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ELABORADO POR REGIANE MAGALHÃES BOAINAIN

Roteiro de Leitura literária Sombras de reis barbudos

Objetivos 1.Estimular o gosto pela leitura. 2.Desenvolver a competência leitora; 3.Desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico. 4.Estabelecer relações entre o lido/vivido ou conhecido (conhecimento de mundo). 5.Reconhecer e analisar os elementos da narrativa (narrador e seu ponto de vista, trama, tempo da narração e tempo do narrado). 6.Reconhecer e interpretar a alegoria na obra. Material necessário - Livro Sombras de reis barbudos. José J. Veiga. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Cronograma de Leitura ( Professor, é importante, organizar um cronograma de leitura para o aluno)

Capítulo Capítulo Capítulo Capítulo

Capítulos 1 e 2 “ A chegada” e “ Um homem correndo” 3 e 4” A partida” 5e6 7

Páginas


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Capítulo 8 Capítulo 9 Todos os capítulos serão discutidos e analisados em classe. Por isso, é importante que você mantenha a leitura dos capítulos em dia.

Desenvolvimento 1ª etapa Introdução Antecipação/Motivação/Sensibilização 1.Você já ouviu falar do escritor José J. Veiga? Conhece alguma obra que ele publicou? Leia o texto a seguir e conheça-o um pouco mais. José Jacinto Pereira Veiga (1915-1999) nasceu em Corumbá, uma pequena vila a 150 quilômetros de Goiânia, em Goiás. Dizia dever a escolha de seu nome literário à ajuda de Guimarães Rosa que, com argumentos numerológicos e estilísticos, sugeriu José J. Veiga, na altura da publicação do livro de estreia "Os Cavalinhos de Platiplanto", em 1959. Depois dessa obra vieram: A hora dos ruminantes (1966), A máquina extraviada (1968), Sombras de reis barbudos (1972), Os pecados da tribo (1976), Professor Burrim e as quatro calamidades (1978), De jogos e festas (1980), Aquele mundo de Vasabarros (1981), Torvelinho dia e noite (1985), A casca da serpente (1989), Tajá e sua gente (1985), Relógio belisário (1996). Em 1997 recebeu o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. Faleceu aos 84 anos, em 1999. Seus livros foram lançados também nos Estados Unidos, Inglaterra, México, Espanha, Dinamarca. Suécia, Noruega e Portugal. Importante! Os dados biográficos interessam-nos para conhecer um pouco da vida do autor, quantas obras escreveu, quais prêmios ganhou. Entretanto,

uma análise literária

que leva apenas em consideração a vida do autor, tende ao equívoco, já que o escritor é decisivo só no momento da escritura. Depois de a obra estar pronta, ela fala por si só. O autor cria, imagina a história, as personagens, o cenário e cria alguém responsável pelo ato de narrar: o narrador. Sendo assim, como afirma o contista Dalton Trevisan (Record, 1979), "nada tem a dizer fora dos livros. Só a obra interessa, o autor não vale o personagem. O conto é sempre melhor que o contista." 2. A partir do título "Sombras de reis barbudos", o que você espera da história?


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2ª etapa (em classe, com a leitura feita em casa) Troque impressões sobre os dois primeiros capítulos com a sua professora e colegas Agora responda às seguintes questões: 3.O romance Sombras de reis barbudos se inicia com o seguinte fragmento: "Está bem, mãe. Vou fazer a sua vontade. Vou escrever a história do que aconteceu aqui desde a chegada de tio Baltazar. Sei que esse pedido insistente é um truque para me prender em casa, a senhora acha perigoso eu ficar andando por aí mesmo hoje, quando os fiscais já não fiscalizam com tanto rigor. Talvez seja mesmo uma boa maneira de passar o tempo, já estou cansado de bater pernas pelos lugares de sempre e só ver essa tristeza de casas vazias, janelas e portas batendo ao vento, mato crescendo nos pátios antes tão bem tratados, lagartixas passeando atrevidas até em cima dos móveis, gambás fazendo ninho nos fogões apagados, se vingando do tempo em que corriam perigo até no fundo dos quintais." a. Quem é o narrador desse fragmento? Ele participa da história? Como você o caracteriza? b. O narrador conta os fatos no momento em que eles ocorrem ou após algum tempo?

