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2 O humor ácido das divas contemporâneas em livro

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SALVADOR SÁBADO 11/5/2013

PUBLICAÇÃO Diva Depressão – A Senhora dos Anéis mistura as imagens de mulheres poderosas a frases politicamente incorretas

MARIANA PAIVA

Se o Facebook fez com que todo mundo passasse a saber sobre a visão política do vizinho do prédio (mesmo sem conversar com ele sobre isso), também é verdade que garante boas risadas, dentro e fora do expediente de trabalho. Uma das páginas que virou sucesso na rede social recentemente acaba de ter seu conteúdo transformado em livro: Diva Depressão mistura as imagens de mulheres poderosas a frases ácidas e politicamente incorretas. Madonna, Cher, Oprah Winfrey e Paris Hilton são apenas algumas das que emprestam suas imagens às frases. Para isto tem que ser diva, seja para o bem ou para o mal. Curiosamente, o livro, intitulado Diva Depressão – A Senhora dos Anéis é assinado por dois homens, os autores da página Eduardo Camargo e Filipe Oliveira. O time ganhou um reforço (e um olhar) feminino há pouco tempo, quando Márcia Correa passou a assinar a criação junto com a dupla. Eles contam que a ideia surgiu quando Filipe começou a fazer as montagens e postar no Facebook. Eram apenas piadas internas de seu grupo de amigos, mas a crescente identificação de pessoas desconhecidas deu outras proporções à brincadeira.

A obra, da Editora Matrix, reúne o conteúdo de uma das páginas que virou sucesso na rede social recentemente

“Não havia nenhuma pretensão de grande número de seguidores, tanto que não íamos em outras páginas fazer parceria para divulgar a página, isso não era uma preocupação. Para nossa feliz surpresa, a página desde então não parou de crescer, e ainda nos surpreendemos por isso”, revela Márcia. Segundo ela, as ideias para novas montagens e frases surgem a partir da observação co-

tidiana. “Somos muito inclinados já a pensar como Diva Depressão. Tudo vira motivo: situações no trabalho, no trânsito, em passeios... Alguma história que um amigo ou amiga nos contam. Experiências passadas, frustrações, enfim, de tudo. Ainda que a gente eleve o sarcasmo, realmente compartilhamos de muitas coisas que postamos”. Um dado curioso é que so-

mente depois de publicado o livro muitos amigos souberam que eram eles três que estavam por trás do projeto. “Espero que eles não parem para pensar se alguma postagem foi uma possível indireta”, Márcia diz.

Muito além da imagem

Além das montagens, o livro apresenta também horóscopo e também o Divã da Diva, em que “ela” responde questões feitas Matrix Editora / Divulgação

DIVA DEPRESSÃO - A SENHORA DOS ANÉIS / EDUARDO CAMARGO E FILIPE OLIVEIRA

Editora Matrix/ 158 páginas/ R$ 29,90

Páginas publicadas no livro, com montagens de frases sobre fotos da cantora Madonna, da atriz Sophia Loren e da modelo Paris Hilton Palco Produções / Divulgação

MÚSICA

Toquinho faz show gratuito com repertório que homenageia Vinicius de Moraes VERENA PARANHOS

Muitas das parcerias entre Vinicius de Moraes e Toquinho surgiram na Bahia. Por isso, a turnê de Toquinho, em homenagem à obra do parceiro, não poderia deixar de passar por Salvador. Hoje, às 19 horas, o músico faz uma apresentação gratuita no Shopping Paralela, encerrando o projeto Vitrine Cultural Dia das Mães. “A Bahia sempre teve uma relação muito forte com nossas canções. Muitas nasceram nesse cenário mágico que envolve sentimentos os mais diversos”, diz Toquinho. Das temporadas na famosa casa de Vinicius em Itapuã, o músico guarda boas lembranças. “Nessa casa vivia-se uma festa a cada dia. Sempre cheia de amigos, gente inteligente, espalhando cultura e bom humor. A música nos cercava o dia todo, trabalhávamos como se brincássemos com a vida. As canções eram consequência

dessa liberdade”. A turnê de Toquinho integra as comemorações do centenário de nascimento do poetinha. No repertório estão canções consagradas da dupla Vinicius e Toquinho, como Tarde em Itapoan, Regra Três, Testamento e Aquarela. O set list também inclui composições de Vinicius de Moraes e Tom Jobim (Eu Sei que Vou Te Amar e Insensatez), além de outras parcerias com Baden Powell e Carlos Lyra. “Vinicius disponibiliza um cardápio generoso, mata a fome de todos que amam a música e a poesia”, afirma.

