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We sincerely apologize for all the great Death Metal releases We confront you With!

Perdition of the Sublime

turbulent reSurgence

cD this is the debut of germany’s technical Death Metal sorcerers sophicide! needs to be heard to be believed... if you like necrophagist, later Death, atheist or obscura then you need this! Death Metal debut album of the year!

cD “turbulent resurgence” delivers a headspinning trainride of songs, an outburst of riffs crammed tighter than bullets in a magazine. the listening experience is one of manic explosion and razor-edged cacophony!

out noW!

coming SePtember 23

the blood PASt

mutilAted in minuteS

cD/2-lp ancient Death Metal cult collected! all sinister pre-”cross the styx” recordings (demo’s and 7”’s) collected! over 70 minutes of pure Death Metal limited digi-cD with patch only available at our mail order!

cD/picture-lp re-issue of this legendary album with bonus tracks, underground classic by the band that become the rotted!

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GOREFEST the Demos lp

NECROPHOBIC satanic Blasphemies cD

REPUGNANT hecatomb Digi-McD/lp

VARIOUS ARTISTS nordic Metal cD/2-lp

AFGRUND the age of Dumb cD

PHOBIA remnants of filth cD/lp

CULT OF OCCULT cult of occult cD/lp

SARDONIS ii cD/lp

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VERSUS MAGAZINE VERSUS Magazine c/o Ernesto Martins Rua da Barranha, 573 - 2D 4460 - 253 - Senhora da Hora Portugal Telem.: 918 481 127 E-Mail: versusmagazinept@gmail.com Web: /versus-magazine.com MySpace: /versusmagazine Facebook: Versus Magazine - Official Facebook Group: Versus Magazine PUBLICAÇÃO BiMESTRAL Download Gratuito DIRECÇÃO Ernesto Martins André Monteiro GRAFISMO A.Monteiro - Design & Multimédia www.amonteiro.net ILUSTRAÇÃO Eyeless Illustrator facebook.com/eyeless.illustrator EQUIPA André Monteiro Carlos Filipe Cristina Sá Daniel Guerreiro Dico Eduardo Ramalhadeiro Eliana Neves Emanuel R. Marques Ernesto Martins Jorge Castro Joey Luís Jesus Patricia Marques Paulo Eiras Paulo Martins Sérgio Pires Sérgio Teixeira Victor Hugo FOTOGRAFIA Créditos nas Páginas PUBLICIDADE geral@versus-magazine.com

Todos os direitos reservados. A VERSUS MAGAZINE está sob uma licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Não a Obras Derivadas 2.5 Portugal. O utilizador pode: copiar, distribuir, exibir a obra Sob as seguintes condições: Atribuição - O utilizador deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante. Uso Não-Comercial. O utilizador não pode utilizar esta obra para fins comerciais. Não a Obras Derivadas. O utilizador não pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

Completar em tempo útil uma edição da VERSUS Magazine no pico do Verão, durante aquele período de salutar pasmaceira em que nos encontramos a menos de meio-gás da nossa actividade normal, é sempre uma tarefa invulgarmente difícil. No entanto, também é certo que todo o trabalho compensa quando tem por objecto um naipe de artistas de excelência como aquele que divulgamos nas páginas que se seguem, a começar pelos cavalheiros do colectivo A Forest of Stars e passando pelos enigmáticos noruegueses Khonsu, a revelação Sophicide que nos chega da Alemanha, o talentoso duo instrumental Sardonis, o lendário Ihsahn, o clã da floresta – os Korpiklaani –, que nos embeleza a capa, e outros mais. Tendo em conta que boa parte da labuta foi levada a cabo ao som de «Dark Roots of Earth», o último registo dos norte-americanos Testament que recebe nesta edição a distinção de Álbum do Mês, então não haverá surpresa se vos disser que se trabalhou… alegremente. Foi com este espírito – o mesmo de sempre! – que se fez a edição #21 da VERSUS Magazine, que está agora nas nossas mãos. Leiam, curtam e divulguem. E escrevam-nos para versusmagazinept@gmail.com. Ernesto Martins


Racionalidade e ocultismo: uma mistura explosiva! Conhecidos por encarnarem personagens da era vitoriana, os A Forest of Stars estão a tornar-se num caso sério de sucesso na cena metal europeia. Numa conversa a três (já que ao apelo da VERSUS Magazine responderam The Gentleman e Mister Curse, respetivamente o teclista e o vocalista da banda), discutimos o papel desempenhado pela ideologia vitoriana na sua música e o significado deste terceiro álbum na sua discografia. Foi uma conversa deveras curiosa!


Por que apreciam tanto a era vitoriana? The Gentleman – Foi uma época em que se deram numerosos acontecimentos de grande relevo e de natureza muito variada. Foi um tempo em que, finalmente, a Ciência suplantou Deus e a sociedade se tornou abertamente racional, analisando criticamente hipocrisias que tinham perdido a sua razão de ser. A aparência de

honestidade e perfeição que caraterizava a vida diária e política escondia um mundo tenebroso de perversão e repressão que corresponde à verdadeira natureza dos seres humanos e não pode ser destruído sem consequências desagradáveis, mas, ao mesmo tempo, fascinantes (quando vistas de um futuro distante). Também é a época do espiritualismo e do oculto, sobretudo nos últimos anos,

quando a fé na existência de um deus monoteísta começou a declinar, deixando um grande vazio espiritual na vida das pessoas, que precisava de ser preenchido. E isto é apenas um resumo muito rápido, num parágrafo. Há tanto para dizer sobre esse período histórico que eu poderia escrever durante dias sem esgotar o tema. E que relação existe entre essa


“Muito francamente, não te sei dizer qual é o nosso nicho na cena musical, não nos parecemos com nada.” época histórica e a vossa música? The Gentleman – O já referido espírito da época, com a procura de algo superior, de respostas ocultas, o submundo tenebroso, a decadência, a sua natureza pretensiosa e magnificamente ridícula. Eis a essência da nossa banda e do que esta procura pôr na sua música. Daí a confusão indescritível com que te deparas, quando escutas os nossos álbuns. É a nossa única fonte de inspiração. E dá-nos também um prazer absolutamente disparatado. Identificam-se com projetos de metal de vanguarda como, por exemplo Lantlös? The Gentleman – Não sei dizer com quem ou com o que nos identificamos. E, francamente, também não tenho a certeza de que alguém queira ser associado a um bando

de excêntricos como nós. Muito francamente, não te sei dizer qual é o nosso nicho na cena musical, não nos parecemos com nada. Não quero com isto dizer que sejamos únicos, nada disso. Apenas sinto que nos empenhamos em criar música e não nos preocupamos com pormenores. Vivemos e deixamos viver, no mundo musical, e esperamos poder continuar assim, porque é esse o nosso propósito. Falta-nos objetividade. Também nos falta talento, mas isso é uma outra história… Mister Curse – Pessoalmente, sentir-me-ia muito honrado em ser associado a bandas como Lantlös, porque estou francamente enamorado da sua arte musical e do conceito de não ter uma origem definida, de não se saber aonde se pertence que eles ilustram. Contudo, como diz o nosso estimado

Gentleman, não assumimos nenhuma associação, muito simplesmente porque somos o tipo de pessoas que faz com que muitos outros atravessem a rua para evitar encontrar-se connosco. O vosso álbum soa como um drama musical, devido à espantosa combinação de muitos instrumentos, de uma voz masculina declinada em muitas variações e um toque de vocais femininos. Pensam que poderiam ter atores a mimar as ideias que exprimem ou bailarinos a executar uma coreografia estranha, enquanto a banda tocava e cantava? É a imagem que me vem à cabeça, quando ouço as faixas deste álbum. É por esse motivo que falam de um “teatro de sombras”? The Gentleman – Eis um pensamento curioso. Mas não me


“[A época vitoriana] Foi um tempo em que, finalmente, a Ciência suplantou Deus e a sociedade se tornou abertamente racional […]” parece que isso desse resultado. AS músicas não foram escritas como árias de uma ópera, associadas a personagens (como acontece, por exemplo, com Ayreon), o álbum não foi construído dessa maneira, com uma história e um conceito de base. Detestaria ter de alterar alguma coisa nele, para o converter em algo dessa natureza. Preferiria planeá-lo assim, logo à partida, pois certamente saíria muito melhor. No entanto, acho essa tua ideia interessante e uma bela interpretação do nosso álbum. Mister Curse – Eu consigo imaginar esta nossa música interpretada por bailarinos, mas não mimada por atores. Fechava tudo e ia-me embora! E por que deram ao vosso álbum o título «A Shadowplay For Yesterdays»? Não contam ter um futuro? Mister Curse – O título não traduz a perspetiva da banda, mas sim a do protagonista do álbum. A capa do álbum pareceu-me muito intrigante, mas também fascinante. Vejo-a como uma combinação de ilustração tradicional e arte moderna. E não é negra, como as dos álbuns anteriores. Quem a fez? O que significa? Como se relaciona com o álbum? The Gentleman – Esta capa foi especialmente desenhada para representar todos os aspetos das canções do álbum, assim como o seu conceito de base e a história a ele associada. É uma súmula de todos os elementos que o compõem contida numa só imagem. Não quero entrar em muitos pormenores, prefiro que seja o ouvinte a construir as suas próprias ligações. Foi

feita pela imensamente talentosa Karolina (http://karolful.blogspot. co.uk/) e a banda não poderia estar mais contente com o trabalho produzido. Mister Curse – Concordo plenamente. Também me parece que compete ao ouvinte construir as ligações entre a capa e o conteúdo lírico das canções. Estão lá todos os indícios, é só observar cuidadosamente. Adoraria assistir a um concerto vosso. Onde vão tocar nos próximos tempos? The Gentleman – Não temos planos muito definidos, neste momento. Terminámos agora mesmo uma digressão no Reino Unido e esperamos passar algum tempo a visitar diversos países europeus no próximo ano, mas está tudo ainda em preparação e nada podemos revelar de momento. Uma curiosidade: Vestem-se como personagens vitorianas nos vossos concertos? The Gentleman – É claro que sim. Nem poderia ser de outra forma. Temos de estar corretamente ves-

tidos para as aparições públicas, mesmo que desmaiemos frequentemente por causa do calor. Uma última pergunta: Que pensam do facto de, na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, não terem apresentado nem uma nota de metal, quando evocaram a música inglesa, principalmente depois de Jimmy Page ter atuado na cerimónia de encerramento dos de Pequim, em 2008? The Gentleman – Pois, os Jogos Olímpicos! Por mim, podem fazer o que quiserem, em termos musicais, desde que se mantenham bem longe da minha pessoa. Estou literalmente a borrifar-me para o reino dos desportos. Mister Curse – Completamente de acordo. A única coisa relacionada com eles que me afetou foi o facto de termos tido dificuldade em entrar e sair de Londres neste último fim de semana. Malditos sejam todos os que têm algo a ver com os jogos! Entrevista: CSA


O nascimento de uma nova Lua Recentemente os Khonsu mudaram de nome, deixando cair Merah no oblívio, e para além disso assinaram pela SoM ao mesmo tempo que lançam um álbum novo. Muitas mudanças e alterações quase em simultâneo mas que não beliscam a qualidade e irreverência da sonoridade quer em estúdio quer em palco. Quem os conhecia como Merah não deverá ficar desapontado com a nova fase dos Khonsu, mas deve contar com um certo grau de mistura de estilos que embora não seja novidade é agora ainda mais marcante. O guitarrista da formação ao vivo Obsidian C. e irmão do mentor do projeto S. Gronbech respondeu a estas e outras questões. Tendo recentemente mudado o nome de Merah para Khonsu, a primeira questão que colocaria é algo óbvia: porque é que optaram por esta mudança e porquê a escolha de Khonsu para o novo nome? Obsidian C.: Merah foi o nome que o meu irmão S. Gronbech decidiu há muitos anos, mas mesmo antes de assinarmos pela Season of Mist (SoM) houve um trágico ataque terrorista em França por um indivíduo que se chamava precisamente Mohammed Merah. Todos nós achamos que seria inapropriado lançar um álbum mantendo o nome da banda Merah em função deste acontecimento, especialmente tendo em conta que a SoM é Francesa,

portanto daí termos mudado o nome. Khonsu é o nome de um antigo deus da lua Egípcio e traduzido quer dizer “viajante” ou “aquele que viaja através do céu noturno” e agora estamos até mais satisfeitos com este do que com o nome antigo. Acho interessante no novo álbum «Anomalia» a mistura criativa de vários estilos. Desde Death e Black-Metal extremo, alguns toques de Rock, bases em guitarra acústica, teclados bem interessantes, etc. Vocês começaram por ser 100% Black-Metal portanto trata-se de uma decisão consciente ou é simplesmente uma evolução natural no estilo da banda?

A música que o S. Gronbech escreveu para os Khonsu nunca foi exclusivamente Black Metal, ele encontra inspiração em diversos estilos musicais e sempre misturou géneros. Eu sei que ele tem interesse especialmente em todos os tipos de música eletrónica programada portanto acho que isso influenciou também a música dos Khonsu em múltiplas dimensões. Eu li que vocês tiveram uma reação muito positiva aquando da assinatura pela SoM. Eles são uma editora que cada vez mais congrega grandes bandas do mundo da música. Parece que eles também ficaram muito bem impressionados após a vossa atu-


“Eu sei que ele coloca um grande esforço nos arranjos, para obter uma abordagem integrada e homogénea de toda a música…”


ação no Inferno Festival que teve lugar em Oslo. Foi esse o momento chave para a assinatura pela SoM? Falamos com o Michael da SoM após o concerto e é verdade que ele disse que gostou bastante do nosso concerto, mas o acordo já tinha sido delineado antes do concerto do Inferno Festival. Portanto não foi realmente um momento chave, mas pelo menos não deixou a SoM com dúvidas em relação à banda. Pergunto-me também como é terem os dois irmãos na mesma banda responsáveis pelo trabalho de guitarra; suponho que no vosso caso é a chave para o sucesso da banda, certo? O meu irmão fez todo o trabalho de composição, e até agora eu apenas toco ao vivo. Mas como o meu papel nos Keep of Kalessin é muito abrangente, incluindo o trabalho de compositor, produtor, guitarrista e manager, acaba

por ser excelente ser apenas o guitarrista neste projeto. Tendo em conta que temos um estilo de tocar bastante parecido resulta numa combinação perfeita em palco. Podes dizer-nos porque é que têm uma formação diferente em estúdio e em palco? Como referi, S. Gronbench escreveu e compôs toda a música dos Khonsu, e também tocou todos os instrumentos em «Anomalia». Thebon foi recrutado para fazer a parte de voz, na qual fez um excelente trabalho. Mas uma formação com apenas 2 pessoas não pode proporcionar espetáculos ao vivo e como eu conheço o estilo da banda bastante bem, o meu irmão pediu-me para fazer a 2ª guitarra, pedido ao qual eu acedi mas após um mês durante o qual ele não desistiu de falar sobre isso! Quando eu entrei a bordo precisávamos de encontrar também um outro baterista e um

baixista portanto sentámo-nos e decidimos o que queríamos. Eu puxei uns cordelinhos e consegui meter o Shandy McKay, que tocou nos Absu e nos Melechesh, a bordo como baixista e o Kenneth Kappstad na bateria. O Kenneth é conhecido da banda Norueguesa de Rock Alternartivo Motorpsych e do duo com um estilo parecido com Meshuggah chamado Monolithic e está ainda em digressão com os 1349. Portanto o alinhamento para os Khonsu ao vivo é provavelmente um dos mais poderosos que podes encontrar na cena norueguesa de metal de hoje. As vocalizações requerem uma grande amplitude vocal e estão integralmente a cargo de Thebon. Não há dúvida que ele é um vocalista de grande classe, diria mesmo espetacular para o vosso estilo de música. Como é que vocês se conheceram em primeiro lugar?


Bem, eu conheci o Thebon através de alguns amigos e recrutei-o para os Keep of Kalessin mesmo antes das gravações do Armada. O meu irmão conhe-

‘filhos’ especiais em «Anomalia»? Eu próprio realmente não sei o que “Va Shia” quer dizer, não perguntei. Não tenho a certeza que o meu irmão tenha elegido alguns

to que afirma que é impossível para os humanos encontrar um significado para a sua existência. A Fenomologia Existencial é uma corrente de pensamento na

ceu-o através de mim e como ele tem uma grande versatilidade foi com naturalidade que o quisemos nos Khonsu.

‘filhos’ especiais em «Anomalia», mas pessoalmente acho que “Va Shia” acaba por ser um somatório de todo o álbum e por isso acaba por merecer destaque como o tema final. Mas na minha própria experiência eu sei que criar um tema com essa duração acaba por ser mais satisfatório, desde que seja simultaneamente uma boa composição.

filosofia baseada primariamente no trabalho do filósofo Martin Heidegger. Aborda, entre outras questões, em como se pode absorver conhecimento do mundo e da existência e como confiável e reflexivo acerca do mundo esse conhecimento realmente é. Ele enfatiza a necessidade que a Humanidade tem de saber o significado da existência em si mesma, independentemente da nossa visão sobre este significado, mas realça que poderá mesmo não ter qualquer significado. Portanto estamos condenados a viver para sempre na incerteza.

“Tendo em conta que temos um estilo de tocar bastante parecido resulta numa combinação perfeita em palco”

Como é que vocês compõem as canções? Não encontrei muita informação acerca da vossa formação musical. Portanto vocês adotam uma abordagem formal ou é mais baseada em ir recolhendo riffs e colá-los até que soem do modo correto? Como disse, o meu irmão trata de todo o trabalho de composição no «Anomalia», mas talvez eu escreva algumas canções para a banda também se ele decidir editar mais álbuns. S. Gronbech não tem treino formal em composição, mas teve aulas de guitarra entre os 8 e os 15 anos tanto acústica como elétrica. Ele é autodidata noutros instrumentos. Eu conversei com ele várias vezes acerca de técnicas de composição de música, e parece-me que ele na maior parte dos casos improvisa na guitarra, piano ou sintetizador; depois ele agarra e trabalha as melhores ideias que vão surgindo nesses processos de improvisação. Eu sei que ele coloca um grande esforço nos arranjos, para obter uma abordagem integrada e homogénea de toda a música e não apenas simplesmente despejar riffs. Um pormenor que é interessante neste álbum é o tema “Va Shia”, o último do álbum e também o mais longo. O título também não é em Inglês. Baseado nestas observações parece que é um tema especial, estarei certo ou não há

Sendo os Khonsu uma banda extrema, quão perto são as letras que escrevem de uma visão real do mundo por oposição a uma expressão artística unicamente musical? Duas das letras do álbum foram escritas por Torstein Parelius dos Chton e dos Manes, e não é fácil falar por ele. O meu irmão escreveu o resto das letras. Eu não sei o quanto representam uma visão pessoal, mas eu sei que ele se inspira num conjunto vasto de obras filosóficas e literárias que se relacionam com o absurdo, a não significância, e o horror da existência do cosmos e dos humanos. Por exemplo aquilo que foi denominado o Horror Lovecraftiano, Cosmicidade, o Absurdo, e Fenomologia Existencial. O Horror Lovecraftiano é um subgénero de horror de ficção baseado na obra de H. P. Lovecraft e enfatiza o horror cósmico do desconhecido e do incognoscível. Cosmicismo é um termo usado para a para a ideia de que a realidade é tão estranha e insondável que apenas pelo simples ato de a contemplar levaria o sujeito que o faz à loucura. O Absurdo é uma corrente filosófica de pensamen-

Vocês estão a planear alguns concertos na Europa? Nós não temos nenhuns planos específicos para já, mas esperamos vir a tocar ao vivo no final deste ano ou pelo menos no próximo ano. Achamos que a música e o conceito associado aos Khonsu enquadra-se com o estar em palco com bastante espaço, por exemplo em festivais, portanto nós não iremos provavelmente tocar em pequenos clubes ou salas de espetáculo. Algumas palavras adicionais para os nossos leitores? Esperamos que gostem do álbum quando for editado, e que sejam atraídos para as atmosferas negras e para o espírito de Khonsu quando o estiverem a ouvir. Obrigado. Entrevista: Sérgio Teixeira


Sem receio de passar de moda De uma forma desassombrada, Blake Judd, o mentor dos Nachtmystium, fala-nos da sua banda e da posição que esta ocupa na cena black metal americana. Apesar do experimentalismo que a caracteriza e que tem atraído na sua direção os olhares de numerosos fãs, as suas palavras revelam a segurança de alguns princípios de base, que ajudaram a construir a essência da banda. Vale a pena tomar conhecimento do pensamento deste veterano do black metal norte americano.

Por que razão os dois álbuns «Black Meddle» foram tão especiais, mesmo tendo em conta o facto de que soam muito bem? Parece que até a vossa forma de trabalhar mudou nesses álbuns. Blake Judd: Depois de termos lançado «Instinct: Decay»(2006), que agradou a muitos, as pessoas não paravam de dizer que o álbum era realmente bizarro e tinha um ar experimental. Uma parte da cena underground não gostou nada desses comentários, mas nós ficámos realmente contentes, porque sentimos que estávamos a fazer algo mesmo diferente. Portanto, decidimos dar mais material para reflexão ao público e ir ainda mais longe nessa linha. E assim surgiu o conceito de base para os dois álbuns intitulados «Black Meddle». Queríamos levar a nossa vertente experimental tão longe quanto possível. E penso que conseguimos! O que distingue «Silencing Machine» desses dois álbuns, na tua opinião avalizada, já que és o seu criador? Pretendíamos que «Silencing Machine» fosse totalmente diferente desses dois álbuns. Quando o concebemos, era um álbum de black metal, puro e duro. Depois, começámos a fazer algumas al-


estes anos. Sempre achei que havia uma grande concordância entre a sua visão artística e a essência dos Nachtmystium.

terações e a introduzir material novo e acabou por ficar mais parecido com «Instinct: Decay» do que na sua primeira versão. Tinha as suas raízes em «Reign of the Malicious» (2002) e «Demise» (2004), mas combinava-as com o lado eletrónico e o experimentalismo dos «Black Meddle». Portanto, estou ainda mais orgulhoso deste novo álbum do que de todos os que o precederam. O que querem silenciar? Têm a intenção de intimidar essas pessoas com o vosso black metal pesado? O crâneo e o osso que aparecem na capa do álbum representam o que resta dos “silenciados”? A capa do álbum foi concebida para revelar as nossas verdadeiras intenções. É um album de black metal, logo queríamos que tivesse uma capa à maneira do black metal. É muito tenebrosa e reflete efetivamente o espírito da música que este album contém. Têm sempre capas muito fortes. Recorrem sempre ao mesmo artista, ou mudam regularmente de gráfico? Esta foi feita por Rebecca Clegg, uma das minhas melhores amigas e responsável por muitas das nossas melhores capas ao longo de todos

Os EUA converteram-se numa espécie de paraíso para o black metal, enquanto, na Europa – nomeadamente nos países nórdicos –, se começa a olhar noutras direções. Por que te parece que isto está a acontecer? Francamente, penso que a cena black metal europeia tem gente a mais. Mas não me interpretem mal. Continuam a ter os melhores músicos neste género e bandas fantásticas, de quem somos fãs. Mas, ao fim de algum tempo, apareceram muitas bandas que não valiam grande coisa. Portanto, os bons músicos começaram a alterar o seu som, a incorporar neste novos elementos, etc. Nos EUA, o black metal foi quase ignorado durante muito tempo, quase não existia. Por conseguinte, manteve-se fresco e diferente e, neste momento, temos grandes músicos que estão a explorar esse tipo de som. Sinto que a Europa continua a ter muitas bandas de valor a fazer trabalho muito interessante no campo do black metal, mas, para responder mesmo à tua pergunta, parece-me que já o fazem há tanto tempo que se começou a sentir a necessidade de procurar novos territórios nesta área. Por que razão o black metal norte Americano é diferente do europeu, apesar de haver semelhanças? O que faz a diferença? Penso que tem a ver com a diferença de culturas e ambientes. Se uma banda americana tentar imitar o estilo de Enslaved, perde todo o sentido. Por isso, procuram encontrar o seu próprio estilo dentro do black metal, procurando a sua inspiração no que os rodeia. Temos de ser diferentes, senão não vale a pena existirmos. A cena norte americana conta com bandas bem conhecidas (como, por exemplo, Wolves in The Throne Room, que eu também gostaria de entrevistar, e a vossa banda) e outras muito recentes, que ainda têm de mostrar o que valem (como é o caso de Ipsissimus, que entrevistei no ano passado). Qual te parece ser o grande contributo dos Nachtmystium para a consolidação da vossa cena black metal? O nosso contributo? Francamente, nunca pensei nisso. Penso que começa mesmo antes da banda existir, já que, nos primeiros tempos de afirmação da cena nos EUA, eu tinha a minha própria editora – Battle Kommand –, que pôs em ação muitas das grandes bandas norte amer-