Retire

do

texto

fragmentos

que

comprovem

sua

resposta.

Tempo da narração e tempo do narrado 4. Prepare um quadro, retirando exemplos da obra, a fim de conseguir visualizar a presença dos dois tempos: o da narração e o do narrado. Leia os exemplos a seguir e complete a tabela.

Tempo da narração

Tempo do narrado

Está bem, mãe. Vou fazer a sua vontade. Vou escrever a história do que aconteceu aqui desde a chegada de tio Baltazar. Sei que esse pedido insistente é um truque para me prender em casa, a senhora

Eu tinha onze anos quando tio Baltazar chegou da primeira vez.


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acha perigoso eu ficar andando por aí mesmo hoje, quando os fiscais já não fiscalizam com tanto rigor. Talvez seja mesmo uma boa maneira de passar o tempo, já estou cansado de bater pernas pelos lugares de sempre e só ver essa tristeza de casas vazias, janelas e portas batendo ao vento, mato crescendo nos pátios antes tão bem tratados, lagartixas passeando atrevidas até em cima dos móveis, gambás fazendo ninho nos fogões apagados, se vingando do tempo em que corriam perigo até no fundo dos quintais. Só ouvi mamãe me chamar uma vez. [...] Pensei que ia ser fácil escrever a nossa história, estando os acontecimentos ainda vivos na minha lembrança.

Se a minha falta não era notada, então alguma coisa muito importante devia estar acontecendo lá em cima enquanto eu fazia papel de morcego escondido no escuro. Primeiro passei na cozinha para comer

Será que eu estaria aqui escrevendo se tio Baltazar não tivesse vindo para cá com a ideia de fundar a Companhia?

alguma coisa enquanto estudava a maneira de me mostrar na sala. Eu estava mexendo nas panelas quando mamãe apareceu para providenciar mais café e me apanhou de surpresa.

Mas a história que vou contar começa mesmo é com a chegada de tio Baltazar

[...]Coma qualquer coisa e venha falar com ele. Ele tem uma surpresa para você [...] Finalmente chegou o estudioso- disse tio

Pobre tio Baltazar, como estaria sofrendo

Baltazar descansando o charuto no

se ainda vivesse.

cinzeiro. -Venha aqui para eu ver você de perto.


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Agora eu pergunto de novo: se ele

Eu trouxe isto para você. Veja se gosta.

tivesse voltado naquela ocasião, será que Mamãe fez sinal para eu abrir o ainda estaria vivo? E se ele não tivesse

embrulho, meu pai continuava fumando e

fundado a Companhia, será que teríamos

fazendo força para mostrar a indiferença.

passado por tudo o que passamos?

[...]

Se estou aqui para contar a verdade não posso esconder o meu desapontamento quando vi tio Baltazar[...]

Por meio da análise da tabela, percebemos que quem nos conta os fatos é um narrador em 1ª. pessoa que, como foi dito, a pedido da mãe, resolve contar a história do que aconteceu em sua cidade desde a chegada de tio Baltazar. Assim, via memória, recupera os fatos vividos por ele. Aqui, há uma diferença entre o tempo da enunciação e o tempo do enunciado.

5. Por que Lucas resolve escrever suas memórias? Qual sua percepção em relação à cidade? 3ª etapa Leitura compartilhada dos capítulos 2 e 3 " Um homem correndo" e "A partida" Como a história é narrada em um momento diferente dos fatos vividos, o narrador mostra-se mais maduro. Por esse motivo, à medida que rememora os fatos, tece comentários a respeito deles. Observe: "É curioso como certas coisas vão acontecendo em volta da gente sem a gente perceber, e quando vê já estão aí firmes e antigas" (p. 7) "Meu pai vivia correndo naqueles dias; se ele soubesse para onde estava correndo teria moderado o passo." (p. 13) É

