Page 1


VERSUS MAGAZINE A/C Joel Costa VERSUS MAGAZINE Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar Telem.: 933 454 462 Web: www.versus-magazine.com E-Mail: geral@versus-magazine.com MySpace: /versusmagazine Twitter: /versusmag PUBLICAÇÃO MENSAL Download Gratuito DIRECÇÃO Cátia Cunha Joel Costa EDITOR-CHEFE Joel Costa EDITOR Ernesto Martins GRAFISMO ELEMENTOS À SOLTA, LDA www.elementosasolta.pt EQUIPA André Monteiro | concertos Carlos Filipe | discos; entrevistas Cátia Cunha | redacção; fotografia Cristina Sá | entrevistas Daniel Santos | reportagens; discos Dico | colunista Ernesto Martins | discos; entrevistas Fábio Pinto | revisão Fábio Silva | notícias Francimar Ramos | entrevistas Gonçalo Parreira | revisão Henrique Pinto | discos João Ferreira | discos Joel Costa | redacção; discos; entrevistas Jorge Castro | entrevistas; discos Luís Coutinho | discos; Miguel Ribeiro | discos; entrevistas Paula Martins | discos; entrevistas Paulo Eiras | notícias; discos Paulo Perdiz | entrevistas Pedro Almeida | fotografia; entrevistas Pedro Sá | discos Renato Conteiro | discos Rui Vigo | discos; artigos Sandra Nunes | reportagens Teresa Pereira | concertos FOTOGRAFIA Créditos nas Páginas PUBLICIDADE geral@versus-magazine.com

Todos os direitos reservados. A VERSUS MAGAZINE está sob uma licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Não a Obras Derivadas 2.5 Portugal. O utilizador pode: copiar, distribuir, exibir e executar a obra Sob as seguintes condições: Atribuição. O utilizador deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante. Uso Não-Comercial. O utilizador não pode utilizar esta obra para fins comerciais. Não a Obras Derivadas. O utilizador não pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

Nesta edição, decidimos atribuir a capa a uma banda internacional ao invés de promovermos algum trabalho de Portugal. Não é que para este mês faltem bons projecto, muito até pelo contrário. Contudo, é tempo de elevarmos o patamar da Versus e fazer da nossa edição algo a ter em conta. Infelizmente, devido a problemas no meu computador, perdi alguma informação que irá sair apenas na edição de Maio. Tínhamos muitas páginas e muitos conteúdos preparados, tais como um artigo sobre Varg Vikernes e a reportagem de estúdio dos Soulfly. Algumas entrevistas e reviews acabaram também por não sair, daí haver poucas bandas Portuguesas a figurar na Versus este mês. Mas que uma coisa fique esclarecida: não vamos, de maneira alguma, fazer da nossa revista uma publicação meramente internacional. O nosso esforço concentra-se sempre no Metal Português e em vez de cortarmos espaço às bandas nacionais, iremos aumentar a páginação da Versus. Fiquem atentos e ajudem-nos a chegar às 100 mil leituras, a ver se é desta que abrimos um Bongo e comemos uns amendoins.


kill ‘em dead cowboy em aveiro

Os britânicos Kill’em Dead Cowboy vão estar em tour por Portugal durante o próximo mês de Abril. Abaixo encontram-se as datas e os locais.

metallica em portugal Foram confirmadas as bandas de abertura do concerto dos Metallica, a ter lugar no Pavilhão Atlântico, nos dias 18 e 19 de Maio. Volbeat, da Dinamarca e High On Fire, dos Estados Unidos, irão aquecer o palco para duas noites inesquecíveis. Os bilhetes já se encontram esgotados.

14/04 15/04 16/04 17/04 18/04 19/04 21/04 22/04 23/04 24/04

– – – – – – – – – –

TBA @ Coimbra ADN @ Setúbal DRAC @ Figueira daFoz Kapingbdi Bar @ Tábua Metalpoint @ Porto Maravilhas Bar @ Aveiro BE @ Aveiro TBA @ Castelo Branco DRAC @ Figueira da Foz Estudantino Bar @ Viseu

headstone

novo álbum a caminho Os Headstone colocaram online um vídeo com alguns excertos das músicas que irão integrar o próximo álbum, «I Am All». A banda irá entrar em estúdio a partir de 1 de Maio.

factory of dreams novidades

O projecto Factory Of Dreams tem novo álbum à porta. Aquele que será o sucessor de «Strange Utopia» irá ser gravado por Hugo Flores e Jessica Lehto e terá também algumas participações especiais ainda por anunciar.

kandia

lançamento de cd

annihilation novo álbum O projecto luso-brasileiro Annihilation terminou

as gravações do seu álbum de estreia, intiulado «Against The Storm». Este trabalho foi gravado no Brugo Sound Studios e a produção esteve a cargo de Hugo Camarinha.

«Inward Beauty | Outward Reflection» é o mais recente registo discográfico dos Kandia. O álbum pode ser adquirido através do MySpace.

estas e mais notícias em www.versus-magazine.com


dark tranquillity em outubro

heaven and hell optimus alive

Os Heaven And Hell subirão ao palco do Optimus Alive 2010. A banda será uma das principais atracções da noite de quinta-feira, dia em que também vão actuar os Alice In Chains e Faith No More.

rock in rio cartaz

Depois de confirmadas as presenças de Rammstein, Megadeth e Motorhead no dia mais pesado do Rock In Rio, juntou-se também ao cartaz a banda liderada por Max Cavalera, Soulfly. A não perder dia 30, no local do costume.

Os suecos Dark Tranquillity vão passar por Portugal em Outubro, para apresentar o novo álbum «We Are The Void». A banda vai actuar nos dias 3 e 4 de Outubro no Teatro Sá da Bandeira e no Cine-Teatro de Corroios, respectivamente. A primeira parte estará a cargo dos finlandeses Insomnium e os bilhetes podem ser adquiridos nos locais habituais por 20€, com venda antecipada, ou 23€ no próprio dia.

anti-clockwise concerto

Os Anti-Clockwise vão actuar no dia 24 de Abril, no Café-Concerto do Cine-Teatro Virgínia, em Torres Novas. O evento começa a partir das 23h e contará também com o DJ-set de Panacious Desire.

urban war

BROOTAL SUNDAY FEST

Os Urban War marcaram uma pequena tour que servirá não só para apresentar a banda mas também o seu novo vocalista. Eis as datas a não perder:

Será no dia 20 de Junho que irá decorrer a terceira edição do Brootal Sunday Fest. O festival tem lugar no Terminal Bar, na Gafanha da Encarnação (Aveiro) e contará com as presenças de Holocausto Canibal, Kallaikoi, Triba, Shallow Injury e Osiria. Custo de entrada 2€.

concertos

27.03 10.04 17.04 14.05 21.05 04.06 24.07 25.07

-

Spot Bar (Porto) Festival ao Encontro do Rock Bar Estação de Serviço (Bombarral) Espaço 77 (Porto) Riba Kaffe (V.N. Famalicão) Side B Bar (Benavente) Metalpoint (Porto) Casa de Lafões (Lisboa)

terceira edição


all that remains gravações

Está a decorrer a pré-produção do novo álbum dos All That Remains. Gravado nos Zing Studios, o quinto trabalho de originais da banda sairá no segundo semestre de 2010 e tem a produção assinada por Adam Dutkiewicz.

underoath saída

murderdolls o regresso

Joey Jordison, baterista dos Slipknot e guitarrista dos Murderdolls, anunciou à Kerrang! que os Murderdolls irão voltar ao activo depois de um grande hiatus. A presença do mesmo e de Wednesday 13 foi também confirmada.

O baterista / vocalista dos Underoath, anunciou num comunicado oficial que não faz mais parte do line-up da banda.

behemoth discografia

Adam “Nergal” Darski, líder dos Behemoth, revelou à imprensa que a banda tem a intenção de escrever e lançar uma biografia autorizada no ano que vem. Este lançamento servirá como comemoração do 20º aniversário da banda e já foi adiantado que terá entre 300 a 400.

the agonist novo álbum

soulfly omen

Acima encontra-se a artwork para a edição normal e especial do próximo álbum dos Soulfly, «Omen», a sair no dia 25 de Maio. Poucos dias após o lançamento, a banda liderada por Max Cavalera passará pelo Rock In Rio para apresentar o álbum. Até lá, podem ir ouvindo faixas como «Kingdom» e «Rise Of The Fallen», já disponíveis no MySpace e YouTube.

Depois de uma tour pelo Japão, os canadianos The Agonist começaram a compôr aquele que será o seu terceiro álbum de originais. A banda irá também arrancar com uma tour europeia no segundo semestre deste ano.

korn

roadrunner O vocalista dos Korn, Jonathan Davis, confirmou numa entrevista a uma rádio norte-americana, que a banda assinou com a Roadrunner Records. Um novo álbum está próximo mas ainda são desconhecidos os detalhes.


ill nino

novo álbum Os Ill Nino assinaram um novo contrato com a Victory Records e não demorou muito para que fosse anunciado um novo álbum. Assim sendo, dia 20 Julho será o dia em que vamos poder adquirir o sucessor de «Enigma», cujo nome é «Around The Horizon».

hatebreed

youtube Order Of Ennead

The Concept Of Our Extinction

novo vídeo

«Everyone Bleeds Now» será o próximo vídeo dos Hatebreeed. Com imagens retiradas durante um concerto na Áustria, tem produção a cargo de Martin Kame e a sua estreia está para breve.

The Human Abstract novo vocalista

Depois da saída de Nathan Ells, os The Human Abstract anunciaram que o novo vocalista será Travis Richter (ex-From First To Last).

COLABORA CONNOSCO!

http://www.youtube.com/watch?v=i64Vf7RzGhU

sepultura

convicted in life

Estamos sempre à procura de novos colaboradores para diversas áreas. Se tens interesse em juntar-te à equipa da Versus Magazine, consulta as funções disponíveis para candidatura e contactanos através do e-mail: geral@versus-magazine.com -

Responsável por Revisão de Texto Jornalistas (Entrevistas + Artigos) Redacção de Reviews (Discos e Concertos)* Redacção de Notícias no Blog Redacção de Notícias para a Revista Colunistas

*A Versus Magazine faculta CD’s para review e creditações para concertos.

http://www.youtube.com/watch?v=_hUM2YH41jE


ENVIA UMA SMS COM O TEXTO FOR VERSUS PARA O NÚMERO 68307 E HABILITA-TE A GANHAR UMA EPIPHONE ZV EB BLACK SIGNATURE ZAKK WYLDE

CUSTO DA MENSAGEM: 2 EUROS

NOTA IMPORTANTE : A GUITARRA QUE TEMOS PARA OFERECER NÃO POSSUI NENHUM PADRÃO, SENDO ELA PRETA EM TODA A SUA TOTALIDADE. A EPIPHONE ZV EB BLACK NÃO CORRESPONDE À IMAGEM EXIBIDA.

REGULAMENTO Os presentes termos e condições regulam o Passatempo “EPIPHONE ZV EB BLACK”, com início a 9 de Março de 2010 e termo a 30 de Junho de 2010, promovido pela Versus Magazine, com sede em Ovar. O passatempo é válido apenas para residentes em Portugal. O vencedor será escolhido mediante um sorteio, a ter lugar no termo do concurso. Os números pelos quais enviaram a SMS serão sorteados, sendo o vencedor contactado para confirmar a morada, para receber a guitarra em mão ou via CTT. Quantas mais mensagens enviares, mais hipóteses tens de ganhar. Price: 2.00EUR Support: +351256872049 | joel@elementosasolta.pt Mobile Payment by pt.fortumo.com


Danzig

Novo álbum Glenn Danzig - o homem, o mito, os músculos, o cérebro dos MISFITS e, claro, o mestre de muitos talentos, que vão desde compositor a editor de quadrinhos, vai regressar com “Deth Red Sabaoth”, um novo álbum após seis anos de hiato, no dia 22 de Junho através Evilive/The End.

Serj Tankian

A preparar um novo álbum Serj Tankian, vocalista dos System Of A Down, marcou para o meio do ano o lançamento de seu segundo trabalho a solo, sucessor de “Elect The Dead”, que saiu em 2007. Ainda não muitas informações disponíveis a respeito desse novo disco. Tudo o que se sabe é que terá o nome de “Imperfect Harmonies”. Ainda não há planos para um regresso dos System Of A Down, que estão inactivo desde 2006.

LACRIMOSA Schattenspiel

A partir de 17 de Abril, o site oficial dos Lacrimosa disponibilizará uma nova amostra de cada faixa do próximo álbum “Schattenspiel” (que em português significa “Jogo das Sombras”) e assim irá revelar a tracklist pouco a pouco. No álbum do aniversário, serão introduzidas as faixas não lançadas dos 20 anos da banda, mais as novas faixas “Sellador” e “Ohne dich ist alles nichts”

VAN CANTO

Last Night of the Kings A banda alemã de “hero metal-a-capella” (ok ok eu sei que é algo esquisito), VAN CANTO, lançaram via YouTube mais um vídeo do novo álbum “Tribe of Force”, mais propriamente da música “Last Night of the Kings”. Podem ver no site oficial da banda em www.vancanto.de

el-Ethnic Legist

Metal Japonês em Portugal el-Ethnic Legist- é uma banda recente oriunda de Tóquio. As suas actividades tiveram início em Setembro de 2008 e o seu conceito é fortemente inspirado pelo antigo Egipto. Para uma banda jovem, o seu talento é inato, contando já com uma extensa lista de lançamentos, por isso achamos merecer toda a nossa atenção e apoio. Esta banda é promovida na Europa pela Râmen Events, uma agência belga, que também faz parte dos afiliados da Visual Jam. A banda será pioneira ao estrear-se em terras lusas! Irão actuar dia 11 de Setembro, Sábado, no Santiago Alquimista em Lisboa (com horário ainda por definir). Um concerto dedicado apenas a esta banda, que faz um ano de palcos precisamente dia 11 de Setembro!

Enday

Boa Esperança Tour Os Enday são uma banda rock de Cascais e com o lançamento do seu EP “Drowing In Pictures”, decidiram, e bem, ser solidários com as vitimas da Madeira. Portanto, se virem a banda numa Fnac próxima de si, não exite, veja o concerto acustico e leve o EP para casa ;)

METHUSALEM Novo álbum

A banda alemã de Heavy Metal METHUSALEM prepara-se para lançar o seu novo álbum “Unite and Conquer” já no dia 26 de Março. Este novo trabalho é auto-financiadoe será distribuido pela Rock Inc. O álbum terá músicas mais tradicionais, algumas mais modernas, mas todas encaixam perfeitamente na filosofia Methusalem’s.


Reparei que se encontram a atribuir pontuação na zona das reviews. Não era suposto serem anti-rótulos? [J.A.] Olá. Sim, de facto, eu, Joel Costa, Director da publicação, sou anti-rótulos e de maneira alguma gosto de atribuir um número a uma banda e classificá-la como boa ou má de 0 a 10. Acontece que a Versus Magazine não aparece todos os meses do nada e é necessário muito trabalho por parte de toda a equipa e de investimento para promover as edições. Para recuperar esse investimento é necessário vender spots de publicidade e as editoras são os anunciantes que qualquer publicação, seja ela online ou em papel, necessita. Como tal, e porque estabelecemos um sem número de parcerias com editoras internacionais, precisamos de avaliar os trabalhos das bandas pertencentes a determinada editora, para que seja possível esta troca de “Classificação – Anúncios”. Continuo, no entanto, a defender que cada crítica feita pela equipa de redacção da Versus deverá ser confirmada pelos leitores, que certamente terão a sua opinião para cada uma das reviews. [Joel Costa]

(…) A última edição tem muita publicidade. Parece mais uma campanha de marketing do que uma revista. [C.B.] É capaz. [Joel Costa] Houve alguma insistência com o Rob Zombie nesta edição. (Edição de Março) (…) [H.C.] Talvez tenhas razão. Já vais é com sorte de não ter sido publicada a review do novo álbum do Zombie nesta edição. Mas também insistimos um bocado com os Gates Of Hell e ninguém se queixou eheh. [Joel Costa] Mais bandas, com uma vertente mais pesada, tocaram no Ecos Rock. Porque é que fizeram review apenas aos Apply Zii? [Z.C.] O nosso colaborador apenas viu esse concerto. Não arranjamos ninguém para fazer o resto da cobertura nem íamos inventar nada sobre o assunto. Foi pouquito mas foi bom. [Joel Costa]

Li que vão incluir os Rotting Christ na capa de Abril. Vamos finalmente ter uma Versus Magazine mais internacional? Se sim, de que forma é que esta internacionalização vai afectar a inclusão de conteúdos nacionais? [A.S.]

