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Em BH, amantes dos patins criam grupo na internet, conseguem mais adeptos e marcam encontros para a prática da atividade. Página 12

VICTOR RINALDI

RAQUEL GONTIJO

PASSARINI ÍGOR

Persistem as reclamações de moradores residentes próximo ao Aeroporto Carlos Prates quanto ao barulho provocado pelos helicópteros. Página 7

Clube de Leitura em Quadrinhos reúne apaixonados e curiosos duas vezes por mês em biblioteca municipal na capital mineira. Página 9

marco jornal

MATEUS TEIXERA

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LAGOA DA PAMPULHA

Junho • 2013

Ponto turístico de Belo Horizonte e concorrendo ao posto de Patrimônio Cultural da Humanidade, a Pampulha guarda histórias de moradores e visitantes que veem no espelho d’água e em seu entorno um referencial da capital mineira. Mesmo com sua importância, a lagoa corre risco, por causa da poluição e do assoreamento que a atinge. A população anseia pela prometida recuperação, mas se mostra dividida em relação a acreditar que isso de fato ocorrerá. Parceria entre Copasa e prefeituras de Belo Horizonte e Contagem tenta restaurar a qualidade da água. Mas, o projeto, que se divide em três partes, teve a primeira adiada. Pág. 16

COMPLETA 70 ANOS SEM MOTIVOS PARA COMEMORAR RAQUEL GONTIJO

Ano 41 • Edição 298

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A rotina dos garis que trabalham em Belo Horizonte RAQUEL DUTRA

Cine Pathé será utilizado como cinema novamente Famoso nas décadas de 1950 e 1960, o Cine Pathé acabou perdendo o seu lugar e, após outras destinações, é ocupado por um estacionamento. Essa situação, no entanto, está perto de ser mudada. A prefeitura da capital, juntamente com a PHV Engenharia, elaboraram projeto de recuperação do espaço. O cine será ‘reinventado’, mas buscando guardar sua história e os desejos da população. Um prédio de nove andares será erguido, mas preservando-se a fachada tombada. Além da sala de projeção, haverá espaço para exposições. Pág. 11

Fanfics saem da internet e são publicadas em livros ANDRÉA PRADO

As fanfics são histórias que se baseiam em outras histórias. Feitas por fãs, utilizam personagens, cenários e enredos de narrativas consagradas para criar uma nova. Escritores de fanfics como Bárbara Dewet, começaram a escrever pelo gosto às histórias fantasiosas, mas, hoje, já tem livros publicados e lugar garantido nas prateleiras de livrarias ao lado de seus ídolos. A internet é o meio mais comum de divulgação e troca de fanfics entre os fãs. Pág. 8

O dia a dia dos profissionais de limpeza urbana não é uma tarefa fácil, o esforço é grande e o salário não é satisfatório, além disso, sofrem com alguns cidadãos desrespeitosos. Dificuldades à parte, a maioria dos garis esbanja simpatia e felicidade, realizando seu trabalho sempre com um sorriso no rosto. É o caso da profissional Sheila Natalícia de Andrade, que diz se divertir cumprindo seu trabalho no Bairro Coração Eucarístico. A casinha verde da rua Paracatu, no Bairro Santo Agostinho, Zona Sul da capital, é ponto de partida para o trabalho de 12 profissionais da limpeza urbana. Entre esses, a família Peixoto se destaca por ter uma rotina diferente das famílias tradicionais: as 7h da manhã pai, mãe e filho já estão com seus uniformes laranjas prontos para começar a limpeza das ruas. Pág. 13 nestaediçãonestaediçãonestaediçãonestaediçãonestaediçãonestaediçãonestaediçãonestaediçãonestaedição


2 Comunidade

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Junho • 2013

EDITORIAL

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Quando as dificuldades tornam o trabalho ainda mais gratificante

MÃO ÚNICA PREJUDICA TRÂNSITO NO COREU

n GABRIELLE ASSIS

Desde que passou a ter só um sentido, Rua Dom Joaquim Silvério tem causado problemas a motoristas e moradores

3º PERÍODO

RAQUEL DUTRA

Fechar a edição de um jornal não é tarefa fácil. Os envolvidos, no caso do MARCO, os monitores, lidam com as dificuldades para conseguir pautas e fontes, precisam entrar em contato com assessorias e órgãos oficiais, conseguir fotos e personagens, para que tudo fique pronto de acordo com o calendário, e as pessoas recebam em sua casa a edição do jornal finalizada. Mas, a experiência do trabalho é sempre gratificante, ainda mais em jornal feito por alunos e destinado a toda a comunidade localizada no entorno da Universidade, porque ficamos muito próximos de todas as etapas, desde a primeira reunião até as páginas prontas, o que nos garante intenso aprendizado. A finalização de um jornal é a mais difícil das tarefas. Nessa edição, deparamos com o fim do semestre letivo da Universidade, que acarretou no acúmulo de atividades para os repórteres, monitores e editores. Mas, como tudo na vida tem solução, a equipe trabalhou arduamente e nossos repórteres, mesmo sendo voluntários, buscaram dar o máximo de si, para você, caro leitor, receber em sua casa mais uma edição do nosso jornal, do nosso MARCO. Quando eu falo "nosso", quero dizer que o jornal é de toda a comunidade, de todas as pessoas que, há mais de quatro décadas, abrem suas páginas para se informar, vivenciar realidades diferentes e fazer parte da nossa história. Nesta edição mostraremos como a tecnologia influencia e muda a vida das pessoas, servindo como ponte para unir gente com os mesmos gostos, como inspiração para a criatividade de jovens, que cada vez mais usam a modernidade a seu favor, ou como forma de facilitar a vida e a locomoção em tempos de correria. Além disso, nas páginas seguintes retratamos a vida de pessoas que trabalham arduamente para sustentar sua família, falamos da relação das pessoas com a cidade, da comemoração de 70 anos do Complexo da Pampulha, tão importante e imponente em Belo Horizonte e dos preparativos para a Jornada Mundial da Juventude, mais um marco em nosso país este ano. O nosso trabalho é sempre levar a vocês a informação e, mesmo com o cansaço, a correria e as horas a mais de expediente, nossa maior alegria é saber que nossa atividade está sendo bem feita. Prova disso são os telefonemas, os agradecimentos e, até mesmo, as reclamações, que toda a equipe recebe dos nossos leitores diariamente. Queremos continuar sendo o jornal da comunidade, deixando sempre a nossa marca por onde passarmos e fazendo parte da vida de cada leitor!

EXPEDIENTE

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jornal marco Jornal Laboratório da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas www.pucminas.br . e-mail: jornalmarco@pucminas.br Rua Dom José Gaspar, 500 . CEP 30.535-610 Bairro Coração Eucarístico Belo Horizonte Minas Gerais Tel: (31)3319-4920 Sucursal Puc Minas São Gabriel: Rua Walter Ianni, 255 CEP 31.980-110 Bairro São Gabriel Belo Horizonte MG Tel:(31)3439-5286 Diretora da Faculdade de Comunicação e Artes: Prof ª. Glória Gomide Chefe de Departamento: Prof. Ércio do Carmo Sena Cardoso Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. Francisco Braga Coordenadora do Curso de Comunicação / São Gabriel: Prof ª. Alessandra Girardi Coordenador do Curso de Jornalismo (São Gabriel): Prof. Jair Rangel Editor: Prof. Fernando Lacerda Subeditores: Profª. Júnia Miranda e Prof. João Carlos Firpe Penna Editor Gráfico: Prof. José Maria de Morais Monitores de Jornalismo: Ana Júlia Goulart, Carolina Sanches, Gabrielle Assis, Ígor Passarini, Joana Aragão, Letícia Carvalho, Victor Rinaldi Monitora de Fotografia: Raquel Dutra, Raquel Gontijo Monitor de Diagramação: Thiago Antunes Monitora de Revisão: Priscila Evangelista CTP e Impressão: Fumarc. Tiragem: 12.000 exemplares

n LETÍCIA CARVALHO 5° PERÍODO

Desde o dia 30 de janeiro, moradores do Bairro Coração Eucarístico, comerciantes e motoristas estão convivendo com os transtornos que aconteceram em consequência da alteração na Rua Dom Joaquim Silvério. Antes ela era de mão dupla e agora passou a ser única, partindo da Praça da Federação e indo no sentido da Rua Demerval Gomes. De acordo com a BHtrans, o objetivo da mudança é proporcionar mais segurança para pedestres e veículos e melhorar a fluidez na circulação de veículos. Para que a rua volte a ser de mão dupla, alguns moradores, comerciantes e taxistas estão realizando abaixo assinado, já que se sentiram prejudicados com a medida que, segundo eles, foi tomada sem consulta prévia nenhuma. Para o comerciante Magno Garcia Veloso, essa modificação não agradou aos que utilizam a rua de alguma forma. "Somos um bairro pequeno, com quatro ruas que atravessam o bairro e dez ruas pequenas, de até quatro quarteirões que cruzam essas principais ruas e como várias foram transformadas em sentido único de circulação, o bairro virou um verdadeiro labirinto de mão/contramão" , alega Magno. A Rua Dom Joaquim Silvério é a única entrada para o Coração Eucarístico de quem vem de bairros próximos, como João Pinheiro, Dom Cabral e Califórnia e as pessoas que frequentam diariamente o Coração Eucarístico já estão sofrendo as consequências. "Perdi a facilidade que tinha em entrar no bairro e isso tem me

desanimado um pouco de ir até lá", lamenta Maria Alice Damázio, 48 anos, moradora do Bairro João Pinheiro, que frequenta o Coreu para utilizar serviços bancários e fazer compras no supermercado. Os carros vindos dos bairros vizinhos pela Avenida Delta entravam no bairro pela Rua Dom Joaquim Silvério e por ela acessavam a pracinha e, a partir daí, chegavam rapidamente a qualquer direção que desejavam. Os carros que antes passavam pela Dom Joaquim Silvério tem a opção de descer à direita pela Demerval Gomes, que também é sentido único de circulação e depois virar em outra rua, que é a Dom Prudêncio Gomes. Só então, na Rua Coração Eucarístico de Jesus é possível voltar para a Praça da Federação ou descer para a Via Expressa. "Esta manobra que os motoristas têm utilizado no bairro, tem afunilado ainda mais o trânsito, criando congestionamentos ou trânsito lento na maior parte do dia, além de prejudicar motoristas de carros de emergência como a Polícia Militar e o Samu que tem uma unidade grande aqui na Rua Dom Aristides Porto e que por causa deste obstáculo estão perdendo tempo precioso", afirma o taxista Ademar Pereira Vidal, 43 anos. Segundo ele, desde que a rua tornou-se de uma mão só, um percurso que ele gastava três minutos, agora demora até dez, uma vez que a saída pela Coração Eucarístico de Jesus reúne todo o trânsito das pessoas que pretendem sair pela Via Expressa. "Eu acho que quando a Prefeitura ou BHTrans forem tomar alguma providência para me-

Rua Dom Joaquim Silvério deixou de ser mão dupla e gerou reclamações lhorar o trânsito, deveria ao menos saber o que se passa na região que a mediada for tomada. Foi uma arbitrariedade essa atitude, pois o impacto não foi somente no trânsito, mas houve prejuízo também no comércio, que deixou ser visto por muitas pessoas que passavam pela Dom Joaquim Silvério" , lamenta. "A gente vê no dia a dia, a insatisfação dos motoristas e a BHTrans, com essa medida, acabou piorando o trânsito. O quarteirão da Rua Dom Joaquim Silvério, agora, ficou deserto. Algumas pessoas reclamavam da batida naquele local. É chata essa situação, mas atendeu uma minoria", ressalta Magno. O comerciante diz que procurou algumas pessoas da Prefeitura para analisar o caso, mas ainda não obteve resposta. "Eles têm que

ouvir o nosso lado também, pois tomaram as previdências lá na BH trans e não nos procuraram", acrescenta. "As pessoas quando passavam pelo bairro, viam o comercio da rua, e hoje, passam direto. Nós comerciantes perdemos muito com isso, e o rendimento teve uma queda sem contar que a rua ficou perigosa", alega Marcelo Gonzales Duarte, 53 anos, do restaurante A Granel, localizado na Praça da Federação. Ele afirma que a movimentação do estabelecimento, desde que houve alteração na mão da rua, reduziu em torno de 25%. "Houve uma queda na movimentação do restaurante, principalmente a noite. Já que não é mais passagem de muitas pessoas, por isso o restaurante deixa de ser opção para elas", diz.

Arte com materiais recicláveis n PRISCILA EVANGELISTA 1º PERÍODO

A comerciante Ana Paula Malta Araújo, 44 anos, encontrou no material reciclável a oportunidade de criar novos objetos e incrementar a própria renda. Tudo vira arte nas mãos da artesã. Um pote de sorvete dá lugar a uma linda maletinha de bijuterias, o galão de desinfetante vazio vira sacola de supermercado, e não é só isso, com a caixa de papelão a artesã faz casinha de cachorro. Ana Paula explica que

não tem o hábito de programar o que vai fazer. Moradores dos arredores do Coração Eucarístico já conhecem o trabalho da artesã e sempre levam para ela materiais como potes de sorvete, embalagens de shampoo, retalhos, latas de biscoito e tudo é reaproveitado. "Eu mexo com artesanato há mais de 14 anos", diz a artesã, com satisfação. Foi andando pela Pampulha que Ana Paula percebeu que poderia transformar resíduos em arte. "Uma vez eu estava lá na Pampulha andando pela lagoa

e vi aquele tanto de lixo jogado ali dentro. Foi então que comecei a pegar as garrafas pet e vi que tudo nessa vida se transforma", conta. No início, Ana Paula não tinha o intuito de fazer artesanato para vender. Foi depois de transformar uma velha lata de biscoito que estava indo para o lixo em uma latinha de sucata que a artesã percebeu que poderia ganhar algum lucro. "Não fiz a latinha de sucata para ser vendida, mas uma pessoa viu, gostou e me falou: 'eu te pago o que você quiser nesta lata', foi então que percebi

que poderia fazer para vender", salienta. Atualmente, ela possui uma lojinha onde tudo o que é produzido por ela é comercializado. Ana Paula possui graduação em Cerimonial e Eventos e não esconde sua satisfação pelo trabalho de artesanato que faz. A artesã explica que outras pessoas também podem tirar do artesanato uma renda. "Às vezes uma dona de casa joga alguma coisa fora que poderia ser reaproveitada, e ser o início de uma renda para ela. Muita coisa que a pessoa joga fora pode virar dinheiro", conclui.