importante

que

você

perceba

que

os

fragmentos

acima

revelam

um

posicionamento de alguém já amadurecido, ou seja, os fatos ocorridos, quando


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menino, são interpretados de outra forma por alguém que, distante no tempo, com uma postura mais reflexiva, resolve rememorar os fatos vividos. 6. No decorrer dos três primeiros capítulos, o narrador, já mais maduro, demonstra não saber de todos os fatos que sucederam. Veja: "Como foi eu não sei direito. Só sei que houve uma briga no cartório [...]" "Pelas conversas aqui em casa fiquei sabendo que a grande dificuldade era o capital" "Até hoje não sei o que aconteceu entre eles no início para gerar tanta prevenção" a. A que fator você atribui a falta de conhecimento de Lucas sobre os fatos relatados? b. Levando em consideração o não-conhecimento de Lucas em relação a todos os fatos, pode-se dizer que o relato é confiável? 7.Leia o fragmento a seguir: Quando tio Baltazar começa a falar no projeto da Companhia meu pai se mudou para as nuvens. a. Interprete essa imagem? O que ela sugere? b. Descreva a ascensão e o declínio de tio Baltazar. 4ª etapa 8. Após ter lido os capítulos 4 e 5 em casa, respondam às seguintes questões: a. O que ocorre em Taitara assim que tio Baltazar se afasta? 9. Leia o fragmento a seguir: De repente os muros, esses muros. Da noite para o dia, eles brotaram assim retos, curvos, quebrados, descendo, subindo, dividindo as ruas, tapando vistas, escurecendo, abafando. Até hoje, não sabemos se eles foram construídos aí mesmo nos lugares ou trazidos de longe já prontos e fincados aí. a. Você julga normal muros surgirem de repente na cidade?


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b. O que mudou na rotina dos moradores com a presença dos muros? 10.Leia o fragmento a seguir: “No princípio quebrávamos a cabeça para achar o caminho de uma rua à rua seguinte, e pensávamos que não íamos nos acostumar; hoje podemos transitar por toda parte até de olhos fechados, como se os muros não existissem.” Observe que, por medo, as pessoas desistiam de lutar, aceitavam tudo sem questionar, a ponto de não estranharem mais a opressão. No dicionário, ou seja, em seu sentido literal, muro é 1-uma parede forte que veda ou protege um recinto ou separa um lugar de outro. 2 Murada. 3 Defesa, proteção. a. Arrisque uma interpretação: por qual motivo aparecem muros na cidade? O que eles significam? b. Após a construção dos muros, surge a figura do fiscal. Qual era seu papel? c. Ainda no início do capítulo 4, o narrador menciona o respeito que o pai obteve com o cargo de fiscal. O respeito obtido é o mesmo que tio Baltazar recebia da população? Por quê? d.No cargo de fiscal, Horácio tinha algumas funções. Quais eram elas? Observe que

os muros impediam que os cidadãos de Taitara soubessem o que

acontecia na cidade. A falta de visão, imposta por eles, cria nos habitantes o hábito de olhar para cima, para os urubus que a sobrevoavam. Observá-los passa a ser a única distração das pessoas. Por esse motivo, compram binóculos, lunetas e telescópios. 11.No dicionário, ou seja, em seu sentido literal, urubu é a designação dada a várias aves rapinadoras, da família dos Catartídeos, que circulam no ar à procura de carniça, de que unicamente se alimentam. a.

Arrisque

uma

interpretação,

o

que

os

urubus

sugerem

na

trama?


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b. O estranho hábito de ter urubus como animais de estimação logo atrai a atenção da

Companhia.

Qual

a

atitude

dela

diante

desse

fato?