Como é que uma pontuação de 5.5 faz, nas palavras de Joel Costa, um “bom disco”? [L.L.] A ver pela estatística, um pouco mais de metade do álbum aproveita-se. Acho que isso chega para ser um bom disco. [Joel Costa]

Não vai afectar. Realmente decidimos que é tempo de abordar com mais consistência aquilo que se faz lá fora e atrair mais leitores com bandas internacionais que tenham lançado algum trabalho recentemente, mas de forma alguma vamos pôr em causa a integridade da revista e excluir as bandas nacionais. Não vamos, de forma alguma, cortar espaço ao underground Português... Simplesmente vamos aumentar as nossas edições e passar a ter algumas bandas internacionais nas capas. [Joel Costa]

Na crítica aos Rotting Christ, o nome do álbum está mal escrito e há também um erro de pontuação. Não deviam estar mais atentos? [L.L.] Peço desculpa pela falta de atenção a esses pormenores. Vou tentar ser mais responsável. [Joel Costa]

Que história é essa da Versus BR? Vão passar a existir duas revistas? [J.B.] Nem nós sabemos muito bem o que será a Versus BR. Nesta edição de Abril, optamos por ter uma capa com os Claustrofobia e fazer quase uma revista à parte, mas incluída na edição normal da Versus Magazine. Contudo, penso que isso não se vai verificar em todas as edições. Simplesmente teremos duas ou três bandas do Brasil, com as entrevistas escritas no Português de Portugal e maioritariamente no Português do Brasil. Alguns dos nossos leitores são Brasileiros e queremos dar este incentivo. Não vão ser feitas duas revistas. [Joel Costa]

Será possível fazer uma entrevista a Varg Vikernes (Burzum)? [A.C.] Possível é. Já tentei fazer o contacto, mas pelo andar das coisas tenho mais hipóteses de publicar uma entrevista exclusiva com o 2Pac do que com o Varg. Como aparentas ser bom moço, sai um artigo sobre o “Conde” na próxima edição. Parabéns pela última edição. Os números aumentaram muito em relação às edições anteriores. O que está a ser feito de diferente? [R.P.] Fizemos um bruxedo com a Tara Vidente eheh. Agora a sério: trocas de publicidade e muitas horas investidas no MySpace. [Joel Costa]


Estão a melhorar a cada número. Com um projecto destes não estão a pensar passar para a edição em papel? [J.J.] Ora aí está a grande questão. Fazer o design e os conteúdos, bem que o fazíamos sem problema algum, até porque já o fazemos agora. Se a Versus estivesse no mercado, havia mais dedicação e profissionalismo ao fazer as coisas. Infelizmente é preciso muito mais do que vontade. São necessários anunciantes e, acima de tudo, uma editora capaz de pegar neste projecto e metê-lo no mercado. Não temos condições financeiras para suportar todos os custos de impressão e distribuição sem uma entidade que tenha meia dúzia de contactos. É o desejo de todos nós e estamos a lutar para isso. A ver se alguém aparece entretanto. Se o meu pai fosse rico... [Joel Costa] 2€ para concorrer aos passatempos não é dinheiro a mais? [R.C.] Se fores da Optimus TAG não. O Manzarra é que está correcto. Até a minha mãe já é TAG. Só é pena a Optimus não se chegar à frente com pagamentos por esta magnífica publicidade. E agora a parte séria: foi o melhor que conseguimos. Infelizmente nenhuma operadora nos respondeu ao pedido de criar um sistema próprio, onde fosse possível reduzir o custo da mensagem para 0,60€ mais IVA. Os 2€ foi o mínimo que conseguimos. [Joel Costa] Onde é que posso comprar a vossa revista? [S.P.] De momento não comercializamos edições físicas da revista. Para já vai sendo gratuita. Aproveita! [Joel Costa]

AS MENSAGENS AQUI APRESENTADAS FORAM SELECCIONADAS ATRAVÉS DE E-MAILS E MENSAGENS VIA MYSPACE RECEBIDAS PELA EQUIPA DA VERSUS MAGAZINE. ENVIA AS TUAS CRÍTICAS E SUGESTÕES PARA: geral@versus-magazine.com


pois tem um ritmo tão forte que nos põe de imediato a mexer. Riffs rápidos, alternados com sons mais harmoniosos que nos põe a cabeça a andar à roda. A sonoridade desta banda ao vivo é exemplar e para quem os viu sabe bem que são detentores de um som pujante e demolidor.

3 – Walls of Jericho

«A Trigger Full Of Promises»

1 – Nile

«Those Whom The Gods Detest» Para quem conhece a banda sabe bem que por onde passa este trio americano não deixa ninguém indiferente. As suas músicas são baseadas na mitologia egípcia e por isso têm uma sonoridade que nos reporta ao antigo Egipto. São músicos extremamente completos, rápidos e muito eficientes na música que compõem. No seu reportório os Nile possuem músicas extremamente elaboradas e complexas onde muitas vezes nos perdemos com tamanha destreza principalmente ao nível da bateria. Criam à sua volta uma sonoridade inigualável e extremamente agradável a adeptos do Brutal Death Metal. Basta ouvir o início desta música que nos imaginamos logo dentro de uma pirâmide no Egipto de onde a qualquer momento poderá aparecer qualquer coisa sinistra...E esta música dá também nome ao último álbum dos Nile, que na opinião de muitos será o melhor álbum deste trio. A não perder!

2 – Slayer

«Raining Blood» Os Slayer já não precisam de apresentação (risos), são das bandas de Thrash mais conhecidas de todos os tempos e contam já com um leque de álbuns que faz a delícia de alguns. Para quem é amante do estilo musical que praticam é uma banda que não deve faltar na sua biblioteca musical. Esta música é um dos muitos clássicos dos Slayer, extraída do álbum Reign in Blood, apesar de ter sido lançado em 1986 este albúm é uma referência para muitos músicos nos dias que correm. Quanto à música é difícil de a ouvir parado

Esta banda de metalcore é das bandas americanas dentro do género que mais adeptos tem. Apesar de terem aos comandos uma vocalista, conseguem transmitir uma força grandiosa e uma musicalidade agressiva não descurando porém a elaboração musical. Aliás a vocalista acaba por deixar uma marca muito própria e que os torna distintos dentro do Metalcore. Conjugam bastante bem os dois estilos Hardcore/Thrash e conseguem um produto final francamente positivo. Esta música é a primeira música do terceiro álbum da banda e logo no seu inicio apresenta uma rapidez estonteante tanto no instrumental como na entrada da voz, que pessoalmente achamos que completa a música pois dá-lhe um cariz de agressividade pela forma de colocação da voz da vocalista. Esta música faz disparar a adrenalina que há dentro de nós e a sensação de raiva com que é cantada torna-a distinta.

4 – Pantera

«Cemetary Gates» Esta banda não pode faltar na playlist de qualquer adepto de Metal. Os Pantera são das bandas mais bombásticas que tivemos o prazer de conhecer, também pelo facto de ter acabado por motivos relacionados com a morte do guitarrista (Dimebag Darrel). A música toda ela transmite-nos uma sensação de leveza…para já porque é uma balada e depois pelos sons que a de guitarra emite…conjugados com a voz o que a torna fabulosa. A composição é fenomenal e os pormenores até ao final da música deixamnos deliciados. Começando com um som limpo exemplar…passando por sons melodiosos e acabando com um dos solos mais bem conseguidos de sempre. Não seria ele o melhor guitarrista de todos os tempos para alguns… É daquelas músicas às quais não podemos colocar defeitos…

5 – Lamb of God «In your words»

Do mais recente trabalho da banda designado “Wrath”, aparece-nos a In your words, é uma música que retrata bem a musicalidade dos Lamb of


God banda que também já remonta á década de 90. É impossível ficar indiferente á destreza dos guitarristas desta banda, muita da musicalidade do grupo advém daí, apesar de todos eles serem exímios no que fazem nota-se uma composição bastante boa das guitarras, as quais são providas de pormenores bastante bem conseguidos. Quanto à música é agressiva e faz com que viajemos num ambiente de riffs e sons que em nada são previsíveis, o que torna a música diferente e que nos transmite uma sensação agradável e uma viagem no universo musical da banda. Digamos que “in your words” é uma música para se ouvir e apreciar a sonoridade que existe dentro do conceito do metal e dentro do próprio conceito da banda que tal como prometido antes do lançamento do ultimo trabalho se encontra num bom momento de forma.

6 - Carnifex

«Lie to my face» Uma banda com este nome teria de ser associada a brutalidade. Estes americanos são praticantes de um deathcore agressivo e elaboram músicas que nos fazem entrar num ambiente imaginário de carnificina. E se há música elaborada para fazer com que nos dê vontade de partir tudo estamos perante um exemplar para que isso aconteça. A música não descora porém pormenores e é detentora de riffs poderosos e de uma bateria bem pesada. Não é uma música que agrade a todos mas para quem é adepto deste tipo de música é uma banda a ter em conta pois são um grande exemplo de deathcore maciço e sem truques. São violentos, destrutivos e bons músicos (risos)

7 – Carcass «Heartwork»

Digamos que pelo facto de estar inactivos durante mais de dez anos e se terem reunido por tempo indeterminado para fazer uma tour mundial é o bastante para constarem em qualquer playlist de um ouvinte atento. De qualquer modo estes britânicos são detentores de músicas surpreendentes mesmo considerando que apenas têm registos com mais de dez anos. Esta música entra-nos no ouvido desde a primeira vez que se ouve…riffs poderosos, solos bem encaixados e bem elaborados e uma voz característica do death metal. Os Carcass vão passar pelo nosso país no próximo Verão por isso fica aqui o aviso para não perderem esse concerto pois é das bandas

que mais falta fazia no panorama musical mundial.

8 – Warbringer «Jackal»

Esta música tem na sua essência um thrash poderoso e agressivo, os warbringer debitam energia ao longo de toda a música e fazem com que os adeptos de thrash old school fiquem deliciados pois nos tempos que correm já se torna muito difícil encontrar uma banda que não abandonou este estilo que lamentavelmente se encontra um pouco em desuso. Contudo e inexplicavelmente a banda não tem a projecção que deveria ter pois é uma das bandas na nossa opinião que melhor retratam o que de bom se faz neste estilo musical. Fica o convite para ouvirem os últimos trabalhos desta banda para perceberem que são exímios naquilo que fazem.


D

epois de um grande álbum editado em 2007, os gregos Rotting Christ estão de volta com «Aealo». Falamos com o vocalista Sakis Tolis sobre o passado, presente e futuro da banda. Qual é o significado de «Aealo» e qual a razão para a escolha do nome?

«Aealo» é a tradução da palavra grega ΕΑΛΩ para caracteres latinos, cujo significado é de “catástrofe”, “destruição”, “os vencidos”... e tem tudo a ver com o conceito musical e lírico do álbum. «Aealo» será o sentimento de cada um, após ouvir este registo.

Ao ouvir «AEALO» apercebi-me de certos sentimentos embutidos nas letras e até na própria sonoridade. De que nos falam esses sentimentos?

Sakis: São muitos sentimentos. Penso que, de todos os álbuns, este é o que apresenta mais emoções e é o disco mais puro que criamos até à data. «Aealo» é sobre os sentimentos de um guerreiro durante uma batalha. Sentimentos esquisitos, estranhos... sentimentos como a raiva ou o medo... Todas as emoções pelas quais um guerreiro pode passar em guerra. Ao ouvires o álbum, vais sentir-te no meio de um campo de batalha e o teu inimigo são os teus sentimentos. Contudo, este álbum não é sobre guerra. É exactamente o oposto, e quando acabas de ouvir o álbum, vais-te sentir aliviado, como se tivesses escapado aos julgamentos que apenas uma guerra pode criar.


segurança. Como artista tive de superar as minhas habilidades e por isso dediquei-me muito ao processo de composição e isoleime por mais de um ano com o objectivo de explorar caminhos desconhecidos na minha alma. Desta vez fiz o meu trabalho de maneira diferente. Baseei-me mais nos meus pensamentos do que em tocar guitarra. Explorei muitas questões filosóficas, dormi pouco e finalmente apareci com «Aealo», um álbum que acredito que irá aproximar mais a banda do público e da imprensa. Enfim, basicamente tentamos criar algo melhor que o «Theogonia».

Que tipo de atmosfera e humor te influenciam para escrever?

Qualquer composição é um produto da exploração de caminhos nunca antes percorridos na minha alma.

És o único compositor da banda, certo? O quão importante são as letras para ti? São muito importantes, mas não tanto quanto a música. Claro que presto muita atenção à escrita, pois tem que se ajustar à música mas não acho que alguém vá ouvir uma banda de Metal apenas pelo seu conteúdo lírico.

No teu entender, quais são as principais diferenças entre «Aealo» e o resto da discografia dos Rotting Christ? É o nosso álbum mais Metal e épico de sempre e sim, é de longe o álbum com mais alma que lançamos nestes mais de 20 anos de carreira.

Como descreves este trabalho? Estás nos Rotting Christ desde 1987. É mais fácil conseguir ideias para músicas agora, ou era mais fácil nos primeiros anos de actividade?

Quanto mais cresço menos influência tenho e isto deve-se ao facto de ter muitas coisas em que pensar e muitas responsabilidades. No entanto, a composição é algo extremamente importante para mim. Presto imensa atenção a isso e quando chega a altura de criar algo, torno-me novamente uma criança e encontro a minha maneira e o meu tempo de criar as coisas.

Dito isso, como foi o processo de composição para «Aealo»?

É de conhecimento geral que é difícil superarmo-nos após termos lançado um álbum muito bom e isso encheu-me de stress e não escondo que me trouxe alguma in-

É Metal. Podes chamar-lhe o que quiseres: Heavy, Black, Dark, não interessa, mas é Metal.

As tours ainda conseguem ser interessantes para ti?

Não como eram no passado, mas se temos bom feedback dos fãs, então é como se reincarnássemos. Viajámos tanto durante a nossa existência que dificilmente encontramos surpresas mas ficamos sempre muito satisfeitos e sem palavras para com os nossos fãs. São eles que nos dão o poder para continuar a nossa batalha.

Para finalizar, Portugal está nos vossos planos para actuar?

Claro que iremos visitar a Lusitânia brevemente e até que visitemos a vossa terra «keep the horns rising»!

Entrevista: Joel Costa


Neige é um sonhador e um místico por natureza, e a música que cria para os Alcest é a expressão fiel de imagens e emoções associadas a um mundo paradisíaco que garante ter vislumbrado. No mais recente registo de estúdio, “Écailles de Lunes”, o enigmático músico francês oferece-nos uma nova perspectiva sobre esse lugar de sonhos; uma visão renovada que ele próprio desvenda no diálogo que abaixo transcrevemos.


A

música dos Alcest está intrinsecamente ligada a um conceito artístico que tem a ver com um lugar; algo que costumas descrever como um “reino fantástico”, um “lugar de sonhos”. Como é que surgiu originalmente esta ideia?

