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VERSUS MAGAZINE VERSUS Magazine c/o Ernesto Martins Rua da Barranha, 573 - 2D 4460 - 253 - Senhora da Hora Portugal Telem.: 918 481 127 E-Mail: versusmagazinept@gmail.com Web: /versus-magazine.com MySpace: /versusmagazine Facebook: Versus Magazine - Official Facebook Group: Versus Magazine PUBLICAÇÃO BiMESTRAL Download Gratuito DIRECÇÃO Ernesto Martins André Monteiro GRAFISMO A.Monteiro - Design & Multimédia www.amonteiro.net EQUIPA André Monteiro Carlos Filipe Cristina Sá Daniel Guerreiro Dico Eduardo Ramalhadeiro Eliana Neves Emanuel R. Marques Ernesto Martins Jorge Castro Luís Jesus Paulo Eiras Paulo Martins Renato Conteiro Sérgio Pires Sérgio Teixeira Victor Hugo FOTOGRAFIA Créditos nas Páginas PUBLICIDADE geral@versus-magazine.com

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Assim que nos apercebemos que esta edição da VERSUS Magazine seria publicada em data muito próxima do lançamento do álbum de regresso dos lendários Saint Vitus… ficou definitivamente escolhida a respectiva banda de capa. Afinal, não é todos os meses que temos o privilégio de nos apresentar com os rostos daqueles a quem o repórter classifica – muito justamente – como os avós do Doom Metal. A par da entrevista com os Saint Vitus, este número #19 regista ainda conversas com Arjen Lucassen, que acabou de regressar com o seu segundo trabalho a solo, com os cada vez mais avantgarde Borknagar, os nossos engenhosos The Firstborn, Samoth, o ex-Emperor que parece cada vez mais empenhado nos seus The Wretched End, e com outros nomes que vale a pena conferir. Continuando a nossa ronda de entrevistas a artistas gráficos, temos a honra de vos apresentar desta vez Fursy Teissier, o nome por detrás de algumas das mais belas ilustrações artísticas que o Metal já viu. E para terminar chamo a vossa atenção para a nova secção Garage Power, uma ideia original do nosso Victor Hugo, que se propõem apresentar aqui, a partir desta edição, os primeiros passos das muitas bandas de garagem espalhadas por esse país afora. Enviem as vossas opiniões para versusmagazinept@gmail.com. Ernesto Martins


NUMA ESTRADA

LONGE DO FIM

Já dotados de uma considerável experiência sustentada por participação dos vários elementos em bandas bem-sucedidas como os Emperor, Dark Funeral ou Mindgrinder, os The Wretched End (TWE), formados por Samoth, Cosmo e Nils Fjellström, colocam no mercado de música extrema o seu segundo álbum «Inroads». Um registo que começa a receber críticas bastante positivas e que marcará porventura o ano musical de peso em 2012. Para quem não conhece ainda esta banda, não será muito difícil adivinhar do que se trata sabendo que as raízes nórdicas predominam neste conjunto. Assim, uma mistura de Death, Thrash e um subtil Black-Metal fazem a génese deste «Inroads». Mas, vamos conhecer um pouco melhor então estes TWE nas palavras de Cosmo e Samoth.


Todos os membros dos The Wretched End (TWE) participaram em múltiplas bandas, algumas bastante conhecidas como Emperor, Dark Funeral, etc. Na tua opinião qual a motivação que leva a tais transições e quais os benefícios, se algum, que daí advêm? Cosmo: É bom agitar as coisas periodicamente e ir buscar sangue novo fora do nosso meio. Pode-se encontrar uma certa dose de experiência dentro do grupo, o que é positivo em todos os aspetos julgo eu. Também algumas bandas que mencionas não estão atualmente em atividade mas dão-nos uma certa notoriedade tanto nos pontos positivos como nos negativos. Certamente colocam-nos mais no centro das atenções, mas pode também divergir o foco daquilo que realmente estamos a fazer. Porque razão é que os TWE foram criados? Podes contar-nos um pouco da história da criação da banda em 2008? Cosmo: O Samoth e eu colaboramos tanto do ponto de vista profissional como pessoal desde há vários anos! Já colaboramos juntos em diversos projetos desde há vários anos e desde há algum tempo que pensávamos criar um projeto com estas características. A química foi sempre boa quando compúnhamos em conjunto e queríamos fomentar mais ainda esta componente. Fizemos a pré-produção para um álbum, martelamos um conceito e contratamos o Nils Fjellström para a bateria. É neste ponto em que nos encontramos hoje; uma colaboração criativa onde colocamos grande ênfase num processo conjunto de composição.

experiência. Conceptualmente é tudo bastante negro e devastador com uma forte componente pós-apocalíptica. Há uma forte componente pessoal no espírito do artwork. Todas as fotos no booklet foram tiradas dos arredores onde nós nascemos onde temos uma forte ligação a estes cenários e natureza e tudo isto também se relaciona com o título do álbum. É um título que sendo aberto pode ser entendido de múltiplas maneiras. Os TWE lançaram o seu álbum de estreia, «Ominous», em 2010. Podes dizer aos nossos leitores para quem poderão ser ainda desconhecidos quais as principais diferenças entre os TWE e as vossas bandas anteriores? Ou para colocar a questão de outra maneira, com estes dois álbuns podem dizer que já têm um caminho musical bem delineado, ou estão ainda à procura do denominador comum que definirá o som dos TWE? Samoth: Bem, não é um estilo de música radicalmente diferente que hoje fazemos nos The Wretched End. Os Emperor eram obviamente mais baseados em BlackMetal sinfónico. Mas se olhares para o catálogo dos Emperor, é bastante diversificado. Com os Zyklon, o som era sobretudo Death-Metal mas acabamos por também fundir várias influências. Portanto acho que continuo a trabalhar na mesma base sonora que Emperor e Zyklon mas os The Wretched End têm a sua própria identidade. Basicamente, Metal Extremo é o que fazemos e é completamente natural trazermos connosco experiências, talentos e influências das nossas raízes musicais.

“Nos primórdios as coisas eram um pouco mais genuínas e exigiam mais dedicação e claro que eram totalmente underground.”

«Inroads» é o título do novo álbum. Fez-me ir ao dicionário verificar o significado do termo e obtive algo como “… to start to become successfull by getting sales, power, votes, etc. that someone else had before…”. Mas a capa do álbum é uma estrada de gravilha. Então como ficamos, porquê este nome? Se tivesse de adivinhar iria para a conotação política do termo… Samoth: Acho que devias verificar outra definição. A definição mais simples é invasão ou ataque hostil. Esse seria o significado mais “heavy-metal” pois fazemos um tipo de música de natureza bastante agressiva. No entanto o título tem mais significados associados penso. Refletindo sobretudo arredores e sentimentos pessoais, pensamentos e inspirações. Isto pode ser bastante concreto ou visual ou pode ser mais metafórico no sentido de estradas que levam à tua própria psique humana. Fundamentalmente é um título aberto a qualquer interpretação e deixa quem ouve a criar a sua própria

Presentemente estão artilhados com dois álbuns de originais. Este é o momento de começar a olhar para os TWE como uma banda cabeça de cartaz ou achas que ainda precisam de mais um álbum para irem para o palco e fazerem um espetáculo a rondar os 90 minutos? Cosmo: Com certeza que seria bom apresentarmos o material que já temos em palco, mas atualmente não estamos ainda nesse estágio de evolução. A nossa motivação é criar e trabalhar os processos que surgem associados a esse desígnio, mas nós não estamos desligados da ideia de sair para o palco e mostrar o que realmente os The Wretched End são. Na tua opinião pessoal, as relações com os outros são um meio de inspiração, ou é a música que potencia a ligação com a tua família e amigos? Ou estes aspetos coexistem nos dois sentidos e ambos se complementam?


“Qualquer que seja o estado da nossa vida pessoal, isso afetará sempre o modo como nasce a nossa música também”


Cosmo: Acho que não podemos desligar uma coisa da outra. Qualquer que seja o estado da nossa vida pessoal, isso afetará sempre o modo como nasce a nossa música também. Se tivesses de escolher alguns CDs (não necessariamente de Heavy-Metal) para a tua vida depois da morte, quais é que escolherias? Cosmo: Oh, isso é fatalmente um desafio para a maioria dos metal heads acho eu. Levaria comigo pelo menos Mercyful Fate, AC/DC, Morbid Angel, Megadeth, Kreator… etc., etc. Samoth: Ouvir CDs na tua vida após a morte pareceme ser uma visão um tanto ímpar, mas se este é o caso levaria comigo um Ipod, que me daria muito mais por onde escolher. Eu ouço muitas vezes música no shuffle… uma banda sonora sem fim. De qualquer modo não tenho uma grande fé na vida depois da morte. Acho que podemos dizer que a Noruega é o berço do Black-Metal. Como olhas presentemente para a cena Black-Metal na Noruega? Pergunto-me por exemplo se continua a fazer sentido toda aquela indumentária, pinturas, etc. que confere a este género musical uma vertente mais teatral. No fim de conta é música concordas? Samoth: O termo Black-Metal está de facto um pouco desgastado e há por aí muitas bandas que são uma autêntica paródia, comparado com os primórdios. Eu continuo a gostar do Black-Metal clássico e continua a ser algo que me inspira musicalmente, mas não estou muito atualizado em relação à cena Black-Metal atual. Quando penso em Black-Metal, penso no início dos anos 90 e no movimento do qual fiz parte nessa altura. Era de facto algo de diferente e único mas esse sentimento já desapareceu há muito. O Black-Metal atual é bem diferente e vem já pronto a servir numa bandeja

através duma distribuição que é agora uma rede digital e há um exagero de informação e pessoas a fazer a mesma coisa. Nos primórdios as coisas eram um pouco mais genuínas e exigiam mais dedicação e claro que eram totalmente underground. Na tua visão, achas que devido aos desequilíbrios que encontramos nas sociedades modernas o fim da raça humana está perto e que esse fim será miserável (Wretched)? Ou estou a dramatizar em demasia neste ponto? O tema “Death By Nature” está de algum modo relacionado com estas ideias? Neste momento ocorre-me que a Noruega em muitos indicadores é considerado um dos melhores países para se viver. Samoth: Nós tentamos criar uma atmosfera dentro da nossa expressão artística, e é quase como escrever um livro ou um guião para um filme onde tu crias algo numa paisagem visual. Nós não somos uns freaks praticantes do culto do Juízo Final no sentido em que esperamos ardentemente pelo fim da humanidade e que o grande apocalipse nos atinja em força vindo dos céus. Trata-se mais de observar problemas que acontecem no mundo e como nós os humanos agimos em prol dos outros e do solo sobre o qual caminhamos. Sinto-me fascinado pela temática do fim dos dias e encaixa perfeitamente na nossa música. “Death by Nature” fala do facto de subtrairmos à natureza para construirmos o poder que temos. Mas se a natureza liberta a sua ira, nós os humanos ficamos extremamente vulneráveis. Achamos que conseguimos controlar a natureza mas a verdade é bem diferente. Entrevista: Sérgio Teixeira


Da cor azul no mar O título pode parecer idiota, mas relaciona-se com uma resposta arguta e humorística do nosso entrevistado: Jens Ryland, um dos guitarristas de Borknagar, banda veterana mas ainda com muito para dar ao mundo da música extrema. Desta vez, o tema central da entrevista é «Urd», o último longa duração da banda norueguesa. A conversa revelou-se tão interessante como o álbum que lhe deu origem. É aproveitar!


Onde estão os elementos de Black Metal em «Urd»? Jens Ryland: Onde está a cor azul no mar? Os elementos de Black Metal estão incorporados no nosso código genético, fazem parte das fundações de Borknagar e constituem algo de que nunca nos poderemos afastar. O que vês no atual trabalho da banda é uma versão de Black Metal menos óbvia, mais discreta, combinada com muitas outras influências, talvez um tanto escondidas na paisagem sonora que conseguimos criar. Mas con-

trelinhas. Penso que é esta também a orientação essencial de «Urd». O ouvinte tem à sua frente um conceito ou imagem que está de acordo com a música que fizemos e apresenta as nossas ideias de uma forma que nos parece perfeitamente adequada a estas.

tinua a situar-se dentro das fronteiras do Black Metal.

(«Universal»). Estamos habituados a trabalhar com excelentes artistas gráficos, mas para nós Marcello merece o cognome “O Mágico”. O Øystein discutiu com ele o conceito do álbum, deu-lhe os títulos de algumas das faixas e falou-lhe um pouco das suas próprias ideias sobre o artwork e, no dia seguinte, tínhamos a primeira versão do artwork! Todos os elementos da banda participaram na discussão desta primeira proposta e, ao fim de três versões, o Marcello tinha os elementos centrais do artwork estabelecidos.

E qual a relação que o álbum mantém com o excelente arwork que apresenta? A propósito, quem é o seu autor? É Marcello E. Cissa, um designer brasileiro, que já tinha feito o artwork para o nosso álbum anterior

papel importante nesta trajetória. Os filhos mudam a vida das pessoas, dão-nos outros objetivos. Eu tenho três. Mas, agora que temos as nossas vidas organizadas, podemos focarnos nos elementos certos. Penso que «Urd» é um bom exemplo desse esforço. Pensando nos momentos mais depressivos da nossa carreira, recordo-me logo do dia em que me encontrei com o Øystein num bar de Oslo e lhe disse que já não queria dedicar-me mais à música. Estava esgotado e sentia que não

“Os elementos de Black Metal estão incorporados no nosso código genético […] é uma versão de Black Metal menos óbvia, mais discreta [...] Mas continua […] Black Metal.” Ouvi alguns dos vossos álbuns anteriores e neles encontrei elementos de Black Metal sinfónico, embora combinados com outras influências, nomeadamente folk metal, tendo em conta os vocais limpos e alguns arranjos musicais. Podemos dizer que «Urd» é um álbum da maturidade, que dá novas direções ao estilo musical da banda? Sim é isso mesmo que estamos a fazer. E sempre o fizemos. Com este álbum, olhámos para o nosso percurso anterior, refletimos sobre ele e procurámos reutilizar alguns dos elementos primitivos da nossa música num novo conceito artístico. Como explicas a ligação entre o conceito de base do álbum (muito bem descrito no texto promocional apresentado pela Century Media) e a orientação musical que nele encontrámos? A principal meta de Borknagar é fazer música inteligente, não música óbvia. Tens de ler nas en-

Como descreverias os 16 anos de carreira da banda? Quais foram os melhores momentos? E os piores? Tenho muito por onde escolher… No início, éramos um grupo de novatos, completamente desconhecidos, e foi duro fazer o percurso que nos levou ao ponto em que nos encontramos atualmente. Cometemos muitos erros e calcámos muitos pés. Durante o caminho, fomos crescendo. Podemos dizer que o facto de agora todos termos famílias desempenhou um

tinha mais nada a dar à banda. Acabei por desistir de ir tocar no Infernofestival e por abandonar Borknagar e dediquei-me a um negócio de construção, o que alterou muito a minha vida. Ainda demorei um bom tempo a recuperar, mas acabei por voltar mesmo e cá estou eu de novo Momentos mais altos? Temos muitos. Um de que dificilmente me esquecerei foi quando subimos ao palco para tocar para 25000 pessoas no Wacken Open Air. O Vortex estava lá, fazia sol depois de vários dias de chuva e o público estava eufórico! Há um outro momento peculiar que gostaria de referir. Estávamos contratados para um festival em Oslo, na semana anterior à data prevista para o nascimento do primeiro filho do Lars e da sua companheira. Mas a criança estava com pressa e o Lars teve de ir a correr para o hospital, quando ainda nem tínhamos feito o sound-check. Decidimos tocar na mesma. Mais tarde soubemos que o Set tinha nascido, quando já estávamos a tocar há 15 minutos. Foi fantástico!


Podemos dizer que cada um de vocês trouxe à banda algo proveniente das outras bandas em que esteve ou está? Se sim, o que foi? Experiência! Até a nossa primeira formação era constituída por músicos jovens, mas já com bastante experiência, vindos de outras bandas e que o Øystein conseguiu pôr a trabalhar em equipa. Tenho a firme convicção de que uma das razões pelas quais Borknagar evoluiu desta forma ao longo dos anos se prende com o facto de termos sempre conseguido tirar experiência positiva dos novos membros que iam chegando e de sermos capazes de continuar a rentabilizá-la quando eles partiam. Há alguma relação entre a música de Borknagar e a música popular do vosso país? Afinal, as bandas de BM são as que melhor integram as influências vindas de outros quadrantes. Sim, concordo contigo em absoluto. Se quiseres fazer boa música, nem tentes copiar as tuas fontes

de inspiração, preocupa-te antes em fazer algo novo. Todos nós ouvimos música que não tem relação nenhuma com Borknagar, mas, se pensares bem nisso, faz todo o sentido. Eu ouço In Flames, Devin Townsend, Dream Theater, Iron Maiden, Gary Moore, Stevie Ray Vaughan, Jimi Hendrix. São músicos muito diferentes uns dos outros, mas todos me conseguem inspirar, embora de modos diversos. Se ouvires Immortal e tentares fazer música como a deles, serás uma banda de covers consagrada a Immortal! Em Borknagar, não encontrarás qualquer influência da música pop norueguesa. Mas, aqui e acolá, encontrarás algumas influências do nosso folclore nacional. Não me interesso muito pelo pop norueguês. Prefiro ouvir Muse ou os Foo Fighters. Como te parece que os fãs vão receber «Urd»? Já tivemos um comentário negativo de alguém que pretende que

refaçamos eternamente o nosso primeiro álbum e se revela muito conservador no que diz respeito à nossa evolução musical. Mas acredito sinceramente que, por esta altura, o público já percebeu que Borknagar nunca vai deixar de evoluir, sem renegar por completo as suas origens. Tenho de admitir que nunca tive tanta confiança na qualidade de um álbum nosso. E quais são os vossos planos para a promoção deste álbum? Neste momento, gostaria de poder dizer-te que vamos fazer uma digressão mundial. É o meu sonho! Mas nenhum de nós pode deixar o seu emprego e a família para se aventurar na estrada… Entrevista: CSA


Uma oport una

ressurreição


Após cinco anos de interregno criativo, os suecos Naglfar regressam com mais um longa duração: «Téras». Com a curiosidade aguçada pela interessante mistura de Black e Death metal ao gosto americano que esta banda nos oferece, procurámos chegar à fala com algum dos elementos da banda. Ao apelo da Versus respondeu Andreas Nilsson, um dos guitarristas da banda, que compartilhou connosco reflexões sobre o percurso da banda e uma grande esperança no seu futuro, apesar das dificuldades que, de vez em quando, é necessário enfrentar. A banda teve um longo interregno criativo entre 2007 e o ano corrente. O que aconteceu? Andreas Nilsson: Houve vários fatores que interferiram. Precisámos de nos ocupar de questões relacionadas com os nossos empregos, estudos e famílias, o que tornou difícil para todos arranjar tempo para nos encontrarmos e trabalharmos em material novo. Também perdemos a nossa sala de ensaios e tivemos alguns problemas de relacionamento no seio da banda, que demoraram o seu tempo e exigiram alguma energia para serem ultrapassados. Mas, acima de tudo, todos concordávamos que não valia a pena estarmos a criar música à pressa. Por que vos pareceu que 2012 era o melhor ano para a banda reaparecer? Bem, tínhamos terminado o álbum que estamos a lançar, portanto não víamos nenhuma razão de peso para adiar o nosso regresso. E por que razão será que há cada vez mais bandas a precisarem destes longos interregnos criativos? Na tua opinião, tem algo a ver com as caraterísticas atuais

da cena metal? Francamente, não faço ideia nenhuma. Mas, de vez em quando, temos de nos recentrar nas nossas vidas para além da banda. Não vivemos da música, portanto, por vezes, temos problemas a resolver noutros setores da nossa vida. Vocês fazem uma mistura de Black e Death metal muito tenebrosa – uma combinação realmente muito interessante. Mas o vosso Death metal não tem nada a ver com a variante melódica caraterística das bandas suecas, pois não? Parece-se mais com a versão americana. Concordas comigo? Até certo ponto, concordo. De facto, no início da nossa carreira, fomos muito influenciados pela cena sueca, sobretudo por bandas como, por exemplo, Unanimated, Eucharist, Tiamat. Mas eu sempre fui fã de bandas americanas: Morbid Angel, Angel Corpse, Nile e Deicide. Portanto, provavelmente, esse gosto refletiu-se no meu estilo de composição de riffs. Por que fizeram essas opções? Não me parece que se possa falar de escolhas deliberadas. Ninguém

decide que vai tocar um determinado estilo. Essa opção decorre naturalmente da forma como vais evoluindo ao longo dos anos. Todos nós temos um background de heavy metal, incluindo bandas como Kiss, Iron Maiden, Judas Priest e Dio, que eram muito importantes na nossa adolescência. Depois, evoluímos para formas de metal mais extremas, tal como aconteceu com muitos outros fãs. «Téras» está muito longe dos vossos álbuns anteriores? O que marca a diferença entre este longa duração e os seus antecessores? Eu diria que representa uma progressão natural em relação a «Harvest». Alguns dos riffs de «Téras» foram escritos em 2007. A diferença entre os dois álbuns decorre do facto de termos tido mais tempo para trabalhar a estrutura das canções e de termos podido ver melhor os pormenores. Mas isso tanto pode ser bom como mau, penso eu. Achei a capa do vosso álbum muito interessante e reparei que era da autoria de Niklas Sundin. É que vou entrevistá-lo para a


”[...] sempre fui fã de bandas americanas: Morbid Angel, Angel Corpse, Nile e Deicide. Portanto, provavelmente, esse gosto refletiu-se no meu estilo de composição de riffs.” Versus Magazine, mas na qualidade de artista gráfico. Por que o escolheram? Já tínhamos trabalhado com ele antes e sou um grande fã do seu trabalho, de um modo geral. Contactámos com ele em 2006, para fazer o artwork de «Harvest», mas, nessa altura, ele estava demasiado ocupado para aceitar mais um trabalho. Portanto, foi o primeiro artista de quem nos lembrámos, quando «Téras» estava quase pronto. E estamos encantados com o produto final. O que significa o título do vosso álbum? E que relação existe entre ele e a imagem que se vê na capa do álbum? Significa qualquer coisa como monstro ou feto mal formado.

Simboliza o nosso planeta e os seus habitantes. Eu não tenho dificuldade em ver a relação entre este tema e a capa do álbum, mas cada um tem direito à sua interpretação pessoal. Onde vão tocar para promover «Téras»? Vai depender de vários fatores. Estamos comprometidos com vários festivais no próximo verão, mas não sabemos ainda o que vamos fazer depois. Esperamos fazer uma longa digressão e talvez passemos também por Portugal. Seria fantástico para banda. E – se vos derem a possibilidade de o fazer – quem escolheriam para vos acompanhar nesses concertos?

