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devem soar e não crio nenhuma resistência a isso. Às vezes escrevo material que é bastante inadequado para qualquer coisa quando visualizo a abordagem vocal e, também, a adição de instrumentos como violoncelo, viola, violino, elementos eletrónicos, bateria e sons sci-fi. Em todo o material que tinha para os Menace senti essa sensação épica e isso era algo que eu queria explorar totalmente ou, pelo menos, dar um arranque para o que aí vem. Tem em atenção que também houve muitos temas que nem de perto nem de longe se enquadravam nos Menace e, por isso, foram removidas. Para mim, «Impact Velocity» foi evolução lógica de tudo em que tenho vindo a trabalhar nos últimos 28 anos, incluindo todas as influências, na realidade foi como uma experiência científica. O aspecto lírico permitiu-me desabafar de uma forma poética, assim como um diário público, exprimindo todos os sentimentos criados pelas dificuldades e tentando criar novas formas positivas de libertar essa energia que era necessária para o próximo passo. É apenas uma transição e um ponto de partida para o que está por vir. O tema “The Wolf I Feed” do «Utilitarian» criou-me o desejo de experimentar diferente tipos de vozes emocionais, tentando recrear o sentimento que envolvia a minha vida. Naturalmente assumi que tinha de gritar mais mas às vezes era inapropriado e isto, para mim, foi o

ponto de viragem. Eu sabia que haveria criticas mas isto era muito pessoal para eu me preocupar com o que os outros pensavam. Como este trabalho está agora completo tens intenções de estender este projecto (com uma abordagem idêntica) por mais anos ou isto é, somente, um álbum entre os de Napalm? Menace é algo que planeio segui pelo menos nos próximos 10 anos. Derek roddy também está concentrado neste projecto, em construir e desenvolver algo sobre o que já está feito, com a ajuda do produtor e amigo Russ Russell. Nicola Manzan foi como um apóstolo para mim e os arranjos que fez para a orquestra foi tudo o que imaginei. Eu quero mais, pelo menos uma trilogia. Até lá, o projecto já poderá estar tão afastado que fará mais sentido um novo nome. Não sou muito apologista de viver de expectativas ou de limitar o potencial de um tema que até poderá ser muito bom. A tournée será o próximo ponto da agenda. O manager e o agente certo serão uma parte integrante desta aventura. VERSUS Magazine classificou «Impact Velocity» com 9/10. E concordo contigo… “esperar o inesperado”. Para mim, eu não esperava isto. O que mais gosto no álbum são as melodias negras e dissonantes, por vezes a melancolia e o som quase primitivo, entre outros. Tudo isto combinado confere aos Menace um estilo bastante ecléctico e difícil de definir – entre outros, Metal Experimental, Heavy Rock… Sendo assim, como é que defines os Menace? Hmmmm, tens a certeza que queres saber? Fico contente por teres falado no ambiente e por vezes na melodia mais “negra”. Também gosto de musica mais “luminosa” e alegre e, por isso, tentei incorporar esse tipo de sentimento no álbum. A maior parte das vezes, as letras dão o mote para o ambiente dos temas, contam uma história, dão-lhe um final paradoxalmente desconhecido e desconsiderado. A variedade de estilos dificulta a classificação da nossa música e eu tenho muito orgulho nisso. Foi um verdadeiro achado. Para mim a parte melancólica é sempre um ponto alto. O uso das harmonias pode estender esse sentimento e projectá-lo de uma forma mais positiva, com a mais natural e simples razão de partilhar os sentimentos por que todos nós passámos. No estúdio, misturámos “Multiple Clarity” e o Russ silenciou tudo à excepção das cordas e voz. Isto tocou-me, de repente era uma coisa orquestrada tipo “Fantasma da Ópera”. Com a voz incluída apercebime que nem eu estava à espera disto. Gosto muito de bandas sonoras de filmes, animações… essas coisas, todas elas se complementam. Ouvir os temas de 7

Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  
Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  

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