Page 68

SEPTICFLESH «Titan» (Season of Mist) Mesmo antes dos deuses do olimpo andarem na terra, segundo a mitologia grega existiram os titãs, que são a primeira forma de divindade no mundo. São estes gigantes, com força colossal, da época de ouro que dão a inspiração ao novo trabalho dos gregos Septicflesh, como se a origem fosse revista para melhor perceber o presente. A obra começa com um clash nos céus, um trovão que é predição de terror e destruição no céu que nos cobre a cabeça, estarão os deuses zangados? “War in Heaven”, a primeira faixa diz-nos que sim. Todo o álbum vai nos provar que o olimpo está todo posto em causa, “Burn” mostra-nos, num refrão doentio, o sofrimento das vítimas do terror e ódio instaurados. A mistura intercalada entre a melodia, energia, vozes, instrumentos da banda e orquestra está feita de forma perfeita, como o podemos ouvir em faixas como “Prototype” ou até “Prometheus”. Faixas que nos fazem sonhar em ver um dia este álbum interpretado ao vivo com orquestra. Em nenhum momento sentimos que existem faixas para encher, o álbum segue o seu ritmo e determinação até ao fim, mantendo a consistência na qualidade até ao fim (genial?) do álbum. Menção mais que especial para os arranjos de orquestra (e a orquestra em si) que acompanha este trabalho, completamente realizado pelo guitarrista Christos Antoniou, elevando-o a um nível nunca alcançado de combinação banda/orquestra, a meu ver. Depois do “The Great Mass”, trabalho de 2011 que já tendia a avisar-nos sobre a qualidade deste quarteto, o “Titan” apanha-me mesmo assim de surpresa, tornando-se no álbum por mim mais ouvido deste ano. Os deuses do olimpo destronaram os titãs, agora é a altura dos Septicflesh destronarem os seus antepassados e tornarem-se nos próximos residentes no panteão divino. [10/10] Adriano Godinho

TESLA «Simplicity» (Frontiers Records) Mais uma banda de veteranos com as capacidades intactas. Com mais de trinta anos de existência mas somente sete álbuns de estúdio, os Tesla são uma banda de Hard Rock (and Roll) que se tem aguentado firme. Após um hiato de vários anos e tendo sido a banda dada como terminada, os Tesla voltaram… e voltaram em grande! O ano de 2004 vê o nascimento de «Into the Now» e até 2008, altura de «Forever More» dedicaram-se às covers. «Simplicity» chega-nos depois de mais um interregno, desta vez de seis anos e o título é, simplesmente, a forma perfeita de descrever o álbum. Um Rock and Roll simples e directo. Sem complicações. Estas características não o fazem um álbum “desleixado” ou fraco. Antes pelo contrário! Isto é muito bom de se ouvir e é a prova de que nem sempre o complicado ou excessivamente técnico é que é bom. Keith continua impecável nas vocalizações, com o timbre muito característico que poderá se incompreendido por quem não conhecer melhor os Tesla e claro, F. Hannon é um excelente guitarrista. É isto que os torna tão particulares e especiais. «Simplicity» é bastante variado nos temas, desde a abertura com “MP3” com um riff lento mas pesado, até ao bluesy “Honesty” passando pela sempre magnífica “Burnout to Fade”. Os Tesla nunca defraudaram as minhas espectativas, são dos meus favoritos, sempre tiveram álbuns muitos “sinceros”, emotivos e “5 Man Acoustical Jam” é o melhor unplugged alguma vez feito. A dupla Keith/Hannon continua a fazer excelente música e os Tesla, espero eu, continuarão a dar-nos muito boa música, assim, simples. É o que me basta! Rock and Roll!!! [8.5/10] Eduardo Ramalhadeiro

68

Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  

DOWNLOAD: www.mediafire.com/download/c12c7566sv2t687/Versus%2331.pdf#31.pdf