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o primeiro longo-termo da banda, pois segue o álbum homónimo lançado em 2011,apercebemos-nos de notas de amadurecimento da formação relativamente aos seus inícios. A faixa introdutória “Dysphoria” é melódica e energética, especialmente deixada aqui para controlarem este nosso primeiro contacto com álbum e assim conquistar-nos nos primeiros acordes. Conseguido. As faixas seguintes fazem-nos viver o black metal dos seus antecessores, das regiões frias da Noruega, condicionadas à realidade vinterbris, que é a de adicionar ambientes melódicos controlados e bem executados e que sofrem uma evolução natural nestas músicas. Mas não ficam por aqui, faixas como a calorosa “Gazing at a Fallen Sky” deixa-nos transtornados em como pode uma música e ambiente tão quentes estar num trabalho destes? Bem, simplesmente porque na vida temos sempre destes momentos e o de «Solace» é grandioso de se ouvir. [8.5/10] Adriano Godinho VINTERSORG «Naturbål» (Napalm Records) Confesso que não sou muito fã de Folk Metal, tanto ao nível do próprio estilo como das bandas que o personificam. No entanto, os Vintersorg fazem-me contrariar tudo o que disse em cima. Este duo composto por Andreas Hedlund (Mr. V) e Mattias Marklund consegue prender a minha atenção Esta simbiose criada pelos diversos elementos ambientais e várias “camadas” musicais arrasta-nos, forçosamente, para um novo mundo criado através «Naturbål». De facto, as diferentes vozes, umas mais calmas outra mais “Black Metal”, outras ainda femininas, aliadas, à excelente composição de Mr. V e aos diversos elementos musicais, instrumentais e melódicos, fazem deste um álbum quase épico. Isto é uma combinação perfeita entre as antigas influências Vintersorgianas e as mais técnicas e progressivas dos tempos mais modernos. O facto de as letras não serem na habitual língua Inglesa, ao invés, são cantadas na sua língua materna, em nada nos impede de degustar e absorver toda e qualquer nota sonora. A temática lírica centra-se no “fogo” como terceiro elemento, já que é o terceiro álbum respeitante aos “quatro elementos”. Portanto, tudo isto contribui ainda mais para a magia do álbum e é mais uma prova da forte personalidade e coerência conceptual. Deixem-se “queimar” pelo fogo ardente de «Naturbål», estou completamente “estorricado” mas vale cada segundo. Os Vintersorg continuam a deixar a sua marca e o seu brilhantismo visionário. [9/10] Eduardo Ramalhadeiro VIRGIN STEELE «The Marriage Of Heaven And Hell I+II» (SPV) Já por várias vezes “dei o braço a torcer” por não conhecer certa e determinada banda. Dada a incomensurável variedade de artistas, nem sempre conseguimos ouvir tudo. Normalíssimo, portanto! Os Virgin Steele acabam de reeditar duas partes de uma trilogia, ficando a faltar, somente, «Invictus». Este é daqueles álbuns por serem tão bons, pela tamanha influência que exerceu (… e exerce!) em alguns grandes artistas, que poderia escrever à vontade, uma folha A4 e mesmo assim, ainda seria um resumo. Bem… por onde começar!? Esta nova edição junta num duplo CD «The Marriage (…)» parte I e II, num total de 31!!! temas! Se vocês já ouviram (e certamente, já) um projeto chamado AVANTASIA, poderão ser levados a pensar que Tobbias Sammet foi o percursor da Metal Opera, de todo o romantismo e consequente conceptualidade inerente à história. Não poderiam estar mais enganados. Um dos mentores dos Virgin Steele, David DeFeis (vocalista teclista e produtor) participa no projeto de Sammet, precisamente, “The Metal Opera”. Ora, como já escrevi, os mais incautos leitores (e ouvintes) poderão erradamente pensar, serem os Avantasia os percursores deste género. Só vos posso dizer para ouvirem as duas partes de «The Marriage (…)», deliciarem-se com a musicalidade, melodia e com todo o conceito que DeFeis e Persuino criaram, fazendo destes dois álbuns dos mais épicos e grandiosos que já ouvi. Aqui não há clichés, não há monotonia, o que existe é uma química perfeita tal e qual dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio, criando uma molécula de água sem a qual a vida não existia. Para quem gosta de boa música, esta é uma das nossas moléculas da água, obrigatório e sem a qual não poderíamos viver. Sammet chamou “Metal Opera” ao primeiro álbum de Avantasia e acho mesmo que foi um agradecimento às suas origens e influências, sendo os Virgin Steele um dos seus expoentes máximos. [10/10] Eduardo Ramalhadeiro

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Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  

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