Mulheres

As mulheres sempre foram musas inspiradoras da obra de Vinicius de Moraes e também parceiras de palco. A carioca Miúcha e as baianas Maria Creuza e Maria Bethânia são algumas das que ajudaram a eternizar o trabalho do artista, um dos fundadores da bossa nova.

No show de hoje, Toquinho preserva a ligação entre a figura feminina e a poesia de Vinicius de Moraes a partir da interpretação de uma jovem cantora, a paulistana Anna Setton, de 29 anos. Para o cantor e compositor, a participação dela faz toda a diferença. “Anna é uma intérprete incomum. Ilumina o palco com sua graça e valoriza sobremaneira o espetáculo com sua afinação e timbre de voz suave e forte ao mesmo tempo. Com a presença dela o show adquire um tempero mais apetitoso”, diz o músico sobre a artista que o acompanha desde 2011. O show acontece na véspera do Dia das Mães, comemoração que também deve receber a atenção do músico. “As mães merecem sempre homenagens especiais. Vamos preparar alguma coisa, não será difícil, ao contrário, um prazer”. TOQUINHO / HOJE, ÀS 19H / SHOPPING PARALELA, PISO L1 / ENTRADA FRANCA

Escritor, membro da Academia de Letras da Bahia

Discreto, silencioso. Na redação, sentia-se que ele sobrava. Sobrava porque queria, porque lhe parecia conveniente. Procurava adaptar-se — e para isso se apegava, se apagava, anulava-se na tentativa de atrair a menor atenção possível. Sempre me passou a impressão de acompanhar muito aflito o escorrer do tempo, soltando um inaudível suspiro de alívio quando o trabalho findava. Trabalhava duro por necessidade. Gostava mesmo era de ler, escrever seus romances. Trazia na memória um fichário imenso de acontecimentos e impressões visuais do Vale do Paraíba, área rural e centros urbanos. Torcia visivelmente para que o tempo andasse mais depressa. Recolhia suas coisas, a pasta,

livros, ia embora, direto para casa. Nada de choparias, de bares. Mantinha-se ao largo de todos os lugares e manifestações de vida boêmia. Sério, sisudo, abria-se apenas a conversas. Julgando-se compreendido, falava de si, dos seus planos, confiava dissabores profissionais à improvável discrição do interlocutor. Elegante de maneiras, bem comportado, não participava da política das redações. Desejava apenas sobreviver no emprego penoso, na profissão ingrata. Dali tirava o arrimo à família. Chefes desprezavam-no, da mesma maneira que desprezavam ou toleravam o intelectual, o jornalista capaz de escrever livros e fazer nome. Esse homem tímido, Macedo Miranda, teve a desventura de trabalhar anos a fio numa empresa jornalística famosa pelo trato ríspido dispensado aos colaboradores. Fluminense, chegava cedo pela manhã, ia-se no final da tarde. Vi-o muitas vezes, martelando a máquina ou, sem trabalho no momento, quieto à mesa, o rosto vincado, ombros

LETRAS

Editora P55 lança dois novos volumes da coleção Cartas Bahianas

O cantor Toquinho se apresenta hoje no Shopping Paralela

“Vinicius tem um cardápio generoso, mata a fome de quem ama música e poesia” TOQUINHO, cantor e compositor

A jovem cantora paulistana Anna Setton acompanha o músico na apresentação de hoje, às 19 horas

Debruçado sobre si mesmo Hélio Pólvora

pelo público. À pergunta “Gosto de um homem mais velho. Como conquistá-lo?”, a Diva não se intimida e responde, cheia de bom humor: “Ajude-o a atravessar a rua ou então acompanhe-o a uma partida de damas na praça”. Se a curiosidade for saber como esquecer um amor que sempre te humilhou, a resposta dela é mais simples ainda: “Humilhe o novo”.