“Pretendíamos que «Silencing Machine» fosse totalmente diferente desses dois álbuns. Quando o concebemos, era um álbum de black metal, puro e duro. […]“ icanas. Nachtmystium anda sempre à procura de bandas underground com classe, para nos acompanharem nas nossas digressões. E é claro que a nossa música também faz parte desse contributo. Não receiam parecer antiquados por terem adotado um estilo musical que se tornou popular nos anos 90? De modo nenhum. Todos os que fazem música tocam algo que foi criado há muito tempo. Nunca ninguém fez nada que nunca tivesse existido antes, porque a música tem de vir de algum som que já exista, normalmente há muito tempo. O valor de cada banda está na forma como expande esse som de base, nas novas direções que lhe dá. O que diz a tua bola de cristal sobre o futuro de Nachtmystium? Neste momento, estamos em digressão nos EUA. No próximo ano, vamos estar na Europa, em alguns festivais, e fazer alguns concertos por nossa conta. Estamos a trabalhar na organização de digressões mais alargadas nos EUA, também no próximo ano. Depois, vamos começar a trabalhar num novo álbum. Como vês, estamos cheios de trabalho! Entrevista: CSA


AFGRUND «The Age of Dumb» (Hammerheart Records) 2:08 é a duração do tema mais longo deste novo registo dos Afgrund. É assim que apresentam «The Age of Dumb», sem reservas e mariquices, como se levássemos dois socos no estômago e um upercut sem estarmos a contar. Os 18 temas passam sem notarmos, e quando damos por ela já estamos a repetir a dose de pancadaria. Contudo, os apreciadores de Rotten Sound e Nasum, que gostam de descargas de riffs grind e crust, podem não encontrar aqui algo de excecional. [5/10] Victor Hugo

BARBE-Q-BARBIES «All Over You» (Southworld) Álbum de estreia destas Finlandesas que já lançaram «All Over You» na sua terra natal em 2010 mas que só agora chega ao resto da Europa. Numa palavra: desinteressante! Isto é algo parecido a AC/DC, ou seja, mais do mesmo. Se quiser ouvir riffs, então, prefiro os originais. Nada neste álbum me fez querer repetir a audição, apesar de ser bem interpretado. Os temas parecem-me todos muito parecidos, mesma estrutura... nada se destaca. Esta opinião reflete, somente, o meu gosto. As Barbe-Q-Barbies são a versão feminina dos AC/DC. Quem gostar é só dar uma oportunidade. Eu não. [5.5/10] Eduardo Ramalhadeiro BODYFARM «Malevolence» (Cyclone Empire) Depois do EP homónimo e auto-financiado, a Cyclone Empire lança para o extenso mundo do Death Metal mais uma proposta de descargas Death/Thrash bem rasgadas e esgalhadas, que prometem algum headbanging e até momentos engraçados de air guitar. Os metaleiros rookies poderão encontrar algum interesse neste lançamento. Já os old school irão, certamente, continuar a ouvir os lançamentos de há 20 ou 30 anos atrás. [5.5/10] Victor Hugo

FRAMES «In Via» (SPV Steamhammer) Trata-se de mais uma adição de valor ao contingente de bandas pósrock instrumental na linha de Tides from Nebula, Pelican e Isis. A música destes quatro alemães movimenta-se graciosamente entre belas melodias de teclados ou piano clássico, arranjos orquestrais com uma faceta vincadamente cinemática, e partes mais intensas de metal feitas de riffs triunfantemente poderosos. A execução imaculada de todos os instrumentos e a excelente qualidade da produção fazem deste «In Via» um trabalho não só fabuloso mas também algo de verdadeiramente diferente que requer, por isso, uma boa dose de mente aberta. [8.5/10] Ernesto Martins


MOONLESS «Calling All Demons» (Doomentia Records) Sem reservas afirmo que para estreia estes dinamarqueses estão muito bem. Fãs de Saint Vitus, Pentagram e outros demais avozinhos do Doom encontrarão neste «Calling All Demons» acordes deliciosos que se arrastam pelos seis temas bem compostos; solos que arejam o bafiento ritmo doomesco; e uma voz de um tal Kenni Petersen que ora soa como um eco, ora soa melodiosa, mas sempre bem colocada. Eles conjuraram os demónios e parece que estão do lado da banda. [7.5/10] Victor Hugo

SANCTUS NOSFERATU «Samca» (Edição de autor) No ano em que completam os primeiros dez anos de existência, aí está finalmente o primeiro álbum deste quinteto originário de São Miguel, Açores. O que nos propõem é uma descarga incisiva e brutal de death metal, que apesar de soar algo genérico inclui riffs bem sacados, alguns leads melódicos de guitarra muito decentes, uma bateria precisa e uma vocalista poderosa, que embora polivalente na sua gama vocal se faz notar especialmente pelo seu registo áspero. Os temas possuem todos dinamismo em dose suficiente para nos manter de ouvido colado, e a mistura de André Tavares (Grog, Seven Stitches) garante uma sonoridade final excelente. [7.5/10] Ernesto Martins SARDONIS «II» (Hammerheart Records) É incrível como esta banda faz tanto com tão pouco. São apenas dois músicos e produzem uma espécie de doom/death, inteiramente instrumental, centrado em riffs graves e monolíticos, alguns deles familiares do universo sabbathiano, e de sonoridade reminiscente dos lendários Sacrilege. O que é admirável é que, apesar da falta de vozes e também de solos de guitarra, o dueto belga consegue manter o enfoque no poder esmagador do riff, o que, a par duma composição suficientemente diversificada, chega para manter o disco interessante em quase toda a sua extensão. Precisa de ser ouvido para se perceber que funciona mesmo. [8/10] Ernesto Martins SECRETS OF THE MOON «Seven Bells» (Lupus Lounge / Prophecy Productions) Mais do que um mero sucessor cronológico de «Privilegivm», este é de facto um seu sucessor lógico, no sentido que se rege pelo mesmo tipo de composições e pela mesma atmosfera sinistra, tortuosa e veladamente malévola presente nesse álbum anterior de 2009. Em termos absolutos é mais um disco acima da média desta que é uma das mais respeitadas formações da cena black metal alemã. Contudo, quando comparado com «Antithesis» e com o álbum supra-citado, «Seven Bells» revela-se uns furos abaixo. Basicamente, falta-lhe muito do negrume, da inspiração e do rasgo inovador que sempre foi apanágio do colectivo de S. Golden. [8/10] Ernesto Martins


SEITA «Asymmetric Warfare» (SAOL) Se vos disser que têm raízes brasileiras, embora estejam sedeados na Holanda, e que praticam Thrash Metal old school, que nome vos surge na cabeça? Exato! E sabem muito bem que esses são insubstituíveis! Contudo, esta Seita traz-nos malhas jeitosinhas, solos que não são maus de todo, e alguma garra na sua mensagem de intervenção. Não vão, de todo, substituir os velhinhos, mas se gostam do Thrash Metal praticado nos seus primórdios poderão vir a gostar dos Seita. [5.5/10] Victor Hugo

SHATTERED DESTINY «Fragments» (Edição de autor) Começando pelo lado positivo deste EP: a capa é da autoria do Niklas Sundin (Dark Tranquillity). Quanto à música: isto é desagradável de se ouvir. Custa afirmar uma coisa destas, mas estas quatro músicas aparecem completamente desadequadas ao que o nosso ouvido aceita – muito por culpa do mau vocalista, que ainda por cima é o mentor da banda. Nada de interessante soa neste EP, e por isso espera-se que a banda tenha juízo e que desista de lançar um longa duração. [2/10] Victor Hugo

SLIPPERY «First Blow» (Edição de autor) Está bem que algumas bandas possam querer revisitar os anos 80, com isto concordo plenamente. No entanto, bandas como os Brasileiros Slippery fazem-no de uma forma completamente banal. Tentam resgatar o som que foi típico de bandas como Bon Jovi, Def Leppard ou Motley Crüe, mas porra, fazem-no de uma forma que não acrescentam nada de novo... 0.0 de nada, nem o design geral , nem tão pouco o visual dos músicos. Com a agravante de que tudo aquilo que tentam personificar encontramos infinitamente melhor nas bandas originais! [4/10] Eduardo Ramalhadeiro

THYRFING «Urkraft» (Hammerheart Records) Desde 2008 sem lançar material novo, os Thyrfing reeditam o seu álbum de 2000, considerado um clássico do Viking Metal, e é uma boa oportunidade para quem ainda não o possuía. Um álbum cheio de melodias de teclados, vozes agressivas e guitarras esgarradas, com uma sonoridade que varia entre um Black Metal lento e um Folk Metal divertido, tendo como faixa final uma cover à música “Over the hills and far away”, original de Gary Moore. [7/10] Daniel Guerreiro


Da sobrevivência da no mund «Manala», o último álbum dos Korpiklaani, foi o pretexto para discutirmos com Jonne Järvelä, vocalista e guitarrista, o que faz a essência desta banda e a sua ligação íntima com a cultura tradicional de um país como a Finlândia, ao mesmo tempo tão longínquo e tão fascinante. As palavras do músico levantam um pouco o véu sobre esta sociedade, tão diferente da nossa, que nos habituámos a associar à música extrema, de que esta formação é certamente um ilustre representante. Qual é a sensação de lançar um novo álbum depois de se ter feito tantos? Jonne Järvelä: É boa, de certeza. «Manala» é o nosso oitavo álbum e, no entanto, continuamos a adorar

todo o processo. Continua a ser muito divertido escrever as canções e gravá-las. E, quando lançámos o álbum, temos a sensação de, uma vez mais, termos cumprido a nossa missão. Podes tirar todas aquelas


as tradições pagãs do atual ideias musicais da tua cabeça. Depois da saída de cada álbum, fico sempre com a sensação de que o último foi o melhor até ao momento e de que vai ser difícil para os Korpiklaani fazerem melhor da vez seguinte. Mas fico contente, porque conseguimos sempre superar o álbum anterior, pelo menos até agora. Quais são os temas das canções de «Manala»? Pressuponho que o tom geral das faixas, que varia bastante ao longo do álbum, depende desse fator. Sim, o tema tratado afeta a forma como a canção soa e a sua atmosfera global. Desta vez, quase todas as canções são baseadas na epopeia nacional dos Finlandeses, a Kalevala. Os Korpiklaani têm uma ligação muito profunda à Kalevala, porque esta tem as suas raízes em Vesilahti, a região de onde eu e o nosso baixista Jarkko Aaltonen somos naturais. Elias Lönnrot demorou 25 anos ao todo a coligir o

material que deu origem a essa epopeia e passou 8 desses anos em Vesilahti. O poeta refere-se à zona de ‘Laukko’, Vesilahti, na sua balada “The death of Elina”, integrada no livro “Kanteletar”, que faz parte da epopeia. Vesilahti é um pequeno município rural tipicamente finlandês, que já existia há vários milhares de anos, desde a pré-história. Tem 60 lagos e inúmeras florestas. Foi o Tuomas Keskimäki que escreveu quase todas as letras para este álbum. Ele é um dos vice-presidentes da Kalevala Poetry Society e autor de três coletâneas de poemas: “Tarinoita metsän taka” (“Stories From Behind The Forest”, 2007), “Yö vain ylläni lepäsi” (“Night Only Rested Upon Me”, 2010) e “Ja Suohon eksynyt” (“Got Lost In The Swamp”, 2012). Os dois últimos livros foram escritos usando o pentâmetro trocaico, que também encontramos na Kalevala. “Manala” significa “mundo subterrâneo”. Para nós,


é um mundo habitado pelos mortos. Este tema é recorrente nas letras de todas as canções deste álbum. Eis uma breve descrição de todas elas: 1- “Kunnia” É uma canção com um ritmo acelerado, típica de Korpiklaani. Parece-nos uma excelente introdução ao álbum e ao mundo musical e lírico que este acolhe. O título significa “honra” e a canção recomenda que não se cometa suicídio, porque as futuras gerações não quererão orar pelos antepassados que o fizeram. É indispensável honrar os antepassados que, pela sua vida, o seu caráter e os seus feitos, o merecem e que influenciaram a nossa vida. Os que se suicidaram vão para o mundo subterrâneo como todos os outros mortos, mas não serão venerados pelos vindouros.

no pântano. Na Kalevala, conta-se que um ferreiro chamado Ilmarinen apanhou do chão um pedaço de ferro branco, vermelho e negro e o levou para a sua forja. Pediu ao ferro que prometesse que nunca atacaria os humanos, nem derramaria sangue inocente. Mas o ferro, depois de tratado, enlouqueceu e, desde então, nunca mais parou de atacar seres humanos e de derramar sangue de inocentes. 4- “Ruumiinmultaa” Escrevi esta canção para ser tocada por um violino, capaz de produzir melodias sedutoras. Esta deve ser a canção mais difícil que fizemos até agora, do ponto de vista técnico. Ao mesmo tempo, é a mais excitante – pelo menos para mim – e vamos certamente tocá-la nos concertos. É uma autêntica festa de violino e permite ao Rounakari mostrar toda a sua mestria.

“Manala” é o nosso oitavo álbum e, no entanto, continuamos a adorar […] escrever as canções e graválas.” 2- “Tuonelan Tuvilla” O título significa “Nas cabanas do mundo subterrâneo”. “Tuonela” e “Manala” são sinónimos. A história passa-se no início mitológico do mundo e fala de Väinämöinen e Joukahainen, que são irmãos e dois dos criadores do mundo, de acordo com a nossa mitologia. Väinämöinen está relacionado com a água e Joukahainen, o irmão mais novo, com a terra, e juntos deram origem às florestas, aos pântanos e às zonas rochosas. O equilíbrio da Terra depende da relação entre Joukahainen e Väinämöinen e é posto em causa quando Väinämöinen se sobrepõe a Joukahainen e o afunda literalmente num pântano. Furioso, Joukahainen decide abater Väinämöinen com uma seta e começa a fabricar o seu arco e flechas. A sua mãe tenta dissuadi-lo, mas, apesar dos seus conselhos, ele dispara sobre Väinämöinen. Esta é uma história da Kalevala, que se passa no mundo dos mortos. 3- “Rauta” É a canção que deu origem ao vídeo promocional que fizemos para “Manala”. Foi filmado em Janakala, uma zona protegida da Finlândia, situada no meio da floresta. Esta música é muito diferente de todas as outras que fizemos. Baseia-se mais no ritmo do que na melodia e tem dividido os fãs: ou gostas muito dela, ou detestas, não há meio termo. Muitos fãs pensam que esta faixa anuncia uma nova era musical para os Korpiklaani, mas enganam-se. O título significa “ferro”, “aço” e corresponde a “espada”. Brota dos seios das ninfas e derrama-se

A letra é muito tenebrosa, mas a canção é alegre. Refere-se a uma superstição relacionada com o sucesso financeiro, típica da Lapónia, a parte norte da Finlândia. Quem quiser ficar rico tem de fazer um pacto com o diabo. Assim, recolhe terra nas sepulturas e oferece a outras pessoas café ou bebidas alcoólicas nas quais a dissolveu. Só as serve a quem não for seu inimigo. Quem beber esses líquidos morre ou fica louco, de forma permanente ou temporária, enquanto o que lhos serve fica rico. Mas, para manter essa riqueza, tem de ir envenenando pessoas regularmente, durante alguns meses, para respeitar o pacto firmado com o diabo. Se não o fizer, este mata-o ou enlouquece-o. Parece que esta crença ainda subsiste em algumas partes da Lapónia. 5- “Petoeläimen Kuola” Esta é a canção mais thrash que já fizemos. É rápida e baseia-se em riffs de guitarra, embora continue a seguir a tradição de folk metal caraterística dos Korpiklaani. O título significa “A saliva do predador” e a letra conta a história de Osmotar, o pai da cerveja, quando este produz a primeira de todas, feita de cevada cultivada por Pellonpekko, que é o antigo deus finlandês dos campos, das colheitas e, claro, da cerveja. Osmotar esfrega as suas mãos e, assim, nascem animais que vão buscar à floresta os condimentos para a cerveja. Contudo, esta não fermenta. Osmotar acaba por descobrir que é preciso usar a saliva de um predador. Assim faz e, finalmente, a


cerveja fermenta. 6- “Synkkä” É uma canção completamente acústica, mas com um som grandioso e de uma grande riqueza. A bateria é substituída por vários tambores, que se tocam com as mãos. O título significa “O lado negro”. Joukahainen é um dos irmãos criadores do mundo. Ilmarinen é o deus do céu, enquanto Väinämöinen é o deus da água. Joukahainen, o irmão mais novo, é o deus da Terra, assumindo a forma de uma personagem tenebrosa, reinando sobre as florestas, os pântanos e as zonas rochosas. O equilíbrio da Terra depende da relação entre Joukahainen e Väinämöinen. A canção fala sobre a forma como Joukahainen aparece na natureza e também trata do medo entre as pessoas. 7- “Ievan Polkka” Trata-se de uma antiga canção finlandesa tradicional, que já tinha em mente há muito tempo. É bem ao estilo de Korpiklaani. A letra foi escrita nos anos 30 do século passado por Eino Kettunen. Adota o ponto de vista de um homem novo, que quer dançar com uma rapariga, cuja mãe não está de acordo. Eles escapam-se para casa de outra pessoa, onde estão todos a dançar a polca, e passam a noite a dançar. Quando ele a vai levar a casa, a mãe está à porta, muito zangada. Então, ele diz-lhe que nada os separará. Esta canção foi muito popular antes e durante a Segunda Grande Guerra, mas caiu quase no esquecimento, durante as décadas de 70 e 80. 8- “Husky Sledge” É uma composição instrumental da autoria do Rounakari. Foi gravada de uma assentada, numa

Esta foi escrita por mim e pelo Jarkko Aaltonen, o nosso baixista. No nosso folclore, o sonho surge como uma criatura que adormece os humanos. Como está fortemente ligado à morte, também vem do mundo subterrâneo, a terra dos mortos. O sonho une e cola as pálpebras e dispara uma seta que provoca o sono e, assim, põe-te a dormir. Quando está adormecido, o ser humano desce ao mundo subterrâneo e o sonho torna-o visível no espírito da pessoa. 11- “Metsälle” Significa “A caçada”. Trata de Louhi, a rainha de Pohjola, na mitologia finlandesa, e de Lemminkäinen, um dos heróis da Kalevala, personagem composto a partir de vários heróis que povoavam a nossa poesia popular e normalmente representado como um homem novo e atraente, com cabelo loiro e ondulado. A rainha ordenou ao herói que lhe trouxesse o alce de Hiisi (que, na Kalevala, está associado ao diabo), para ter direito à mão da sua filha. Durante a perseguição, Lemminkäinen partiu os seus esquis e bastões e pediu a Ukko, o deus do trovão, para lhe fazer outros novos, que lhe permitissem cumprir a sua missão. O herói percorre a região de Tapiola, esquiando, à procura do alce. Tapio é o antigo deus finlandês da floresta. Antes da chegada do Cristianismo à Finlândia, Tapio era o rei de Tapiola, a grande zona de floresta. 12- “Sumussa Hämärän Aamun” A autoria desta canção é partilhada por mim e pelo Jarkko. É muito pesada e tem um tempo muito lento. Talvez vos faça lembrar os Black Sabbath ou os Metallica da era do Black Album. Ututyttö, ou Terhenneiti, é o espírito do nevoei-

“Desta vez, quase todas as canções são baseadas na epopeia nacional dos Finlandeses, a Kalevala.” atuação ao vivo no estúdio. O Tuomas ia batendo os pés no chão e tinha campainhas presas nas pernas. Ao mesmo tempo, ia tocando o seu violino. Saiu bem logo à primeira vez! 9- “Dolorous” Esta é um instrumental da minha autoria. Queria fazer melodias tão doces e bonitas quanto possível. Cada um é livre de decidir se consegui ou não fazêlo. Mas toda a banda gosta imenso dessa canção e é boa para tocar ao vivo, porque veicula emoções fortes. 10- “Uni”

ro e da bruma. Dizem que, quando o tempo está enevoado, se veem muitos fantasmas. Alguns deles são almas penadas, que ficaram a vaguear neste mundo, mas outros são visões provenientes da terra dos mortos, o mundo subterrâneo. O nevoeiro e a bruma tornam as fronteiras entre os dois mundos cada vez mais indistintas, até que nós, os vivos, nos tornamos capazes de ver a terra dos mortos, o mundo do além, onde vivem os nossos antepassados. Por causa disto, Ututyttö também é designado por “aquele que traz a morte”. Imagino que a capa do álbum tem algo a ver com as histórias que contam nele. Podes explicar-nos a


relação entre ambos? Desta vez, Vaari (a mascote dos Korpiklaani) aparece como Väinämöinen. Na capa, podem também ver o rio em chamas, que atravessa o Manala e que conduz ao mundo subterrâneo onde vivem os mortos. Nela também figura um cisne do Manala: se o matarem, vocês também morrem.

já existiam. Talvez o universo musical e lírico das duas obras seja diferente, mas o paralelismo estabelecido é interessante.

O que encontramos neste álbum? Canções tradicionais transformadas pela banda? Canções originais da vossa autoria seguindo o modelo das canções tradicionais finlandesas? As duas coisas? Todas as canções são originais, exceto “Ievan Polkka”, que é uma composição tradicional, como já referi. Mas nunca seguimos modelos, sejam eles tradicionais ou não. Compomos as canções à nossa maneira e orgulhamo-nos muito dessa nossa capacidade de criar um universo próprio.

É significativo para a banda contar com um etnomusicólogo entre os seus membros? Que parte da obra dos Korpiklaani não poderia existir sem ele? Tuomas Rounakari e o seu conhecimento nessa área são fundamentais para nós atualmente. Os estudos que tem desenvolvido em etnomusicologia centram-se numa cuidadosa análise da nossa tradição em música folclórica e deram-lhe uma grande flexibilidade, uma grande capacidade de se adaptar a diversos géneros. Tuomas é um académico, especialista em música ritual da zona do ártico. Esse é um traço essencial da sua identidade, que se revela na sua forma de tocar, com caraterísticas xamânicas.