Comunidade Junho • 2013

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n ÍGOR PASSARINI 5º PERÍODO

A obra de reforma do campo do Pastoril, no Bairro Dom Cabral, aprovada em novembro de 2010 pelo Orçamento Participativo (OP) 2011/2012, ainda não tem data de início. Na época a Região Noroeste foi contemplada com nove obras, entre elas a revitalização do campo de futebol, com direito a instalação de grama sintética e construção de arquibancada e vestiário. Segundo Armando José Caldas Sandinha, 64 anos, vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro Dom Cabral, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) apresentou um projeto para a comunidade em 17 de maio de 2012, mas que não atendeu a expectativa do pessoal da comunidade esportiva. Um dos pontos que não agradou foi a diminuição no tamanho do campo que já possui as dimensões mínimas permitidas pela FIFA. "O objetivo era colocar uma arquibancada com dois mil lugares e a gente sabe que na várzea hoje não tem público acima de 70, 80 pessoas. Quem quer assistir o jogo vem e fica sentado na praça ou nos bares de onde tem visão para todo o campo, que é central e de fácil acesso. Então, nós recusamos a proposta", explica o líder comunitário. Em novembro de 2012 foi apresentado um segundo projeto, com uma planilha já de

acordo com as solicitações feitas pela comunidade como a construção dos novos vestiários, sala de reuniões, área administrativa, sala de troféus, banheiro para o público e tribuna com plataforma elevatória para portadores de necessidades especiais. "A Sudecap é o seguinte: foi aprovado, vai para lá para elaboração do projeto e o que ocorre é que eles fazem o projeto de acordo com o que eles desejam, eles atendem os anseios deles, não procuram a comunidade para procurar se interar do que a comunidade quer", pondera Armando Sandinha. A Regional Noroeste informa através da sua Gerência de Orçamento Participativo que a Revitalização do Campo Pastoril com grama sintética está em fase de elaboração de projeto executivo. Após a conclusão desta etapa acontecerá o processo de licitação para a realização da obra, bem como será dada a Ordem de Serviço para a realização do empreendimento. Armando Sandinha acredita que até 2014 as obras deverão começar. "O orçamento participativo tem prazo estipulado de mais ou menos três anos para início de obras, que é elaboração do projeto executivo, licitação, ordem de serviço, aprovação pelo prefeito. Então a gente tem esperança que até o início do ano que vem dê início as obras", expõe. João Pereira dos Santos, 68 anos, mais conhecido como João Baiano, joga há 35 anos

REFORMA DO CAMPO DO PASTORIL DEVERÁ COMEÇAR EM 2014 O projeto foi aprovado em novembro pela comunidade esportiva do Dom Cabral e está em fase de elaboração executiva RAQUEL DUTRA

Após revitalização o campo de futebol no Bairro Dom Cabral terá grama sintética. Atualmente ele é coberto por areia e resquícios de grama natural

no campo do Pastoril e também o administra. É ele quem cuida, corta, pinta e agenda os jogos. Para ele o atraso não é um problema. "Não estou sentindo falta da reforma porque pelo menos ainda temos a área de divertimento para brincar", afirma.

GRAMA Outro ponto discutido pela comunidade esportiva do Bairro foi a escolha da grama sintética. De

acordo com Armando Sandinha, a grama natural tem manutenção que se torna cara. "Isso aqui é um patrimônio da Prefeitura, é administrado pelo clube aqui do bairro, só que não tem verba, não tem nada. Então, como vai manter jardineiro, irrigação", argumenta. Segundo ele, a grama sintética tem durabilidade de sete a dez anos e se tem um problema com a placa é só tirar

fora e por outra. "Além disso, a manutenção é só aquele pó da borracha que o pessoal reconhece como se fosse um amortecedor. Aquilo você espalha sobre a grama para evitar o escorregão do jogador. Então, para a gente foi mais prático", completa. "O campo dá muita poeira. Quando o posto estava funcionando empoeirava tudo. Sobe muita poeira, até os bancos da paróquia fi-

cam sujos. Teve uma vez que o posto de saúde chamou um caminhão pipa para jogar água e baixar a poeira, mas de um dia para outro voltou tudo", relata o funcionário da Paróquia, Adair Mariano dos Prazeres, 60 anos. Ele acredita que após arrumar o campo a situação irá se normalizar.

Moradores do Dom Cabral pedem coletivo n ÍGOR PASSARINI 5º PERÍODO

Quem mora no Bairro Dom Cabral e precisa usar o metrô enfrenta longas caminhadas ou se vê obrigado a pagar o valor integral da passagem de ônibus. Infelizmente, as reclamações não param por aí. Dentro do bairro o transporte público também apresenta deficiência, de acordo com moradores ouvidos pelo MARCO. "Eu acho que eles poderiam fazer aqui um micro-ônibus para circular no bairro, integrando João Pinheiro, Alto dos Pinheiros e Dom Cabral, porque as coisas aqui são um pouco longe das outras", afirma Lucas Ramon da Silva, 31 anos, funcionário público e coordenador do grupo de jovens da Paróquia Bom Pastor, no Dom Cabral. Adair Mariano dos

Prazeres, funcionário na Paróquia, diz que o filho que trabalha na vizinha cidade de Contagem às vezes vai a pé para não ter que pegar duas passagens. "Ele sai daqui às 4h da manhã porque pega o serviço às 6h e eu fico até com medo de acontecer alguma coisa com ele. A gente ganha um salário mínimo então fica muito difícil", revela. O vice-presidente da associação de moradores do Dom Cabral, Armando José Caldas Sandinha, 64 anos, afirma que as pessoas são obrigadas a fazer tudo na base da caminhada. De acordo com ele, para quem mora no final do bairro, próximo ao anel, a caminhada é longa. "Seria interessante colocar um circular, porque muitos jovens e adultos estudam na Escola Estadual Cândida Cabral e quando não tem vaga

na Escola Estadual Assis da Chagas, as crianças têm que estudar na Umei Pituchinha no João Pinheiro, que é do outro lado. E é uma distância muito grande para criança percorrer", pondera. A BHTrans informou, por meio de sua Assessoria de Comunicação, que não há um projeto para atender esse tipo de demanda, que é uma cobrança proporcional ao percurso percorrido. De acordo com a empresa, o usuário, portando o cartão BHBus, pode ter o benefício da redução de tarifa ao utilizar ônibus mais metrô. Ele terá desconto de 50% em cima da menor tarifa, ou seja. Ele paga R$ 2,80 no ônibus e vai pagar metade de R$ 1,80 do metrô, no caso R$ 0,90. Sem essa política o usuário iria pagar R$ 2,80+ R$ 1,80, resultando em R$

4,60. Hoje, ele paga, R$ 2,80 + R$ 0,90, totalizando R$ 3,70, usando o cartão BHbus. Mesmo conhecendo a opção do cartão muitos moradores não utilizam o serviço. É o caso da diarista Wanessa Rodrigues Vieira, 28 anos, que prefere pagar em dinheiro já que não tem emprego fixo. "Normalmente, quem tem patrão e ganha vale transporte é que usa. Deveria ter o circular, ajudaria bastante. Quando pego ônibus é a conta de entrar e já tem que descer", relata. Outro problema, segundo a moradora Antônia Maria Tereza, 56, técnica de enfermagem no Hospital Galba Velozo, é que o desconto acontece na hora de colocar o dinheiro no cartão. "Quando a gente passa na catraca desconta a

passagem inteira. Deveria ter desconto na passagem com certeza. Você vai aqui do Dom Cabral ali na Game-

leira e paga o preço de uma passagem para o Centro ou para outro bairro distante, é um absurdo", explica. RAQUEL DUTRA

Antônia Tereza reclama da atual situação do transporte público no Bairro


4 Comunidade

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Junho • 2013 ARQUIVO PESSOAL

DA SALA DE AULA PARA OS MUROS DA PUC O “Beira Linha – Desenhando a sua História” é um projeto que reúne jovens da região Nordeste de BH com o objetivo de realizar uma intervenção artística nos muros da PUC Minas do São Gabriel e explorar o potencial de criação dos partipantes do programa n FLÁVIA NUNES YAN BATISTA 1º PERÍODO

O 'Beira Linha – Desenhando a sua História' é um projeto social que atende crianças e adolescentes que moram nos arredores da PUC Minas no São Gabriel e nos demais bairros da Região Nordeste de Belo Horizonte. Nesse projeto, é realizada uma oficina de desenhos coordenada pela artista plástica e professora da universidade, Marta Neves. A oficina faz parte de

um programa maior, o "Projeto Beira Linha", que é coordenado pela Pastoral na universidade, e faz parte do Programa de Extensão Universitária, o Proex. O projeto oferece cursos profissionalizantes em diversas áreas, como Auxiliar Administrativo, Inglês e Informática, para jovens e adolescentes vítimas da marginalização nos entornos da comunidade do Beira Linha. A ideia nasceu do desejo da professora de criar um projeto de envolvimento dos jovens da Beira Linha com a arte, seu obje-

to de trabalho. Em entrevista, Marta conta que se inspirou no projeto de intervenção artística dos muros da universidade por meio do grafite, que aconteceu em setembro de 2012, na Semana de Ciência, Arte e Política, a Scap. A criação da oficina de desenhos, portanto, tem como objetivo principal dar continuidade a essa intervenção. "Afinal de contas, é um muro enorme que comporta ainda muitas outras intervenções e pinturas", conclui Marta. A estudante Luana, de

Casamento realizado entre as desocupações de famílias para a nova rodoviária de BH ARQUIVO PESSOAL

Participantes do projeto exibirão seus trabalhos na galeria dos laboratórios de multimídias da PUC São Gabriel 12 anos, aluna do projeto, diz que o seu interesse por desenho veio da família. "Meu irmão sabe desenhar bastante, é bem legal, e eu também queria aprender", diz. Luana vem para a universidade acompanhada dos pais, que a incentivam a participar. O mesmo ocorre com Letícia, de 13 anos. "Minha mãe também gosta de desenhar", conta. Duas das primeiras alunas a participar, elas ficaram sabendo do projeto a partir de uma visita da professora Marta à escola em que estudam. Para elas, a oficina de desenho é muito importante. "Na escola, a gente não tem esse contato tão grande [com a arte] como a gente tem aqui", explica Luana. A professora Marta

explica que o objetivo do projeto não é formar exímios desenhistas, e sim, explorar o potencial de criação dos seus alunos. "Não é nada de uma grandiosidade técnica tão pesada, mas é o início de um despertar para novas possibilidades", destaca. Para ela, o maior ganho do projeto é a liberdade de interação com o próximo que vem sendo alcançada. Marta ainda conta que mantém contato frequentemente com seus alunos através das redes sociais, e que com isso ela pode motivar a frequência deles às aulas. Para cada final de semestre do ano de 2013, a oficina fará uma exposição de seus trabalhos. A primeira, já pre-

vista para o início de junho, acontecerá na galeria dos laboratórios de multimídia da PUC Minas no São Gabriel. A segunda, como mencionado, será a intervenção nos muros da universidade, que ocorrerá no final do ano. Os alunos estão muito empolgados para o início das exposições, especialmente a última. Fazem parte da equipe de apoio do projeto, juntamente com a coordenadora Marta Neves, o seu esposo, também artista plástico, Fernando Cardoso, que atua como voluntário, e mais cinco estagiários, alunos do curso de comunicação da universidade.

"Bota-fora" no João Pinheiro tem problemas diminuídos com ações da Prefeitura n GABRIELLE ASSIS 3º PERÍODO

Com ajuda de aluna da PUC Minas, Norberto e Geralda realizaram o sonho de se casar após 34 anos juntos n LORAYNNE ARAUJO BURJAILY 1º PERÍODO

Seu Noberto e Dona Geralda estão juntos há 34 anos. Eles sempre tiveram o sonho de se casar, porém, devido à falta de recursos financeiros, não conseguiram fazer a cerimônia. No dia 11 deste mês, o casal realizou o sonho com a ajuda de Amanda Marina, aluna de direito da PUC Minas. A ideia do casamento surgiu a partir de um documentário idealizado por Amanda e produzido pelos laboratórios de vídeo e de foto da PUC, que retratou o modo como está sendo feita a desocupação das famílias para a construção da rodoviária no Bairro São Gabriel. A aluna disse que procurou a coordenadora dos laboratórios,

Eliza Rezende, propôs um memorial fotográfico do bairro e o registro em vídeo dos depoimentos desses poucos moradores que ainda resistem. "As famílias se mudando, as crianças brincando nos escombros, e o bairro de periferia, antes tão cheio de vida, se tornando vazio, restando apenas ratos, insetos e poucas famílias, ainda lutando por outro lugar para morar...", contou Amanda. Durante a gravação dos depoimentos, a equipe encontrou o casal e, comovida com a história do Noberto e da dona Geralda, teve a ideia da realização do casamento e também para ilustrar o título do documentário: "Sonhos Estão Sendo Demolidos". O casamento aconteceu na Rua Doutora Denise,

antigo endereço do casal, e contou com a ajuda de amigos, vizinhos e até empresas que se comoveram com a história dos dois. A Via Ternos Mariana providenciou as vestimentas, a Iluminarte disponibilizou toda a decoração do casamento (com direito até a tapete vermelho!) e a Lapidação Itamar e Sérgio confeccionou as alianças . "Foi um ato de despedida, resistência e alegria. Hoje, nossos recém-casados estão no bairro Belmonte, recebendo bolsa aluguel até o famoso 'predinho' ficar pronto. A antiga casinha da rua Doutora Denise será demolida em breve. Mas o momento de cooperação e harmonia que se fez não será apagado", disse Amanda.

A Unidade de Recebimento de Pequenos Volumes (Urpv) da Região Noroeste, popularmente conhecida como "botafora", localiza-se à rua Tamandaré, número 5, no Bairro João Pinheiro. Destinada ao depósito de lixos e entulhos de pequeno volume, causava muitos problemas para a população da região, que sofria com o aparecimento de animais e de pessoas que faziam barulho e queimavam lixo à noite. Mas, atualmente, com as reformas feitas pela Prefeitura, os incômodos têm diminuído. O depósito, que fica no viaduto de encontro da Via Expressa com a Avenida Cícero Idelfonso, contém nove caçambas destinadas ao depósito de lixos e entulhos. As pessoas podem depositar uma pequena quantia desses materiais lá diariamente. Muitas vezes, elas vão de

carro e levam os resíduos, outras vezes, contratam carroceiros para fazer o serviço. "Todos os dias as pessoas pedem para buscar. Elas ligam e eu vou lá nas casas, depois trago aqui para o bota-fora", relata o carroceiro José Andrade Luís. Um dos três funcionários do local, Nilson Pereira, conta que a Prefeitura cercou o local, colocou portão e passou a fazer a limpeza regularmente. Antes, o número de animais, como ratos e baratas, era significativo, fazendo com que os moradores da região sempre reclamassem. Além disso, a área era usada por mendigos e moradores de rua, que faziam barulho e colocavam fogo em pneus e entulhos, atrapalhando a vizinhança. Lorimar Santos Ferreira, morador da Avenida Cícero Idelfonso, trabalha em um restaurante próximo ao depósito e afirma que antes era a maior bagunça. "Mas a tela de

proteção e o portão diminuíram os problemas", ressalta. O lixo depositado nas caçambas vai para um aterro em Sabará na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e os entulhos são levados para áreas de reaproveitamento, para fabricar britas, tijolos e brocas para construções. A URPV funciona de segunda a sexta-feira de 7h30 às 16h30 e aos sábados de 12h às 16h30.

