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FLOR DE OBSESSÃO por Edno Lima

Lenine invade Paris com sua música planetária brasileira

Tabloides e telejornais preveem confrontos e pedem cautela para quem aventurarse nas ruas. Os hotéis indicam motoristas particulares a seus hóspedes, temendo represálias no metrô e em pontos turísticos. Estamos no dia 18 de março, véspera de mais uma greve geral na França. Sindicatos, entidades privadas e universidades mobilizam-se contra o governo de Nicolas Sarkozy, que havia anunciado um pacote anticrise de 2,6 bilhões de euros, insuficiente para frear as demissões que assolam a nação. Nessa data, Lenine encontra-se em Paris para a estréia da turnê internacional de Labiata, seu álbum mais recente. O pernambucano estava lá para falar de flores (seu último disco leva o nome de uma orquídea rara, a Cattleya Labiata, e ele se define como um "orquidólatra") e de misturas sonoras, sua eterna busca. "A humanidade corre a galope para essa promiscuidade de troca, esse intercâmbio de ideias", reconhece. Aclamado pelos franceses - onde gravou Lenine in Cité, de

MUSICA

2004, ele foi o autor do hino do Ano do Brasil na França (em 2005) e, agora, em parceria com o compositor Arthur H., fez o tema do Ano da França no Brasil. Visto no mundo como um artista multifacetado, Lenine sabe que essa imagem vem de sua herança multicultural brasileira. "Quando comecei, tinha a MPB, o rock e o samba, mas não havia pontes entre esses universos. E propus um tipo de hibridez que não era 'guetizante'", relembra. "Então, quando dizem que toco MPB, admito: 'Sim, é Música Planetária Brasileira'." Para ele, essa definiçao é a síntese de todo seu trabalho. A diversidade é sempre um fator positivo e que se tornou parte fundamental de sua identidade.

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projeto acadêmico

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