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BOLETIM INFORMATIVO VERDEPERTO - PELOTAS, JULHO/2012

A MATA DO TOTÓ GRITA POR SOCORRO Leia nesta edição dicas para utilizar o Totó sem prejudicar o meio ambiente. Nossa equipe visitou o local e presenciou poluição, destroços e habitação ilegal e destruição da Mata Atlântica.

PESCADOR DO TOTÓ IMPLORA POR ATENÇÃO DO PODER PÚBLICO E DAS PESSOAS


02 | EDITORIAL

verdeperto O que é verdeperto? Este planejamento tem o objetivo de fornecer estratégias de marketing e comunicação para a Universidade Católica de Pelotas através do evento Rally de Comunicação. Foram exigidas ações de cunho ecológico, no qual a marca da UCPel estivesse vinculada de alguma forma. Assim, foram planejadas ações que se adequassem ao atual cenário competitivo e carente em políticas sustentáveis, ficando exclusivamente na Mata do Totó, um raro resquício de mata atlântica no Rio Grande do Sul. Objetivando apresentar valores sustentáveis focados na flora, planejamos criar um grupo de intervenções com o objetivo de promover a educação ambiental de um modo diferenciado. Acreditamos que apenas disseminar a conduta sustentável por meios tradicionais não seja mais o suficiente para comunicar e fixar valores. Portanto, o nosso grupo terá vários diferencias, porém um deles será o nosso principal ativo: a marca. Buscaremos nos posicionar como um grupo

ousado, que ataca diretamente o desrespeito ao meio ambiente. Para consolidar a nossa personalidade, realizaremos ações diferenciadas, fugindo totalmente das tradicionais campanhas de conscientização. O grupo irá atuar em dois fronts: Na cidade de Pelotas e na Mata do Totó, localizada entre a colônia Z3 e o Barro Duro. Na cidade, faremos ações institucionais e impactantes com o objetivo de comunicar informações macro, ou seja, fatores que afetam o planeta como um todo. Junto a estas ações, organizaremos eventos de plantio de árvores no Totó, representando o nosso fator tangível de envolvimento com a causa. Desta forma, buscamos consolidar identidade de marca aonde o público está (nas cidades) e materializar a essência da marca no Totó, instigando os indivíduos a participarem e aderirem a causa sustentável. Porém, como gerar uma percepção relevante ao público, motivando-o a envolver-se nas ações de plantio? Oferecendo um valor simbólico, ou seja, uma narrativa de marca!

Expediente Projeto de Extensão verdeperto Criado em junho de 2012

Universidade Católica de Pelotas Coordenação Geral Eduardo Sampaio Gotuzzo Equipe de Redação Eduarda Batista Porto Victor Lannes de Campos da Costa William da Silva Gonçalves Foto Iago Lopes Aguiar Projeto gráfico/ Diagramação Bruno Barcellos Pescadores e comunidade podem conviver em harmonia com o Totó. Reportagem / Redação / Foto Kamilla Alves da Silveira


ENTREVISTA | 03

ENTREVISTA

Pescador que é pescador, cuida. Cuida porque faz parte dele. É o' nossos sustento.” ‘Pescador que é pescador, cuida. Cuida porque faz parte dele. É o nossos sustento.’ JURANDIR, pescador do Totó.

VERDEPERTO: Existe alguma fiscalização para que não haja depredação da Mata? Jurandir: “As vezes a prefeitura vem ai, dá uma olhada. Mas a prefeitura faz o que ela pode, né? Mas se as pessoas não colaboram... Vem ai, atiram o lixo. [...]Tudo contamina. [...] Uma coisa que tem que se preocupar é com essas lâmpadas de mercúrio. Tem que ver um meio de levar essas lâmpadas pra algum lugar porque aquilo ali vai pra água, contamina os peixes e nós, que comemos os peixes, acabamos nos contaminando também. A gente sabe que fiscalização tem mas a gente não vê. Se cada um fizesse a sua parte. Mas a gente sabe que a maioria não cuida, né? “ VDP: O senhor acredita que se a população dos arredores fosse mais ativa, fiscalizando a área, haveria tanta poluição? Jurandir: “Ninguém mora aqui. Só o “Seu Beto”, lá adiante; ele faz o que pode.[...]Final de semana, vem um monte de gente pra cá, depreda. Sem falar nessas práticas religiosas... A prefeitura largou isso tudo limpo, eu sou testemunha e olha como é que tá agora. A gente vê carro soltando cachorro e, até gente vindo aqui só pra jogar lixo. [...] O pescador é o que mais cuida.