Vamos aceitar qualquer oferta que nos pareça razoável. Qual é a vossa maior ambição como banda? Até agora, era poder lançar este álbum. Como já conseguimos atingir esse objetivo, é fazermos uma bela digressão. Também queria ser capaz de viver apenas da minha música, o que consegui fazer até 2005. Neste momento, sinto-me muito feliz com o que faço em termos musicais e o meu único objetivo real é poder compor música que me agrade. Obrigado pela entrevista. Entrevista: CSA


IV EDIÇÃO DO FESTIVAL VAGOS OPEN AIR 3 E 4 DE AGOSTO - LAGOA DE CALVÃO – VAGOS Distinguido recentemente com o Prémio Vaga D’Ouro para a área cultural, o Festival Vagos Open Air vai levar o melhor da música pesada à Lagoa de Calvão, em Vagos, nos dias 3 e 4 de Agosto. Numa IV Edição que se prevê memorável, Coroner e Disaffected são as derradeiras confirmações em mais um cartaz de exceção, que conta também com a participação de nomes tão distintos e influentes no cenário do metal como os At The Gates, Arch Enemy, Overkill, Arcturus e Enslaved, entre outros. Os bilhetes custam 30.00 euros (diário) e 50.00 euros (passe dois dias) à venda nos locais habituais. Mais informações: www.vagosopenair.eu ou press@vagosopenair.eu


GRAVETY «Into the Grave» (Source of Deluge Records) Os Gravety são uma banda alemã natural de Saarbrücken. Aparecem em 2012 com o seu álbum de estreia chamado «Into the Grave». Quem ouve a introdução e os primeiros segundos da segunda faixa pensa logo que se trata de uma banda doom, mas ouvindo o resto do álbum depressa nos apercebemos de algumas semelhanças com os System of a Down, principalmente pelo tipo de voz mais aguda nas partes melódicas. Um projecto com algum potencial e como primeiro álbum apresenta um registo agradável. [7/10] Sérgio Pires

HORSE LATITUDES «Awakening» (Doomentia Records) Já era de esperar que o progresso incessante das sonoridades doom/ drone no sentido do mais grave e do mais lento, culminasse, um dia, em estranhos modelos de banda como aquele adoptado pelos Horse Latitude: dois baixos, uma bateria e nenhuma guitarra. E é certo que há grupos capazes de fazer magia com tão pouco, mas esse não é certamente o caso deste trio de Helsínquia. Com a possível excepção do vocalista que faz um trabalho decente, tudo o resto é um desfiar de vibrações primárias e batidas padrão que falham em todas as frentes. Numa palavra: boooorrrriiiinnngggg!!... [4.5/10] Ernesto Martins JUNKIE KUT «T.H.E.Y.» (Unrepresented Music) T.H.E.Y. é uma fusão de cyber punk rock com música eletrónica (hardcore). Posso encontrar paralelo com os Atari Teenage Riot mas um pouco mais extremado. Este estilo de música é muito propício às raves. De facto, Junkie Kut descarrega 11 temas do mais puro e extremo cybertechno-punk, usando voz, guitarra e a bateria totalmente eletrónica. A nota reflete o gosto pessoal mas penso que será um bom álbum para os amantes do género. [6.5/10] Eduardo Ramalhadeiro

LORD MANTIS Pervertor» (Candlelight Records) Esta é uma daquelas bandas que consegue transmitir ódio e blasfémias como quem maneja com mestria o gume de uma faca na carne dos ouvintes. Ao segundo álbum os Lord Mantis conservam o mais negro do Sludge e espalham-no em sete momentos poderosos, que nos atiram contra a parede e fazem-nos sentir a frieza da voz de Charlie Fell (Nachtmystium) misturada com as navalhadas de um dos Sludges mais poderosos e negros que andam por aí. [7/10] Victor Hugo


PERVERSITY «Ablaze» (Lavadome Productions) Desconhecidos por estas paragens apesar dos seus dezassete anos de existência, os eslovacos Perversity apresentam neste quarto registo um sólido trabalho de death metal brutal com o feeling old-school e a contundência rítmica de bandas como Suffocation ou Morbid Angel, a par duma subtil veia mais moderna na linha de Dying Fetus. São trinta e poucos minutos de uma torrente de riffs diabólicos e percussões caóticas, com um lado técnico saliente (designadamente um baixo criativo), que não constituindo nada de muito novo não deixará de soar como satisfatório para os fãs do género. [7.5/10] Ernesto Martins

TEMPLE «Structures in Chaos» (Non Serviam Records) Os Temple são um projecto recente de brutal death metal. Originários da Holanda, a banda foi formada por A.J. van Drenth (Beyond Belief) and Rachel Heyzer (ex-Sinister). «Structures in Chaos» é o primeiro trabalho conhecido da banda e foi lançado em Fevereiro passado. É uma boa proposta para os apreciadores do género, a bateria é um rolo compressor, com um bom suporte da guitarra com riffs bastante agressivos e elaborados. Um projecto com pernas para andar. [7/10] Sérgio Pires

TENHI «Saivo» (Prophecy Productions) Esta é uma daquelas bandas que por vezes é ignorada injustamente. Evocando as raízes culturais finlandesas, quer pela língua quer pela música, cada lançamento deste coletivo de excelentes músicos traz uma viagem a um mundo esquecido – mundo esse que é lembrado e recriado pelos Tenhi, sempre com a presença da melancolia e da beleza, talvez proporcionado pelos instrumentos acústicos juntamente com a companhia da arte e da natureza. «Saivo» não é exceção e por isso esperem passagens realmente intensas, profundas e belas. [8/10] Victor Hugo

THORNIUM «Dominions of the Eclipse» (Soulseller Records) Reeditar um álbum como o «Dominions of the Eclipse», de 1995, dos suecos Thornium, foi uma ideia brilhante da Soulseller Records. Isto porque para além do álbum são adicionadas musicas bónus com significativa relevância, como a totalidade da demo de 1994, «North Storms of the Bestial Goatsign». Os fãs da banda podem não ter razões para adquirir esta reedição, mas todos os outros amantes de Black Metal podem ter a certeza que encontrarão aqui uma jóia negra dos tempos áureos do Black Metal. [7/10] Victor Hugo


ULVERHEIM «När Dimman Lättar» (Soulseller Records) O músico Ulverheim apresenta-se com esta proposta, juntamente com a Kali Ma, após ter marcado presença noutras bandas, oferecendo-nos um Black Metal amigável, sem mágoa e que se ouve descontraidamente. Aqui há um pouco de tudo exceto a crueza do tradicionalismo. Há polidelas e até algumas texturas ambientais proporcionadas pelo sintetizador. A sua totalidade é jeitosinha, com momentos bons a recordar Satyricon, mas pouco surpreendente. [6/10] Victor Hugo

VENIAL SIN «Sphere of Morality» (Infektion Records) «Sphere of Morality» surge como o primeiro EP dos transmontanos Venial Sin. Um trabalho de enorme potencial que deambula entre uma sonoridade mais melódica de death metal com partes mais atmosféricas, notando-se influências de bandas como Opeth e dos já saudosos ThanatoSchizo. A música “Real end” mostra todo os potencial sonoro da banda, uma introdução ambiental calma, que arranca para um final seguro, mais death, sem nunca perder o toque ambiental. O EP foi gravado no estúdio Blind & Lost e foi misturado e masterizado pelo Guilhermino Martins. [8.5/10] Sérgio Pires

WHITE SKULL «Under This Flag» (Dragonheart Records) Uma banda com uma carreira significativa, longa e com nove álbuns, merece destaque principalmente se o trabalho que apresentam é relevante no Metal. Os italianos White Skull merecem esse destaque por preservarem valores tradicionais no Heavy/Power Metal – ou seja, podem contar com composições muito porreiras, sem cair nos exageros do Power Metal atual, e com aquele feeling warrior ready for battle que só o Heavy Metal consegue produzir. Nada de novo ouvimos aqui, mas é Heavy Metal… prontos! [6.5/10] Victor Hugo

Woods of Ypres «Woods 5: Grey Skies & Electric Light» (Earache Records) Na mesma altura que descobri Woods of Ypres foi quando soube do desaparecimento de David Gold. Woods 5 (...) foi já terminado após a sua morte e é uma autentica pérola do doom... emotivo, pesado, melódico, introspetivo e melancólico. Este álbum terá que ser ouvido, pelo menos uma vez, acompanhado das letras e depressa nos apercebemos que Gold parecia estar a antever a sua partida. Podia estar a escrever sobre todos os temas mas em “Alternate Ending” podemos ler: “Back On the highway, under the moon, my final moments, still wondering about you...” ou em “Travelling Alone”: “You’ve seen the evidence of God but I have not and I have none“. David Gold faleceu em 22/12/2011. RIP [9/10] Eduardo Ramalhadeiro


Grandfathers of Doom São, na verdade, filhos da estética Doom, mas avós para as demais bandas que encontraram no seu estilo uma veia de inspiração. Depois de uma separação em 1995 sem qualquer esperança de se reunirem no futuro, eis que surge um bem aclamado álbum para satisfazer os sempre fãs da banda, e outros que sintam curiosidade de conhecer esta lenda. A VERSUS Magazine conversou com Dave Chandler, guitarrista e elemento fundador, para conhecermos o ponto de situação da banda. Olá, Dave. Finalmente um álbum novo dos Saint Vitus está cá fora para ser apreciado. Depois da banda se ter separado, alguma vez imaginaste que se reuniriam? Dave Chandler: Não. Quando nos separámos em 1995 pensei que seria o fim. Em 2010 o baterista Armando Acosta faleceu (R.I.P.). Foi difícil encontrar outro baterista? Estão satisfeitos com a performance deste? Não, não fizemos audições a ninguém. Eu conhecia o Henry por ter tocado com ele nos Debris Inc., e sabia que ele conseguiria fazer o serviço. Mark e Wino confiaram em mim e resultou tudo muito bem. Além disso, o Henry veio adicionar uma nova dimensão de poder e excitação na banda.


ganta abaixo.

«Lillie: F-65» soa realmente poderoso e não degenera da sonoridade que a banda nos ofereceu no passado. Como olhas para o vosso novo trabalho? E como foi a sua composição e todo o trabalho envolvente? Estamos mesmo satisfeitos com o caminho que o álbum tomou. Queria que ele soasse fresco sem perder o feeling old school, porque não suporto quando as bandas se reúnem e lançam um álbum que não soa nada a eles próprios. Quando à composição, escrevemos o tema “Blessed Night” na estrada. As restantes músicas, com a exceção de Vertigo, escrevi-as e enviei-as para o pessoal para que as conhecessem antes de entrarmos em estúdio. A capa do álbum intriga-me. Qual o conceito de «Lillie: F-65»? Tentar descobrir o conceito e ti-

rar as suas próprias conclusões é como um puzzle. O cover art incluído no álbum fornece todas as pistas necessárias. Atualmente tens a consciência que a tua música, o ritmo e os riffs de guitarra Doom influenciaram centenas de bandas? Como se sentem em relação a isso? Sentimo-nos bastante lisonjeados e felizes por as pessoas manterem o Doom vivo todos estes anos. Qual a tua opinião acerca da cena Metal atual e música em geral? É bastante diferente da cena dos 80’s ou mesmo dos 70’s, certo? Eu acho-a similar mais aos 70’s do que à dos 80’s, porque há muitos mais estilos de música diferentes no mundo do Metal que são agora populares; ao contrário dos 80’s em que só havia um ou dois estilos que eram empurrados pela gar-

Vocês já fizeram algumas digressões e concertos com algumas bandas antes do lançamento do novo álbum. Mas, têm alguma Tour para promove-lo? Este Verão vamos participar em alguns festivais na Europa e na América, e depois, no Outono/ Inverno, iremos fazer uma Tour completa nos Estado Unidos, seguida de uma igualmente completa na Europa. Há algum festival no qual ainda não tenham tocado? Sim, a maior parte deles! Apenas tocámos no With Full Force em 2003, Roadburn e Hellfest em 2009 e Hole In The Sky em 2010. Como são uma banda com já alguns anitos, podes dizer-me algumas bandas que gostariam de partilhar um palco? Black Sabbath, claro! E seria também porreiro tocar com o Al-


“Sentimo-nos bastante lisonjeados e felizes por as pessoas manterem o Doom vivo todos estes anos.�


ice Cooper, Motörhead ou Judas Priest. Estava a falar com um amigo meu e ele está curioso por saber que material de guitarra usas. Eu uso uma Schecter Flying V e uma Gibson SG e os amplificadores que prefiro são os JMC 800. Obrigado pelo teu tempo, Dave. Espero ver-vos em Portugal. Alguma mensagem para Portugal? Obrigado a todos que se mantiveram connosco todos estes anos. Espero que gostem do álbum; fizemo-lo para vocês! Se quiserem realmente experienciar Saint Vitus venham ver-nos ao vivo – precisam de estar lá para sentir! Entrevista: Victor Hugo .

SAINT VITUS «Lillie: F-65» (Season of Mist) Para muitos seguidores dos Saint Vitus, 1995 poderá ter sido um ano terrível, porque a banda daria por terminada a sua atividade. Longe de esperar que se reuniriam anos mais tarde, ainda deram uns concertos e, quiçá, não terá sido daí que surgiu o gostinho de se voltarem a reunir, ensaiar e gravar mais um álbum. «Lillie: F-65» é precisamente o produto do regresso destes mestres do Doom, e tem muito para dar aos ouvintes. Antes de mais, o som está fresco e contemporâneo, por assim dizer. Sem fugirem ao registo que os identifica, os Saint Vitus fizeram a ponte do passado para o presente de um modo otimizado, de maneira que o álbum não se descaracteriza dos seus antecessores, e além disso o feeling old school mantém-se incrustado em cada acorde que soa. “Let them fall”, o tema de abertura, ilustra precisamente esse feeling que se espalha nos tempos lentos e poderosos; mas logo de seguida o tema “The bleeding ground” dá espaço para o headbanging, ou a parte final da música não fosse uma perola que se repetirá várias vezes. A voz de Scott “Wino” Weinrich encaixa que nem uma luva, entrando no tempo e entoando de um modo quase perfeito, parecendo essa mesma voz a “carne” da música. Já a inconfundível guitarra de Dave Chandler está um must, com todos aqueles ritmos que já nos habituou e feedbacks a rasgar o psicadelismo – como no tema “Dependence” que por muito pouco não se transformaria num pedaço de Drone. «Lillie: F-65» marca, assim, o regresso aguardado dos Saint Vitus e decerto que satisfará os fãs do seu passado. Por outro lado, este trabalho tem argumentos suficientes para agradar aos curiosos mais novos que desconhecem a banda. A estes só tenho a dizer: atiremse de cabeça e experimentem o que seria ouvirem Doom há 30 anos atrás! [8/10] Victor Hugo


o l e l a r a P o s r O Unive

O prolífico e criativo músico holandês está de volta, desta vez a solo, com um trabalho que se encaixa perfeitamente no seu universo musical. Podia ter sido um novo Ayreon, mas desta vez, Arjen conseguiu fazer o seu tão desejado álbum a solo e assim enveredar momentaneamente por uma carreira a solo, 18 anos depois de Anthony’s «Pools of Sorrow, Waves of Joy». Sempre simpático e compreensivo, Arjen Lucassen dignou-se a responder a todas as nossas perguntas, indo ao ponto de revelar alguns pormenores surpreendentes sobre o próprio.


Em 1994 lançaste o teu primeiro álbum a solo, «Pools of Sorrow, Waves of Joy». Isto faz de «Lost in the New Real» o teu segundo lançamento. Como é que vês estes dois projectos? Consegues desvendar algum fio condutor entre os dois lançamentos, ou nem por isso? Arjen Lucassen: Ambos os lançamentos são muito ecléticos e têm estilos diferentes. Mas reconheço, para ser honesto, que o de 1994 foi um descalabro, apesar de ter os seus momentos. «Lost in the New Real» é um álbum mais coeso apesar de todos os diferentes estilos lá presentes. Penso que desta vez, ao invés do anterior, há um conceito que mantém todas as músicas ligadas. Porque é que levaste quase duas décadas para lançares um novo álbum a solo? Tentei fazer um álbum a solo nos últimos 10 anos, mas de cada vez, esta intenção acabava num projecto com muitos vocalistas! Não o consigo evitar… quando oiço vocalistas de que gosto muito, eu quero trabalhar com eles [Risos]. Mas sim, o último Ayreon «01011001» começou como um projecto a solo tal como os Guilt Machine. Mas desta vez, finalmente consegui… já não era sem tempo!

eu faço todas as vozes. E também… é mais fácil no que respeita à logística e o álbum fica muito mais barato porque não tenho de pagar a mim, hahaha! «Lost in the New Real» é um album conceptual. Qual é a história por detrás do conceito? «Lost in the New Real» conta a história do Sr. L., um homem com cancro, à beira da morte, que foi crio-preservado no início do século XXI, sendo posteriormente reanimado algures num futuro indeterminado. Neste mundo futuro, o cancro e outras doenças foram erradicadas, e a fábrica social da Humanidade foi mudada de forma drástica: Os computadores passaram a desenvolver emoções e a maior parte das interacções sociais são feitas no mundo virtual. A linha entre aquilo que é considerado real e não real, ficou desfocada

ir ter com o designer artístico do álbum, Claudio [Bergamin], demo-nos conta que éramos ambos grandes fãs dos posters de ficção científica dos anos 50’s e 60’s. Tentamos emular o espírito da coisa e actualizá-lo aos nossos dias e assim temos a presente capa. Ouvindo o álbum, conseguimos identificar as tuas raízes musicais e a atmosfera dos Ayreon. Acho que a música do Arjen é tão única que se torna indissociável de si como músico, o que quer que faça. Quanto difícil foi compor «Lost in the New Real» sem cair em demasiado nos Ayreon? Ou assume o Arjen que este álbum é completamente orientado musicalmente aos Ayreon? Desta vez não havia qualquer expectativa por parte dos fãs, pelo que, eu podia fazer o que bem entendesse e queria. Não tinha qualquer limite de qualquer ordem. Não tinha de escrever para outros vocalistas, pelo que, assim pude fazer aquilo que sentia no momento, sem ter de pensar muito sobre o assunto e deixar a minha inspiração guiarme. Por outro lado, como a música que ouvimos na adolescência é a que tem o maior impacto em nós, eu fui obviamente inspirado pela grande música dos 60s e 70s, com a qual cresci a ouvir. Eu não estou de forma alguma a esconder as minhas inspirações para este álbum!

““Desta vez, eu faço todas as vozes…e o álbum fica muito mais barato porque não tenho de pagar a mim, hahaha!”

Sendo tu um músico de variados projectos de sucesso, vejamos: és a alma e mentor dos Ayreon, Star One e mais recentemente Guilt Machine, e ajudaste a lançar os Stream of Passion, isto para não falar dos Ambeon. Com tudo isto, quais são as tuas razões para relançares uma carreira a solo? Com todos estes projectos, porquê a carreira a solo? Porque eu gosto de cantar. É esta a grande diferença para todos os meus outros projectos. Desta vez,

para além do inimaginável. As 15 canções que fazem o álbum seguem a jornada emocional do Sr. L., ele que, com a ajuda de um conselheiro psicológico (o narrador), é confrontado com vários aspectos sérios e outros cómicos desta “nova realidade”, tentando decidir, se ele consegue ou não encontrar um lugar para si com significado. Onde é que arranjaste a inspiração para surgires com uma capa a fazer lembrar a literatura e cinema de ficção científica dos 50s ou mesmo 60s? A capa do álbum é algo com o qual, antes de chegar a uma decisão definitiva, estou sempre a mudar de opinião. Primeiro, queria algo similar ao «Hipgnosis» dos Pink Floyd, depois uma capa ao estilo literário. Finalmente, e depois de

Este assunto leva-me à minha próxima questão. Sinto que «Lost in the New Real» poderia bem ter sido o próximo Ayreon, na mesma veia musical de «Into the Electric Castle» or «Flight of the Migrator: Part I». Há quem o coloque próximo da textura musical do «The Dream Sequencer». Penso que as diferenças não podem ser medidas somente pela


inclusão de convidados vocais – como nos Ayreon – ou o Arjen na voz. Qual o teu comentário acerca desta dicotomia solo-Ayreon? A maior diferença é, de facto, eu cantar tudo e não haver cantores convidados famosos. Se eu tivesse lançado este álbum como um Ayreon, os fãs estariam à espera disso e teriam ficado desapontados. Por outro lado, este não é uma bombástica ópera rock over-the-top

isto que gosto nele, quer como pessoa ou actor. Ele mergulhou completamente na história, na música, e escreveu para o álbum todas as suas linhas da sua personagem, tornando-o ainda mais especial. Para mais, há bastantes similitudes entre o filme Blade Runner (o meu filme de sci-fi preferido de sempre, no qual o Rutger entra) e a minha história. Adorei o facto de o Rutger ter usado a referência Voight-

séries de TV. Não sou do tipo de gostar de coisas repletas de efeitos especiais, mais sim, no aspecto que tem a ver com relações interpessoais. Sou mais Star Trek do que Star Wars.

como o é Ayreon. É menos pesado e musicalmente mais orientado. Mas sim, tudo aquilo que eu fizer e lançar terá definitivamente o meu som. Penso que só os ingredientes é que diferem de projecto para projecto.

Kampff do Blade Runner como nome da sua personagem.

Nunca planeio nada em avanço. Apenas deixo a minha inspiração guiar-me para o próximo projecto, qualquer que seja ele. Planear de avanço, limita-me, e de qualquer forma acabo sempre por mudar de ideias! É sempre uma surpresa para mim ver o que vem a seguir.

No futuro, como é que vês e pensas gerir a tua carreira a solo com todos os outros projectos. Será que teremos de esperar outros 18 anos?

“Tenho vergonha de o dizer, mas nunca li um livro na minha vida.”

Lembro-me aquando do DVD dos Star One, de o ouvir dizer que cantar era algo em que o Arjen não se sentia totalmente confortável em fazer. O que é que me podes dizer, hoje, sobre esta escolha e experiência? Trabalhei com os melhores cantores do mundo, tais como o Bruce Dickinson, Jorn Lande e Russell Allen. Perante eles. Sinto-me humilde! É impossível um dia vir a cantar como eles. Mas, ao longo dos anos, aprendi a reconhecer as minhas limitações e escrevi canções que são perfeitas para a minha voz. Agora, estou orgulhoso da minha voz e sinto-me bastante confiante! A narração ficou a cargo do famoso actor Holandês Rutger Hauer, o qual dá a «Lost in the New Real» uma alma interina que consolida a música e o conceito. Como foi trabalhar com ele? Porquê o Rutger? Sou um fã do Rutger desde os meus 10 anos. Trabalhar com ele foi um sonho tornado realidade. Tudo aquilo que tem a ver com ele é real. É

A ficção científica tem sido um tema recorrente na maior parte dos teus projectos. Ayreon é por vezes uma espécie de sci-fi emocional, Star One é puro sci-fi e Guilt Machine está igualmente relacionado com o tema. A ficção científica é um tema maravilhoso. Porque é que a ficção científica conduz tanto as suas emoções musicais? Eu amo o escapismo… e a ficção científica é o escapismo último. É a forma de escapar noutro tempo ou no próprio espaço. Sou um recluso total: não leio jornais, nem sequer vejo TV, pelo que tenho de usar a minha imaginação. A ficção científica é um excelente veículo para qualquer um expressar as suas emoções e pensamentos sem forçar ninguém ou passar por cima de alguém. Consegues discutir tópicos controversos sem te meteres em muitos problemas. Que tipo de ficção científica te diz mais? Os livros, os filmes ou eventualmente a banda desenhada? Ou são os três? Quais são os teus autores favoritos? Tenho vergonha de te o dizer, mas nunca li um livro na minha vida. Não consigo encontrar o tempo nem a concentração para tal. Mas, adoro ver filmes e em especial as

Posso estar enganado, mas não me recordo de te ter visto a tocar ao vivo em Portugal – Qualquer que seja o projecto. Quando é que poderemos ver o Arjen Lucassen ao vivo em Portugal? Tocar ao vivo não é a minha cena. Vejo-me mais como um compositor / produtor. Nos últimos 20 anos, só toquei ao vivo em duas tournées [Star One e Stream of Passion]. Simplesmente, detesto! Prefiro ser criativo e trabalhar em coisas novas do que tocar ao vivo. As minhas desculpas por isso. Entrevista: Carlos Filipe


Primeira (boa)

impressão

Os Pigeon Toe derivam de vários projetos musicais (entretanto extintos) e resultam do esforço dos irmãos Fischer em trazer um conjunto coeso e evoluído tecnicamente. Nas palavras de Martin Fischer tocam um “rock qualquer-coisa” com muitas influências de bandas bem progressivas. «The First Perception» é o princípio de algo que pode a vir ser grande.


Primeiro que tudo, parabéns pelo álbum de estreia. A minha primeira questão é uma que aposto que muita gente já vos colocou: Porquê “Pigeon Toe”? Há algum significado especial neste nome? Martin Fischer: Tens toda a razão. Fazem-nos esta pergunta muitas vezes e começo a pensar que foi uma boa escolha, pois, assim as pessoas não se esquecem facilmente do nome (Risos). Na verdade o nome não tem nenhum significado especial, mas há um tema dos Fu Manchu, chamado “Pigeon Toe”, e o nome da nossa banda anterior, “Mongouse”, foi também inspirado num tema dos Fu Manchu (muito cliché, eu sei), banda da qual gostamos muito, e apesar de, musicalmente, não termos nada em comum com eles,

ficiente até os termos da maneira como queríamos no álbum.

decidimos manter o nome, até porque não haviam alternativas. E agora presumo que seja tarde de mais para mudar.

processo muito mais fácil

Este projeto é de alguma maneira diferente dos outros - Fear My Thoughts, Mongouse ou Triptykon. Podes contar-nos um pouco sobre o processo de composição? Isto resultou de trabalho individual ou todos os músicos contribuíram? Na maior parte dos temas fizemos a composição, ou todos juntos no ensaio ou enviávamos os temas via internet. Como todos os elementos tinham a possibilidade de tocar/praticar e uma vez que as influências eram muito diversas, era necessário dar o devido espaço, sem no entanto fazer os temas demasiado técnicos. A maioria de nós já tocou previamente juntos em outras bandas e isto tornou o

espaço para o i-Pad do Patrick para nos entreter com os seus sintetizadores, mas quando havia uma curva mais apertada, quem tivesse uma mão livre teria que agarrar nalguma coisa que estivesse solta. Felizmente, não tivemos que dormir na carrinha. Para outros músicos como vocês, que tentam começar uma banda, que concelhos podes dar? Recomendas este modo de vida ou já alguma vez te arrependeste de algumas escolhas feitas? De certo modo, escrever canções e pertencer a uma banda implica sempre muitas escolhas que temos de fazer. Com outras pessoas envolvidas há sempre muitas coisas que têm de ser discutidas e compromissos assumidos. Para mim funciona se me der bem com to-

“Na maior parte dos temas fizemos a composição, ou todos juntos no ensaio ou enviávamos os temas via internet.”

