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ras melodiosas da trilogia «777», provavelmente ainda influências que restam dessa grande obra. A bateria está muito boa, com um Gionata “Thorns” Potenti a comanda-la muitíssimo bem. E os ambientes dos teclados e efeitos sonoros estão brilhantes. A segunda metade de «Triunity» apresenta três momentos declarados por P.H.O.B.O.S., com texturas Industriais e Doom. Efectivamente as bandas exploram sonoridades diferentes, mas um ouvido mais atento percebe que a essência é similar, e há acordes e dissonâncias que se tocam. E em boa verdade estes ambientes já foram explorados por Blut Aus Nord. Contudo, as três propostas de P.H.O.B.O.S. são interessantes e cativam. Electrónica, maquinaria, voz gutural, frequências duras e até claustrofóbicas, quiçá a apelar ao medo, pânico e fobias. No final entende-se que este split não é descabido de todo, pois embora as bandas estejam em patamares diferentes, ambas se aproximam da essência – diria que estão sintonizadas. Interessante. [8/10] Victor Hugo BURZUM «The Ways Of Yore» (Beylobog Productions) “Autenticidade” parece ser a palavra que mais se adequa ao léxico de Burzum. E no seio de tantos lançamentos, controvérsias e histórias para contar, a autenticidade terá sido, a meu ver, a energia e a força de Varg Vikernes. Seja Black Metal, seja a sua veia ambiental, Varg transparece confiança no que faz, quer os fãs gostem ou não, já que a veia ambiental não é a mais acarinhada no seio dos metaleiros mais tradicionais. «The Ways of Yore» é mais um lançamento de música ambiental, no seguimento dos anteriores, ou seja, no caminho que Burzum abriu para a compreensão da história e da evolução da Europa. Desta feita, Varg utiliza algum folk, muito simplista, aliado a sons e ambientes electrónicos que espalham as suas texturas muito calmamente, a um ritmo muito contemplativo. Aliás, ouvir este álbum obriga o ouvinte a desacelerar o seu ritmo habitual, aquele ritmo acelerado da rotina social, para obriga-lo a ouvir e sentir estes sons que de uma maneira muito subtil comunicam com a essência dele. Com «The Ways of Yore» Varg pretende comunicar um conhecimento antigo, quiçá esquecido, quiçá ocultado por esse ritmo descontrolado da sociedade, da Europa industrial, social e capitalista. Esse conhecimento está em cada um de nós, no sangue, no ADN, como um arquivo de memórias ancestrais. E Varg fá-lo através da música e de alguns contos/poemas que introduz nalgumas composições. E recita-os como se fossem histórias. Neste trabalho Varg explora uma maneira interessante de colocar a sua arte, e o resultado poderá ser sentido autenticamente se o ouvinte se entregar à experiência, caso contrário o sentido permanecerá oculto. [7.5/10] Victor Hugo CINDERELLA «Stripped» (Collectors Dreams Records) Quem cresceu como eu nos anos 80 a ouvir o bom Hard-Rock, por exemplo, na antiga Rádio Comercial deverá lembrar-se perfeitamente dos Cinderella. A voz muito particular e cheia de personalidade de Tom Keifer fazia a diferença. Conseguiram uma ascensão quase meteórica com três magníficos álbuns, com natural destaque para «Long Cold Winter» e a consequente afirmação de «Heartbreak Station» (O meu favorito, já agora). Alguns anos depois Keifer passou por graves problemas de saúde que afetaram quase irremediavelmente a sua voz. Desde 1994, altura do lançamento de «Still Climbing» que os Cinderella não lançam qualquer álbum de originais, mantendo-se em regulares tournées e lançando alguns álbuns ao vivo. Um deles foi «Live At The Key Club», gravado em 1998 mas só lançado em 2001. Em 2014 temos este «Stripped» e em que é que difere do gravado no Key Club? Nada! É o mesmo e com mais temas! Mas quem teve a ideia de “atirar cá para fora” um álbum ao vivo que já foi lançado? A banda mudou de editora e não quero acreditar que tenham sido dos músicos a ideia de lançar algo já feito. Talvez uma forma de a editora dizer: “Atenção rapaziada, eles agora são da Collector Dreams Records – Estará um novo álbum para breve? Espero que sim! Talvez, porque isto não faz absolutamente sentido nenhum e apetecia-me classificar isto com um zero. Mas… estaria a ser injusto. E que raio, são os Cinderella, passei muitas horas a “curtir” isto! O álbum é muito bom, excelente som, autêntico “Best of”, no entanto, a voz de Keifer não tem a potência do antigamente mas o timbre e personalidade estão lá! Como é bom reviver os bons velhos tempos dos anos 80 ao som de “Gypsy Road”, “Heartbreak Station”, “Shelter Me”, “Coming Home”, etc. … está cá tudo!! [9/10] Eduardo Ramalhadeiro

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Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  

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