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uma forma clássica fez-me ver que estas são, na realidade, composições. Claro que os temas do álbum foram feitos, em primeira mão, em torno da guitarra e da bateria e tudo o resto teve que ser trabalhado à volta das melodias já existentes. O nosso tempo era limitado e tivemos que dar prioridades aos aspectos fundamentais. Agora que sei que é possível e com o que já está feito, o próximo material será trabalhado em torno das vocalizações e os outros instrumentos estruturados de forma a complementar as vozes e aí será muito mais difícil de classificar. Acho que a fórmula assenta no Rock, baseada nas minhas raízes de infância dos Beatles, Pink Floyd, The doors. Estas bandas quebraram barreiras com as mais imprevisíveis e inovadoras abordagens musicais, tinham letras com significado e uma ampla visão do mundo. Inovaram em termos tecnológicos e ajudaram a criar um clima musical que coexiste com as tendências actuais. Criaram a estrutura de base do Rock e da música ocidental em geral. Sou inspirado por tudo o que depois disso continuou a derrubar barreiras ou a criar canções cheias de significado e emoções. Com estas influências e a tecnologia actual, tudo é possível. Gostaria de explorar para além dos limites da música convencional. A coisa mais importante na arte é a história que conta ou a mensagem que transmite e a forma de as comunicar à audiência de forma eficiente. A simplicidade e a disciplina são duas realidades muito difíceis de gerir. Uma vez que não possuo qualquer conhecimento teórico sobre música, trabalho de forma espontânea e construo as minhas obras em torno das ideias que me parecem mais fortes e adequadas. Deixo-me levar por diversos instrumentos, meios visuais, pela poesia, pela filosofia. Penso que é tudo psicológico. Assim, obtenho trabalhos que preciso de partilhar, para os apreciar melhor.

aberta e inteligentes. Assim, tomei consciência de que a surpresa suscitaria críticas. Pessoalmente, não tenho medo das críticas negativas. Há muito tempo que deixei de me preocupar com o que as pessoas pensam, porque isso castra a tua criatividade. De qualquer modo, também não valia a pena sofrer por antecipação: quem pode prever o que as pessoas vão pensar sobre um álbum? Pensei nisso, durante muito tempo, e cheguei sempre à mesma conclusão, a única possível. Que devemos seguir o nosso coração, a nossa alma e optar por uma direcção que valha a pena seguir, porque entra em novos campos em que andávamos a pensar há anos. Afinal, estava envolvido num puzzle complexo, gerado por um impulso criativo, de que ninguém conhecia a saída, inclusive eu. Foi certamente a coisa mais ousada e criativa em que me vi envolvido até ao momento presente. Tratava-se de ver para além da nossa audiência habitual e, de alguma forma, entrar em contacto com aqueles que esperam um nível de comunicação musical diferente. Ninguém pode agradar a todos, antes de mais temos de agradar a nós mesmos.

Menace é algo que planeio segui pelo menos nos próximos 10 anos.(…) Eu quero mais, pelo menos uma trilogia.

Menace é muito diferente das outras bandas com quem tens trabalhado. Durante o processo, houve algum momento em que tivesses sentido alguma “resistência” a «Impact Velocity»? Sim, muita mesmo, sobretudo no que dizia respeito às vozes. Enquanto estava a compor e a fazer experiências, a tentar desenvolver estilos e aplicar os meus conhecimentos de harmonia, o meu principal objectivo era escrever linhas para a voz que complementassem a música e fossem simultaneamente significativas e memoráveis. Houve alturas em que vi perfeitamente que o efeito obtido não iria agradar à maioria dos nossos fãs habituais. Mas também sei que a maioria deles são pessoas de mente 8

Uma coisa que me chamou a tenção foram os pseudónimos que escolheste: Cygnus, Synergus… Tèm alguma coisa a ver com a história ou conceito subjacentes ao álbum? Ainda bem que reparaste nesse pormenor. Tudo isso começou quando, em 1999, escrevi um guião para um filme baseado num sonho/revelação. Estudei para fazer o meu próprio filme. Queria fazer música para bandas sonoras de filmes e pareceu-me que ninguém viria bater à minha porta, portanto comecei eu próprio a fazer a música. Para isso, aprendi a compor e criar sequências, usando ferramentas primitivas. A história do filme era complexa e tinha 12 personagens-chave. Seleccionei as personagens mais importantes da história e atribuílhes nomes concetuais, que me abriram portas e me deram um ponto de partida. Eu irei assumir essas personalidades no palco e cada membro será uma pseudo-versão de si próprio e das personagens da história. Cygnus e Synergus fazem parte de uma dupla personalidade: representam o passado-presente e o futuro da minha identidade. Estas personagens vão expandir-se, para encontrar alguém em quem encarnar através do uso de máscaras e de imagens. Li algures que tinhas a intenção de trabalhar com o Max Cavalera. Ele é um guitarrista e vocalista exímio. Por que razão ele não se juntou à banda?

Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  
Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  

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