EM ESPERA Mesmo com as melhorias feitas pela Prefeitura, a reforma da Unidade de Recebimento de Pequenos Volumes não está totalmente pronta. Os funcionários reclamam da demora em terminar a construção de um vestiário, que está lá há mais de um ano, sem ser finalizado. A placa da Prefeitura, falando da reforma na área, também está no local. Mas não há nem sinal de continuação do trabalho e de entrega da unidade finalizada.


Comunidade Junho • 2013

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RAQUEL GONTIJO

FALTA DE SEGURANÇA E INFRAESTRUTURA PREOCUPA MORADORES Escada que liga Avenida Cícero Idelfonso à Rua Dom José Gaspar é motivo de problemas e preocuopações para quem precisa passar por ali. É o caso da moradora Lúcia Alves, do Bairro João Pinheiro, que utiliza trajeto apenas durante o dia n LETÍCIA CARVALHO 5º PERÍODO

Não é de hoje que moradores de bairros próximos ao Campus Coração Eucarístico da PUC Minas reclamam do medo que sentem em circular por algumas ruas da região. A Avenida Vereador Cícero Idelfonso, localizada no Bairro João Pinheiro, traz muita insegurança aos moradores que transitam diariamente por ela. Outra reclamação das pessoas que circulam naquela área é em relação à continuação da Rua Dom José Gaspar, que não possui saída, mas uma escada que segue em direção à Avenida. "É uma Rua em que faço uso dela todos os dias para ir à faculdade e me sinto muito inseguro de passar nela por causa das pessoas que ficam ao seu redor. São pessoas que não são de boa fé, são pessoas que rou-

bam, que usam drogas", lamenta Lucas Silva de Paula Faria, estudante da PUC Minas. Além dos problemas recorrentes, como assaltos e drogas, muitas pessoas não sabem que a Rua Dom José Gaspar não tem saída. "O problema dessa rua é que ninguém tem noção que aqui não possui continuação. Muitos motoristas acham que a rua não acaba aqui e têm que fazer um retorno", afirma Jéssica Arantes Lima, 21 anos, também estudante da PUC Minas e moradora de um apartamento localizado na Cícero Idelfonso. Pelo fato de ser uma rua sem saída, o local atrai usuários de drogas, assaltantes que se escondem na escadaria que segue para a Avenida e muitos casais que se encontram no lugar. É o que conta a moradora e estudante da Universidade, Cinthia

Corine Barbosa, 20 anos. "Esse pedaço aqui descendo a rua Dom José Gaspar é muito soturno. Então, por isso, você vê muito mendigo, gente usando drogas e casais que buscam um lugar escuro. Já teve situações como no inicio deste ano, que um casal de namorados foi assaltado aqui por três homens. Já era tarde e acordei com os gritos da menina pedindo ajuda", relata. Apesar de ser um atalho para as pessoas que moram no Bairro João Pinheiro e precisam ir para o Coração Eucarístico constantemente, os moradores não recomendam a passagem por causa do perigo. "Utilizo o atalho de acesso ao bairro somente para ir ao trabalho, pois na hora de voltar eu tenho medo que me assaltem ou de presenciar um assalto", conta Lucia Alves de Souza, 47 anos, que

trabalha em um prédio localizado na rua. Para Rodrigo Damiano, 35 anos, delegado titular do 2° Distrito Noroeste, o que falta para a Avenida Vereador Cícero Idelfonso é uma atenção social e um patrulhamento ostensivo. "Percebemos que o local tem forte presença de mendigos e então se faz necessária uma política social. O número de queixas na avenida é relativamente alto se formos comparar com outras ruas, mas, muitas vezes, quando vamos fazer uma investigação, o que encontramos são moradores de ruas e não podemos deixar de realçar é que nem sempre os moradores de ruas são praticantes de atitudes ruins. Às vezes, é muito mais o preconceito da população com os mendigos, do que eles fazendo alguma atitude que não seja de boa fé", reflete Rodrigo.

Descaso na escada de acesso à Avenida Cícero Idelfonso gera problemas

Segundo o delegado, muita coisa dá pra ser feita, tanto com relação à Avenida Vereador Cícero Idelfonso, quanto a todos os lugares que merecem uma atenção especial. De acordo com o Rodrigo, muitas vezes as pessoas são vítimas de alguma violência, mas tem preguiça ou medo de recorrer à Polícia, seja ela Militar ou Civil. "Acho que, muitas vezes, a população não sabe a diferença do

papel da Polícia Militar e Polícia Civil. É necessário que pessoa denuncie imediatamente, mesmo que tenha dúvidas sobre onde ligar. Nós da Polícia Civil somos responsáveis, na maior parte das vezes, pela investigação, mas sempre ajudamos as pessoas que nos procuram na hora do ato, seja para orientar ou para qualquer dúvida", finaliza Rodrigo.

Curva sem sinalização gera acidentesfrequentes RAQUEL GONTIJO

n GABRIELLE ASSIS JOANA ARAGÃO 3º E 4º PERÍODOS

Local de frequentes acidentes, a curva situada no encontro entre a Avenida 31 de Março e a Rua Ubiraitá, é motivo de preocupação entre moradores e frequentadores do Bairro Dom Cabral. Casas à beira da Avenida já sofreram perdas físicas e seus donos precisam arcar com prejuízos financeiros. As reclamações e reivindicações são, geralmente, as mesmas: a falta de sinalização, de redutores de velocidade e quebra molas, acaba acarretando acidentes. "Na época de chuva, os ônibus sobem e abastecem lá na garagem deles, então o tanque enche, eles fazem aquela curva e fica aquele óleo, quando vem a chuva é um quiabo para fazer aci-

dente", observa Agenor Jacinto de Deus, aposentado de 80 anos e morador do bairro há quase 50. Ele ainda acrescenta que a Avenida Ressaca, localizada na divisa entre os bairros Minas Brasil e Padre Eustáquio, enfrentou o mesmo tipo de problema. Porém, segundo ele, lá foram instalados diversos redutores de velocidade para amenizar a situação. Antônio José de Queiroz Reis, 72 anos, também aposentado, contou que recentemente um carro estacionado em frente à sua casa, situada exatamente onde a curva se localiza, foi atingido duas vezes em um curto intervalo de tempo. "A última vez que teve acidente foi há 15 dias. Tinha um carro estacionado aqui em frente, começou a chover, fez um barulho. Eu corri lá,

um carro bateu nesse carro estacionado, quebrou o retrovisor e foi embora. Cinco minutos depois outro veículo veio correndo e bateu no mesmo carro, que arrebentou todo e o motorista se machucou", conta. Além de terem presenciado acidentes, ambos os moradores concordam que a solução para os problemas seria a instalação de quebra molas e redutores de velocidade. Mas até agora a única medida adotada foi a pintura de sinalização de velocidade. "Na Avenida 31 de março, lá em cima no poste, tá escrito 'Pista escorregadia, 30 quilômetros', eles escreveram isso no chão também", acrescenta Agenor. "Eles puseram lá em cima uma sinalização de velocidade de 30 quilômetros. Mas eu acho que tinha que por um quebra molas", comple-

A curva fica localizada em uma descida e moradores reclamam da falta de redutores de velocidade

menta Antônio José. Os moradores disseram, ainda, que foi criado e encaminhado à BHTrans um abaixoassinado requerendo a adoção de medidas preventivas contra os acidentes, por intermédio da instalação de quebra molas e redutores de velocidade. A equipe do MARCO

entrou em contato, também, com o presidente da Associação de Moradores do Bairro Dom Cabral, Maurício Antônio de Sales e o vicepresidente, Armando José Caldas Sandinha, que confirmaram que as reclamações sempre acontecem com relação ao perigo do local e que muitas pessoas já foram

atropeladas ou sofreram algum dano. Ambos disseram ainda que a Prefeitura já tem conhecimento do problema, embora não confirmem o abaixo-assinado. Os líderes comunitários disseram ainda que a PBH havia lhes informado que o ideal ali seria o uso de radares eletrônicos, o que não foi feito.


6 Comunidade

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Junho • 2013

FALTA DE MÉDICO AFETA ASSISTÊNCIA Moradores dos bairros Dom Cabral, Coração Eucarístico, Dom Bosco e João Pinheiro, que dependem de atendimento médico do Centro de Saúde Dom Cabral, enfrentam problemas VICTOR RINALDI

n VICTOR RINALDI 5º PERÍODO

Falta de médico e atraso na obra da nova sede do Centro de Saúde Dom Cabral, à Região Noroeste de Belo Horizonte, compromete o atendimento dos moradores dos bairros atendidos pela unidade de saúde. Usuários do serviço público ainda reclamam da falta de remédios para pacientes portadores de doenças crônicas. Originalmente, o Centro de Saúde Dom Cabral foi dividido por região em duas equipes de atendimento, azul e amarela. Mas, por causa do grande número de usuários, recentemente foi criado um terceiro grupo, verde, para facilitar o acolhimento. No entanto, mesmo com a nova divisão não há médicos suficientes para atender todos os pacientes, o que acaba sobrecarregando o único clínico que trabalha no local. Moradora do Bairro João Pinheiro há mais de 30 anos, a gerente de produção Rita de Cassia Nonato, 48 anos, estranhou que mesmo com a falta de médicos das outras equipes tenha sido criado o novo grupo de acolhimento. "Só tinha duas equipes, agora está aparecendo essa equipe aí, acho meio estranho", desconfia. Para ela é necessária uma melhoria no atendimento. "Quem vem aqui é porque precisa e que não tem condições de pagar um convênio", diz. O vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro Dom Cabral, Armando José Caldas Sandinha, 64 anos, é aposentado e depende do sistema de saúde público. “Este ano acho que já tivemos um ou dois médicos. Vieram trabalhar, ficaram um ou dois meses e sumiram, nunca mais voltaram. A minha

Nova sede do Centro de Saúde deve ser entregue em setembro

Fachada do endereço provisório do Centro de Saúde à Rua Madre Mazarello, número 66, no Dom Cabral equipe mesmo não tem médico. O médico que atende é o Dr. José Carlos, é antigo morador do bairro, ele vem se desdobrando para atender as equipes todas", conta o paciente da equipe amarela. Rita de Cassia também faz parte dessa equipe e reclama que já faz aproximadamente quatro meses que a equipe está sem médico e que apresenta dificuldade em estabelecer um profissional. "Quem está tratando e fazendo as coisas que a gente precisa são as enfermeiras, que dão receita e encaminham", revela. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), a unidade de atendimento possui quatro médicos, três especialistas e um clínico geral, além de uma equipe específica de saúde mental. Esses profissionais são responsáveis por atender uma população de 15 mil pessoas, com abrangência nos bairros Dom Cabral, Coração Eucarístico, Dom Bosco e João Pinheiro. A equipe de Saúde Mental, composta por psicólogo e psiquiatra,

também é alvo de insatisfação de alguns usuários. Maura de Paiva Silveira, 57 anos, é aposentada e cuida do irmão especial Joaquim Ferreira de Paiva, 62 anos. No dia 17 de junho, Joaquim estava com pneumonia e não foi atendido no centro de saúde. "Ele é especial, tem que ser atendido, o médico da Upa falou. Se tem um médico de uma equipe, porque nossa equipe amarela está sem médico, ele teria que ser atendido e eles não quiseram atender ele", diz. Maura conta que seu irmão foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (Upa) da região. E que chegando lá, os funcionários não quiseram atendê-lo sem o encaminhamento da equipe. "Eu fiquei lá de nove e meia da manhã às oito horas da noite para ele ser atendido. Aqui não tem médico não, eu fui parar na Upa com o meu irmão", relata Maura. Para os residentes dos bairros, os problemas vão muito além ao atendimento de enfermos. A dona de casa Maria das Dores Santos, 93 anos, é casada

com Wilson Campos Taitson, 94 anos, que é aposentado e portador do mal de Parkinson. Ela diz que tenta conseguir os remédios do marido desde meados de maio e não consegue. "Eu vim aqui e estava em greve, tive que voltar e perdi a viagem", lembra. Rita de Cassia, que reclama da falta de médicos, também se lembra da dificuldade de obter os remédios. "Não está tendo os remédios que a gente precisa. Eu, por exemplo, precisava de cálcio porque tenho problema na coluna, não consegui até hoje", reclama, ela ainda diz que faz aproximadamente seis meses que vê os moradores tentando conseguir os remédios sem sucesso. Por meio de nota da assessoria de comunicação, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou em nota que um médico está em processo de contratação e deve começar a trabalhar nos próximos dias. Até o fechamento da edição a Gerência do Centro de Saúde Dom Cabral não respondeu ao MARCO.