Vi pela vossa biografia que todos os membros vêm de projetos separados. Como se deu a reunião? Os Pigeon Toe já estavam nos vossos planos ou aproveitaram, simplesmente, a oportunidade? O meu irmão e eu trabalhámos em alguns riffs, enquanto ainda existiam os Fear My Thoughts. Mostrei algumas das ideias ao Norman e pedi-lhe para tocar bateria. Quando o Ben (baixo) se juntou começámos a trabalhar mais a sério nos temas, mas foi só depois da banda ter ficado completa e do fim dos Fear My Thoughts que decidimos gravar o álbum e partir em digressão. Penso que até a esta data todos nós procurávamos algo que ainda não tínhamos feito nos outros projetos. Então, experimentámos e trabalhamos os temas o su-

Uma rápida visita ao sitio da banda, particularmente à secção “Tour diary” e ficamos com uma ideia de como a banda se desloca entre concertos e cidades. Quantas pessoas viajam naquela carrinha? Com tanto equipamento vocês não têm espaço para nada… Estão confortáveis com este tipo de vida? Adivinho que o “calor” e apoio transmitido pelo público compensam todos estes sacrifícios, certo? Tens toda a razão outra vez. Nessa tournée em especial o público foi fantástico e por isso as viagens não foram grande problema. Não tínhamos possibilidades para alugar um carro pelo que a carrinha do meu irmão teve de servir. Temos de agradecer aos Long Distance Calling por nos emprestar a maior parte do equipamento, assim só tivemos que levar o que era absolutamente necessário. Ainda havia

dos e não ficar preso a pormenores sem importância. E existem muitos destes pormenores no início, quando não sabemos muito bem que rumo tomar. Conheço muitas bandas que perdem imenso tempo a discutir como será a capa do álbum ou com o som do baixo do que propriamente a organizar concertos. Isto, provavelmente, não resultará muito bem. Tanto quanto me lembre, não acho que me arrependa das escolhas mais importantes, mas é claro que existem pequenos erros que fiz e espero não os repetir. Acho que isso é parte integrante do processo de crescimento. Sendo um projeto totalmente novo como defines a vossa música? Quais são as principais influências? Não temos uma definição exata para o nosso tipo de música, excepto que é “rock qualquer-coisa” no entanto, temos algumas ban-


das progressivas com as quais nos identificamos e, obviamente, os nossos temas seguem um pouco nessa direção. Gostamos de bandas como Pink Floyd, Fu Manchu, Meshuggag, Mostodon, King Crimson... poderia numerar mais umas quantas. Mas copiar a sonoridade e estilo de uma delas ou uma combinação de todas não é o que realmente pretendemos fazer. Como foi a gravação de «The First Perception»? Já que perguntas, demorou muito devido ao facto de termos feito a maior parte das coisas em casa. A bateria foi gravada pelo Victor

Bullok nos estúdios Woodshed, onde também, foi feita a mistura e a masterização. Na minha opinião, fez um excelente trabalho. Poupámos muito dinheiro tomando conta da maior parte das gravações, mas isso também nos consumiu muito tempo porque pudemos fazer tudo vezes sem conta. Vocês assinaram com a Lifeforce Records. Quão díficil foi encontrar uma editora competente, também, na promoção da banda? Pergunto isto porque chegou-nos uma banda Portuguesa (Digamma – excelente, por sinal!) e eles lutam por encontrar alguém que

promova o álbum... O Jan Hoffman dos Long Distance Calling ajudou-nos muito. Nestes dias que correm é realmente difícil encontrar uma editora, porque as vendas já não são o que eram há 10 anos atrás. Não tínhamos grandes expectativas com este álbum e ficámos muito contentes quando chegou o dia em que assinámos com a Lifeforce. Por outro lado, seria mais fácil se o nosso som fosse, de alguma maneira, diferente da maioria das bandas, mas ouço muitas vezes o argumento de que não há um público específico para vende-lo. Acho que são tempos difíceis. Esperemos que as pes-


soas percebam que a música não é só fazer o download da internet. Este facto, por si só, melhoraria as probabilidades das bandas arranjarem um contrato discográfico. Como foi a tournée com os Long Distance Calling? Foi mesmo fantástica. E apesar de ter sido muito curta, passámos bons tempos juntos. O público foi fantástico em todos os concertos. Foi a nossa primeira toruneé como Pigeon Toe e muita gente ainda não nos conhecia, mas mesmo assim respeitaram o que estávamos a fazer e parecem ter “entrado na onda”. Ainda assim, a carrinha era

muito pequena! Obrigado pelo teu tempo, «The First Perception» é um excelente álbum e espero ver-vos em Portugal! Não tens de quê. E sim, esperamos atuar em Portugal! Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro


O caminho

da perfeição


Quatro anos depois do aclamado «The Noble Search», é com prazer que voltamos a apresentar os The Firstborn nas páginas da VERSUS Magazine. O motivo deste regresso chama-se «Lions Among Men», o novo álbum que insiste em manter a banda afastada das concepções mais tradicionais da música extrema, e cada vez mais entregue à iluminação espiritual do Budismo. Para nos falar deste quarto registo de estúdio ninguém melhor do que Bruno Fernandes, o vocalista e mentor da formação de Lisboa. Na última vez que falei contigo, os The Firstborn estavam com a Major Label Industries (MLI) e essa ligação parecia ser para durar. Porque se desligaram? Bruno Fernandes: De forma muito (porventura demasiado) resumida, o nosso contrato com a MLI tinha a vigência de apenas um álbum, pelo que expirou após a edição do «The Noble Search»... como a editora não manifestou interesse em prolongar o vínculo, procurámos outras opções e a Rastilho afigurou-se como a mais interessante.

tilho Metal Records... esse foi, aliás, um dos aspectos que mais tivemos em conta na hora da decisão.

Os The Firstborn não são propriamente aquele tipo de banda de metal puro-e-duro em que a Rastilho tem vindo a apostar nos últimos anos, o que faz desta associação entre a banda e o selo de Leiria uma coisa algo estranha. Que achas? Como é que se deu a ligação à Rastilho? A ligação deu-se de uma forma muito natural, havia já algum interesse por parte do responsável da Rastilho, com quem vinha falando regularmente acerca

Embora nenhum dos álbuns dos The Firstborn seja de assimilação imediata, este novo álbum parece carecer de mais tempo para ‘digerir’ do que o disco anterior. Talvez tenha a ver com o facto de ser bastante diferente do «The Noble Search» e portanto necessitar de uma fase de adaptação. O que achas? O «Lions Among Men» não é, de todo, um disco fácil... nem pretendíamos que assim fosse. Não que tenha sido algo propositado, mas à medida que vamos compondo e nos focamos na atmosfera e nos pequenos, quase inaudíveis, detalhes, é uma consequência natural que se perca alguma da imediatez que caracteriza este género musical. Talvez possa soar algo presunçoso, mas procuramos fazer música um pouco mais desafiante, dentro das nossas limitações técnicas e criativas. Há, obviamente, todo um universo musical que já

dos desenvolvimentos relativos à captação e mistura do «Lions Among Men». Como tal, quando começámos finalmente a procurar uma editora para este álbum, a opção Rastilho esteve sempre presente e, no final de contas, revelou-se a mais interessante para a banda, a todos os níveis. Até agora o trabalho tem sido exemplar. Quanto à possível “estranheza” causada por esta ligação, basta recordar-vos o quão ecléctico é o catálogo da Rastilho, se não nos cingirmos apenas à Ras-

consideramos “nosso” e no qual nos movemos com algum à-vontade, mas procuramos sempre o aperfeiçoamento e foi o que se passou neste caso – sentimos que, desta feita, seria importante privilegiar a atmosfera, algo que apenas a espaços lográmos no passado. Como responsável pelo conceito lírico e estético da banda, esforcei-me muito nesse sentido... a música teria que corresponder ainda mais ao que as letras transmitem, e julgo termos sido bastante bem sucedidos nesse campo.

“Este carácter globalizante [do Budismo Mahayana], (…), estabelece um paralelismo muito curioso com a nossa própria postura criativa e musical, obviamente a uma escala ínfima”.


O «The Noble Search» foi, segundo as tuas próprias palavras, um dos “partos mais difíceis para os The Firstborn”. Em termos comparativos, como é que foi compor este novo disco? Foste novamente tu a escrever praticamente tudo? Até pelos motivos acima referidos, acabou por ser novamente, e parafraseando, um “parto difícil”... foi um processo bastante longo de tentativa e erro, desde a pré-produção até à fase das misturas. Imperava transmitir essa coesão entre conteúdo e forma, entre as letras e a música, pelo que acabámos por nos tornar (ainda mais) perfeccionistas em todos os pequenos detalhes. Desta feita, felizmente, tive a preciosa colaboração do Nuno Gervásio (guitarrista) em todo o processo, tornando-se difícil quantificar todo o trabalho que desenvolvemos para este «Lions Among Men» - foram horas infindáveis, porventura demasiadas, em torno de estruturas, arranjos e dos mais ínfimos detalhes. Sinto-me muito grato por alguém se ter identificado com a minha visão ao ponto de abdicar de tanto do seu tempo em prol deste álbum. Obviamente, além disso, houve todo um trabalho em conjunto com os restantes elementos em que todos puderam dar o seu contributo, pelo que não há que menosprezar a sua importância. Ao contrário do álbum anterior que foi gravado no Pais de Gales com o Chris Fielding, desta vez vocês decidiram gravar por cá. Será que foi uma decisão ditada pelo orçamento disponível ou houveram outras razões?

A ida a Gales foi uma “aventura” que dificilmente poderíamos repetir não apenas por questões de orçamento, como referes, mas até pela disponibilidade dos músicos. Com o passar dos anos, todos temos vindo a acumular responsabilidades pessoais e profissionais que tornam cada vez mais inviável um mês seguido de ausência, como sucedeu aquando das gravações do «The Noble Search». Ainda ponderámos pedir ao Chris para cá vir gravar connosco, mas os constantes atrasos com a pré-produção (como disse, foi um processo longo e moroso) dificultaram progressivamente a conciliação de agendas e acabámos por abandonar a ideia. Felizmente surgiu a opção MDL com o André Tavares, com quem o nosso baterista Rolando Barros tinha já trabalhado na gravação do último álbum de Grog, e acabou por tornar-se uma benção disfarçada: o André fez um trabalho exemplar, para não dizer incansável, envolveu-se imenso neste álbum e o resultado final não teria sido possível sem o seu imenso contributo. Anteriormente vocês tiveram a colaboração de vários músicos convidados (pelo menos 4 que me lembre). Neste disco têm apenas o Luís Simões


(dos Blasted Mechanism), porquê? Devo corrigir-te, já que omitiste a participação vocal do Hugo Santos (Process of Guilt) em quatros dos sete temas que compõem o «Lions Among Men». Ainda assim, é um facto que desta feita acabámos por recorrer a menos convidados... não por algum motivo em particular, apenas porque a dada altura não sentimos que fosse uma mais-valia significativa para o disco. Como referi na questão anterior, os constantes atrasos na pré-produção começaram a complicar conciliar agendas com terceiros, e a partir de determinado momento os convidados simplesmente já nem faziam parte da equação – acabámos por tentar preencher todas essas possíveis lacunas sozinhos, com os nossos parcos recursos... e acho que nem nos saímos mal. Mais uma vez, este é um álbum que tem o Budismo como tema de fundo, mais especificamente, neste caso, a corrente de Budismo designada por Mahayana. Porque razão decidiste concentrar-te mais nesta corrente? Explica, por favor, sumariamente, em que consiste. A tradição Mahayana é, actualmente, a maior corrente de pensamento na filosofia Budista, engloba

uma míriade de correntes independentes e quase antagónicas que têm como ponto comum o princípio elementar de que a busca da iluminação pelo bodhisattva tem como objectivo a iluminação de todos os seres, e não apenas do indivíduo. Este carácter globalizante, bem como a incorporação de várias teorias distintas no seu âmago, estabelecem – a meu ver – um paralelismo muito curioso com a nossa própria postura criativa e musical, obviamente a uma escala ínfima. Em termos de concertos, o que é que se prevê a médio e longo prazo? Para já, temos apenas agendada uma actuação em Abril, no SWR XV em Barroselas. Não será, garantidamente, a única, já que temos em mente fazer um ou mais concertos de apresentação em nome próprio, mas não tem sido fácil agendar algo interessante, pelo que não há ainda mais detalhes. Não iremos, certamente, fazer muitas datas em Portugal, pelo que sugiro aos interessados (ou meramente curiosos) que não abdiquem de ver um concerto nosso contando com nova oportunidade num futuro próximo... Entrevista: Ernesto Martins


A forma de

abrasar a paz Um ano foi o tempo que demorou o génio de Max Tomé a começar a gravar as primeiras músicas em formato demo até este belíssimo álbum carregado de técnica e criatividade intitulado «Abrasive Peace». Com a participação do bem conhecido baterista Dirk Verbeuren, este projecto, nascido na cidade invicta, dá o mote daquilo que poderá ser o futuro do death metal. O mentor do projecto, Max Tomé, explica como surgiu a ideia, o desenrolar das gravação e os planos para o futuro. Olá Max. 2012 surge como o ano de estreia dos Colosso. Podes contar-nos como emergiu a ideia que despoletou a criação do álbum de estreia intitulado «Abrasive Peace»? Max Tomé: Tudo começou no fi-

nal de 2010. Decidi escrever um álbum de Death Metal onde pudesse de alguma forma explorar todas as minhas outras influências, a partir daí, tudo foi acontecendo quase espontaneamente!

Com a excepção da bateria todo o álbum foi gravado por ti. Queres contar-nos essa experiência e o porquê de os Colosso não serem uma banda nos moldes habituais? Assim consegues exprimir melhor a tua forma de ver/pensar a música? Já componho há muitos anos sozinho e é como dizes: é obviamente mais fácil levar avante as minhas opções quando o faço sozinho. Mas é de longe muito melhor trabalhar em equipa. Surgem sempre ideias novas e diferentes que melhoram os temas. Basta comparar as minhas demos com o álbum final! No entanto, encontrar as pessoas certas e com vontade de contribuir é uma tarefa muito difícil e essa é uma das principais razões de ter feito quase tudo sozinho neste álbum. A bateria ficou a cargo de um nome bombástico do panorama internacional, Dirk Verbeuren, que já trabalhou com Devin Townsend, Jeff Loomis, Warrel Dane, Soilwork entre outros projectos. Como conheces-te o Dirk?


Foi fácil convence-lo a abraçar este projecto? A bateria já estava pensada ou deixas-te o génio criativo do Dirk fluir? Quando terminei a demo do álbum (aproximadamente há um ano atrás), mostrei-a a um amigo para ver o que ele achava e disselhe que queria ter um baterista, mas não me estava a ocorrer ninguém fixe, então ele sugeriu o Dirk Verbeuren [www.dirkverbeuren. com] (entre outros). Partimo-nos os dois a rir... Parecia impossível, mas fiquei com isso na cabeça du-

foi um processo super natural e profissional. A base da bateria já estava definida, mas dei-lhe total liberdade para acrescentar os arranjos dele. Acho que no final, os temas saíram a ganhar muito! O Dirk é um elemento da banda ou é apenas convidado? Um pouco de ambos. Gostava de trabalhar novamente com ele no futuro, mas não sei se será possível dada a sua agenda... O álbum está disponível para

tabulaturas de guitarra. O facto de o álbum não ter a assinatura de nenhuma editora deu-te esta liberdade. Como surgiu a ideia de fazer o lançamento do álbum desta forma? As tabulaturas, temas extra, letras e layout vêm em todas as opções pagas do álbum. É uma forma de dar algo extra a quem quiser apoiar o projecto. Acho que se o álbum tivesse sido editado por uma editora seria possível fazer o mesmo. A única coisa que me parece mais difícil seria ter o álbum disponível

“Decidi escrever um álbum de Death Metal onde pudesse de alguma forma explorar todas as minhas outras influências” rante uns dias...Fui ao site dele, investiguei um bocado mais sobre o que ele já fez e sobre como é como pessoa (através de entrevistas) e identifiquei-me logo! Enviei-lhe email a perguntar o que ele achava e, para grande surpresa minha, ele estava disponível! A partir daí,

download de forma gratuita até fim de Maio se não estou em erro, há a possibilidade de comprar o CD formato digital por um valor de 2€ pelo menos (cada um paga o que quiser a partir deste valor) e uma edição limitada que permite fazer download das

para download integral gratuitamente, mas mesmo isso parece estar a mudar nos dias que correm. A Earache até já fez algo parecido! Como tem sido recebido o álbum pela crítica e pelo público em geral? Olhando para um futuro


próximo como é que o vês? Apesar dos temas já terem mais de um ano de idade, continuo a gostar muito do álbum. Foi o melhor que consegui fazer (na altura) e acredito que há espaço para melhorar no futuro. Quanto às reacções do público, tem superado as minhas

tugal temos bastante dificuldade em ultrapassar fronteiras. Apesar de todo o apoio e entusiasmo que tenho recebido das pessoas, continuo com os pés bem assentes na terra e a achar que ainda existe um caminho muito longo a percorrer até chegar a esse nível.

“…tenho o sonho de tocar estes e outros temas ao vivo …” expectativas. Obviamente que há gente que não gosta, como em tudo na vida, mas o feedback que tenho recebido tem sido maioritariamente positivo. Quanto a concertos? Estás a pensar fazer uma tournée em Portugal? Achas que o nome de “Dirk Verbeuren” associado à qualidade inegável do álbum te poderá abrir o mercado internacional? E por exemplo quem serão os músicos em palco? Sim, tenho o sonho de tocar estes e outros temas ao vivo. Não sei se será possível fazê-lo em palcos internacionais - como sabes em Por-

Muito obrigado por esta entrevista e boa sorte para o futuro. Eu é que agradeço o apoio e interesse!

Entrevista: Sérgio Pires

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Notáveis des

Ninguém sabe quem são, nem de onde vêm. Apenas que são uma banda portuguesa e que dão pelo nome de Ab Imo Pectore. Mas o seu trabalho fala por eles! Fazem um Black Metal com caraterísticas suficientemente distintas para verem o seu primeiro trabalho – uma demo – lançado pela Debemur Morti, editora com créditos bem afirmados no universo da música extrema. Com a curiosidade espicaçada pela audição de «The Dissociative Path», contactámos a banda e recolhemos as suas impressões sobre o momento atual do seu trajeto musical.


sconhecidos

Por que escolheram o nome “Do fundo do coração” para uma banda tenebrosa? Iunus: O nome surgiu de forma muito espontânea. Toda a génese do que fazemos é extremamente apaixonada, em cada ato há uma vontade consciente. Num género tão nobre como o Black Metal ou outros patamares da música extrema, esta expressão faz mais do que sentido, foi uma escolha simples e sem hesitações! Como foram parar à Debemur Morti? É uma bela editora, com bandas prestigiadas no campo da música extrema, algumas das quais já entrevistei para a Versus. Por isso, fiquei encantada por encontrar uma jovem banda portuguesa no seu catálogo. Bem, não foste a única a ficar encantada. Mesmo tendo confiança no que fazemos, não deixámos de nos surpreender com a possibilidade de lançar um primeiro trabalho por uma editora como a DM. Hoje em dia, o grau de exigência parece ser bem elevado, as editoras parecem filtrar melhor as suas escolhas. Foi com grande satisfação que recebemos a resposta que tivemos! Como funcionam os Ab Imo Pectore? Quem compõe a música? Quem faz as letras? Diria que o esqueleto tem um segmento clássico, uma vez que ensaiamos com frequência, com a exceção do Eter. Infelizmente, não é possível juntarmo-nos como gostaríamos enquanto banda. Neste trabalho, a raiz da composição é da minha responsabilidade. Posteriormente, foi enriquecida com contributos dos restantes elementos da ban-


“[O nosso som] É irreverente, negro, acutilante, imprevisível, violento, faustoso, insurreto […] não seguimos nenhum paradigma musical específico.”


da, cada um com o seu instrumento. Mas não sei se, em futuros trabalhos, vamos seguir este mesmo trajeto. Entregamos isso ao tempo! Quanto às letras, também foram escritas por mim, exceto a da faixa “Mass Grave Emanations”, que é da autoria de um amigo. Salve, Corruptor! Como podem caraterizar o vosso som? É irreverente, negro, acutilante, imprevisível, violento, faustoso, insurreto ou até “insultuoso” na medida em que não seguimos nenhum paradigma musical específico. Todos nós gostamos de Black Metal, mas não posso dizer que pretendemos seguir características castradoras dos nossos próprios desejos, só porque deveria ser feito segundo uma tradição fomentada por alguém!

nioso, sem qualquer indício de vida, ânimo ou átomo. No entanto, acaba por ser a base das várias relações ou caminhos que se revelam, à medida que nos embrenhamos no nosso próprio ser. A dissociação passa pela anulação das partes até o todo deixar de existir, num caminho de hostilidade onde nenhum Homem, Deus ou Coisa ostenta cetro ou coroa soberana! Por que razão é que este trabalho, «The Dissociative Path», sendo lançado por uma editora, é classificado como uma demo e não como um álbum (ou um EP)? A ideia inicial foi fazer um EP, mas a editora preferiu a designação de demo. Não tenho qualquer objeção contra isso, até porque penso que faz mais sentido dessa maneira.

São novos. Que lugar esperam vir a ocupar na cena nacional e internacional? Nenhum! Enquanto houver vontade, queremos continuar com o nosso expurgo. Isso é extremamente importante para todos nós. Caso contrário, este seio deverá ser enterrado no silêncio e na inércia! O exterior é importante, enquanto meio que permite tirar as nossas próprias ilações do que fazemos. Vejo-o como um hospedeiro do qual nos alimentamos, sem correr risco de contaminação!

Vão fazer concertos no estrangeiro? E quem não tiver possibilidades de se ausentar do país, onde vos poderá ver cá? Concertos não fazem parte dos nossos planos, pelo menos para já! Não os vejo com bons olhos, não sinto o nosso trabalho como entretenimento para os outros ou até mesmo para nós. Contudo, não sou uma pessoa inflexível, penso que o que não faz sentido hoje pode fazê-lo amanhã. O futuro sempre foi uma incógnita, não vou pensar nisso para já.

Passemos agora à principal causa desta entrevista: o lançamento da demo «The Dissociative Path». Reparei que a autoria da capa é atribuída a David Soares. Como o encontraram? É um amigo de longa data.

Se pudessem escolher, com que bandas portuguesas teriam prazer em tocar? E estrangeiras? Em suma, quem veem como vossos pares? Não sei! Posso apenas dizer que seria gratificante partilhar o palco com bandas que, tal como nós, encaram o que fazem com dignidade e devoção!

O que significa esta capa? Que relação mantém com o tema da demo? Representa uma pequena parte dos fundamentos que Entrevista: CSA levaram à formação deste capítulo: o respeito e o desejo pelo Hostil, o conforto pela chegada do silêncio harmo-


“Inspiração para todos os jovens!” * Já aqui escrevemos sobre Chuck Schuldiner e desta vez vamos prestar tributo a um dos guitarristas que mais músicos influenciou no mundo do Heavy Metal: Randy Rhoads. E o que têm em comum estes dois talentos? Ambos morreram demasiado cedo! É caso para dizer: Quem disse que a vida é justa?

O mito é o nada que é tudo. O mesmo sol que abre os céus É um mito brilhante e mudo.

