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Não me separo da comida da minha vó

Veridiana Guimarães Sempre fui comilona. Não é novidade para mim. Admiro e me satisfaço com os doces e salgados. Comer é algo que me deixa feliz, o que não me deixa feliz são os quilinhos a mais. Chego cansada da faculdade, meio-dia, morrendo de fome. Em vez de descer na minha casa, ou melhor, na casa dos meus pais, desço na minha vó Maria. Ela reside pertinho do asfalto onde daqui a vinte minutos terei que esperar o ônibus. Eu chego e o banquete já está servido. Entro na porta, a primeira coisa que meu estômago visualiza é a comida da vovó. A dona Maria vem me receber e logo faz o convite tentador “Vamos almoçar?”. Sento-me à mesa, meu semblante denuncia a satisfação daquele momento. A mesa de madeira coberta por uma toalha colorida. A bancada encostada em uma parede multi enfeitada, com calendários - alguns de anos atrás- e recortes colados na parede. O quadro da Santa Ceia revela a fartura da mesa. É assim que a vó gosta de receber suas visitas com muita hospitalidade seja através das palavras ou através do alimento. A polenta com molho de galinha é um dos meus pratos preferidos. A comida caseira de Maria é bem representada pela maionese com massa, batata doce, aipim com farofa. De acompanhamento um suquinho de laranja. Não tem como resistir a tantas delícias. Só de imaginar já fico com fome. Que cheirinho, huumm. Entre uma garfada e outra, as lembranças dos encontros em família. Ela começa a falar, recorta o meu tempo de infância. Quando bagunçava sua casa com uma maré de brinquedos. Além de me trazer boas recordações, a comida da vó me fornece a energia necessária para cumprir o expediente de oito horas de trabalho. Vou dormir pensando no dia seguinte, pensando na comida da vovó. Vó é sinônimo de afeto, de dedicação. É assim que ela prepara sua comida, como uma obra de arte. Com cuidado para atingir a perfeição. Amar a comida da minha vó também é uma maneira de amá-la.



Crônica 3