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Comportamento Julho • 2013

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COMIDA POPULAR DE QUALIDADE Restaurantes administrados pela Prefeitura de Belo Horizonte alimentam, por dia, cerca de 13 mil belo-horizontinos e moradores de cidades da Região Metropolitana da capital mineira n CAROL LOPES DAYSE SANTOS LAURA DE LAS CASAS NATHAN GODINHO TAMARA FONTES 7º PERÍODO

Todos os dias, por volta das 11 horas, o aposentado João Batista da Silva, 75 anos, sai de casa, em Itabirito, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e pega um ônibus até o centro da capital. A viagem dura cerca de uma hora, se o trânsito está ruim, e 40 minutos se o trânsito ajudar. O destino é sempre o mesmo: o Restaurante popular Hebert de Souza, localizado à Avenida do Contorno, ao lado do Terminal Rodoviário. "Eu venho porque a comidinha é muito boa, sabe? Aí vale a pena", conta. Ao meio dia de uma quartafeira, a fila na porta do restaurante já dobra a esquina. Ali é possível ver trabalhadores, mendigos, viajantes, jovens, idosos e famílias inteiras à espera do prato de comida servido pelo valor de R$ 1,50. Do lado direito há uma fila preferencial para idosos e deficientes. É nela que João Batista da Silva entra. Ele explica que não paga pelo transporte público ou pela refeição, já que tem um cadastro na Prefeitura de Belo Horizonte que comprova sua baixa renda e dá a ele o direito de comer gratuitamente. "Como não pago nada e estou à toa na vida, não ligo de perder meu tempinho no ônibus para poder comer bem", justifica. Com cuidado, ele pega sua ban-

deija e escolhe calmamente as em média a seis mil pessoas sendo quebrado. Para Isabella opções para o almoço do dia: sendo atendidas em um dia. Em Soares, servidora pública que arroz, feijão, omelete, salada de relação ao cardápio, Norma almoça diariamente no refeitório tomate e melancia, sua fruta explica que ele é pensado cuida- da CMBH, isso já caiu por terra. dosamente por nutricionistas de "Aqui é um local onde nos alipreferida. A Prefeitura de Belo cada unidade dos refeitórios. mentamos, mas que também forHorizonte mantém outros três Todos os dias são seguidas técni- talecemos nossa sociabilidade e restaurantes populares, em Santa cas de nutrição de uma vasta cidadania, o que menos importa Efigênia, Venda Nova e Barreiro, equipe de profissionais. Com é se há ricos ou pobres comendo e um refeitório popular na isso, o resultado são refeições no mesmo local", afirma. Gleiçon Francisco Ferreira, 26 Câmara Municipal (CMBH), seguras e com garantia de valores anos, é ex-funcionário do com refeições balanceadas a R$ nutricionais balanceados. O estigma do restaurante po- Restaurante Popular do Centro, 2, e sopa no jantar a R$ 1. Nos restaurantes do Centro e Santa pular como lugar onde se dis- onde Seu João Batista come Efigênia e no Refeitório da tribui comida aos pobres está diáriamente. Atualmente, ele traCâmara também balha como seguL L C são fornecidos rança no Restaucafé da manhã, ao rante Popular do preço de R$ 0,50. Barreiro, mas volNo total, cerca de ta ao antigo servi13 mil pessoas ço ao menos uma passam pelos resvez por mês, por pura saudade. "Ataurantes da capiqui é um lugar tal diariamente. bom de trabalhar, Com um cardápio é limpo, é agravariado, o restaudável. Eu sinto rante popular já é falta", explica. Ele referência de deconta que a rotina mocratização, por trás do balcão acesso e alimenonde a comida é tação da popuservida é bastante lação belo-horirígida. Lá os funzontina. cionários são treiNorma Duarte, nados para realiassessora de cozar a higienização municação da Prede todos os alifeitura, afirma mentos usados que o primeiro nas receitas. "É restaurante poputudo muito conlar a funcionar na trolado, para não cidade foi o da ter erro", compleunidade I, no menta. Centro. Hoje, esta Em todas as unidade atende, O aposentado João Batista da Silva sai de Itabirito para almoçar no centro da capital AURA DE

AS

ASAS

refeições o cidadão pode escolher entre duas opções de comida, sempre havendo uma vegetariana. O cardápio é pensado por uma nutricionista que orienta os cozinheiros não só em que cozinhar, mas também em como temperar. Levando em conta que ali comem pessoas com problemas de saúde, a comida deve ser feita com pouco sal e pouca gordura. Antes das portas serem abertas ao público da cidade, que já começa a chegar desde as 11h, todos os funcionários se reúnem para provar o prato do dia. "É uma espécie de ritual. É o espirito de coletividade sendo praticado aqui dentro", lembra Glaiçon, recordando tempos antigos. Segundo ele, esse é um dos motivos da comida ser sempre tão gostosa. "É feita com carinho", destaca. Após o almoço, cada pessoa deve recolher sua bandeja e levála ao local onde elas serão higienizadas. A comida que sobra é toda acumulada e direcionada para fábricas de adubos. Os utensílios usados são lavados com água fervendo e desinfetados. Tudo que foi usado durante o almoço deve estar limpo para ser utilizado novamente quando a sopa do fim da tarde for servida. Seu João Batista nunca fica para provar a sopa, mas sabe que não tarda a voltar. "Tomara que amanhã tenha melancia de novo", diz sorrindo.