- Fernando Pessoa


ALL ABOOOOOOOOOOOOOOARD.....!!!!!!!!!!!! Quando penso em Randy Rhoads a primeira lembrança que tenho é, precisamente, de um dos melhores temas por ele interpretado: “Crazy Train”. Acho que em nenhum outro momento da história me lembro de tamanha influência exercida por outro guitarrista em tão curto espaço de tempo. Randy Rhoads gravou, tão só, cinco álbuns entre os quais um EP: Quiet Riot - Quiet Riot I e II; Ozzy Osbourne - Blizzard of Ozz, Mr Crowley Live EP e Diary of a Madman.

As Influências

É por todos reconhecido que Randy era um estudioso de guitarra clássica e (ainda) é uma grande influência para muitos artistas neo-clássicos. Mais que ninguém, soube juntar estas influências clássicas ao seu estilo mais pesado e criar o seu próprio estilo musical. Por isso, o seu trabalho nos Quiet Riot não foi (verdadeiramente) reconhecido. Entre os guitarristas que mais influenciou contam-se: Yngwie Malmsteen, Zakk Wylde, Kirk Hammett, Michael Romeo, John Petrucci, Tom Morello, Michael Angelo Batio, George Lynch, Alexi Laiho, Paul Gilbert ou Buckethead. É incrível que com tão poucos álbuns e tão pouco tempo de vida, tenha influenciado tanta gente.

A vida

Randy Rhoads entrou para os Quiet Riot quando tinha apenas 16 anos de idade, mas aos 14 formou a sua primeira banda, chamada Violet Fox. Em 1979, Ozzy Osbourne estava a recrutar membros para a sua nova banda e foi-lhe sugerido um tal de Randy Rhoads – Tinha 22 anos. Randy chegou à audição com a sua Gibson Les Paul e, durante o aquecimento, Ozzy disse que estava contratado. Ozzy estava bêbado e “passado” mas ainda afirmou: “God entering my life” (trad. “Deus entrou na minha vida”). Nos tempos dos Quiet Riot o seu trabalho passa completamente ao lado daquilo que viria a ser o seu desempenho com Ozzy. No primeiro álbum gravado com Ozzy, na altura ainda com o nome de Blizzard of Ozz, foi dada total liberdade a Randy para tocar o que quisesse. E assim, logo no primeiro álbum, surgiram dois hinos: “Mr. Crowley” e um dos meus temas favoritos de sempre e aposto que para muita gente “Crazy Train”. É notável a evolução e a mudança desde a sua saída do Quiet Riot até à gravação de Blizzard of Ozz. No documentário * “An inspiration for all young people” - Frase escrita no túmulo de Randy Rhoads.


“Ozzy Osbourne: Don’t Blame Me”, este afirmou que Randy Rhoads estava a pensar em estudar mais a sério guitarra clássica na famosa UCLA e como curiosidade, sempre que estava em tournée procurava professores de guitarra clássica.do

A morte

Randy Rhoads tinha medo de voar e acabou por morrer de um acidente de avião. Uma brincadeira que saiu muito cara e que acabou por ceifar a vida a três pessoas. Acabam por ser impressionantes as coincidências que levaram Randy a entrar no avião. Estava acompanhado por uma pessoa que sofria de problemas cardíacos, logo, o piloto não podia fazer nada arriscado e tendo como hobby a fotografia gostaria de tirar uma foto aérea. Na tentativa de fazer uma razia ao autocarro onde se encontravam os outros membros a dormir, a asa do avião embateu no autocarro, acabando por explodir numa garagem... Os três corpos só foram reconhecidos pelo registo dentário. A autópsia ao piloto revelou a presença de cocaína.

O legado

Já é por demais conhecida toda a influência que Randy deixou ao nível musical. No entanto, um guitarrista para ser virtuoso não tem que estar “carregado” de efeitos, amplificadores ou guitarras. O setup utilizado era simples, assim como um reduzido número de guitarras, efeitos e amplificadores. Como tributo, a Marshal lançou uma edição limitada do amplificador usado por Rhoads – 1959RR. A Jackson eternizou a famosa Flying V mas com algumas modificações. A guitarra com a alcunha dada por Rhoads – Concorde – distinguiase das outras por ser assimétrica. Foram feitas, somente, 60 réplicas exactas da Jackson Randy Rhoads. Como curiosidade, o preço simbólico foi de $12,619.56 ** – A sua data de nascimento. Também a Gibson decidiu fazer um modelo da famosa Les Paul Custom (1974). Apesar da sua juventude e dos poucos álbuns gravados, Randy Rhoads é, e continuará a ser, um dos guitarristas mais virtuosos que apareceu na senda do Rock/Heavy Metal. Algures entre o céu e o inferno, no encontraremos... um dia!


Crazy, but that’s how it goes Millions of people living as foes Maybe it’s not too late To learn how to love And forget how to hate

Randy Rhoads: N. 6 de Dezembro de 1956 M. 19 de Março de 1982 ** Nos EUA a data de nascimento não segue a formatação DDMMAAAA mas sim, MMDDAAAA, daí 12/6/1956


A força do peso Os Lay Down Rotten produzem uma das sonoridades mais pesadas da actualidade. Nada de espantar de uma banda de DeathMetal nascida na Alemanha, mas estes acham que seis cordas não são suficiente e concretizam a sua sonoridade com ambas as guitarras munidas de sete cordas. O último álbum «Mask of Malice» (review na VERSUS Magazine #18) é prova disso mesmo. Com as respostas do vocalista Jost ficamos a conhecer um pouco melhor o colectivo, bem como a pessoa que dá vida às vocalizações desta banda de metal extremo.


Não encontrei muitas entrevistas dos Lay Down Rotten (LDR) na Internet. Portanto, sem ter obtido muitas informações prévias a minha primeira questão seria porque é que o fundador da banda Daniel Jakobi saiu da banda em 2011? O estilo da banda manteve-se essencialmente o mesmo, portanto foi apenas um desfasamento com o resto dos membros? Jost: As alterações de line-up tiveram de acontecer e o Daniel teve de ser substituído pelo Daniel “Kensington” Seifert pois ele não podia continuar a despender tanto tempo como o que era necessário para os LDR devido a outros projetos. Portanto ele decidiu sair da banda. Sem ressentimentos, desejamos o melhor para ele! Mas eu tenho realmente de dizer isto: os LDR são constituídos por cinco indivíduos criativos e dedicados. Já gravamos seis álbuns até agora e tocamos inúmeros concertos. Os LDR como um todo e cada um dos membros da banda têm um status e uma certa visão do Death-Metal ao qual agora temos a possibilidade de dar vida com a participação do Kensington. Os LDR produzem provavelmente uma das sonori-

Kensington é um tipo extraordinário. Ele trouxe oito canções para o primeiro ensaio. Que mais podemos pedir? Quando começamos a trabalhar as composições na sala de ensaios assim como nas gravações toda a gente estava a dar o máximo para atingir os melhores resultados. Também com o tema “La Serpentia Canta” o nosso baixista Uwe conseguiu colocar pela primeira vez num álbum dos LDR a sua própria canção. Outra característica que encontro nos LDR é a abordagem violenta e até assustadora que colocam nas letras, particularmente no último álbum «Mask of Malice». Há alguma razão em particular para isso? Essa linha tem a ver com as vossas influências musicais ou foi apenas uma onda mais negativa que levou a esse resultado, ou até o vosso lado artístico mais negro em acção? Sim, concordo. «Mask of Malice» considerando tanto a vertente lírica como em termos de sonoridade é o nosso álbum mais negro até hoje. Eu escrevo as letras junto com o meu irmão Elmo Kamikaze. Trabalhamos juntos para os últimos quatro álbuns. Eu partilho

“Honestamente não planeamos nada nem nos limitamos em termos de escrita das canções. Não há fronteiras!” dades mais pesadas do mundo Death-Metal. Vocês têm alguns truques específicos ao nível do equipamento/efeitos que dão origem ao som bem grave e pesado que conseguem tirar dos instrumentos? As vocalizações como dizes no site da banda passam apenas pelo microfone correto? O vosso último álbum tem realmente uma boa dose de peso… Muito obrigado! Dizer LDR é dizer Death-Metal: é a nossa paixão e a nossa religião. Nós não usamos equipamento especial ou efeitos. Possivelmente a única especificidade que temos é o facto de ambos os guitarristas tocarem com guitarras de sete cordas. Mas é apenas isso. E eu não uso nenhuns efeitos na minha voz, apenas um pouco de delay, mas certamente nenhum harmonizador ou outras coisas que mascaram a voz. Apenas f***ing Death-Metal puro e duro! Poderias falar um pouco do processo de composição do último álbum? Os LDR encontraram um novo guitarrista, Daniel “Kensington” Seifert, portanto inevitavelmente algo de novo nos processos de composição devem ter surgido com ele. Eu toquei junto com o Kensington numa das nossas primeiras bandas e temos mantido o contacto desde essa altura. Ele é um excelente compositor com o seu estilo perfeitamente único mas que se enquadra perfeitamente na sonoridade e reportório dos LDR.

uma relação especial com o meu irmão: nós crescemos bastante isolados sem sermos influenciados pelo mundo exterior. Portanto desenvolvemos uma determinada maneira de auscultar o mundo, uma certa atitude em relação à vida e um modo muito próprio de viver. Quando começamos a escrever as letras de «Mask of Malice» encontramo-nos e sentamo-nos a discutir sobre a natureza da malícia humana e como se manifesta nas nossas vidas e no mundo em geral. Então começamos a desenhar um conceito lírico para este disco. Sabes, sempre houve e hoje também há uma cultura de celebrar o mal e o lado negro associados a defeitos de carácter onde os padrões morais tais como o bem e o mal se confundem. E há ainda questões pessoais que queríamos exprimir em metáforas fortes. A malícia enquanto característica da personalidade também se relaciona com traição, mentira, corrupção e outros defeitos. Todas as letras contêm um significado e uma mensagem. “Hades Ressurected” e “A Darker Shade of Hatred” também se encontram neste álbum. E usamos uma abordagem diferente para estas letras em particular pois queríamos exprimir como o mal se manifesta em nós mesmos. Os LDR estão ativos desde há 11 anos aproximadamente. Tal como vocês, muitas outras bandas de


“Dizer Lay Down Rotten é dizer Death-Metal: é a nossa paixão e a nossa religião.” Death-Metal têm raízes nos países do Norte e Centro da Europa e são provavelmente as bandas mais reconhecidas do meio. Vês alguma explicação óbvia para isso mesmo - no clima, no código genético dos músicos, envolvente social, outros…)? Eu só posso falar por mim: quando ouvi pela primeira vez o álbum «Orthodox» dos Edge of Sanity, fiquei completamente colado! Percebi exatamente nesta altura o que eu queria ser e que a música pesada faria parte de mim para o resto da minha vida. Como mencionei e se concordas no «Mask of Malice» o som acaba por ser na mesma linha dos restantes álbuns, tirando o facto de ser o mais pesa-

do. Achas difícil manter a base do som da banda como sendo Death-Metal da velha guarda e resistir a novas tendências ou tudo isso acaba por surgir normalmente. Nós somos o que somos. Há uma certa linha na nossa música que pode ser associada apenas aos LDR. É interessante para nós perceber como os ouvintes apreendem a nossa música. Mas para nós as editoras não contam nesse aspeto. Honestamente não planeamos nada nem nos limitamos em termos de escrita das canções. Não há fronteiras! Muita da nova inspiração veio do novo guitarrista Kensington e estamos gratos por tê-lo na banda.


Falando um pouco da tua experiência pessoal, porque te juntaste aos LDR em 2004, como foi o processo de seleção? Eu entrei em contacto com a banda já em 2000 quando fui ver o primeiro concerto ao vivo dos LDR. Na altura eu era vocalista de uma banda de Death-Metal chamada Sarx. Mas quando conheci os elementos dos LDR senti logo uma certa ligação porque por exemplo todos nós eramos grandes apreciadores de Edge of Sanity. Fiz uma participação como convidado especial na demo «Way of Weakness» dos LDR. Depois fizemos cerca de dez concertos ao vivo. Após a edição do álbum de apresentação «Paralized by Fear» pela Remission Records já em 2003 eu estive no suporte à banda, como condutor do autocarro e participando numa cover dos Edge of Sanity do tema “Darkday” ao vivo em palco todas as noites. Como consequência de certo modo natural o Daniel Jacobi uma noite

Para concluir, têm planos para uma digressão na Europa e possivelmente passando por Portugal? Sim estamos atualmente a planear e organizar a promoção de «Mask of Malice». Convido-vos a ver no nosso website www.laydownrotten.com para mais detalhes. Tivemos a honra de tocar no festival Metal GDL em Portugal. Foi muito divertido e realmente gostamos de tocar aí. Que grande experiência! Obrigado pelo vosso apoio e vamos celebrar o poder do Death-Metal! Abraços, Jost. Entrevista: Sérgio Teixeira

“…os Lay Down Rotten são constituídos por cinco indivíduos criativos e dedicados…” perguntou-me se eu queria fazer parte dos LDR e eu não pensei duas vezes! Como classificas do teu ponto de vista estes últimos 7 anos da banda? Achas que os LDR irão expandir a sua base de fãs ainda mais? Tive uma grande experiência em digressão, no estúdio, onde os vários intervenientes eram de facto pessoas espetaculares e divertidas. Conheci muita gente fantástica. Sei que tudo isto não é dado de mão beijada e que tenho sorte em estar nesta grande banda e com todas as experiências que lhe estão associadas. Espero que possamos chegar ainda a mais pessoas já que adoramos o que fazemos e estamos mentalizados para dar o nosso melhor. No site da banda dizes que as tuas 3 bandas favoritas são Edge of Sanity, Edge of Sanity e Edge of Sanity… Mencionas outras bandas, claro, mas achas que uma única banda merece assim tanta devoção por assim dizer? Quero dizer, há tantas bandas excelentes por aí; não é fácil conhecê-las todas… podes explanar um pouco mais? Penso que sim. Edge of Sanity são uma das bandas menos reconhecidas do Death-Metal Sueco. O Death-Metal melódico é muitas vezes associado a bandas como Hypocrisy, In Flames e At The Gates. Os Edge of Sanity não são tantas vezes mencionados como estas bandas. Porém eles influenciaram-me bastante com obras-primas como «The Spectral Sorrows» ou «Crimson»; de todos estes são os meus álbuns preferidos.

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O impÊrio dos sentidos‌ sonoros


Os For The Imperium são mais uma banda a fazer da música extrema um exercício de fusão de vários géneros musicais com resultados eletrizantes mas com uma dose de bom gosto e mestria nas composições dificilmente igualáveis. Coadjuvados por formação académica de base em música no Conservatório de Helsínquia, não se deixam congelar pela neve nórdica e são mestres a esculpir música eclética ao mais elevado nível. Sendo fácil de perceber a qualidade destes músicos foi sem pensar duas vezes que preparei esta entrevista a qual o baterista Tuomas abordou. Espero que gostem e não deixem de passar os ouvidos pelo álbum homónimo dos For The Imperium (review na VERSUS Magazine #18).


A primeir a pergunta que gostaria de fazer está diretamente relacionada com uma das características mais interessantes da banda que é o talento para fundir vários estilos de música. Como é que conseguem manter um processo de composição que no final resulta num álbum estruturado e consistente como este? Tuomas: Acho que tudo advém do facto de se conhecer a história e estética de diferentes estilos musicais. Isto é, se realmente queres fundir vários estilos não podes apenas arranhar a superfície. Tens de ir mais fundo e estudar cada estilo devidamente. Então terás boas ferramentas para o processo de composição e o resultado não sairá cru. Ainda relacionado com o processo de escrita, não sentiram por vezes que estavam a divergir nas ideias o que vos poderia fazer perder tempo em detalhes e

desviar do objetivo principal? Presumo que é especialmente desafiador manterem-se focados quando tantas paisagens sonoras estão em jogo, estou certo? Concordo. O mais desafiador é fazer boas canções mas ter também os elementos complexos envolvidos no processo. Se as canções não prestam os detalhes não significam nada. Quando há várias opções de onde se pode ir buscar elementos isso não é sempre uma vantagem. O nosso processo de composição não evoluiu em apenas algumas semanas, levou-nos 4 anos e ainda estamos a aprender. Eu ouço bastantes detalhes ao nível das guitarras e alguns instrumentos/efeitos adicionais que suponho serem difíceis de transpor para atuações ao vivo exatamente como ouvimos no álbum. Vocês estão satisfeitos com o alinhamento atual ou por vezes pensam que um outro elemento em palco ou talvez um detalhe diferente aqui ou ali poderia ter um melhor resultado ao vivo? Bem, obviamente em algumas partes obviamente tivemos de fazer um arranjo para tocar ao vivo mas isso aparece de forma bastante natural. E eu acho que é assim que deve ser. Estamos muito contentes com o nosso “fantastic four” e nunca sentimos a necessidade de um novo membro na banda. Espero que possas ver-nos ao vivo em breve para poderes ver do que estou a falar.


Ainda são uma banda um pouco desconhecida e a maioria dos vossos espetáculos ao vivo tiveram lugar sobretudo no vosso país de origem - a Finlândia. Mas agora vocês assinaram pela Warner Music. Esperam agora viajar mais pela Europa para atuações ao vivo? Sim, esperamos isso mesmo e é esse o nosso objetivo principal, o de levar a nossa música para fora. O mercado para este tipo de música na Finlândia é muito pequeno por isso seria um ponto negativo pensarmos em tocar apenas aqui. Fazer uma digressão pela Europa é o nosso próximo objetivo e iremos concretizálo este ano.

tidas para a estética típica do metal. Quando éramos adolescentes todos tínhamos os mesmos heróis do metal. Como indivíduos fizemos diverso trabalho enquanto músicos, Jazz, Pop, Rock, R&B, e até Folk! Portanto vês agora porque é que isto é um caos completo, hahaha. Okay, aqui estão algumas bandas de metal que todos apreciamos: Pantera, The Dillinger Espace Plan, Death, Meshuggah, The Haunted, SikTH, Psycroptic antigo, Coheed e Cambria. A lista de influências seria infinita! Posso dizer-te mais quando passarmos por Portugal Todos vocês tiveram formação musical de base ou são maioritariamente autodidatas que evoluíram usando o vosso tempo livre? Conhecemo-nos todos quando estudávamos música na mesma escola, Helsinki Pop/Jazz Conservatory. O Ville, o Jyri e eu continuamos a estudar música e estamos agora a obter os nossos diplomas na Helsinki Metropolia University of Applied Sciences. Portanto temos uma longa história em escolas diferentes mas como adolescentes começamos da maneira normal ; a tocar rock e metal em salas de ensaio manhosas com amigos. Nesses tempos aprendemos o que não se aprende em nenhuma escola: atitude e energia!

“O nosso álbum não é algo que se ouça durante 30 segundos enquanto se lava os pratos e depois faz-se a review.”

Para ser honesto, quando ouvi pela primeira vez o álbum, não me parecia um disco ‘made in Finland’, porque é tão diferente do que estamos habituados a ouvir (Nightwish, Amorphis, etc.) que são sonoridades tipicamente mais melancólicas e pesadas. Porque é que decidiram um álbum tão cheio de vida por oposição aos ambientes mais negros que normalmente esperamos de bandas Finlandesas? O heavy-metal que descreveste é música para nós um tanto já “fora de época”. Quando dizes “normalmente esperamos” acho que reflete a situação em que vivemos. O metal Finlandês soou sempre a mesma coisa durante 15 anos. Olha para as bandas Suecas, eles sabem como ser inovadores. Existe imenso potencial Já têm retorno dos críticos em relação ao vosso álnas bandas Finlandesas mas ninguém arrisca. bum, e qual tem sido a recetividade em geral do Compor de um modo tão criativo e com tanta var- público e da crítica em relação ao vosso primeiro iedade de estilos é um desafio e li algures que vocês registo? Presumo que vocês estão obviamente estão já a preparar novo material. Vocês não estão bastante contentes com o resultado final. um pouco inseguros em relação a voltar a conseguir Alguns adoram e outros odeiam-no. Claro que os compor novamente um punhado de grandes can- fãs adoram-no. De modo geral não tivemos muitas ções como fizeram neste vosso álbum de arranque? reações do tipo “está ok” o que é um ponto muito posDe maneira nenhuma. A nossa visão está cada vez itivo. Na minha opinião, uma das mais importantes mais forte e o nosso álbum vai ser ainda mais es- coisas na música é transmitir diversas emoções e estapetacular! Aprendemos imenso com este primeiro dos de espírito às pessoas. De acordo com a reação do disco e temos um conjunto vasto de novas ideias as público em geral acho que conseguimos isso mesmo. quais queremos trabalhar, portanto não vejo qualquer Globalmente a reação da crítica tem sido bastante positiva. O nosso álbum não é algo que se ouça duproblema neste ponto. rante 30 segundos enquanto se lava os pratos e depois Estou certo que a banda tem muitas influências mu- faz-se a review. Por detrás de cada canção está uma sicais. Poderias mencionar quais as vossas princi- canção, se é que me faço entender. pais inspirações quer sejam do mundo do metal ou outros géneros quaisquer não relacionados? Eu poderia dizer que metade das nossas influências Entrevista: Sérgio Teixeira não têm a ver com metal e muitas coisas são conver-


Energia Rock! Está a tornar-se um hábito esperar da Austrália bandas de Rock com elevada qualidade. Por isso, esse facto ganha mais credibilidade com a estreia homónima dos My Dynamite, banda de Melbourne que irá arrasar qualquer apreciador de Rock clássico. A VERSUS Magazine quis saber um pouco mais sobre este coletivo e conversou com o Jorge Balas que nos apresentou um cenário carregado de positivismo quer para a banda quer para os ouvintes, e mostrou o seu conhecimento da língua portuguesa na última questão – não poderia ser mais apropriado para os fãs de Rock portugueses.


A minha primeira pergunta é acerca da criação e formação dos My Dynamite. Qual é a vossa história? Apresentem-se, por favor. Jorge Balas: Somos uma banda de rock‘n’rol de Melbourne, Austrália, e estamos juntos há cerca de quatro anos. Juntei-me aos My Dynamite depois de ter sido abordado por um grande amigo meu, e do Simon Aarons (bateria), que me perguntou se estava à procura de uma banda após ter regressado de Vancouver. Estávamos numa festa caseira, estava bêbado, eventualmente fiz uma audição e pusemos mãos à obra muito rapidamente! Tocámos em inúmeros clubes, bares e recentemente em alguns festivais. Somos muito mais uma banda ao vivo do que de estúdio, mas, sim, estamos muito entusiasmados por termos, finalmente, lançado o nosso álbum de estreia internacionalmente – um pensamento que nunca passou pela minha cabeça, para ser honesto! É espetacular!

o sentem e vivem, longe dos Mass Media da America e da Europa? A Austrália tem uma cena musical muito vibrante. Há muitos festivais e muitos bars e clubes, e embora as cenas apareçam e desapareçam, condenadamente amarradas à moda e todas as outras porcarias, é sempre o rock’n’roll que se mantém. Por isso temos sorte em gostar e tocar musica que não é governada pela cultura pop. Li que vocês vão fazer alguns concertos com os Electric Mary. Há alguma hipótese de fazer esses concertos fora da Austrália? Para uma Tour estamos seriamente a olhar para a Europa… sentimos que precisamos de nos direcionar em primeiro lugar, e principalmente, para a Europa. Os Electric

em compor canções individuais, e esquecem a importância de um álbum. Nós abrangemos uma boa variedade sonora para todas as canções que sentimos que determinantemente fariam um bom álbum que pudesses ouvir do início ao fim! Não estamos interessados em ter o “hit single”. A grandiosidade esquecida de um álbum é aquela que os My Dynamite cobrem, e as pessoas ouvem isso. Algumas canções surgem muito rapidamente, outras demoram mais tempo como se fosse um quebracabeças. Ao vivo somos diferentes porque fazemos muitas jams, enquanto em estúdio temos de controlar o tempo para 40 minutos. Não és o primeiro que disse que o álbum soa como se fosse o terceiro ou o quarto. Queríamos que assim fosse, mas temos imenso material novo e mal pudemos esperar para gravar o nosso segundo álbum.

“Hoje em dia muitas bandas estão demasiado concentradas em compor canções individuais, e esquecem a importância de um álbum.”