Neige: Comecei com os Alcest como um projecto de black metal. No entanto, depois do lançamento da demo “Tristesse Hivernale”, em 2001, optei por usar este projecto para traduzir em música uma experiência esotérica pela qual passei durante um período da minha vida, desde a infância até ao início da adolescência. Em criança tinha, frequentemente, visões súbitas ou apenas memórias de um lugar desconhecido. As coisas que surgiam na minha mente eram tão precisas e vívidas como uma memória real, e não se assemelhavam a nada que alguém possa imaginar. Eram visões de um lugar de uma beleza indescritível, onde tudo – as árvores, os carreiros, os cursos de água… - resplandecia, e onde uma música celestial e distante flutuava no ar como um perfume. Nesse lugar, fora do meu casulo de ser mortal, o espírito vagueia sem o auxílio dos sentidos, percepcionando tudo em redor de uma forma diferente. Aí não existe sofrimento, físico ou moral, doenças ou angústias de morte, mas apenas paz e uma sensação indescritível de êxtase. Este lugar paradisíaco é habitado por seres luminosos, infinitamente benevolentes e protectores, que comunicam directamente com a alma através de uma “linguagem” que não se traduz por palavras. Actualmente, as minhas memórias, bem mais mundanas, tendem a substituir as que tive na minha infância, mas as imagens que me foram reveladas desse lugar estarão sempre comigo.

Será que todo este conceito reflecte directamente as tuas convicções pessoais no campo do esoterismo, ou trata-se apenas de um engenho estético? Não. Não estou aqui a falar de imaginação ou fantasia, mas sim de um acontecimento real que teve e terá sempre uma grande importância na minha vida. Eu acredito de facto neste misterioso “mundo de sonhos” numa perspectiva esotérica, e esta fé tem um papel muito importante na minha vida. As imagens que recordo de tempos anteriores à minha própria vida têm suscitado em mim um conjunto numeroso de interrogações existenciais, e, como deves calcular, têm tido um grande impacto na minha vida.

Admitindo que “Écailles de Lune” se baseia neste mesmo conceito, qual é então o ponto de vista com que abordas, desta vez, o tal lugar encantado? Trata-se exactamente de uma nova abordagem. Enquanto no “Souvenirs d’un Autre Monde” descrevi recordações desse “lugar de sonhos”, o

“Écailles…” pode ser visto como uma metáfora sobre a forma como hoje, no meu quotidiano, lido com essa experiência que tive na infância. Através dos Alcest gostaria de encontrar algumas respostas, bem como testemunhos de outras pessoas que tivessem passado também por “isto”, embora tenha bem a noção do quão difícil isso poderá ser. Sei que estas declarações podem soar um tanto confusas, e penso que isso resulta do facto de me sentir constantemente perdido; de sentir que não pertenço a este mundo. É como se uma parte não humana da minha alma gritasse dentro de mim, implorando-me o regresso ao lugar que é seu por natureza. De certa maneira esta é a explicação para toda a melancolia presente nas letras do “Écailles…”. No Verão passado estive de férias com alguns amigos num lugar à beira mar, no sul de França, e às vezes ficávamos à noite na praia, a contemplar o mar e a ouvir música. Numa dessas ocasiões senti uma espécie de revelação, uma visão misteriosa de grande beleza provocada pelas vozes sussurrantes da água, o reflexo dourado da lua no mar e a imensidão do céu nocturno acima das nossas cabeças. No fundo foi essa experiência que inspirou o “Écailles…”. O álbum conta a história de um homem que, à noite, junto ao mar, reflecte sobre a sua própria vida: o facto de nada nem ninguém lhe permitir encontrar a felicidade, e o seu consequente desinteresse pela existência terrena. Cativado pelas vozes das ondas e pelos espíritos do mar, acaba apaixonado pela noite. Vai nadar até às profundezas oceânicas na companhia de espíritos aquáticos benevolentes, e finalmente abandona-se a um sono tranquilo no fundo do mar, para não mais regressar ao mundo real.

Terá sido o lado negro, o lado medonho do mar, que te fez regressar, neste novo álbum, às partes mais intensas de black metal?

Sim, o mar também tem esse lado tenebroso, essa energia indomável. Eu tenho uma estranha fobia em relação ao mar. Mesmo que o considere fascinante, o mero facto de me imaginar subitamente num grande abismo marinho, frio, silencioso e escuro, onde não vejo mais do que silhuetas de paisagens onde se ocultam grandes monstros aquáticos, é talvez o pensamento mais insuportável e aterrador que possa ter. Definitivamente estar debaixo de água não é para mim… (risos). Contudo, penso que esta fobia não tem qualquer relação com os elementos mais negros e a voz áspera que aparecem em certas partes do disco.

Apesar das breves passagens de black metal, diria que este novo álbum se encontra mais próximo do “Souvenirs...” do que do EP “Le Secret”. É que, embora se identifiquem com black metal, estes segmentos nunca soam negros, e sugerem até algo de positivo e grandioso. Que te


parece?

Numa perspectiva estritamente musical, penso que o “Écailles...”, com as suas guitarras limpas e dobradas, está mais próximo da onda darkwave dos anos 80 do que de black metal. Tem um carácter aquático e uma atmosfera profundamente enigmática, e por isso vejo-o como um álbum ainda mais transcendental do que o “Souvenirs...”. O meu objectivo é criar música que transcenda os aspectos mundanos; que soe como se não fosse tocada por seres humanos. Nesse sentido as vocalizações ásperas ou gritadas não são necessariamente uma expressão de raiva e nem são para mim uma referência a black metal. Considero-as mais como vozes não humanas; uma espécie de segunda natureza para mim.

O novo álbum parece estar dividido em duas partes distintas, separadas pela peça “Abysses”. Será que o alinhamento foi planeado com esta divisão em mente?

Humm… acho que não. Este álbum pretende ser mesmo uma entidade única. O “Sur l’océan couleur de fer”, apesar de ser um tema mais lento e suave, expressa o mesmo sentimento aquático e trágico que o “Écailles de lune, parts 1 & 2”. O alinhamento foi escolhido tendo em conta apenas aspectos como a progressão entre os temas, e a fluência do álbum.

Durante a preparação desta entrevista deparei-me várias vezes como a palavra shoegaze, um termo da gíria mais ligado ao pop, mas que é usado para caracterizar a tua música. Achas que é um termo apropriado? Eu até gosto de shoegaze, mas, para ser sincero, nunca tinha ouvido falar nesse termo até ler algumas criticas ao álbum anterior. Penso que as pessoas associam a música dos Alcest a esse estilo por causa dos vocais etéreos. No entanto, do ponto de vista lírico, acho que o que faço não tem nada a ver com as temáticas banais que são típicas no shoegaze.

Por que razão escolheste o “Percées the lumière” e não outro tema, para lançamento antecipado no split com os Les Discrets? Foi para mostrar claramente que o novo álbum era bem diferente do “Souvenirs...”?

Sim, de certa maneira. Com o lançamento desse tema quis apresentar uma nova faceta dos Alcest, bem distinta do que as pessoas conhecem do disco anterior. Esse tema tem uma progressão melódica implacável e até acho que é um dos melhores que já escrevi.

O álbum anterior suscitou reacções extremas (boas e más), mas é provável que o


“Écailles…” seja recebido de forma mais consensual. Que achas?

Não pensei muito na resposta que recebi do “Souvenirs…” pois sei bem que este tipo de música não agrada a todos. Além disso, penso que colher reacções extremas é sempre bom, pois significa que estás a forçar os limites e a fazer as coisas evoluírem. Até agora, o feedback que tenho recebido do “Écailles…” tem sido, de facto, menos extremo, e muitas pessoas que não gostaram do álbum anterior ficaram agora agradavelmente surpreendidas.

O que nos podes adiantar sobre os dois concertos em Portugal que estão agendados para Maio? Tencionas tocar material anterior ao “Souvenirs…”? Estamos muito entusiasmados. Sei que temos muitos fãs em Portugal e posso garantir que faremos tudo para ir de encontro às expectativas deles. Estive já em Portugal em 2002, a tocar como baixista dos Celestia, e trouxe muito boas memórias dos fãs e do país em geral. Quanto à setlist que iremos usar nos concertos de Maio… não posso revelar. Direi apenas que é bastante diversificada.

Quando é que os Alcest começaram a tocar ao vivo?

Os Alcest nunca foram uma banda ao vivo, até há bem pouco tempo. Ao fim de dez anos de actividade resolvemos começar a fazer concertos e estreamo-nos na Roménia, há menos de uma semana. Penso que foi preferível esperar até juntarmos algum repertório e, principalmente, atingirmos a maturidade necessária.

Que músicos trarás contigo para tocar nestes concertos em Portugal? Gente de bandas já conhecidas? Sim, alguns deles pertencem a grupos bem conhecidos. Vou contar com o Fursy Teyssier (Les Discrets, Amesoeurs) no baixo, o Winterhalter (Les Discrets, Amesoeurs, ex Peste Noire) na bateria, e o Zero (dos Zero) será o segundo guitarrista e assegurará as vozes de suporte. São todos meus amigos de longa data, e penso que constituem um line-up perfeito ao vivo para os Alcest!

Achas que é possível transpor para o palco toda a mística e toda a emoção presente no “Écailles de Lune”? Há quem defenda que a maior parte da atmosfera inerente ao black metal se perde nos concertos ao vivo. Qual é a tua opinião acerca disto?

Claro que não podes esperar de uma actuação ao vivo o mesmo que ouves numa gravação de estúdio. Ao vivo é uma outra abordagem: mais humana, animada e espontânea. Mesmo assim, nós tentamos sempre reproduzir ao vivo, com a melhor fidelidade possível, as emoções do disco, e penso que estamos a ser bem sucedidos. Relativamente aos concertos de black metal, também fico quase sempre desapontado sempre que vou assistir a um. Em geral, o som é mau e os músicos parecem meios estúpidos. A única banda de black metal que me conseguiu espantar num concerto foram os Darkspace. Os músicos nem parecem humanos e conseguem criar de facto uma ambiência fria e misteriosa.

Entrevista: Ernesto Martins

EXODUS

Bonded by Blood 25/04/1985 - 25/04/2010

Quando me falaram em fazer esta crónica, para assinalar os 25 anos do lançamento deste marco do thrash metal, fiquei um pouco indeciso, pois, pensei, o que haverá mais para dizer? Já tanto foi dito e escrito… Depois lembrei-me que isso é verdade, mas, existirá uma geração (ou duas) que poderão conhecer o álbum, mas não terão noção da importância que ele terá tido para a cena thrash da geração de 80. Por esses tempos lembrome que ainda andava completamente “alucinado “ com “Ride the Lightning” dos Metallica e, pensava eu então, esse seria o som mais pesado que conseguiria encaixar, pois devo confessar que, apesar de já ter tomado contacto com algumas bandas underground de extrema violência, não me rendia por completo ao estilo. Pensava eu, que violên-

cia extrema e boa música seriam incompatíveis…. Entretanto, no seio do nosso pequeno grupo de headbangers, surge uma cópia em cassete de “Bonded by Blood”, um álbum de uma banda até à data desconhecida para nós. Foi a surpresa geral. O que era aquilo? Afinal, era possível tocar rápido, forte e manter a sonoridade apelativa. Por outro lado a voz de Paul Baloff era uma completa novidade. Incutia ao som dos Exodus um toque de agressividade extrema ainda não experimentada por nós. Desde esse dia, o álbum passou a ser presença constante na nossa play-list e, acima de tudo, “Metal command” passaria a ser um hino à nossa natureza metálica! Falando do álbum, são cerca de 39 minutos de riffs, onde Rick Hunolt (guitarra), Gary Holt (guitarra), Paul Baloff (voz), Tom Hunting (bateria) e Rob McKil-

lop (baixo), ao longo de 9 temas coesos e compactos, nos deixam uma lição; Uma Lição de Violência! Com todo o mérito “Bonded by Blood” acabaria por ser tornar num dos marcos mais importantes do metal mais extremo, e eu diria mesmo que estará no top 3 dos melhores álbuns da história do thrash metal e de uma geração. Depois deste disco Paul Baloff deixa a banda, o que para mim foi decepcionante pois era na voz de Paul que residia uma das grandes diferenças entre os Exodus e muitas das outras formações congéneres da Bay Área. Voltou a reaparecer no grupo em 1997. Em 2002 sofre um ataque cardíaco e, após alguns meses em coma, a sua família decide desligar as máquinas… RIP! De realçar também que com este artigo, “Bonded by Blood” voltou ao meu leitor de CDs e não está fácil retirá-lo!!! METAL COMMAND!


V

ão actuar no palco Sunset do Rock In Rio, juntamente com os RAMP e os Hail. Aguardam esta actuação mais do que as outras ou tocar no Rock In Rio está longe de ser a melhor noite da tour?

É fixe mas estamos com mais pica para as nossas tours, tanto nacional como europeia, mas temos orgulho de conseguir tocar num palco tão conceituado como o do Festival Rock In Rio. Já tocamos algumas vezes com RAMP e é malta muito bacana por isso vamos fazer festa juntos.

O mês de Maio vai ser um pouco atribulado a nível de concertos. Sentem-se esgotados após concluir uma tour ou actuar noite após noite não é problema para vocês? Não é problema nenhum. É mesmo para isso que nós andamos aqui. Cansa fisicamente quando não tens boas condições e bons sítios para dormir mas por nós andávamos o ano todo em tour mas é complicado especialmente para bandas portuguesas. Mas vamos continuar a trabalhar para ter o máximo de concertos por ano.

Recentemente estive no V5, no Porto, e o DJ levou o público à loucura quando pôs a «First Bite» a tocar. Aliás, o público gostou tanto que voltou a passar uns minutos mais tarde. Como são os vossos concertos e de que forma é que o público vive as vossas actuações? Nós achamos que os nossos concertos são sempre energéticos. Tentamos puxar pelo público ao máximo e que toda a gente se sinta à vontade. Normalmente quando os concertos são nossos ou não estamos a fazer suportes ou festivais o público adere mais!

Demoraram aproximadamente 3 anos para voltar com novidades de estúdio. Como foi gravar o novo álbum?

Foi muito bom. Mais uma boa experiência que tivemos com a banda, conhecemos um país novo e trouxemos um álbum de que estamos muito orgulhosos. Tivemos um mês para o gravar e para conhecer a cidade e pessoas novas. Por exemplo, ao mesmo tempo que estávamos a gravar o nosso álbum, no estúdio ao lado estavam os Darkest Hour a gravar o deles. Deu para conhecer a banda e o produtor Brian Mcternan que também nos ajudou neste novo álbum.

«Make Friends And Enemies» parece-me ter algumas histórias pessoais concentradas nas letras. De que nos fala o álbum?

Tem vários temas pessoais sim, desde letras para os nossos fãs, como sobre amizades que se degradaram e também sobre separações. Mas também temos como em álbuns anteirores letras mais de ficção inspiradas em filmes. No entanto, a mensagem que queremos passar é que devem procurar realizar os sonhos e ambições e viver o melhor que podem.

Gravaram o álbum em Baltimore, nos Estados Unidos, com Paul Leavitt. Como foi a experiência?

A experiência com o Paul foi boa. Ele tem a nossa idade e isso ajudou para que estivéssemos à vontade tanto no trabalho como a nível pessoal. Está ainda a começar mas já tem álbuns muito bons no curriculo como The Bled, All Time Low e Gwen Stacy. Ficámos satisfeitos com o trabalho dele e com a maneira de ele ser, directo e honesto por isso achamos que ficou aberta a possibilidade de voltar a trabalhar com o Paul no futuro.

Para finalizar, quais as vossas expectativas para a tour com os Men Eater que aí vem? São boas! Esperamos que as salas estejam cheias, que a reacção ao álbum seja boa e que toda a gente se divirta e que saiam dos concertos satisfeitos. Quanto a Men Eater vai ser a segunda tour que fazemos com eles e temos uma boa relação. Para além disso gostamos da música da banda portanto achamos que vai ser uma boa tour!