Moradores relembram passado n ANA JÚLIA GOULART 5º PERÍODO

O Bairro São Gabriel, na Zona Nordeste da capital mineira, ainda apresenta vários traços de cidade do interior. Um deles, já retratado em reportagem pelo jornal MARCO, é a existência de pequenos comércios que se espalham por todas as ruas do bairro. Outro ponto pouco observado, mas que caracteriza bem o local é a presença de moradores muito antigos e tradicionais na região: a maior parte das famílias que mora hoje no São Gabriel veio para cá com os pais e avós e optaram por aqui criar seus filhos e netos. Dona Helena e seu João encorpam esses moradores. Vivendo no bairro há mais de 50 anos, o casal já viu os filhos e netos crescerem

naquelas ruas e imediações. E agora estão na expectativa de conhecer mais um membro da família para viver no bairro tão querido: o casal vai ganhar seu primeiro bisneto no próximo mês. O pequeno ainda está na barriga da neta de Dona Helena, mas já é motivo de muita alegria. "Todo lugar que vou no bairro fico pensando em trazê-lo. Fico imaginando onde vamos passear por aqui, as praças onde vamos brincar. Ele vai amar o São Gabriel", afirma a bisavó mais encantada do bairro. As lembranças do São Gabriel de 50 anos atrás são muitas. "O bairro lembrava muito o local de onde viemos, acho que por isso nos apegamos tanto ao São Gabriel", conta Seu João Oliveira tentando explicar

o motivo de morarem há tanto tempo no mesmo bairro. O casal nasceu e se casou em Santana do Riacho, a 110 km de Belo Horizonte, e veio para a capital tentar uma vida melhor. "Tínhamos um pouco de receio de cidade grande, medo mesmo das coisas diferentes que íamos encontrar por aqui. Mas quando chegamos nesse bairro, achamos tudo muito igual à roça, apesar de não ter tanto mato e bicho", conta Dona Helena. Seu João logo arrumou um emprego de pedreiro. Dona Helena cuidava da casa e dos filhos que vieram logo depois. "Quando chegamos aqui era só eu e ele, mas foi com pouco tempo que arrumei filho. Meus filhos todos nasceram aqui", diz Helena, orgulhosa. Quando questionados sobre a infra-

estrutura do bairro, o casal lembra que a boa estrutura de comércio demorou a se formar. "Tinha só uma vendinha quando chegamos. Ficava um pouco longe, mas tinha", lembra. Carros? Há 50 anos não eram tantos por aqui. "Carroça tinha demais", conta, bem humorado, seu João. "Mas carro mesmo? Isso era difícil de ver", completa. Com o passar do tempo, a capital e o São Gabriel foram mudando. E os ares de desenvolvimento foram chegando. Mas para dona Helena e seu João, o bairro sempre será "um pedacinho da roça" que deixaram pra trás. "Mudou muito. Veio a violência, muitos carros. Mas todo dia que olho pela janela vejo o mesmo bairro. As mesmas pessoas conhecidas. Isso nos faz muito bem", conta.

Funcionando temporariamente à Rua Madre Mazarello, número 66, o Centro de Saúde Dom Cabral atende a região neste endereço provisório por causa da construção da nova sede, que está atrasada e causa transtornos à comunidade. Em suas edições 291 e 296, o MARCO noticiou as dificuldades causadas pelo funcionamento em endereço provisório e o atraso da obra de construção do novo centro de saúde. E os transtornos continuam. Moradora do Bairro João Pinheiro, a gerente de produção Rita de Cassia Nonato, 48 anos, utiliza o Centro no Dom Cabral e crítica a demora da obra. "Até quando era perto era cansativo e agora subir esse morro é muito difícil. A distância prejudica demais, sinceramente, está muito difícil", reclama. A obra que era para ser iniciada em dezembro de 2011, e ficar pronta após um ano, passa por atrasos desde o começo. As atividades foram reiniciadas em setembro de 2012 e a conclusão da empreitada já foi adiada outras duas vezes. O prazo de entrega da obra foi prorrogado para fevereiro, depois para maio, de maio para junho e agora para setembro. "Que não tenha mais atraso estamos em fase final, acho que agora sai", torce o vicepresidente da Associação de Moradores do Bairro Dom Cabral, Armando José Caldas Sandinha, 64 anos. O aposentado acompanhou a obra e diz que está em ritmo acelerado. Adriano Morato, 46 anos, engenheiro supervisor de obras da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) explica que o atraso é decorrente de um imprevisto no início da obra. "Fomos fazer a fundação que estava projetada inicialmente e encontramos um problema, um lençol freático muito aflorado, muito acima do

nível previsto", conta. Segundo ele, como o problema não estava previsto na sondagem de fundação, foi necessário fazer um projeto de drenagem profunda para evitar futuros vazamentos e infiltrações na edificação. Esse projeto de drenagem profunda, que não estava previsto nos projetos iniciais, requer certo tempo para ser aprovado pela Prefeitura de Belo Horizonte (Pbh) e gera um novo investimento. "Para que seja realizado o projeto, o custo tem que ser aditivado no valor da obra e isso atrasou em sete meses o início da obra", afirma Adriano. O engenheiro da Sudecap encarregado da obra ainda acrescenta que a elaboração do projeto exigiu cerca de quatro meses. Desde o início, a obra teve em média 50 funcionários e um investimento estimado em R$ 2 milhões. A nova sede terá nove consultórios, sala de espera para 37 pessoas, sala odontológica com três cadeiras e outros espaços para a utilização de médicos e pacientes. Segundo Adriano, a obra será entregue até o dia 18 de setembro deste ano. "Hoje, nós estamos em fase de acabamento. Estamos assentando as esquadrilhas, que são as janelas, e fazendo um gesso corrido", afirma o supervisor. Além disso, falta a pintura interna, rampas de acessibilidade externa, o estacionamento e a instalação de uma plataforma de acessibilidade interna ao prédio, para os cadeirantes e portadores de necessidade especiais. Essa plataforma dá acessibilidade do primeiro para o segundo pavimento, não chega a ser um elevador. A previsão é que essas atividades sejam concluídas em 60 dias.


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ÍGOR

PASSARINI

INCÔMODO COM HELICÓPTEROS AINDA CONTINUA Barulho causado por voos segue afetando moradores da região do Aeroporto Carlos Prates

Fluxo intenso de helicópteros na região provoca constantes barulhos e se mantém como causa de reclamações n ÍGOR PASSARINI 5º PERÍODO

Os ruídos provenientes dos helicópteros que sobrevoam a Região do Aeroporto Carlos Prates, na Região Noroeste de Belo Horizonte, são frequentes e, segundo moradores, incomodam cada vez mais. A partir de matéria publicada na edição anterior, a 297, moradores contataram o MARCO, aumentando o tom das reclamações. Depois de ouvir novos relatos, a reportagem conversou com representantes de empresas envolvidas e de órgãos responsáveis pela questão. "Ano passado tinha helicópteros também, mas eles vinham de outros lugares e só passavam por aqui. O que temos este ano é um sobrevoo constante feito pelas aeronaves menores das escolas de pilotagem", afirma o arquiteto urbanista José

Eduardo Azevedo de Carvalho, 59 anos, morador do Dom Cabral. Ele revela que não quer que as escolas acabem, pois segundo o morador, o ensino da pilotagem é necessário. "O que eu acho que tem que ter é uma mediação e uma conscientização de ambos os lados. Se vamos ter que conviver com isso, então que a gente tenha, pelo menos, alguma recompensa, seja redução, isenção de IPTU ou outra coisa para compensar essa poluição sonora", reivindica. Antônio de Oliveira, 71 anos, aposentado, mora há 47 no Bairro Dom Cabral e diz que passou a notar o barulho neste ano. "Na parte da manhã parece que é pior, que a coisa é mais agarrada ainda. Não para. A gente não tem sossego, é muito frequente. A rota deles é sempre a mesma: vai e volta, fazendo círculos", explica Antônio, que chegou a cogitar medida

mais drástica. "A coisa está muito intensa, incomodando mesmo. Eu sinceramente pensei até em colocar minha casa a venda", revela. Lucas Ramon da Silva, 31 anos, funcionário público, mora no Bairro João Pinheiro e diz que o pior incômodo é aos finais de semana. "É de 7h até lá pelas 17h, inclusive aos domingos. Os helicópteros pequeninos são mais barulhentos, sem contar os aviões que circulam aqui também dando aula de voo, o céu fica meio conturbado", salienta. "O avião não dá muito barulho, inclusive nós conseguimos voar dentro dele sem usar o fone. O helicóptero voa mais baixo e o ruído é bem maior que o do avião. A diferença chega a quase 50 metros de altura", explica Carlos Cirilo da Silva, 42 anos, presidente do Aeroclube do Estado de Minas Gerais.

Carlos acredita que seria quase impossível uma mudança na rota porque a operação não poderia deixar de ser no Aeroporto Carlos Prates. De acordo com ele, somente parte das aulas é feita nas proximidades do aeroporto. "O treinamento de manobras não é feito aqui em cima e sim em áreas não habitadas. Só as aulas de pouso e decolagem são feitas aqui, que são em média 15 aulas das 35 obrigatórias", afirma. Armando José Caldas Sandinha, 64 anos, vicepresidente da Associação de Moradores do Dom Cabral, relata que o barulho dura o dia inteiro, inclusive sábados, domingos e feriados e que se sente prejudicado com isso. "Televisão não consigo assistir, tem que estar com volume alto e não adianta fechar porta e janela. Se estou falando ao telefone tem que parar de falar enquanto há um sobrevoo de um helicóptero. O barulho é ensurdecedor", esclarece. O líder comunitário acredita que daqui a pouco a capital mineira vai se tornar uma segunda São Paulo por causa do grande número de helicópteros. "Mas como a maioria das construções de Belo Horizonte não têm heliporto eles terão que desembarcar tudo aqui na região", expõe. A Prefeitura de Belo

Horizonte informou, por meio da Gerência Regional de Fiscalização Integrada Noroeste, que a atuação da fiscalização no local ocorreu entre os dias 12 e 25 de abril com o objetivo de verificação do Alvará de Licença e Funcionamento e medição dos ruídos. Em nenhuma das vistorias foi possível verificar ruídos acima dos níveis permitidos. Em alguns casos, por não haver ruído no momento, em outros, por impossibilidade de medição (após a permanência de mais de 50 minutos na residência do reclamante foram obtidos apenas 10 valores quando são necessários 30 valores) e ainda em outros por não encontrar em casa o reclamante. Ainda segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, houve uma intervenção judicial contra a ação fiscal da administração municipal encaminhada pela Infraero. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado entre Infraero e Ministério Público Federal pelo qual ficaram estabelecidas obrigações para as partes acordantes. Com a intervenção judicial, a ação fiscal da PBH contra a Infraero fica suspensa até que seja resolvida a questão judicial. Procurada pelo MARCO, a Infraero nega a existência de um TAC relacionado ao assunto ruído na Região do Aeroporto

Carlos Prates. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) possui o Plano de Zoneamento de Ruído de Aeródromos (PZR), que é um documento elaborado nos termos do Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC n°161), que tem como objetivo representar geograficamente a área de impacto do ruído aeronáutico decorrente das operações nos aeródromos e, aliado ao ordenamento adequado das atividades situadas nessas áreas, ser o instrumento que possibilita preservar o desenvolvimento dos aeródromos em harmonia com as comunidades localizadas em seu entorno. Todas as medições de ruído devem respeitar o que consta neste documento. Os cidadãos podem registrar manifestação por meio dos canais de atendimento da Anac que são o "Fale com a Anac" no próprio site do órgão, ou por meio do telefone 08007254445, que funciona 24 horas, em português, inglês e espanhol. Procuradas pelo MARCO, as empresas Minas Helicópteros e Efai, escolas de formação de pilotos, que atuam no aeroporto Carlos Prates, não se manifestaram até o fechamento desta edição.

Mato gera problemas em escola no Dom Cabral RAQUEL DUTRA

n GABRIELLE ASSIS JOANA ARAGÃO 3º E 4º PERÍODOS

A Escola Estadual Assis de Chagas, localizada na Praça da Comunidade do Bairro Dom Cabral, sofre desde o começo do ano com o excesso de mato em suas dependências. De acordo com a direção, o problema ocorre porque o governo do Estado não liberou verba para que o procedimento de capina fosse realizado. Todos os anos é preciso requerer com três ofícios e orçamentos para que ocorra a liberação por parte da Secretaria de Educação, mas este ano a Escola não foi beneficiada e, desde fevereiro, não obteve resposta sobre a disponibilização do trabalho. Segundo a vice diretora da Escola, Maria da Conceição Pinto, 53 anos, todo ano a escola passa pela capina, normalmente em março ou, no mais tardar,

em abril. Neste ano, porém, a situação é diferente. "Enviamos vários pedidos, o colegiado também. Foi alegado que o estado não tem dinheiro, eu acredito que o dinheiro está todo sendo gasto com a Copa. Aí quem sofre com as consequências somos nós, as crianças principalmente né, porque o mato já invadiu até a área de recreação delas", conta. O professor de Educação Física Leonardo Gontijo acrescenta que já foram perdidos diversos materiais das aulas, como bolas e petecas. "Porque a gente não tem condição de ir lá pegar no meio do mato. Sem falar a questão da quantidade de focos de dengue, porque a gente não pode entrar no mato e, é uma questão de segurança, porque já achamos aranhas, pode ter escorpião, porque tem entulho lá misturado, e, além disso, as pessoas jogam lixo no local", reclama. Atrás da escola há um

terreno desocupado que acaba, muitas vezes, sendo utilizado pelos próprios moradores como depósito de materiais descartados. Maria da Conceição completa a reclamação afirmando que, durante a capina, uma quantidade de lixo enorme é recolhida, mas este ano, porém, não há como saber se a situação se mantém, já que o mato está cada dia maior. Mais um agravante da situação é a insistência das crianças em brincar nas áreas encobertas pelo matagal. "Elas saem correndo no meio desse matagal todo e a gente tem que ficar o tempo todo chamando-as para vir para cá. O espaço de cima não é utilizado pelas crianças não, mas é foco de bichos, o que é muito perigoso para as crianças. Imagina se sai uma cobra desse matagal aqui, o que pode acontecer?", indaga a vicediretora. Além de todos esses problemas, funcionários,

professores, crianças e até os familiares têm receio quanto aos focos de dengue que existem no local. "Eu, vice diretora, tive dengue, uma auxiliar de serviços gerais teve dengue, a supervisora da escola teve dengue e houve casos de dois, três alunos. Não temos certeza, não tem como comprovar se foi contraído aqui na escola, mas é um agravante, não deixa de ser, né", desabafa Maria da Conceição. A estudante Iracema Reis Rosa de Melo, de 10 anos, tem consciência do problema. "Eu acho que isso não poderia acontecer, porque lá pode ter dengue e se algum dos alunos for lá em cima pode se machucar. E não pode subir lá. Mas tem gente que sobe. Tem vez que eles se machucam, ou eles podem pegar dengue", diz. Os pais e familiares também sabem do problema e aconselham os filhos a evitarem chegar perto do matagal. "Fico preocupada

Uma das áreas encoberta pelo matagal servia como saída de alunos com a minha filha na escola, por causa de bicho, por causa da dengue, de escorpião. A gente conversa com ela pra não brincar, não chegar perto, não tirar os sapatos, usar sempre sapatos fechados, mas não tem jeito", conta a manicure e cabelereira Sara de Oliveira Silva, 43 anos, mãe de uma aluna da 5º série.

Até o momento, a escola não obteve resposta da Secretaria de Educação a respeito da liberação da verba. De acordo com a direção, outras providências foram tomadas, o pessoal da zoonose já fez notificações ao Estado e a Associação de Moradores do Bairro Dom Cabral já fez denúncia sobre o problema.