Encontras dificuldades em chegar com o vosso álbum à Europa, América e Asia? Eu penso que é difícil hoje em dia promover lá fora qualquer banda sem um enorme apoio e dinheiro, especialmente se a banda tenciona destacar-se das outras milhentas bandas com imensa presença online. Nos nossos dias há tanta música no ciberespaço, boa e má, que pode ser mesmo difícil destacarmo-nos da multidão. Gostamos de pensar que conseguimos atingir uma larga audiência que apenas gosta de bom rock’n’roll da velha guarda! Como é que vês o Rock na Austrália? É diferente o modo como

Mary são uma grande banda e com o merecido respeito. Nestes anos tocámos algumas vezes com eles, e gostaríamos muito de fazer uma Tour com tão magnífico grupo. Para um trabalho de estreia a vossa música soa como se fosse de um terceiro ou quarto álbum, tal é a vossa qualidade. Como foi compor o «My Dynamite»? Foi duro, ou resultou de meia dúzia de jams? O que é bom dá trabalho! No que respeita à composição, notamos que algumas coisas são frequentemente, nos dias que correm, negligenciadas por outros artistas. Essa foi a nossa intenção para fazer um álbum. Hoje em dia muitas bandas estão demasiado concentradas

Facilmente comparam My Dynamite com outras bandas – como Black Crowes ou Led Zeppelin, por exemplo. Como é que lidas com essas opiniões? Somos humildes perante essas comparações com os gigantes. É certo que nunca tencinámos reinventar a roda, mas porque há poucas bandas a praticar esta sonoridade é fácil haver comparações – se houvessem centenas a pratica-la teria a certeza que as comparações seriam reduzidas e mais superficiais. Se escavares bem fundo irás ouvir Humble Pie, Bad Company, The Faces, Wilson Pickett, Mandrake e muitas outras lendas menos conhecidas Também penso que há um sabor e toque moderno na nossa música que a torna bastante atual.


“(…) temos sorte em gostar e tocar musica que não é governada pela cultura pop.” Sim, eu diria que a vossa música soa a 70’s no século XXI. Acreditas que hoje em dia as pessoas precisam de abrir a mente e ouvir mais música autentica, como a vossa, do que as toneladas de porcaria que invadem as estações de rádio e a internet? Achas que elas estão preparadas para conseguirem viver e sentir a música como há 40 anos atrás? Muitos perderam o feeling para ouvir boa música, mas por outro lado há muitos que procuram arduamente alguma coisa para satisfazer a alma. A reemergência da espiritualidade pela música na cultura ocidental é muito promissora. As pessoas querem afastar-se de toda a negatividade e sentiremse bem – e nós pudemos atender a essa urgência. Como vês o futuro dos My Dynamite? Acredito que estamos no bom

caminho, a construir uma base sólida com a nossa música e energias positivas. O próximo álbum dará continuidade a essas boas energias, e acredito que pudemos atingir uma maior audiência internacional. Alguma mensagem para os fãs de Rock portugueses? Tenho sede. Onde posso beber uma cerveja? Entrevista: Victor Hugo


XIV BLINDAGEM METAL FEST Associação Cultural e Desportiva “Os Ílhavos” Inicio: 22h Entrada: 5 blindados

02.06.2012

É já a 14ª bojarda de Metal que o Blindagem Metal Fest tem para nos dar. Sim, já passaram muitos anos desde o primeiro evento, e desde então a equipa do Blindagem tem sido incansável no seu trabalho. Entre outros eventos sempre na aposta em bandas nacionais a decorrerem ao longo do ano, eis que chega mais um sempre bem-vindo Blindagem Metal Fest na Associação Cultural e Desportiva “Os Ílhavos”. E reparem o

W.A.K.O.

Para terminar a noite nada mais nada menos que os W.A.K.O., banda de Almeirim, que traz na bagagem o “The Road Of Awareness”, de 2011. A assegurar a mesma dialética sonora, esperem Thrash e Death Metal com bastante agressividade – tarefa que não será difícil para os W.A.K.O.

ECHIDNA

Também vindos de Vila Nova de Gaia, os Echidna são um argumento mais que suficiente para este evento ser mais um sucesso – ou o “Dawn Of The Sociopath” não fosse um dos melhores álbuns de Metal nacional de 2011. Preparem-se para um sublime e requintado Death/Thrash Metal carregadinho de malhas pesadas e solos de guitarra.

BOOBY TRAP

Provavelmente este momento será o mais esperado da noite, já que se trata do regresso dos Booby Trap. Para quem não conhece, os Booby Trap foram uma banda pioneira em Aveiro e praticavam Hardcore com pitadas de Thrash, isto entre 1993 e 1997, sendo este último o ano da separação. Tiveram oportunidade de abrirem concertos para grandes bandas e são famosos pela energia lançada em palco. Por isso, preparem-se para este esperado regresso!

I, MACHINERY

“A1” é o EP que estreou no início deste ano, e para estreia está muito bem! Num estilo Death Metal matemático e progressivo, os I, Machinery, vindos de Vila Nova de Gaia, prometem fazer estremecer Ílhavo.

DARK OATH

Oriundos de Soure, Coimbra, os Dark Oath formaram-se em meados de 2009, e até então a formação tem vindo a alterar-se sendo a vocalista Sara Leitão a mais recente aquisição. Praticam um Death Metal melódico com contornos épicos – uma sonoridade que podem conhecer no EP “Under A Blackned Sky”, de 2010.


Seduzido pela Arte! Todos conhecemos Fursy Teyssier como o mentor da banda francesa Les Discrets e da sua colaboração com os Alcest como baixista. Mas talvez nem todos conheçam o seu trabalho gráfico, que deu origem ao artwork dos dois últimos álbuns de Alcest – «Écailles de Lune» (2010) e «Les Voyages de l’Âme» (2012) –, cujas capas foram abundantemente reproduzidas e ajudaram a criar a mística desta banda. Podemos ainda referir o artwork de «.neon», dos Lantlös (de que Neige, o mentor dos Alcest, faz parte como vocalista) e, obviamente, os álbums dos Les Discrets. Foi para nos informarmos sobre esta verdadeira “teia artística”, que contactámos Fursy para uma entrevista, cujo resultado apresentamos de seguida.


Todos esses nomes remetem para os séculos XIX e XX. Exatamente. Ainda ontem, no decurso de uma outra entrevista, me apercebi de que as minhas influências se situam todas entre o fim do séc. XIX e o início do séc. XX.

De onde te vem a inspiração para os teus trabalhos gráficos? Fursy Teyssier: É como para a música. Vem sobretudo dos meus medos, das minhas angústias, ligados à vida e à morte, ao amor. Tem também algo a ver com recordações, memórias. E quanto a influências artísticas? Tens algumas? O teu trabalho faz-me pensar na Arte Nova. É o caso daqueles medalhões que fizeste para o book de «Les Voyages de l’Âme» de Alcest. Sim, é verdade. Sou muito influenciado por pintores como Toulouse Lautrec, Monet, Munch (principalmente os auto-retratos). Essa influência nota-se sobretudo nas cores e na sua distribuição e ainda no que diz respeito ao grau de nitidez da imagem adotado em cada caso. Também sou fortemente influenciado por alguns ilustradores franceses (como Edmond Dulac e Gustave Doré) e nórdicos (noruegueses e, sobretudo, suecos).

Tens form a ç ã o artística? Sim, fiz um curso de 4 anos numa escola de artes, em Lyon, especializada em ilustração e cinema de animação. Durante os 2 primeiros anos, aprendi a desenhar como deve ser. Julgava que desenhava muito bem e, quando lá cheguei, descobri que não era verdade e tive de rever todas as minhas conceções sobre como desenhar. Nos 2 últimos anos, fiz uma especialização em cinema de animação. Antes, tinha estudado História da Arte, durante 7 ou 8 anos. Assim, aprendi imenso e vi muitas imagens, o que é extremamente importante para quem trabalha em artes gráficas. Vi, numa página tua na internet, que tinhas ilustrado uma edição da obra “Lettres de mon moulin”, de Alphonse Daudet. Fiz esse trabalho há muito

tempo, entre agosto e setembro de 2007. Foi-me encomendado por um editor, que andava a observar o meu trabalho há 2 ou 3 anos e esperou que eu concluísse a minha formação artística para me propor esse projeto. Por acaso, eu até nem estava nada interessado em fazer ilustração, mas acabei por aceitar e gostei imenso de o fazer. Depois disso, continuei a trabalhar na área da ilustração. Mas não faço todo o trabalho, ocupo-me apenas da coloração. Divido esse


trabalho com um amigo meu, que faz os desenhos. Já ilustraste livros para crianças, álbuns de literatura infanto-juvenil? Não, mas adoraria fazê-lo. Faço desenhos dessa natureza, quando autografo os meus livros para quem os comprou. São desenhos com um sabor infantil. E no que diz respeito ao cinema de animação? Sei que fizeste um filme usando as personagens das ilustrações do pequeno livro que acompanha o primeiro álbum de Les Discrets («Septembre et ses Dernières Pensées», 2010). Já fizeste muitos

filmes, depois desse? Sim, por encomenda. Portanto, não posso fazer o que quero, nem como quero. É muito diferente. Frequentemente, tenho de fazer esses trabalhos em muito pouco tempo. Dentre esses filmes, há 2 que me marcaram e sei que um deles nunca será apresentado, apesar de eu ter demorado 7 meses a fazê-lo. Está relacionado com um fait divers que se passou em Inglaterra: um casal de góticos que foram agredidos na rua, por causa das suas opções estéticas. Foram tão violentamente agredidos que a rapariga ficou em coma durante 2 semanas e acabou por morrer. Foi a mãe dela que me contactou, para me encomendar um filme sobre o que tinha acontecido à filha. Fiz o filme e ela gostou muito. Foi exibido nos mais importantes canais de televisão ingleses e mencionado nos jornais. Depois, a senhora encomendoume um segundo, em que a história era contada do ponto de vista dos agressores. Quando ficou pronto e lho mostrei, ela assustou-se, consultou a polícia e foi aconselhada a não o exibir, porque iria causar problemas dado ser muito severo em relação a quem tinha

agredido a rapariga. Ainda por cima, os assassinos da filha eram vizinhos da família. E já fizeste filmes de animação para crianças? Não. Os meus filmes são para adultos ou jovens com mais de 11 anos. Entre março e julho, vou estar a trabalhar num filme de animação para adultos, uma história muito tenebrosa que se passa durante a guerra de 39-45, a Segunda Guerra Mundial. Só fazes artwork para bandas underground, como Alcest, Lantlös e os teus Les Discrets? Ou já foste chamado para fazer trabalhos dessa natureza para bandas mais conhecidas? Não, só tenho trabalhado para bandas underground. Mas gostava muito de trabalhar para bandas mais mainstream. No entanto, reconheço que não seria fácil. Para começar, não poderia exprimir as minhas ideias à vontade, teria de me sujeitar às indicações dadas pelas bandas. Normalmente, são trabalhados muito formatados. Ainda bem que não seguiste por essa linha, porque o que tens feito numa base mais underground é mesmo muito bom. Obrigado. Já reparei que, no artwork para Alcest, apostas muito nas cores vivas, enquanto, para bandas como Lantlös e Les Discrets, jogas muito com o preto, o sépia e cores geralmente muito sombrias. Por que o fazes? Porque o mundo de Alcest é luminoso, cheio de cores, bastante alegre, belo. Inversamente, Lantlös e Les Discrets ocupam-se de temas angustiosos, sombrios, tenebrosos. Procuro adaptar a minha arte ao estilo da banda. Qual é a relação entre a tua arte gráfica e a tua música?


Complementam-se entre si. A música fornece a atmosfera, sons e ritmos, que transfiguram os meus desenhos. Dão-lhes o movimento que lhes falta, quebram a sua imo-

ver pessoas a dançar. Também aí poria a compilação «Whom the Moon a Nightsong Sings», que contém apenas versões acústicas, e em cuja capa se vê uma mulher

mesmo que não se soubesse que eram meus, quem os tinha feito.

bilidade. Os desenhos concretizam em imagens as ideias que me vão na cabeça, quando crio a minha música.

sentada ao lado de uma árvore.

vi a ilustração da capa de Alcest, na LOUD!, fiquei logo presa àquela imagem e, quando vi que se tratava do último álbum da banda e pelo estilo, percebi logo quem era o autor. É simplesmente maravilhoso! Obrigado.

É esse o efeito que os teus desenhos produzem em mim. Quando

“[…] as minhas influências situam-se todas entre o fim do séc. XIX e o início do séc. XX.”

E que relação estabeleces entre a tua arte e a música de Alcest, que é quase o inverso da tua? Realmente é um pouco assim. Procuro adaptar-me ao espírito da música dessa outra banda. Se, neste momento, tivesses de apresentar um portefólio em que só pudesses incluir os teus trabalhos mais representativos, o que encontraríamos nele? Em primeiro lugar, a capa do último álbum de Les Discrets. É um desenho que me enche de orgulho. Logo de seguida, o artwork que fiz para «Les Voyages de l’Âme», de Alcest. Em terceiro lugar, o desenho que fiz para a capa do novo vinil de Les Discrets, onde se pode

Neste momento, qual é o teu sonho de artista, algo que gostasses muito de ter? Gostaria de merecer o respeito de todos os que se interessam pelas artes associadas à imagem. Gostava de fazer parte da memória artística. Não me vejo a ser citado como uma referência, mas gostava que, daqui a uns anos largos, quem visse os meus desenhos sentisse que eram especiais, que tinham algo a dizer. É um autêntico sonho! No fundo, gostava que os meus desenhos me sobrevivessem,

Entrevista: CSA


Bem-vindos ao GARAGE POWER! a nova rúbrica da VERSUS Magazine que, tal como o nome indica, vai vasculhar as garagens portuguesas para saber como anda o nosso underground. Temos a certeza que iremos encontrar aquelas bandas que acabaram de se instalar na garagem, aquelas que ainda estão pelas garagem e as outras que já saíram da garagem. Acreditamos que muito Metal se vive nas garagens, ou não fosse essa uma das essências fundamentais do Metal.

motim

A vontade de poder


Para iniciar o Garage, decidimos convidar os Motim, banda de Aveiro, para responder a algumas perguntas. A banda é um exemplo de como se vive e trabalha no underground, e o resultado é o surpreendente álbum «Them Killing Wolves», o segundo trabalho da banda que promete fazer mossa. Falámos com o Bernardo, guitarrista, e percebemos que com esforço e vontade tudo é possível. Que comece a revolta! Para começar quero perguntar-te se alguma vez imaginaste chegar até aqui, ao vosso segundo álbum, «Them Killing Wolves». Bernardo: Numa fase inicial, devo confessar que não me passava tal coisa pela cabeça. Na altura ainda tínhamos outra formação, alguma falta de experiência e era tudo muito experimental. De uma forma um pouco inconsciente, fomos ultrapassando inúmeras barreiras e chegámos muito mais longe do que alguma vez imaginara. Fomos amadurecendo enquanto pessoas e enquanto músicos. Tivemos também a sorte de encontrar pessoas pelo nosso caminho que nos deram algumas orientações. Até mesmo o facto de termos sofrido algumas alterações de line up foi bastante positivo. A entrada do Danny (atualmente o nosso guitarrista lead) e do Jay (baixista) foram grandes aquisições, que nos ajudaram a desenvolver o nosso trabalho. Claro que durante todo este percurso, também sofremos algumas amarguras, como a perda do nosso primeiro baixista, o Xónia. Perdemos um pouco da ‘alma’ da banda com a sua saída, mas estes obstáculos são naturais e temos que estar sempre precavidos para este tipo de situação. Concluindo, posso acrescentar que este novo álbum não foi de todo uma surpresa para mim, nem para os restantes elementos da banda. Após aquela primeira fase mais conturbada e depois de percorrer alguns quilómetros pelo país, percebemos que tudo é possível, desde que haja esforço, sacrifício e dedicação. Chegados a esta etapa importante, importas-te de falar um pouco sobre a história dos Motim? Os Motim surgiram em Julho de 2008, pela minha mão, do Zyon e de um baterista, do qual não me recordo do nome com exatidão, mas julgo que se chamava Maia. Convidámos o Xónia e fizemos uma pequena experiência. No segundo ensaio, esse baterista não voltou e acabámos por convidar o Cris para a bateria. Esta formação manteve-se durante cerca de dois anos e meio, entrando o Gonçalo para a outra guitarra, entretanto. Em 2010 lançámos o nosso primeiro álbum «Gritos

de Revolta» (GdR), com o Hugo da Covil Estúdios como produtor. Este álbum tinha um registo direcionado para o punk, ao qual chamámos ‘powerpunk’, sendo que havia uma mistura de vários estilos de punk, desde o mais pop ao hardcore. Ainda em 2010 lançámos também o single “Racismo musical” com o tema “Greve dos sentidos”, também produzido pelo Hugo, mas este sem edição física. Algum tempo após a gravação deste single, o Gonçalo saiu da formação, dando lugar ao nosso atual guitarrista lead, o Danny. Depois de todo este percurso, decidimos mudar o nosso estilo, entrando numa vertente mais hardcore. Já numa fase final de produção, o Xónia abandonou a formação, o que abalou um bocado o espírito positivo que existia no seio da banda. Depois de cerca de um ano e meio de trabalho, já em 2012, surgiu este novo álbum «Them Killing Wolves» onde constam vários registos como o hardcore, post-hardcore, metal, punk, rock and roll, entre outros. Imediatamente após a gravação do álbum, felizmente, encontrámos um baixista com qualidade, o Jay. Entretanto, já começaram a surgir novas ideias e posso assegurar que, se tudo correr bem, há ainda a possibilidade de apresentar mais algum material no futuro. Quais as grandes diferenças entre este álbum e o passado da banda? Muitas… Atualmente o nosso registo é muito diferente. Abandonámos quase por completo o punk e aplicámo-nos afincadamente num novo projeto. Acho que a melhor forma de fazer esta comparação passa por uma hora com uns headphones, começando por ouvir o nosso primeiro álbum e seguidamente, o novo trabalho. Certamente irá valer mais que mil palavras! Acima de tudo, nota-se um maior profissionalismo, maturidade e seriedade. Os “antigos” Motim não estão, de forma alguma, enterrados. No entanto, toda aquela brincadeira em palco e aquelas músicas que nos caracterizavam, como a “Iogurte estragado”


Como correram as gravações do vosso álbum? Onde é que gravaram e quem participou no trabalho envolvente? Foi bastante complicado, por vários motivos. Inicialmente, por questões financeiras. Como devem imaginar, não é fácil para uma banda da nossa envergadura conseguir obter fundos suficientes para gravar um álbum com a qualidade que «Them Killing Wolves» apresenta. Valeu-nos muito a abertura e a disponibilidade do Jimmy e da Joana da Audioplay. Já no decorrer das gravações, ficámos sem baixista, acabando mesmo por ser o Danny a gravar também a faixa de baixo. Além de todos estes fatores, posso acrescentar que tivemos as dificuldades normais que implica gravar um álbum, ainda para mais quando o produtor tem a exigência e a qualidade do Lino Vinagre. Excelente profissional! Obriga-nos a superarmo-nos para obter um resultado final de qualidade. O álbum foi gravado na Audioplay Studios e dupli-

mitir? Sem dúvida! Sugere revolta e é precisamente essa a nossa intenção. O nome é português porque, quando demos início a este projeto, pretendíamos trabalhar apenas em português e mostrar que também se pode obter um bom resultado usando a nossa língua materna. É verdade que, dentro do circuito em que nos estamos atualmente a introduzir, este nome não nos facilita a vida. Não é, de facto, um nome pomposo, de ‘metro e meio’, em inglês. Quando começámos a trabalhar neste novo álbum, decidimos começar a fazer letras essencialmente em inglês, mantendo um pouco do português e juntando um pouco de francês. Não é nossa intenção virar as costas à nossa língua materna, nem tão pouco cortar as raízes com as nossas origens enquanto banda. Trata-se apenas de uma questão de visibilidade. Será certamente mais fácil atingir um público além-fronteiras e cair nas boas graças dos jovens portugueses, cantando em inglês. Voltando um pouco atrás, este nome sugere revolta, na medida em que, desde os nossos primeiros dias de existência, procuramos retratar vários temas que nos incomodam, tais como as drogas, a desigual-

cado na JR Produções. Um estúdio de grande qualidade, gerido por pessoas excelentes, que se mostram sempre disponíveis. Não posso deixar de indicá-lo a todas as bandas que procuram realizar um bom trabalho!

dade, a falta de oportunidades, o racismo musical, a guerra, os problemas que afetam os jovens e até mesmo o tema cliché das desilusões amorosas. Falamos de tudo aquilo que nos afeta de forma direta e indireta.

Convidaram alguém para participar no álbum? Sim! Este processo deu algumas voltas. Numa fase inicial ponderámos convidar vários músicos e gravar um tema inteiro com músicos da zona de Aveiro a interpretar uma composição nossa. Acabámos por colocar essa hipótese de parte, devido ao tempo que iríamos necessitar para preparar esse tema nas melhores condições. Tivemos a participação do André Cardoso numa pequena passagem de bateria no tema “Them killing wolves”, do JT Cardoso (vocalista dos Shallow Injury) no tema “Powerless” e finalmente, do Cláudio Aníbal (ex-vocalista dos Beautiful Venom) na “Social disease”. São precisamente três músicas das quais, pessoalmente, me orgulho mais em todo o álbum.

Vocês são uma banda com alguma atividade ao vivo e já com algum reconhecimento na zona de Aveiro. Os concertos são, mesmo, bastante importantes para vocês, certo? Contamos com cerca de 100 concertos ao longo destes primeiros três anos e meio de existência. Já percorremos todo o país, partilhámos palco com imensas bandas do panorama underground nacional e internacional, tocámos com bandas de grande porte como Xutos&Pontapés e pisámos grandes palcos. Já são muitas e boas as memórias que temos para recordar e partilhar. Fomos conquistando algum respeito na zona de Aveiro ao longo do nosso trajeto, mas infelizmente sentimos mesmo que somos ‘mal-amados’ na nossa zona. À exceção de um grupo restrito que sempre acompanhou e encorajou o nosso trabalho, somos sempre recebidos de uma forma mais calorosa nos outros locais onde atuamos.

e a “Sofre” do álbum «GdR», passaram agora a fazer parte de um passado do qual nos orgulhamos imenso, mas que não pretendemos continuar a levar avante.

“Após aquela primeira fase mais conturbada e depois de percorrer alguns quilómetros pelo país, percebemos que tudo é possível, desde que haja esforço, sacrifício e dedicação.”

O nome Motim sugere revolta. Foi essa a intenção? Que tipos de mensagem pretendem trans-


Todos estes concertos são extremamente importantes para nós, tal como para qualquer outra banda underground nacional. É o melhor canal que conhecemos para partilhar o nosso trabalho. É certo que existem muitas outras formas de divulgar o nosso trabalho, mas nada melhor do que passar toda a nossa energia e boa disposição em palco para prender a atenção do nosso público-alvo. Brevemente terão um concerto no BE (NR: Bar do Estudante), em Aveiro, promovido pela Bleeding Heart e pela MYOproductions, no qual irão apresentar o vosso novo álbum e fazer a abertura aos franceses As They Burn. Sentem-se preparados? Certamente! Ainda necessitamos fazer algum trabalho de casa, mas acredito que estamos preparados para essa grande noite. Vai ser uma noite memorável que gostava de dedicar ao Xónia, por tudo aquilo que ele representa para nós enquanto banda e enquanto pessoas. Faremos a apresentação do álbum naquela que será uma grande produção da Bleeding Heart e da MYOproductions e não esperemos menos do que uma casa cheia e um ambiente infernal. Será também um enorme prazer o facto de fazer a apresentação do nosso álbum ao lado de uma banda como As They Burn. Futuramente podemos esperar mais atividade dos Motim? Sim. Já temos mais alguns concertos agendados até ao final do Verão e certamente irão surgir mais alguns. É importante que haja disponibilidade e possibilidade de conciliar os horários de trabalho e estudo para que possamos aproveitar todas as oportunidades, mas estou certo que faremos inúmeros concertos nos próximos meses. Devo ainda referir que está a ser preparada uma tour nacional – “The Evil Sardine Tour” – que está à responsabilidade da MYOproductions, prevista para a primeira quinzena de Setembro e que contará ainda com os nossos manos Shallow Injury e Beautiful Venom. Existem ainda alguns pormenores por acertar e algumas questões económicas que criam alguns entraves, mas acreditamos que esta tour vai acontecer e que ficará gravada na nossa memória durante muitos anos. Entrevista: Victor Hugo

MOTIM «Them Killing Wolves» (MYOProductions) THIS IS A FUCKING RIOT”. São as primeiras palavras expelidas por Zyon, como que a dar as boas-vindas à verdadeira essência desta banda. Aumentem o volume de som, protejam-se bem e entreguem-se a uma verdadeira revolução! Longe estava eu de esperar uns Motim desta categoria, depois de ter assistido a alguns concertos quando esta banda iniciou o seu percurso, e confesso que estou bastante satisfeito com este segundo álbum. Deixaram de lado a onda mais Punk para se entregarem a um Metal mais moderno, por assim dizer, com bastantes lances de Hardcore, riffs ultra esgalhados e rápidos, e algumas pitadas de melodias, não da voz de Zyon mas da de Danny. Já Zyon mantém o seu registo scream, único e inconfundível, capaz de incendiar plateias – verdadeiramente contagiante! Mas mais há a dizer sobre este trabalho – ouvi-lo é mesmo porreiro. E isso é espetacular, porque no meio de tantos lançamentos que surgem diariamente, encontrar um álbum que se ouça com gosto de início ao fim e repetir a dose é raro. «Them Killing Wolves» apresenta uma dinâmica impressionante, com composições muito boas e balanceadas – lá está, nem parecem os mesmos Motim que conhecia! O seu conjunto transparece uma harmonia e homogeneidade que sugerem vitalidade e longevidade. Agressividade e revolta são, também, as palavras de ordem, ou não estivéssemos perante passagens como: “Há sempre motivo pra puta da Guerra. Ricos de merda, só querem dinheiro. Estão-se a cagar prás vidas do mundo inteiro” – no tema “Guerre”, um dos momentos altos do álbum, tal como “Social disease” (com participação de Cláudio Anibal, ex-Beautiful Venom). Por fim, a mistura de Lino Vinagre nos estúdios Audioplay é brilhante – e o resultado é um master de categoria. Keep the Riot! [8/10] Victor Hugo


OSI «Fire Make Thunder» (Metal Blade Records)

Depois do excelente «Sympathetic Resonance», realizado em colaboração com John Arch, eis que Jim Matheos nos “inunda” com outro álbum que não lhe fica nada atrás – parece que este homem������������������ só conhece o termo “excelência”.