Entrevista: Joel Costa


Podem não ter ainda atingido a popularidade de outras formações da mítica Gotemburgo, mas destacamse pela persistência feroz e pelo empenho que põem na sua forma de estar no metal. Tivemos a oportunidade de entrevistar Daniel Bugno, baterista e mentor da banda, a propósito do lançamento do último álbum: “The Reckoning”. De uma forma simpática e muito profissional, o nosso entrevistado desvendou os segredos deste quarto registo de estúdio, aproveitando também para desabafar sobre algumas contrariedades vividas na história recente dos Arise. A vossa banda é oriunda de um país muito célebre na cena do metal e da cidade de Gotemburgo, origem de um subgénero do metal europeu muito especial, embora um pouco gasto actualmente. Na vossa opi-

nião, o que distingue os Arise de outras bandas de metal com a mesma origem? Qual será o vosso contributo original?

Daniel Bugno – Na realidade, eu penso que nós não somos uma banda típica do som de Gotemburgo, como muitos dizem. Será que ter uma produção bastante cuidada ou tocar rápido são características que só existem no som de Gotemburgo? Será que teremos de fazer música mal produzida para sermos melhor aceites? Na minha opinião, o que nos distingue como banda é o facto de combinarmos rapidez, um som pesado, melodias e groove como nenhuma outra banda de Gotemburgo fez ou faz. E de certeza que não temos nada a ver com os At The Gates. As pessoas têm problemas com o género em si, não com o nosso som. E é claro que gostamos do que estamos a fazer. Não é nossa intenção fazer música para agradar aos críticos.Quem gostar de death metal melódico gostará certamente do nosso som. Não fazemos canções de 8 minutos ou mais, sem coros e com milhares de riffs muito simplesmente porque esses elementos não fazem parte do nosso estilo. Aliás, eu nem gosto desse tipo de música. Apesar de a nossa música ser simples, “The Reckoning” é suficientemente variado para satisfazer qualquer ouvinte que se interesse pela nossa música.

Arise é descrita como uma banda de thrash


metal/death metal. Que influências vos deram essas características?

No início, fomos inspirados por bandas como Sepultura, Pantera e Machine Head e é dessas raízes que vem o nosso som. É daí que vem o toque do som da Bay Area que costuma ser-nos atribuído. Depois fomos inspirados pelos Carcass, sem dúvida nenhuma. Mas não pelo material mais antigo, do gore, que é o que quase todos preferem. Nós sempre gostámos mais dos dois últimos álbuns – “Heartwork” e “Swansong”. Por último, fomos inspirados pela cena sueca. Lembro-me de que apreciávamos muito bandas como Dark Tranquillity, Hypocrisy, At The Gates, Dissection, Edge Of Sanity e Dismember. Portanto, penso que, no nosso som, é possível encontrar elementos associados a todas essas bandas e não apenas a At The Gates.

Vi na net que o nome da vossa banda saiu de um álbum dos Sepultura. Por que razão esse álbum foi tão importante para vocês?

Não foi bem assim que as coisas se passaram. É claro que nós consideramos “Arise”, dos Sepultura, como um álbum fantástico. Mas não nos parece tão extraordinário que, só por si, pudesse ter condicionado a escolha do nome para a nossa banda. Queríamos um nome curto, forte, que significasse realmente algo. Depois de muita discussão, surgiu Arise. Imediatamente, nos pareceu que era um bom nome. E deve ser, porque, entretanto, surgiram outras bandas que também o adoptaram, desde que nós começámos a publicar álbuns. E hoje em dia só precisas de ir ao Google para verificar se o nome que escolheste para a tua banda já foi adoptado por outra.

Quais são os temas que escolhem habitualmente para as vossas letras? Onde encontram a vossa inspiração lírica?

Nos primeiros três álbuns, estávamos muito impressionados com temáticas futuristas, biomecânicas, coisas como a clonagem e os extra-terrestres. Continuam a ser temas interessantes. Aliás, se pensarmos nisso, é assustador o que se pode fazer com a clonagem. Ou a partir daquelas experiências em que se congelam corpos para tentar fazê-los reviver mais tarde, quando se descobrir como se pode fazer isso, num futuro mais ou menos próximo. Eu acho esses temas absolutamente fascinantes! Mas, voltando às nossas letras, elas são-nos inspiradas pela vida quotidiana, pelas notícias, pelos livros que lemos, os filmes que vemos, por exemplo.

Na vossa opinião, há outras bandas de metal, na Suécia ou noutro país qualquer, a escrever letras do estilo das vossas?

Não posso referir nenhum nome em particular. Mas, como fazemos música agressiva, temos de ter letras agressivas. Portanto, calculo que deve haver muitas

outras bandas a fazer letras relacionadas com temas como a ira, a fúria, a loucura. Não podemos esquecer que, neste tipo de música, as letras têm sempre um papel secundário e que muitos vocalistas as consideram como um “mal necessário”. A ideia é ter alguma coisa para dizer, um escape para a tua fúria. Não são letras com um significado profundo, como, por exemplo, as dos U2, que se referem a temas como a sustentabilidade ou a solidariedade. Por outro lado, ao contrário de muitas outras bandas, não costumamos mencionar frequentemente a morte nas nossas letras. Portanto, também não sei se somos assim tão death metal.

Falemos agora do vosso último álbum. Na vossa óptica, em que é que ele se distingue dos anteriores?

Para começar, agora temos pessoas distintas para assegurar os vocais e a guitarra rítmica, o que nos dá muito maior flexibilidade. O Erik não conseguia tocar como queria, porque tinha de cantar ao mesmo tempo. Esta situação condicionava a banda. Agora temos a certeza de que podemos criar mais riffs. Outra diferença substancial é que melhorámos muito a nossa composição, comparando com o que fizemos em “The Beautiful New World”. Além disso, experimentámos recorrer a alguns elementos que nunca tínhamos usado antes: músicos convidados, uma “intro”, uma “outro” e uma faixa quase exclusivamente instrumental. Por isso, eu considero que “The Reckoning” é o álbum mais variado que fizemos até agora.

Há algum conceito subjacente a este álbum? Por que lhe chamaram “The Reckoning”? Por outro lado, quando estava a ouvir este novo álbum, reparei nos títulos das faixas. Muitos deles referem-se a situações violentas (Adrenaline rush, They are coming for you, Reclaiming the soul, The fury, Dead silence, End of days) e outros a elementos relacionados com a luz (No memory of light – a minha faixa favorita –, Blindead, Pitch black). A escolha destes títulos foi propositada? Sim. O nosso novo álbum centra-se na ira e na frustração. Por isso, como disseste, há canções que falam de fúria e de tristeza, depressão. Têm a ver com todos os problemas que tivemos com os membros antigos da banda, depois de eles a terem abandonado, e, sobretudo, com todas as decepções que sofremos nos nossos contactos com a Nuclear Blast e a Toy´s Factory: digressões canceladas, pessoas que não cumprem o que prometem. Na nossa área, é frequente acontecerem estas coisas, mas nós tivemos mesmo azar. E foi isso que nos deu a inspiração para fazer “The Reckoning”.


Que relação existe entre o álbum e a respectiva capa? Há muito tempo que sou fã da arte gráfica de Chad Michael Ward e que queria ter a possibilidade de trabalhar com ele. E, finalmente, essa oportunidade veio. Contactei-o e ele mostrou-se muito interessado – e manteve-se assim ao longo de todo o processo. Dei-lhe algumas pistas sobre o conceito subjacente ao álbum, passei-lhe o título e algumas canções e disse-lhe que queria que a cor de base fosse o vermelho e que a capa devia ser perturbadora. A partir destes elementos, ele criou o que se vê e eu estou muito satisfeito com o resultado. Na minha opinião, até saiu bem melhor do que o que eu tinha imaginado. E é certamente um trunfo deste álbum!

Li várias críticas a este vosso álbum. Uma delas (publicada em cduniverse.com e assinada por Alex Henderson), que me chamou particularmente a atenção, sublinhava o facto de o vosso novo álbum combinar habilmente melodia e segmentos pesados, não se refugiando na pura brutalidade. Concordas com esta apresentação de Arise e “The Reckoning”? Totalmente! Cada melodia deste álbum foi muitíssimo trabalhada. Como já referi, nós SOMOS muito mais melódicos e pesados do que a maior parte das bandas escandinavas de death/thrash metal. Para começar, parece-me que essa crítica é construtiva e foi feita por uma pessoa que não tem problemas com este género de música. E concordo plenamente com ele, quando diz que muitas bandas optam pela brutalidade gratuita, porque isso agrada sempre, sobretudo aos críticos. É triste, mas é a pura verdade.

Por que escolheram a Regain para lançar este álbum? O que aconteceu com a Spinefarm?

Tínhamos um contrato para três álbuns com a Spinefarm e não gostámos muito do trabalho feito relativamente a “The Beautiful New World”, que foi o nosso último álbum para eles. Portanto, sentimos que precisávamos de procurar uma nova editora. Não consigo explicar exactamente o que nos levou a escolher a Regain, porque havia outras editoras interessadas em nós. Penso que foi porque gostávamos da editora e das suas bandas, nomeadamente Eucharist and Embraced, que são vistos em todo o lado, o que significa que têm uma boa distribuição. O certo é que estou muito contente com a nossa escolha, porque, hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que acredite em ti e no teu trabalho,

mesmo que não sejas uma típica banda de programa de rádio.

A Regain, na publicidade ao vosso álbum, anuncia as colaborações de Mikael Stanne (Dark Tranquility), Jonas Kjellgren (Scar Symmetry) e Jake Fredém (Nostradameus). Em que consistiu essa colaboração? E por que os convidaram para este álbum em particular?

Na realidade, a colaboração deles é pontual. Foi mais uma coisa engraçada que fizemos: convidar os nossos amigos do mundo da música, os nossos ídolos, para participarem no nosso álbum. Como gostei muito da experiência, é provável que venhamos a repeti-la. Já tínhamos pensado no Mikael Stanne antes e, desta vez, ele encontrou algum tempo para estar connosco, num intervalo das digressões da sua banda. Tencionávamos convidar o Tomas Lindberg (At The Gates) para cantar na nossa faixa de homenagem à sua banda (Reclaiming the soul), mas ele não pôde juntar-se a nós a tempo de o fazer. Mas teria sido uma grande ironia tê-lo connosco a cantar a canção de homenagem à sua antiga banda, já que dizem frequentemente que nós somos um clone de At The Gates.

E agora, o que pensam fazer? Já têm alguns concertos previstos?

Temos uma digressão planeada para o próximo Outono, que, de momento, é a nossa iniciativa mais importante. Estamos a reflectir sobre algumas propostas que nos apresentaram. Mas já há muito tempo que não andamos na estrada e está na hora de metermos pés ao caminho. Portanto, não percas a oportunidade de nos ver tocar este ano. Somos uma boa banda ao vivo, garanto-te.

Há alguma mensagem especial que queiram deixar aos nossos leitores, relativamente ao vosso novo álbum?

Se gostam de thrash metal melódico, não percam o nosso novo álbum, não ficarão desapontados. E lembrem-se de que nos consideram ainda melhores ao vivo. Portanto, preparem-se para o The Reckoning Tour, que vai passar perto de vocês, no decurso deste ano. Vão ver a: http://www.ariseonline.com http://myspace.com/ariseonline E obrigado pelo vosso tempo!

Entrevista: Cristina Sá


mundial que deverá prolongar-se até 2013, na qual o grupo alemão fará despedidas sucessivas frente aos vários públicos. Numa impressionante manifestação de integridade, coragem, lucidez e honestidade inalcançáveis por centenas de outros músicos o guitarrista Matthias Jabs afirmou à comunicação social: “Para ser franco, anunciamos já o fim para que as pessoas não venham depois dizer que perderam um concerto. Não vamos fazer como os Kiss, que acabam e depois voltam à estrada. Quando acabarmos, acabamos mesmo”.

1 - Por natureza e definição as tendências são efémeras. Porém, a moda do revivalismo musical já ultrapassa a década de existência, atravessando actualmente o seu auge. No entanto, já todos percebemos haver muito por explorar até que o filão multimilionário se esgote. Tendose iniciado em 1997 no Metal com o lançamento do álbum de estreia dos Hammerfall, Glory to the Brave, que recuperava o espírito épico do Heavy Metal tradicional praticado na gloriosa década de 80, o revivalismo musical passou a ter maior expressão em 1999, relativamente à música Pop/Rock dos anos 60 e 70, tendo-se expandido rápida e subsequentemente à dos anos 80 e 90 (prevejo que, em poucos anos, também o saudosismo dos anos 00 tenha início). Aliás, o fenómeno continuado do revivalismo rapidamente se tornou um dos principais sustentáculos de uma indústria musical à beira da falência, assegurando às editoras, promotores e demais agentes do mercado fabulosos volumes de negócio com o regresso ao activo de bandas extintas. Assim, poucos são os grupos que apesar das fortunas oferecidas para se reunirem declinam dignamente esses convites irrecusáveis (os Abba constituem um respeitável exemplo). Para evitar um cenário análogo, os Scorpions anunciaram a 24 de Janeiro o fim irreversível da sua carreira, embarcando numa digressão

Mais surpreendente ainda, a ideia de o grupo encerrar funções partiu do seu manager, que ao ouvir o mais recente álbum, Sting in the Tail, “achou que estava óptimo e sugeriu-nos que devíamos pensar em terminar a nossa longa carreira, com uma longa digressão, que nos levasse a todos os sítios onde tocámos antes”, afirmou ainda Jabs à imprensa. “Em vez de nos dizerem daqui a dez anos que estamos velhos, é melhor acabar agora com classe e estilo. Ainda estamos saudáveis, em boa forma e a parecer mais novos do que somos”, aidantou o músico. Louvável, o empreendimento de que os Scorpions estão investidos em se dissociar dos tristes exemplos de bastos dinossauros decrépitos que penosamente se arrastam pelas estradas do mundo, manchando irreversivelmente a sua imagem. Infelizmente, exemplos não faltam. Houvesse mais bandas como os Scorpions e os verdadeiros melómanos teriam muito mais orgulho no cenário musical contemporâneo. 2 - Por acaso leccionava Música na Escola Básica de Fitares, em Rio de Mouro (Sintra), o professor Luís, de 51 anos, exímio flautista, que se atirou da Ponte 25 de Abril a 9 de Fevereiro, cansado dos enxovalhos e agressões sistemáticas a que alguns elementos da sua turma do 9º o sujeitavam. Ensinava Música mas podia ensinar Sociologia (área em que era licenciado), Matemática ou Geografia. Não interessa. O que está em causa é que Luís foi mais uma vítima da selvajaria que grassa impunemente nas escolas nacionais. Até quando?


«Inward Beauty Outward Reflection» é a segunda proposta dos Portugueses Kandia. Este projecto chega-nos do norte do país e vem sob a forma de uma voz feminina viciante e de toda uma magia instrumental que vem para ficar.