8 Cidade

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Junho • 2013

ESTÓRIAS VIRTUAIS NAS PRATELEIRAS Enquanto autores brasileiros buscam seu espaço no mercado literário nacional, grupo de jovens chamam a atenção de editoras e leitores por todo o país: são os autores de fanfics ARQUIVO PESSOAL

n ADRIANO VERLY LETÍCIA GLOOR LÍVIA MAGALHÃES NATHÁLIA CAMPOS OLÍVIA PILAR

Romances para público feminino têm fórmula própria

7º PERÍODO

"Voldemort lutou com o famoso menino que lhe prejudicara toda a vida, Harry Potter. Sem haver um vencedor e percebendo a sua futura perda, o Lord retornou ao encontro de outros comensais que não tinham ido à reunião". Este trecho poderia ter sido retirado de um dos livros da famosa saga "Harry Potter", escrito pela inglesa J. K. Rowling, mas é da fanfic "Comensais da Morte Parte 1", criada pela brasileira Bárbara Dewet, quando tinha apenas 14 anos. Bárbara Dewet, ou Babi Dewet, como é conhecida por seus leitores, atualmente está com 26 anos e mora no Rio de Janeiro, onde trabalha como professora, administradora e escritora. A última profissão ela decidiu seguir graças às suas experiências com histórias na internet e, no ano passado, lançou seu primeiro livro, "Sábado à Noite", baseado em sua fanfic de mesmo nome. São chamadas fanfics, ou fan fictions (em inglês, ficção de fãs) todas as histórias que se baseiam em alguma obra (literária, cinematográfica ou televisiva), jogo ou até mesmo em integrantes de bandas famosas. São histórias escritas por fãs e para fãs, que utilizam personagens, enredos e cenários já existentes para contá-las de uma maneira diferente. "A internet era meu único refúgio quando eu queria saber mais das histórias, conhecer pessoas que também gostavam e dividir o que eu achava dos personagens. Assim comecei a ler fanfics sobre o mundo da JK Rowling e daí para as outras foi um pulo", conta Babi. Depois de ler muitas fanfics, ela resolveu começar a escrever também as suas. Começando por Harry Potter, ela logo passou a escrever também

Por serem obras exclusivas da internet, as fanfics precisam também de um espaço para serem publicadas, divulgadas e, principalmente, lidas. Foi pensando nisso que diversos sites especializados em publicação de fanfics foram criados. Fernanda Cristina Pereira, 23 anos, mora em Rio Claro, no interior de São Paulo, é jornalista e atualmente coordena um dos principais sites de fanfics de bandas do Brasil, o Fanfic Addiction. Ela explica que tomar conta de um site desses é bastante trabalhoso, pois é preciso estar atento a tudo que acon-

A fanfic da carioca Bárbara Dewet se transformou em um livro, mais de duas mil cópias já foram vendidas histórias inspiradas na banda inglesa McFly - de onde surgiu "Sábado à Noite". Foi após descobrir que leitores imprimiam a fanfic para poder ler na escola, ou antes de dormir, que Babi Dewet resolveu transformar sua obra em um livro impresso e, até hoje, mais de 2 mil exemplares já foram vendidos. "Achei que os pais também teriam menos preconceito com livro do que com a fanfic, como costuma acontecer", explica. Ela lançou "Sábado à Noite" de maneira independente, antes de conseguir o apoio de uma editora. "Eu lancei independente sem pesquisar antes se alguma editora estava interessada. Então, com o tempo, as editoras começaram a olhar pra mim e pra SAN [Sábado à Noite]. Acho que foi questão de ação e reação. Significou que eu estava fazendo algo certo!", conta. "Tudo foi dificuldade no começo. Aprender sozinha como se produz um livro foi uma das coisas mais importantes. Acho que me deixou com os pés no chão e aprendi a dar valor a todos os setores da indústria literária. Fora a produção, vender e divulgar foram dificuldades enormes que também fui desbravando e tentando achar meu lugar", relata. E além da parte técnica, Babi Dewet também se

preocupou em ter mais contato com seu público ao organizar eventos de lançamento do seu livro em livrarias de várias capitais do Brasil. "É de suma importância que o autor se envolva mais do que só na escrita do livro. Eu estou envolvida em todas as partes, em todos os momentos. Ir até o leitor é muito importante. É valorizar o leitor, valorizar livrarias e redes. É um trabalho divertido, difícil, mas que vale muito a pena", conta. Assim, como Babi Dewet, Nathália Ramiro, de Belo Horizonte, também decidiu lançar uma fanfic sua como livro. Autora de "Aposta", com apenas 17 anos de idade, ela acredita que o número de livros nacionais baseados em fanfics está aumentando a cada ano. "Quem trabalhou comigo na época da publicação do meu livro tinha consciência de que era uma fanfic, mas nunca mostrou alguma oposição a isso", explica. Andréa Prado, 21 anos, tamb��m começou sua carreira como autora de fanfics e, hoje, lança seu primeiro livro, chamado "Insanatório". Andréa mora em Curitiba e conheceu as fanfics quando tinha apenas 14 anos, através do site de relacionamentos Orkut, e com essa mesma idade começou também a escrever as suas. "Acho que o fato de ler as fanfics de

outras pessoas me fez ter vontade de escrever a minha própria", diz. Além de incentivar novos autores, para Andréa as fanfics também exercem um papel importante no hábito de leitura dos jovens. "Levando em consideração que a leitura não é tão praticada pelos jovens quanto deveria, as fanfics são uma grande oportunidade de disseminação do hábito da leitura, algo absolutamente importante tanto para uma boa formação intelectual quanto cultural", conta. Maria Júlia Lucas tem 18 anos, mora em Taubaté, interior de São Paulo, e passa boa parte de seus dias lendo fanfics. Ela estima que tenha lido ao todo cerca de 30 ou 40, envolvendo histórias longas e curtas. "Houve uma época que eu lia umas três histórias por dia, dependendo da extensão delas", comenta. Ela acredita que as fanfics desempenham um papel fundamental na construção de gostos e preferências dos jovens. "É por meio das fanfics que muitos adquirem o interesse e prazer pela leitura. Além de estimular a criatividade e inspirar o jovem a redigir uma historia", conta. Ester Souza, 16 anos, é outra jovem que dedica um tempo de seu dia a ler fanfics. Enquanto estuda em Nova Iguaçu, no Rio

Embora as fanfics façam parte de um gênero voltado para os jovens, muitos adultos também têm se interessado pelas histórias escritas por fãs ultimamente. Um grande exemplo disso é o famoso livro "Cinquenta Tons de Cinza", da britânica E. L. James, que inicialmente havia sido publicado na internet como uma fanfic do livro "Crepúsculo", da americana Stephenie Meyer. A grande diferença entre esse tipo de fanfics e a que conquista jovens do mundo inteiro está justamente na linguagem. Causando muita polêmica, o livro de E. L. James apresenta cenas de sexo bastante descritivas, o que acabou lançando uma nova tendência entre os romances voltados para o público feminino. Andréa Prado, 21, também se baseou neste novo estilo literário ao escrever sua fanfic "Psicose", que mais tar-

de Janeiro, ela acredita que as fanfics permitem que os jovens vivenciem experiências e "visitem lugares diferentes". "Creio que [a fanfic] seria um 'mundo alternativo', um lugar onde os jovens dariam asas à imaginação, tornariam alguns sonhos realizados, porque a leitura faz isso com a gente. Nos proporciona coisas maravilhosas em simples parágrafos", explica. Já Annie Brissow, de 18 anos, encontrou nas fanfics um ótimo passatempo para suas tardes em Alta Floresta, no Mato Grosso, onde mora. Autora de

Sites especializados em publicar fanfics tece dentro e fora dele, é necessário checar e-mails várias vezes por dia, nunca negar ajuda a quem se interessa pelo site e saber lidar com o público. Para facilitar o trabalho, a equipe que organiza o site foi dividida em algumas funções, sendo elas: coordenadoras, betareaders, colunistas, capistas e pessoas responsáveis por organizar indicações de fanfics e revisões públicas. "Temos as coordenadoras gerais, que ajudam nas

decisões do site e organização em geral, e as coordenadoras de cada seção (coordenadoras de betas, capistas, colunistas). As beta-readers são meninas que ajudam as autoras, corrigindo e aconselhando, além de revisarem as historias para deixá-las nas configurações estabelecidas pelo site, o que chamamos de ‘colocar script’, para que as historias se tornem interativas”, explica Fernanda. “Não é restrito, visto que já tivemos meninos como

Beta. Os colunistas, como o nome já diz, postam colunas sobre escrita e leitura, de quinta a domingo. As capistas fazem capas e propagandas para as fanfics postadas no site. E também temos algumas pessoas responsáveis por organizar as indicações [feitas pelos próprios leitores] e revisões públicas de fanfics", acrescenta. Para Fernanda, o público de fanfics tem crescido consideravelmente ao longo dos anos. "Dá para perceber que a cada novo

"fandom" que se destaca, os fãs descobrem o mundo das fanfics e se apaixonam. Isso reflete no número de acessos no site, já que o Fanfic Addiction chegou à marca de mais de um milhão de visitas", conta. Ela também acredita que o fato de uma história ser primeiramente publicada como fanfic, antes de se tornar um livro, seja bastante favorável. "Primeiro, porque serve como um incentivo. Se aquela história teve

de deu origem ao livro "Insanatório", lançado este mês, em Curitiba. Segundo ela, o que a levou a escrever sobre sexo de uma maneira mais aberta foi o número elevado de fanfics que lia e que abordavam esse assunto. "Foi mais ou menos como quando eu decidi escrever minha primeira fanfic, eu pensava 'nossa, quero escrever como ela' ou 'nossa, eu teria escrito isso de forma diferente'", conta. Mas, embora a primeira pré-venda de seu livro tenha esgotado em dois dias, com 150 exemplares vendidos, Andréa não acredita que Cinquenta Tons de Cinza possa influenciar no sucesso de seu livro. "Embora ambos tenham se originado de fanfics e abordem temas parecidos, apresentam enredos muitos diferentes", explica.

mais de cinco fanfics já publicadas em um único site, ela brinca ao dizer que não acredita ter "capacidade" para se tornar autora de livros. "Não que eu ache que eu escreva mal, ou algo do tipo, só acho que eu não levaria jeito para tanta responsabilidade", explica. Mas mesmo sem pretensão de seguir uma carreira de escritora, ela diz que não conseguiria deixar de escrever. "Assim como eu amo ler, eu amo escrever os meus romances melosos e não pretendo parar tão cedo", conta.

qualidade suficiente para sair do computador, a sua história também pode chegar a essa conquista. Segundo, que, apesar da modernização e inclusão digital que vivemos nos dias de hoje, os amantes da leitura sempre preferem ter o conto em mãos, assim podem folhear cada página e até mesmo sentir o cheiro do livro - aquelas manias que só a paixão por leitura pode dar. E, por último, é uma boa vantagem ao autor, pois os leitores de fanfics são extremamente fiéis e com certeza vão adquirir o livro", afirma.


Cultura Junho • 2013

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n VICTOR RINALDI 5º PERÍODO

Após o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), em 2011, a Fundação Municipal de Cultura, por meio da Gibiteca Antônio Gobbo, criou o Clube de Leitura em Quadrinhos. Outras atividades das bibliotecas municipais já promoviam clubes de leituras voltados para a literatura, mas nenhum era voltado para o público leitor de quadrinhos. Afonso Andrade, coordenador do FIQ e mediador do Clube de Leitura em Quadrinhos, explica que o espaço é pensado e voltado especificamente para quem lê quadrinhos. Ele esclarece que não é uma atividade exclusiva para desenhistas ou trabalhadores do ramo, no entanto quem trabalha na produção de quadrinhos também é convidado a participar. "É um encontro de pessoas que gostam de quadrinhos e vem para conversar sobre isso", conta. O encontro do clube de leitura é quinzenal e ocorre aos sábados. "Escolhe-se um tema, um livro, ou um autor, e aí as pessoas leem esse livro e discutem sobre ele", explica Afonso Andrade. Segundo ele, o clube é frequentado por um público bem diversificado, com a participação de professores, policiais, biólogos, entre outros. A idade das pessoas varia entre 20 e 60 anos, entre homens e mulheres.

"O quadrinho já deixou de ser o 'clube do bolinha', a gente sabe que hoje tem um número grande de mulheres lendo quadrinhos", ressalta Afonso. Para o analista ambiental Flávio Túlio Gomes, 34 anos, o Clube de Leitura em Quadrinhos foi uma oportunidade de conhecer pessoas que estão sempre atualizadas, que podem acrescentar informação e contribuir com o hábito da leitura. "O Clube de leitura para mim foi um achado. Eu frequentava o FIQ, de dois em dois anos, mas eu passava rápido e não me aprofundava e agora eu estou conseguindo entender melhor como que são os vários tipos de obras de quadrinho", afirma. Como qualquer outro tipo de leitura, o local tem como objetivo fomentar a reflexão sobre questões abordadas nos quadros animados. "No quadrinho, como no cinema ou na literatura, você pode ler e esquecer daí alguns dias, assim como você tem quadrinhos mais reflexivos onde o autor traz um tema mais pungente, onde você vai ficar ruminando aquilo durante algum tempo", explica. Para o mediador, é uma forma de ter contato com culturas variadas, pois muitas vezes o jovem acaba se focando muito em determinado tipo de produto cultural. "O quadrinho pode contribuir para essa diversidade, ter contato

QUADRINHOS INVADEM BIBLIOTECA MUNICIPAL O Clube de Leitura em Quadrinhos é um grupo de leitores aberto ao público e que se reúne quinzenalmente, aos sábados VICTOR RINALDI

Leitores discutem a obra “A Piada Mortal”, publicada na revista Batman pela DC Comics em 1988, com enredo de Alan Moore com a cultura de outros países e outros locais também. Você pode ter um quadrinho sobre determinado personagem, mas trazer ali a vida e a cultura de um país, como Itália, França ou Estados Unidos", diz Afonso. O bacharel em direito

André Ornelas, 35 anos, frequenta o clube desde o início e ressalta a sua importância como meio de promoção cultural. "Enriquece a nossa cultura, você pega uma história e você nota que tem mais ali. Tem coisas ali que podem ser discutidas, não

é simplesmente entretenimento", diz. Júlio Ferreira, arte-finalista da DC Comics, indústria norte-americana de quadrinhos, lembra que isso era uma coisa que sua geração não teve, onde ele se apegava aos poucos recursos que tinha à época. "A grande

importância é dar oportunidade para as pessoas que querem trabalhar no quadrinho ou que gostam de quadrinhos. Esses movimentos contribuem na formação de um público crítico através dessa experiência da relação pessoal direta, olho no olho”, salienta.