Podemos considerar o vosso «Manala» como uma espécie de “Carmina Burana” dos tempos modernos, sem a atmosfera aterradora que Carl Orff deu à sua obra-prima (embora os vossos temas sejam bem mais tenebrosos)? Nunca pensei nisso, mas agora que focas esse assunto, há de facto algumas semelhanças entre “Manala” e “Carmina Burana”. Ambas as obras apresentam música composta para poemas que

Qual é a origem do folclore finlandês que figura nos vossos álbuns? Pelo que li, o vosso país tem diversos tipos de folclore. Na minha opinião, na Finlândia, só há dois tipos de folclore, com música e letras bem diferentes. O do norte é mais xamânico e recorre a menos instrumentos. A maior parte das vezes usa apenas o yoik (uma tradição vocal finlandesa) e um tambor. No resto da Finlândia, temos um folclore mais alegre,


com recurso a flautas e vários outros instrumentos populares. Os Korpiklaani baseiam a sua música nas tradições do norte da Finlândia, da Lapónia, e também nas da parte sul do país. Onde vão promover esta vossa “descida ao mundo subterrâneo”, aparentemente tão alegre? Estamos na época dos festivais de verão, logo poderão ver-nos a participar nesses eventos: Kuopio RockCock, em Kuopio, na Finlândia; Virgin Oil, em Helsínquia, também na Finlândia (que será a festa de lançamento de “Manala”); Fezen 2012, em Szekesfehervar, na Hungria; Metalcamp, em Tolmin, na Eslovénia; Rock Pod Kamenom, em Snina, na Eslováquia; Schlosshof Festival, em Höchstadt, na Alemanha. Quando a época dos festivais acabar, vamos dar início à Manala World Tour, no México, seguindose muitos concertos nos EUA e no Canadá, ainda durante agosto e setembro. Em outubro, participaremos no HeidenFest European Tour, com os Wintersun. Obrigado pela entrevista. Entrevista: CSA


Poder ĂŠpico


Os Suecos Sabaton trazem-nos um álbum épico. Depois de abordarem o tema da Segunda Grande Guerra, chegou a altura de escrever sobre a história do seu próprio país. Em Outubro estarão no Hard-Club e prometem um concerto... Épico! A VERSUS Magazine esteve à conversa com Pär Sundström. Primeiro que tudo, parabéns por «Carolus Rex». Estou viciado! Vou começar a entrevista pelo fim: Presumo que «Carolus Rex» esteja a ter uma boa aceitação pelo público e acabei de ler no vosso site que vão dar alguns concertos na Austrália com os Nightwish, e um como artistas principais. Acho que é a vossa primeira vez na terra de “Down Under”. Parabéns! Pär Sundström: Olá. É bom saber isso. E também que nem todos os vícios são maus! O novo álbum é, de longe, o que teve a melhor aceitação por parte dos nossos fãs, especialmente na Suécia, havendo até uma versão completa em Sueco. A última tournée que fizemos chamou-se World War tour e foi planeada para ir a todo o mundo, mas infelizmente, naquela altura isso não foi possível. Mas nós não descansamos e os planos para a nova tournée são muito maiores. A Austrália será um dos novos continentes que vamos visitar. Em 2011 estiveram em Portugal com os Nightmare. Lembras-te de alguma coisa desse concerto? Lembro-me dos fãs dedicados, apesar de não terem sido em grande número. Também me lembro de concerto no Hard Club, em 2006 com os Edguy, que foi um dos melhores de toda a tourneé. Desde então, sempre quis voltar, mas infelizmente muitas pessoas não acreditavam nos Sabaton. Espero que isto mude no futuro. No dia 3 de Outubro vocês vão

estar no Hard-Club (Swedish Empire Tour). O que podemos esperar desse concerto? Quem será a banda de suporte? (Podes começar a promover o concerto!) Vamos trazer a maior produção de sempre com uma atuação em palco impressionante. No que diz respeito aos temas, vamos tocar de todos os álbuns. Como bandas suporte vamos ter os Eluvetie que toca um tipo de música pagã, com influências musicais muito interessantes (Estiveram recentemente no Vagos Open Air) e alguns instrumentos exóticos. Também teremos os Wisdom que são uma banda Hungara de powermetal. Será uma grande noite. Nos álbuns anteriores o principal tema das letras foi a Segunda Guerra Mundial. Quem é a mente por detrás das letras? O que vos levou a escrever sobre esse tema? Queríamos escrever sobre algo real em vez de fantasia ou ficção. E dado que eu e o Joakim nos interessámos por história e em particular por temas em torno da Segunda Grande Guerra, esta foi uma escolha natural para nós. Existem muitas coisas interessantes para trás na história, mas que não estão muito bem documentadas. Esta é uma das razões por que gostamos de escrever sobre a Segunda Guerra, uma vez que não é um mito e não nos limitamos a adivinhar dado que a maioria dos acontecimento são factos. Neste álbum vocês dão uma volta e começam a escrever sobre o Império Sueco. Porquê agora?

Podes contar-nos um pouco mais sobre a história por trás de «Carolus Rex»? Sim, sentimos que era tempo para escrevermos sobre a nossa própria história. Muitas pessoas perguntavam-nos porque não escrevíamos sobre o nosso país. Então, decidimos dar uma oportunidade e encontrámos muitas coisas interessantes para escrever. Para nós estes factos vão muito atrás na história mas como era a NOSSA, decidimos avançar. Estou neste momento a ver/ouvir “Uprising”, do álbum de 2012 «Coat Of Arms», no youtube. Isto foi uma grande produção. Podemos ver Peter Stormare (Para os nossos leitores ele foi John Abruzzi de Prision Break...), entre outros. Quantos dias foram precisos para fazer este vídeo? Vocês levam esta coisa de vídeoclip-youtube muito a sério, uma vez que os Sabaton têm muitos clips no youtube. São todos oficiais? É claro que existem muitos vídeos no youtube e muitos deles não são oficiais. Gostamos da ideia dos fãs fazerem vídeos e partilhá-los. Ajuda a promover a nossa música. Quando fazemos vídeos oficiais está sempre nos nossos pensamentos fazer filmes épicos sobre o tema que interpretamos, mas isso é muito caro e não obtemos o retorno tão facilmente como há 15 anos atrás quando a TV transmitia heavy metal. O tema “Uprising” que conta com Peter Stormare e muitos mais atores famosos foi gravado em cer-


“Queríamos escrever sobre algo real (…). E dado que eu e o Joakim nos interessámos por história (…) a Segunda Grande Guerra, foi uma escolha natural para nós” ca de uma semana. Foram precisas 300 pessoas para fazer o vídeo. Foi uma produção enorme e estou certo que nunca nenhuma outra banda de metal fez algo assim. Presumo que vocês não vêm o youtube como forma de pirataria, mas como uma maneira de se promoverem, certo? O youtube é uma ótima maneira de divulgar o nosso trabalho e nós gostamos de ver pessoas fazerem

vídeos com a nossa música. Pessoalmente, odeio quando alguém faz o upload apenas da música mas quando fazem algo mais, como documentários, mesmo que editados e que encaixem nos temas, é muito bom. Ouvi uma versão em Sueco de «Carolus Rex» e sendo assim, como foi o processo de composição das letras sem ter que mudar a música? Bastante difícil,

presumo… Escrevemos as letras do novo álbum em inglês ou sueco conforme a sensação do momento. Foi mais fácil escrever duas letras sobre o mesmo assunto do que escrever duas letras para músicas diferentes. Ainda assim, deu muito trabalho. Tínhamos reservado o estúdio para o tempo que prevíamos gravar o álbum mas com a dupla linguagem normalmente precisaríamos de mais. Como não


“Quando fazemos vídeos oficiais está sempre nos nossos pensamentos fazer filmes épicos sobre o tema que interpretamos (...)” havia nenhuma possibilidade de reservar mais dias, tivemos que trabalhar contra o relógio. Uma última questão no que respeita à (excelente) produção. Como foi trabalhar com Peter Tägtgren? Ele também canta em “Gott Mit Uns”. Uma vez que somos da mesma região que o Peter sempre foi um sonho nosso trabalhar com ele. É claro que ele é um homem muito

ocupado e no passado não o pudemos trazer para trabalhar connosco. Hoje somos grandes amigos e trabalhamos mais de perto do que nunca. Foi um prazer trabalhar com ele, uma vez que ele acrescentou uma nova dimensão aos Sabaton. Na verdade não era para o Peter cantar no tema. A ideia eram os antigos guitarristas, Rikard e Oskar, cantarem, mas uma vez que nunca estavam presents, o Peter

cansou-se e cantou ele. Ao vivo são os atuais guitarristas que cantam essa parte. Obrigado pelo vosso tempo e no dia 06/10 estarei no Hard Club para ver os Sabaton Obrigado e vejo-vos no Porto Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro


E eis que com apenas vinte e dois anos, o Germânico Adam Laszlo decide trazer para os holofotes que iluminam o mundo do metal o seu álbum de estreia «Perdition of the Sublime». E que estreia esta! Desde o trabalho de composição, passando pela execução da maioria dos instrumentos até à gravação no seu próprio estúdio montado em casa, tudo é o resultado da dedicação e envolvimento deste notável e dotado músico que se revela a sério e pela porta grande neste ano de 2012. De seguida as repostas de A. Laszlo a um conjunto de questões que lhe coloquei numa das entrevistas mais interessantes que pude fazer no âmbito da VERSUS Mag a zine.


Estou certo de que com a tua idade – começaste o teu projeto em 2009 com apenas 19 anos de idade – é um facto que deixa as pessoas a pensar como é que conseguiste gravar um álbum praticamente sem ajuda agora que tens apenas 22 anos de idade? E também o começo com o EP de 2009 em que apenas tinhas 19 anos? A. Laszlo: Bem, eu comecei na música cedo e desde então quando peguei na guitarra elétrica aos 13 anos, fiquei obcecado em tocar este instrumento. Fazer música foi praticamente toda a minha vida desde então. E depois de uns anos a escrever e a gravar música consegui algo de bom

neste âmbito, penso eu. Portanto basicamente acabei por aprender fazendo, somado com uma grande dose de dedicação.

A complexidade do álbum e o trabalho de produção ultra polido faz-me pensar que realmente és uma pessoa extremamente dedicada e talentosa para a música. Como é que olhas para ti enquanto músico? Quero dizer, o teu trabalho está já a ter excelentes críticas e estás apenas a começar, portanto pensas ser capaz de manter os ‘pés na terra’ ou nem sequer pensas neste tipo de questões? Para ser honesto, não penso muito sobre esse tipo de coisas. Quero dizer, acho realmente esmagador obter tanto feedback positivo, certamente que é muito bom. Mas realmente sinto que sou alguém que teve apenas muita sorte com a sua música e que tenta fazer algo na vida com isso algum dia. Estou apenas a fazer o que gosto. Um dos temas mais desafiantes do ponto de vista lírico e de mensagem é “Freedom of mind”.

De pequenino se forja o metal


Colocas uma grande ênfase em temas tabu em simultâneo; refiro-me ao sample de um discurso falado que colocaste no fim da canção. Concordas que estamos num mundo retrógrado e mais importante, que a música tem um papel relevante em abrir horizontes? Não tenho a certeza que o mundo seja todo ele retrógrado, o ponto essencial é que poderia ser muito melhor e que sistemas de crenças retrógrados ainda têm muita influência e significância. O discurso que referes apenas refere a homossexualidade como um tema específico. É apenas um exemplo que mostra que ainda há muito ainda por fazer em muitas vertentes. No geral as pessoas são encorajadas a não pensar pelas suas cabeças mas sim seguir cegamente apenas doutrinas arcaicas. E muitas pessoas acabam por seguir esta filosofia. Eu julgo que a música tem o poder de mudar o modo de pensar de indivíduos assim como a literatura, cinema e artes no geral. Quando começaste a tocar instrumentos musicais? E que tipo de instrução tiveste? Eu comecei por tocar guitarra acústica com a idade de 6 anos. Depois de 6 ou 7 anos eu entrei no heavy metal e mudei para guitarra elétrica. Também tive lições de durante alguns anos até que decidi dar eu próprio aulas de guitarra. Mas tenho de agradecer aos meus pais pelo constante apoio, afinal eles compraram as minhas primeiras guitarras e pagaram as minhas aulas. Se não tivessem sido eles, tudo teria sido muito mais complicado para mim penso eu. Li algures que o Sebastian Bracht executa o trabalho de guitarra, portanto és tu quem toca os restantes instrumentos? No álbum eu fiz todo o trabalho de guitarra e vocalizações, embora no entanto a bateria seja programada.

Para questões como tocar ao vivo o Sebastian juntou-se a mim na guitarra e vozes de fundo, eu trato da outra guitarra e voz principal. Portanto nesta altura estamos à procura de um baterista e de um baixista para completar a nossa formação. Segundo a tua opinião, a sociedade está a mergulhar todos os dias num poço cada vez mais profundo de ignorância e estupidez. Mas muitos de nós já ouvimos dizer que “A ignorância é uma bênção”. Não achas que no geral as pessoas estão a ser inundadas de negativismo nos media e que muitos estão apenas focados em viver o pouco de bom que ainda têm sem se preocuparem com os problemas? A ignorância é uma bênção de início, mas se dedicarmos a nossa vida a algo maior que nós é algo que nos deixa muito mais satisfeitos e apaziguados com a vida. Há algo de terrivelmente errado neste momento com este mundo e saber que estás a reduzir o sofrimento de terceiros pelo menos um pouco é uma grande coisa. Não acho que se possa acusar os noticiários de saturarem as pessoas com negatividade, há provavelmente um conjunto de fatores que se somam. A maioria das pessoas são forçadas a ter um emprego aborrecido sentadas a uma secretária para fazerem face às despesas. E quando chegam a casa cansadas, desgastadas a última coisa que querem pensar é no sofrimento do mundo. Apenas querem relaxar e ver um pouco de televisão para se abstraírem da vida real e arranjarem energia para retomarem a rotina diária no dia seguinte. E isto não é uma repreensão, eu não culpo estas pessoas por terem essa atitude. Isto é a escravatura dos tempos modernos e este sistema está condenado ao falhanço mais cedo ou mais tarde. Se me permites a franqueza eu

próprio concordo com muitas das tuas opiniões sobre tudo o que está a levar a humanidade a um estado de existência limitativo que tende a perpetuar-se. No entanto é fácil de observar que a educação e informação chegam a cada vez mais indivíduos do que alguma vez na história mas a alienação parece prevalecer. É um claro mas evidente paradoxo; nós os humanos somos propensos a ser paradoxais? Certamente que vivemos em tempos de contrastes. Ganhamos um imenso progresso tecnológico enquanto muitos de nós fazem conceções morais baseadas em mitos ancestrais. Não sei durante quanto tempo mais a humanidade poderá permitir-se a estas discrepâncias. Mas eu não serei tão pessimista quanto isso em relação a este ponto. Mais pessoas do que nunca têm acesso a informação e educação do que nunca e isso é algo extraordinário. Mas isto é apenas um aspeto. As pessoas também precisam de empatia e a vontade de mudar alguma coisa. Acho que em geral as pessoas são empáticas e razoáveis. Acho que não se pode é deixar estas qualidades serem subvertidas pelos media, governos ou quaisquer outros elementos. O que é que consideras ter sido o principal obstáculo que tiveste de ultrapassar desde o primeiro dia até à edição neste Verão do álbum «Perdition of the Sublime»? Musicalmente não houve um “desafio” em particular para além da escrita do álbum genericamente. Mas eu não consideraria isso um desafio. Na realidade todo o processo de criar este álbum de estreia aconteceu de maneira tranquila, como eu disse já produzo a minha música desde há uns anos, portanto já estava calejado no processo. O principal desafio foi provavelmente a graduação na escola com notas 20 em 2009, ahah . Mas correu com naturalidade também.


Portanto tenho tudo a correr-me de feição agora! Eu vejo atualmente cada vez mais um conjunto de músicos que fazem todo o trabalho na criação dos respetivos discos. No teu caso o «Perdition of the Sublime» foi gravado no estúdio de casa, composto inteiramente por ti, etc. Achas que para se criar um álbum bem estruturado, o trabalho de produção, a escrita das canções, a execução instrumental torna-se mais fácil se fizeres tudo, ou quase tudo, por ti? Há certamente mais esforço envolvido no início mas acaba por tornar as coisas menos complicadas. Não tens de fazer compromissos e és o único responsável pela

qualidade da tua música. Eu acho muito mais linear desenvolver certas ideias se elas estiverem todas juntas apenas na tua cabeça. Mas devo dizer que também aprecio bastante fazer música em conjunto com outros. Ambas as alternativas têm prós e contras julgo eu.

Depois desta edição do teu álbum estás já a preparar novas etapas? Talvez ensaios para concertos ao vivo? Logo que eu tenha um alinhamento completo, nós iremos ensaiar e partir para a estrada logo que possível.

Quais são os sons que te lembras ter ouvido (Rock, Clássica, Metal…)? A primeira música que lembro vagamente ter ouvido é provavelmente uma velha cassete de Graham Parker quando tinha cerca de 3 ou 4 anos. Fiquei tão fascinado com esta música que na realidade fez-me pegar na guitarra com 6 anos de idade. Ainda ouço esta cassete de tempos em tempos.

Um último comentário que queiras deixar para os nossos leitores seria obviamente bem-vindo. Para recitar o grande Charles Chaplin: “Let us fight for a world of reason, a world where science and progress will lead all men’s happiness”. Entrevista: Sérgio Teixeira


O despertar da

realidade


O quinteto americano This Or The Apocalypse não pensou muito e em apenas dois anos estão já a lançar o seu terceiro disco de originais, «Dead Years», uma mistura explosiva de metal e hardcore melódico, cheio de técnica e rock grooves, produzido por Andreas Magnusson, o mesmo que trabalhou com bandas como The Black Dahlia Murder e Haste The Day. A VERSUS Magazine esteve à conversa com o vocalista, Rick Armellino, que nos disse querer, mais do que tudo, voltar à Europa. Pode ser que Portugal venha a estar incluído. Para aqueles ainda não familiarizados com a banda, conta-nos um pouco sobre This Or The Apocalypse e o seu percurso. Rick Armellino: This Or The Apocalypse é uma fábrica barulhenta de “stage dive” vinda de Lancaster, PA. Foi formada em 2005 para tocar em espetaculos nas faculdades por mera diversão, antes de começarmos a marcar as nossas próprias tours e de termos encontrado a nossa própria voz. Cada álbum tem sido drasticamente diferente e tentamos sempre ser espontâneos.

Porquê «Dead Years» para o nome do álbum? Falanos um pouco sobre ele? «Dead Years» é uma espécie de referência aos últimos dois anos e às dificuldades sentidas durante esse período. O álbum é sobre os últimos anos de pânico de uma cultura que está a cair aos pedaços. No final, todo mundo está demasiado apático para salvá-lo. Quais são as tuas expectativas para este terceiro álbum? Na realidade ainda não depositei as minhas esper-


“[na capa do álbum] Quisemos retratar todo o pânico e megalomania que se tem vivido nos últimos anos na América”. anças em nada. Se ele for bem aceite, isso é óptimo, mas não é por isso que eu estou aqui. Tenho vindo a fazer música há anos e vou continuar faze-lo. Um álbum não vai mudar isso!

do fundo do poço, e de alguma forma há pessoas que ainda andam a discutir sobre se as vítimas de violação devem ou não ser autorizados a fazer abortos médicos. Pandemónio total.

Fala-nos sobre a simbologia da capa e quem a fez. Foi o meu melhor amigo, Sol Amstutz, que a fez. Quisemos retratar todo o pânico e megalomania que se tem vivido nos últimos anos na América. O nosso país está neste estranho desastre financeiro e temos as estações de televisão cheias de propaganda, que só se preocupam em opor a “esquerda” e a “direita” uma contra a outra. Parece que a maioria das pessoas estão a tornar-se papagaios para a televisão. Estamos em várias guerras, temos soldados em ocupações em todo o mundo, estamos a lutar para manter a nossa classe média totalmente fora

Que tema do álbum sairá primeiro em single? “In wolves” será o primeiro. Que bandas é que nomearias como principais influências na vossa música? Meshuggah. Defeater. Every Time I Die. Thrice. El-P. Darkest Hour. August Burns Red. The Hope Conspiracy. M83. At the Drive-in. Hopesfall. Shai Hulud. Quando é que vocês colocam Portugal no mapa de alguma Tour Europeia?


“This Or The Apocalypse é uma fábrica barulhenta de ‘stage dive’” Gostaríamos de o fazer mais do que qualquer outra coisa. Mas as nossas duas últimas datas europeias falharam por causa de circunstâncias fora do nosso controlo. Gostariam de deixar alguma mensagem especial para os fãs portugueses? Queremos voltar à Europa o mais breve possível. Por favor, continuem a chatear os vossos organizadores e promotores locais, dizendo que nos querem ver a tocar por aí! Entrevista: André Monteiro


Os australianos Be’Lakor vêm de umas paragens que a nível geográfico são quase os antípodas da Suécia, país onde surgiu o death metal melódico, mas a nível musical é como se fossem de um país vizinho. Com uma música recheada de mitologia e com o terceiro e novo álbum «Of Breath and Bone» em carteira, fomos falar com esta banda, que nasceu em 2004, e perceber as motivações que os levaram a abraçar este género musical tão autóctone.

Ossificando e


Olá! Podes começar por nos falar um pouco do vosso terceiro álbum «Of Breath and Bone». Quais foram os vossas sensações em estúdio durante o processo de gravação? O processo de gravação deste álbum foi provavelmente o nosso maior desafio. Foi um percurso extremamente compensador mas com alguns problemas pelo caminho (particularmente na parte de afinação das guitarras). Nós tentamos estar sempre bem preparados quando entramos em estúdio, com todas as músicas bem ensaiadas e concluídas. A gravação do «Of Breath and Bone» não foi diferente e ajudou o facto do novo trabalho ter sido gravado no mesmo estúdio do álbum anterior «Stone’s Reach». Uma das coisas que me vem a mente agora é que estava muito calor durante as gravações quando fomos para estúdio, fomos nos meses mais quentes do Verão (Janeiro e Fevereiro). Lembro-me que o vosso segundo álbum, o já referido «Stone’s Reach », foi muito bem aceite pela critica da especialidade. Quais são as vossas expectativas para este novo lançamento? De facto o «Stone’s Reach» recebeu criticas bastante positivas, o que foi muito agradável. Nós tentamos não pensar muito na imprensa e nos que os críticos vão dizer sobre cada álbum – o nosso maior desejo

e Respirando

é termos orgulho no álbum e claro que os nossos fãs não fiquem desapontados com ele. Se conseguirmos atingir esse objectivo então sim, sentirnos-emos orgulhosos. Quais são as maiores diferenças e semelhanças entre o «Of Breath and Bone» e «Stone’s Reach»? Eu diria que a principal semelhança é que ambos os álbuns têm na melodia o seu principal foco. Além disso, tal como em toda a nossa música, as canções dos dois álbuns procuram criar uma atmosfera que revele novos pormenores ao ouvinte quando o ouve de forma repetida, espero conseguir levá-los a viagens de vários tipos. Em relação às principais diferenças, sentimos que «Of Breath and Bone» é mais melódico e com mais harmonia do que o que já tínhamos feito até agora mas por outro lado é também um pouco mais pesado e rápido do que os anteriores álbuns. Mas isto foi a forma como o álbum saiu e não uma decisão consciente e isto não significa que o nosso caminho no futuro. Considerando que o death metal melódico é um género profundamente associado com a Suécia, não só porque nasceu lá, mas também por cause da mitologia viking que é uma das principais temáticas. Gostaria de saber qual a motivação


para uma banda australiana abraçar este estilo tão particular. Eu acho que é porque nós exploramos música desde a nossa juventude até à nossa idade adulta. Nós procuramos ouvir e divertir-nos com o death metal, e tentamos faze-lo a nossa maneira. Fomos inspirados por este género musical porque é poderoso, cativante e comovente (quando bem feito) e sentimos que poderíamos oferecer algo novo e valioso para o género. Mas principalmente porque nos dá prazer tocar death metal melódico. Quais as bandas que mais vos influenciaram? As nossas influências são bastante amplas e variadas já que todos os membros da banda ouvem diferentes bandas e estilos musicais. Quando começamos e falando especificamente de metal, as nossas influências são bastante comuns - bandas clássicas como Opeth, os inícios de In Flames e Dark Tranquility são três bons exemplos. Indo

Essas são apenas alguns dos temas que inspiram as nossas letras. Musicalmente a nossa inspiração é puramente relacionada unicamente com o que soa bem, mas liricamente gostamos de criar humor e contar histórias. As nossas primeiras canções basearam-se em algumas ideias pagãs mas, esta temática foi sendo abandonada nas nossas letras ao longo dos álbuns. O George (vocalista e guitarrista) interessa-se por mitologia grega e história no geral e também tem uma ligação com a Grécia já que tem alguns familiares oriundos de lá, por isso tem sido natural incluir esse tema nas nossas músicas. Os Be’lakor mantêm os mesmos elementos desde 2004 (ano de inicio da banda). Qual é o segredo por de trás dessa estabilidade na banda? Sim, temos mantido o mesmo line-up e isso tem sido muito bom. Não nos passa pela cabeça imaginar de outra forma, porque foi o que estabelecemos desde o início. Eu acho que o “segredo”, se é este o nome que lhe dás, é simplesmente o facto de sermos bons amigos que já o éramos antes de começarmos o projecto. Nós fazemos coisas juntas fora dos Be’lakor e por isso é fácil manter boas relações de trabalho dentro da banda. Quais os planos futuros da banda? Existe alguma

um pouco mais atrás, até à nossa juventude bandas como Black Sabbath, Metallica e Iron Maiden também invadiram a nossa imaginação. Aparentemente, as vossas músicas falam de paganismo e da mitologia grega. Porque que escolheram estes temas para as letras das vossas músicas?

tournée planeada? Incluiu alguma passagem por Portugal? Estamos prestes a começar uma tournée pela Europa, durante a qual estaremos em alguns festivais (Brutal Assault Festival na República e Summer Breeze Festival na Alemanha). Depois disso, vamos dar alguns espectáculos na Austrália e de seguida começamos a trabalhar no nosso próximo álbum. Olhando para o futuro, esperamos ser capazes de


visitar os EUA nos próximos anos. Nós tivemos sorte de ter dado dois espectáculos em Portugal em Agosto de 2012 (no Porto e em Lisboa). Foi um grande momento. Gostaríamos muito de voltar a Portugal novamente. Para finalizar, gostarias de deixar algumas palavras finais aos vossos fãs portugueses? Sim, gostaria de agradecer-lhes as mensagens de apoio que temos recebido via e-mail ou nas redes sociais e também gostaria de agradecer em especial aos fãs portugueses que apareceram para nos apoiar em 2010 o que nos ajudou a desfrutar o momento. Uma pequena palavra para as grandes bandas portuguesas que se tornaram amigos, os Drop D e Painted Black, ambas as bandas são muito talentosas e foi óptimo tocar com eles. Entrevista: Sérgio Pires


Sem papas É uma expressão idiomática que assenta bem aos Zonaria, uma banda sueca que faz um melodic death metal com um gostinho bem especial. Para Emil Nyström, o principal guitarrista da banda, que se dispôs a responder às nossas perguntas, não vale a pena perder tempo com palavras vãs. Com uma determinação que os levou a preterir a Century Me-


s na língua dia em favor da Listenable Records, porque tal lhes parecia a melhor solução para a banda, os Zonaria têm algo para mostrar e estão na música extrema para nos provar que vale a pena gastar tempo a ouvi-los. Neles não há nada da desolação que o seu nome prenuncia. Antes se caraterizam por uma certeza aparentemente inabalável.