A promoção do vosso álbum tem sido algo intensiva, contudo estão a fazê-la sozinhos e não contam com o apoio de nenhuma editora. Está a ser fácil divulgar o projecto? Nya: Se calhar ainda não tão intensiva quanto gostaríamos. Temos feito o que podemos dentro do (pouco) tempo que podemos dispensar ao projecto. Ainda há muitos objectivos por cumprir que, com editora, sem dúvida se atingiriam mais rapidamente. Mas não estamos desmoralizados, os concertos vão começar e isso é o mais importante neste momento. O projecto está a ser bem divulgado, inclusive fora de Portugal, nomeadamente no Brasil, vamos ver o que acontece. Têm pouco tempo de existência mas penso que esse tempo foi bem aproveitado. Estão contentes com o vosso percurso até à data? Estamos contentes, mas queremos sempre mais, o que acho ser uma virtude. Ainda não conseguimos tocar fora do País, com o EP não era fácil consegui-lo, mas penso que com o álbum mais portas se irão abrir e se tudo correr como esperamos, brevemente iremos concretizar esse desejo. Falando um pouco do álbum... Em termos de sonoridade, se compararmos com o EP, o nível de maturidade é muito superior. Foram precisas muitas voltas para graválo? Como foi o processo de composição e gravação? O processo de composição não fugiu muito do que se passou com o EP, apenas conseguimos fazer uma pré-produção caseira mais elaborada, o que se justifica visto o álbum exigir de nós muito mais dedicação e investimento. Sem dúvida o som está mais maduro, mas penso que o próximo álbum vai mostrar outro lado dos Kandia. Não queremos ficar presos ao mesmo tipo de som, queremos explorar outras vertentes e sonoridades. Em relação à gravação correu tudo normalmente, estávamos em “casa” com pessoas que conhecem e participaram no nosso projecto e o resultado está aí e estamos satisfeitos. A vossa formação conta apenas com 2 elementos fixos, sendo que têm mais elementos para as vossas actuações. Acham que ninguém será capaz de acompanhar o vosso ritmo de composição e gravação

ou preferem fazer as coisas sozinhos? Essa é sem dúvida a pergunta que mais nos fazem. A verdade é que não somos os primeiros e não seremos os últimos a ter este formato. A questão é que este projecto nasceu dos dois e é de facto muito pessoal e infelizmente não temos a disponibilidade que gostaríamos para estar horas numa sala de ensaio a compôr. Tudo se torna mais fácil quando estamos em casa e de um momento para o outro surge uma malha e podemos gravar e desenvolver. Temos connosco músicos que se dedicam ao projecto e acima de tudo são nossos amigos e há democracia (risos). No entanto este projecto é, acima de tudo, um investimento nosso, um risco que ambos decidimos correr, foi uma escolha nossa. Já há reacções a «Inward Beauty | Outward Reflection» por parte dos vossos seguidores? Temos recebido algum feedback de amigos e fans que adquiriram o CD; até agora não houve nenhum comentário desmoralizante. Acho que o álbum está a ter o efeito que queríamos - quem ouve identifica-se com o som e as letras e acha-o viciante - é esse tipo de feedback que temos recebido. A vossa artwork e imagem no geral é fantástica. Quem é o responsável? A nossa imagem está a cargo da Drone Graphics, que é o mesmo que estar a cargo do André: o layout do myspace, conceito do CD, etc mas a imagem da capa do álbum especificamente é do Shawn Coss um designer americano. Em pesquisa pela net encontramos a imagem no dA dele e nunca mais conseguimos descansar enquanto não a compramos. Era exactamente o que tínhamos idealizado para a capa. Mas basicamente é tudo gerido e realizado por nós neste momento. Para finalizar: há planos para uma possível “pequena-internacionalização” e apostar no mercado estrangeiro? A vontade está cá e não vamos desistir, pode ser que entretanto alguém decida dar um “empurrãozinho” (risos). Entrevista: Joel Costa


Em 2004, surgem os Imperium Dekadenz, formados por dois amigos, fãs de black metal. Menos de seis anos depois, criaram um estilo característico, apoiado em contrastes fortes, mas sabiamente equilibrados. Aproveitando a saída do seu novo álbum – “Procella vadens” – editado pela prestigiada Season of Mist, contactámos Horaz e Vespasian para explorar os meandros que levaram a um tal sucesso.

Ouvi com muita atenção o vosso último álbum – “Procella vadens” – e houve alguns aspectos que me pareceram verdadeiramente fascinantes, tais como o equilíbrio na composição (com uma intro curta e instrumental e uma outro com as mesmas características) e alguns contrastes (por exemplo, quando combinam vocais femininos muito melodiosos com uma voz masculina bastante agreste). Esta descrição parece-vos adequada?

Horaz: Esses contrastes criam a atmosfera profunda que caracteriza este álbum e que põe o ouvinte em contacto com mundos e sensações diferentes e é


exactamente isso que nós pretendemos. Vemos a música como algo que te dá a possibilidade de experimentar algo que a vida normal não te pode dar, em termos intelectuais e afectivos. É difícil manter o equilíbrio recorrendo a contrastes dessa natureza. Não queremos que a nossa música seja monótona, mas também não pretendemos que se torne muito cansativa para o ouvinte.

Há pouco tempo, entrevistei uma banda recente, de black metal, que se recusava a ver a sua música qualificada como “romântica” (na acepção estética do termo). O romantismo – visto desta maneira – parece constituir a essência deste vosso terceiro trabalho. Está presente na música, nos temas que escolheram para o título do álbum e das músicas, na própria arte. O que pensam disto?

Concordo plenamente. Aliás, o ambiente ou atmosfera criados pelo black metal assentam em fundamentos estéticos que vêm do Romantismo. À primeira vista, esta afirmação pode parecer estranha, mas, se comparares a estética do black metal com a pintura, as melodias negras e ricas, o gosto pelo misticismo e por paisagens agrestes e desoladas, por histórias de tempos passados e esquecidos e o culto da melancolia característicos da estética romântica, verás que os ingredientes são os mesmos. Mas nem tudo é romântico no black metal. Também aí encontramos elementos originais, tais como temas associados ao ódio, ao desespero, à destruição, ao paganismo…

Contudo, escolheram para a vossa banda um nome que evoca o classicismo. Como conseguem combinar estas tendências quase opostas?

Geralmente, os opostos atraem-se gerando uma energia fantástica, indispensável para criar emoções. E esse é o objectivo do nosso trabalho. Por outro lado, pensamos que o classicismo e o romantismo combinam perfeitamente. Será que o classicismo não é uma espécie de romantismo? Pareceme que actualmente vemos o passado com uma perspectiva muito romântica.

A vossa banda é constituída por dois elementos. Têm mais ou menos a mesma maneira de encarar a música que fazem ou precisam de negociar muito para chegarem a um acordo?

Temos perspectivas muito semelhantes sobre a música, mas temperamentos diferentes, que influenciam a nossa arte. Sinto que a atmosfera especial dos Imperium Dekadenz resulta da combinação entre mim e o Vespasian. Quando estamos a compor,

conseguimos harmonizar-nos. E a nossa regra de ouro é: nada de compromissos, nem de decisões apressadas.

No “Procella vadens”, produziram um black metal muito melódico e atmosférico. Notam diferenças, comparando este último álbum com os anteriores? O som deste último trabalho é mais natural e mais forte. A estrutura das canções é mais épica e combinámos passagens agrestes com passagens acústicas/ambientais. Tencionamos continuar nessa direcção, com o propósito de melhorar o nosso estilo, mas sem comprometer a atmosfera especial criada pelos Imperium Dekadenz, nem a autenticidade do black metal.

Como se relacionam com outras bandas da cena black metal europeia, tais como Blut Aus Nord, Burzum, Darkthrone ou até Alcest? Qual vos parece ser o lugar que ocupam na cena germânica? Seriam capazes de referir algumas bandas alemãs que vos tenham influenciado? Parece-me que não há nenhuma banda germânica de black metal que se assemelhe aos Imperium Dekadenz. É claro que não pensamos que fizemos algo absolutamente novo, mas sentimos que estamos a deixar marcas especiais na paisagem musical do nosso país. Como vivemos a nossa adolescência nos anos 80 e 90, fomos profundamente influenciados pelas bandas norueguesas e penso que isso se nota na nossa música. Mas também recorremos a momentos épicos de uma forma dramática, o que nos distingue dessas bandas. Uma banda germânica de BM que aprecio muito é Lunar Aurora. E também me deixo influenciar pelos suíços Paysage d’Hiver.

Na vossa perspectiva, por que razão os apreciadores de música clássica têm tendência para detestar o metal, em geral, e o black metal, em particular, quando, se compararmos os dois géneros, encontramos semelhanças? Por exemplo, a música clássica do séc. XIX é épica, tal como o black metal.

Quando se toca um trecho clássico no estilo do black metal ou uma canção de black metal no estilo clássico, obtém-se um resultado impressionante. Estou a pensar, por exemplo, em Thru Corridors of Oppression, dos Shining, que é um cover da Marcha Fúnebre de Chopin. Portanto, o que importa mesmo não é a melodia ou a estrutura do trecho musical, mas sim a forma como é interpretado, tocado. E, entre estilos opostos, há uma miríade de variações possíveis.

Por que razão as vossas músicas são predominantemente instrumentais?


Vespasian: Comparando com outras bandas de black metal, até me parece que a nossa música recorre muito à voz. No entanto, nós nunca planeamos esses detalhes à partida. O que aparece num canção está lá, porque soa bem e se adapta ao estilo dos riffs.

Desde o tempo em que eram fãs de metal a ouvir as vossas bandas favoritas até à actualidade, em que são vocês a actuar para os vossos fãs, percorreram um longo caminho. Quais foram os momentos mais gloriosos na caminhada para o sucesso? E os mais deprimentes? Muito simplesmente, aprendemos que os nossos desejos se podem converter em realidade, se lutarmos com afinco pelos nossos sonhos. E também que a amizade é a melhor base para um projecto tão ambicioso! Para ser honesto, quando começámos, nunca pensámos que teríamos tanto sucesso. Deixávamo-nos guiar pelas nossas emoções.

Como viveram a passagem da Perverted Taste para a Season of Mist? Esta mudança teve muita influência no vosso trabalho? Porquê?

Com essa passagem, mudou quase tudo! A SOM é muito mais profissional, tem uma distribuição muito melhor e as pessoas que trabalham para esta editora

interessam-se realmente pela nossa banda. Temos relações muito amigáveis com todos!

Planearam alguma digressão para apresentar este álbum? Sim, estamos agora mesmo a tratar disso. Mas ainda é muito cedo para dar informações sobre esse assunto.

É fácil recriar a atmosfera muito especial da música dos Imperium Dekadenz num palco?

Felizmente, temos músicos fantásticos a tocar connosco ao vivo. Com a ajuda deles, não é difícil recriar essa atmosfera no palco.

Há alguma mensagem especial que queiram deixar aos nossos leitores, para eles darem atenção à vossa excelente música? Ouçam a nossa música e tentem captar as emoções especiais que passam pelos nossos álbuns. Serão certamente importantes para o dia-a-dia! Morituri te salutant!

Entrevista: Cristina Sá


Os irmãos Koskinen, estão de volta para mais uma viagem na sua atmosfera épica de canções melancólicas, repletas do fantasioso e imaginário Folk Metal. A simpática Leeni-Maria Hovila desvenda aqui na VERSUS alguns detalhes de “Betrayal, Justice, Revenge”.


A popularidade do Folk metal rebentou ao longo da última década, com os Turisas, Finntroll, Korpiklaani, etc. O que é que vocês oferecem que as outras bandas não? Contrastes mais amplos, desde o agressivo extremo até ao metal mais feminino, melódico, do género de fantasia filme musical. Espero eu. O que podemos esperar no novo álbum? Um desempenho mais completo que o anterior. Mais maduro. O material está a tornar-se mais extremo do que na nossa estreia. Afinal, o «Shadowheart» foi uma colecção de músicas da história da banda de 2002 até 2008. Isto significa que tinha material muito variado. E os sons também serão completamente diferentes. Quando começaram a gravar o “Betrayal, Justice, Revenge”, o segundo álbum, o que sentiram? O que sentiram no início da gravação? Um grande desejo de desforra sobre o último. Queríamos melhorar imenso. Claro que houve aquele pequeno momento de pânico de último minuto como sempre, e algumas letras e vozes tiveram que ser afinados na cabine de voz como de costume. Com o sucesso do primeiro álbum, sentiram alguma pressão em escrever e gravar este? Não propriamente, não daquela maneira em que ouvimos as pessoas dizer que quando se tem sucesso no primeiro álbum é fácil ficar “paralisado” sob pressão por ter que criar um segundo que, no mínimo, terá que ir de encontro às mesmas expectativas. Acho que não sentimos isso porque sabíamos que tínhamos de melhorar imenso e que o íamos fazer, não importa o quê. Por isso não houve um momento de bloqueio criativo causado pelas expectativas. Ainda assim fomos preguiçosos durante o Verão e tivemos que acelerar o ritmo visto que as horas de estúdio estavam a ficar apertadas.

Mas nem assim houve muita pressão. Acham que a Century Media Records está a fazer todos os possíveis para vos promover e a dar-vos as tournées necessárias para vos suportar como banda? Não tenho a certeza absoluta do que eles estão a fazer na prática, uma vez que ainda não tive tempo para descobrir. Mas estamos bastante contentes com eles. Eles são uma boa companhia para se estar associado. É difícil ser a única mulher numa banda de homens? Nem por isso, não, mas já me disseram que sou algo engraçada para uma mulher e isso pode ser um factor. Não fico frustrada com os rapazes. Consigo estar no meu mundo e a ouvir as histórias deles com o outro ouvido. Quando eles ficam um pouco bêbados e começam a recordar sentimentalmente os seus dias no serviço militar, as coisas correm bem. As bandas de metal lideradas pelo sexo feminino tornaram-se muito populares, mas ainda é algo recente com o folk metal. Achas que isso está prestes a mudar? Acho que sim, mais tarde ou mais cedo, como tudo tem mudado. Não existe motivo para não acontecer. Por exemplo, fomos bem recebidos no “Metal Female Voices Fest” (como é que uma pessoa se lembra em que ordem se dizem estas palavras??) apesar de termos a noção que éramos a banda de metal mais extrema por lá. Ainda assim, gostaram de nós. Por isso resulta. Obrigado pelo tempo cedido para esta entrevista. Tens algumas palavras para os leitores da Versus? Venham ver-nos ao vivo se tiverem a hipótese. Ouçam o nosso novo álbum. Cuidado com os magos zangados. Rock’n’ Troll! Entrevista: Paulo Perdiz


«Deathcore Glamour» foi eleito pelos leitores da Versus Magazine como o melhor álbum nacional do ano de 2009. Falamos com os Unbridled sobre o prémio, a tour e os planos para o futuro. Foram os vencedores do prémio Versus Magazine para melhor álbum nacional. Este tipo de nomeações é importante para vocês? Obviamente, é muito importante para nós este tipo de nomeações, é sempre uma motivação extra! São este tipo de nomeações e iniciativas que não só são importantes para nós como também para toda a comunidade do metal nacional.

Alguma vez na vossa carreira sentiram que o público não estava do vosso lado? Penso que não. É difícil agradar a toda a gen-

te, mas no geral, sempre tivemos um grande apoio por parte do público principalmente nos concertos ao vivo onde são sempre 5 estrelas. Era impossível para nós continuarmos se não tivéssemos o famoso calor do público lusitano do nosso lado.

A promoção de «Deathcore Glamour» continua. Têm vindo a criar novas composições para integrar num novo registo ou de momento estão focados na promoção do último álbum? De facto, o “Deathcore Glamour” continua em promoção juntamente com o Split EP “Glamo-


rous Chaos”, não estamos a pensar em mais nenhuma tour mas apenas em alguns concertos específicos, pois neste momento já começámos a criar material para integrar num novo trabalho, por isso, pode-se dizer que estamos a conciliar as duas coisas.

Foi lançado um split-cd desde a última vez que falamos, em conjunto com os The Last of Them. Sentem que há união no Metal nacional?

A questão da União no Metal nacional é pertinente. Normalmente as bandas que se unem mais têm como elo o “sub-género” ou se preferirem o “rótulo” que lhes é colado à partida e até acho que é mais forte esse elo do que propriamente o factor de proximidade regional. Nós não fazemos esse tipo de distinções musicais nas nossas amizades como banda, damos sim muito mais importância ao nível humano de cada um. Claro que a sonoridade tem o seu papel de identificação e é bastante importante quando, por exemplo, se planeia uma tour em que não faz muito sentido tocarem duas bandas que pouco se identifiquem ou complementem. Voltando à questão penso que de uma forma geral existe uma razoável união entre bandas e digo razoável porque acho que podia ser bem melhor.

Fizeram um tema em conjunto. Como foi essa experiência?

Foi uma experiência única que certamente vamos querer repetir com os The Last of Them não só por serem músicos excepcionais

mas por serem também um grupo de pessoas fantástico que se identificam bastante bem connosco no aspecto humano, sendo que as duas bandas se complementam musicalmente.

Destacam alguma mudança no vosso espírito ou sonoridade ao comparar «Deathcore Glamour» com o split «Glamorous Chaos»?

Quando abraçamos um trabalho novo temos como norma tentar superar o trabalho anterior tecnicamente, isto é, sermos mais rápidos, mais fortes e mais dinâmicos, penso que se pode notar a evolução da sonoridade desde o nosso primeiro trabalho até ao último.

