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Remédio de

SALVADOR, SÁBADO, 27 DE NOVEMBRO DE 2010

MUITAS HISTÓRIAS

“Os pais ficam mais tranquilos quando veem os filhos sorrindo, se sentem mais confiantes. Riem como se fossem crianca também”

Noêmia Ribeiro do Rosário, a avó de Luan Araújo de Souza, 12, se divertiu muito em uma visita dos terapeutas: até dançou a música mais pedida das enfermarias, o Rebolation

Dr. Charanga

Sorrir ajuda no tratamento de doenças de quem está internado. Nariz de palhaço e brincadeiras melhoram a saúde de quem precisa ficar muito tempo em hospitais Dr. Bacurau VERENA PARANHOS

Nem todo hospital tem paredes brancas, gente séria e ordem de silêncio. No Hospital da Criança das Obras Assistenciais Irmã Dulce e no Hospital Santa Izabel, os médicos usam roupa colorida, as paredes são desenhadas, há brinquedoteca, escolinha, palhaços, contadores de histórias, música... e até barulho! Tudo isso para que o paciente possa brincar e se divertir quando precisa ficar internado, porque não pode ser tratado em casa. Eduardo dos Reis Júnior, 12, já

estava há 20 dias no Hospital da Criança. Ficava sempre acuado, triste, mas abria um sorriso assim que os Terapeutas do Riso entravam em sua enfermaria, um quarto grande que abriga sete pacientes. “Já me sinto bem melhor”, disse ele após rir das piadas e dançar na visita do Dr. Charanga, Dra. Ciranda e Dr. Bacurau, que há 12 anos usam nariz vermelho, piadas, violão e truques de mágica para divertir pacientes de todas as idades.

Dra. Ciranda Alan Jean Santos

banda inglesa Beatles. John veio de Itabuna (interior da Bahia) e ficou 8 dias internado para fazer uma cirurgia no coração. “Quando a médica disser que eu posso, vou dar um pulão!”

Janaira Ribeiro de Miranda

DA VIDA REAL PARA AS TELAS

Brincadeira séria “Quando a gente chega ao Hospital da Criança é uma festa. Eles vão atrás, até parece uma micareta”

“A gente traz muitos livros, e eles sempre pedem mais...”, disse Deolinda Moura, voluntária da Associação Viva e Deixe Viver, que conta histórias em hospitais. “Gosto das histórias porque me lembram o colégio”, diz John Lennon, 9, que tem o mesmo nome do cantor da

4 e5

“Depois que os palhaços passaram, a minha filha não queria ficar mais deitada. Ela esqueceu que estava no hospital”, conta feliz Jucilene Félix Pereira, mãe de Júlia, 4. Wellington Nogueira, fundador do grupo de palhaços Doutores da Alegria, conta que, quando começou o trabalho em hospitais há 19 anos, as pessoas não davam valor ao que fazia. Atualmente,

esses tipos de brincadeira viraram coisa séria e são pedidos por pacientes e familiares. Até médicos defendem que elas ajudam de verdade no tratamento. “Isso é muito importante no resultado, porque a alegria e o bom humor contribuem para que o paciente fique bem mais depressa”, diz Rita Mira de Oliveira, coordenadora da pediatria do Hospital Santa Izabel.

Hunter "Patch" Adams é um médico norteamericano que desde a década de 1970 acredita que o bom humor ajuda os doentes a melhorarem. A história

dele virou o filme Patch Adams - O amor é contagioso. No Brasil, foi feito, em 2005, um filme sobre o trabalho dos Doutores da Alegria. “Os pacientes são atores dos espetáculos e a criatividade que usam os ajuda a melhorar”, diz Wellington Nogueira. No País são mais de 500* grupos de palhaços que trabalham assim

Fotos Walter Carvalho/ Ag. A TARDE Ifografia Inara Negrão Editoria de Arte A TARDE


Remédio de Riso