Da sua já longa colaboração com Kevin Moore (Chroma Key, Ex-Dream Theater), nasce «Fire Make Thunder». Na primeira audição poderá existir alguma decepção por pensar que desta colaboração pudesse nascer algo de mais pesado. De facto, «FMT» não é aquele típico álbum de Rock/Metal Progressivo que estaríamos à espera de ouvir, feito por tão ilustres músicos que já fizeram parte de duas das melhores bandas deste género. Diria que este álbum é maioritariamente melancólico, ambiental, “salpicado” em vários momentos com alguns riffs um pouco mais pesados. Relativamente aos trabalhos anteriores nota-se uma maior presença de guitarras e bateria e, na realidade, atrever-me-ia a dividir «FMT» em três “camadas”: guitarra, toda a programação/sintetizadores e... bateria. Como conhecedor do trabalho de Gavin Harrison, super-baterista dos Porcupine Tree, diria que é a “camada” que mais me agrada, sem qualquer desprimor para os outros, mas este homem é um “monstro”, até num trabalho aparentemente simples. Esta diversidade foi o passo dado em frente relativamente aos trabalhos anteriores. Claro que existem sempre os temas típicos, como “Cold Call” onde os riffs simples de guitarra assentam sobre o background electrónico e a voz num tom calmo. As surpresas estão nos extremos: “Indian Curse”, calmíssima, com uma voz “doce” e melancólica; depois temos, por exemplo, “Prayer Missiles” com um riff extraordinário de guitarra e umas “malhas” bem “rasgadas” de bateria. É o tema mais pesado do álbum e instrumental. “Big Chief II” está na linha do tema anterior mas desta vez com vocalizações. Reservo para o fim o que considero o melhor tema do álbum: “Invisible Men”, uma faixa com 10:00 e a mais progressiva (se assim lhe poderemos chamar) de todo o disco. Uma mescla de riffs bem encadeados... melancólicos, psicadélicos, progressivos e onde se nota, ainda mais, o verdadeiro trabalho de Matheos. O ponto menos excelente do álbum será mesmo a excessiva “doçura” da voz. Este facto limita, na minha opinião, o trabalho que poderia ter sido desenvolvido por Matheos e ter “empurrado” o álbum para um outro patamar ainda mais elevado. Mesmo assim, uma compra obrigatória. [9/10] Eduardo Ramalhadeiro


AB IMO PECTORE «The Dissociative Path» (Debemur Morti) O surgimento de bandas de Black Metal em Portugal tem aumentado significativamente, e já não esperamos maquetas mal gravadas, sem qualidade, e das quais apenas é audível ruído e barulho. Esses tempos já lá vão, e graças às novas tecnologias, que permitem até gravar um álbum num quarto de dormir, pode-se ouvir música com melhor definição de som e, por isso, experienciar o que essas bandas de Black Metal têm para dizer. O caso destes Ab Imo Pectore é um exemplo disso. Produzida nos Soundvision Studios, a Demo Tape limitada apresenta um artwork interessante que nos dá logo uma ideia prévia à sonoridade inerente. E realmente encaixa tudo muito bem! O primeiro impacto com este trabalho é interessante, e apresenta-se de um modo obscuro e ritualístico. Em “Shearers of God” transparece esse ritual, num ambiente Black Metal evocando a mente de Lunus que nos conduz ao abismo e ao nada. Este fio condutor atravessa todos os temas o que torna este trabalho coerente e homogéneo. A composição dos temas revela uma certa crueza na produção, um frio desconfortável proporcionado pela diversidade dos ritmos, ora rápidos ora pausados e contemplativos. Para enegrecer ainda mais este «The Dissociative Path», os efeitos ambientais encaixam muito bem e fazem uma excelente comunhão com as várias vozes, que passam do gutural para o glacial e destes para algo evocativo como se estivessem num ritual ou a pregar a tal escuridão que nos conduz ao abismo. No seu conjunto há momentos altos, como o tema de abertura, a música “Mass grave emanations” e a “Sulphur garden”. Mas os curiosos devem ouvi-lo e aceita-lo muito bem, porque não é um trabalho imediato e requer ruminação! Espero pelo próximo. [6/10] Victor Hugo ARCTIC PLATEAU «The Enemy Inside» (Prophecy Productions) Quem já tenha ouvido Arctic Plateau sabe perfeitamente que Gianluca Divirgilio é o génio por trás deste projeto – Há também uma colaboração num Split EP com os Les Discrets. Quem não o conhece, fica a conhecer! Este é o segundo álbum deste Italiano que não só é responsável por todas as guitarras, vozes e piano, como por todo o conceito que envolve «The Enemy Inside» - Letras e música. «On A Sunny Day» é mais no estilo post rock, no entanto, G. Divirgilio vai um pouco mais além, junta-lhe a melancolia atmosférica própria de quem faz um álbum muito pessoal e consegue torná-lo ainda mais emocional. No álbum de estreia, as letras de G. Divirgilio refletem a infância e suas memórias, neste álbum o tema é recorrente mas desta vez com o contraste das realidades adultas, a perda da inocência e todas as emoções adultas... Por estes atributos tão pessoais do autor e no que ao nível conceptual diz respeito, «The Enemy Inside», não é um álbum simples, como é óbvio, nem a nível música nem lírico. Por isso, é que não se conhece ou não se encontram, muitas referências à história. No entanto, é um álbum que se ouve em paz, muito calmo, sossegado, por vezes zen, étero... Musicalmente falando: sem reparos. Influências de Anathema e Porcupine Tree/Steven Wilson são evidentes. Fantástica produção onde se ouvem todos os pormenores. Acho que este tipo de álbum tão bem elaborado e pessoal tem de ter um tema que foge completamente ao que é típico, “The Enemy Inside” cumpre tudo até último minuto, depois mantendo o mesmo estilo instrumental, acaba com Divirgilio a cantar num registo típico de Black Metal. De resto, “Idiot Adult”, “Melancholy Is Not Only For Soldiers”, “Loss And Love”, “Wrong” são os meus temas favoritos. Para ouvir naqueles dias em que não nos apetece ouvir nada nem ninguém. [9/10] Eduardo Ramalhadeiro ARJEN ANTHONY LUCASSEN «Lost in the New Real» (InsideOut Music) Quem conhece o Sr. Arjen Lucassen e os seus Ayreon, os seus Star One e os seus Guilt Machine - para não mencionar os Stream of Passion, conhece bem a sua música. Ela é única e repleta de outras referências musicais. Julgo que o prolífico e multi-instrumentalista senhor não necessita de apresentações, é uma música de excepção nos dias de hoje. É assim que ao descobrirmos o seu novo projecto a solo, nos identificamos de imediato com o seu universo. Aliás, este é para mim, o maior problema de «Lost in the New Real» e de uma vertente a solo de Arjen: o facto de


este álbum soar demasiado àquilo que ele já fez, é um álbum a solo, mas que bem podia ser um novo Ayreon - na onda do «Dream Sequencer» ou «Into The Electric Castle» - não fazendo grande sentido abrir uma nova frente. «Lost in the New Real» é um lançamento que necessita de algum tempo para o ouvinte absorver toda a sua riqueza. Não é um álbum de Metal na sua pura essência, mas sim um progressive space rock, muito bem composto e conseguido, com uma história de ficção científica ao bom velho estilo dos anos 60. Aliás, a capa do álbum diz tudo a este respeito e não renega as influências de Arjen. Com os suspeitos do costume, nos diferentes instrumentos, as três grandes novidades vão para este projecto estar despojado de super-convidados, ter o próprio Arjen na voz em todo o álbum e de contar com o famoso actor holandês Rugter Hauer (Blade Runner, The Hitcher, Nighthawk, Blind Fury, Flesh and Blood, Ladyhawk, etc...) na narração do álbum, ou seja no papel de Voight Kampff. Com uma edição em dois CDs, no primeiro CD temos o álbum e no segundo as músicas que não se enquadraram no mesmo e covers de Blue Oyster Cult, Led Zeppelin, Alan Parsons Project, Frank Zappa e o excelente “Welcome to the machine” dos Pink Floyd. [9/10]Carlos Filipe BORKNAGAR «Urd» (Century Media) Querendo de certa forma regressar às suas raízes, «Urd» apresenta-se como o álbum perfeito dos Borknagar. O Black Metal Avant-guarde é elevado ao patamar máximo do género. A riqueza de «Urd» está na sua diversidade musical, estética, artística e vocal, permitindo que em cada música possamos explorar todos os meandros mais avançados do experimentalismo musical. De “Epochalypse” até “In a deeper world”, passando pelo instrumental “The pains of memories” somos transladados para um sofisticado universo musical que só eles sabem produzir, onde tudo está no lugar certo, no ritmo certo, no tom certo. É de louvar como uma banda passados dezasseis anos consegue criar algo tão pertinentemente experimental e tão magistral. Certamente que o actual line-up tem tudo a ver. Liderados por Oystein Brun, os Borknagar também contam com os refinados músicos Vintersorg, Lars Hedland, ICS Vortex, Jens Ryland e David Kinkado (Soulfly) na bateria. Nesta banda não há um vocalista, mas sim quatro (Brun-Vintersorg-Hedland-Vortex), cada um com a sua personalidade vocal, distinta dos outros e que a cada música, a cada momento, enriquece ainda mais este álbum. «Urd» é o pico da jornada musical dos Borknagar. É massivo, épico e tem emoção, conjuga preliminarmente, rápido e lento, tal como progressivo e avant-garde. [9.5/10] Carlos Filipe CANNIBAL CORPSE «Torture» (Metal Blade) Esta pode ficar conhecida como a era “Erik Rutan” (Hate Eternal) dada a estreita colaboração como produtor dos últimos três álbuns dos Cannibal Corpse [CC] - incluindo este. É caso para dizer que “em equipa vencedora não se mexe” e os CC têm-se mantido fiéis ao preciso e sólido Death Metal Técnico que iniciaram com «Kill» de 2006, considerado pelo Alex Webster como um dos melhores álbuns dos CC, que tem sido quase impossível de suplantar pelos próprios. Assim, para se compreender «Torture», tem de se entender os dois anteriores trabalhos, já que segue o mesmo carácter e grau. «Torture» é um álbum de difícil julgamento porque não descola em nada daquilo que os CC têm feito, pelo que, só o tempo poderá dizer se o álbum funciona realmente ou não. Para já, as doze músicas que o compõem são mais um must de mestria de Alex, George, Pat, Paul, Bob e Rob, mostrando porque os CC andam por aí há 22 anos a “eviscerar” o mundo do Death Metal. «Torture» tem tudo aquilo que se espera deles: técnica, ritmo dominador, grunts viscerais como só George sabe vociferar, solos acutilantes de guitarra, baixo avassalador – oiçam “Caged...conforted”, uma bateria diligente e claro está, nomes e letras de músicas a condizer, onde destaco no mínimo “Instestinal crank”, “Demented aggression” ou “The strangulation chair”. Sempre controverso nos Cannibal Corpse é a capa, demasiada visceral, mórbida e provocativa – bem se calhar cada vez menos dado à Internet – a capa de «Torture» foi alvo de duas edições: uma censurada e outra onde toda a violência gráfica é revelada. Desde «The Wretched Spawn» de 2004 que isto não acontecia. Nada mais a dizer: desfrutem da “tortura canibalesca”. [9/10] Carlos Filipe


COLOSSO «Abrasive Peace» (edição de autor) E aqui temos mais uma banda de Death-Metal experimental. Desta feita com raízes na cidade do... Porto! Pois bem, foi com extremo agrado que tive a oportunidade de escutar em primeiríssima mão (ou quase) este CD que tem como mentor Max Tomé. Sem grandes dúvidas sobre a excelente obra que tinha em mãos foi rapidamente que deu para perceber que as fortes melodias, o som bem pesado, a estrutura de cada um dos temas e a conjugação de todos eles no mesmo álbum dão assim génese a um disco que marcará porventura o Death-Metal português em 2012. Diria que já há uns anos que algo do género deveria ter surgido e surge agora em 2012 mas ainda bem dentro do prazo de validade. Posso no entanto apontar um senão ao fator originalidade. Parece-me que é percetível que apesar da pertinência da sucessão de riffs e estruturas melódicas experimentais, em geral podemos ser levados a comparações. Mas como digo a originalidade em géneros que estão já mais do que estabelecidos é algo muito difícil de atingir. Portanto não sendo declaradamente uma obra-prima está lá perto e o lado experimental consegue dar-lhe o cunho que o distingue pela positiva. Não será por acaso que Dirk Verbeuren decidiu prestar a sua colaboração na gravação da bateria; aliás os rasgados elogios que ele faz ao projeto Colosso dirão muito sobre a sua motivação para esta etapa em terras Lusitanas. Poderá haver alguns leitores que discordarão da nota quase máxima que atribuo a “Abrasive Peace”. Mas no meu entender é um álbum a escutar obrigatoriamente. [9.5/10] Sérgio Teixeira CYNIC «The Portal Tapes» (Season of Mist) Os Cynic lançam finalmente, de forma oficial, as tão afamadas demos do «Portal». Quem espera grandes distorções de guitarra, bateria carregada de bombo e de blast beats e de uma voz pesada, vai ficar desiludido pois esses tempos, aparentemente, ficaram para trás de forma definitiva. Este lançamento vem no seguimento do EP «Carbon-Based Anatomy» e é uma fusão de rock progressivo com jazz, construindo as músicas de uma forma experimental com sons de guitarra praticamente limpos, com as vozes de Aruna Abrams e de Paul Masvidal completamente limpas mas muito bem colocadas. É um CD que pode “tocar” com facilidade em rádios e bares que não sejam dedicados à música mais pesada. No meu ponto de vista, o grande destaque deste lançamento vai para as, mais uma vez, espectaculares linhas de baixo do Chris Kringel, bastante técnicas e harmoniosas que dão um toque requintado ao longo das dez músicas e os cerca de 45 minutos do álbum. A faixa que gostava de destacar é a “Circle” que mostra a grande harmonia que existe entre as vozes, criando um ambiente intimista que chega a causar arrepios. Os Cynic são uma banda madura que sabe bem os terrenos que quer pisar e isso é notório em cada novo lançamento. As músicas não aparecem por acaso. Este lançamento vai ser uma raridade já que apenas irão ser lançadas 5000 unidades em formato CD e 1000 em vinil. [9/10] Sérgio Pires DEATH «Vivus!» (Relapse Records) Chuck Schuldiner vive...! Desde o seu desaparecimento que os destinos de tudo o que tenha a ver com a música dos Death/Control Denied foi tomado pela sua mãe ou irmã. De facto, já assistimos às excelentes re-edições dos álbuns anteriores, por mim comentados em edições anteriores da VERSUS, sempre com algo a acrescentar ao álbum em si. Para os fãs que seguem os Death, imediatamente irão reconhecer os dois concertos. Sim, porque «Vivus!», não é mais do que «Live In LA (Death & Raw)» e «Live In Eindhoven» reunidos nesta compilação. Ambos os concertos foram lançados em 2001 e como é óbvio o som não está perfeito. «Live in LA» foi gravado no bem mais amigável Whiskey A Go-Go e som está bem superior ao outro concerto, que foi gravado no Dynamo Open Air Festival, limitado a um setlist de 11 temas. De facto, «Live in Eindhoven» é um set algo resumido do concerto dado em LA. Ambos começam com “The Philosopher” e acabam com “Pull The Plug”. No entanto, em Eindhoven faltam os temas como “Scavenger of Human Sorrow”, “Empty Words” ou “Symbolic”. Há ainda uma maior interação com o público em LA. Não penso que seja necessário falar das qualidades musicais porque são demasiado evidentes ou da voz


de Chuck... um padrão no Death Metal. Opinião pessoal, dos dois concertos prefiro o de LA, mesmo assim, pela qualidade do som, setlist e por todos os sentimentos transmitidos através da música dos (Eternos) Death. (Eu daria nota máxima se esta edição viesse (ainda mais) enriquecida com um DVD dos concertos... Seria um luxo!). Termino esta review como sempre: “Support music, not rumors” – Chuck Schuldiner (13/05/67 – 13/12/01) [9.5/10] Eduardo Ramalhadeiro DJERV «Djerv» (Indie Recordingss) Mais uma estreia absoluta! Os Djerv são uma banda oriunda da Noruega e as primeiras demos apareceram em 2010. Imediatamente surgiu uma oportunidade para um dos maiores festivais da Noruega. A partir daí foi um “saltinho” até à gravação do primeiro EP: Headstone. Rock duro, muito duro! Apesar de existirem algumas influências de Black Metal (ouça-se “The Bowling Pin” ou “Only I Exist”), «Djerv» é sobretudo um álbum de Rock (bem) pesado! E o que o torna um excelente lançamento? Antes de mais, a voz! Agnete Kjølsrud é uma Gwen Stefani (No Doubt) chegada diretamente das profundezas do inferno. A entrada do álbum, “Madman”, é um bom exemplo do seu poderio vocal. Agnete vem dos extintos Animal Alpha e em ambas as bandas o seu registo agressivo mantem-se. Não foi, pois, de estranhar que tivesse sido convidada para participar em três temas no último álbum dos Dimmu Borgir. Os restantes músicos vêm dos Trelldom e Stonegard. Outro ponto a favor é toda a estrutura em volta da produção, feita pelos próprios Djerv e a mistura, onde contam com pessoal como: Daniel Bergstrand (Meshuggah, In Flames) ou Matt Hyde (Slayer, Monster Magnet). É pois, uma combinação demoníaca, entre o Rock Pesado e (algum) Black Metal que os Djerv fazem de uma maneira soberba e muito direta! Estaria tentado a destacar os melhores temas mas acho que estão todos ao mesmo nível e com um denominador comum: Agnete Kjølsrud. Devo realçar que os Djerv não vivem só da voz e os restantes músicos são um excelente complemento. Agora que andam em tournée com os Ministry, gostaria muito de os ver por terras Lusas... e o mais perto que estarão é em Bilbau. [8.5/10] Eduardo Ramalhadeiro ENGEL «Blood of Saints» (Season of Mist) Até à data foi dos álbuns, lançados em 2012 que mais me cativou e viciou! Depois do lançamento do também excelente “Absolute Design” em 2007 que os Engel vêm progredindo e fazendo cada vez melhor. Um ponto de grande interesse e que acho dá um “toque” diferente é o uso da “electrónica” e dos efeitos industriais. No entanto, não se julgue que estes efeitos são adicionados em exagero ou por tudo o que seja riff. Sendo o projeto paralelo do guitarrista dos In Flames, Niclas Engelin, é de adivinhar que a sonoridade se pareça um pouco com estes últimos. De facto, existe essa influência, nada de exagerado ou que se possa dizer que é uma cópia descarada. No entanto e para contrariar, «Down To Nothing» podia muito bem fazer parte do último dos In Flames... Magnus Klavborn tem uma voz, talvez, mais melodiosa do que Anders Fridén (In Flames) e a combinação da agressividade com a emotividade é uma mais-valia para “Blood of Saints”. Os efeitos industriais estão na quantidade certa - «Question Your Place» e «One Good Thing» são, talvez, os mais industriais, se assim lhe poderemos chamar. Os temas são incisivos, muito diretos, melodiosos, duros e muitas vezes com as transições entre os riffs feitos com a tal “indústria”, exatamente no tempo e quantidade certas. «One Good Thing» é a (quase) “balada” do álbum. Para terminar, não aconselho a audição de «Question Your Place», «Frontline» «Cash King» e «In Darkness» enquanto se conduz: pode haver o perigo de acidente devido ao constante headbanging ou então, ao aumento de velocidade a que nos sentimos tentados. Só uma última palavra para a produção/produtor - Tue Madsen que trabalhou com bandas, tais como, The Haunted, Hatesphere ou Dark Tranquillity... O álbum está nas lojas a 18 de Maio. [9.5/10] Eduardo Ramalhadeiro