Para finalizar, o que têm para dizer a quem votou em vocês?

Queríamos deixar uma mensagem de profundo agradecimento a todas as pessoas que votaram em nós. É com muito orgulho que acolhemos este nosso primeiro prémio a nível nacional, e a única forma que encontramos de agradecer a essas pessoas é continuar o nosso trabalho e dedicar-lhes este prémio. Gostaríamos também de deixar o nosso agradecimento à Versus Magazine e a todas as pessoas que colaboram com a revista por nos terem nomeado. Vamos continuar a trabalhar no duro para que na próxima edição possamos estar nomeados mais uma vez, fazemos um apelo para que esta iniciativa continue todos os anos é de extrema importância para a revitalização da música alternativa em Portugal.

Entrevista: Joel Costa

«Deathcore Glamour» foi votado como o melhor álbum nacional de 2009 pelos leitores da Versus Magazine. O meu voto não foi direccionado à banda, mas as mais de 400 votações fizeramme querer voltar a ouvir o disco, com a melhor das atenções. Deparei-me com uma sonoridade extrema que acordou alguns fragmentos já adormecidos da minha memória e foi o necessário para entender a razão desta escolha. Não é que a banda tenha mais amigos que as outras, pois a julgar por comentários algo depreceativos e desmoralizantes que encontrei pela internet, deu para entender que no caso dos Unbridled não existe algo como um meio termo: ou se gosta, ou se odeia e eu estou no primeiro grupo. Nesta coluna farei algo que não é habitual, ao fazer uma segunda review do mesmo álbum, sendo que a primeira crítica pode ser lida na edição de Setembro, sem nota. A opinião mantém-se: a evolução é notável, não há dúvida de que a qualidade está lá e será, com o devido tempo, um nome de referência nacional. Se a música é arte, então «Deathcore Glamour» é uma excelente peça, que tal como muitas outras, não pode ser entendida por todos. Nota final: «Deathcore Glamour» não só deve ser um orgulho para a banda, como também para nós, Portugueses. [Joel Costa]


O vosso novo álbum, «Death Of Romance», foi agora lançado. Musicalmente, quais são as diferenças entre este novo registo e os anteriores?

Alex: Gravar «Sinners International» foi muito inspirador para nós. Finalmente tivemos a oportunidade de produzir, gravar e misturar o álbum nós próprios e encontramos a maneira perfeita de trabalhar a nível técnico e criativo. Com «Death Of Romance» continuamos com o mesmo processo e aumentamos a rentabilidade deste esforço em conjunto iniciado no «Sinners» e o resultado foi fantástico. Soa melhor, é intenso e é também um álbum muito profissional. Estou orgulhoso! Todos os músicos deram o melhor de si neste projecto. Somos uma família agora e nada pode bater isso. Kim: Sinto que este álbum é Zeromancer

até aos ossos. Aperfeiçoamos aquilo que fizemos em «Sinners» e abordamos um pouco os aspectos mais negros da banda desde a última vez que estivemos em estúdio. Vejo «Death Of Romance» como um documento bastante pessoal da banda. É quase como uma celebração da união que temos agora.

O que querem dizer com o título do álbum? Entendem «Death Of Romance» como a morte de um casal?

Kim: «Death Of Romance» é um título muito complexo para mim. Simplesmente não conta ambos os lados da história. Para mim, é como um álbum homónimo... O reflexo do nome Zeromancer: Zero e Romance aka sem amor. Existe um historial grande de bandas que acabam por lançar um álbum com o nome da banda. No entanto éramos muito novos na altura em que


lançamos o primeiro registo e não tínhamos a experiência necessária para o fazer. Agora sentimos que temos o que é preciso... a idade e maturidade necessária para ter um título grandioso como este. Claro que a nível pessoal, tivemos a nossa quota parte de corações partidos e romances enterrados e estas experiências ficam connosco atravessadas no nosso coração. O título para este álbum foi baseado numa pesquisa efectuada cujo objectivo era determinar quanto tempo é necessário para acabar o romance após o casamento: dois anos, seis meses e vinte e cinco dias foi à conclusão que chegaram.

A imprensa tem comparado «Death Of Romance» com «Razorblade Romance» dos Him. Em que é que estes álbuns são similares?

Kim: Honestamente, não partilho da mesma opinião. Mas acho que isso estará relacionado com o sentimento grandioso manifestado nos dois álbuns... o título, o romance e o facto de sermos ambos escandinavos.

Como foi o processo de gravação?

Alex: Inicialmente fazemos sempre demos para nos guiarmos. Normalmente gravamos primeiro a bateria e focamo-nos na performance. Depois disso gravamos os elementos básicos e construímos uma faixa num ritmo vagaroso. No fim adicionamos um pouo de programação e outras gravações antes da mistura ter início. Kim: As demos são bons guias para chegarmos ao resultado final. Por vezes mantemos muitas coisas das gravações iniciais uma vez que essas mesmas gravações possuem os sentimentos originais e dificilmente são recriados.

partilho da mesma opinião. Mas acho que isso estará relacionado com o sentimento grandioso manifestado nos dois álbuns... o título, o romance e o facto de sermos ambos escandinavos.

Como foi o processo de gravação?

Alex: Inicialmente fazemos sempre demos para nos guiarmos. Normalmente gravamos primeiro a bateria e focamo-nos na performance. Depois disso gravamos os elementos básicos e construímos uma faixa num ritmo vagaroso. No fim adicionamos um pouo de programação e outras gravações antes da mistura ter início. Kim: As demos são bons guias para chegarmos ao resultado final. Por vezes mantemos muitas coisas das gravações iniciais uma vez que essas mesmas gravações possuem os sentimentos originais e dificilmente são recriados. Vou entrar agora num longo período de tour. De que é que mais gostam nisto? Alex: Conhecer os nossos fãs e dar concertos estrondosos. É a nossa maneira de mostrar o quanto respeitamos os nossos fãs mais dedicados. Foram eles que tornaram realidade os nossos sonhos e nunca nos esqueceremos disso. Espero ver caras novas também. Tocar ao vivo é o melhor sentimento do mundo e estou muito entusiasmado com esta tour. Kim: Estar em tour é como uma fuga do stress quotidiano. Eu sofro de enxaquecas crónicas e tenho dois ataques por dia. O engraçado é que quando estou em tour, as dores não são tantas e o número de ataques baixa. Adoro este sentimento de estar em andamento... conhecer lugares novos, sentir-me sozinho e perdido...

Entrevista: PromoFabrik


Você começou com os Claustrofobia muito cedo. Como se deu a formação da banda?

Marcus D’Angelo: Bom, tudo começou em 1991 quando conheci o Daniel (Bass) na terceira série da escola. Um ano mais tarde através do irmão de um amigo conhecemos Iron Maiden e aquelas capas mais insanas e maravilhosas do Metal. Aquilo nos fascinou e simplesmente a vida já fez sentido logo cedo pra nós. O Caio (Batera) é meu irmão e sempre esteve por perto e começou a gostar também fazendo as coisas do jeito dele. Daí começar a tocar foi apenas um passo. Tinha um violão na minha casa e peguei gosto mesmo pela coisa, fizemos o Daniel comprar um baixo tosco e assim começou a brincadeira. Em 1994 eu e outro baixista montamos o Claustrofobia, já que o Daniel começou a tocar com outros amigos. Mesmo o Daniel tocando em outra banda, estávamos sempre juntos, mas no mesmo ano Daniel retornou pra banda. Tínhamos outro batera e mais um guitarrista. Quando o batera saiu, o Caio era mais novo mas sempre foi apetitoso e aprendeu a tocar na raça e tá aí hoje sendo parte importantíssima e crucial na parte criativa da banda. Finalmente em 1996 o Alexandre (guitarra) entrou na banda, o que foi crucial para começarmos a definir nosso estilo. E assim o Claustro é isso que vocês ouvem hoje em dia, nada demais, nem de menos, apenas o amor pelo som porrada e assim estamos felizes com os resultados alcançados, pois a banda esta sempre andando pra frente não importa o quanto é o tamanho da dificuldade. Estamos com o mesmo line up desde 1996 e temos conquistado fãs um a um desde a primeira vez que subimos num palco!

Sei que você deu o seu primeiro show com apenas 13 anos. De que é que se lembra dessa altura? Nosso primeiro show foi em Pirassununga/SP – Brasil no começo de 1994 num bar no meio do mato onde parecia deserto e então, mais tarde, estava totalmente lotado de loucos e eu tinha apenas 13 anos. Me recordo que cortei minha mão numa Fender emprestada da outra banda e fiz o show com a guitarra cheia de sangue! Eu estava tão nervoso que já pensei em desistir dessa vida de Headbanger ali mesmo (risos) mas logo após os primeiros acordes de South Heaven do Slayer (cover que tocamos) todo mundo começou agitar e foi a melhor sensação da minha vida. Desde lá dedico minha vida integral ao Claustrofobia! E até nos dias atuais temos a mesma sensação, então enquanto existir isso teremos motivos e inspiração para continuar.

Lembro-me da primeira vez que ouvi Metal. Não me recordo do tema, mas sei que foi Sepultura, no tempo do Max Cavalera. Os Sepultura também fizeram parte da sua

infância? Contribuíram, de algum modo, para o nascimento dos Claustrofobia?

Costumo dar a mesma resposta quando me perguntam sobre a influência do Sepultura na vida do Claustrofobia! Temos muito respeito pelo Max, Igor, Andreas e Paulo. Eles são o Sepultura pra nós e esses 4 guerreiros foram nossos heróis. Tudo que somos devemos muito a eles e ainda olhamos pra eles como ídolos. A formação clássica do Sepultura é totalmente inspiradora! Hoje cada um deles segue seu próprio caminho de forma diferente e respeito todos eles por isso. Não estamos do lado de ninguém, temos respeito por todos pelo que fizeram e é assim que funciona pra nós. Ser comparado com eles é elogio e posso garantir que não os copiamos, mas também confesso que temos o mesmo tipo de energia deles naquele tempo. Aprendemos com eles a seguir nosso próprio caminho!

O que vos fez decidir gravar uma cover dos Sepultura?

Acho que a resposta anterior responde essa pergunta também (risos)! Beneath the Remains é um dos nossos discos favoritos do Sepultura. Sempre tocávamos essa música nos shows. Então decidimos fazer a homenagem a essa banda e essa época que mudou nossas vidas. Fizemos a versão 100% fiel à original mas com nosso próprio estilo!!!

Já têm alguns anos de existência e apenas 4 álbums de estúdio. Porque motivo existe este grande intervalo de tempo entre os lançamentos da banda?

Queremos dar nosso melhor em cada disco. Muitas coisas conteceram nesses anos e no “I See Red» acho que foi o maior intervalo de todos. Fomos compondo o “I See Red” sem pressão, redefinindo o estilo, sentindo o que era bom ou não. Na hora certa ele veio à tona com força total e saiu muito mais naturalmente que poderíamos imaginar. Desde “Fulminant” pra cá tivemos muitas experiências que mudaram nossas Vidas. Alguns podem falar que demoramos muito, mas o que importa é que cada um é cada um, pra cada banda acontece de um jeito e com o Claustrofobia é assim e isso não quer dizer que demoraremos mais 5 anos pra lançar o próximo, pois “I See Red” nos deu uma ampla visão e muitas possibilidades artísticas que estão aparecendo em nossas entes. Atualmente temos produzido muito mais que o normal e agora as coisas vão fluir muito mais rápido com certeza.

Existe algum tipo de apoio entre as bandas Metal no solo Brasileiro ou sentem que estão sozinhos neste meio?

Existem algumas bandas que sempre vibram pelo bem da outra, e vou te falar que isso acontece entre as boas bandas, incrível né? Quem luta pelo seu espaço , pelo seu próprio som não precisa temer


nada e a união só fortalece. As bandas que ficam ai querendo falar demais, dizem que apóiam uma cena mas não fazem nada além de ficar envolvido com vermes da cena e falar mal de quem luta pela originalidade, ficam por ai brincando de banda enquanto outras lutam pela evolução da Musica Metal. Existem também uma concorrência desonesta com bandas que tem dinheiro pra poder brincar de banda então a gente tem que trabalhar dobrado pra fazer as coisas acontecerem de verdade. São altos e baixos como em qualquer cena mundial. Passamos por maus bocados nos ultimo dois anos mas por outro lado temos total apoio dos fãs que fazem as coisas acontecerem realmente de verdade e não de mentira.

Porquê «I See Red»? Que tipo de mensagem procura passar com as suas letras?

É uma longa historia e tem haver com a resposta anterior (risos)! Devido a tantas coisas que aconteceram entre o lançamento do “Fulminant” até agora não tinha nada mais óbvio do que colocar o nome do disco de “I See Red” além de fazer a música título. Isso esteve na minha cabeça por anos. Somos praticamente uma banda independente, conquistamos tudo sempre sozinhos. Com a necessidade de sobrevivência da própria banda começamos a sentir forte na pele muita hipocrisia, muita falta de apoio real a quem realmente merece, política e concorrência desonesta no Metal.

Nunca fizemos parte disso, a gente simplesmente ama o que faz, a música nos move, nos dá energia pra viver, entregamos a vida, desde quando éramos crianças, pro Rock e hoje temos que fazer a banda existir. Então foi uma sucessão de coisas que aconteceram que nos deixavam revoltados e isso foi transformado em música, em letras, o que fez de tudo isso algo saudável. Sabe, verme é o que não falta, traidor também, e isso foi nos dando força pra agir e fazer acontecer do jeito que tem que ser, com atitude, respeito, dignidade e sangue nos olhos, entende? Ninguém pode tirar o que conquistamos, pois é nosso e de mais ninguém. Então seria mais ou menos essa mensagem que o play passa, não só a música título, mas ele por inteiro. Além de o som


tanto, nessa vc aprende muito a como lidar com situações! O funcionamento da equipe, o andamento do show é uma coisa que gostamos de prestar atenção e aprender com os mestres. Então é sempre bom fazer parte disso de alguma forma, mesmo que seja sendo uma banda de abertura. E tem outro lado também que é vc pisar no mesmo palco de uma banda que realmente te influenciou e quando vc repara esta la, no mesmo palco, dando a mão pro cara e o cara te respeitando. Isso não tem preço também.

Há planos para um novo disco a sair pela Candlelight Records?

ser a trilha sonora desejada pra dar a intenção de tudo isso.

que ninguém, mas creio que tem um estilo próprio sim.

Não sei se a palavra “influência” será a mais correta, mas noto que o vosso jeito de tocar é muito semelhante com algumas bandas conhecidas do Brasil. Podemos dizer que existe algo chamado “Metal Brasileiro”?

Como tem sido a reacção do público ao novo disco e aos concertos?

Eu creio que sim. Temos um jeito de encarar a vida aqui no Brasil que com certeza reflete na música. A vida aqui não é fácil, só nós sabemos o quanto é difícil conquistar as coisas, comprar um instrumento, etc então o valor é grande. O Brasil tem uma cultura musical muito rica e as bandas mesmo que inconsciente tem isso no sangue. O Sepultura mostrou isso explicitamente para o mundo e depois disso a renovação foi geral com as bandas daqui. Mesmo antes disso na época do Sarcófago, Mutilator, Korzus, etc, e toda aquela cena maravilhosa dos anos 80 você já percebia um diferencial na pegada musical das bandas. Depois do Sepultura isso ficou mais evidente. Isso tudo não nos deixa melhor nem pior do

A melhor possível! Tanto no Brasil quanto na Europa todos os show tem sido quentes e energético. Não temos do que reclamar, isso nos da motivo de manter a fé pelo nosso som. Esse disco I SEE RED foi feito com muito coração, gostamos muito dele e é o começo de uma nova Era para o Claustrofobia! As musicas funcionam muito bem nos shows e é isso que importa. Todo trabalho e dedicação é feito para o momento de subir num palco e mostrar como que faz, detonar mesmo. Estamos felizes com a reação da audiência e vai ficar melhor ainda.