“Todos [os álbuns da banda] tratam o mesmo tema, mas, de facto, essa é a única ligação entre eles. Não são episódios da mesma história.”

Por que escolheram este nome para a banda? Tem algo a ver com as caraterísticas da vossa música? Emil Nyström: Fomos buscar o nome da banda à mitologia grega. Designa um caminho rochoso, desolado e fatal situado mesmo por baixo do trono de Zeus. Como obtiveram o contrato com a Listenable Records? O que aconteceu à vossa relação com a Century Media? Depois do lançamento de «Cancer Empire» (2008), ambas as partes consideraram que a separação se impunha. Não houve

ressentimentos, foi apenas uma relação que não funcionou. Assim, gravámos o nosso álbum sem editora e, quando considerámos que o trabalho estava feito, começámos a procurar uma editora que fosse conveniente para nós. A que nos agradou mais foi precisamente a Listenable Records. Por que vos descrevem como um “quinteto sueco/americano” no texto de promoção do álbum? O nosso guitarrista de sessão (Caleb Bingham, ex-Five Finger Death Punch) é Americano. Os

quatro membros efetivos da banda são todos suecos. São sistematicamente comparados a bandas como Hypocrisy, Dimmu Borgir, At The Gates, In Flames e até Old Man’s Child. O que pensas destas comparações? Ora bem, são todas bandas que ouvíamos, quando éramos adolescentes. Portanto, não me parece impossível que nos tenham influenciado de algum modo. No entanto, sinto que somos capazes de fazer a nossa própria música.


Este álbum tem um trabalho de guitarra excelente, muito bem apoiado pelo baixo e pela bateria. Os vocais também são fantásticos. É o vosso nível habitual ou sentes que a banda se superou a si própria neste longa duração? Como sou um homem prudente, diria que este álbum não tem nada de espetacular em relação aos outros da banda. Na minha opinião, o que distingue este álbum dos nossos lançamentos anteriores são as canções, os arranjos, a profundidade que conseguimos dar à nossa música. Que sol vermelho é este, cuja chegada estão a anunciar? Tem algo a ver com as famosas profecias relativas ao fim de 2012? É uma metáfora que, para nós, representa um recomeço. Se isso ou não implica o fim do mundo e da humanidade tal como os conhecemos agora, depende da interpretação de quem nos ouve. O fundo vermelho que vemos na capa do vosso álbum representa esse “sol vermelho”? E, a propósito, quem fez o artwork? Foi o mesmo artista do álbum anterior? Sim. Chama-se Pär Olofsson. E, de facto, essa cor vermelha em que as imagens parecem mer-

gulhadas corresponde a uma interpretação do título do álbum, assim como as letras que acompanham as faixas do álbum. Este álbum é uma continuação dos dois anteriores? Ou pensas que se trata de obras que nada têm a ver umas com as outras? Todos tratam o mesmo tema, mas, de facto, essa é a única ligação entre eles. Não são episódios da mesma história. Que contributo têm os Zonaria dado à música extrema, especialmente com o lançamento deste terceiro álbum? É sempre difícil ser-se objetivo, quando é o nosso próprio trabalho que está em causa. Mas penso que a nossa banda trouxe à música extrema uma combinação rara de elementos que dela fazem parte. Se pensares bem, não há nenhuma banda que soe como a nossa, mesmo que consigas encontrar algumas parecenças com outras. Penso que criámos algo especial, que vale a pena apreciar. Também vos apresentam frequentemente como uma banda que adora as atuações ao vivo, as digressões. De onde vos vem esse tão grande amor pela estrada? E onde vamos poder encontrar-vos

a saudar a chegada do vosso sol vermelho? As digressões são algo de maravilhoso, mas também muito cansativo. Os concertos ao vivo representam para nós a melhor parte de estar numa banda. É maravilhoso ter essa sensação de euforia todas as noites. É maravilhoso conhecer fãs de diversos países, saber o que pensam da nossa música. E estás sempre a encontrar amigos de longa data, a fazer novos amigos, o que te dá recordações maravilhosas, cada vez que acabas uma tournée. É verdade que, às vezes, ficamos com más recordações, mas também essas contribuem para te formar, dão mais força ao teu caráter. Como sou portuguesa e adorei a vossa música, não posso deixar de vos perguntar se já tocaram em Portugal e se tencionam passar por cá para apresentar «Arrival of the Red Sun». Nunca estivemos em Portugal e, infelizmente, não faz parte dos nossos planos uma passagem pelo vosso país. Gostaríamos de vos visitar, mas só o futuro dirá se tal é possível. Entrevista: CSA


Com uma sonoridade peculiar e interessante, os Diablo Swing Orchestra fazem jus ao nome, trazendo ao universo metálico um sabor diferente. Tendo surgidos em 2003, os DSO contam já com três álbuns e um EP, estando cada vez mais requintados, conseguindo fundir cada vez melhor o metal/rock com swing e sinfonia, com uma ligeireza e riqueza musical, sendo difícil alguém ficar indiferente. O novo opus «Pandora’s Pinãta» revela-se uma verdadeira caixa de Pandora musical, em que o mentor da banda, Daniel Håkansson descodificou-nos o sentido e segredos de «Pandora’s Pinãta» na entrevista que segue.

Os Diablo Swing Orchestra (DSO) têm vindo a crescer de álbum para álbum, conseguindo impor a sua peculiar música na cena metálica. «Pandora’s Piñata» parece não fugir à regra e irá acrescentar mais um nível à banda. Tendo em mente, tudo aquilo que os DSO já conseguiram, quais são as tuas expectativas sobre «Pandora’s Piñata»? Daniel Håkansson: Obrigado! Para começar, estamos bastante satisfeitos com este lançamento, o qual constituiu o evento de maior importância de tudo aquilo que lançamos e fizemos até hoje. Acho que conseguimos a missão de encontrar novas ex-

pressões musicais, novas formas de manter o interesse, em estar e tocar nesta banda. Além disso, como seria de esperar, em cada lançamento, ansiamos incrementar a nossa base de fãs e tocar em ainda mais países e cidades. Até agora, a resposta tem sido bastante positiva. «Pandora’s Piñata» revela-se um álbum mais sólido, em que cada música flui facilmente da anterior para a seguinte. Tal como já foi dito por vocês, no universo musical dos DSO tudo é permitido. Quais são ou serão os vossos limites musicais? Na realidade, nenhuns. Não te-

Mariachi Me


mos nenhuma regra que diga “isso não pode ser” ou “isso não cabe”. Se alguém vem com uma ideia, tentamo-la sempre, mesmo que ao início ela não seja consensual entre todos os membros, ou que afirmemos que “não é uma boa ideia”. Trabalhamos sempre tudo o que criamos, sejam partições musicais ou mesmo músicas, até que todos pensem que a ideia original passou a ser uma boa, ou seja, até que haja consenso. Claro está, poderá dizer-se que isto é intrínseco à música dos DSO. Não penso que num futuro próximo faremos uma música bombástica de metal com vozes gritantes. Os limites da nossa música advêm mais de o facto de

nenhum dos membros da banda ouvirem esse género de coisas, mais do que da forma como escrevemos música. Os DSO são conotados mais como uma banda de metal avantgarde, mas ouvindo a vossa música com atenção, encontramos as raízes de um vasto universo musical, tal como o Jazz, Swing ou música sinfónica. Talvez venha a ser necessário definir um novo género metálico para caracterizar a vossa música. Como é que defines a tua música no seio da cena metálica? Antes de mais, nós não somos a banda regular de metal, no que respeita ao som. Para nós, o met-

etal Spaghetti

al é somente um dos ingredientes que gostamos de utilizar. O outro género que mencionaste, em conjunto com o metal, é igualmente tão importante para o nosso som como este. Esta particularidade é talvez a única coisa que nos distingue de todas os outros actos de metal/rock. Nós não usamos os outros géneros como uma textura para uma música de metal mas sim, utilizamos o metal/ rock como textura para uma música nossa, como por exemplo uma música swing. Achamos que a conotação avant-guarde é um pouco enganadora da nossa música, já que fazemos música de forma a ser de fácil audição, ao invés dos nossos pares que podes encontrar debaixo da etiqueta avant-guarde. Compreendemos o fundamento base que nos coloca no caminho do avantguarde, que é o nosso desejo de experimentar sempre algo, mas esse experimentalismo nunca é complexo ou algo que torne a música difícil. Não nos preocupa muito como as pessoas concebem a nossa música desde que as afecte de alguma forma, seja pelo lado positivo ou negativo. O pior mesmo seria o ouvinte afastar-se sem ter sentido nada. Quais são as tuas influências musicais? E quanto ao resto da banda? Quanto a mim, eu gosto de saltitar entre coisas, qualquer que seja o género. Coisas que me façam abanar a cabeça e mexer o corpo. Eu não sigo bandas/artistas hoje em dia. Ao contrário, sou mais orientado à canção. Em relação aos outros membros, tal como seria de esperar, nós gostamos todos de diferentes tipos de música. Tudo desde blue-grass até ao psy-trance passando pelo J-rock. Qual é o conceito por detrás de «Pandora’s Piñata» e porquê este


“…Nós não usamos os outros géneros como uma textura para uma música de metal mas sim utilizamos o metal/ rock como textura para uma música nossa...” título? Porquê este tom musical Mariachi Western Spaghetti? De onde vieram tais ideias? Nós não definimos isso como um conceito para o disco de tal forma que devesse soar assim ou de outra maneira. As canções foram escritas e acabaram assim. Mas quero dizer, a razão principal pela qual esse tom existe deve-se ao facto de termos adicionado o Martin (trompete) e o Daniel (trombone) como membros permanentes da banda. Eles acrescentaram muita coisa aos arranjos das músicas e como são músicos bastante talentosos, nós até gostamos que tenham uma cota parte importante no som da banda. Penso que o que agarra o ouvinte é o requinte da vossa música associada à mistura perfeita de ritmos e tom, mas, por detrás de cada canção está uma letra que aborda um tema ou uma mensagem. O que nos podes dizer sobre as mensagens e temas subjacentes a «Pandora’s Piñata»? Dado que sou eu que escrevo todas as letras da banda, a maior parte das canções são reflexões da minha vida, mas para este álbum, há uma canção, «Guerrilla laments», em que as letras são o resultado directo da contribuição dos fãs de todo o mundo. Temos recebido uma data de emails e cartas demonstrando como a nossa música os ajudou em momentos difíceis nas suas vidas. Muitas destas histórias são um quanto brutais e eu sinto-me lisonjeado e contente por a nossa música os puder ajudar. Assim, decidi escrever uma canção dedicada a estas pessoas que carre-

gam uma mensagem positiva, de continuar a lutar e acreditar nas suas causas e neles próprios. Foi um desafio para mim, já que não estou habituado a escrever a letra da canção dessa forma. Temos de ser mais directos sem esconder absolutamente nada atrás de metáforas. Estou contente com o resultado final e já recebemos vários feedbacks positivos de pessoas que encontram as motivações e força desta canção e da sua letra. O que é que acontece primeiro: a escrita das letras ou a escrita da música? Quanto são importantes as letras para a música dos DSO? Acho que é seguro afirmar que 99,9% dos casos a música vem primeiro. As letras são escritas quando eu já tenho uma melodia com que possa trabalhar, a fim de ver quais as palavras que melhor encaixam. Só depois é que começo a preocupar-me com o contexto, tema e sentido das letras. As letras das canções têm mais a ver com ritmo e curso da mesma, que acabo sempre por cantar coisas disparatadas: primeiro para ver que tipo de estrutura as palavras necessitam antes de começar a usar verdadeiras palavras. Tenho de dizer igualmente que esforcei-me mais do que o habitual nos últimos dois álbuns, e por qualquer razão foi até bem mais fácil escrevê-las para Pandora’s do que o anterior… pelo que espero que esta parte de criação da canção seja ainda mais aprazível para a próxima. A música dos DSO é um verdadeiro sucesso no que respeita a juntar diferentes estilos e per-

sonalidades, twists e twangs, fundindo-os em algo musicalmente ligeiro, mas ao mesmo tempo de uma riqueza massiva. Como é que chegarem a este brilhante balanceamento de opostos musicais? Bem, quando começamos, foi mesmo tentativa e erro. Para não falar que, não estávamos cientes que a combinação de metal e ópera era um género musical per si. Não sabíamos como alcançar o som que perseguíamos, pelo que perdemos imenso tempo em estúdio a tentar encontrar o balanço perfeito entre os instrumentos e a voz. Com o desenrolar do tempo e ganho em experiência, sabemos de antemão qual o nosso objectivo em cada canção e álbum. Com cada lançamento, tentamos sempre melhorar aqueles aspectos com os quais não ficámos satisfeitos no álbum anterior. Com este último trabalho tenho de expressar a minha admiração pelo nosso produtor Roberto Laghi, pelas maravilhas que fez com a nossa música. Dado que trabalhámos com ele no álbum anterior, temos todos, um melhor entendimento daquilo que queremos atingir com a música e aquilo de que não gostamos. Como foi e como foi feito a composição e produção/gravação de «Pandora’s Piñata»? Como é que conseguiram gerir a contribuição de 8 distintos músicos? Trabalhei nas ideias básicas das músicas desde Outubro 2011, com o Pontus (guitarra, fx) e gravei algumas demos. Depois, enviamos as demos para os restantes membros ouvirem e


trazerem as suas ideias, para finalmente começarmos a ensaiar e arranjar as músicas, elevando no processo o nível de pré-produção subjacente. Olhando para a contribuição de todos, tentamos ter sempre um espírito aberto para que todos possam contribuir o mais possível na composição e arranjo das músicas. Acho que conseguimos atingir um nível muito bom neste processo colaborativo, se o compararmos com o do primeiro álbum, onde praticamente fui eu que escrevi tudo, desde as guitarras até ao baixo passando pelo violoncelo e tudo o resto. Hoje, tentamos tirar partido da experiência que cada um tem no seu instrumento, o qual ajuda na procura da obtenção de um som mais rico. Qual a importância para a músi-

ca dos DSO, em especial para «Pandora’s Piñata», contar com a participação do trompetista Martin Isaksson e do trombetista Daniel Hedin? Tal como referi atrás nesta entrevista, estes dois tipos são extremamente importantes para nós, nomeadamente ao nível da definição do som. E se analisares o som deste último álbum, comparando-o com o anterior, a sua importância é imensurável. A definitiva inclusão deles como membros permanentes na banda, ficou claro depois de uma tournée em 2010 que fizemos na Holanda sem eles. Também tiveram presentes no álbum anterior, mas só como músicos de sessão. Mas, acho que eles fizeram a diferença no som geral da banda desde que iniciaram a sua colaboração connosco, dado

que contribuem mais para os arranjos. Depois são duas pessoas excepcionais, os quais hoje, considero-os dois bons amigos… E dado que o clima social é crucial quando estamos em tournée, eles fazem igualmente a diferença em outros sentidos para além da música. A capa dos vossos dois últimos álbuns partilha o mesmo estilo artístico. Um estilo que revela muito daquilo que vocês são musicalmente. Quem é o artista gráfico e porquê este particular estilo gráfico? O artista é o Peter Bergting, um artista gráfico que foi bem-sucedido nos últimos dois anos, quer aqui na Suécia, quer fora dela. Usamos as nossas capas para sumarizar o que o álbum é musicalmente, pelo que a arte gráfica

“ Não penso que num futuro próximo faremos uma música bombástica de metal com vozes gritantes.” deve estar alinhada com o resto. Assim, temos acordado sempre com o nome do álbum para depois irmos ter com o artista gráfico para pedir a capa. E para ser honesto, gosto do facto da capa dos nossos álbuns não parecer como a normalidade das bandas de metal, encaixando-se perfeitamente no nosso estilo musical. Diablo Swing Orchestra fez 7 datas na América do Sul e concluiu esta mini-tournée no México. Qual o nível de recepção que tiveram nesses países para iniciarem uma tournée lá? Na América latina, e em especial no México, fomos extremamente bem acolhidos e vimos que a base de fãs tem vindo a aumentar substancialmente de ano para ano. Esta tournée foi bem sucedida, fomos bem recebidos e esgota-

mos ou tivemos perto disso em quase todos os recintos. E foram o cabeça de cartaz ou banda de suporte? Como é que correu a tournée? Sim, fomos cabeça de cartaz. Já tínhamos tocado no México mas a América do Sul foi uma estreia para nós. Tudo correu de forma normal, à excepção de nos terem negado a entrada na Venezuela devia a problemas na imigração. Mas olhando para a tournée como um todo, posso afirmar que foi um grande sucesso. E são os fãs da América do Sul tão fanáticos convosco como o são com as outras bandas? Sim, os espectadores são muito entusiásticos, fazendo com que os espectáculos estejam repletos

de energia. E quanto á Europa? Haverá alguma tournée Europeia de suporte a «Pandora’s Piñata»? Estamos a trabalhar nisso mas até agora a única data efectiva foi Wacken Open Air no dia 4 de Agosto. Entrevista: Carlos Filipe


“RIP” No passado 16 de Julho descansou em paz um dos maiores músicos da história do rock. Jon Lord tinha 71 anos e foi um dos pioneiros na fusão do rock com a música barroca (1600-1750). A sua influência, legado e talento são por demais evidentes. Foi fundador dos Deep Purple, juntamente com Ian Paice.


Quando nos propomos fazer um artigo como este, quer seja sobre um álbum ou um artista, tem que haver sempre algo de pessoal que nos impele a escrever. No entanto, nem sempre pelas melhores razões. Foi assim, por exemplo, pelos 25 anos do «Master of Puppets» ou pelos 10 anos da morte de Chuck Schuldiner. Infelizmente nesta edição dedicamos umas páginas a prestar uma singelo tributo ao mago das teclas que foi Jon Lord. O primeiro contacto que tive com Jon Lord e por conseguinte, com os Deep Purple foi com o álbum «The Book of Taliesyn» (1968), o segundo da banda. Na altura tinha ouvido falar dos Purple e o foi este o primeiro que encontrei. O que me chamou mais a atenção foi, precisamente, o som do Hammond – (Hammond é um tipo de órgão com um som típico e único, muito usado pelas bandas ditas progressivas e de rock-blues. A técnica para tocar o Hammond é especifica, basicamente, não pode ser tocado como um piano normal). Jon Lord era um Mestre. Deverá ter sido a primeira vez que consegui ouvir um álbum inteiro cuja estrutura musical se baseava em grande parte, neste tipo de sonoridade. Foi a partir deste momento que comecei a apreciar os Deep Purple e por conseguinte, o trabalho de Jon Lord. Se com Chuck Schuldiner, fui da opinião que este funcionava como O termo de comparação para o Death Metal, seria de uma tremenda injustiça não considerar, também, J. Lord. Conjugando o som do Hammond com os amplificadores Marshall, Lord criou um som pesado e muito distinto, soando tão proeminente como a guitarra. Com isto conseguiu criar uma “competição” com Blackmore como solista. No entanto, a sua vida musical não se resumiu só aos Purple. Durante seis anos, entre 1978-1984, Lord foi parte integrante dos Whitesnake embora a sua influência não se fazia notar tanto como nos Deep Purple. De facto, o seu trabalho estava limitado ao simples “preenchimento” para completar o som blues-rock que já estava mais que solidificado pelas guitarras. Incompatibilidades várias entre ele e Coverdale permitiram a sua saída e abriram portas à reunião dos Purple em 1984. A partir daqui a história já é mais que conhecida, passando por álbuns como «Perfect Strangers», «The House of Blue Light» ou o último com Richie Blackmore na guitarra, «The Battle Rages On...». De referência é também a discografia a solo e com orquestra com os Deep Purple. São cerca de 22 álbuns dos quais destaco o «Concerto for Group and Orchestra» composto por Jon Lord e com letras de Ian Gillan. Este foi o primeiro concerto realizado pelos Deep Purple e a Royal Philharmonic Orchestra conduzida por Malcolm Arnold em 24 de setembro de 1969 e lançado em vinil, em dezembro de 1969. Ian Gillan na voz e Roger Glover no baixo fizeram aqui a sua estreia. Como curiosidade, as partituras deste concerto foram perdidas em 1970 mas em 1999 foi realizado o mesmo concerto mas com novas partituras compostas por Lord. O


desempenho de 1969 foi a primeira combinação de sempre entre a música rock e uma orquestra completa, e abriu caminho para outras performances do género, como por exemplo «S&M» dos Metallica, e «The Wall» de Roger Waters. Pessoalmente, prefiro qualquer álbum dos Deep Purple até ao fim da década de 80. Estando Jon Lord umbicalmente ligado aos Deep Purple, não será muito rebuscado dizer que tanto a banda como o homem são uma das fundações Rock e de tudo o que aí advém. Em 2011, foi-lhe diagnosticado cancro do pâncreas. Jon Lord viria a falecer no ano seguinte, no dia 16 de Julho. Eduardo Ramalhadeiro


anuncia aqui


Eremita solitário «Eremita» é o nome do mais recente trabalho do simpático Ihsahn, ex-vocalista dos Emperor, um dos músicos mais respeitados e aplaudidos no panorama do metal e que, no ano de 2011, apareceu pelos palcos portugueses a espalhar toda a sua classe. A VERSUS Magazine esteve à conversa com ele, durante a qual foram abordados assuntos sobre o novo álbum, como o nome, a ideia criadora, como foi gravado entre outros assuntos relacionados com o passado e o futuro.

Olá, Ihsahn! Dois anos depois do «After», apresentas o teu novo trabalho chamado «Eremita». Podes dizer-nos como foi escolhido o nome para este novo álbum? Ihsahn: Bem! Inicialmente, tentei encontrar um nome diferente, até que a minha esposa sugeriu “Eremita” e este conceito reflete o que é o álbum a vários níveis. Por exemplo, eu próprio sou uma espécie de eremita, porque gravei o álbum mais ou menos sozinho na minha “caverna de eremita” (o estúdio). Eu sempre me comparei a algumas figuras mitológicas, que se puseram à parte da coletividade. Estou a pensar, por exemplo, em Prometeu, Lucifer. Sempre me

vi como um forasteiro, um exilado. Afinal, o metal tem algo a ver com essa ideia. Num outro nível, o protagonista do cenário que eu construí para este álbum é alguém que escapou de algo. Nietzsche foi também uma espécie de eremita no seu tempo. Aliás, ele é o meu eremita favorito, um filósofo cujos trabalhos aprecio muito.