Refeitório Popular tem público fiel O Refeitório Popular da Câmara Municipal de Belo Horizonte foi criado em agosto de 2004 e, desde então, conta com um público fiel. São cerca de 1.100 pessoas no almoço e 100 pessoas no café da manhã, totalizando mensalmente cerca de 22 mil pessoas. Localizado próximo à Região Hospitalar e perto do Batalhão de Polícia

Militar, o refeitório atende às pessoas que estão acompanhando pacientes no hospital Mário Pena, atende a policiais militares que trabalham na região, os próprios servidores do legislativo municipal, entre outros. Segundo o Núcleo de Cidadania da CMBH, a comida servida no refeitório vem do

Alimentação elaborada de maneira saudável A fila dobrando o quarteirão com dezenas de pessoas já causa interesse em quem passa pela Avenida Afonso Vaz de Melo. Um grande número de pessoas deixa a Estação BHBus para entrar na fila. Aos poucos vão andando e entram no maior restaurante popular da América Latina. Inaugurado em 2010, a unidade continua com alto índice de frequentadores e com a mesma qualidade na comida, segundo os frequentadores. Com uma área um pouco maior que um campo de futebol, o restaurante é preferência de quem

vem de longe ou trabalha bem próximo ao local. Na fila, o engenheiro da V & M, Thiago Campos frequenta o Restaurante Popular do Barreiro todos os dias e diz que a comida é um diferencial para a alimentação. "Conheci o restaurante através de um empregado da minha equipe dentro da empresa. Marcamos um almoço aqui, dai em diante passei a comer aqui todos os dias. A comida aqui só não é melhor que a da minha mulher", completa. Com suportes de nutricionistas, médicos entre outros especialistas, são

Restaurante da Santa Casa (Restaurante Popular II), em cubas térmicas e em um carro climatizado, adequado para o transporte e com a supervisão de uma nutricionista. O alimento é monitorado por um termômetro infravermelho que mede a temperatura durante o deslocamento do alimento até o local. As cubas térmicas em

que são transportadas as refeições mantém a temperatura por até quatro horas. Para a coordenadora do Núcleo de Cidadania da CMBH, Alcely Viana Costa, o refeitório, resultado de um convênio firmado com a Secretaria de Abastecimento Municipal, realiza um trabalho importante, pois dá condições de

pessoas gastarem pouco com a alimentação. "Há um lavador de carros aqui em frente do refeitório que diz: lavei três carros e já vou comer a semana toda com o dinheiro que eu ganhei", afirma. Isso, para a coordenadora, torna o trabalho social interessante, dá alimentação a população carente e de forma acessível.

servidos diferentes tipos de alimentos pensados na saúde e no bem estar dos frequentadores. Um diferencial do restaurante é o apoio virtual, há no restaurante um acompanhamento por um blog para sustentar e manter atualizados os frequentares do restaurante. No site há informações dos eventos, cardápios e comemorações importantes. "Acompanho todos os dias o cardápio do site mesmo, quando é uma comida mais saborosa tento sair até mais cedo da empresa" , brinca. Ismael Silveira, frequentador do restaurante há dois anos e morador do Barreiro de Cima, vem ao restaurante pela economia realizada no estabelecimento. "Eu e minha família economizamos frequentando esse restaurante todos os dias. Trago

as crianças assim que saímos da escola e passo aqui com elas. Elas adoram e sempre ficam esperando os eventos de festa", conta. O pequeno Bruno brinca com a comida e promete que come tudo para ganhar presentes de Papai Noel como ganhou no semestre passado. "Papai Noel me deu dois carrinhos que estão lá em casa até hoje. Guardo e espero o próximo", diz. Também no restaurante a presença de moradores de rua é alta, os carentes fazem vigília para conseguir dinheiro e comer no restaurante. "Sou morador de rua há 16 anos e compro essa comida todos os dias. Faz gosto comer aqui. É um momento alegre de encontrar os companheiros", conta Geraldo Brasil, que revela viver

em Belo Horizonte depois de abandonar a família para tentar uma vida melhor. Entre os frequentadores do restaurante, se destacam aqueles que estão presentes todos os dias. A servente Elza Souza Pires, que trabalha na limpeza, conta que é uma alegria compartilhar desse momento com os moradores da região. Sempre com um sorriso no rosto faz o trabalho lembrando que aquele é um momento de descanso para os frequentadores. "Enquanto as pessoas almoçam, eu continuo trabalhando. Mas faço isso com gosto. A felicidade dos que conseguem esse prato de comida é o que paga esses momentos trabalhando. O restaurante já é parte da família dos amigos frequentadores", ressalta.

Marco 299  
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