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O que é um “jugglernaut”? Xaay – Fabricámos essa palavra combinando duas outras: juggemaut que significa uma força grande e imparável, e juggler (malabarista). O termo criado pela junção das duas designa uma força caótica e destrutiva, que atravessa a Terra. Com este álbum, pretendíamos essencialmente interrogarmonos sobre se esta força está associada à nossa natureza humana, a uma inteligência extraterrestre ou a algum poder divino. Não pretendemos dar uma resposta única a esta questão, já que a perspetiva humana e o resultado das nossas experiências são sempre extremamente complexos e muito vastos. A força indomável do universo está sempre a colidir com outras forças, tal como nós – sempre embrenhados em conflitos, num círculo interminável de criação e destruição. Atualmente, a nossa civilização anda a brincar com um objeto extremamente perigoso, pondo em risco a nossa própria existência, já que a linha que separa o desenvolvimento da aniquilação é cada vez mais ténue. Avanços científicos e tecnológicos como a clonagem, as modificações do ADN, a eugenia, o uso de armas nucleares e biológicas de alta frequência, a poluição global que daqui decorre são apenas ameaças visíveis. Um movimento falso da mão do Juggler e… Também pretendemos sublinhar a ideia de que desde o início da nossa civilização que somos perseguidos por vários tipos de agendas, religiões, líderes (todos obcecados por alguma forma de poder) e, finalmente, pela organização social, que, nestes últimos séculos, tem revelado ser a força mais cínica e depravada do planeta. Por que razão essa personagem é representada, na capa do vosso álbum, por uma espécie de polvo gigante e antro44

pomórfico? Eu pretendia criar uma escultura que se parecesse, de algum modo, com a forma humana combinada com elementos que conotassem imediatamente uma natureza tenebrosa, hostil e perene. Algo futurista e, simultaneamente, primitivo. A minha ideia era criar uma figura que evocasse uma ordem antiga, um indivíduo que representasse uma espécie vagamente humana, mas superior ao Homem… ou uma espécie de concha, de invólucro, que contivesse o ADN dos antepassados agonizantes e fosse capaz de sobreviver durante os próximos séculos. O que fizeste neste álbum de Redemptor, para além seres o responsável pela arte e pelos vocais? Como sempre, escrevi as letras. Sou também o autor de todos os aspetos visuais (esculturas, imagens, embalagem, design do merchandising, etc.). Além disso, gravei alguns samples e ajudei o Daniel [Kesler, um dos guitarristas] a compor a música. Quando ele estava a criar todos os riffs e as linhas de base para a bateria, eu dei-lhe sugestões sobre a forma como tudo isso deveria ser desenvolvido até chegarmos aos arranjos finais. Gosto muito da vossa maneira sofisticada de tocar. De onde vem esse estilo? É o produto final de todas as nossas influências, combinadas com a nossa imaginação e, sobretudo, com as nossas emoções negativas, que temos de expelir de algum modo. A música é, sem dúvida, uma boa forma de o fazer. É a nossa catarse, algo que nos liberta da confusão de situações e reflexões tóxicas geradas pelas coisas negativas com que nos confrontamos. Mas, se considerarmos o estilo de Redemptor de um ponto de vista puramente técnico, ele resulta também do facto

de sempre termos gostado de música complexa, exigente e francamente excecional. Todos os membros da banda são fãs acérrimos de música extrema, mas também de jazz (essencialmente ligado a cordas), jazz fusion e música clássica. Ouvimos uma grande variedade de música e procuramos encontrar nela os verdadeiros “diamantes”. O grande responsável pelo nosso estilo é o Daniel, com a sua forma de compor riffs e tocar os solos. Os riffs de Redemptor são realmente diferentes dos da maioria das outras bandas de metal. O Daniel vê esses riffs como uma forma de exprimir o que lhe vai na alma, usa essas notas para contar histórias. É estranho dizer isto, mas, muitas vezes, as nossas conversas em torno dos riffs convertemse em fogosas discussões, para as quais convocamos situações abstratas e exemplos concretos, que nos ajudam a definir um dado momento de uma composição. Esta forma de trabalhar ajuda-nos a criar canções fluidas e a tornar a nossa música fresca e interessante, inovadora. Ainda por cima, neste último álbum, pudemos contar com o extraordinário desempenho do Kerim Krimh Lechner (exmúsico de sessão de Behemoth e Decapitated), que é agora o nosso baterista de sessão. Ocupou-se de compor e refazer as partes de bateria de uma forma tão impecável que gravar com ele foi um prazer. Têm formação musical? Eu tive lições de piano e guitarra durante algum tempo, mas sou apenas um amador que gosta de criar música e arte visual. O Daniel estudou guitarra (e um outro instrumento) durante muito mais tempo, numa escola de jazz de Cracóvia. Agora, é professor de guitarra e dono da Guitarmanic School. O nosso segundo guitarrista [Hubert Wiecek] também é professor nessa escola.

Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  
Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  

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