álbum são bastante diferentes entre si, criando uma harmonia em diferentes direções, mas que encaixam bem umas nas outras. No geral, o álbum é bastante obscuro e tem talvez das minhas músicas mais tenebrosas de sempre. Mas é minha intenção criar um pouco de ansiedade, de paranóia, ao longo do álbum.

Como descreves musicalmente este álbum? Fala-nos um pouco acerca deste trabalho. Pessoalmente, sinto que consegui uma atmosfera coerente através de todo o álbum. Era o som e o sentimento que eu pretendia e eu sinto essa coerência. Mas, ao mesmo tempo, acho que as músicas deste

Inicialmente, «Eremita» parece vir ao encontro de «After». Mas, ouvindo-o mais atentamente, verifica-se que é bastante mais intimista. Este efeito foi planeado, ou algo que surgiu ao longo das gravações das diferentes músicas? É o reflexo de diferentes in-


spirações. Tem também a ver com a forma como eu trabalhei no momento da composição. Antes de começar a escrever qualquer música, tentei recolher diversos elementos inspiradores. Eram uma espécie de imagens na minha cabeça, que deram origem a uma atmosfera que se converteu num conjunto de impressões sonoras. Por exemplo, as imagens sonoras relativas aos trombones criaram uma atmosfera orgânica, contrastando com instrumentos como a bateria e as guitarras. Assim construí um conjunto de imagens sonoras, de ideias líricas, que funcionaram como uma espécie de estrutura para todo o álbum. Depois, trabalhei-as com Heidi (Solberg), a minha mulher, para as tornar mais concretas, tendo em conta o conceito e o cenário que tinha previsto para o álbum. O álbum anterior, «After», não é tão intimista, é diferente, tem algo a ver com uma atmosfera pós apocalítica. Quando estava a compô-lo, o que eu tinha em mente (e no meu computador) era um cenário desolado, desabitado, sem sinais de vida (como a superfície do planeta Marte ou a região da Sibéria). Daí o uso do saxofone, que me faz sempre lembrar estas paisagens desoladas, lúgubres. Era minha intenção que este último álbum fosse mais intimista, como tu dizes. Talvez tenha conseguido concretizar o meu propósito. Tentei tirar da bateria um som mais orgânico, pôr as guitarras a soar mais alto e tudo isto se converteu numa espécie de cenário para o álbum. À excepção da bateria, todos os instrumentos, incluindo a voz, foram gravados por ti. Quem fez a gravação da bateria? Como descreves musicalmente o teu novo disco? Fala-nos um pouco acerca deste trabalho. A bateria ficou a cargo do Tobias Ørnes Andersen, dos Leprous,

guitarra. Com a sua imaginação, ele trouxe ao álbum uma enorme dinâmica e ritmos intensos. E eu construí o resto dos arranjos. Ao ouvir o álbum, podemos verificar que os arranjos de saxofone não só estão presentes, como ainda são mais intensos do que no álbum anterior. Pensas que o saxofone é uma das imagens de marca de Ihsahn? Não sendo um instrumento muito usual no metal, como surgiu a ideia de o incluir no teu projeto? Para mim, o saxofone é também um solitário. O som é muito bonito, mas nunca tinha encontrado espaço para ele na minha música, antes do «After». Foi agradável verificar que, desde que convidei o Jørgen Munkeby, a minha adoração pelo instrumento aumentou. É um músico fantástico e ambos interpretamos música e ele realmente percebeu o tipo de atmosfera que eu pretendia criar. Daí talvez a concepção do saxofone para o novo álbum tenha ficado diferente. É claro que, com a gravação do «After», tornamo-nos bons amigos e é um prazer ter o Jørgen Munkeby a gravar comigo.

já que ele faz parte da banda que toca comigo ao vivo. Nos três álbuns anteriores, essa responsabilidade coube ao Asgeir Mickelson. Mas, para este álbum, eu pretendia algo mais orgânico. É o Tobias que toca comigo ao vivo e, claro, foi o primeiro que eu convidei para este projeto. Além disso, ele é um baterista fantástico. Gravou todo o álbum apenas com o som de piano, logo teve que imaginar o som da

Entre 2011 e 2012, participaste como convidado na gravação dos novos álbuns de Devin Townsend e Jeff Loomis e agora eles aparecem no teu novo trabalho. Esta espécie de parceria é para continuar ou apenas para enriquecer o teu trabalho? Qual é a tua opinião sobre este tipo de participações? Acabam por ser favores de amigos. Trata-se de “apimentar” um pouco mais a música de cada um de nós. Eu tive o prazer de conhecer o Devin (Townsend) na Finlândia, durante o Tuska Festival, e mantivemos contacto via email. Quando fez o «Deconstruction» (2011), tinha uma música que combinava com o meu tipo de voz e ele convidou-me para a


“(…) eu próprio sou uma espécie de eremita, porque gravei o álbum mais ou menos sozinho na minha ‘caverna de eremita’ […]”


“No geral, o álbum é bastante obscuro e tem talvez das minhas músicas mais tenebrosas de sempre” gravar e isso deu-me muito prazer. E, quando me encontrei na mesma situação, ou seja, pareceu-me que a minha voz limpa não encaixava numa música específica, perguntei-lhe “Por que que não gravas esta música?” e ele retribuiu o favor. Aconteceu a mesma coisa com o Jeff Loomis. Ele pediu-me para cantar uma das suas canções (“Surrender” do álbum «Plains of Oblivion», de 2012). Poder contar com a colaboração de outros intérpretes dá mais sabor à tua música, altera a experiência de a ouvir, porque não fico limitado à minha voz. Agora surge uma questão mais pessoal. Durante os teus concertos, tocas sempre alguns covers dos Emperor. Achas que é possível os Emperor voltarem a tocar ao vivo juntos brevemente? Dá-te mais gozo tocares como Emperor ou como Ihsahn apenas? Gosto mais de interpretar as minhas próprias músicas. Se bem que as músicas dos Emperor sejam também as minhas próprias músicas (risos)! Eu não sou muito nostálgico e tento manter alguma distância em relação aos Emperor, porque o fenómeno da banda ficou, independentemente de tocares as suas músicas ou não. Eu não quero que, quando olharem para mim, vejam apenas um exEmperor. Quero deixar algo como eu próprio e agora já tenho alguns álbuns a solo e não tenho tempo para tocar essa parte da minha história. De uma maneira geral, eu prefiro tocar o meu novo material, porque, na altura dos Emperor, eu era um “teenager” e agora não estou mais nessa fase. E para quando um novo álbum

dos Peccatum? Nós [o músico e a sua esposa, Heidi Solberg, o outro membro de Peccatum] temos discutido essa questão. Mas deixou de fazer sentido, porque os Peccatum eram um projeto criativo, musicalmente experimental. Em certa medida, eu senti que o projeto tinha deixado de crescer. Agora temos as Mnemosyne Productions, que nos permitem, sermos ainda mais versáteis. Eu agora posso fazer as minhas coisas a solo, posso trabalhar com outros (por exemplo, os Star of Ashe). Temos feito música juntos (como, por exemplo, a colaboração com os Hardingrock). Ela tem feito bandas sonoras para filmes, produzimos outras bandas. Assim, continuamos a trabalhar juntos na nossa música todos os dias. Mas, provavelmente, nunca mais voltaremos a fazer nada como Peccatum. No entanto, poderemos voltar a escrever músicas juntos no futuro.

ro, espero regressar a Portugal, porque gostei muito da última vez.

Como está a tua agenda de concertos para a apresentação de «Eremita»? Portugal está incluído nos teus planos? Para já, apenas tenho concertos agendados para o Hellfest, na França, e o Graspop, na Bélgica. Sei que estão a trabalhar para criar mais datas, mas não sei nada de concreto acerca disso, porque esse assunto está nas mãos do meu “tour manager”. Ele vai fazendo sugestões, à medida que as oportunidades aparecem. Eu também não toco ao vivo frequentemente, porque me custa fazê-lo muitas vezes num curto espaço de tempo, prefiro tournées pequenas. Também depende muito dos Leprous, que são a minha banda ao vivo, e eles têm tournées longas. E, cla-

Uma última pergunta: gostaria de saber a tua opinião sobre a ideia da Candelight lançar um tributo aos Emperor. Ao longo dos anos, tivemos muitas ofertas para conhecer pessoas que queriam fazer uma espécie de tributo com “covers” dos Emperor. Pessoalmente, nunca estive muito envolvido nisso. Mas, neste caso, a dedicação com que as bandas envolvidas empreenderam este trabalho deu um sentido novo a esse projeto. É sempre um prazer ver que inspiramos os outros, que as pessoas apreciam a tua música.

No ano de 2011, estiveste presente no Vagos Open Air juntamente com os Morbid Angel e Devin Townsend. O que pensas sobre a tua receção em Portugal? E do público português? Acho que foi muito bom. Pude tocar o meu alinhamento e ainda subi ao palco para cantar uma música com Devin Townsend: “Juular”, do «Deconstruction». Foi realmente uma óptima experiência para nós. Gostarias de deixar uma palavra aos teus fãs em Portugal? Queria agradecer o vosso apoio. Para mim é um prazer continuar com o projeto, porque as pessoas continuam a gostar da música e a comprar os álbuns. E posso prometer que, nos meus álbuns futuros, vou continuar a fazer absolutamente o meu melhor.

Entrevista: CSA, Sérgio Pires, Victor Hugo


Uma dupla infernal Nos SardoniS, tudo é a duplicar. São um duo. Fazem música pesada e exclusivamente instrumental, para já. Acabam de lançar o seu segundo longa duração. Eis um excelente pretexto para contactar a banda para uma entrevista. Roel e Jelle responderam ao apelo da Versus e daqui resultou a interessante conversa abaixo apresentada, que alerta o público português, para a presença, na cena metal belga, de uma banda que merece certamente a nossa atenção.


O vosso som é realmente fascinante, como é referido no texto promocional da editora. Estivemos a ouvir o álbum no último jantar convívio da Versus e toda a gente apreciou muito. Por que só fazem música instrumental? Digam-nos algo sobre a forma como esta ideia surgiu. Roel e Jelle: Foi e sempre será nosso objetivo principal tocar a música de que gostamos, bem pesada. Começámos a tocar e a criar “muralhas de som” no verão de 2006 e sentimos que a banda só precisava de nós os dois. Portanto, pouco tempo depois, decidimos ir para a estrada como uma banda de dois membros. “Menos acaba por ser mais!” Tentamos ser o mais pesados que podemos e, para isso, não precisamos de mais uma guitarra ou de um vocalista. É difícil encontrar um bom vocalista, muitos

2008, quando gravámos o nosso primeiro EP, sentimos que tínhamos ali qualquer coisa de original. Agora que lançámos o nosso segundo álbum, penso que encontramos o molde adequado e que, realmente, temos um estilo próprio. SardoniS é uma banda que as pessoas reconhecem muito rapidamente, mesmo que não saibam logo de que canção se trata. Vão fazer este tipo de música para sempre? Provavelmente, não. Gostamos de enfrentar novos desafios e, se ouvires o 10’’ que vai ser lançado em outubro deste ano, encontrarás uma abordagem muito diferente. É possível que continuemos a ter um estilo pesado, mas, de momento, ainda não sabemos que instrumentos iremos usar e como vamos construir essa música. Dois

para as faixas e a capa do álbum com os dois dragões? Não há nenhum conceito em especial subjacente a este álbum. Queríamos apenas que ele fosse simples, mas, ao mesmo tempo, pesado, negro, obscuro e intemporal. Fazem a vossa música juntos? E, quando tocam, são sempre só vocês, ou já vos aconteceu terem músicos de sessão? Sim, compomos sempre a dois, na sala de ensaios. Trabalhamos sempre juntos, quer na composição, quer na escolha dos títulos para as canções. Um de nós começa com um riff ou um ritmo de bateria e, a partir daí, começamos a construir a canção. Também tocamos como um duo. Nunca tivemos músicos de sessão, muito simplesmente porque não precisamos deles. Soa-

“SardoniS é uma banda que as pessoas reconhecem muito rapidamente, mesmo que não saibam logo de que canção se trata.” nem se distinguem uns dos outros e, muitas vezes, as pessoas não gostam das bandas por causa do cantor. Nós não temos esse problema. O vosso estilo de doom/death, grave e arrastado, lembra-me os Sacrilege, uma banda inglesa dos anos 80. Conhecem essa banda? Podemos considerá-la como uma das influências de SardoniS? Eles têm aquele som pesado e ressoante, e um estilo de tocar à Discharge que também pode ser encontrado na nossa música, mas não me lembro de alguma vez termos pensado neles quando estávamos a tocar a nossa música ou a falar sobre ela. Fazer música só instrumental foi uma decisão tomada desde o início ou aconteceu por acaso e decidiram continuar assim? Fabricámos o nosso estilo durante os primeiros anos da nossa existência como banda, mas só em

violinos também podem produzir um som profundo e pesado, logo veremos…

mos alto e pesado no palco, portanto por que havemos de trazer mais pessoas para o espetáculo?

Vocês são sardónicos? É por isso que a banda se chama SardoniS? Não. Nos anos 80, havia uma série para crianças, na televisão nacional flamenga, que era muito popular. Era semanal e intitulava-se “Merlina”. As histórias baseavamse num cliché: os bons perseguiam os maus. Neste caso, tratava-se de um grupo de detetives que queriam apanhar um bando que raptava crianças, aterrorizava idosos… Os vilões eram chefiados por um mauzão chamado Sardonis. Quando éramos crianças e fazíamos disparates, a nossa mãe dizia-nos para nos portarmos bem, senão o Sardonis vinha buscar-nos. Foi o demónio da nossa infância.

Já alguém vos convidou para virem atuar em Portugal? Temos alguns fãs portugueses muito leais. Uma vez, enviei um mail ao nosso amigo Pedro, a pensar na hipótese de irmos um dia a Portugal. Mas não resultou. Se alguém por aí estiver interessado na nossa música, é só entrar em contacto connosco! Adoraríamos ir fazer barulho em Portugal.

Que relação existe entre a vossa música neste segundo longa duração, os títulos que escolheram

Certamente, têm vários concertos previstos para os próximos meses. Onde podemos ouvir-vos tocar? Voltámos agora de uma digressão no Reino Unido, com Saint Vitus e Acid King, portanto vamos aproveitar as próximas semanas para relaxar um pouco. Em agosto, vamos estar no festival Yellowstock e temos mais alguns concertos


“Nós não fazemos verdadeiramente parte da cena metal, mantemo-nos um tanto à margem desta. Somos assaz marginais e sentimo-nos bem assim.”


previstos. Em outubro, vamos viajar até ao Japão, para uma digressão de dez dias com Eternal Elysium, com quem faremos um split de 10’’. Estamos ansiosos por lá ir e descarregarmos a nossa ira naquela ilha. Como é a cena metal belga? Há algumas bandas bem conhecidas – tais como Aborted e Enthroned – e eu conheço mais algumas bandas (por exemplo, Channel Zero, Crimson Falls e The Reckoning), porque costumava ir a uma loja de CDs em segunda mão que recebia muito material da Bélgica. Mas o vosso país não é certamente o primeiro que nos vem à cabeça, quando pensamos em metal. Temos montes de bandas de valor médio, mas só as maiores conseguem fazer digressões internacionais: Aborted, Enthroned or Leng Tch’e. Portanto, muitas pessoas as conhecem e são provavelmente as mais interessantes. Nós não fazemos verdadeiramente parte da cena metal, mantemo-nos um tanto à margem desta. Somos assaz marginais e sentimo-nos bem assim. Obrigados pela entrevista. www.sardonis666.be Entrevista: CSA e Ernesto Martins


Perspectivas e confrontos


Com uma carreira de mais de dez anos, Devilish Impressions tem mostrado que não é uma banda ansiosa por cultivar os louros do passado mas que está sempre sedenta de emancipar o seu som. Pode ser que as bandas que a influenciaram tenham demonstrado uma certa sagacidade em ultrapassar determinadas fronteiras mas, se antes este agrupamento era uma promessa, com o seu terceiro álbum, «Simulacra», mostra ser uma certeza. Antes de tudo, gostava de agradecê-los por um álbum tão maravilhoso. A banda foi formada em 2000 e tem agora três álbuns que brilham através de uma descrição incomum: avant-garde blackened death-metal. O vosso nome, “Devilish Impressions” pode muito bem representar esse género em particular mas digam-nos acerca da sua origem e as influências que vos fizeram escolher essa sonoridade em particular. Quazarre: Olá, Jorge! Estou muito feliz que tenhas gostado assim tanto, meu amigo… Referindome ao nome da banda, eu queria que representasse mais ou menos aquilo a que se refere ideologicamente, o que explica o uso da palavra “devilish”. De outra forma, a palavra “impressions” surgiu para sugerir que existe muito mais do que apenas black ou death-metal, indicando, de forma consciente, que a banda irá evoluir com cada lançamento. No inicio da nossa jornada, éramos fortemente inspirados pela segunda onda do Black Metal norueguês, com bandas como Emperor, Limbonic Art, Mayhem e assim por diante, mas, ao mesmo tempo, sou um grande fã de heavy e thrash-metal. Era muito óbvio que não queria que a nossa música fosse limitada a elementos associados aos subgéneros acima mencionados.

Compuseste a maior parte das músicas neste novo álbum após alguns problemas de alinhamento. A escolha desses músicos em particular de modo a colaborarem nos arranjos foi devido a quê? Foi fácil dares a conheceres a visão do que querias que este álbum soasse? Bem, é na verdade uma longa história, por isso tentarei dá-la a conhecer da forma mais sucinta possível. Após a digressão referente ao álbum anterior («Diabolicanos – Act III: Armageddon»), depressa se descobriu que não era possível manter a banda com certas pessoas nela. Primeiro, separamo-nos do baixista e mais tarde do teclista. Assim, actualmente, do antigo alinhamento, existe apenas eu e o baterista, Icanraz. Tivemos de discernir milhões de problemas pessoais antes de estarmos preparados para dar um passo adiante, é por isso que demoramos assim tanto tempo a ter tudo preparado da maneira como queríamos ter. Depois, descobrimos Vraath, que tomou o lugar do baixista e, como trio, fomos a estúdios diferentes de modo a gravar o que é agora conhecido como o álbum «Simulacra». Falando dos arranjos – sou eu quem compõe toda a música mas mais tarde trabalhamos em certas partes juntos. Felizmente, existe uma certa vibração única entre mim e o resto do pessoal e

tal faz com que futuros trabalhos sejam prazenteiros e fáceis. Sabendo o quão soberbo é «Simulacra», quanto tempo demorou a composição e a gravação? Quais são as diferenças em relação ao último lançamento? Sempre dispostos em melhorar, descobrir novos campos de modo a experimentarem? Tentando… Sabes, quando formamos a banda em 2000, disse a mim próprio que nunca nos limitaríamos de qualquer maneira… É por isso que as pessoas nunca podem esperar uma cópia dos nossos trabalhos anteriores. Não interessa, por exemplo, quão bom se diz que o álbum «Simulacra» é, podes ter a certeza de que não faremos a mesma merda da próxima vez. Devilish Impressions é tudo acerca de descobrir e eventualmente tocar o que gostamos realmente de tocar, não nos importando a popularidade de certos subgéneros nesse momento em particular. Em relação à primeira parte da tua questão, comecei a compor as músicas para «Simulacra» em meados de 2009. Uma vez acabada a pré-produção, enviei-as a Icanraz e Vraath que trabalharam nas suas partes. Após isso, encontramo-nos durante os ensaios, fizemos uns arranjos finais e entramos em estúdio para a primeira fase da sessão de gravação do álbum. Assim que


tivemos todas as faixas de guitarras e bateria feitas, enviamo-las a Flumen e Lestath, que compuseram todas as orquestrações, efeitos, loops e outros. Enquanto isso, estive a escrever as letras e trabalhando em certas partes dos vocais. Foi um longo caminho até termos acabado, no entanto, acredito que valeu a pena todo o esforço que pusemos nisso. Devilish Impressions é uma banda que mostra muito dos teus próprios interesses em relação à filosofia, misticismo e simbolismo ou, desde o início, tende a ser uma banda com um processo mais democrático? Fala-nos acerca do que representa num sentido amplo… Sim, estás definitivamente certo, Jorge. Há muito simbolismo e filosofia nas letras, para ser mais preciso, sempre foi assim… No entanto, nós não damos alguma direcção, é sempre acerca de mostrar as possibilidades… As minhas letras referem-se mais ao livre arbítrio, não importando ao que me refiro exactamente em certos temas… E eu penso que é por essa razão que não podemos ser considerados uma típica banda de black-metal porque, não importa quanto negue a existência de deus, também nego a existência do diabo… Seria ridículo submetermonos a alguém só porque o outro lado parece mais fixe ou sei lá o quê… Satã é apenas um símbolo para mim. O símbolo da rebelião

contra todas as religiões, contra as pessoas supersticiosas ou falsas que vivem pelo mundo afora ou, especificamente, contra aqueles que clamam serem os seus governantes… Sou um ávido leitor de livros e fiquei muito satisfeito ao ler as letras para este terceiro álbum. Contêm excertos de poemas escritos por poetas mundialmente conhecidos como Baudelaire, Edgar Allan Poe, William Blake, Dante Aligheri, Lord Byron, Oscar Wilde e Henry Longfellow. Como o título do álbum é «Simulacra» diz-nos mais acerca do seu conceito. Pelo que ouvi e as letras que li (a primeira música sendo “Icaros” e a última “Solitude” – aparte das faixas bónus), é um conceito sombrio… «Simulacra» significa semelhança, similaridade… É como tirar uma foto a outra foto e assim dar à luz uma outra existência. O que se diz que é benigno não tem de ser benigno tal como o que o que se diz que é maligno não tem de ser maligno… Vês o meu ponto de vista? (nota do entrevistador: Esperava uma resposta mais extensa mas Quazarre não se propôs a divagar) A capa mostra um demónio e um anjo opondo forças num tabuleiro de xadrez. Para mim, parece que a ideia é que o nosso caminho não é para ser decidido por nós mas por seres poderosos que se entretêm com esses jogos

(fazendo-me lembrar uma estranha novela que escrevi poucos anos atrás hehe). Bem, estou errado? Dispersa palavras como desejares… Uma outra vez, representa a dualidade das coisas e a possibilidade de as interpretar de uma outra perspectiva. Estou certo que também notaste que só há dois reis no tabuleiro de xadrez, um fenómeno que não pode acontecer neste jogo… Há sempre algo a meio, algo a vaguear entre estes dois mundos… A capa foi feita por Xaay, que já fez algum trabalho gráfico para Nile, Kamelot, Vader e Behemoth (para mencionar apenas alguns). Acredito que ele apanhou perfeitamente a ideia geral por detrás das letras. Parece que ser uma banda de Metal no teu país já não é assim tão difícil quanto era vinte anos atrás, mas será as diferenças religiosas ainda diminuem a liberdade de expressão? Para melhorar o nosso carácter, devemos libertar-nos de falsas concepções mas ainda existem aqueles que acreditam em dogmas. Acreditas que a liberdade de espírito não é assim tão fácil de alcançar tal como o é uma certa segurança financeira (esta sendo tão difícil…)? Oh, sim, era, definitivamente, muito mais difícil de tocar numa banda de metal na Polónia, uns vinte ou mesmo dez anos atrás. Devido à infame Cortina de Ferro,


não podíamos viajar, não podíamos ter o equipamento mais certo e assim por diante. Felizmente, tudo mudou para melhor, ao menos nos factores mencionados acima. Por outro lado, havia muito mais coisas contra as quais lutar nessa altura… A igreja católica na Polónia já não é assim tão forte, a mentalidade da nação mudou. No entanto, isso não quer dizer que parou de nos aborrecer. Enquanto qualquer forma de escravidão em massa existir, estaremos a lembrar as pessoas de que existem outras maneiras de atingir a auto-satisfação. E, para ser claro, não estou a falar de masturbação. Hehehe Eu sei que, para os mais jovens, algumas bandas e géneros parecem algo novo mas, para outros como eu (nos seus 30 e muitos), é um tanto aborrecido que apareçam certas “modas”. No entanto, pensas que a audiência Metal de agora espera mais das bandas em termos de inspiração ou que gosta mais do que foi feito anos atrás e não está satisfeita com aquelas incomuns? Bem, a verdade é que a música Metal está em constante evolução, o que considero muito bom, no entanto, por vezes evolve não necessariamente nas direcções mais certas. Mas quem sou eu para julgar se é bom ou mau? É apenas a maneira que é, sabes? Algumas pessoas gostam que seja brutal, outras melódica. Como artista, não se é capaz de agradar a todos.