A releitura de um clássico feita por irmãos mineiros n MIRNA DE MOURA FERNANDA PEIXOTO 2º PERÍODO

As histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, que acompanham desde 1960 a infância de milhares de brasileiros, ganhou este ano uma nova edição, o livro "Laços". A obra, com 80 páginas, lançada em junho, foi elaborada pela dupla de irmãos belo-horizontinos Luciana e Vitor Cafaggi, de 24 e 34 anos, respectivamente. Juntos, eles participaram de todas as etapas do processo de criação, desde a elaboração do roteiro até o acabamento final. Ele é responsável pela

tirinha "Valente", publicada no jornal O Globo, e ela é a autora da tira de quadrinhos na internet Los Pantolezos. "Laços" escapa do tradicional formato de periódico, e assume um novo modelo, o graphic novel, ou romance gráfico. A nova maneira de composição é definida por uma história em quadrinhos de longa duração que é publicada em forma de livro. "Fazer quadrinhos é demorado, exige muita disciplina, muita paciência e perseverança. Quando a gente tem de fazer uma história mais longa, essa exigência se multiplica. À medida que a gente vai avançando na proREPRODUÇÃO

Capa da obra “Laços” lançada este ano pelos irmãos Luciana e Victor Cafaggi

dução, você começa a duvidar da qualidade da história, começa a achar o roteiro óbvio e batido, você começa a sentir que está se repetindo demais, você começa a perceber furos no roteiro ou erros de continuidade e tem de voltar atrás para alterá-los, por isso tudo tem de ser construído com muita atenção", afirma Luciana. O romance conta a jornada dos quatro personagens principais da Turma da Mônica, Cascão, Mônica, Magali e Cebolinha, em busca de Floquinho, o cachorro de Cebolinha que está sumido. Luciana e Vitor contam que a inspiração para o quadrinho é o filme "Conta Comigo", do diretor Rob Reiner, que narra às aventuras de quatro meninos à procura do corpo de um adolescente que sumira na cidade. Estes quatro, assim como a turma da Mônica, descobrirão em suas jornadas, coisas que os marcarão para sempre. Os irmãos procuraram ressaltar nos quadrinhos outro lado, que vai além da gula, da sujeira, da força e da fala errada, características já conhecidas. A ideia é mostrar um ponto de vista mais sensível, uma amizade mais profunda, revelando outros aspectos das personagens, porém sem descaracterizá-los. "É natural, para a gente, perceber uma séria de outras características dos personagens que são exploradas de maneira mais sutil nas revistinhas mensais. E são traços pessoais deles com os quais muita gente se identifica. Então, sempre nos pareceu uma ideia interessante deixar isso um pouco mais evidente em

'Laços'", diz a irmã. A história é construída a partir do olhar das crianças, da maneira como experimentam o novo. O trabalho de Luciana e Vitor faz parte da série Graphic MSP, juntamente com outros três do mesmo estilo, o "Astronauta" de Danilo Beyruth, "Chico Bento" de Gustavo Duarte e "Piteco" de Shiko. O primeiro a ser lançado foi o "Astronauta", em Outubro de 2012. Os quatro livros são da editora Maurício de Sousa Publicações (MSP), que investe em novos talentos das artes visuais brasileiras. O convite para participar do projeto Graphic MSP foi feito por Sidney Gusman, editor do projeto, que havia gostado do primeiro trabalho de

Vitor para a MSP. Quando Sidney descobriu que Luciana era irmã de Vitor fez questão de ter o traço dela no graphic novel. Antes de chegarem a este reconhecimento nacional, os irmãos usaram várias maneiras de divulgação de seu trabalho, como redes sociais e blogs. Eles destacam também a importância do Festival Internacional de Quadrinhos no processo de criação e concepção. "O FIQ é o maior evento de quadrinhos que temos no Brasil. Foi o FIQ que me despertou interesse em começar a produzir e publicar quadrinhos, para valer. Como eu disse anteriormente, acho muito estimulante para um autor se manter em contato com outros autores e outras pessoas envolvidas em todo o

cenário dos quadrinhos. E, em festivais como o FIQ, a atmosfera é tão vibrante que esse momento de encontro acaba despertando esse impulso para produzir seus próprios quadrinhos também", comenta Luciana. "Procuramos trazer o que há de melhor no cenário nacional e internacional das histórias em quadrinhos, trazendo quadrinistas renomados, como Angeli, Glauco e Laerte, que este ano será homenageado no FIQ. E, além de proporcionar esse contato entre feras das artes e artistas novatos, procuramos também revelar novos talentos, que às vezes não são percebidos pela falta de espaço no mercado dos quadrinhos" diz o coordenador geral do evento, Afonso Andrade.

Criança cria herói que vira gibi O "Spikeboy e a Liga da Natureza" é um quadrinho diferente dos demais. Em vez de ser história criada para o público infantil, ela foi criada a partir da mente imaginativa de uma criança. A história surgiu por acaso, Felipe Rocha, que à época tinha 5 anos, se machucou com uma farpa, que entrou em seu dedo quando brincava. Assim como o Spiderman foi picado por uma aranha, ele virou o Menino Espinho, que mais tarde foi traduzido para Spikeboy. A Liga da Natureza

corresponde aos seus amigos reais da escola e cada um possui um poder diferente. Na história imaginada por Felipe, juntos os heróis derrotam os inimigos, espalham a ideia de sustentabilidade e ajudam o meio ambiente. A ideia de transformar as brincadeiras em um gibi veio do pai, Gustavo Rocha, 42 anos, que para incentivar ainda mais a imaginação do filho mandou fazer uma roupa, que Felipe mesmo desenhou, do super herói. Como Gustavo já possuía uma editora de

livros resolveu ampliar a atuação para o ramo dos gibis, e criou o "Spikeboy e a Liga da Natureza", no primeiro semestre deste ano, lançando o primeiro periódico no mês de março. Para estender a linha de produtos, elaborou games, webcomics, e-books e aplicativos para tablets e celulares, que aliam diversão e aprendizagem. Para estimular a prática da leitura, criou o conceito inovador do Game Comic, uma revista digital interativa que mescla história em quadrinhos com videogame.


10Comportamento / Religião

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ADIAMENTOS DE SHOWS CAUSA TRANSTORNOS n RAQUEL GONTIJO 4º PERÍODO

Eventos que são adiados na capital mineira trazem transtornos para organizadores e público. Motivos como logística, falta de espaço e datas inadequadadas foram os principais motivos apontados pelos envolvidos RAQUEL GONTIJO

No dia 20 de abril o show da banda Ultraje a Rigor, que aconteceria na casa de shows Granfinos, no Bairro Santa Efigênia, foi adiado em razão de o vocalista Roger Rocha Moreira achar o espaço inadequado para o evento. Outro adiamento, desta vez por razão de logística, ocorreu dia 26 abril no show do cantor Lulu Santos, que aconteceria no espaço Mix Garden, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O adiamento de ambos os shows causaram transtornos e prejuízos financeiros tanto para as produtoras e demais organizadores, quanto para ao público que já havia se programado para os eventos. O Diretório Central dos Estudantes da PUC Minas (DCE) realizaria em 26 de abril o Festival de Cultura DCE PUC Minas, que contava com as atrações dos djs da festa Alta Fidelidade, DJ Pacato, a banda Best Place e o cantor carioca Lulu Santos. Entretanto, devido a um problema de transporte de equipamento e logística por parte da produção de Lulu, o festival teve que ser adiado a pedido do próprio cantor. De acordo com o presidente do DCE, Michell Tuler, 30 anos, Lulu participaria da gravação de um programa no Rio de Janeiro no sábado pela manhã, e por esta razão não poderia se apresentar sexta-feira à noite na cidade de Nova Lima. Os produtores e organizadores do show receberam a notícia na terça-feira pela manhã, três dias antes do evento. No mesmo dia, o cantor enviou um vídeo ao público onde se desculpou, explicou o motivo de não poder comparecer e propôs uma nova data para a apresentação. Michell afirma que o adiamento trouxe uma série de contratempos para o DCE: além de divulgar o vídeo pelas redes sociais e internet, o DCE

Cleuber Lúcio Santos Júnior revela que cancelamento de show do Ultraje a Rigor no Granfinos foi uma irresponsabilidade teve que providenciar novo material gráfico e espalhar faixas pelo campus da PUC, para informar aos alunos da nova data. O presidente do DCE conta também que muitos ingressos que haviam sido vendidos tiveram que ser devolvidos e reembolsados, mas que o prejuízo financeiro foi da produtora Flowers, responsável pelo evento. Além dos contratempos antecipados, Michell conta que a procura pelos ingressos foi menor. "Esperava que houvesse uma procura maior faltando um ou dois dias para o evento, que é quando as pessoas procuram mais, mas esta venda foi abaixo da expectativa. Muitas pessoas deixaram de ir por ter sido no domingo", observa. Ele afirmou que além do preço dos ingressos estarem acessível aos alunos da PUC, o DCE também disponibilizou transporte gratuito para o evento. Por outro lado, Michell disse que a aceitação foi boa. "Algumas pessoas lamentaram por que não puderam ir, mas

todo mundo absorveu bem esta mudança, até mesmo pelo fato do Lulu ter mandado o vídeo explicando o que tinha acontecido", acrescenta. O estudante de Publicidade e Propaganda da PUC Minas, Matheus Rancanti, 22 anos, foi um dos afetados pelo adiamento do show. Ele conta que recebeu a notícia por uma amiga quando estava em sua casa. "Quando fiquei sabendo, fiquei apreensivo, por que não sabia qual seria a reação do público. Tive até medo do show ser cancelado", lembra. O futuro publicitário disse que não sabia o que esperar desta situação, mas que acreditou pelo fato do Lulu Santos ser um grande artista. Além de espectador, Matheus também iria tocar no festival, pois é vocalista e guitarrista da banda Best Place. O músico acredita ser normal a ocorrência de imprevistos no meio artístico. "A parte profissional neste ramo de música tem muitas oscilações de compromisso, geradas até mesmo por estes. Acaba

que pelo fato de todos quererem fazer tudo calculado, sempre gera uma brecha, que eles não percebem e acaba acontecendo estes imprevistos”, afirma. No novo dia do evento, o estudante conta que, apesar da eventualidade, Lulu Santos foi bem recebido pelo público. Entre uma música e outra o cantor carioca parou o show, conversou com o pessoal, se desculpou e agradeceu a presença de todos. Na tarde do dia 28 de abril, o Mix Garden tinha por volta de 2000 pessoas, sendo que a lotação do espaço é de 2.500 pessoas. Outro evento que também sofreu alteração em sua data foi o show da banda paulista Ultraje a Rigor. No dia 20 de abril, a festa Suprassumo seria realizada na casa noturna Granfinos. Dentre outros artistas, a festa teria como a atração principal a banda paulista. O filho do proprietário do Granfinos, Cleuber Lucio Santos Junior, 25 anos, é o responsável pela parte administrativa da casa. Ele conta que foi informado do

Junho • 2013

imprevisto na sexta-feira dia 19, um dia antes do evento acontecer. Cleuber disse que o diretor da produtora Cria Cultura, responsável pelo evento, avisou para seu pai, o proprietário Cleuber Lucio Santos, que o show deveria ser adiado em função, segundo o Ultraje a Rigor, por causa de problemas de saúde de um parente de um dos integrantes da banda. Entretanto, Cleuber confirmou que após duas semanas, a produtora informou que o vocalista Roger Rocha Moreira não quis tocar no local, pois acreditava que a casa era pequena para o show. O filho do proprietário garante que a casa tem espaço para acomodar 800 pessoas. Para Cleuber, a mudança de datas afetou a casa negativamente, pois as pessoas compraram ingresso com um mês de antecedência. Ele afirma que o público cria uma expectativa e se planeja para estar ali naquela data. "A desmarcação um dia antes foi de maneira irresponsável, no meu ponto de vista, e não poderia acontecer de forma alguma, a não ser por questões muito extremas", afirma. Após receber a notícia de que o show não aconteceria, Cleuber informou no site da casa, nas redes sociais e publicou um aviso na porta do Granfinos com o informativo. Segundo ele, algumas pessoas tiveram acesso e outras não, mas que todos foram compreensivos. Apesar do imprevisto, a festa Suprassumo ocorreu, mas sem a presença do Ultraje a Rigor. Cleuber conta que isto afetou o número de pessoas, alguns ficaram quando souberam, mas outras não. Dentre outros problemas, o filho do proprietário afirmou que teve de devolver parte dos ingressos e arcar com o valor das taxas de conveniência para pessoas que compraram via internet. Contudo, Cleuber garantiu que o contratempo pode ter gerado certo desconforto para a casa, mas não acredita que a imagem pode ter sido afetada substancialmente. "A programação da casa tem sido muito boa, as pessoas têm gostado do espaço, da qualidade da música, do tratamento e o valor dos ingressos e bebidas é bem acessível. Já superamos este dano inicial". O show do Ultraje a Rigor foi remarcado para o dia 20 de julho no Music Hall.

País recebe a Jornada Mundial da Juventude RAQUEL GONTIJO

n MARIA HELENA BANDEIRA 3º PERÍODO

O Brasil foi o país escolhido para sediar a Jornada Mundial da Juventude de 2013, o maior acontecimento da juventude católica que está na sua 13ª edição. O evento ocorrerá entre os dias 23 e 28 de Julho na cidade do Rio de Janeiro e são esperadas cerca de 2,5 milhões de pessoas, brasileiras e estrangeiras. A presença do Papa Francisco é o grande diferencial e o principal objetivo é transmitir a mensagem de Cristo para os fiéis reunidos e como consequência mostrar o rosto da juventude cristã para o mundo. "A gente vê a igreja com outros olhos. A gente fica imaginando que a Igreja Católica é só a nossa paróquia, a nossa pequena comunidade e na jornada é uma oportunidade de ver de uma forma muito mais ampla a riqueza espiritual e humana da Igreja", explica Luciano Couto, 36 anos, organizador do grupo de peregrinos da Comunidade Caminho Novo e da Paróquia Nossa Senhora Mãe da Igreja.

Luciano Couto organiza um grupo de peregrinos para a Jornada Setecentas pessoas de 12 países participarão do evento com esse grupo sendo que aproximadamente metade serão estrangeiros.