Já tocaram com bandas bem conhecidas. Como foi para vocês essa experiência? Extremamente importante. Existem várias situações, vc vê pessoas dessas bandas que são humildes, outras que não são, bandas profissionais e outra nem

Sim assinamos um contrato para dois álbuns mas ainda sem previsão de lançamento, dependendo o que o I SEE RED proporcionar para ambas as partes o próximo com certeza virá através da CANDLEIGHT! Estamos prontos pra cair na estrada e mostrar nosso som cara a cara. Agencias, promotores, etc. entrem em contato.

Para finalizar... Há planos para tocar em Portugal no futuro?

Com certeza! Infelizmente as 2 vezes que tocamos na Europa não foi possível ir até Portugal. Temos muita vontade pois é um país onde falamos a mesma língua e tem muito vinculo devido a toda historia que todos conhecem. Com certeza um dia estaremos ai mostrando pra que estamos nessa, queremos compartilhar nosso Metal com vcs. Espero que não demore muito, vamos cruzar os dedos. Obrigado de coração pela oportunidade e o espaço para falar sobre as idéias do Claustrofobia. Isso significa muito para nós. Grande abraço e saúde a todos. Metal Malóka!

Entrevista: Joel Costa


Brutalmente influenciados pelo Metal dos anos 80 e 90, o colectivo Brasileiro falou-nos um pouco do seu novo álbum e das participações especiais de renome a que tiveram direito. Eis Astafix: Reparei que são muito influenciados pelo Metal dos anos 80 e 90. Acham que o Metal sofreu uma evolução? Gostam das novas bandas que aparecem por aí? Wally: Realmente temos grande influência de bandas como Slayer, Nuclear Assault, Kreator, Sacred Reich, Destruction, Sepultura... Com certeza, o Metal está sempre evoluindo, e trazendo bandas novas muito boas como, Sybreed, Despised Icon e White Chapel.

Demorou algum tempo para fazer o «End Ever». Porquê essa demora?

Quando estava gravando o «End Ever» , estava também em tour com outra banda, por isso a demora. Restava pouco tempo para trabalhar no disco.

De que nos fala o tema «Red Streets»? É alguma abordagem à violência do Brasil?

«Red Streets» fala sobre terrorismo. Pode acontecer em qualquer lugar, infelizmente o mundo está doente.

Você teve muitas colaborações neste disco. Quem é que você convidou e o que é que seus convidados fizeram em «End Ever»?

Sim, Andreas Kisser do Sepultura gravou o solo da Red Streets, Demian Tiguez que era do Symbols gravou o solo de Drown your World e Seven, Paul X do Monster gravou o Baixo em Cipher e The Havoc Clutch, Shark do Chipset Zero dividiu os vocais comigo em The Havoc Clutch. Todos eles são grandes amigos da banda, só enchemos a geladeira do estúdio de cerveja e eles vieram pra gravar.

Para concluir, que planos há para o futuro dos Astafix?

Muitos shows. Queremos mostrar o «End Ever» ao vivo e tomara que não demore muito pra tocarmos em Portugal !

Entrevista: Joel Costa


Os Impéria são quase uma banda de família. Como nasceu este projecto?

Desde pequenos, meu irmão, meu primo e eu sempre tivemos uma ligação muito forte, então, quando o interesse por fazer música surgiu, foi natural que nós três estivéssemos juntos. A ideia de formar uma banda começou a amadurecer também com colegas de escola. Com o passar do tempo a brincadeira entre amigos acabou e nós três continuamos levando o projeto a sério, com o nome Impéria desde 1999. O fato de nos conhecermos bem ajuda muito, pois além de sermos da mesma família existe uma amizade muito grande entre nós. E sabemos o que queremos com a música e que nada vai nos afastar desse caminho. O Ricardo (Japa), que é nosso baixista desde 2005, também já está totalmente integrado com esse pensamento e isso faz de nós mais fortes a cada obstáculo

que ultrapassamos.

Na vossa biografia, dizem que as vossas letras são inteligentes. O que procuram abordar nos vossos temas?

O que procuramos apresentar é a nossa visão de mundo. O CD é conceitual e cada faixa conta um pedaço da história de um ser em evolução. O álbum traça um paralelo entre a evolução do mundo e de um personagem. A ideia é retratar algumas mudanças que são necessárias para uma evolução progressiva e consistente do mundo e das pessoas que o fazem. Atualmente é fácil notar que existe essa mudança acontecendo no mundo. As mídias convencionais cada vez mais noticiam tragédias, porque isso dá audiência, mas sabemos que as pessoas já estão mudando e existe um movimento silencioso de elevação acontecendo e ganhando cada vez mais força. Nosso


objetivo é dar voz a esse movimento e fazer as pessoas pensarem, crescerem e sentirem a confiança de que podem sempre melhorar. Tudo isso com um som que procura ser pesado e coeso, como nós gostamos. O álbum é forte, com muita personalidade.

A banda tem 13 anos, mas só agora estão a gravar o vosso primeiro álbum. Como tem sido o vosso percurso até ao momento? Nesses 13 anos de banda muita coisa aconteceu. Durante muitos anos atuamos em casas noturnas da cidade de São Paulo, tocando covers e algumas composições nossas. Composições essas que acabaram nos levando a criar o álbum que estamos finalizando atualmente. O processo de criação e gravação do álbum tem sido algo maravilhoso para nós. A começar com o fato de estarmos trabalhando com um dos principais produtores de rock do Brasil, o Fernando Magalhães. Além de produtor de bandas que fazem grande sucesso, ele é guitarrista do Barão Vermelho, banda que fez história no rock brasileiro, tendo grande projeção desde os anos 80 até os dias atuais. Além disso, encontramos no Studio Latitude, aqui de São Paulo, um grande parceiro que também tem nos ensinado muito sobre a nossa própria música.

Vocês preferem cantar em Português do que Inglês. Preferem que a vossa mensagem seja compreendida pelo público Brasileiro em vez de chegar aos ouvidos internacionais?

Na verdade, escrever nossas músicas em língua portuguesa foi algo natural. Não foi nada premeditado. Simplesmente as músicas começaram a aparecer e

nós as escrevemos. Admiramos muitas bandas que cantam em língua inglesa (somos fãs confessos de Dream Theater, por exemplo), mas acreditamos que para mudar o mundo é necessário primeiro mudar a comunidade da qual fazemos parte. Sabemos que nosso país é maravilhoso, mas também sabemos que ele ainda tem muitas coisas a melhorar, uma delas é que as pessoas precisam perceber que só vão melhorar o mundo começando as mudanças nelas mesmas.

O que têm planejado para a promoção do álbum?

Estamos estudando parcerias que nos ajudarão na promoção do álbum. Dentro de pouco tempo teremos ótimas novidades com canais de divulgação e vendas de downloads, cds, shows e outros produtos relacionados à banda. Ainda não podemos revelar mais sobre esse assunto.

Para finalizar, alguma hipótese de passarem por Portugal para apresentarem o vosso disco?

Sim, sabemos que o rock’n roll é muito forte em Portugal, e por ser um país considerado irmão do Brasil, queremos muito chegar até aí. Aos produtores de shows e eventos ai de Portugal fica o recado de que estamos sempre disponíveis para levar nossa música. Seria muito importante levar nossa mensagem para outras nações, em especial as que também falam a língua portuguesa. De repente um convite para um festival ou evento...seria muito gratificante. Entrevista: Joel Costa


ALCEST «Écailles de Lune»

[2010 / Prophecy Productions]

Depois dum disco como «Souvenirs d’un autre monde», que não trouxe mais do que uma pálida imagem do black metal original dos Alcest com a sua base temperada de guitarras saturadas, muito ficou em aberto em relação ao que a mente criativa de Neige seria capaz de arquitectar a seguir. Com o segundo álbum finalmente disponível, a primeira coisa que ocorre dizer é que estamos perante a realização mais genial até agora do multiinstrumentista francês, que é também o único responsável por este projecto. A maior novidade a realçar é sem dúvida a inclusão de algumas tiradas rápidas que nos podem fazer recuar cinco anos no tempo, até ao EP “Le Secret”. Contudo, ao invés de soarem negras e frias, estas breves passagens de black metal soam grandiosas e até animadoras, contribuindo decisivamente para criar aqueles que são os trechos mais sublimes de todo o álbum: “Écailles de lune, pt II” e “Per-

cées de lumière”. Mas apesar do toque mais agressivo, este é um trabalho que tem tudo a ver com “Souvenirs…”, embora exiba uma progressão notável, em todos os aspectos, em relação a esse disco de 2007. Dominado por um manto sonoro que emana sentimentos de pesar e nostalgia, feito de acordes límpidos com uma certa reverberação tremeluzente, linhas melódicas perfeitas que apaixonam à primeira audição e, claro, a voz tranquila de Neige que flutua etérea, chegando a soar até inocente, «Écailles de Lune» é assim como uma espécie de passagem secreta para uma dimensão surreal, intangível; um mundo de sonhos, fascinante e assustador ao mesmo tempo. [9/10] [Ernesto Martins]


ACRASSICAUDA «Only the dead see the end of the war»

lhores momentos de James Hetfield. “The unknown” termina com mais meia dúzia de riffs encorpados e galopantes, daqueles que têm o estranho poder de induzir uma desenfreada agitação de cabeças. Depois do retrato heróico apresentado em “Heavy Metal in Baghdad”, aqui fica o imprescindível depoimento áudio dos Acrassicauda. [6.5/10] [Ernesto Martins]

[2010 / Vice Records]

Só o facto de serem provenientes da Bagdad do período pós Saddam, e de contarem com o orgulho de metalheads uma história de perseguição e ameaças de morte que os levou a exilarem-se primeiro na Síria, depois na Turquia e, por fim, já longe da demência islâmica, em Brooklyn, Nova York, deve ser suficiente para reconhecermos nestes iraquianos, a perseverança e os tomates que nós, ocidentais, com os nossos pequenos caprichos, nem sonhávamos ser possível. Mais do que qualquer banda de heavy metal, os Acrassicauda experimentaram, até meados de 2008, uma vivência literalmente “heavy metal”, e este primeiro trabalho, gravado já nos Estados Unidos, é disso um testemunho vívido. Produzido por Alex Skolnick (Testament) e fortemente influenciado pelos ícones do thrash que lhes serviram de inspiração desde o primeiro dia, o EP abre incisivo com “Message from Baghdad”, cujas malhas remetem desde logo para os Metallica dos 80s, ou mesmo para os Sepultura da fase “Arise”. O tema seguinte, “Garden of stones”, já aparece tingido de linhas melódicas e percussões do Médio Oriente, incluindo também alguns leads de se lhe tirar o chapéu. “Massacre” salienta-se pela raiva e desespero que os seus versos canalizam, e pelo tom vocal de Faisal Talal que nos obriga a recuar aos me-

ARISE «The Reckoning»

[2010 / Regain Records]

Ainda pouco conhecidos em Portugal, os Arise tentam com este quarto álbum, «The Reckoning», ultrapassar definitivamente as fronteiras da sua terra natal - Gotemburgo, Suécia - e alcançar uma posição cimeira no mundo do metal. Praticantes de um Death/Thrash metal, os Arise iniciaram a sua actividade em 1996, altura em que se limitavam a tocar covers de Pantera, Sepultura ou Machine Head e, passados cerca de 10 anos, deram um enorme passo na carreira com o aclamado terceiro álbum «The Beautiful New World», que lhes rendeu rasgados elogios na imprensa e permitiu realizar tours pelos festivais europeus, o que aumentou as expectativas no seu regresso a estúdio. A banda, que recentemente passou por um período de reflexão, culminando com a saída do vocalista/guitarrista e do baixista, alegadamente por divergências de opinião, não assumiu o peso da referida notoriedade na imprensa e do desfalque no

line-up, surgindo assim com este novo trabalho e nova formação, mantendo intactas as suas influências de At the Gates, Hypocrisy e Carcass, e a boa qualidade de composição e execução instrumental. Esta obra, composta por 10 temas, inicia-se com uma descarga de adrenalina, como o título da primeira faixa “Adrenaline rush” anuncia. Os duelos entre a bateria e guitarra, a cargo de Daniel Bugno e de LG, respectivamente, os elementos resistentes da banda, demonstram tecnicidade e domínio musical. Os temas são rápidos, violentos, destacando-se “They are coming for you”, “Reclaiming the soul” e “Dead silence” temas solidificados por bons solos, riffs de guitarra e pela voz agressiva de Patsy que só tem algum descanso no semiinstrumental “Pitch-black”, com cerca de 2.45 minutos, em “The Reckoning”, ou na faixa escondida no final do álbum, um tema ambiente típico de um filme western. De salientar ainda que o artwork de «Reckoning» ficou a cargo de Chad Michael Ward, artista que assinou trabalhos para Static X, Fear Factory, Marilyn Manson, entre outros, afigurando-se como um bónus a este trabalho. «The Reckoning» é assim um bom álbum, para amantes do género, que coloca os Arise num patamar superior ao seu anterior registo, mantendo incólumes as expectativas no seu futuro. [7.5/10] [Pedro Sá]

CREMATORY «Infinity»

[2010 / Massacre Records]


Os germânicos do gothic/ melodic death, Crematory, surgem este ano com o seu décimo primeiro álbum, antecedendo o lançamento do Best Of, agendado para 2011, como comemoração dos seus 20 anos de carreira. «Infinity» é um álbum pesado e melódico, com letras depressivas como esta banda nos tem habituado. Impregnado de ambientes góticos, com acelerações rítmicas típicas de death metal, fazem desta obra uma mescla de estilos perfeita. Se no registo de 2008, «Pray», os Crematory pareciam ter voltado às suas raízes mais cruas, em “Infinity” tomam novo rumo, com o som dos teclados e sintetizadores a darem uma roupagem moderna e renovada, sem abusar em demasia da electrónica. E nesta diversidade de estilos os Crematory exploram ainda o industrial mais pesado, nos temas “Never look back” e “No one knows”, não faltando algum Thrash em “Where are you now”, ou ainda um arranjo orquestral em “Broken halo”. Pese embora à partida nenhum tema consiga igualar o hit “Tears of time” que os popularizou, os Crematory continuam a usar a velha fórmula de construir músicas com refrões marcantes, o que foi alcançado em “Sense of time”, “Out of mind” e “Never look back”. A voz de Felix Stass, grave e agressiva, contrasta em vários temas com a voz limpa do guitarrista Matthias Hechler. Porém, ainda que se compreenda a inclusão da voz de Matthias nos refrões, é quando este assume o papel de lead singer que determina a perda de peso e fulgor das músicas. E este é um dos reparos a fazer a este trabalho. Por outro lado, se o tema “Broken halo”, mais melódico, se assume como uma mais-valia, o mesmo já não se pode dizer do tema de encerramento, “Auf der flucht”, por soar demasiado a pop rock alemão de qualidade duvidosa e que por isso está

algo desenquadrado neste álbum. Finalmente destaque-se a cover que integra «Infinity». Se no passado os Crematory nos brindaram com “Temple of love” de Sisters of Mercy e “One” de Metallica, desta vez a escolha recaiu no épico “Black celebration” dos Depeche Mode. Uma versão que inicialmente se aproxima muito do original, a nível de teclados, mas que depois se distancia pelo peso das guitarras, velocidade impressa e pela voz de Felix, fazendo desta uma cover que poderá integrar o aguardado Best Of. «Infinity» é sem dúvida um álbum mais comercial, marcando o regresso dos veteranos e intemporais Crematory que não irá desapontar os fãs. Aguarda-se o Best Of. [7.5] [Pedro Sá]

criatividade não foi abalada. Senhores de uma apaixonante nostalgia embelezada por insinuantes melodias que por vezes roçam o épico, é agradável a submissão ao desespero invernal embora em outros momentos nada mais nos vale a não ser a tempestuosa adrenalina quando a rota a seguir rasga desenfreadamente a nossa audição. A apresentação deste álbum foi a 15 de Novembro do ano passado no Relax, em Moscovo, tendo sido gravadas várias músicas do seu reportório de modo haver uma edição em dvd. Para além da qualidade que se espera de um tal lançamento, de certeza que o sorriso e a melancolia serão bem-vindas. Em suma, sem muito pudor ou originalidade, muito porque, além de um certo cunho pessoal, poderemos encontrar óbvias influências de bandas grandemente conhecidas (Tiamat, Opeth, Emperor), o sentimento e a qualidade existem e esses são os factores mais importantes para conquistar quem aprecia música. Que perdurem! [8.5] [Jorge Ribeiro de Castro]