Pescador que é pescador, cuida. Cuida porque faz parte dele. É o nossos sustento.” VDP: Na sua opinião, se a Polícia Ambiental montasse um grupo de combate à poluição da Mata, isso seria evitado? Jurandir: “Principalmente no verão. Isso aqui era um camping ilegal. O cara morava aqui e fez um camping e o que o dono disso trouxe pra Natureza? Nada, só destruição. “ VDP: No verão, após a destruição do camping, algumas pessoas voltaram a acampar por aqui? Jurandir: “Não. Acampar eles não acampam; passam o dia e depois vão embora. Só lá depois da ponte o pessoal acampa.” Com o senhor havia me dito, os pescadores são os que mais cuidam da área. VDP: Pelo seu ponto de vista, o público que polui, são os turistas que vêm conhecer a área? Jurandir: “Elas eram pra se atualizar com o pessoal que mora aqui. As pessoas deveriam levar seu próprio lixo, mas eles vêm aqui e não levam seu lixo. Vai lá na Z3 e vê. Não tem nenhum lixo na beira da água. O caminhão

passa aqui e leva o lixo, a minha sacolinha tá ali pendurada esperando o caminhão para levar. Mas não é todo mundo que faz isso, né?” VDP: E, por fim, se ocorresse a privatização dessa área, o senhor crê que não haveria tanto lixo e o local seria melhor cuidado? Jurandir: Claro que sim. Tudo que é privado é melhor. Nós pagamos mas recebemos. Uma vez, eu tava conversando com o meu pai, ele era funcionário público, e eu disse “pai, nada contra o serviço público ,mas, tem uns que quando vão pra lá já ficam acomodados”. Sempre torci para que fosse privatizado o serviço do estado porque, quando é privatizado, a gente tem muito mais resposta; quem paga imposto tem muito mais resposta. Por exemplo, tu chega na instituição privada tu é muito bem atendido, as coisas andam mais rápido; tu chega lá e eles já resolvem pra ti. Já na instituição pública o pessoal já fica naquela lenga-lenga, são acomodados. Ta trabalhando lá há 2 anos e já acha que o dono da verdade. Nem se importa contigo. Um dia tudo vai ser privatizado, eu torço pra isso. Vai melhorar, vai melhorar muita coisa.


CONTRACAPA | 04

CUIDAR DO TOTÓ É RESPONSABILIDADE DE TODOS Patrimônio cultural de Pelotas, mata do totó está ameaçada pela ação do homem. ENTREVISTA

KAMILLA ALVES DE PELOTAS

Um dos únicos vestígios de Mata Atlântica em nosso estado está presente na região Sul. A Mata do Totó é uma área de 180hc de extensão considerada como a parte limite sul da Mata Atlântica em território nacional onde podemos encontrar inúmeras espécies seriamente ameaçadas de extinção. A degradação da Mata Atlântica no Sul do estado Foto: Kamilla Alves chegou ao ápice. Possuímos apenas fragmentos dela em nossa extensão territorial. Um dos motivos pelos quais isto ocorre é o crescimento

desorganizado da população humana que transformou a maior parte desse bioma em áreas que assemelham-se às urbanas. Vale ressaltar que há uma lei municipal que considera a Mata do Totó patrimônio cultural de Pelotas, um fragmento de grande importância ambiental, onde é proibido acampar e depredar. Contudo, a ausência de planejamento das atividades turísticas na região ocasiona impactos ao meio ambiente.

Dicas para preservar a Mata Atlântica * O que entra na floresta deve sair: Não jogue lixo na natureza! * O consumidor consciente cuida do destino correto dos seus resíduos. * Não compre plantas nativas da Mata Atlântica extraídas ilegalmente. * Selecione para compra apenas produtos feitos com madeira certificada. * Compre apenas palmito cultivado e registrado pelo Ibama. * Imóveis dentro de áreas protegidas não devem ser compradas. * Não compre animais silvestres e denuncie seus aprisionamentos e comércio.

Todo ato de consumo provoca impacto no meio ambiente, por isso, seja consciente e preserve-o. As gerações futuras, agradecem.


boletim informativo | verdeperto