Para que os jovens cheguem à Jornada preparados, a Comunidade Caminho Novo propõe o "Festival Internacional" que ocorrerá no Sítio Aguas Cantantes

em Belo Horizonte na semana anterior à viagem para o Rio de Janeiro. Os peregrinos desse grupo estarão em retiro durante sete dias organizando músicas, teatros, danças e métodos de evangelização que serão abordados no encontro. De lá partirão direto para o Rio onde ficarão hospedados em uma escola. "As minhas grandes expectativas são essas duas: a juventude do Brasil se mostrar e a presença desse Papa que é muito acolhedor", diz Luciano Couto. O atual Papa falou em uma de suas declarações sobre suas expectativas para o evento: "Já estamos perto da próxima etapa desta grande peregrinação da Cruz. Olho com alegria para o próximo mês de Julho, no Rio de Janeiro. Vinde! Encontramo-nos naquela grande cidade do Brasil! Preparai-vos bem, sobretudo espiritualmente, nas vossas comunidades, para que o referido Encontro seja um sinal de fé para o mundo inteiro. Os jovens devem dizer ao mundo: é bom seguir Jesus; é bom andar com Jesus; é boa a mensagem de Jesus; é bom sair de nós mesmos

para levar Jesus às periferias do mundo e da existência". Nesse período ocorrerão muitas atividades como as catequeses, eventos culturais, momentos de partilha, vigília, via-sacra, missas e acolhida do Papa. A inscrição do evento garante ao participante um "cartão refeição", "cartão transporte" e um "kit peregrino". As hospedagens serão feitas em casas de família, paróquias, escolas públicas e particulares, universidades, ginásios poliesportivos, casas de festas e centros comunitários. Os jovens brasileiros estão sendo preparados e estão com uma expectativa muito boa para receber os outros cristãos de todo o mundo e o Papa Francisco. "Para mim é indescritível a alegria de ter o Papa tão próximo. Acredito que vai ser um momento de muita bênção e muita conversão", diz Amana Navarro, 18 anos, que participará do evento. "Eu vou ver a força dessa Igreja Católica, que estará rezando para o mesmo Deus", completa.


Memória Junho • 2013

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CINE PATHÉ SERÁ REATIVADO EM 2015

Cinema de rua é ‘rico’ em histórias

Após funcionar como espaço de intensa movimentação cultural, área que abrigou galeria de lojas, igreja evangélica e, atualmente, estacionamento, passará por reforma para recuperar sua destinação inicial

ARQUIVO

RAQUEL GONTIJO

Antes do Cine Pathé, a capital mineira contou com vários espaços para exibição de filmes

Ocupado atualmente por um estacionamento, imóvel na Savassi se transformará em prédio, mas com a recuperação do Cine Pathé n ALANA FERNANDES ANA LUIZA PERDIGÃO JÚLIA MARTINS LUIZA SALLES GABRIEL GAMA 7º PERÍODO

De reduto cultural mais influente de Belo Horizonte nas décadas de 50 e 60, onde artistas, formadores de opinião e pensadores se reuniam para dialogar as múltiplas formas de conhecimento, as dependências do Cine Pathé se transformaram em estacionamento de veículos. Entretanto, mais de uma década e meia após o seu fechamento, o local vai voltar às origens e dar lugar a um novo cinema. O investimento de R$ 20 milhões na restauração do Cine Pathé será feito por intermédio da Prefeitura de Belo Horizonte, em parceria com a PHV Engenharia, que vai entregar toda a estrutura do antigo cinema recuperada, incluindo novo piso e reforma acústica. A Fundação Municipal de Cultura (FMC)

ficará responsável por todo o mobiliário, incluindo o telão e os equipamentos de som. A área vai se tornar um edifício comercial de nove pavimentos, com a fachada e o hall, tombados pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural, e funcionando como a entrada para o novo espaço multiuso para a exibição de filmes e exposições. Um espaço para o acervo permanente do Centro de Referência Audiovisual (CRAV) também está previsto para ser instalado no local. De acordo com a Fundação Municipal de Cultura, por intermédio de sua assessoria de imprensa, o projeto de restauração do Cine Pathé já foi aprovado pela Secretaria Municipal Adjunta de Regulação Urbana e está passando por uma etapa final de análise. A expectativa é que as obras comecem ainda este ano, com previsão de término para 2015. Para o arquiteto responsável pelo projeto, Bernardo

Farkasvölgyi, é o retorno do Cine Pathé como um endereço de cultura. "Sobretudo, como um espaço de manutenção da memória individual, coletiva e urbana", ressalta. O espaço ainda contará com um mezanino de 144 m² e será contemplado pelo novo cinema, que terá 252 poltronas, incluindo espaços para pessoas com necessidades especiais. A entrada do edifício comercial será pela Rua Alagoas, enquanto a antiga entrada do Pathé, pela Avenida Cristóvão Colombo, será exclusiva para essa nova área cultural. Segundo Farkasvölgyi, o espaço será reinventado, porém, levando em conta o caráter histórico e o desejo da população. "A ideia é reabilitar aquele espaço, dando um novo grau de eficiência, pois não basta manter a estrutura existente. Queremos resgatar a identidade do Pathé, criando também novas possibilidades", completa o arquiteto.

A relação dos belo-horizontinos com cinema de rua já vinha bem antes da fundação do Cine Pathé. A capital mineira recebeu seu primeiro local público para a exibição de filmes em 1909. Ele foi instalado na avenida Santos Dumont, no Centro. Com o tempo, outros foram inaugurados, como o Cine Brasil, o Metrópole e o Acaiaca. Logo depois, outros bairros aderiram à moda vigente, como Prado e Santa Tereza, e abriram seus espaços. Porém, à época, as salas de bairro eram apenas uma espécie de copiadoras dos lançamentos exibidos pelos cinemas do centro da cidade. Em 1920, o grupo Cinemas S.A inaugurou uma sala no Centro de Belo Horizonte, na Avenida Afonso Pena, em alusão ao francês e industrial da sétima arte Charles Pathé. Treze anos depois, as portas do cinema são fechadas em definitivo, pelo menos naquele local. "Quase três décadas depois do lançamento da sala na Avenida Afonso Pena, em 1948, para atender a demanda dos moradores do Bairro Funcionários, são abertas as portas do novo Cine Pathé, só que dessa vez na Avenida

Cristóvão Colombo. Começava uma história de amor de gerações de belo-horizontinos com um cinema de bairro", revela a doutora em sociologia Celina Albano, que já ocupou os cargos de secretária estadual e municipal de Cultura. Na abertura da sala, que se tornou um ícone da Savassi, o filme escolhido foi Devoção, dirigido por Curtis Bernhardt. "Devoção é um típico melodrama de Hollywood, produzido pela Warner Brothers. Nessa primeira exibição, o público já ficou encantando com o charme e conforto das instalações, que era o que diferenciava o Pathé dos outros cinemas de bairro", diz Celina Albano. O aposentado Hugo Mirra, 80 anos, foi à inauguração do cinema, e lembra até hoje de ter assistido ao filme com a sua primeira namorada. "Eu me lembro da primeira vez que vim ao cinema, logo na abertura da sala. Naquela época eu era bem jovem e estava começando a sair com uma garota", conta. "O Cine Pathé faz parte da história da cidade e acho importante esse resgate da cultura belohorizontina", completa Mirra.

REPRODUÇÃO

Retorno poderá mudar hábitos Para o cineasta Henrique Ludgero, de 25 anos, que já participou da produção de alguns longa-metragens da Globo Filmes, o retorno do Cine Pathé será um grande marco para a cidade e uma vitória do cinema de rua frente às salas de shoppings, cada vez mais comuns em Belo Horizonte. "Não vivi aquela época de efervescência cultural dos anos 50, infelizmente. A volta do principal centro cultural do século XX da cidade significa muito mais do que apenas as exibições de filmes. É a reaproximação do cinema com o público. Com o surgimento das inúmeras salas de

cinema em shoppings, a cinematografia virou um mero espaço de comercialização, perdendo o seu caráter dialogador e de aproximação real com o público", explica. Apesar da boa notícia, o cineasta salienta que os jovens de hoje vão precisar readquirir este hábito de frequentar lugares como o Cine Pathé. Para Ludgero, as salas de cinema atuais fabricaram um novo tipo de entretenimento. "Não adianta querer que as pessoas troquem os filmes comerciais exibidos nos shoppings pelos clássicos, sem antes construir uma mudança de mentalidade. O cinema de rua precisa voltar

a ser popular, senão espaços como este ficarão restritos para um grupo fechado de cinéfilos", completa. Para o estudante Eduardo Garcia, 16 anos, a restauração do cinema será uma oportunidade para uma mudança da cultura dos jovens, acostumados com as salas apenas em shoppings. "Com a revitalização da Savassi e a restauração do Cine Pathé vamos ter um acesso ao cinema muito mais fácil e agradável, sem precisar ir ao shopping para assistir a um filme", observa. A geóloga Ana Cláudia, 25 anos, também está animada com a reabertura do Cine Pathé.

Após mais de uma década fechado, projeto das salas de cinema é elaborado "Acho interessante essa oportunidade das pessoas terem mais acesso ao cinema e a filmes não

comerciais, que não são exibidos em cinemas convencionais", declara.


12Comportamento

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Junho • 2013

REDE SOCIAL UNE PATINADORES EM BH RAQUEL GONTIJO

Grupo BH-Roller reúne patinadores de Belo Horizonte e ganha espaço através do Facebook. Com a ajuda de redes sociais, a equipe, que antes possuia somente 12 integrantes, hoje ultrapassa setecentas pessoas n ANA LUÍSA PERDIGÃO CLARA BERNARDES MATEUS TEIXEIRA 2º PERÍODO

Um grupo no Facebook reúne pessoas que andam de patins em Belo Horizonte. A ideia surgiu em outubro de 2012, após um encontro marcado pela rede social. O grupo cresceu e, se no inicio eram 12 pessoas, hoje já são mais de 700. Eles se reúnem à noite durante a semana, todos os sábados e domingos em diversos locais da capital mineira e de cidades da Região Metropolitana da capital. A ideia de criar o grupo "BH Roller – Patinação online em Belo Horizonte" na rede social partiu da veterinária Isabela Ciarlini de Azevedo, 32 anos, que também é patinadora artística. Ela conta como surgiu: "No começo, criei um evento e chamei alguns amigos. O primeiro encontro foi na igrejinha da Pampulha em outubro do ano passado, 12 pessoas participaram e adoraram. Criamos um grupo, um chamando ao outro", afirma.

Atividade é recomendada e leva benefícios a todas as idades O professor universitário Marc Henry, 60 anos, voltou a andar de patins com o incentivo

Nos primeiros meses eram feitas votações entre os participantes para decidir o local do próximo final de semana, mas, como a ideia não deu certo, o grupo escolheu alguns locais que se tornaram fixos, como a Ciclovia da Avenida dos Andradas na Região Leste da capital e o Mineirão. Esse foi escolhido devido ao piso, visto que a pavimentação de Belo Horizonte não é favorável para a prática do esporte. Os encontros aos sábados e domingos reúnem cerca de 30 pessoas. "Não imaginei que o grupo fosse crescer em pouco tempo, é impressionante. Amo patinação", afirma Isabela. Outro administrador do grupo no Facebook, Patrick de Oliveira Bonnereau afirma que a interação interpessoal não se restringe ao espaço belohorizontino. Segundo o professor de física e de patinação há grande interatividade. “Vem gente do Rio e de Brasília", afirma. Ele disse também que o fato de a comunicação ser mantida pela internet facilita dar continuidade

da Isabela Ciarlini. "Tem pouco tempo que ando, tentei com 35, 40 anos e não evoluí. Eu trabalho próximo a Isabela, que me reincentivou há três meses", argumenta. Ele conta ainda que seu condicionamento físico melhorou nos últimos meses. "O músculo do osso lombar puxa, mas já

ao grupo, mantendo o sentimento de união e completou contando que muitas de suas tentativas anteriores de formar um grupo de patinadores, em Belo Horizonte, não deram certo devido à dificuldade de manter contato através de telefonemas. Patrick falou que o uso de patins é muito marginalizado em Belo Horizonte e que um dos objetivos do grupo é abrir espaço e pedir permissão para que os patinadores possam ir e vir livremente em lugares diferentes, como os shoppings. Ele é enfático ao dizer que é necessária a escolha consciente por lugares com espaço e evitar acidentes, tomando cuidado nas vias urbanas. "Procuramos não estragar meio fio e evitamos a degradação. Nos divertimos com saúde, mas é claro que os tombos fazem parte", diz. Ainda a respeito de possíveis tombos, Isabela relata que alguns cuidados devem ser tomados. "Utilizar o equipamento de segurança e o lado certo da ciclovia durante o passeio na orla da lagoa. Procurar também dividir o espaço com o pedestre", salienta. Alexandre de Oliveira Krabbe, 19, estudante de Engenharia da Computação

está melhorando", observa. Marc Henry também fala sobre o equilíbrio: "Não tenho as reações de um jovem. O controle e o condicionamento corporal mudam. Foi um estímulo para voltar e repor os circuitos neurológicos", relata. O professor anda de patins, em média, duas

A importância de orientar as crianças no uso da internet n MAURO F. DOS SANTOS JÚNIOR 2º PERÍODO

A tecnologia entra cada vez mais cedo na vida de crianças deste século. Computadores, smartphones, video games e a própria internet representam apenas uma parcela dos inúmeros aparatos midiáticos aos quais o público infantil tem acesso. Em um mundo onde o avanço da tecnologia é cada vez maior, especialistas advertem que é necessário saber como orientar as crianças a usufruirem dos inúmeros recursos disponíveis. Segundo dados do Ibope Media coletados em dezembro de 2012, o Brasil é o quinto país mais conectado do mundo, somando 94,2 milhões de internautas. Maria

Eduarda, de oito anos, é uma das crianças que se enquadram nesse grupo. Estudante do 3º ano do ensino fundamental, ela afirma que a internet é um instrumento importante que a auxilia a desenvolver projetos escolares e a se conectar com os amigos. "A vantagem é que quando a gente quiser fazer algum trabalho ou saber alguma notícia de alguém ou algo, nós podemos ver na internet", afirma. Porém, é necessário ter cautela. Como explica o psicólogo Bruno Márcio, o uso em excesso dessas novas tecnologias e mídias pode impedir ou limitar outras formas de interação e construção de conhecimentos importantes durante a infância e toda a vida humana. "Há também os

riscos envolvidos com as exposições de fotos, ou outras informações pessoais de modo pouco atento, bem como os perigos de se manterem e se fazer contatos com pessoas desconhecidas ou mesmo conhecidas que podem estar mal intencionadas e apresentar diversos riscos à proteção e mesmo à segurança da criança e da família", explica o profissional. Os pais de Maria Eduarda procuram sempre zelar por sua segurança. "Há os riscos de acessos a sites proibidos, de conversas com pessoas estranhas, conversas indesejadas com adultos", explica o pai, Alexandre Aurélio. Ele e a mãe garantem que o acesso da filha à internet é sempre monitorado. "Tem que monitorar, acompa-

Grupo de patinadores, que se conheceu pela internet, se reúne para praticar a atividade

em Buffalo, Estado de Nova Iorque, é um dos primeiros membros do BH- Roller. Ele é o encarregado de criar o logo do grupo e disse estar à procura de algo que possa representá-los e a ideia de produzirem uma camisa ainda não foi posta em prática. Patrick conta ainda que o grupo é heterogêneo. Engenheiros, professores, crianças de 6 anos de idade até senhores de 60: "O BHRoller tem um perfil acolhedor e não tem uma pessoa que se apro-xime do grupo que não sinta algum tipo de identificação. Não

vezes por semana. "Depende do horário de trabalho e agora com o Mineirão fechado está sendo difícil", observa. O professor ministra aulas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), localizada próxima ao local. O estádio e a esplanada estão fechados por causa da realiza-

nhar e ensinar a ter mais cuidado. Acho que isso é o básico", afirma Aurélio. Márcio também acredita que o acompanhamento é necessário. "A importância da instrução e orientação é porque a criança pode ter acesso a essa mídia em diferentes situações e lugares, e é impensável que alguém vá conseguir monitorar e controlar esse acesso o tempo todo e em todos os lugares", destaca. A pedagoga Lívia Casasanta explica que o contato que as crianças têm com a tecnologia deve ser orientado para gerar bons resultados. "O ser humano necessita de estímulos distintos à medida que cresce. O mundo cibernético não é diferente. Cabe aos familiares e educadores delimitar o tipo de estímulo e o grau de contato dessa criança com o mundo da informação, com a mídia e os artefatos digitais", explica. Gustavo Aurélio, 13 anos, irmão de Maria

existem ‘panelas’, não tem grupo fechado, até mesmo porque o grupo não é de ninguém. O grupo não criou uma identidade de organismo unitário, a gente criou a identidade total de patinação e pronto. Então quem chega já é automaticamente do grupo", afirma. Jairo Boulevard é um exemplo de que o ingresso no grupo é algo espontâneo e que os patinadores são acolhedores. Ele afirma que começou a praticar há somente seis meses e foi incentivado por Isabela. "Eu estava aqui na lagoa e

ção da Copa das Confederações, torneio teste para a Copa do Mundo de 2014 e a concessão agora está com a Fifa e só voltará para a Minas Arena no começo de julho. De acordo com os patinadores, o local é um dos melhores para patinação devido à segurança e ao piso.

