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a que toda a música tenha o mesmo resultado quando medida corretamente... o problema é que algumas músicas, simplesmente, não sobrevivem ao aumento de 1 dB que seja na compressão. A primeira vez que eu realmente ouvi todo este estrago foi no CD dos ASIA “Anthology”. Eu tenho todos os CD‘s originais e pensei que havia algo de errado com o CD-walkman e a aparelhagem... mais tarde entendi o que tinha sido feito. Até hoje não consigo ouvir esse CD. Peguei no CD original e a diferença é enorme numa música tão bombástica, onde cada frequência pode ser ouvida em todos os momentos. Eu acho que a música pode ter muitas definições e características. Talvez a que melhor se aplique à nossa entrevista é: “dinâmica”. Pegando num termo de comparação, a música clássica deverá ser a forma mais pura e bela de se fazer e tocar música. E quando ouvimos uma peça, ouvimos algo como, “forte”, “fortíssimo”, “pianíssimo”, mais intenso ou menos intenso. Resumindo: Dinâmica. Isto deveria estar presente em TODA a música. Na tua opinião, o que é que leva as pessoas a ouvir a música de uma forma totalmente anti-natural? A culpa é dos executivos das editoras e das “pessoas normais” que, simplesmente, não entendem que nivelar toda a música para ter a mesma sonoridade (volume), aumentando o volume do mais baixo (e não o contrário) não funciona sem graves consequências. Mas, de qualquer maneira, a maioria não se importa de ouvir música em mp3 a 128 kbps nuns auscultadores de merda. Estive a ler com atenção um artigo muito interessante no site www.metal-fi.com, - “The Dan Swäno Challange” (que encorajo os nossos leitores a ler) assim como algumas entrevistas. Algo que muito provavelmente os nossos leitores (e a malta com bandas…) ainda não perceberam é: quando entramos num estúdio quem manda na “dinâmica”? Pelo que percebi é a editora que tem a última palavra e a banda é simplesmente uma marioneta ou resulta de um diálogo entre a banda/produtor/misturador? Não estou a dizer que todas as editoras são assim mas há, definitivamente, que o novo álbum do artista X soe “fraco” comparado com outro que foi brick walled. Isto é claro. O principal problema é como ouvimos a música hoje em dia. Nos velhos tempos, tu punhas um disco, ajustavas o volume na aparelhagem e… Toca a Rockar! Quando fazias uma mixtape verificavas sempre o volume antes de gravares o próximo tema, então, essa mistura estava sempre equilibrada e nem sequer era preciso mexer no botão do volume. Mas quando tudo começou a ser transformado em ficheiros e tu tinhas 150000 MP3 ilegais no teu PC, não havia uma

maneira inteligente de os nivelar. Então, isto começou a ser um “problema” para o “consumidor normal”. Algumas das músicas eram dos primórdios dos CD’s e outras eram as cenas mais porreiras, o mais recente hit single totalmente brick walled e uma vez que o nosso ouvido é muito dinâmico, uma diferença de volume entre dois temas fará com que o mais suave pareça menos potente. Assim que igualares o nível dos mais suaves e dos mais altos, verificas que existe “vida” naquele tema que não foi “fodid0” e que o torna muito mais agradável de ouvir! NOTA: “brick walled” é uma técnica que “amplifica” a música. As partes mais suaves são amplificadas ao mesmo nível das mais altas e ao mesmo tempo, aumenta o limite do tema até a um máximo possível. O limitador “brick walled” pode verificar à frente do sinal e limitar o seu nível. Ok, tenho uma banda de garagem e uma das primeiras coisas que disse aquando da gravação foi: nada de compressões. “O que tocamos é o que ouvimos”. Como te sentes quando as bandas ou editoras te pedem para fazer algo que tu vais saber que é uma merda? Não achas completamente revoltante ver o teu nome associado a um trabalho que vês antecipadamente não resultar? Alguma vez recusaste gravar/misturar uma banda? A compressão é obrigatória mas não enquanto gravas! Para fazeres uma mistura do caraças precisas de toneladas de compressão. Na realidade cria-te uma dinâmica mais ampla (para os nossos ouvidos) se estás a “brincar” com os tempos de ataque. O problema é que, hoje em dia, precisas de “matar” toda esta dinâmica enquanto fazes a masterização. É uma merda. Houve algumas masterizações onde eu senti que não podia fazer nada, uma vez que o material já tinha sido misturado tão alto que já tudo distorcia, etc. Mas até agora, fui capaz de salvar todas as misturas que me passaram pelas mãos. NOTA: Mistura é a processo pela qual várias formas de fontes sonoras são combinada num ou mais canais. As fontes podem ter sido gravadas ao vivo ou num estúdio e podem ser de diferentes instrumentos, vozes, seções de orquestra, locutores ou ruídos de público. Durante o processo, os níveis de sinal, dinâmica, etc podem ser manipulados e efeitos como reverberação podem ser adicionados. Masterização - é uma forma de pós-produção áudio, sendo o processo de preparar e transferir o áudio gravado de uma fonte contendo a mistura final para um dispositivo de armazenamento chamado master, a fonte a partir da qual todas as cópias serão produzidas. 37

Versus Magazine #31 Junho/Agosto 2014  

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