HAWKWIND «Onward» (Candlelight Records) Basta dar uma espreitadela pelos meios cibernéticos para perceber que se há banda que merece o título de dinossauros da música eles são os Hawkwind. Surgidos em 1969, com álbuns editados até perder de vista (mais de 30 entre originais e registos ao vivo) e um batalhão de músicos diferentes envolvidos no projeto em diferentes épocas. Esta não é portanto uma banda qualquer. Mas quanto à música que nos trazem em 2012 com este duplo álbum “Onward” é baseada em elementos psicadélicos, como as bandas Britânicas sabem bem fazer, Rock progressivo e alguma versatilidade de composição. Os conceitos futuristas e tecnológicos bem marcados a concorrerem claramente para a classificação de álbum conceptual marcam a assinatura desta obra. Os sintetizadores e teclados fazem bem o trabalho de transportar estes dois CDs para um Universo próprio algures no tempo, algures no espaço e somos convidados de modo inevitável a fazer parte dessa equação sonora. Mas tudo isto não passaria de uma anedota se não fosse feito por quem sabe. E a experiência desta rapaziada aliada a uma capacidade de inovar, composições irrepreensíveis deixam a quem tiver um bom sistema Hi-Fi uma boa aposta para uns momentos bem passados. Mas no final, apesar de ser um álbum com um conceito bem próprio, ao ouvir as composições fico com a sensação que se fossem um pouco mais pesadas ou tivessem um pouco mais de imprevisibilidade teria ficado bem mais interessante e se calhar até uma obra-prima. No entanto fica aqui a recomendação para quem gosta de tratar ‘bem’ os ouvidos. [8.5/10] Sérgio Teixeira IMPIETY «Ravage & Conquer» (Pulverised Records) Um ano após o lançamento do «Worshippers of the Seventh Tyranny», os singapurenses Impiety surgem com o seu oitavo lançamento intitulado «Ravage & Conquer». O álbum é composto por oito músicas de black metal de uma velocidade estonteante e com uma qualidade técnica notável, algo que os Impiety nos habituaram ao longo destes mais de 20 anos de história. O bombo da bateria do Dizazter que “não se cansa” de bater, fazendo lembrar uma metralhadora tal a quantidade de “blast beats”, a guitarra do Nizam Aziz com um histerismo caótico dos riffs e a complexidade dos solos e a voz gutural do Shyaithan suportados por um bom suporte de baixo também tocado pelo vocalista, criam um ambiente negro e de guerra em torno das músicas sempre de alta rotação. A música “War crowned” caracteriza perfeitamente o que é possível encontrar ao longo de todo o álbum, música muito bem estruturada e não recomendável para pessoas nervosas. Apesar de virem de um pais que não é conhecido por este estilo musical, felizmente para quem gosta da banda e de black metal em geral, apesar dos seus 20 anos de carreira, os Impiety não pararam no tempo e de álbum para álbum mostram cada vez mais velocidade, mais técnica e uma vontade sagaz de fazer música. Quem os viu ao vivo no SWR’10 não os esquece e aguarda-se uma nova aparição em Portugal para mostrar ‘in loco’ este novo trabalho. [8/10] Sérgio Pires INSENSE «Burn in Beatiful Fire» (Indie Recordings) Provenientes de Oslo – Noruega, os Insense não são uma banda de Black Metal. Como é óbvio, dado o conservadorismo do Metal na Noruega, é sempre mais difícil para uma banda singrar de imediato junto do público. Anders Fridén (In Flames) é o manager desta banda que é também o segundo projeto de Truls Haugen, baterista dos progressivos Noruegueses Circus Maximus. O estilo dos Insense é uma mistura Death/Thrash/ Hard Core cuja voz encaixa, precisamente, no Hard Core. Pessoalmente, não gosto, no entanto, devo dizer que os Insense são muito bons a nível técnico. Conhecedor do trabalho dos Circus Maximus, sei que T. Haugen é um excelente baterista e ao nível das guitarras, estão num patamar superior à esmagadora maioria das bandas deste estilo. Magnífico o riff de “Surviving Self Resentment”. Ao ouvir “Burn in Beatiful Life” ficaria muito mais agradado se T. Hjelm cantasse com a voz mais “limpa” – mas como escrevi, isto é meramente uma opinião pessoal. Com estes ingredientes todos, não admira que Anders Fridén quisesse os Insense na sua agência de management. (Mais) Um ponto a favor é o produtor Daniel Bergstrand que já trabalhou com bandas como Meshuggah, In Flames ou Strapping Young Lad. Dos temas que


me chamaram mais a atenção foram, além da que foi citada em cima, “Death For Me, Death For You” e “Burn In a Beautiful Fire” – tema mais Thrash. Todos os outros temas estão na linha do Hard Core mas muito técnico o que não chegar para gostar. No entanto, tenho a reconhecer muita técnica a este quarteto. [7.5/10] Eduardo Ramalhadeiro IT BITES «Map Of The Past» (Insideout Records) Bem... Mais uma banda por mim desconhecida que me chega aos ouvidos. Os It Bites já andam no mundo da música há 1/4 de século e com este álbum lançam o seu primeiro conceptual – Para ser mais correto, o álbum gira em torno de um conceito. Digamos que não é conceptual na forma de “The Wall” dos Pink Floyd, por exemplo. Inspirado pela descoberta de uma velha fotografia de família, «Map of the Past» é uma viagem pessoal que explora amor, paixão, ciúme, raiva, remorso e perda através dos olhos da anterior geração e foi escrito por John Mitchell e John Beck ao longo de 2011. Quando ouvi pela primeira vez a faixa de abertura, “Man In The Photograph”, julguei estar a ouvir Peter Gabriel do tempo dos Genesis e quanto mais ouvimos mais parece que estamos a ouvir os próprios Genesis e muitas influências de Pink Floyd mas com uma sonoridade/produção bem mais moderna. As influências aos Pink Floyd não se ficam só pelo estilo musical, existem várias referências ou ideias retiradas das letras. Não considero que isto seja mau, antes pelo contrário... É excelente! Portanto, estamos perante um excelente álbum conceptual do mais típico (Pop) Rock Progressivo Britânico. Que temas destacar? De entre a excelência, “Man In The Photograph” pela suavidade da voz e da orquestração, “Cartoon Graveyard”... por tudo, “Send No Flowers” pelo grande final e mais uma vez a orquestração de entrada e “The Last Escape” pelo piano e excelentes vocalizações. Em conclusão, para quem gosta das bandas acima mencionadas (Eu) este é daqueles álbuns (... e banda) que não podem escapar! [8.5/10] Eduardo Ramalhadeiro JEFF LOOMIS «Plains of Oblivion» (Century Media) Jeff Loomis é um nome que dispensa apresentações. Após ter iniciado a carreira a solo em 2008 com «Zero Order Phase», Loomis parece querer intercalar esta com os seus Nevermore – assim tem sido desde 2005 – e desta forma explorar todo o seu potencial técnico e criativo, já bem evidenciado nos Nevermore. Aliás, este e o primeiro álbum mostram claramente a separação das águas entre os dois projectos, apesar do “cunho Loomis” estar lá bem presente em «Plains of Oblivion» [PoO]. Musicalmente, não difere muito do anterior, ou seja, uma bateria e baixo pujante, solos acutilantes, velocidade - As dez músicas de PoO são um desfilar pleno de garra e profissionalismo de cortar a respiração. Então onde é que está a novidade? A novidade está nos convidados: Marty Friedman em “Mercurial”, Tony MacAlpine em “The ultimatum”, Attila Vörös em “Requiem for the living”, e as maiores novidades de todas, as três músicas cantadas: Christine Rhoades e Ihsahn, este em “Surrender”. Penso que neste ponto, Loomis quis trazer algo que foi demais, já que a música de Loomis não pede para ser cantada, o feeling é outro, tendo sido feita para ser tecnicamente apreciada. Fica bem mas acaba por descaracterizar o álbum. Ao nível da estrutura, PoO não destoa em nada do seu predecessor, limitando-se Loomis a debitar as notas musicais com uma técnica apuradíssima e uma atitude muito profissional, que acaba por lhe conferir alguma falta de emoção que agarre o ouvinte, isto claro a não ser que seja um fã de Loomis/Nervermore, neste caso PoO é incontestável. [7.5/10] Carlos filipe


LES DISCRETS «Ariettes Oubliées…» (Prophecy Productions) Composições esquecidas, longínquas, difíceis de lhes dar alma, mas nem por isso impossíveis de lhes dar forma. «Ariettes Oubliées…» corresponde precisamente a esse desafio, e parece que monsieur Fursy e companhia estiveram à altura. Igualar ou superar a genialidade e surpresa do primeiro álbum sugeria ser uma tarefa difícil, mas o grupo não só conseguiu manter essa genialidade como otimizou o seu trabalho, o que resultou noutra surpresa. O que há de parecido entre estes dois trabalhos está no «Ariettes Oubliées…» ainda melhor; e as diferenças entre ambos fazem deste último um passo positivo para a carreira musical de Fursy. As estruturas das músicas são parecidas e mantêm-se focadas nas guitarras, sem perder o lado Metal mas mais inspiradas em estruturas post-rock e shoegaze; e os ritmos estão bastante dinâmicos, mostrando um Winterhalter capaz de se superar. Contudo, este novo trabalho traz uma escuridão muito própria, um lado negro ainda mais negro que o seu antecessor, mas bastante confortável e com uma doçura que só a melancolia nos dá. Esse negrume é proporcionado com passagens ambientais, baseadas em dedilhados, como se estivéssemos a ser tocados por veludo cor de noite; e além disso a voz de Fursy está menos épica e mais calma e doce, aproximando-se desta forma ao que uns tais de Alcest fazem – mas sem luz e sem Neige! Mas falar de Les Discrets não é só falar de música, mas num conjunto de artes que fazem os seus lançamentos obras de arte. E por isso não se pode esquecer o trabalho gráfico de Fursy, que, como podem imaginar, enche os olhos ao mesmo tempo que somos afagados pela música. Outra dimensão artística são as letras, que ora são escritas pela Audrey Hadron ora são excertos da obra poética do francês Paul Verlaine. No final sentirão algo de sublime, algo confortável e acolhedor como se essa escuridão nos fosse muito própria… [9/10] Victor Hugo MESHUGGAH «Koloss» (Nuclear Blast) Finalmente! Os já anteriormente chamados “Einsteins” da música, vieram com a sua regra e esquadro (leia-se instrumentos) e apresentam este fenomenal «Koloss» para deleite de quem aprecia jogos matemáticos em forma de música. Os Meshuggah tinham a árdua tarefa de substituir o muito aclamado «ObZen» e passaram no teste com distinção. Tomas Haake continua com a sua forma peculiar de tratar a bateria, um primor para quem gosta deste instrumento. Jens Kidman permanece com a sua voz robótica carregada de raiva. Fredrik Thordendal e Mårten Hagström mostram que as suas guitarras de oito cordas são poderosas mas também cheias de ritmos agudos que nos entram no ouvido e nos dão um arrepio, tal o impacto que causam. E Dick Lövgren, o fiel escudeiro quando toca a suportar as músicas, com um registo muito próprio de baixo que o torna facilmente reconhecível em qualquer música. O álbum começa com “I am Colossus”, seguida da obra-prima deste trabalho, “The demon’s name is surveillance”, com um trabalho de bateria genial marcado por um bombo incansável, com o resto dos músicos a acompanhar de uma forma envolvente, e onde a subida que fazem ao minuto 2:36 é qualquer coisa de extraordinário. Destaco também as músicas “The hurt that finds you first” e “Swarm”, que conjugam velocidade, técnica e um experimentalismo raramente visto. É bom olhar para «Koloss» e ver que «ObZen» foi sucedido de forma exímia. Estamos perante, muito provavelmente, e na minha opinião, o álbum do ano. Fazendo jus ao nome, é fácil afirmar que “este álbum é Colossal”. [10/10] Sérgio Pires MY DYNAMITE «My Dynamite» (Listenable Records) Por vezes chegam à VERSUS Magazine álbuns de bandas que se distanciam da cena atual do Metal e que se situam num espaço muito especial, algures entre o Rock Clássico e o Hard Rock que ajudaram a abrir portas ao Heavy Metal ali nos anos 70. Motivados e inspirados por essa cena, os australianos My Dynamite trazem pela música esse feeling que apesar de se encontrar à margem do Metal atual consegue agarrar pelos colarinhos qualquer apreciador de Rock. A qualidade demonstrada nesta estreia é estonteante levando-nos a pensar que não é o registo de estreia, mas antes um terceiro ou quarto lançamento. A composição é muito boa, a


Crowes e mesmo Humble Pie e Bad Company. Os ritmos são fabulosos e bastante agradáveis de acompanhar, com momentos ora suaves dos Blues ora eufóricos do Rock, onde por fim surge sempre um ou dois solos de guitarra simplesmente fantásticos. É certo que irão sentir o vosso corpo reagir, e também é certinho que chegarão a praticar algum headbanging naqueles momentos mais explosivos. Já a voz de Patrick Carmody encaixa que nem uma luva no contexto da banda. O esperado para uma banda de Rock deste tipo, bastante melódica e afinada, com os crescendos de intensidade nos sítios certos, e com um coro a acompanhar em algumas passagens. Como podem reparar, todos estes argumentos são bastante positivos e transparecem a ideia de que deveríamos obter o álbum. Sim, se forem realmente amantes de Rock tenho a certeza que não ficarão desiludidos… muito pelo contrário! E podem esperar por um segundo álbum em breve – conseguirão eles superar-se? [7/10] Victor Hugo NEFARIOUS «The Universal Wrath» (Cold Dimensions) Esta banda de Black-Metal (BM) Húngara já anda no terreno desde 2000. E eu pergunto-me porque é que só agora chegam ao mundo dos vivos com um disco de originais. E pergunto-me também quem é que de facto são estes senhores. Após uma curta pesquisa descobri praticamente nada sobre estes misteriosos músicos. Pois, esta é mais uma daquelas obras que não estão repletas de virtuosismo musical especialmente nas guitarras, diria que a produção não está perto do melhor, a voz não é originalíssima pois embora não seja apreciador incondicional de (BM) já ouvi este tipo de vocalização algures; e convenhamos que não é pelas vozes que uma banda de BM tem tendência a desempatar. Bom, mas então porque é que escolhi este álbum para review? As composições estão simplesmente demoníacas e ao mesmo tempo temperadas por uma atmosfera dantesca. Parece que se consegue cheirar os fumos resultantes da terra queimada pelas labaredas lançadas por estes Húngaros. O ponto forte desta banda é sem dúvida a capacidade de transpor para a música atmosferas bem tenebrosas, isto por culpa de teclados que usam e abusam de fade-in no ataque às notas. Numa das primeiras audições fiquei mesmo com a sensação de ficar sem respiração! Um álbum que consegue este tipo de sensações não é apenas mais um. Sem ter informações mais detalhadas deduzo que os 12 anos necessários à gravação deste álbum sejam sobretudo ligados a limitações extramusicais. Mas que valeram bem o esforço, isso é um facto. Na minha opinião está aqui um bom disco de BM e fica aqui a nota de recomendação para uma audição mais atenta. [8/10] Sérgio Teixeira ODDLAND «The Treachery of Senses» (Century Media) Quando me chegou às mãos, confesso que esta banda me era desconhecida. Digo agora: Infelizmente. Antes de mais (e não sei porquê), o riff do tema de abertura - “Above And Beyond” e no qual o tema assenta, me ficou imediatamente no ouvido como um dos mais espetaculares que já ouvi. Nada de complicações ou técnica, simplesmente, um simples riff. Os ODDLAND são provenientes da Finlândia onde ganharam um importante concurso – Sumoi Metal Star, onde o prémio é, tão só, um contrato discográfico com a Century Media. Excelente, não? Não admira, portanto, que sejam bons... aliás, muito bons. Até 2003 os ODDLAND tocavam rock com algum grunge à mistura e a partir desse ano decidiram passar para algo mais pesado e progressivo – Ainda bem! Definindo este álbum, «The Treachery of Senses» tem influências da face mais “negra” dos Fates Warning (“A Pleasent Shade of Grey”) com uns “toques” de Tool, Symphony X ou mesmo Alice in Chains. A voz de Sakari Ojanen faz lembrar por exemplo, Mikael Akerfeldt (Opeth), Maynard Keenan (Tool) ou Mike Patton (Faith no More). Portento de técnica e peso, sem no entanto ser levado ao extremo, faz deste lançamento um dos que mais me deu prazer ouvir e custa acreditar como um álbum de estreia – Todos os anteriores lançamentos foram EP’s – possa ter tanta qualidade. Espero, sinceramente, que não fiquem por ganhar um concurso e lançar um álbum. (Sigo-los-ei muito atentamente) Já agora, só encontro paralelo num álbum de estreia deste género nos Circus Maximus (The 1st Chapter). Chamo particular atenção para as vocalizações nos temas “Sewers” e “Ire”. [9/10] Eduardo Ramalhadeiro


OPHTHALAMIA «Dominion» (Soulseller Records) Demasiado sofisticados para serem black metal, demasiado sujos e pesados para serem reconhecidos como heavy/prog metal, os Ophthalamia foram, acima de tudo, uma banda largamente subestimada durante os cerca de dez anos que estiveram activos. O quasi black metal que fizeram distinguiu-se musicalmente da concorrência por não incluir blastbeats, e por se basear inteiramente em riffs típicos de Black Sabbath e Iron Maiden em versão mais abrasiva, secundados por extraordinárias melodias de guitarra. Chegaram a ser descritos como uma versão mais lenta de Dissection (comparação reforçada pelo facto de terem incluído o baterista Ole Ohman e o guitarrista Emil Nodtveidt - irmão mais novo do malogrado Jon Nodtveidt), no entanto demarcaram-se destes na vertente lírica, afirmando-se como uma verdadeira banda conceptual com todo o trabalho a revolver em torno dum mundo de fantasia imaginado até ao mais pequeno detalhe pelo seu líder, Tony Sarka, que aqui assina como It (este foi o fundador dos Abruptum e um dos leaders do infame Satanic Black Circle sueco). Esta edição remasterizada reabilita assim aquele que foi o último longa duração da formação lendária de Estocolmo, um álbum que não chegou, é certo, ao nível qualitativo do anterior, «Via Dolorosa», mas que inclui, ainda assim, todos os condimentos essenciais da singular assinatura musical de It. Como é da praxe, o CD conta com algumas faixas bónus lo-fi resultantes de captações na sala de ensaios, mas o importante, claro está, são os oito temas da edição original de «Dominion», os quais se mantém definitivamente tão relevantes como há 14 anos atrás. [9/10] Ernesto Martins PIGEON TOE «The First Perception» (Lifeforce Records) Os Pigeon Toe nasceram das mentes dos irmãos Fisher (Martin e Hans) e da vontade de fazer algo diferente dos anteriores projetos. A formação só ficou completa com músicos provenientes dos Fear My Thoughts e Final Kings. Uma leitura pela entrevista feita a Martin Fisher, este define como um “rock qualquer-coisa” com influências de algumas bandas progressivas como Pink Floyd, Fu Manchu, Meshuggag, Mostodon ou King Crimson. No entanto, eu ainda acrescentaria The Mars Volta, Porcupine Tree ou a face mais leve e acústica dos Opeth. É um álbum que à primeira vista pode parecer “simples”... mas não. É sóbrio mas muito técnico e mistura muito bem todas as influências progressivas citadas em cima. Os temas não são lineares, no sentido em que não têm sempre o mesmo ritmo ou tempo. Ora ouvimos fantásticos riffs progressivos e pesados, ora ouvimos um riff mais calmo e psicadélico - “The Chase” é um dos melhores temas e demonstra tudo isto na perfeição. Estas mudanças e transições de ritmo/estilo estão “construídas” de uma forma soberba e apesar disto, a música corre com uma fluidez impressionante. Tirando o tema já citado, não destaco mais nenhum pois, estão todos ao mesmo nível e com a mesma estrutura. A entrevista dá-nos, também, uma perspetiva de como “The Fisrt Perception” foi gravado, assim como um pouco da vida entre concertos e cidades. A ler portanto. Em conclusão: Um excelente álbum de estreia. [8.5/10] Eduardo Ramalhadeiro SOULFLY «Enslaved» (Roadrunner Records) Desde que Max Cavalera abandonou os Sepultura e levou consigo aquele som tribal para formar os Soulfly, tem vindo a desviar-se musicalmente de álbum para álbum e a flectir para algo mais próximo do som original dos Sepultura. Se nos álbuns anteriores isto não é de todo evidente, no presente lançamento, o thrash metal que caracterizou os Sepultura até «Chaos A.D.» está bem presente, obviamente devidamente actualizado. É caso para dizer, e aproveitando o ditado popular, que ‘bom músico ao seu som retorna’. Prova disto são praticamente todas as músicas que compõem este álbum, mas em particular “American steel”, com um portentoso riff, a corroborar o supra exposto. “Plata o pomo” é outra das excelentes músicas, a todos os níveis, quer musicalmente, quer liricamente. Talvez não seja um tema muito original - já ouvimos algo parecido em «Chaos A.D.» - mas é eficaz. Estas são provavelmente as duas melhores músicas, a par de “Treachery”. «Enslaved» é um excelente e interessante álbum dos Soulfly, que os vê enveredar por um thrash mais tradicional e menos alternativo, repleto de grandes riffs e malhas a condizer, com um Max Cavalera e companhia em excelente forma. A temática do álbum é aquela a que Max já nos


habituou: a crítica social. O CD vem com três interessantes músicas extra, cada uma distinta da outra, que provavelmente ficaram de fora por destoarem do tom musical das restantes onze. Valeu cara! [9/10] Carlos Filipe THE FORESHADOWING «Second World» (Cyclone Empire) Há sempre momentos em que estamos além das sombras. Há sempre aquela vontade de ouvir um certo álbum vezes sem conta, deixar a alma degustar aquelas melodias que tão bem sabem acariciar e arrepiar, uma voz que, de tão quente, parece querer confortar-nos mesmo que nos diga que iremos cair. Formados em 2005, este grupo italiano cujos membros estiveram ou estão em outras bandas (Klimt 1918, Grimness, Spiritual Front, e How Like A Winter), editou o seu primeiro álbum em 2006, «Days of Nothing», o segundo em 2010, «Oionos», ressurgindo este ano com um outro que é tão majestoso que somente lendo as líricas, que possuem um teor negativo (o caos criado pelo Homem, a mecanização da sociedade destruindo o mundo, este atacando com uma série de desastres naturais), é que se é marcado pela tristeza. Sim, este é um grupo que é designado como Doom/Goth Melancólico mas a instrumentação é tão bela e relaxante, a atmosfera confortando o íntimo com uma tal riqueza que não há tempo para lágrimas. Tendo já dado muitos concertos pelo seu país de origem e por outros países europeus, as suas actuações em festivais de renome como Stoner Hand of Doom, Legacy Festival, Mayday Rock Festival, Summer Darkness Festival, Summer Breeze, Master of Doom Festival e Wave Gotik Treffen tiveram críticas extremamente positivas. Com este álbum, misturado e masterizado pelo legendário Dan Swano nos Unisound Studios e com as ilustrações e design de Travis Smith, a motivação para o adquirir deverá ser do vosso supremo interesse. [9.5/10] Jorge Ribeiro de Castro THE GROTESQUERY «The Facts and Terrifying Testament of Mason Hamilton – Tsathoggua Tales» (Cyclone Empire) Como já se sabe, nem tudo o que reluz é ouro. Por vezes, a loucura brilha ainda mais, as dúvidas adulterando a nossa vida por não haver habilidade suficiente que nos faça acreditar que tudo se resolverá a bem. Este álbum dá-nos a conhecer uma história demasiado peculiar, pois nos leva a milénios atrás mas também ao século passado, à morte de várias pessoas em circunstâncias estranhas e à aterradora experiência de Mason Hamilton, um homem que não envelhece desde os 23 anos. Tendo uma base lírica inspirada nas obras de H. P. Lovecraft, Edgar Alan Poe e Ambrose Bierce e uma guarnição musical influenciada pelo Death-Metal da velha guarda (Bolt Thrower, Massacre, Carcass, Gorefest…) é certo que The Grotesquery é um agrupamento que deixará muitos satisfeitos. Sendo este o seu segundo álbum (o primeiro sendo editado em 2010 com o título de «Tales of the Coffin Born»), descobrimos o vocalista Kam Lee (Bone Gnawer, The Skeletal, Broken Gravestones, Grave Wax e Mantas/Death) e o guitarrista Rogga Johansson (Paganizer, Ribspeader, Demiurg, Bone Gnawer, Revolting e…) unindo forças com o baixista Johan Berglund (This Haven) e o baterista Brynjar Helgetun (Liklukt). Se vos fascina uma história que vai mais além da loucura que é a vossa vida e onde a harmonia grita em pânico porque não sabe cativar, então, deliciem-se, The Grotesquery espera-vos… [9/10] Jorge Ribeiro de Castro THE WRETCHED END «Inroads» (Candlelight Records) Os The Wretched End, com raízes na fria Noruega, voltam agora à carga desde que em 2010 editaram o álbum «Ominous». Já com uma considerável bagagem de vários anos e várias bandas por onde Samoth (guitarras) e Cosmo (guitarra, baixo e voz) passaram, decidiram ir ainda recrutar a tempo parcial o baterista dos Dark Funeral e concretizar com esta formação o segundo de originais. De facto a experiência nota-se bem presente embora haja um ou outro sintoma de relaxamento em relação ao fio condutor do álbum. Acho que globalmente os temas poderiam estar melhor ligados/encadeados mas a partir do momento em


que há vários elementos a participar do processo de composição acaba por ser com naturalidade que a homogeneidade se perca um pouco. As várias influências presentes – Death, Thrash e Black-Metal – somadas também marcam as variadas estruturas das composições. Mas de positivo temos muito. A começar pelas guitarras em que o ataque às notas é feito de forma soberba. É de uma execução exemplar a sequência quase mecânica e rápida das notas debitadas. A voz e a parte rítmica estão bem encaixadas no que o álbum quer transmitir. Este ambiente sónico agressivo, propositadamente decadente, trespassado por uma sobrecarga de riffs poderosos e originais contribuem para um disco que faz todo o sentido ouvir. Mas para se absorver a totalidade dos temas será preciso um pouco mais de persistência do ouvinte pois não é à primeira que os detalhes são interiorizados. E este é, no final, um disco de detalhes e não tanto de temas fortes que colam no imediato o ouvido às colunas ou auscultadores. [9/10] Sérgio Teixeira