A mesma coisa para as bandas que fazem uma grande carreira praticando o estilo que está correntemente no topo. Para mim, o mais importante é ser-se honestos connosco próprios, não interessando o que se está a falar agora. Sabendo que tiveste alguns convidados na feitura deste vosso terceiro lançamento, têm alguns concertos agendados? Há algumas mudanças no alinhamento da banda ou apenas músicos convidados para esses concertos? Na mesma, descreve o que é um concerto de Devilish Impressions. Hehehe Tens de nos ver ao vivo, quando estivermos perto. Tenho de dizer que temos muito cuidado quando trabalhamos nos detalhes da música e dos aspectos visuais de cada concerto que damos. A partir de agora, estamos a actuar como quarteto, com todas as orquestrações, efeitos e a maior parte dos vocais limpos sendo tocados a partir do sampler. Recentemente, voltamos do primeiro concerto de promoção ao álbum prestes-a-ser-editado «Simulacra». Ofereceram-nos um bom lugar no palco principal do festival Hard Rock Laager na Estónia, mesmo antes de Melechesh e Samael. Durante este Verão iremos tocar em outros festivais, nomeadamente: Castle Party na Polónia e Carpathian Alliance Metal Festival na Ucrânia. Enquanto isso, está-se a progredir nas conversações acerca de uma eventual apresentação

em digressões regulares durante o Outono/Inverno deste ano e assim parece que vai haver muitas oportunidades para sermos vistos ao vivo aqui e ali em pouco tempo. Como este álbum foi composto alguns anos atrás, estão a trabalhar em algumas outras faixas? Se sim, quais são as diferenças em relação a «Simulacra»? Por agora, estamos totalmente focados na promoção do álbum «Simulacra». Como mencionei antes, algumas digressões regulares estão agora a tomar forma, assim mal podemos esperar para ir para a estrada em pouco tempo pois queremos que este álbum seja ouvido por tantas pessoas quanto possível. Bem, agradeço-te pelo teu tempo e respostas. Atira-nos algumas diabólicas palavras finais. Keep the spirit inflamed!! Agradeço-te imenso, Jorge! Não sei se podem ser chamadas de diabólicas, mas quero que tu e os leitores da VERSUS Mag saibam que “não há deus a não ser tu”!!! Que estejam à vontade para nos pesquisar e adquirir um exemplar do álbum «Simulacra». Entrevista: Jorge Ribeiro de Castro


Metal e politica: uma ligacao possivel?


São uma banda conhecida na cena grega e fazem um black metal bastante clássico. Recentemente, deram que falar, devido à eleição de Kaiadas para o parlamento grego, pelo Golden Dawn. De uma forma animada, este frontman dos Naer Mataron falou à VERSUS Magazine do último álbum e dos seus planos para conciliar a carreira política com a sua necessidade de fazer música. Consideras-te religioso? Segues algum culto? Kaiadas: Sou um homem profundamente religioso e tenho uma confiança absoluta na providência. Por que fazem um tal elogio da morte? Acreditam que esta pode ser uma solução para todos os problemas? Ou dão-lhe outro sentido? Neste álbum, o nosso tema central é a morte triunfante, não a morte pessimista, deprimente. O caminho da vida conduz à morte. Desta forma, Naer Mataron vê-a como um corolário natural da vida. Desprezamos o incauto que esquece que o seu único e verdadeiro destino é o metro cúbico de terra negra que o espera no fim da vida! Que significa o nome da banda? Li que, no início, se chamava Nar Mataron. Os nomes despertamme sempre uma grande curiosidade. Nas primeiras demos, o nome da banda era Nar Mataron. Mas, quando o nosso primeiro álbum – «Up From The Ashes» (1998) – estava quase a sair, o nosso vocalista da altura – Lord Alatoth – abandonou a banda. Portanto, acrescentámos um “e” a “Nar”, para não termos problemas de direitos de autor e outros desse género. No início dos anos 90, havia muitas bandas a usarem nomes provenientes da mitologia suméria

(por exemplo, Marduk, Tiamat, Absu, etc.). Nós, que admiramos essa civilização, construímos o nosso nome a partir da expressão “Nar Mataru”, que corresponde ao Hades helénico [o deus tutelar do inferno]. Fazem um black metal clássico. A vossa música foi sempre assim? Foi essa a vossa opção estética desde o início? É o tipo de música em que nos sentimos mais à vontade e o género em que somos melhores. Para nós, é uma ideologia, que exprimimos através da música. Como se situam na cena grega? Não podemos esquecer que o vosso país produziu algumas bandas mundialmente famosas como Rotting Christ ou Septicflesh. É claro que conhecemos essas bandas e até somos bons amigos dos seus membros há muitos anos. Seth, dos Septic Flesh, criou para nós duas belas capas, para os álbuns «Skotos Aenaon» e «River at Dash Scalding». Também somos muito amigos do Sakis, dos Rotting Christ. Até criámos a “Satanist Football Team”. Haha! Penso que os Naer Mataron ocupam a terceira posição, logo a seguir a essas duas grandes bandas. Adorei a capa do álbum. Faz pensar numa imagem de banda de-

senhada. Como a relacionas com o conceito subjacente ao álbum? Vimos essa imagem numa parede de uma igreja católica na Bélgica. Gostámos tanto dela que lhe tirámos uma fotografia e a enviámos ao nosso gráfico. Acho que combina na perfeição com o título do álbum e o seu conceito. Li as tuas declarações sobre a tua eleição para o parlamento grego, que figuravam no press release deste álbum. Portanto, não te vou perguntar se os Naer Mataron têm alguma orientação política. Mas gostava de saber se é do conhecimento geral que és um músico de black metal e se essa parte da tua identidade afeta a forma como as pessoas encaram a tua carreira política. Afinal, não vai há muito tempo que um alemão teve de deixar de dar aulas, porque, além de professor, também era vocalista de uma banda de death metal. Tenho a certeza de que os cidadãos portugueses ficariam de boca aberta, se viessem a descobrir que um deputado era músico de black metal. Toda a gente sabe o que eu faço, até porque eu não oculto nunca essa minha faceta. Houve 12500 pessoas, com idades compreendidas entre os 20 e os 40 anos, que votaram em mim. Elegeram-me, porque, além de ser um político, estou próximo deles, por fazer música que adoram. Qual é o


problema? Se proíbes alguém de ser deputado, porque é um músico de black metal, então também tens de condenar todas as pessoas que votaram nele, que o elegeram para as representar no parlamento. Para eles, sou um jovem que os compreende, que não é vítima do “generation gap”.

Como vais fazer para articular as duas carreiras? Parece-te que vais ter tempo para participar em digressões e concertos da banda? Não deve ser fácil para uma banda ter um vocalista de sessão, especialmente quando esse lugar é ocupado pelo seu frontman. Vai ser complicado, certamente, mas eu penso que vou conseguir

cumprir as duas missões, mediante alguns ajustes no calendário. Na Grécia, a cultura é bem apoiada pelo poder político? Como membro do parlamento grego,

“Elegeram-me, porque, além de ser um político, estou próximo deles, por fazer música que adoram.”


pensas ter alguma intervenção de fundo nesta área, especialmente no que se refere à música? Por muito estranho que te possa parecer, não estou ligado à cultura, mas sim à administração interna. Mas terei muito gosto em ajudar o colega responsável por esse pelouro.

Tens alguma mensagem a deixar aos fãs portugueses do vosso enérgico black metal? Quando vamos receber a visita dos Naer Mataron? Passámos uns bons momentos, da última vez que estivemos em Portugal, com Jarboe. Tendo em conta o meu novo papel no mundo da política, pretendo dividir a Europa

em três setores e fazer pequenas digressões semanais, para visitar todos os países. Entrevista: CSA


Testament «Dark Roots of Earth» (Nuclear Blast) Após quatro anos de interregno – no que respeita a originais –, os Testament estão de regresso às suas raízes, com um álbum avassalador que enaltece e faz jus ao Bay Area thrash metal que os caracterizou e felizmente continua a caracterizar hoje. «Dark Roots of Earth» manda definitivamente o seu anterior e menos inspirado trabalho para as calandras gregas. Tal como a maior parte das grandes bandas dos 70’s e 80’s que ainda hoje continuam em actividade, os Testament são definitivamente como o nosso vinho do Porto: quanto mais velhos melhor. «Dark Roots of Earth» é um daqueles álbuns que nada há a apontar. O espírito musical do início e atitude bem vincada dos Testament estão lá, em cada uma das nove músicas, puxando-nos constantemente para aquele Bay Area thrash dos 80’s, sem abandonar nunca a característica mais moderna do thrash moderno e actual. Com um Chuck Billy abismal na voz, quer normal, quer gutural, os solos acutilantes e estonteantes de Alex Skolnick e Eric Petersen, o poderoso baixo de Greg Christian e a sólida bateria de Gene Hoglan (Opeth, Fear Factory, Death), que aqui substitui o lesionado Paul Bostaph, «Dark Roots of Earth» é definitivamente um dos melhores álbuns da carreira dos Americanos, onde nada falta, nem sequer a temática subjacente ao problemas mundanos, revelando até algumas canções episódios pessoais - em especial de Chuck - como o é o caso de “Native blood”, ou, nem a “balada” à Testament faltou, aqui com “Throne of thorns”, sempre em crescente, tal como eles nos habituaram. Com a produção de Andy Sneap, «Dark Roots of Earth» é uma descarga aguerrida e firmada dos grandes Testament, sem qualquer momento mais fraco ou menos conseguido, evocando emocionalmente a sua sonoridade dos 80’s. O thrash destes senhores tem disto: quando funciona e é bem conseguido, é uma obra de arte magistral! [9.5/10] Carlos Filipe


A FOREST OF STARS «A Shadowplay For Yesterdays» (Lupus Lounge/Prophecy Productions) Os vitorianos, membros do Gentlemen’s Club, estão aí com o seu terceiro trabalho. A postura e feeling teatral estão presentes logo na abertura do álbum, já que é uma das características básicas da génese dos A Forest of Stars, tal como a essência Black Metal faz parte quase na totalidade das estruturas das músicas deste já misterioso «A Shadowplay For Yesterdays». Comparativamente com os lançamentos anteriores, este trabalho é mais acessível, ou melhor, menos complexo e com temas ligeiramente mais curtos (o mais longo, e talvez o tema no qual a banda se esmerou mais, “Prophet for a pound of flesh”, tem 10 minutos de duração). No entanto, as tonalidades cinza e aquele black and white vitoriano continuam presentes (ainda bem), e continua a haver aquela aura de mistério e de fascínio, e mesmo a sensação de viagem, proporcionado pela música – simplesmente pela música. E isso é simplesmente fenomenal! Quando isso acontece só pode significar que estamos perante algo verdadeiramente bom e no mínimo interessante. Nunca sabemos ao certo o desenrolar de uma música por ser muito imprevisível, pois ora somos agarrados por arranjos Black Metal, ora arrastados pela força do Doom, ora mesmerizados pelo hipnotismo dos momentos mais tradicionais proporcionados por um violino e uma flauta, ou mesmo por momentos aveludados e misteriosos que evocam paisagens sombrias e belas, tal é a sumptuosidade dos teclados. Já as vozes poderiam ser um pouco mais trabalhadas, mas mesmo assim, os gritos ora alucinados ora gélidos, encaixam muito bem – sem esquecer algumas passagens da voz feminina e os momentos teatrais simplesmente negros. Isto pode parecer uma salgalhada, mas se conhecem o trabalho desta banda, sabem muito bem que estes gentlemen são geniais em cozinhar estas receitas. Assim sendo, «A Shadowplay For Yesterdays» tem tudo para ser um grande álbum deste ano, já que no contexto atual do Metal não nascem assim tantos trabalhos como este. [9/10] Victor Hugo AFFECTOR «Harmagedon» (InsideOut Music) Por breves momentos pensei que estaria de volta a escrever sobre uma banda a tentar imitar colossos como: Dream Theater, Transatlantic ou Symphony X. Heresia! Bem... os Affector são uma super-banda composta por elementos ligados a outras super-bandas: vocalista Ted Leonard (Enchant, Spock’s Beard, Thought Chamber), Mike LePond (Symphony X) e os fundadores do projeto, Daniel Fries (guitarra) e Collin Leijenaar (Neal Morse/Dilemma). Para completar a formação convidaram alguns teclistas que dispensam qualquer tipo de apresentação: Neal Morse, Alex Argento, Derek Sherinian (Black Country Communion, Planet X, ex-Dream Theater) and Jordan Rudess (Dream Theater). Os integrantes não ficam por aqui, «Harmagedon» conta com a participação da Polish Orchestra Sinfonietta Consonus. Como é óbvio as influências estão lá, basta ouvir o solo de teclado em “Harmagedon” e percebe-se logo o génio que é Jordan Rudess. É um facto que o estilo não é nada original mas este facto é largamente compensado pela técnica e musicalidade. Solos, muitos solos de guitarra, uma perfeita mescla entre partes rápidas, pesadas e momentos mais calmos. Tudo o que um verdadeiro apreciador de rock/metal progressivo gosta está aqui representado no seu melhor esplendor. Para terminar, este álbum de estreia dos Affector gira em torno da visão bíblica do fim do mundo em 2012, com exceção de “Cry Song” em memória do pai de D. Fries mas que no entanto, se encaixa perfeitamente no conceito do álbum. Recomendadíssimo! [9/10] Eduardo Ramalhadeiro AHAB «The Giant» (Napalm Records) Quem conhece esta banda sabe que, desde o seu início em 2004, as suas líricas mostram uma soturna intimidade com o oceano, a tragédia inerente ao esforço humano, aquela que nos faz perder a esperança por estarmos longe de casa. Bem, este é o seu terceiro álbum, e a banda continua a singrar pelo Funeral Doom, mas apresenta várias outras influências (prog-rock doom, shoegaze, slow southern blues) que a faz enveredar além desse vasto oceano de escuridão apresentado pelo primeiro álbum: «The Call of the Wretched Sea». Uma vez mais, a temática tem a ver com o oceano, mas, deixando de parte o romance Moby Dick


e o naufrágio que inspirou Norman Melville a escrevê-lo (o que deu azo ao segundo álbum dos Ahab: «The Divinity of Oceans»), mal conseguimos respirar ao perdermo-nos na famosa obra de Edgar Allan Poe: “A narrativa de Arthur Gordon Pym”. Se a tragédia é um conceito que inspira e seduz, este álbum reflecte a tentação da descoberta e a invariável queda ao nos aproximarmos demasiado do que deveria continuar a ser segredo. Nele, poder-se-á ouvir melodias que ferem a alma e vocais que delapidam a mente (além da voz cavernosa, temos vocais limpos protagonizados pelo guitarista/vocalista Daniel Droste e por Herbrand Larsen dos Enslaved). Assim, somos sobejamente agraciados (ou, se preferirem, amaldiçoados) por belas composições musicais, terrivelmente seduzidos quanto baste pela convicção de que não há melhor momento para lembrar de que não viveremos para sempre. [9.5/10] Jorge Ribeiro de Castro ASIA «XXX» (Frontiers Records) Para os nossos leitores mais assíduos, talvez não conheçam os Asia – cujo tema mais famoso deverá ser “Heat of The Moment” mas a música não se faz só de metal mais extremo mas também de Rock clássico, por mais comercial que seja. «XXX» que antes de mais significa 30 em numeração romana, não é nada mais nada menos que a comemoração do trigésimo aniversário do lançamento do homónimo «Asia» (1982). No entanto, este é também o terceiro álbum com a formação original: Geoff Downes, Steve Howe, Carl Palmer and John Wetton. Este é um puríssimo álbum de Rock clássico ou AOR. Talvez um dos melhores dos Asia nos últimos anos. «XXX» não tem altos e baixos, nada que possamos dizer que o certo tema está a mais, muito coeso e interpretado de uma forma soberba. Como é óbvio os temas obedecem à mesma estrutura, com o tema mais comercial e acessível a ser o primeiro single: “Face On The Bridge”, as baladas também lá estão: “Faithful” e “Ghost Of A Chance” mas nada disto tira o devido mérito aos Asia. Todos os temas têm sempre aquele típico som de teclas que caracterizam a sonoridade da banda, no entanto, sem “enjoar” – no meio desta coesão “Bury Me In Willow” e a comercial “Face On The Bridge” são talvez as que mais se destacam. Excelente para ouvir em momentos mais calmos e descansados, metaforicamente falando: é como sentir uma ligeira brisa num dia de calor... sabe mesmo bem! Por último, uma palavra para Steve Howe: Aos 65 anos um guitarrista que de tão discreto e eficaz é absolutamente extraordinário. Para quem gosta de um grande álbum de Rock Clássico é obrigatório. [8.5/10] Eduardo Ramalhadeiro BESATT «Tempus Apocalypsis» (Witching Hour Productions) Desde a demo «Czarci Majestat», de 1996, que os polacos Besatt têm desenvolvido uma carreira interessante e ao mesmo tempo discreta, porque nunca tiveram um verdadeiro destaque como outras tantas bandas de Black Metal famosas. «Tempus Apocalypsis» poderá mudar esse paradigma, embora não seja o verdadeiro interesse da banda nem a essência do Black Metal. Mas este novo registo dos Besatt tem potencial para chegar longe e espalhar a sua mensagem bem alto. Começando pela audição nota-se logo o brilho da produção, mas sem os exageros das polidelas que já cansam na cena atual do Metal mais mainstream. “Seals of hate” abre em todo o seu esplendor, mostrando o que se poderá esperar deste novo álbum dos Besatt. Uma linha de Black Metal coerente e tradicional, blastbeats com fartura, uma voz glacial e expelida fortemente, um ritmo rápido e harmonioso e os sempre bem-vindos solos de guitarra. E são estes dois últimos argumentos que fazem deste «Tempus Apocalypsis» um álbum muito forte e coeso, com estruturas bem compostas – em suma, está tudo no sítio certo no momento certo. Além disso, todo o álbum mostra um dinamismo e um balanço muito porreiro como podem ouvir na “Trumpets of desecration” e na “War gathering”. Já os temas “Seven great plagues”, “Queen Babylon” e “The prophecy” mostram um lado mais pomposo e épico com as suas partes com coros e mesmo uma narração feminina, sem no entanto fugir à verdadeira génese de «Tempus Apocalypsis». Este álbum consegue surpreender pela positiva e não se esgotará facilmente. Recomendadíssimo! [7.5/10] Victor Hugo


CHAOS INCEPTION «The Abrogation» (Lavadome Productions) Há quem deseje as mais violentas tempestades de modo a exteriorizar os seus demónios e assim propagar aquela virulenta inconformidade em relação aos devaneios de outros que se dizem senhores e apenas possuem uma loucura que nada de criativo traz. O mesmo se pode dizer dos Chaos Inception que, com este segundo álbum, servem toda a fúria e dor em consonância com as lâminas mais afiadas e mostram um tamanho empenho e habilidade em criar músicas que destoam da tepidez. Ao ouvir «The Abrogation» somos quase consumidos pela criatividade inerente aos elementos desta banda, pois, tais piranhas esfomeadas, sem medo do que encontram à sua frente, demonstram a sua força através de músicas admiravelmente intricadas e coesas. Sendo originários de Alabama (EUA), este quarteto desintegra as notas desde 2008, as suas influências sendo Morbid Angel, Krisiun, Hate Eternal, Origin e outros. Por isso, já se sabe exactamente o que nos espera… Para os menos atentos, os seus membros já focaram energias em bandas mais ou menos conhecidas como Fleshtized, Monstrosity, Blood Stained Dusk e Converge from Within. Por isso, já se sabe que não são “novinhos” na cena… Se tudo o que vos interessa é brutalidade, qualidade e eficácia, de certeza que se sentirão satisfeitos com a audição desta hecatombe musical. É claro que a banda não se responsabiliza por quaisquer traumatismos, que outras pessoas menos corajosas possam ter. [8.5/10] Jorge Ribeiro de Castro DEATHSPELL OMEGA «Drought» (Season of Mist) Sendo uma das mais interessantes bandas de black metal da actualidade, os franceses Deathspell Omega, começam o seu novo trabalho em formato de EP, com o instrumental “Salowe vision” bem doom - ao estilo de uns Mar de Grises - para assim nos mergulhar numa atmosfera pré-apocalíptica, antes de nos presentear com uma descarga de black metal atestada de experimentalismo e contornos mais progressivos/avant-garde, que caracterizam esta banda, sempre com a temática satânica e metafísica subjacente. O ritmo avassalador imposto por “Fiery visions” e “Scorpions & drought”, é meramente interrompido por “Sand”, música com uns escassos 1:41 minutos, seguido por outra obscura descarga visceral de nome “Abrasive swirling murk” para concluir com outro instrumental “The crack led book of life” que resume o EP «Drought». Musicalmente bem conseguido, misturando várias sonoridades de outras paragens num moderno black metal, «Drought» não deixa ninguém indiferente na sua passagem. Só é pena os franceses não terem apostado em escrever mais duas ou três músicas e elevar esta pérola musical à categoria de LP, o qual acho que seria bem merecido. Esta proposta peca pela escassez dos seus pouco mais de 21 minutos de duração, curtos é certo, mas intensos. Depois de uma trilogia de LPs bastante aclamada, que culminou uma década de trabalho, os homens de Poitier estão definitivamente a preparar a sua banda para outros níveis, vincando a sua inequívoca singularidade musical. [8.5/10] Carlos Filipe ECLIPSE «Bleed And Scream» (Frontiers Records) Os Eclipse lançam em Agosto de 2012 o seu 4º registo de originais. E que registo! Esta banda de Hard-Rock melódico transporta-nos para os anos 80 e faz-nos viajar ao mundo do Rock populado por bandas como Whitesnake, Europe, Cinderella, e por aí fora. Mas eu não estaria a gastar espaço na Versus a falar sobre estes 11 temas se não tivessem algo de especial; desde as excelentes vocalizações, passando pelo trabalho de guitarra, solos, ritmos made in 80’s, tudo isto é possível ser feito no ano de 2012, conciliando uma magnânima sonoridade dos dias de hoje com o espírito único do Hard-Rock dos anos 80. E é aqui que reside a chave de ouro deste álbum. Ressuscita do baú dos CDs antigos algo que muito poucas bandas conseguem fazer sem cair no precipício da repetição/imitação. As composições são simplesmente brilhantes e conseguem criar um espaço de originalidade e de dinâmicas sonoras que tiram o álbum da mediania. Os coros surgem com pertinência, os solos são “unha e carne” com a estrutura delineada para cada tema, as linhas de guitarra têm pormenores que não se limitam a encher, o trabalho de bateria apesar de aparentar ser pouco imaginativo não o é devido a limitações técnicas do baterista Robban Bäck mas


estou certo apenas pela geometria deste estilo musical. Concluindo, quem sabe o que foram os bons velhos tempos do Hard-Rock tem neste álbum dos Eclipse uma proposta incontornável para reviver esses tempos com a sensação de estar a ouvir pela primeira vez os riffs e solos genuinamente tocados nessa época e com uma qualidade de produção irrepreensível. [9/10] Sérgio Teixeira FEAR FACTORY «The Industrialist» (Candlelight Records) As máquinas industriais estão de volta com um novo trabalho que dá pelo título de «The Industrialist». Este novo álbum vem vincar a ideia, desde o regresso do Dino Cazares, que foi passada no «Mechanize», que é tentar voltar a fazer som ao nível do «Damanufacture» e «Obsolete» e o objectivo em parte está atingido. O início do álbum é simplesmente demolidor começando pela música que dá o nome ao novo registo dos Fear Factory “The industrialist” seguida da “Recharger” que nos colam completamente à cadeira como se de um carro em aceleração se tratasse. A guitarra do Dino Cazares está arrasadora e venenosa, pondo um ponto final sobre a discussão de quem seria o melhor guitarrista para os FF. O Dino conhece a banda como ninguém e as provas estão à vista com riffs poderosos que nos colam os ouvidos à aparelhagem. O Burton C. Bell mostra mais uma vez que tem uma voz inconfundível, com um registo rasgado muito presente e com refrões melódicos que tornam o som dos FF único. No baixo aparece a primeira novidade, visto que quem gravou o álbum foi Matt DeVries (ex-Chimaira e ex-Six Feet Under), a integração na banda parece pacífica visto que preenche perfeitamente as músicas. Na bateria surge a segunda novidade: já que esta foi gravada integralmente com sintetizadores a velocidade e o som seco estão lá basta saber como irá soar ao vivo sendo que a tarefa vai ficar ao cargo de Mike Heller (ex- Malignancy). Com este álbum os FF mostram que apesar dos altos e baixos no passado, sabem muito bem os terrenos que hão-de pisar. Para quem quiser ouvir estes registos e alguns mais antigos ao vivo, na companhia de Devin Townsend e Sylosis, terá a possibilidade de o fazer em Lisboa e no Porto no próximo mês de Novembro [8/10] Sérgio Pires GOTTHARD «Firebirth» (Nuclear Blast) Nem só de Rock/Metal mais extremo se faz uma revista e muito menos um mui humilde “opinador” de música. Os Gotthard são oriundos da Suiça e tocam puro Hard’n’Heavy ou Hard Rock melódico, como lhe queiram chamar. Em 2010 sofreram uma imensa perda quando o vocalista Steve Lee faleceu. Ouvindo, por exemplo, “Lipservice” de 2005 percebe-se muito facilmente que S. Lee é uma referência neste género musical. E sendo assim, a substituição torna-se deveras complicada, pois, as comparações são inevitáveis. No entanto, o substituto de Lee parece ser bastante consensual. Nic Maeder está à altura e faz neste “Firebirth” um trabalho deveras competente, não sendo tão “duro” como “Lipservice” (Talvez um pouco mais comercial...) mas vai crescendo à medida que se vai ouvindo, diga-mos que começa “leve” e acaba mais “pesado”. Este álbum está-me a manter preso por muito tempo e para quem gostar (também) deste género é imprescindível. Como é óbvio as baladas estão lá: “Tell Me” acompanhada com piano e guitarra e “Where Are You” em homenagem a Steve Lee. Os temas rock mais calmos, também: “Remembre It’s Me” (Primeiro single) e “Shine”. Por fim, os mais duros que são a melhor parte do álbum, por exemplo: “Give Me Real”, “Fight”, “Right On” ou “I Can”. Em resumo, não tão excepcional como “Lipservice” mas bastante sólido e competente. Os Gotthard acertaram em cheio em Nic Maeder e “Firebirth” é, definitivamente, imprescindível. [8.5/10] Eduardo Ramalhadeiro


