Page 55

muitos menos para bandas tão fortes como estas. Cada banda é única, logo os meus métodos de trabalho são constantemente postos à prova. Admiro muito a forma como combinas o negro com cores vivas (azul, verde, vermelho), que me fazem pensar em trabalhos de esmalte típicos da joalharia do século passado. Há alguma relação deste género? Por que escolheste esta paleta de cores? Lalique ocupa um lugar de destaque na minha biblioteca, apesar de eu ser muito mais inspirado pelo seu desenho e pela sua fauna delirante do que pelos materiais que ele utiliza. As escolhas de que falas vêm-me da estética das tapeçarias do Império e das que ornavam as paredes das casas da aristocracia francesa,

em que o ouro ocupava um lugar importante, mas sempre acompanhado por uma outra cor poderosa: o verde, no tempo de Napoleão, ou o azul, no tempo da monarquia. Que tipo de técnicas usas para fazeres os teus trabalhos? Desenho realçado com tinta-dachina aplicada com uma pena? Ou desenhas diretamente com a pena e aplicas a cor depois? Que segredo te permite pôr as pessoas a sonhar diante da tua arte? O meu segredo é a maldade. De resto, uso muito pouco as técnicas tradicionais. Mas, quando recorro a elas, uso antes a caneta pincel, para colorir os meus desenhos. Desenvolvi vários instrumentos vetoriais, que me permitem simular traços muito orgânicos, com a ligeireza e o con-

55

Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  

DOWNLOAD: www.mediafire.com/download/c12c7566sv2t687/Versus%2331.pdf#31.pdf

Advertisement