FOREST STREAM «The Crown of Winter» [2009 / Candlelight]

A melancolia é um estado de espírito que arrasta um sorriso sem sabor, uma queda quase interminável por uma única estação onde o calor faz falta. Olhando para o horizonte, tentamos descobrir algo que nos dê forças para continuar a nossa jornada sabendo que talvez seja uma demanda onde o sonho já não nos quer. Surgindo em 1995, os seus lançamentos anteriores demonstraram capacidades musicais de qualidade e apesar de passarem por diversos problemas que toldaram o agrupamento por momentos, os russos Forest Stream lançam o segundo álbum, “The crown of winter” em 2009, dando-nos a conhecer que a

GAMMA RAY «To The Metal!» [2010 / earMUSIC]

De Hamburgo para o mundo, os Gamma Ray dispensam apresentações. Ao décimo disco em vinte e um anos de carreira, voltam a mostar, em «To the metal!», porque é que são os reis do power metal. O som é coeso e a execução técnica é sublime, notandose muita química entre todos os elementos da banda – ou


não fosse este o quinto disco com a mesma formação, que está junta desde 1997. A composição é maioritariamente assumida por Hansen e Richter, mas Schlächter e Zimmerman também apresentam, como de costume, uma ou duas canções para o lote final. A gravação foi feita, mais uma vez, nos estúdios da banda e a produção, como habitualmente, ficou ao encargo da banda. O disco começa morno, com «Empathy», embalando a seguir com a principal surpresa do disco: a participação de Michael Kiske em «All you need to know». Segue-se «Time to live» e a faixa-título, um hino ao heavy metal (na linha de outros temas de Hansen, como «Heavy Metal (is the law)» dos Helloween e «Heavy Metal Universe», do disco «Somewhere out in space»), numa toada lenta, a lembrar Manowar. O disco volta acelerar, com cinco músicas furiosas, até encerrar com a balada de Schlächter, escrita após a morte do pai. O disco tem tudo: refrões orelhudos, riffs cativantes, solos magníficos e uma secção rítmica fortíssima. Mas falta-lhe chama. Obedece demasiado a fórmulas pré-concebidas e, apesar de bom, falta-lhe o rasgo de genialidade – que Hansen já demonstrou noutras alturas – para entrar para a galeria dos obrigatórios. [7.0] [Renato Conteiro]

INSOMNIUM «Across the Dark»

[2009 / Candlelight]

Se ao cair da escuridão nos sentimos frágeis, presos às memórias de quando a luz nos fazia sentir vivos, o melhor será prosseguir com cuidado de modo a que não hajam surpresas. Não importa o fogo que nos toque, existe sempre aquele desejo de caminharmos em terreno seguro… Apesar de terem uma carreira iniciada em 1997, os finlandeses Insomnium sempre percorreram o caminho oferecido pela sonoridade que mais lhes agradava, death – metal melódico, apenas ligeiras diferenças a cada álbum lhes posicionando um pouco mais acima a nível de estatuto. Este seu novo lançamento começa com uma suave melodia acústica que nos enlaça em contemplação para depois surgir o tumulto onde a voz cavernosa e a insinuante entoação trucidam a paz de outrora, imiscuindo no nosso ser a ansiedade por algo que brilhe… ou assim o agrupamento desejava. Embora cada música de “Across the dark” mostre a razoável qualidade que o grupo já nos ofereceu em álbuns anteriores, surge sempre aquele cómodo teor que demonstra que têm pálidas certezas em relação ao caminho a percorrer. É de notar que certas melodias são bem trabalhadas, o cariz melancólico, épico e progressivo sendo factores pertinentes que se conjugam bem com a dualidade de vozes. Os teclados são tocados por Aleksi Munter (Swallow The Sun), enquanto os vocais limpos são interpretados por Jules Nãveri (Profane Omen, Enemy of the Sun) mas ambos, embora possuam uma qualidade impecável, não conseguem tornar as músicas memoráveis. Em suma, se existem bandas que tentam engrandecer a sua música com a inovação, os Insomnium padecem daquele indistinto ranger que é ser uma das carruagens de um poderoso comboio que nunca faz desvios. [6.5] [Jorge Ribeiro de Castro]

LES DISCRETS «Septembre et Ses Dernières Pensées»

[2010 / Prophecy Productions]

Originários de Lyon, França, Les Discrets (Os discretos) são uma banda formada pelo multi-instrumentalista e ilustrador Fursy Teyssier que nos apresenta um dark atmospheric metal semi-acústico com uma conotação muito experimental numa vertente mais gótica sem o ser propriamente. Les Discrets é a forma de Fursy explanar musicalmente a atmosfera contemplativa e esotérica sentimental que consegue com as suas animações e ilustrações. A temática destes franceses é o sentimento de amor e o medo da morte inerente à Natureza. «Septembre et Ses Dernières Pensées» é o primeiro álbum (de cinco que assinaram com a Prophecy) da banda, onde reúne grande parte das canções que o grupo escreveu desde a sua formação em 2003 até hoje. O primeiro sentimento que temos ao ouvir «Septembre et Ses Dernières Pensées» é que está ao nível do anunciado: sentimento envolto numa atmosfera melancólica e densa, mas equilibrada. Apesar de as músicas terem sido compostas ao longo de vários anos, o que sobressai mais de «Septembre et Ses Dernières Pensées» é a forte coesão musical. Para isso terão contribuído no meu entender dois factores: o multiinstrumentalismo de Fursy (guitarras, baixo, vocais e composição) e a produção de


Neb Xort (Anorexia Nervosa, Ultravomit, ...). Cantado em francês e com um ritmo bem marcado e balanceado, as dez músicas que fazem o álbum deixam-se levar calmamente pela excelente partição acústica, os riffs e solos eléctricos que dão corpo e uma acertada bateria. Nada aqui é deixado ao acaso. Não existem pontos fracos em «Septembre et Ses Dernières Pensées» e o ritmo oscila magicamente ao som da guitarra acústica. O nível é bem mantido e sustentado do início ao fim, sendo uma deleitação ouvi-lo repetidamente. Claro que é necessário estar sintonizado com o dark atmospheric metal ao bom estilo dos The Gathering ou Agua de Annique. «Septembre et Ses Dernières Pensées» é uma excelente proposta da Prophecy e os Les Discrets uma banda a reter e a seguir no futuro próximo. [9.0] [Carlos Filipe]

MORTEMIA «Misere Mortem»

[2010 / Napalm Records]

Mortemia é o novo projecto de Morten Veland e enquadra-se na mesma veia musical dos dois anteriores projectos em que Morten esteve envolvido, ou seja, Tristania e Sirenia. Estas raízes “Mortenianas” estão mais do que evidentes nas 9 músicas que compõem «Misere Mortem», soando de princípio ao fim – em demasia – tal “cópia” do que caracterizou a sua passagem por estas duas bandas. Se não fosse o caso de o autor de tal façanha ser o mesmo, poder-seia até falar de plágio, ou melhor “auto-plágio”. Para quem

conhece a passagem de Morten Veland pelos Tristania e Sirenia, a audição de «Misere Mortem» imediatamente far-vos-á lembrar os álbuns «World of Glass» e «At Sixes and Sevens». Se colocarmos o nome das bandas de lado, quase que se diria que são 3 álbuns de uma mesma banda: Morten Veland. Esta é a grande falha inicial de Mortemia, a falha na definição de uma característica que marque o som da banda. Eu diria que com Morten Veland isso é impossível, porque ele absorveu essa característica, a qual é inerente a si, secando à sua volta qualquer outro projecto em que participe. Não quero dizer com isto que é uma coisa má e a evitar. Muito pelo contrário, visto por outro prisma, é algo extremamente difícil de conseguir na música, sobretudo ao nível de uma banda. Eu diria que Morten Veland conseguiu chegar na composição ao nível de um Dave Lombardo na bateria: Onde quer que toque e qualquer que seja a banda em que esteja envolvido naquele dado momento, a sua característica musical que o define fica claramente vincada na música ao nível da bateria – os Testament que o digam. «Misere Mortem» é aquilo que se espera de um álbum de Morten Veland: vozes balanceadas entre o gutural e o coro angelical, grandes atmosferas góticas e sinfónicas, produção e mistura muito bem conseguidas e catchy; solos e riffs à altura dos acontecimentos e por consequente, já nossos conhecidos de outras paragens, e 9 músicas que não cansam mesmo nada de ouvir repetidamente. A novidade aqui é a presença ao longo de todo o álbum de algum experimentalismo furtivo ao nível do riff que dá um outro impulso ao álbum tal como acontece em «The Candle At The Tunnel’s End» ou «The Malice of Life’s Cruel ways», mas que nunca destoa do padrão base. Obrigatório para os fãs de Morten

e companhia e amantes do metal gótico/sinfónico. [7.5] [Carlos Filipe]

OBITUARY «Darkest Day»

[2009 / Candlelight]

Obituary faz parte do grupo dos big five do Death Metal da Florida, a par com Death, Morbid Angel, Cannibal Corpse e Deicide. Com cinco álbuns no currículo, a banda separou-se em 1997 e voltou a juntar-se em 2003. «Darkest day» é o terceiro álbum da banda desde o regresso. O som não mudou muito desde o início: riffs simples, apoiados numa bateria forte e na voz gutural de John Tardy. Ao longo do tempo, a banda incorporou alguns elementos mais groove mas a essência mantém-se. A velocidade sempre foi um elemento característico do som da banda mas são os ritmos mais lentos e arrastados que a banda domina com mestria. A guitarra de Ralph Santolla (que também passou pelos Deicide), está mais precisa e oferece mais coesão ao som do que no anterior trabalho, «Xecutioner’s return». O novo trabalho oferece-nos onze novas canções típicas de Obituary, o que demonstra que a idade não os tornou moles: «Darkest day é talvez o melhor registo desde «World Demise». Principais destaques: «List of dead», «Payback» e «Your darkest day». Mais palavras para quê? É death metal old school. Quem gosta do género, não vai ficar desapontado; os outros, não vão ligar muito. [6.0] [Renato Conteiro]


SVARTTHRON «Kraujo Estetika»

[2009 / Inferna Profundus Records]

Quem teve algum contacto prévio com os Svartthron deve associar mentalmente este nome ao estilo de black metal depressivo, atmosférico e a meio tempo que a banda imprimiu em “Bearer of the Crimson Flame” e nos dois registos que o precederam. Se for esse o caso do leitor, então prepare-se para uma surpresa pois quase tudo se alterou neste projecto lituano, e não foi para melhor. Para começar, o único músico responsável pela banda, Tomhet, optou aqui por explorar uma variedade de black metal mais veloz e primitiva, mas sem grandes resultados. Quase não há riffs

memoráveis e tudo soa excessivamente vulgar e genérico. Salvo raras excepções, a composição é demasiado idiossincrática para deixar alguma marca duradoura, e nem a prestação de [k] dos Argharus, alegadamente o primeiro baterista humano a participar numa gravação dos Svartthron, é suficiente para evitar a derrapagem para um abismo de tédio. Mas o que arruína mesmo este disco é a interpretação vocal, desta vez confiada – lamentavelmente – a Levas dos compatriotas Andajas. É que tirando as poucas vezes em que as vozes se toleram, nomeadamente quando surgem sussurradas ou quase declamadas, em geral soam de tal forma estridentes e histéricas que não fazem mais do que nos deixar os nervos em franja. O que atrai neste álbum é mesmo o grafismo cuidado de todo o artwork, muito numa estética post-black, bem como a perspectiva niilista de todo o conceito lírico (pela primeira vez expresso no idioma nativo da banda) sobre o sangue. Mas isto, claro, nunca é o que mais interessa num disco. [4.5] [Ernesto Martins]


dred Steps anunciam o seu fim e More Than A Thousand cada vez se endurecem mais, penso que se pode afirmar que Hills Have Eyes são a segunda banda mais ouvida. Não tão aguardados como deviam, uma vez que eram cabeça de cartaz, os Eternal Tango (Luxemburgo) chegaram, rockaram, animaram, dançaram e fizeram balançar cabeças e ancas de alguns mais aptos à sonoridade do seu novo álbum “Welcome to the Golden City”. A banda encheu-nos os ouvidos com um alinhamento bastante ritmado e uma performance que transpareceu o seu bom nível.

Os Solid foram os primeiros a consolidar a noite de Coimbra com o seu rock/hardcore nortenho, sempre na tentativa de movimentar o público que ia compondo a pista da Via Latina. Foram seguidos por Hills Have Eyes que vieram endurecer ainda mais a noite, dando um espectáculo bastante poderoso e cheio de vida, sempre acompanhados pelos fãs que entoaram praticamente todos os refrões e encores da banda. Os setubalenses mostraram assim que são uma das bandas do género mais ouvidas no panorama nacional. Alias, uma vez que os One Hun- 1. The Golden City

2. The Vicious Five 3. Ronny Roy Johnson 4. Pink White sheets 5. Jackie Boy 6. By The River 7. Slow Down 8. Narya 9. Be A S.T.A.R. 10. Touch The End

FOTOGRAFIA:

Teresa Pereira

TEXTO:

André Monteiro


Depois do grande sucesso do primeiro BROOTAL SUNDAY FEST a 17 de Janeiro, a MYOproductions organizou uma segunda edição deste pequeno festival no passado dia 14 de Março. Decorreu novamente no Terminal Bar da Gafanha da Encarnação e uma vez mais, o ambiente foi semelhante ao de um “pequeno inferno”. A adesão do público aveirense a esta matinée foi grande e a festa foi dura, contando com nomes como Revolution Within (S. João da Madeira) e Cold Fear (Barcelos). Os Synopse (Aveiro) deram início à festa com o seu recente (mas já bastante elaborado) metal progressivo. Em seguida, foram os Stigma Sphere (Bairrada) quem ajudou a aquecer os motores para mais uma longa tarde que já se fazia adivinhar. Destaque especial para os Gates of Hell (Porto),

a terceira banda da tarde, pela sua enorme progressão ao longo dos últimos meses e pela magnífica interacção com um público que parecem já ter conquistado em definitivo. A grande surpresa da tarde viria com os Cold Fear, pois representavam uma novidade para grande parte dos fans do underground em Aveiro. Fizeram-se apresentar com um enorme poder e uma grande atitude. Finalmente, quanto aos Revolution Within, há muito pouco a dizer. Poder-se-ia mesmo resumir a sua actuação numa só palavra: “fantástico!”. Com alguns temas como “Destroy”, “No Way”, “Surrounded by Evil”, “Silence” e “Stand Tall”, entre outros, em poucos minutos levaram o público ao êxtase e mostraram mais uma vez que os palcos dos bares onde habitualmente se fazem ouvir,

começam a ser demasiadamente pequenos. Um verdadeiro caos – não houve nenhuma fractura exposta, mas pouco terá faltado – lançado entre os muitos resistentes que ainda se encontravam no bar, no qual o próprio vocalista (Raça) acabou por participar. Desta forma fica concluída mais uma “brootal” tarde de domingo. Fiquem atentos, pois a terceira edição do BROOTAL SUNDAY FEST já está a ser planeada e promete grandes bandas do underground português

FOTOGRAFIA: André Monteiro / Bleeding Heart TEXTO: Bernardo André Leite


VERSUS MAGAZINE #09 Abril 2010  

Edição nº9 da Versus Magazine c/ Rotting Christ, Alcest, Arise, Imperium Dekadenz, Kivimetsan Druidi, More Than A Thousand, Kandia, Unbridle...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you