GRAND MAGUS «The Hunt» (Nuclear Blast) O trio sueco Grand Magus caracterizou-se desde a sua fundação pela prática de bom Heavy Metal, tocado como mandam as regras. O mais recente opus da banda, «The Hunt» não é exceção, levando o ouvinte numa viagem bem balanceada de riffs bem construídos, solos plenos de melodia, mas agressivos quanto baste (um pouco à semelhança dos compatriotas Falconer), vocais bem masculinos, nunca passando para os agudos, mas mantendo uma boa ligação com o mid-tempo de todo o álbum. A bateria apresenta-se relativamente simples, mas eficaz. A produção é clara e cumpre bem a sua função. Nota-se uma certa influência de Ronnie James Dio na introdução de alguns temas como o inicial “Starlight slaughter” (“We rock”), e “Iron Hand” (“Stand up and shout/TV crimes”). Não se trata de colagens, mas claramente de inspiração. De salientar o irresistível ambiente presente em “Valhalla rising” e “The hunt”, dois temas muito bem balanceados. “Son of the last breath” inicia-se de forma acústica e trovadoresca, entrando depois num registo épico e declamatório, terminando quase em estilo Heavy Power Épico. “Draksadd”, termina a viagem em beleza, com riffs viciantes e um fade-out acústico. Resumindo, é um disco bem sóbrio, mas muito atrativo para todos os que apreciam um equilíbrio entre a agressividade e a melodia. Recomenda-se vivamente. [8.5/10] Joey HEADSPACE «I Am Anonymous » (InsideOut records) Há bandas que muitas vezes deixamos cair no esquecimento, ou melhor, demoramos algum tempo a debruçarmo-nos sobre elas e depois chegamos à conclusão que cometemos um erro. «I Am Anonymous» o álbum de estreia dos Headspace, liderados pelo teclista Adam Wakeman (Ozzy Osbourne, Black Sabbath) é magnífico! Som portentoso e técnica avassaladora! Fantástico! Adam é tão só, filho de Rick Wakeman, teclista dos Yes. O estilo não se compara mas os genes do pai estão lá. No entanto, e como é óbvio, encontramos algumas influências dos Yes, Rush, Genesis ou umas “pitadas” de Dream Theater. O grupo não é só Wakeman, na voz Damian Wilson (Threshold), o baixista Lee Pomeroy com ligações a Steve Hacket, Rick Wakeman e It Bites. A completar o quinteto estão o baterista Richard Brook – cuja longa parceria musical é, precisamente, com L. Pomeroy – e Pete Rinaldi na guitarra que divide as composições com Wakeman. No entanto, todos os músicos têm uma palavra a dizer. O que me chamou mais a atenção foi o som do baixo. Nunca ouvi tanta potência conjugada com tamanha técnica. Tendo como principal compositor um teclista, seria de esperar uma sonoridade orientada nesse sentido, em vez disso estamos perante um álbum com grande ênfase nas guitarras. De resto, com tanto talento só poderíamos estar perante uma estreia excecional. Por fim, destaco: “Daddy Fucking Loves You”, não só pelo título mas pelos 15:00 de puro prazer musical e “Invasion” aquele riff aos 4:00 que depois dá seguimento ao solo... Que potência! A duração do álbum e dos temas não é razão para não o ouvir. [9/10] Eduardo Ramalhadeiro HOLY KNIGHTS «Between Daylight And Pain» (Scarlet Records) Dez anos passaram desde a estreia com o álbum «Gate Through The Past». Entretanto a banda separou-se, mas em 2010 novos elementos retomaram-na com energias renovadas. E o que é que este «Between Daylight And Pain» nos pode oferecer num paradigma saturado de bandas de Power Metal, quando as mesmas não apresentam nada de extraordinário, incluindo as da primeira divisão? Surpreendentemente os Holy Knights conseguem superar qualquer expectativa e passar o difícil caminho que é destacar-se das demais bandas do género. Quando iniciei a minha primeira audição “rezei” para que fosse surpreendido, e parece que as preces foram ouvidas. Caros leitores, se são fãs deste género, este álbum é OBRIGATÓRIO. Juntem trocos, arrumem carros, limpem vidros nas bombas de gasolina, façam o que for para conquistarem este álbum. Assim, logo a abrir com “Mistery”, “Frozen paradise” e “Beyond the mist”, somos completamente engolidos pela frescura deste Power Metal. Os clichés estão todos lá, mas com o feeling de que estamos a ouvir um álbum no final dos anos 90 (fiquei com aquela sensação quando ouvi o «Symphony of the Enchanted Lands» pela primeira vez) – orquestrações clássicas mas sem exageros


nem hollywoodescos, ritmos pesados, melodias ora dos teclados ora das guitarras acústicas, solos porreiros e ambientes muito envolventes com um rasgo de progressivo, e as vozes sem sobreposições exageradas – apenas as necessárias e muito bem colocadas. A verdade é que estão cá todos os elementos chave para um álbum de Power Metal Sinfónico – soa a cliché, mas a Verdade é que aqui está tudo fresquinho e interessante. A prova de que as fórmulas podem ser revistas, apagando aqueles exageros e mesmidades. [8.5/10] Victor Hugo KONTINUUM «Earth Blood Magic» (Candlelight Records) Os islandeses Kontinuum, banda com raízes genealógicas datadas de 2001, estiveram estes cerca de 10 anos dispersos pelos projetos de cada um dos membros e lançam agora em 2012 o álbum de arranque enquanto Kontinuum denominado «Earth Blood Magic». Este é um disco que vacila entre o Doom e o Rock, com incursões pelo Black-Metal ou mesmo Death-Metal. Tudo isto ligado por uma sonoridade fantástica que cria um universo psicadélico próprio. A este universo chamaria o universo Kontinuum. As atmosferas tenebrosas mas apaixonadamente intimistas misturam-se em certos temas com angustiantes explosões de dinâmicas rítmicas e melódicas muito perto do que há de mais extremo dentro dos vários géneros musicais. Não posso deixar de dar destaque ao tema que considero ser a cereja no topo (ou centro) do bolo, já que é o tema “Lightbearer”, uma viciante explosão de adrenalina eletrizante, eletrificadora à qual estou irremediavelmente colado. Mas depois de ouvir o álbum todo (pela n-ésima vez) fico cada vez mais com a perceção de ser simplesmente uma viagem com princípio, meio e fim que raros álbuns me lembro de terem atingido. É uma jornada de sons, ambientes, ritmos, paisagens que oscilam entre o belo e o tenebroso que não podem ser simplesmente ignorados. Estou convencido de que os amantes do Doom psicadélico vão ficar colados nesta pérola auditiva islandesa e que os mais ecléticos vão ter aqui motivos para se ‘embriagarem’ e repetirem a dose. Aos Kontinuum diria “muitos parabéns”, aos nossos leitores recomendo vivamente e digo “bom proveito”! [9.5/10] Sérgio Teixeira KORPIKLAANI «Manala» (Nuclear Blast) Venha de lá essa vodka, essa cerveja e essa tequilla e preparem-se para a festa, para a diversão e para a fanfarra. E tudo isto porquê? Porque um ano e meio depois do lançamento do último álbum intitulado «Ukon Wacka» que, diga-se, foi um desastre musical, os Korpiklaani estão de volta com um novo trabalho que dá pelo nome de «Manala» e estão de regresso à qualidade musical que já apresentaram no passado. Com o seu oitavo álbum de originais desde 2003, desta vez com um CD bónus que contém as várias músicas cantadas em inglês, a banda volta a mostrar o seu som Folk metal tradicional finlandês desta vez com Tuomas Rounakari no violino, e parece que finalmente foi encontrado um sucessor à altura do Hittavainen, basta comprovar a sua genialidade em músicas como “Husky-Sledge” e “Dolorou”. Os arranjos de acordeão de Juho Kauppinen, uma das imagens de marca da banda, continuam com grande qualidade e em perfeita sintonia com o violino, se bem que perdeu um pouco de espaço para este. A voz de Jonne Järvelä continua com o registo que sempre nos habituou, isto é um camaleão que se adapta a todos os feelings das músicas o que ajuda a tornar a banda praticamente única no panorama musical. «Manala» mostra todo o potencial que a banda tem quando parecia que ia cair em “mais do mesmo”, e provaram porque são uma banda de referência no seu estilo musical. Recomendo vivamente este álbum a todos os apreciadores de folk metal. [8.5/10] Sérgio Pires


KREATOR «Phantom Antichrist» (Nuclear Blast) Ao fazer esta review dos Kreator lembrei-me dum Sr. com uma voz absolutamente inconfundível! Cresci a ouvir bandas como Overkill, Anthrax, Metallica, Helloween, Testament, Slayer e claro, Kreator no saudoso Lança Chamas na antiga Rádio Comercial apresentado pelo enormíssimo António Sérgio. Acompanhei-os até ao princípio da década de 90 - «Extreme Aggression»/«Coma of Souls» e a partir daí “desliguei” um pouco da banda. Após 22 anos eis que me debruço a 100% sobre um álbum dos Kreator. Não são poucas as bandas que após longos anos de carreira, com álbuns bons e menos bons, conseguem fazer um que nos prenda e nos deixe com saudades dos gloriosos anos 80. Felizmente, os Kreator conseguiram-no! «Phantom Antichrist» é um dos melhores álbuns de Thrash de 2012... Do mais puro e autêntico Thrash Metal. Juntamente com Bobby “Blitz”, Miland ‘Mille’ Petrozza tem uma das vozes mais singulares e carismáticas da senda metaleira. «Phantom Antichrist» fez-me querer voltar ao headbanging e ao mosh desenfreado. No entanto, como é óbvio este álbum não está tão cru e os Kreator acompanham os novos tempos. Thrash melódico e técnico mas extremamente viciante, tal como Chuck Billy, a voz de Petrozza está melhor que nunca! Tudo soa bem, guitarras – muitos solos, bateria e baixo poderosos! É com agrado que após tantos anos de carreira os Kreator ainda conseguem ser relevantes no meio metálico. À medida que escrevo isto «Phantom Antichrist» cresce de uma forma exponencial. Prazer absoluto! [9/10] Eduardo Ramalhadeiro LUCA TURILLI’S RHAPSODY «Ascending to Infinity» (Nuclear Blast) Antes de irmos à música, é necessário descodificar os fantásticos eventos que acompanham o lançamento deste álbum. Após 15 anos de sagas e fantasia, os Rhapsody/Rhapsody of Fire de Luca Turilli e Alex Staropoli chegaram ao fim. Nesse momento, decidiram continuar as suas carreiras com uma amistosa divisão artística. Assim, Alex Staropoli aceitou continuar com os Rhapsody of Fire, enquanto Luca inicia uma nova etapa com Rhapsody associado ao seu nome – por questões de direitos da mesma velha história – levando consigo Dominique Leuriquin (Guitarra) e Patrice Guers(baixo), enquanto o cantor Fabio Lione fica com o Alex e deixando cair o grande produtor dos Rhapsody: Sascha Paeth. O baterista Alex Holzwarth decidiu fazer jogo duplo e continua a sua colaboração com os dois. Resumindo, deu-se o milagre da multiplicação das bandas! Entrando na questão musical, o primeiro pensamento que nos vem à cabeça é: esta vertente do Luca irá ser nada mais do que o seu 4º álbum a solo. Nada mais errado, tal como o próprio afirma. Esta separação permitiu que o seu mentor conseguisse explorar outras vertentes e fugir assim do núcleo musical que caracterizou esta banda até então. Acho que o objectivo está parcialmente conseguido, já que o intro “Quantum X” nos transporta plenamente para o universo musical de Luca Turilli tal como “Dante’s Inferno”. Felizmente que aos poucos «Ascending to Infinity» vai-se transformando e moldando na sonoridade que faz jus ao nome Rhapsody, conseguindo Luca sim misturar bastante bem o melhor dos dois mundos. Todo o álbum funciona excelentemente como um todo, presenteando-nos com grandes e singulares canções, cada uma com a sua textura, temática e musicalidade, sem nunca esquecer as componentes sinfónica, operática e épica. A pautar tudo isto, Luca não se esqueceu de incutir os já característicos solos e riffs que caracterizam a música dos Rhapsody, tal como aqueles momentos mais calmos - mas magnânimes que transmitem todo o verdadeiro espírito de Itália. [9.5/10] Carlos Filipe


MARTY FRIEDMAN «Bad DNA» (Prosthetic Records)

Calma! Marty Friedman não lançou 3 álbuns de uma vez só. Todos estes já estavam disponíveis mas somente no Japão e foram lançados no resto do mundo em Agosto. Não vou escrever muito acerca deste músico, cuja técnica, talento e estilo muito peculiar, simplesmente, rebentam com a escala - Quem não conhece, façam um favor a vós próprios e ouçam, talvez o melhor MARTY FRIEDMAN projeto jamais feito, no que diz respeito a instrumental de guitarra, CACOPHONY, a meias com JASON BECKER. Para quem já «Future Addict» (Prosthetic Records) conhece o trabalho de Marty Friedman, acho que não preciso de escrver mais nada! Estes lançamentos são bastantes diferentes. «Bad DNA» tem uma secção rítmica muito electrónica, nomeadamente, a bateria e pode ser um entrave aos mais puristas. No entanto, tudo que esperamos de Friedman está lá. «Future MARTY FRIEDMAN Addict» será talvez o álbum a solo menos conseguido? Possiv«Loudspeaker» elmente. Neste lançamento, Marty Friedman revisita alguns te(Prosthetic Records) mas dos Megadeth e Cacophony. Se o faz da melhor maneira ou não é discutível! Jeremy Colson é o vocalista/baterista de serviço. Não discuto a competência mas com todos os defeitos, ainda prefiro Dave Mustaine. Quanto aos temas dos Cacophony, digamos que mesmo sendo Marty Friedman esta obra prima deveria ter sido deixada como está. Os três temas novos nada acrescentam, uma vez que Friedman pode fazer infinitamente melhor. «Loudspeaker» é o melhor destes 3 revistos. Ao contrário de «Bad DNA» temos um baterista a sério e 3 super-convidados: Billy Sheehan em “Elixir”, John Petrucci em “Black Orchid” e Steve Vai em “Viper”. «Loudspeaker» é uma boa mescla de peso, melodia (a rodos) e muita, muita técnica. Do melhor que Friedman já nos ofereceu. No entanto, apesar de considerar um álbum obrigatório não chega ao nível do «Dragon’s Kiss» Eduardo Ramalhadeiro «Bad DNA» - [7/10] «Future Addict» - [6/10] «Loudspeaker» - [8.5/10] NAER MATARON «Long Live Death» (Witching Hour Productions) Apresentarem-se como a banda satânica mais perigosa do mundo é bastante ambicioso. É verdade que este regresso dos Naer Mataron, após quatro anos de espera desesperantes para os fãs, manifesta-se com bastante brutalidade num Black Metal sangrento, como a banda gosta de catalogar. Logo à primeira audição reparamos nas diferenças em relação aos álbuns anteriores. A banda ficou reduzida a três elementos, ficando Kaiadas responsável tanto do baixo como das vozes. Estas apresentam-se não tão frias e glaciais como nos registos anteriores, mas antes num registo cavernoso e gutural, aliadas a um instrumental ligeiramente mais técnico, deixando de lado a “verdadeira” aura Black Metal para se vestir em roupagens mais Death Metal. Desta feita já podem imaginar no que estes gregos se meteram: os Naer Mataron tornaram-se nos Behemoth. Mas se esperam, por isso, o mesmo que um “Thelema.6” (o grande álbum de viragem dos polacos), desenganem-se. Mais depressa os Naer Mataron se enfiaram no caminho do declínio do que os polacos, porque durante pouco mais de meia hora é difícil destacar um momento interessante que nos faça repetir a dose. Existem, de facto, alguns riffs de guitarra interessantes, ora nalguns discretos solos de guitarra, ora nalguns acordes a fazer lembrar os Nile – como podem comprovar no tema “Parade into centuries”, talvez a música onde se pode resumir a nova roupagem dos Naer Mataron. A sonoridade destes gregos tem potencial para agradar novos ouvintes, mas por outro lado tem argumentos para afastar outros tantos, já que nada de excecional e de perigoso ouvimos neste «Long Live Death». [5/10] Victor Hugo


NIGHTWISH «Imaginaerum (Orchestral)» (Nuclear Blast) Esta nova variante do álbum dos Nightwish «Imaginaerum» é uma première, um marco no universo do metal. É a primeira vez que uma banda lança uma versão orquestral do seu álbum de estúdio. Atenção, não confundir orquestral com instrumental, vertente já explorada por algumas bandas, incluindo os Nightwish. Depois dos álbuns de Metal com orquestras sinfónicas, este é dos álbuns arranjados e tocados exclusivamente por uma orquestra que pode bem vir a ser a próxima moda. E qual é a piada destes álbuns? Para o comum dos metaleiros, nenhuma, mas para todos aqueles que conseguem ter un certain regard sobre a música, em especial o metal, este tipo de coisas é um must, algo excepcional, em especial quando bem conseguido. Este é o tipo de álbum com o qual nós defendemos o metal, a nossa dama, perante os mais cépticos familiares e amigos(as). Este tipo de projecto é a lança em território inimigo. Sendo « Imaginaerum» o segundo álbum com a nova vocalista Anette Olzon, foi bem audível desde a primeira música que este está mais adaptado ao seu timbre vocal, no entanto, no global, acho que «Imaginaerum» não chega ao nível do anterior. Aquando do lançamento de «Imaginaerum», tínhamos sido presenteados com uma versão instrumental do álbum, algo que me agrada bastante, já que permite ouvir todos os pormenores da composição das canções. Mas um instrumental é por si algo incongruente, já que se limita a estribar as músicas da componente vocal. Aqui é que está a grande diferença e mais-valia de um álbum orquestral: Todas as músicas são arranjadas de forma a enaltecerem todas as partituras, a fim de relegar para um canto a letra e a cantora. Neste ponto, acho que os Nightwish fizeram um excelente trabalho. Esta versão está estrondosa e digna de um dia figurar junto dos clássicos da música contemporânea erudita. Agora, só nos resta esperar pelo filme de «Imaginaerum» que sairá algures no quarto trimestre do presente ano. [9/10] Carlos Filipe NILE «At The Gate of Sethu» (Nuclear Blast) É completamente impossível criticar o quer que seja que os Nile editem. Deste que lançaram em 1998 «Amongst the Catacombs of NephrenKa» e atingiram o seu pico musical com «In Their Darkened Shrines» de 2002, a banda de Sanders e companhia tem-se mantido no mesmo nível musical , sempre com a exuberante temática em torno do Antigo Egipto. «At The Gate of Sethu» é o sétimo álbum de estúdio e a sétima obra-prima, seguindo o igualmente excelente «Those Whom the Gods Detest». Criticar o trabalho dos Nile é estar a criticar entre o magistral e o titânico, o tecnicamente perfeito e o tecnicamente irrepreensível, e claro está, o que é brutalmente acutilante, desde as vozes até ao tecnicismo dos outros instrumentos. «At The Gate of Sethu» tem tudo o que faz dos Nile, , sendo talvez esta a única crítica a referir, há demasiado Nile em «At The Gate of Sethu». Sem nunca entrarem por caminhos mais experimentalistas, os Nile premeiam-nos com composições de death metal técnico repletas de rajadas técnicas de solos e complexos riffs, sons ancestrais, típicos do Médio Oriente, sempre com um Karl Sandres e Dallas TolerWade exímios nas vozes, desde o ligeiramente arranhado até ao ultra gutural. Nada foi descuidado e apresenta-se tudo como sempre no seu devido lugar e a soar melodicamente exemplar, atingindo o seu melhor momento com em “Supreme humanism of megalomania”. Cada música apresenta-se com uma textura única e intrínseca, um ritmo próprio, dominador tal como os Nile nos habituaram. [10/10] Carlos Filipe PANDEMONIUM «Misanthropy» (Pagan Records) Nome importante e primordial da cena Black/Death Metal polaca desde os seus primórdios, os Pandemonium têm-se mantido ativos nos últimos onze anos com uma média de lançamentos de 2 em 2 ou de 3 em 3 anos. «Misanthropy» é o mais recente álbum, embora não particularmente interessante. “The black forest” inicia as hostilidades, com o vocalista Paul num registo Thomas Gabriel Warrior mais grave, um solo de guitarra simples e o inevitável blastbeat. “God delusion”, um tema mais midtempo, bem compassada. Em terrenos mais doom, encontramos “Necro Judas”, mas apenas no início, sendo substituído por novo blastbeat e


berraria demoníaca. Em “Stones are eternal”, encontramos a voz feminina de Androniki Skoula, mas o tema é todo muito igual e repetitivo. Pouco atrativo são também “Avant-Garde underground” e “Everlasting opposition”. Os dois últimos temas elevam um pouco o nível geral, com as influências orientais a fazer lembrar os Nile e a voz tipo Chuck Shuldiner em “Only the dead will see the end of war” e a voz de Androniki em modo declamatório, acompanhada por um solo interessante que percorrem boa parte do tema. O disco tem os seus momentos de interesse, mas não penso que traga algo de refrescante a um panorama já muito saturado de propostas dentro do género. Será contudo uma boa aquisição para os completistas do género. [6.5/10] Joey SCAR FOR LIFE «3 Minute Silence» (Infektion Records) «3 Minute Silence» é o 3º registo de originais do coletivo luso Scar For Life. Como primeira nota depois de uma audição do álbum completo fica bem patente o extraordinário trabalho de produção que estes lisboetas colocaram em prática na gravação destes 12 temas. Numa mistura de Melodic Rock e Heavy Metal é basicamente onde se situa a estética sonora do álbum. Alguns pormenores existentes dão um toque diferente a este álbum; não havendo toneladas de originalidade para sermos surpreendidos a cada riff ou sequência há de facto detalhes que pontuam e que dão um certo padrão genuíno ao conjunto dos temas propostos. Quer em termos de utilização de um ligeiro toque por parte de sintetizador ou segmentos acústicos quer na estrutura dos próprios temas. Acaba por não ser também igual a tudo quanto já se fez e acaba por trazer uma certa aragem refrescante do ponto de vista sonoro tendo em conta os estilos musicais já bastante trilhados. A produção acaba por ser o ponto forte com um excelente equilíbrio entre os vários instrumentos e voz, contribuindo para a fluidez de todo o álbum; a sonoridade das guitarras é infalível quer nos riffs mais pesados quer nas secções acústicas. As vocalizações acabam por ser seguras, diria mesmo irrepreensíveis, mas há alturas nos temas em que fica a sensação de faltar um pouco mais de dinâmicas e variações vocais e nas guitarras que poderiam tornar os temas mais vivos. Resumindo, as composições são interessantes, e diria que é um álbum sobretudo talhado para quem esteja numa onda de Hard-Rock clássico e sem experimentalismos radicais. [7.5/10] Sérgio Teixeira SOPHICIDE «Perdition of the Sublime» (Hammerheart Records) Sophicide é um projecto novo vindo directamente da Alemanha e que é sobretudo uma obra cuja concepção, execução, produção e gravação foram feitas por um senhor chamado Adam Laszlo. Pelo que dá para percecionar na audição do álbum de estreia, temos aqui uma estrela em ascensão. Bom mas quanto ao conteúdo do álbum propriamente dito, assenta sobretudo em Death-Metal temperado aqui e ali por elementos mais Thrash e sequências alinhadas com Hard-Rock. Não é uma obra-prima, mas nota-se sobretudo a clarividência de composição que permite colocar ao nível do que melhor se faz atualmente neste género musical. Diria que então se por um lado temos uma diversidade de sequências rítmicas e de riffs estonteante, que sem dúvida enriquecem este álbum, por outro falta-lhe um pouco de cola melódica que pudesse agarrar o ouvinte às composições que vão surgindo. Isto é, a originalidade e diversidade de riffs acaba por ser demasiado dinâmica o que não permite a quem ouve os temas interiorizar e assimilar a mensagem auditiva; somos de certo modo obrigados a processar incessantemente as sequências de guitarra de modo incansável o que satura por vezes a capacidade de absorção das canções. Tendo sido um disco integralmente criado apenas por A. Laszlo fica claro que estamos perante alguém que percebe de música como ninguém e é por isso um disco brilhante. Portanto quem está à procura de uma incessante cascata de sons, ritmos e vocalizações, tudo isto a um ritmo estonteante e com uma produção imaculada, tem aqui algo muito interessante para disfrutar. [9/10] Sérgio Teixeira


