT O S . Q U E DI FERE NÇAS E NCONTRAM EN T R E O P R O C ES S O DE EST ÚDIO DE STE ÁL BUM E D O «D EV IA N C E», QUE GRAVARAM NOS SO U N D V IS IO N C O M O PAULO L OPE S? FERNANDO MARTINS: Não podemos comparar.

Foram duas situações muito diferentes. Com o Paulo Lopes foi um processo exaustivo dois meses metidos no estúdio, trabalhando quase todos os dias. Tanto a captação como a mistura e masterização fizeram-se lá. Com o André, o processo foi muito mais longo mas estivemos menos tempo em estúdio. As captações aconteceram realmente no Raising Legends Studios com o André, tendo a mistura e a masterização ficado a cargo do Christian Svedin nos Studios Haga, na Suécia.

PRETENDIAM ATINGIR OBJET IV O S ES P EC ÍFIC O S EM TERMOS DE SOM AO T R A B A LH A R C O M O CHRI STIAN? FERNANDO MARTINS: O Christian surgiu como

“plano b” e revelou-se uma aposta ganha. Ele é muito disponível, profissional, e, acima de

tudo, percebeu a forma como pretendíamos soar neste álbum - mais frescos e potentes, sem nunca perder a nossa identidade e som próprios.

N ES T E Á LBU M É N O T Ó R I O Q U E A L G U M A S PA S S A G EN S D E D E T E R M I N A D O S T E M A S EX IG IR A M UM A A B O R D A G E M V O C A L D I F E R E N T E ( C O MO “ EV E RY T H I N G E N D S - PA RT I ” ) , O Q U E S E R EFLET IU N U M A M A I O R A M P L I T U D E D A T U A V O Z. Q U Ã O D E S A F I A N T E F O I PA R A T I E S TA R EA LID A D E E N Q U A N T O I N T É R P R E T E ? FER N A N D O M A RT I N S : Essa parte de que falas

foi de facto muito desafiante, nunca tinha feito nada igual. Já o tema “The Journey”, do «Deviance», começa com um som bastante mais limpo do que costumo fazer, mas é quase falado, com pouca melodia. No “Everything Ends - Part I” tive mesmo que dar um pouco de melodia à minha voz limpa. Tinha de ser assim, foi assim que ouvi a letra na minha cabeça quando a escrevi.

N ES T E ÁLBUM TEMOS DOIS TEMAS C O N C EP T U AI S - A S D U A S PA RT E S D E “ EV ERY T H IN G E N D S ” - , E X T E N S O S , Q U E S E O R G A N IZA M E M C I N C O PA RT E S . E S TA S E R Á U MA T EN D Ê N C I A A M A N T E R N O F U T U R O ? FER N A N D O M A RT I N S : Nos WEB tudo está em

aberto. Não recusamos ideias só porque não é o que “normalmente” fazemos. Como disse, se gostamos fica, se não gostamos sai. A base deste tema partiu do Filipe [Ferreira, guitarrista], que mesmo antes de termos os riffs prontos e estruturados nos disse que tinha imaginado um tema com cerca de 20 minutos. Não ficou com 20 mas com cerca de 21, dos quais para o álbum só gravámos 17.

O S W E B J Á S E E N C O N T R A M A RO DAR ESTE Á L B U M N A E S T R A D A , T E N D O U M A AGENDA R A Z O AV E L M E N T E PREENCHIDA. EXI STEM A L G U M A S D ATA S P L A N E A D A S F O R A DO PAÍ S O U V Ã O M A N T E R U M P E R C U R S O E S TR I TAMENTE NACIONAL? F E R N A N D O M A RT I N S : Neste momento estamos

concentrados na promoção do álbum a nível nacional, mas não descartamos datas fora do país. Os contactos já estão a ser feitos e brevemente poderão surgir novidades!

E M O U T U B R O D E 2 0 1 6 O S W E B FA Z EM 30 A NOS D E AT I V I D A D E , A O L O N G O D O S Q U A I S TI VERAM D E U LT R A PA S S A R FA S E S E S P EC I ALMENTE D I F Í C E I S , C O M O A D O E N Ç A E A MORTE D O D AV I D . O L H A N D O E M R E T R O S PETI VA , QUE B A L A N Ç O FA Z E S D A V O S S A C A R R E I RA? F E R N A N D O M A RT I N S : Fazer o que gostamos,

com quem gostamos, resulta sempre num saldo positivo, mesmo contando com algumas fatalidades e adversidades que fomos tendo ao longo do caminho. A morte do David foi algo que muito nos afetou, mas ainda hoje somos cinco em palco - ele está sempre presente.

H Á A L G O D E Q U E S E A R R E P E NDAM, Q UE G O S TA S S E M D E T E R F E I T O D E O UTRA FORMA O U Q U E G O S TA S S E M D E A I N D A AT I NGI R? F E R N A N D O M A RT I N S : Sim, claro, se dissesse

que não estaria a mentir. Gostaríamos de ter lançado o primeiro álbum mais cedo e de ter promovido mais o nosso trabalho lá fora. No passado fomos mais recativos que proativos, mas esse é um aspeto que mudámos. Temos 4 1 / VERSUS MAGAZINE