Vida em versos ou em prosa, cada qual ao seu modo. Nesta terça-feira, a partir das 19 horas, as autoras Ana Bárbara Sousa e Martha Galrão lançam seus livros Trem de Risco e Muadiê Maria, respectivamente, na Confraria do França. Os livros são parte da coleção Cartas Bahianas (P55), coordenada por Claudius Portugal. Nas duas obras, a vida cotidiana e o amor aparecem como principal matéria-prima dos poemas de Ana Bárbara e da prosa e dos poemasconfessionaisdeMartha, que aproveita o livro para contar histórias de família e outros acontecimentos do dia a dia. MARIANA PAIVA LANÇAMENTO DOS LIVROS MUADIÊ MARIA, DE MARTHA GALRÃO, E TREM DE RISCO, DE ANA BÁRBARA SOUSA / TERÇA-FEIRA, DAS 19 ÀS 22 HORAS/ CONFRARIA DO FRANÇA (71 3018-6548)/ RUA LIDIO MESQUITA, 8, RIO VERMELHO/ ENTRADA FRANCA

PROJETO ligeiramente derreados, olhar turvo. À aproximação de qualquer pessoa com quem tivesse afinidades, o rosto se iluminava. Conversando com ele eu me sentia como se diante de um espelho. Sofríamos o mesmo cotidiano, padecíamos limitações quase idênticas. Ambos, como disse o poeta A. E. Housman, “strange and afraid in a world I never made”. Em certa fase de sua vida, Macedo Miranda deixava a redação da revista e emendava à noite a jornada de trabalho, como reescrevedor na banca do Jornal do Brasil. Ali, respirava melhor. Havia o aconchego da camaradagem,

Estava debruçado sobre si mesmo — e o que via provavelmente se desdobrava em abismo

fiscais não contabilizavam a produção pessoal. Dois empregos simultâneos em redações de jornais e revistas só cabem no entendimento de quem passou pelos trâmites. Um dia, convidou-me a almoçar em sua casa, num domingo. Conversa longa, que entrou pela tarde. Àquela altura, Macedo Miranda escrevia com fúria e paixão. A um romance seguia-se outro. Ou ele pressentia a doença fatal ou então queria aproveitar o sinal verde de Ênio Silveira, então com excelente programa editorial na Civilização Brasileira. O autor de O Deus Faminto inventava tempo à noite, pro-

Em Macedo Miranda, na sua teimosa resistência eu me vejo, vejo outros. Talvez toda a nossa geração

vavelmente nas insônias, e nos finais de semana para escrever. Fazia o que eu, baseado em tormentos próprios, passei a chamar “literatura de cansaço”. Não testemunhei seu fim. Vi-o meses antes de falecer, na redação da revista. Pareceu-me muito abatido, acabrunhado, arrasado. Estava debruçado sobre si mesmo — e o que via provavelmente se desdobrava em abismo. Pena que houvesse escrito em língua inculta de um país de poucos leitores e incerta memória quanto à cultura literária. Está hoje esquecido, como estarão outros, mal fechem os olhos. Busco acima do preito da amizade uma justificativa para as linhas que aqui ficam. Não é panegírico à-toa, ou ditado por uma paridade de agruras. É uma identificação mais profunda, uma empatia visguenta. Em Macedo Miranda, na sua teimosa resistência eu me vejo, vejo outros. Talvez veja quase toda a nossa geração. Que não foi “perdida” (lost), porque para isso e paradoxalmente nos faltou uma Gertrude Stein com residência em Paris.

Edital do TCA recebe inscrições até junho O Teatro Castro Alves, em conjunto com a Fundação Cultural do Estado da Bahia, torna público o lançamento da Edição Especial 2013 do Edital TCA.Núcleo Em Construção – Uma homenagem à Lina Bo Bardi. A ideia é consolidar uma estratégia de ocupações e intervenções artísticas, em paralelo a primeira fase de requalificação e modernização do projeto Novo TCA. As inscrições abrem segunda-feira e se encerram no dia 27 de junho. Informações nos sites www.tca.ba.gov.br e www.funceb.ba.gov.br. Divulgação

A arquiteta italiana Lina Bo Bardi será homenageada

Atarde 11 maio 2013 toquinho  
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