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TIM BOWNESS «Abandoned Dancehall Dreams» (InsideOut Records) Quem é Tim Bowness? Penso que na edição passada fiz uma pergunta do género acerca de John Wesley. Não é um novato, antes pelo contrário. Bowness é daqueles talentos escondidos que pouca gente ouve falar mas que tem um currículo ridiculamente rico. Vamos lá ver só alguns exemplos: partilhou o projecto No-Man com Steven Wilson, com Robert Fripp dos King Crimson, Richard Barbieri, OSI ou o produtor e guitarrista dos Roxy Music, Phil Manzanera. Mais, só um artista excepcional conseguiria juntar no seu álbum músicos de topo como o próprio Steven Wilson e Colin Edwin dos Porcupine Tree, Pat Mastelotto dos King Crimson, Anna Phoebe - Trans-Siberian Orchestra/Jethro Tull/Roxy Music. Os arranjos orquestrais estão a cargo do compositor clássicos Andrew Keeling e são interpretados por músicos clássicos. Com este leque excepcional de músicos esta é daquelas compras “cegas”. A classe dos oito temas, muito bem denominada de Art-Rock, com a sofisticada mestria composicional muito bem influenciada pelos No-Man e Porcupine tree, juntamente com a voz “suave como seda” de Tim, o som familiar do mellotron e nem os sintetizadores retiram o “calor acolhedor, quase maternal” que «Abandoned…» nos transmite. É o que dá trabalhar com génios como Steven Wilson. Portanto, eu praticamente “disse nada, dizendo tudo”. Dinamicamente falando, «Abandoned…» foi masterizado por Andy Jackson – DR9 – e mesmo assim é uma delícia para os ouvidos. Ouçam, é obrigatório. Prometo que não se vão sentir abandonados! [10/10] Eduardo Ramalhadeiro VALLENFYRE «Splinters» (Century Media) Os britânicos Vallenfyre editam agora o 2º álbum de originais numa abordagem ao Death Metal old school em que as passagens bafejadas por Doom fazem a ligação e o preenchimento da sonoridade dos vários temas que nos são propostos. Por comparação com o que me lembro de ter ouvido do primeiro álbum, julgo que nesta nova etapa, a conceção das paisagens sonoras têm uma definição mais pensada, são mais propositadas, é agora quase impossível colocar em questão o surgimento deste ou daquele riff ou desta ou daquela pausa. Neste aspeto «Splinters» é um álbum mais maduro mas também um pouco mais previsível, o que não é necessariamente mau, pelo menos para quem aprecia ouvir um conjunto de temas (neste caso 11) que funcionam como um todo em que cada um deles representa um capítulo duma estória que tem o seu início, o desenvolvimento e a respetiva conclusão. O que me parece mais questionável é a utilização de cenários Doom em alguns momentos quando se pedia algo mais dinâmico. Noutras passagens também acredito que ao fundir Doom com Death, talvez descaracterize a mensagem que as composições deveriam supostamente transmitir. O que é certo, é que este formato híbrido funciona mais vezes bem do que mal ao longo do álbum e por isso também tenho que referir que melhor será muito difícil ser conseguido. Algum imediatismo nos temas leva a que sejam digeríveis com alguma facilidade sem contudo trazerem muito de novo. Vale este disco pelo todo, ouve-se bem, é pesado (não há dúvidas quanto a isso) e é propício a repetirem-se algumas audições. [8.5/10] Sérgio Teixeira VINTERBRIS «Solace» (Nordavind Records) De uma forma um pouco discreta surge-nos este som vindo dos confins da Noruega, pela mão firme dos jovens Vinterbris, grupo formado em 2008 e que lançou o primeiro EP em 2010 com o nome “The Unrested” que mostrava já sinais de qualidade sem muito marcar uma diferença. A qualidade que conseguem com este último «Solace» é notável, possuindo este todas as benfeitorias de um estilo musical introvertido e espiritual enriquecido com a capacidade ambiental e melódica que o completa com proporções generosas de uma instrumental navegante e inebriante. Não sendo este

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Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  

DOWNLOAD: www.mediafire.com/download/c12c7566sv2t687/Versus%2331.pdf#31.pdf

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