TANKARD «A Girl Called Cerveza» (Nuclear Blast) Os mais famosos bêbados do Metal estão de volta! E desta vez estão apaixonados por uma miúda chamada Cerveza. Nada de novo, porém, pois este amor dura desde 1986 quando lançaram «Zombie Attack». A quarta cabeça da besta Thrash germânica mais famosa, juntamente com os Sodom, Destruction e Kreator, não desarma e continuam a misturar Thrash alcoolico com generosas doses de humor num inconfundível estilo punk metálico. Gerre e a sua voz gritada, mas bem articulada, é a identificação perfeita que não vacila mesmo após todos estes anos. Mesmo um pouco mais melódicos, a rudeza e a velocidade permanecem, 30 anos depois. Apesar de tudo, os temas não variam muito do que têm feito nos últimos anos. A aceleração é uma constante, mas bem doseada, dando espaço a cada um dos instrumentos e à voz terem o seu espaço. Os temas mais singulares são “The Metal lady boy”, que conta com a participação da deusa Doro Pesch e “Son of a frige”, que se inicia com uma ambiência muito Alice Cooper, embora rapidamente entre no registo tradicional Tankard. Em geral, os temas possuem uma boa dinâmica, embora na realidade, não tragam necessariamente algo de novo. Os solos são bem viciosos e coadunam-se bem com o ritmo vivo e acelerado. O baixo também aparece amiúde, com uma pequena dose de distorção. Os Tankard estão vivos, recomendam-se e persistem em alegrar todas as festas do nosso imaginário. E o nosso desejo é que continuem assim. [7.5/10] Joey THE FLOWER KINGS «Banks of Eden» (InsideOut Music) Após 5 anos de interregno eis que os progressivos The Flower Kings lançam «Banks of Eden». Um álbum muito na linha do que já nos vêm habituando este quinteto Sueco, no entanto, dá para perceber algumas mudanças. Nesta coisa de “rotular” as bandas – algo que é muitas vezes utilizado para, em muito poucas palavras, definir o seu estilo - Os The Flower Kings têm sido descritos como uma banda de rock progressivo sinfónico com muitas influências de jazz e blues. Algo que estou perfeitamente de acordo e o qual está bem patente neste último lançamento. A música não é desenfreada nem demasiadamente monótona, “correndo” sempre de um modo bastante fluído. Por conseguinte, por exemplo, ouvir o tema de abertura “Numbers” com 25m26s é um prazer. As mudanças que referi estão bem patentes neste tema. Uma vez que todos os músicos contribuem para as composições, existe uma mescla muito interessante de influências que vão desde Frank Zappa, The Beatles, Deep Purple, Led Zeppelin, Yes ou Genesis – Eis porque esta banda soa muito British. Além de, como é óbvio, muitas influências clássicas. Apesar de não ser (totalmente) original e não rompendo com o estilo ou sonoridade da banda, «Banks of Eden» é um excelente álbum onde sobressaem a interpretação, musicalidade, composição e produção. Para quem já conhece os The Flower Kings este CD é excelente e não passará desapercebido entre a discografia. Para quem não conhece… ouçam esta classe! [8.5/10] Eduardo Ramalhadeiro THE GREAT OLD ONES «Al Azif» (LADLO Productions) Trata-se de mais uma jovem e promissora formação francesa que se apresenta com uma proposta de black metal de última geração, com aquela faceta vanguardista que já parece ser imagem de marca de quase tudo o que nos chega de território gaulês. Este primeiro registo é um trabalho com pretensões de grandiosidade, onde se vislumbra um evidente esforço criativo no sentido de transcender o óbvio, e que resultou em algo elaborado, numa linha próxima de Altar of Plagues ou dos compatriotas Blut Aus Nord. O disco é constituído por seis longos temas, com durações que oscilam entre os sete e os dez minutos, e que se fazem de torrentes repentinas de blast beats, segmentos sombrios carregados de tensão baseados em riffs ameaçadores, e interlúdios acústicos mais tranquilos. “Rue d’Auseil” destaca-se como a faixa mais fluente e equilibrada, onde todos estes elementos parecem jogar graciosamente entre si. O atmosférico “Visions of R’lyeh” assenta numa fantástica linha de guitarra, sendo talvez o tema mais bem conseguido do ponto de vista melódico. No geral, todas as composições incluem detalhes fascinantes que prendem a


atenção, embora não o façam em quantidade suficiente para evitar que o álbum se torne cansativo ao fim de poucas audições. Há também pormenores (especialmente nas partes mais calmas) que soam talvez algo deslocados ou mesmo anacrónicos. Mesmo assim «Al Azif» passa como um eloquente depoimento de inspiração Lovecraftiana e, acima de tudo, um notável registo de estreia. [7.5/10] Ernesto Martins VESEN «This Time It’s Personal» (Soulseller Records) Ao ouvir este novo registo dos noruegueses Vesen dei por mim a pensar que são este tipo de lançamentos que me dão mais alento para continuar a ouvir ainda mais Metal, e que afinal ainda há por aí coisas porreiras a serem produzidas sem que sejam necessárias grandes paneleirices e mariquices nos arranjos. É certo e sabido que a atitude dos Vesen é precisamente esta, ou não lançassem álbuns de Black Metal com feeling thrashado e mesmo com laivos de Rock apunkalhado e sujo. «This Time It’s Personal» começa bastante bem, a surpreender os ouvintes com um som dirty e com solos de guitarras ríspidos e acutilantes – o tema título é precisamente assim, depois da intro “The threat”. “Billions” dá seguimento e coesão ao álbum, caindo como o presságio de que o álbum terá como base doses mais ou menos rápidas de riffs simples e repetitivos. Contudo, há momentos que se destacam por fugirem precisamente a essa repetibilidade, que é uma característica do Black Metal. O que os Vesen nos apresentam não é o melhor álbum de sempre dentro deste estilo, mas consegue agarrar o ouvinte mais curioso. Existem por cá referências a outras bandas, como na “Where the children go to die”, que tanto nos fará lembrar o Black ‘n’ Roll dos Satyricon, aqui talvez um pouco mais sujo. Na sua totalidade «This Time It’s Personal» satisfaz bastante bem, mas a longa duração de alguns temas (5 a 7 minutos) poderá ser um aspeto negativo, e poderão mesmo aborrecer. A salvação está nos detalhes que surgem quando menos esperamos, e que, mais uma vez, traz a frescura e um fôlego muito bem-vindos no Metal. [7/10] Victor Hugo AtomA «Skylight» (Napalm Records) Por favor, não se deixem impressionar pelo primeiro tema de «Skylight». A própria editora define os AtomA como Apocalyptic Post Rock/Metal. Mas este álbum é muito mais que isso: alguns “toques” de Death Metal, industrial, atmosférico, etéreo e electrónico. Tudo isto é assente ora no rock ora no metal. Toda esta diversidade “ambiental” é criada, como é óbvio com recurso aos sintetizadores. “Skylight” e “Cloud Nine” são, na minha perspectiva, os mais excelentes no meio de toda esta excelência. O primeiro define tudo o que foi escrito em cima, voz gutural vs voz mais calma e limpa. “Cloud Nine” tem uma introdução que parece saída diretamente da banda sonora dos “Ficheiros Secretos” e vai aumentando de intensidade. As vocalizações estão a cargo da angelical Ida Sundqvist e é bastante calma e atmosférica comparada com os restantes temas, sempre com a predominância no coro e harmonias na vozes - “Rainmen” tem um estilo e composição muito parecida. “Hole in the sky” é muito semelhante a “Skylight” mas menos agressivo no que diz respeito à voz. O único tema que é completamente diferente é “Solaris”, digamos que é uma mistura de Enigma com Massive Attack e está tudo dito. “Skylight” é por vezes emotivo, bastante técnico, complexo e musicalmente diversificado. Comecei pelo fim e falta fazer a apresentação: Os Atoma são oriundos da Suécia, provenientes da separação dos Slumber e têm em “Skylight” o seu álbum de estreia. Não pensem que por ser diversificado a nível de géneros e influências musicais que o álbum não é bom, muito antes pelo contrario, muito coeso e sólido. Já agora, se tivesse que escolher uma banda sonora para, por exemplo, Blade Runner, seria certamente um destes temas... Fantástico! A nota reflete isso mesmo. [10/10] Eduardo Ramalhadeiro


MALICE «New Breed of Godz» (SPV) Pronto, às vezes não sei o que pensar, dizer ou escrever após analisar um álbum cujo género é uma cópia descarada (ou não) dos Judas Priest. Ao analisar a biografia da banda, cedo se chega à conclusão de que isto é mesmo para ser o mais parecido possível aos Priest. Os Malice lançaram 3 álbuns: 85, 86 e 89 e em 2012 retornaram com este lançamento que nada mais é que novas gravações de temas antigos mais 4 temas novos – “New Breed Of Godz”, “Branded”, “Winds Of Death (Angel Of Light)” e “Slipping Through The Cracks”. São bons tecnicamente? Não há dúvida! No entanto, originalidade é zero. O que mais me “massacra” é mesmo o vocalista – James River - que tenta ser um clone de Rob Halford. Poderiam ter acrescentado algo diferente, qualquer coisa que seja mas desde as vocalizações até ao instrumental tudo respira Priest. Nestes casos fico sempre com a dúvida se hei-de analisar o álbum por si só, sem ligar a cópias ou falta de originalidade ou tomando tudo isso em conta. Já o fiz das duas maneiras – por razões que deixei bem explicitas mas no que diz respeito a «New Breed of Godz» não consigo. Se ainda fossem melhores técnica-e-musicalmente ainda daria uma segunda oportunidade. Sendo assim, a minha vontade era simplesmente despachar a review com um 0, no entanto, a banda tem qualidade. Para quem gostar de dos Priest “clonados” pode dar uma oportunidade, eu prefiro os originais. Sendo assim: removido do disco duro. Não me deixa saudades. [5/10] Eduardo Ramalhadeiro

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VAGOS OPEN AIR 2012 Nasum + At the Gates + Arcturus + Enslaved + Eluveite + Northland + Disaffected 03.08.2012

Às portas da terra prometida Depois de um ano de espera o dia 3 de Agosto era dia novamente de Vagos Open Air. As expectativas eram muitas com um cartaz do nível que a organização nos vem habituando, e já com algumas olheiras do pessoal que tinha ido à festa de recepção na noite anterior. A honra de abrir as hostilidades sonoras coube aos portugueses Disaffected os quais apesar de não terem tido muita sorte com a qualidade do som, provaram que o tempo não lhes roubou a inspiração e que a música que fazem agora (presente no novo álbum, «Rebirth») é pelo menos tão desafiante quanto a que fizeram no passado. Os senhores que se seguiram para apresentar o seu Folk, ainda com uma casa não muito cheia, foram os “nuestros hermanos” Northland que começaram com um tiro em falso visto que a voz até meio da primeira música não se ouvia, um problema ao qual eles foram alheios, mas mal a voz do Pau Murillo gritou “Can you hear me now?” a banda partiu para uma actuação segura cheia de mosh pits. De seguida apresentaram-se em palco os Eluveite, para aquele que era o momento mais aguardado para quem

Northland

gosta de Folk metal. O palco de repente ficou pequeno para albergar os oito elementos da banda que além dos instrumentos habituais, vinham carregados de instrumentos pouco usuais no metal como gaitas de foles e flautas. Mas o que despertou maior curiosidade foi o carregado pela vocalista Anna Murphy, uma sanfona. Os Eluveite espalharam todo o reportório criando um ambiente de fanfarra Celta no recinto não deixando indiferente mesmo aqueles que não os conhecia. A banda que os sucedeu foram uns senhores de créditos já firmados, os Enslaved. Começando com a habitual e espectacular “Axioma” e não esquecendo a cover dos Led Zepplin “Immigrant Song” mostraram que o black metal progressivo do quinteto encabeçado por Grutle Kjellson está afinado e fizeram as delicias dos fãs com uma actuação segura. Às 22h subiram ao palco os Arcturus, possivelmente uma das bandas mais esperadas de quem gosta de música da velha guarda. Abriram com “Evacuation code deciphered” passando de seguida para a “Ad absurdum” ironicamente e fazendo jus ao nome da música a actuação foi um absurdo, som completamente desequilibrado, com uma voz muito alta em relação ao resto dos instrumentos que tentavam equilibrar as músicas que soavam de forma catastrófica. A atitude dos Arcturus foi uma atitude de falta de motivação de quem está a dar mais um concerto apenas para colocar no currículo, terminando como um dos piores desempenhos desde a primeira edição do VOA. Terminaram (finalmente), e com o recinto já composto de pessoas que iam aproveitando para molhar as gargantas com cerveja e caldo verde, enquanto se esperava

Eluveite

pelo momento alto da noite: os dos At the Gates, que estavam prestes a fazer a sua estreia em Portugal. De repente começa a introdução e as pessoas começaram a apertar-se em direcção ao palco até que surgem os primeiros acordes da “Slaughter of the Soul” e começa o mosh. Os pais do death metal melódico, que, refirase, lançaram o último álbum em 1995, já tinham o público aos pés ao fim da primeira música mas isso não os fez parar de tocar as músicas que os fãs queriam ouvir como “Cold”, “Terminal spirit disease”, “Forever blind” e “Nausea” entre outras. Ao longo do concerto dava para perceber que a voz do Tomas Lindberg está um pouco mais grave do que há 15 anos atrás, mas isso não retirou mestria nenhuma à actuação explosiva a que se estava a assistir. De repente saíram de palco e para o encore aparecem com “Blinded by fear” (para a ovação da noite) e a última música foi a “Kingdom gone” acabando de forma arrebatadora como que a dar o mote para o que vinha a seguir. E o que veio a seguir e a fechar o dia foi a banda convidada – Nasum – que apresentaram o seu grindcore técnico, sendo provavelmente a banda mais pesada que pisou os palcos do VOA, mas infelizmente para um número de pessoas reduzido porque o dia já ia largo e “amanhã era outro dia”. O ponto alto do concerto aconteceu quando no PA suou a “Shadows”, mas todo o resto do concerto foi coeso e de nível elevado. No geral o primeiro dia do Vagos foi positivo, destacando-se pela positiva a excelente actuação dos At The Gates e a força dos Eluveitie e pela negativa o menor número de pessoas em relação a anos anteriores e a actuação dos Arcturus.


Arcturus

Arch Enemy + Overkill + Coroner + Textures + Chthonic + Mindlock 04.08.2012

Do paraíso para o inferno Ao contrário do primeiro dia, o segundo dia do Vagos Open Air 2012 apresentou-se mais preenchido e mais movimentado. A confirmar isso esteve a banda Mindlock que lançou petardos de Thrash Metal bem esgalhados, conseguindo agarrar bastante público que não teve medo do sol e que optou por apoiar a banda nacional da melhor maneira: mosh com fartura e bastante headbanging – até o pessoal que vendia nas barracas abanou a cabeça! De seguida os tailandeses Chthonic estreiam-se no nosso território, e eis que a surpresa foi positiva. O Black Metal melódico e mainstream desta banda cativou o pessoal imediatamente, e no final ficou a sensação que a banda poderia ter tocado mais que 30 minutos. Para além de terem cativado com a música, os Chthonic cativaram com a sua imagem e, claro, com a presença

da bela Doris Yeh, baixista que deverá ter-se fartado de tantas fotografias. Os Textures foram uma banda bastante esperada neste festival, e por isso as espectativas foram enormes. O seu Metal melódico, progressivo e com as pitadas de Core lá na sua génese, cativou inúmeros fãs que por lá deambulavam, tal como a banda que deambulava entre texturas ora agressivas ora melódicas. Mosh com fartura e mesmo um wall of death foram alguns dos efeitos que a banda causou. Por fim eis que se dá o início do prazer para o pessoal old school. A estreia dos Coroner em Portugal foi simplesmente extraordinária, um renascer da banda simplesmente bem pensado e bem-vindo no espectro do Metal mundial. O Thrash Metal Técnico soou fresco e saudável, mostrando música antiga como se ela fosse atual, uma prova da genialidade da música destes suíços – e o público simplesmente agradeceu e pediu mais. O set foi longo mas no final queriase mais e mais… mais daqueles solos de guitarra de cortar a respiração, do Sr. Tommy Baron (ex-Kreator). Mas o êxtase e a loucura ficou reservada para a atuação dos velhinhos Over-

kill. Velhos de idade mas novos em palco, os músicos mostraram como é que é respirar Metal e deram uma lição! Desde a agilidade dos músicos até à energia contagiante do Bobby – um grande frontman que soube agarrar o público e provoca-lo ao delírio, ao mesmo tempo que pulava, saltava e fazia poses. O headbanging foi rei e senhor, num set extenso onde não faltaram temas como “Come and get it”, “Save yourself ”, “In union we stand” e mesmo a música “Fuck you” original dos The Subhumans, na qual Bobby nos pergunta se eramos portugueses ou espanhóis – a resposta foi clara. Findo o momento old school, para muitos a nata desta edição do Vagos Open Air, eis que surge o momento que mais opiniões dividiram. Se para muitos os Overkill deveria ter encerrado o festival, outros tantos respondiam com argumentos que apoiavam que os Arch Enemy têm igualmente bagagem para encerrar o festival (a verdade é que o recinto ficou ligeiramente menos cheio depois da atuação dos Overkill). Opiniões à parte, a verdade é que a banda esteve bem. Abrindo com a “Khaos overture” e “Yesterday is dead and gone”


a banda soube logo de início pegar no público e espalhar o dito caos em Calvão. Seguiram-se a “Ravenous”, “My apocalypse”, a “Intermezzo liberté” para os aliviar os ânimos, “No gods, no masters” entre outras. Os músicos estiveram muito bem (o Amott a regressar ao Vagos Open Air, bastante mais descontraído do que nos Carcass), com boas energias a espalhar a sua música, a Angela mostrou ser uma verdadeira Metal Star, o baterista foi um survivor ao ter tocado TUDO com uma mão partida, e a dupla de guitarristas esteve muito bem. A animação encheu os olhos, com imagens alusivas às letras, ou seja, politica, sociedade e rebelião, mostrando uns Arch Enemy como banda de intervenção social e politica, onde nem a bandeira negra faltou, erguida pela Angela no tema “Under black flags we march” – para alguns fez sentido, para outros nem por isso. O Vagos Open Air 2012 fechou com a música “Fields of desolation”, com um “até para o ano” garantido.

Overkill

Reportagem: Sérgio Pires e Victor Hugo

Coroner

Textures

Chthonic


“Concerteza” “Verão é calor, é praia, é corpos seminus. E como tudo o que atrai e junta pessoas precisa de festa, verão é também um enorme festival. Festivais de verão há-os quase desde sempre, basta apenas dois amigos e um espalhar a palavra para se obter uma concentração maciça de indivíduos(as) à procura de diversão no seu estado mais puro, com a finalidade de refrescar o espirito e clarificar as ideias. A um convívio que apenas se obtém quando todas as mentes estão sincronizadas, aliou-se a música, mais uma forma de prazer, desta vez intelectual, para congregar e agradar a ainda mais pessoas. De todo o espectro musical há aqueles festivais que se focam mais num género e nos seus afluentes, embora estes sejam menos publicitados, mais “underground” se quisermos, e talvez aqui encontremos a grande maioria dos festivais que mais nos agradam, os “Metal Fests”. No nosso tímido país, de tímidas pessoas com tímidos horizontes, surgem tímidos festivais ambiciosos que começam por crescer e impor-se sempre que o vento sopre a favor disso e, dos mais pequenos aos maiores, temos uma pequena vastidão por descobrir. Após esta introdução prolongada acerca de um mundo que todos nós, uns mais, outros menos, conhecemos, chegamos à conclusão que, afinal de contas, a música é aquilo que nos faz organizar e ir, mas o convívio é a verdadeira razão para ficar. Mas o que, neste caso, distingue um festival, de um simples concerto? Primeiro que tudo, e o que salta logo à vista, a relação quantidade custo, mais bandas, por menos dinheiro. Enquanto um concerto simples com duas bandas de abertura ronda os vinte e cinco euros, um festival de dois dias com quatro bandas por dia custa, em média, os mesmos vinte e cinco euros por dia, o mesmo custo, mais música. Em segundo, o prolongamento dos festivais em relação aos

concertos isolados, mesmo que, no caso dos segundos, haja bandas de abertura. Festivais podem durar desde um único dia até vários, sendo que o normal é rondar os 2, 3 dias, ou seja, mais tempo longe do “mundo real”, como se se gozasse de umas miniférias. Aliado a este prolongar do afastamento da realidade estão as próprias relações interpessoais, aprofundar as que já vêm de trás e até mesmo algumas que possam eventualmente surgir, assim como (re)descobrir partes de nós próprios numa espécie de introspeção durante o transe do momento “zen” que existe em todos os festivais, mas não em todos os concertos. Aquela altura em que estancamos e nos apercebemos de que estamos mesmo a viver aquele momento, em que nos sentimos totalmente invencíveis e nos surge um sorriso enorme na cara, normalmente seguido de um grito de guerra e um salto para o moche... ou um abraço de grupo no meio deste. Muitos defendem que a prática do moche e do headbang é algo selvático, mas só quem vive, vê e sente o extremo companheirismo gerado destes rituais sabe que “o culto do metal” é do mais amigável que pode haver. E é isto que faz de um festival de metal, uma experiência única e inesquecível, sem retirar um pingo da brutalidade que é o mundo do metal e até adicionandolhe mais dois ou três amigos. Daniel Guerreiro


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Versus Magazine #21 Agosto/Setembro 2012