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Holocausto Canibal + Corpus Christii Hard Club – Porto 24.02.2012 Peso desigual Que metal é peso, todos nós sabemos. Mas nem sempre estamos conscientes do facto de que esse peso pode servir várias finalidades, ao ponto de haver disputas entre os fãs sobre o interesse ou legitimidade dos diversos géneros que este estilo de música pode abranger. No dia 24 de fevereiro, na Sala 2 do Hard Club, no Porto, os fãs da música extrema puderam assistir a dois concertos bem ilustrativos deste estilo de música, mas também muito diferentes. Primeiro atuaram os Holocausto Canibal, convidados pelos cabeça de cartaz para apresentarem o seu novo álbum «Gorefilia». Estava presente um número reduzido de pessoas, algumas das quais muito entusiasmadas. Os apreciadores de grind e os fãs de

black metal puderam admirar a rapidez e violência da sua música (acentuada pela pouca duração dos temas), a força e profundidade dos grunhidos de Tóká e a segurança com que todos os membros da banda se apresentaram em palco. Como caraterística particularmente interessante, é de referir o facto de os títulos das canções combinarem, de forma verdadeiramente poética (identificando o poético com a capacidade de jogar com as palavras), termos técnicos extravagantes. Curiosamente, entre canções, o vocalista exibia um bom humor e uma alacridade que contrastavam em absoluto com o tipo de música que a banda faz. Os cabeça de cartaz criaram na sala um ambiente completamente diferente, apresentando faixas longas, solenes, desesperadas. O seu propósito: celebrar os 14 anos de carreira de Corpus Christii. Rodeado por um excelente naipe de músicos (que o público já se habituou a ver nos concertos) e ainda acompanhado por Ignis (teclista dos Desire), Nocturnus Horrendus – a alma da banda – mostrou, sem margem para dúvidas, por que razão Corpus Christii é um nome sonante do black metal

europeu e a melhor banda do género em Portugal. À medida que os temas se iam sucedendo, o espectador atento ia identificando a presença de elementos caraterísticos do género: blast beats, teclados sinfónicos, guitarras pesadas apoiadas pelo baixo, um uso bastante variado da voz, procurando criar diferentes atmosferas. Mas ia também tendo a sensação – gratificante – de que esses elementos típicos se combinavam entre si, de forma cada vez mais coerente, dando origem a uma linguagem musical, que impede Corpus Christii de ser apenas mais uma banda de black metal. A suportar a arquitetura musical, temos uma linguagem poética, mas por razões bem diferentes das da banda anterior. Aqui, imagens tenebrosas criam um ambiente, que faz lembrar literatura negra de tradição romântica, evocando cenários tão “clássicos” como os d’O monge, de Mathew Gregory Lewis. Texto: CSA Fotos: Victor Hugo

Corpus Christii

Corpus Christii

Holocausto Canibal

Holocausto Canibal


DREAM THEATER + PERIPHERY Coliseu - Lisboa 26.02.2012

Os Rapazes de NY Os Dream Theater são daquelas bandas que estão num patamar tal de eficiência e profissionalismo que muito dificilmente nos conseguem surpreender, tal como é impossível ficarmos desiludidos. O concerto do Coliseu de Lisboa foi a prova disto. Os Dream Theater presentearam-nos com um espectáculo majestoso, centrado no seu último álbum «A Dramatic Turn Of Events» e com um único foco de atenção a recair na performance e enquadramento do novo baterista Mike Magini, que como todos sabem ocupou o lugar do insubstituível Mike Portnoy. Com um palco à Dream Theater, o set da bateria, em forma de estrutura cúbica no centro do palco, teclas do lado bateria, os pedais do baixo/guitarra, juntamente comas famosas caixas Petrucci nas laterais do palco e três enormes cubos no fundo para projecção de imagem, …(completar) o conseguiram ao nível da luz e imagem um dos melhores espectáculos que já vi dos DT. Quanto ao concerto, com a fasquia lá bem no

alto foi o que esperávamos dos rapazes de New York: garra, profissionalismo, determinação e performance, com um som e ambiente a condizer. Os DT desta vez decidiram ter uma banda de abertura. Coube a honra aos conterrâneos de Maryland, os Periphery, uma jovem banda de metal progressivo, numa vertente mais alternativa que com os seus 3 guitarristas e o incansável vocalista Spencer Sotelo deram um show tal que pareciam ser a banda principal. Deram literalmente o litro nos escassos 35 minutos que tocaram. Com momentos a fazer lembrar o som dos extintos Pantera, os Periphery conseguiram arrebatar o público que já enchia por completo o coliseu e mostrar assim toda a sua garra. Não será por muito tempo que esta banda vai ficar na obscuridade, muito menos quando o padrinho é John Petrucci. Às 22hh00 as luzes apagaram-se e a introdução de Hans Zimmer «The Dream Is Collapsing» acompanhado nos “cubos” de uma curta-metragem de animação alusiva à recente história da banda - saída de Portnoy - com os membros da banda deu o mote para «Bridges In The Sky» ao que se seguiu o clássico «6:00 AM», regressando a mais uma faixa do novo álbum «Build Me Up, Break Me Down», seguido de «Surrounded» e «The Root Of All Evil» e pela primeira vez pudemos ver a novidade do teclado de

Jordan Rudess. Já sabíamos que o mesmo rodava 360º, mas ficamos a saber que além disso que inclina para a frente e para os lados para que o público possa ver a sua performance. A audiência estava completamente arrebatada pelos Nova Iorquinos. Chegou a vez de Mike Magini brilhar num poderosíssimo solo de bateria em que o mesmo não teve mãos e pés a medir (eram 4 bombos dois à frente e 1 de cada lado!) mostrando porquê está a ocupar aquele lugar. O concerto prosseguiu para mais duas músicas «A Fortune In Lies» e «Outcry» antes do set acústico para “acalmar” as hostes. Com apenas James LaBrie e John Petrucci no palco, os DT presentearam-nos com «The Silent Man» e «Beneath the Surface». O concerto prosseguiu com uma espécie de meadley com «On the Backs of Angels», «War Inside My Head» e «The Test that Stumped Them All» antes de os DT conseguirem um dos melhores momentos da noite com «The Spirit Carries On» finalizando o concerto com «Breaking All Illusions». Depois de uma curtíssima pausa, os DT regressaram para o encore e calhou-nos a música necessária para fechar mais um monumental concerto dos Dream Theater: «Pull Me Under». Reportagem: Carlos Filipe Fotografia: Sérgio Santos

Dream Theater

Dream Theater

Dream Theater

Periphery


EXHUMED + ROTTEN SOUND + MAGRUDERGRIND Hard Club (sala 2), Porto 28.02.2012

DECOMPOSIÇÃO TIMIDA A chegada ao Hard Club não revelou um recinto sedento de Grind e de Gore. Pouco mais que uma dezena de pessoas vagueavam pelo recinto, ora fumando e conversando, ora olhando timidamente para a banca de merchandising. Uma hora depois (perto das 22:30), os Magrudergrind subiram ao palco com feedbacks de guitarra para chamar o pessoal para a sala. A espera por público suficiente foi longa, e pode-se dizer que valeu a pena, pois meia sala pôde apreciar um power trio incomum, baseado em rifss demolidores só com bateria, uma guitarra e a voz agressiva e violenta

de Kulawy que não parou quieto no palco. Com malhas complexas, mas bastante eficazes e com um objetivo concreto – headbanging - esta jovem banda norte americana soube agarrar o público com os seus temas curtos, originando sem dificuldade um tímido mosh pit. Pouco mais de 15 minutos de atuação foram suficientes para se revelarem de um modo positivo, e deram para aquecer o povo que já se preparava para a atuação dos finlandeses Rotten Sound. Com uma discografia vasta, estes Srs. do Grindcore apresentaram um set variado, oscilando tanto em temas antigos como em temas recentes, sempre com a garra que os caracteriza. Garra essa que foi bastante visível na performance dos músicos, e na postura do vocalista Keijo Niinimaa que não só soube animar a plateia com a sua boa disposição, como incendia-la com Grind e Gore, originando um mosh pit jeitoso no qual o próprio vocalista participou, e doa qual até cerveja sal-

Exhumed

tou. Um set longo (que não é difícil) mas potente fizeram alguma mossa e pareceu que foi o suficiente para o povo, porque os Exhumed receberam uma plateia pouco entusiasmada, como se esta tivesse levado já pancada que chegasse. Abrindo com “All Guts, No Glory” e “As Hammer to Anvil”, os norte americanos Exhumed mostraram o material de que são feitos, mesmo para uma plateia que por vezes parecia que estava ali só a marcar presença. Grindcore de categoria e solos acutilantes foram os tópicos centrais da atuação dos Exhumed; diria até que foi o positivo na atuação deles, pois não conseguiram agarrar a plateia pelo cu das calças e pô-la em movimento. Além disso, o som não estava no seu melhor, já que alguns momentos não se ouviam claramente, principalmente os solos. Mas, a prestação foi bem-vinda, embora o entusiasmo parecesse esbatido. Texto e fotografia: Victor Hugo

Exhumed

Rotten Sound

Rotten Sound

Magrudergrind


We Ride + Backflip + PxHxT + Destruction Eve Hard Club, Porto 10.03.2012

HARDCORE DO SUBSOLO Antes de mais, queria começar por falar do sítio onde se desenrolou este encontro. O Ex-Bar Underground, a meu ver, é ‘’O’’ spot, um verdadeiro must para as bandas deste circuito! Situado perto da Batalha (Porto), esta sala literalmente debaixo de terra tem o ambiente perfeito para este tipo de exibição; baixo (o publico a fazer crowsurf consegue tocar com os pés

no tecto), compacto, cheio de calor humano. As bandas tocam no chão, entre o balcão do bar e o público, criando assim um maior contacto durante as actuações. Uma centena de pessoas facilmente enche a casa, o que dá logo outro aspecto em relação a salas grandes que parecem estar sempre vazias. Um local que deveria de estar na mira da agenda de qualquer banda, sem duvida. Quanto as actuações, grande show e muita energia da parte das 4 bandas. A matiné começou com os ‘’putos’’ Destruction Eve, sempre com power e atitude, a tocar o punk hardcore a frisar o thrash ao qual já nos habituaram. Chegou então a vez dos PxHxT, a iniciar a onda hXc. Mesmo muita energia da parte desta banda, e uma boa recepção do publico. A

partir daqui foi o rubro. Os seguintes, Backflip, deram uma óptima actuação. Provavelmente a melhor das 4 bandas deste cartaz. De realçar o carisma e grande interacção da vocalista com o publico, sempre a passar mensagem e a relaxar o pessoal criando bom ambiente. Veio então a vez dos espanhóis We Ride. Poderosos, uma excelente exibição com as mulheres do publico (e não só) muito presentes ao microfone com a Mimi. Girlpower no seu auge e uma prestação com muito nível e qualidade. Resumindo, o evento foi um sucesso (cortesia da Flying Kids!), cheio de mosh, suor e união. Texto: Paulo Fernandes Fotografia: Vanessa Ribeiro

We Ride

Backflip

PxHxT

Destruction Eve


ANOTHER DAY WILL COME + FROM ROYAL HILL Mercado Negro, Aveiro 11.03.2012

“… querem mais, então quero ver porrada!” Foi com uma frase como aquela que dá titulo à reportagem, que o André Marques, vocalista dos Another Day Will Come, soltou após a plateia no Mercado Negro ter pedido mais música. E, de facto, este pessoal de Aveiro é muito agitado e enérgico, como têm vindo a comprovar nos vários concertos de Metal que tem havido na cidade. E na tarde de 11 de Março, a agitação e energia desse pessoal não foi descaracterizada, como as duas bandas puderam comprovar.

Os From Royal Hill, de Monte Real (Cascais), fizeram honras de iniciar o concerto com um composto set list, mesmo para quem disponibiliza apenas um tema no MySpace/Facebook, “Choices”. Mas não faltaram temas como “Saturday’s Only For Begginers”, uma cover do tema “Mr. Highway Is Thinking About The End”, dos A Day To Remember e “Jorge” a terminar. A sonoridade moderna do Metal Core rapidamente espalhou-se pela sala e contagiou a maioria dos presentes com os seus acordes simples e pesados, bastante típicos deste tipo de música. A banda mostrou estar bem ensaiada e bastante à vontade em palco, o que ajudou à plateia causar o caos no mosh pit. Após um curto intervalo, sem esperar o suficiente para arrefecer os ânimos, os Another Day Will Come, banda do Seixal, forma o seguimento lógico da prestação dos From Royal Hill. Nos últimos tem-

pos a banda sofreu algumas alterações no line-up, mas conseguiu superar qualquer dificuldade e mostrou-se bastante positiva e enérgica no palco do Mercado Negro. Já com um EP de 2010 e com outro a estrear no final de Março, a banda da margem sul apresentou um set completo, iniciando com “The Day Has Come” e “Without Horizon”, terminado com o tema homónimo “Another Day Will Come”. Metal Core a saltar dos instrumentos e da voz de André Marques, contagiando a plateia que agradeceu e pediu mais, num mosh pit do qual até calçado saltou. No final o balanço foi positivo graças a Bleeding Heart, pois permitiu que a cena Metal Core do sul partilha-se música com a cena Metal Core de Aveiro. Pois verdade seja dita, o modo como se apresentam em palco é bastante diferente… Texto e fotografia: Victor Hugo

Another Day Will Come

Another Day Will Come

From Royal Hill

From Royal Hill


THE REAL THING

(Tribute To Faith No More)

+ SILKSHADOW CER, Vagos 31.03.2012

Blindagem Metal Show A expetativa era muita, principalmente para quem nunca assistiu a um concerto dos The Real Thing, uma banda que homenageia os já clássicos Faith No More, sedeada em Vagos, e com músicos que superaram essa tal expetativa. Porque verdade seja dita, igualar a qualidade musical dos Faith No More é arrojado, e os The Real Thing conseguiram; mas ainda mais arrojado é igualar a versatilidade vocal de Mike Patton, e o vocalista Bruno Tavares conseguiu. Mas antes de os The Real Thing subirem ao palco, os

The Real Thing

Silkshadow fizeram as honras e também deixaram os presentes de queixo caído. A banda de Aveiro conta com músicos de qualidade e apresentaram um set extenso, todo ele composto por temas do seu único álbum, “Crushing Mirrors”, de 2011 – na verdade, tocaram o álbum na íntegra (exceto a música “All Words Lost) de um modo aleatório – evocando um Metal com pitadas de Heavy, Hard Rock e Groove, sempre com um alinha melódica, ora proporcionada pelo instrumental ora orientada pela voz do Mário, que conseguiu surpreender com a sua versatilidade nos agudos. A atuação foi boa e o público reagiu muito bem – quero crer que se renderam ao perceberem que têm tão próximo deles uma banda com potencial e com boas energias em palco – aos vários pontos altos, incluindo um momento em que os Silkshadow trazem à vaila o tema “Black Night” dos Deep Purple. Após o intervalo o auditório do

CER ficou mais composto e preparado para receber os The Real Thing que abriram com a música “From Out Of Nowhere”. A banda apresentouse de um modo clássico, vestidos tal e qual como no vídeo da música “Ashes To Ashes”, que também fez parte do set list. “I Started A Joke”, “Easy”, “Last Cup Of Sorrow”, a fabulosa “Midlife Crises”, Evidence e “Be Agressive” foram alguns dos clássicos que a banda ressuscitou sem mácula. A prestação foi muito boa e clareou e evidência de que merecem o titulo de banda oficial de tributo aos Faith No More em Portugal. O Blindagem Metal Show está novamente de parabéns por ter promovido mais um espetáculo fabuloso, e por ter dado palco a bandas portuguesas que tanto destaque merecem. Uma aposta nobre que merece continuidade. Texto e fotografia: Victor Hugo

The Real Thing

Silkshadow


Azagatel + InThyFlesh + Irae Mercado Negro, Aveiro 07.04.2012

Um caleidoscópio tenebroso O sábado de Páscoa (dito “sábado de aleluia”) parece ser uma data muito apetecível para concertos de black metal. Em 2011, tivemos Daemogorgon, Corpus Christii e Mayhem no Hard Club do Porto. Este ano, a Blindagem e Berkana trouxeram três bandas portuguesas ao auditório do Mercado Negro, em Aveiro, no dia 7 de abril. A noite abriu com Azagatel, uma banda da região, que tem dado concertos regularmente. Perante uma sala já bem cheia, Hrödulf e seus companheiros interpretaram alguns “clássicos” da banda (tais como “Albatroz” e “Isengard Son”) e faixas de um novo álbum, a sair em breve (como, por exemplo, “Virians”, cantada em Azagatel

português). Como sempre, apresentaram um black metal de caraterísticas bem distintas, a soar muito a pagan metal. Pena é que estes conterrâneos (ou quase) não lancem mais material, porque são certamente uma banda interessante no panorama português. Após um breve intervalo (e com a sala já cheia), entraram em ação os InThyFlesh, arautos de um black metal mais old school. Sobre uma muralha de som compacta, produzida pelos dois guitarristas e pelo baixista e cortada pelo baterista, destacavam-se os gritos estertorosos de Sataere. A “muralha” subia e baixava de tom, acelerava ou retardava, mas estava lá sempre, a apoiar o trabalho do vocalista, criando uma atmosfera enfeitiçante, apenas entrecortada pelos breves momentos de passagem de uma faixa à seguinte. Terminaram com uma cover: “Under a Funeral Moon”, em homenagem aos Darktrhone, pioneiros do género. A noite fechou com os Irae, que pontuaram a sua atuação com referências claras a uma combinação de anticristianismo e satanismo, os traços mais frequentemente associados ao black InThyFlesh

Irae

metal (apesar de ser fácil de compreender – para quem conhece o género – que nem todos seguem essa linha ou a veem da mesma maneira). Também esta banda produzia um som compacto, mas em que, de vez em quando, um instrumento parecia querer escapar da mole, sendo rapidamente trazido de volta pelos outros. Apoiado em projeções e perante o entusiasmo crescente do público, Vulturius (a alma desta one man band) foi anunciando canções antigas (“Let’s start killing people” e “A ira nasce nas noites de Sintra”) e outras muito recentes (fazendo parte de um novo álbum, a sair brevemente também, de que destacamos “Fátima em ruínas”), que tornavam bem evidentes as orientações da banda. Desta história, fica-nos uma moral: seria bom que se apostasse mais na divulgação das bandas nacionais de qualidade, muitas das quais até são oriundas do norte do país! Texto: CSA Fotos: Victor Hugo


AS THEY BURN + UNBRIDLED + MOTIM + FOR GODLY SORROW + FIRST CLASS TRAGEDY + THE IDYLL’S ENd

Bar Do Estudante, Aveiro 13.04.2012 Aeon’s War Spring Tour Mais uma vez a Bleeding Heart, com a ajuda da MYOProductions, organiza um cartaz com bandas do Metal e Death Core, umas ainda pela garagem, outras a saírem dela, e outras já com algum andamento. Aproveitando a Tour dos franceses As They Burn, foi possível traze-los à cidade de Aveiro para grande delírio de muitos fãs que estiveram presentes. O início ficou a cargo da jovem banda The Idyll’s End, que não só provou que têm muito para dar como conseguiu incendiar a plateia sem problema nenhum. Uma

banda que merece atenção. Logo de seguida atuaram os First Class Tragedy para mais uma prestação em Aveiro, que segundo o vocalista Edu é a cidade onde mais gostam de tocar – o público é espetacular! O EP de estreia continua a dar que falar, já que a banda é uma das mais porreiras no seio Metal Core. De Lisboa vieram os For Godly Sorrow que apresentaram um potente Metal Core numa atuação repleta de power chords e muito mosh. «Black & White» é o EP de estreia e foi dele que saíram a maior parte dos temas tocados. De seguida eis que chega um dos momentos mais esperados da noite – a atuação dos Motim e a apresentação do seu novíssimo álbum, «Them Killing Wolves». Distanciando-se do estilo que até agora a noite ofereceu, os Motim deram largas a malhas mais esgalhadas e pesadonas com o Zyon sempre a berrar desalmadamente. A banda está de parabéns não só pelo concerto mas pelo álbum que está uma bomba! A mudança do alinhamento das bandas

foi anunciado porque os franceses As They Burn deram o lugar de cabeça de cartaz aos Unbridled – desta feita, a banda mais esperada da noite deu largas ao seu «Aeon’s War»; o povo aproximou-se ainda mais do palco e o espetáculo tomou forma de um modo bastante enérgico. O fecho ficou a cargo dos Unbridled, e se alguma parte do público abandonou o recinto não foi por culpa deles. Estes tipos ainda lançam cartas com o seu «Deathcore Glamour», e são uns bichos (no bom sentido) no palco. Apesar da plateia se apresentar um pouco dispersa o concerto não foi mau. No seu todo a noite foi porreira e com bastante Core no ar. O som esteve bastante aceitável, apesar de alguns problemas técnicos em algumas atuações, mas nada de significativamente grave. A organização está de parabéns pela noite memorável – um passo importante para a Bleeding Heart. Texto e fotos: Victor Hugo

As They Burn

Unbridled Motim

For Godly Sorrow

First Class Tragedy

The Idyll’s End


s i a c i s u m s e õ x e l f e r

dico

Pensar o Underground Submersa num oceano de preconceito, envolta no artificialismo mainstream que diariamente assimila de forma automática e acrítica, a generalidade das pessoas não entende o conceito, a ética, os preceitos e o irresistível apelo do Underground. A maioria também não percebe o fundamento dos princípios Do It Yourself (DIY) que estão na sua origem. A esses princípios estão subjacentes os valores do voluntariado, associados aos desafios que a necessidade de autossuperação nos impõe. Tanta satisfação que me dá ultrapassá-los. Mas as pessoas não se encontram dispostas a compreender estes conceitos e formas de vida. Não querem sequer tentar. Muito menos a generalidade dos indivíduos entende a paixão que o Underground gera em milhões por todo o Mundo. Cegas pelo efémero, manietadas pela mensagem de consumo rápido, de usar e deitar fora que o impiedoso marketing lhes enfia no cérebro, limitamse a seguir as modas (ou “tendências”, como agora se diz de forma menos depreciativa). Não conseguem ser fiéis a nada que não sejam clubes de futebol. Induzida pela impiedosa publicidade e pela educação que sucessivas gerações de pais deram aos filhos esta maneira de viver acabou por se tornar cultural. No extremo oposto há os fanáticos ultraortodoxos que condenam todos quantos desejam transformar o seu amor pelo Underground numa forma legítima de sustento. Na sua visão simplista entendem que o Underground deve constituir meramente um passatempo, uma atividade amadora, não uma profissão. Também vivi essa experiência discriminatória. Na altura em que desenvolvia o blogue “Metal Incan-

descente” tentei profissionalizá-lo. Desejava transformálo num site que me permitisse ganhar a vida conjugando Metal e jornalismo de música, as minhas paixões. Não o consegui, mas entrementes fui alvo de inúmeras críticas, absurdas, ignorantes e bem reveladoras das “palas nos olhos” que grassam no Underground deste país. Consolidei então a minha máxima de que os verdadeiros apaixonados pelo movimento não são quem anseia remetê-lo para todo o sempre ao obscurantismo gratuito, mas sim quem luta pela sua dignificação, permitindolhe a visibilidade adequada sem o elevar ao mainstream, antítese do Underground. Existe ainda uma outra abordagem passível de fazermos ao movimento: aquela que constitui o maior dos tabus associados ao Underground, que nos faz questionar a pertinência de nos mantermos ativos no meio, de pensar se realmente vale a pena o esforço. Inúmeros envolvidos no movimento são assombrados por estas dúvidas frequentemente. Poucos corajosos o assumem. Os outros escudam-se na máscara social que deles se espera. Têm vergonha ou receio de assumir as perguntas que se colocam a si mesmos: “Vale a pena continuar a tocar ao vivo para 50 pessoas? E gravar demos para 300? Vale a pena escrever para escassas centenas de pessoas? Será que o meu trabalho, descomprometido e desinteressado, recebe o valor que efetivamente tem? Será realmente bem empregue o tempo e o esforço que invisto nestas atividades?” Assumo sem preconceitos que já fiz a mim próprio algumas destas questões ao longo dos últimos anos. Nem sempre respondi afirmativamente. Que mal tem isso? O Underground realiza-me e é isso que importa. Não obstante os desencantos sofridos ao longo dos anos a paixão continua a manter-me envolvido. Na altura em que tal deixar de acontecer, em que o esforço já não valer a pena, regressarei novamente à condição de simples fã. Até lá ainda gozarei muitas horas de Underground. Parece-me natural que em dada altura das suas vidas as pessoas questionem mesmo aquilo que mais amam, em que mais acreditam e que mais as absorve. É intrínseco ao ser humano pôr em causa as suas escolhas. Faz parte da sua evolução. Não há que receá-lo. Pode faltar tudo e as agruras a enfrentar serem inúmeras, mas desde que a chama da paixão se mantenha o Underground permanecerá um dos principais estandartes do Metal! Dico Texto redigido ao abrigo do novo Acordo ortográfico


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Versus Magazine #19 Abril/Maio 2012  

DOWNLOAD: www.mediafire.com/view/?7s1qy66x011nod6 Edição nº19 da Versus Magazine c/ Saint Vitus, The wretched End, Arjen Lucassen, Borknag...

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