Note que qualquer liberdade era aniquilada pela Companhia, pois nada poderia fugir ao seu controle, ainda que fosse um simples divertimento. 5ª etapa Após ter lido o capítulo 6 em casa, troque as impressões gerais de leitura, depois faça o que se pede. 12.Leia o fragmento a seguir: Nossa vida voltou à triste rotina de fitar muro, contornar muro, praguejar contra muro e esperar por algum acontecimento indefinido que nos tirasse desse molde. Os dias se emendavam iguais, de tão iguais se confundiam e pareciam um só. Tínhamos caído em um desvio onde a ideia de tempo não entrava, a vida era uma estrada comprida sem margens nem marcos, estar aqui era o mesmo que estar ali, o hoje se confundia com o ontem e o amanhã não existia nem em sonho; nós esperávamos qualquer coisa, mas já nem sabíamos se era para adiante ou para trás. a. O que representa a possibilidade de ver o mágico, Grande Uzk, na rotina dos moradores? b. O que Grande Uzk fez de tão sensacional? c. Como os moradores saíram do espetáculo? 13. Leia o trecho a seguir: “Mas a verdade é que o Grande Uzk ajudou muito a nossa vida, e sem ele ficou mais difícil aguentar a realidade. Depois que ele foi embora levando suas mágicas naquelas canastras enormes, as pessoas andavam pelas ruas como sonâmbulas, indiferentes, desinteressadas, esbarrando umas nas outras, pisando as botinas engraxadas dos fiscais e pagando caro pela distração.”


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a. A vinda do mágico à cidade não é comprovada, parece ser mais um desejo coletivo, uma via de escape daquela realidade tão amarga. Que fragmentos do romance põem em dúvida a existência de Grande Uzk? b. Por que o narrador afirma que sem a presença do mágico ficou mais difícil enfrentar a realidade? c. Depois que o mágico foi embora, a Companhia caprichou na vingança pelos dias de encantamento junto de Grande Uzk. Que atitude ela tomou? 14. Ainda no capítulo 6, Horácio (pai de Lucas) começa a se aproximar do filho. Observe: “Não cheguei a abraçá-lo e até beijá-lo porque me faltava com ele a intimidade que eu tinha com mamãe. Mas naquele momento eu o vi como pai mesmo. "Felizmente gorou. Um mal que veio para bem." Ele parecia aliviado. Talvez não fosse difícil nos entendermos como amigos se ele deixasse mesmo o emprego. [...]” a. Qual era a postura do pai de Lucas antes dessa tentativa de aproximação? Atente-se ao fato de a personagem Horácio é esférica, possui uma complexidade psicológica. Como mote para as discussões, leia o fragmento a seguir: Para Forster, "as personagens, flagradas no sistema que é a obra, podem ser classificadas em planas e redondas. As personagens planas são construídas ao redor de uma única ideia ou qualidade. Geralmente, são definidas em poucas palavras, estão imunes à evolução no transcorrer da narrativa, de forma que as suas ações apenas confirmem a impressão de personagens estáticas, não reservando qualquer surpresa ao leitor. [...] “As personagens classificadas como redondas, por sua vez, são aquelas definidas por sua complexidade, apresentando várias qualidades ou tendências, surpreendendo convincentemente o leitor. São dinâmicas, são multifacetadas, constituindo imagens totais

e,

ao

mesmo

tempo,

muito

particulares

(Brait, Beth. A personagem . São Paulo: Ática, 1985)

do

ser

humano”.


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b. A personagem Horácio se classifica como plana ou esférica? Por quê 6ª etapa 15. Ao longo dos capítulos, o pai tenta mudar de vida e instalar um armazém. Porém, a instalação não acontece de forma fácil. Por quê? 16.Há mudança no tratamento dispensado ao pai de Lucas pelas pessoas que antes o respeitavam? Por qual motivo? 17. A cidade viveu dias intensos de chuva. A tal ponto de ninguém conseguir sair de casa. Quando a chuva passou e o Sol voltou a brilhar, Taitara pareceu até mais feliz. Veja: “As ruas lavadas davam à cidade um aspecto renovado, e se não fossem os muros, sempre em pé, sempre antipáticos, podia-se pensar que o tempo feliz não tardaria. Nas praças e jardins, nos quintais, nos pátios as plantas brotavam com um viço impressionante, e a quantidade de borboletas que apareceram de repente, como nascidas do contato do sol com a umidade da terra, deixava todo mundo intrigado mas contente com o colorido benfazejo. O tempo feliz estava no ar. A alegria era tanta que íamos esquecendo a Companhia.” a. Como tentativa de proibir qualquer liberdade e alegria, novas proibições foram impostas pela Companhia. Quais são elas? 7ª etapa É importante que você atente-se ao fato de o tempo da narração ser diferente do tempo do narrado. Essa distância temporal permitiu que o narrador-personagem amadurecesse. Assim, ao se lembrar dos fatos, poderia refletir sobre eles. É o que ocorre quando se lembra de Felipe, filho de Dr. Marcondes. Leia o seguinte trecho:


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“Felipe de Dr. Marcondes disse uma coisa muito certa, só agora é que percebo. Um homem foi ferrado de arraia numa pescaria aqui perto, disseram que ele chorou uma tarde e uma noite pedindo aos companheiros que o matassem porque a dor era insuportável. Comentei o caso com Felipe, ele não ficou impressionado como eu esperava; disse apenas que isso ou era fita ou exagero ou lenda porque não existe dor insuportável; dor insuportável ninguém sabe como é porque ainda não sofreu.” Já mais crítico, Lucas reflete sobre a situação vivida em Taitara. E dá razão à fala de Felipe. Observe: “Pensando agora em nossa situação aqui, vejo que Felipe tinha razão. Todo mundo vem dizendo há muito tempo que a vida está insuportável, e que se continuar assim... Pois continua, e cada dia piora, e estamos aí aguentando. Quando parece que não vamos aguentar mais e cair no desespero, alguém inventa um passatempo para nos distrair.” É importante que você entenda que ver urubus, encantar-se com o mágico, subir a um lugar alto e olhar os campos e estradas além das divisas de Taitara eram as distrações inventadas para conseguir suportar uma realidade repressora. 18. Responda individualmente as questões a seguir: a. O que Felipe viu de cima da torre? b. O que essa visão lhe causou? c. Nesta época a Companhia queria ter controle das hortas dos moradores. Qualquer matinho extra que nascesse, se não tivesse sido declarado, imputaria punições. Durante a fiscalização na casa de Lucas, o que os fiscais veem? 19. Assim como o surgimento dos muros, a infestação de urubus na vida das pessoas e o mágico que ninguém tem certeza se realmente apareceu na cidade, o voo dos homens é algo que foge da realidade. a. Arrisque uma interpretação: por que as pessoas da cidade saem voando? Qual o significado do voo no contexto da obra? b.Assim que a Companhia soube do voo dos moradores tratou de baixar proibições. Os moradores obedeceram a elas?


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Importante! O surgimento dos muros, a amizade dos moradores com urubus, o voo dos moradores são alegorias. Uma alegoria é uma representação tal que transmite um outro siginificado em adição ao significado literal do texto. Em outras palavras, é uma coisa que é dita para dar a noção de outra, normalmente por meio de alguma dedução moral. 20. Para discussão em classe: a. Você identifica o livro como uma história de opressão? b. A opressão do livro é marcada? Faz referência a uma época e lugar específicos? c. Saindo um pouco da obra, olhando para a História do Brasil, já houve algum momento em que vivemos uma opressão, censura, perda de liberdade. Se sim, quando? Importante! A obra Sombras de reis barbudos foi publicada em 1972, em plena ditadura Militar. Sendo assim, ela pode ser lida como uma alegoria do período de opressão no Brasil. Contudo, a obra é extremamente atual. Pelo procedimento alegórico, ela se torna mais abrangente, servindo como alegoria de situações de opressão em geral, não apenas do Brasil da ditadura. Deve ser lida como um romance que flagra a resignação humana diante da opressão, mas também a resistência ao status quo e a busca pela liberdade.

Roteiro de leitura da obra "Sombras de reis barbudos"  

Roteiro de leitura literária da obra Sombras de Reis barbudos, de José J. Veiga. Editora Companhia das Letras.

Roteiro de leitura da obra "Sombras de reis barbudos"  

Roteiro de leitura literária da obra Sombras de Reis barbudos, de José J. Veiga. Editora Companhia das Letras.

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