Eduarda, mostra casos em que a internet é utilizada de forma positiva. "Na minha escola, a gente faz grupos em cada sala. Questões de tarefas escolares, o que é dado na sala de aula, a gente debate isso em um grupo fechado no facebook", conta. Livia Casasanta acredita que o método mais eficaz de conscientizar o público infantil dos riscos é o diálogo. "Da mesma maneira que ensinamos as crianças a não abrirem a porta da casa para estranhos, é importante que permitamos que entendam o risco de conversar com desconhecidos ou registrar informações pessoais em sites públicos", diz. A pedagoga sugere ainda que haja uma orientação mais participativa na vida das crianças. "Fazse cada vez mais urgente a preocupação em ir além do simples monitoramento: pesquisar quais são e oferecer jogos, softwares, sistemas e aplicativos que favoreçam o aprendizado e

vi o pessoal andando de patins. A Isabela me abordou e perguntou se eu queria andar de patins e eu pensei 'por que não?'. No mesmo dia, eu fui no shopping, comprei os patins e comecei a andar junto com ela", conta. Ele lembra que encontrou dificuldade apenas no começo, mas todos do grupo tentam ajudar e isso facilita na superação. Jairo fala que a parceria vai além dos encontros e que todos vão sempre ao cinema, parques e restaurantes.

Ele tenta convencer seu filho Marco Antônio, 8 anos, a andar. "Gostaria muito, pois qualquer esporte é interessante", justifica. Ainda ressalta para aqueles que têm vontade de andar: "É gostoso, deve ser estimulado. O lazer é uma coisa que devemos cultivar", acrescenta.

uma interação saudável com o mundo virtual ao longo de seu desenvolvimento", pontua. O psicólogo Bruno Márcio acredita que não há uma idade ou forma ideal para que as crianças se insiram no mundo tecnológico. "Ao invés de falarmos em forma ideal, penso que seria bom reafirmar a importância do acompanhamento, da orientação e do diálogo, bem como a importância do maior acesso à internet acontecer de forma gradual", afirma. Em meio a tantas possibilidades apresentadas no mundo tecnológico, ele afirma que o melhor método para proteger o público infantil é a conscientização. "Possibilitar à criança, desde cedo, um aprendizado baseado na confiança, autonomia e responsabilidade parece ser a melhor medida de proteção", conclui.


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RAQUEL DUTRA

FAMÍLIA SEGUE CARREIRA NA LIMPEZA URBANA Diferentemente das famílias tradicionais, nas quais os pais trabalham e o filhos estudam, os integrantes da família Peixoto vão às ruas diariamente para trabalharem como garis

A família Peixoto compartilha a profissão de gari, mesmo com as limitações que a carreira oferece n RAQUEL DUTRA MARINA NEVES LUIS FELIPE SALGADO 5º PERÍODO

Os pais acordam cedo para trabalhar e os filhos para estudar. Essa é a rotina da maioria das famílias tradicionais, mas não acontece da mesma forma na família Peixoto. Logo de manhã, às 6 horas, todos já estão a caminho da casinha verde, localizada na rua Paracatu, bairro Santo Agostinho, na Zona Sul de Belo Horizonte. O local é ponto de partida para a jornada diária de limpeza urbana dos três membros dessa família. A mãe, Gilda Ilza, 35 anos, inicia sua rota de limpeza às 7 horas na Avenida do Contorno, na altura do bairro Cidade Jardim, e termina às 14h30. Com a vassoura na mão e um sorriso no rosto, Gilda percorre aproxi-

madamente 34 quarteirões para, no final do mês, ganhar pouco mais de um salário mínimo. "Só o salário que a gente ganha aqui é muito pouco, continuo no ramo porque gosto mesmo. Trabalhar na rua é maravilhoso. Adoro varrer a rua, me sinto mais livre", conta com entusiasmo. Para complementar sua renda, a gari, aos finais de semana, transforma sua casa em um salão de beleza, trabalhando como cabeleireira. Ela atende amigos e conhecidos onde mora, no bairro Ribeiro de Abreu, região Nordeste de Belo Horizonte. Com isso, ela consegue arrecadar por mês o valor extra mínimo de R$100,00. Contribuindo na renda familiar, Gilda conta com a ajuda de seu marido, Adão Peixoto, 45 anos, que deixou o emprego de

pizzaiolo, há dois anos, em um restaurante no Centro de BH para ingressar no ramo da limpeza urbana. Ele justifica a troca de emprego por considerar a rotina noturna desgastante e, ao constatar que o seu antigo salário equivaleria ao de gari, optou por mudar de profissão. "Suficiente não é não, o gasto em casa é muito grande, mas dá para se manter", relata Adão. O trabalho foi conquistado com o auxílio de sua esposa e, atualmente, ele é responsável pelo trecho da Rua Paracatu à Rua Rodrigues Caldas. Ainda assim, os salários dos pais são insuficientes para realizar a vontade do filho mais velho, Rafael Peixoto, 20 anos. "Meu sonho é ser arquiteto, quem sabe um próximo Oscar Niemeyer", almeja o jovem. A partir desse dese-

jo, ele resolveu trabalhar como gari com o intuito de juntar dinheiro para iniciar seus estudos em uma faculdade. Contudo, Rafael não deixa de ajudar os pais com as despesas em casa, repassando todo mês o valor do seu ticket alimentação, que corresponde a R$350 e a cesta básica. Os três garis da família Peixoto são unânimes quanto a uma questão: o salário não consegue cobrir as despesas de um lar. O casal ainda cuida de mais dois filhos, uma menina de 13 anos e um jovem de 18. Segundo Adão, o salário ideal de um trabalhador da profissão deveria ser de pelo menos R$1.500. Além disso, Gilda não acredita que trabalhar na limpeza urbana seja promissor e por isso incentiva o filho na busca por um emprego melhor. "Eu quero que ele saia daqui, ele já completou o colégio e agora eu quero que ele faça um curso. Isso aqui não dá futuro nenhum não", salienta a gari. Histórias semelhantes à da família Peixoto podem ser encontradas na mesma "casinha verde" do Bairro Santo Agostinho. Uma delas é a de Luciana de Jesus, 37 anos, solteira, mãe de três filhos e que, sozinha, sustenta sua casa. Gari há 4 anos, ela é colega de Rafael Peixoto,

Desrespeito com os garis Como se não bastasse o baixo retorno financeiro, muitos garis ainda enfrentam outro problema na luta diária pela limpeza urbana, a falta de respeito ou de reconhecimento por parte da população, de maneira geral. São muitos os casos de pessoas que tratam esses profissionais como se fossem inferiores aos demais, cometendo insultos e atitudes negativas. O jovem Rafael Peixoto já vivenciou situações de discriminação, afirmando que a mais marcante foi quando acabara de varrer parte de uma calçada,

quando um homem passou e jogou um papel amassado no chão, bem em sua frente. Não satisfeito, e já preparado para um possível questionamento do gari, o rapaz não hesitou e disse: "Você é pago para varrer! Eu estou pagando você para varrer! Então varre!". Scheila Natalícia é outra gari que, assim como Rafael, já foi insultada enquanto realizava o seu trabalho pelas ruas. Segunda ela, certa vez estava tirando a poeira ao redor de um ponto de ônibus e, ao avistar que um senhor vinha em sua direção,

interrompeu imediatamente o serviço. Ainda assim, o homem ficou irritado com a trabalhadora, alegando que ela estava levantando poeira e sujando todos que passavam em volta. "Ele me chamou de idiota, macaca, palavras horríveis mesmo. Só que eu já tinha parado de varrer para ele passar", lembra Scheila com desgosto. Não só palavras podem ferir os sentimentos das pessoas, atitudes também. Essa é a conclusão da profissional de limpeza urbana, Luciana de Jesus, que enfrenta uma situação quase diária com um dos

moradores de uma residência dentro de sua rota de trabalho. "Tem uma dona que pega o lixo e joga todo para fora, de dentro da casa dela, espalhando tudo no chão. Então quer dizer, está humilhando a gente", conta a gari com tristeza. Dificuldades à parte, o que conta para os garis é a felicidade. Amizades, distração e liberdade são palavras que rodeiam o dia a dia desses profissionais. "Eu me divirto muito nas ruas. Sou feliz demais com o que faço", conclui Scheila.

que juntos são responsáveis pelo trecho que vai do Colégio Marconi, na Avenida do Contorno, até a Avenida Tereza Cristina, o que corresponde a cerca de 60 quarteirões. Para desenvolver este trabalho, Luciana ganha em torno de R$700 mais os benefícios fornecidos pelo governo. "São dois homens e uma mulher para sustentar. É difícil, mas o Bolsa Família ajuda bastante", revela. Além disso, a trabalhadora reclama do cartão refeição disponibilizado pela empresa, em função da dificuldade de encontrar estabelecimentos que o aceitem e, por isso, como solução ela opta por vendê-lo. Perto dali, na rua Paracatu, a rotina se repete com Rosilene Ferreira dos Santos, 39 anos. Ela vive com o namorado e é mãe de quatro filhos, sendo um deles deficiente, o que exige um gasto maior com medica-

mentos. Após trabalhar na área de limpeza de uma academia de ginástica durante onze anos, ela pensa diferente dos colegas de profissão e se diz satisfeita com o atual emprego de gari. "Para mim esse salário está bom e olha que eu já trabalhei em outros lugares, sei como é. Nunca tive mais de um salário e nesse eu consigo isso, então é suficiente. Dá para sustentar legal", afirma a gari. Em outro ponto da cidade, no Bairro Coração Eucarístico, Scheila Natalícia de Andrade, 45 anos, também trabalha na limpeza urbana e, assim como Rosilene dos Santos, acredita que o ganho mensal é satisfatório. A família, constituída por oito pessoas, sobrevive bem, mas segundo conta a mãe, é preciso saber controlar bastante os gastos da casa para não se endividar.

Origem e histórias da turma da limpeza Os garis são agentes de limpeza urbana e essenciais para a conservação da cidade, responsáveis pela coleta do lixo e pela limpeza de ruas e avenidas da cidade, forma direta, várias doenças que se desenvolvem com o acúmulo dos resíduos, como a dengue, por exemplo. Os serviços prestados por esses profissionais vão além da coleta domiciliar e da varrição das ruas, realizam também a coleta seletiva, coleta dos resíduos de saúde, limpeza de deposições clandestinas, lavação de ruas e avenidas, limpeza das bocas de lobo e limpeza de córregos. Pelas ruas, muitas pessoas acham que chamar esses profissionais da limpeza urbana de gari, é um insulto. "Não seria exatamente um preconceito, mas acho

que é falta de respeito", afirma o estudante de administração, Carlos Eduardo Alves, 21 anos. Mas de pejorativo o apelido não tem nada. Na verdade, a palavra "gari" surgiu como uma homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary que foi o primeiro a assinar um contrato de limpeza pública com o Ministério Imperial, em 1876, no Rio de Janeiro. Quando seu contrato terminou, em 1891, seu primo Luciano Gary entrou para substituí-lo e, assim, sucessivamente, outros membros também passaram por ali. Aos poucos o nome se generalizou e acabou pegando, as pessoas responsáveis pela limpeza urbana ficaram conhecidas como "A turma do Gary".


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Junho • 2013

PROJETO ELEVA QUALIDADE DE VIDA PRISCILA EVANGELISTA

A Prefeitura de Ribeirão das Neves criou o projeto “Vida Saudável”, que visa criar bons hábitos e melhorar a qualidade de vida de parte da população por intermédio de atividades físicas n PRISCILA EVANGELISTA 1º PERÍODO

A falta de atividade física associada a maus hábitos tem contribuído para o aparecimento de muitas doenças como a hipertensão, diabetes, problemas cardíacos, respiratórios entre outros. Todos os anos as unidades de saúde e os prontos atendimentos recebem um número cada vez maior de pessoas com algum mal crônico. Boa parte dessas doenças podem ser evitadas ou controladas com atividades físicas e bons hábitos. Pensando nisso, a Prefeitura de Ribeirão das Neves criou o projeto Vida Saudável, com o objetivo de estimular a prática de exercícios e um estilo adequado de vida. O projeto é direcionado aos hipertensos, diabéticos e idosos. Boa parte dessas pessoas entram para o grupo apresentando algum tipo de problema, como depressão, dores musculares e pressão descontrolada. A aposentada Maria Ester Almeida, 61 anos, afirma que antes de participar do grupo apresentava muitos problemas de saúde. "Eu sentia muitas dores no corpo, falta de ar e pressão alta, mas graças a Deus minha pressão está normaliza-

da, meu peso diminuiu, meu astral melhorou bastante", conta a aposentada. A fisioterapeuta Jussara Pimenta, responsável pelo projeto Vida Saudável desenvolvido no Bairro Florença e também no Parque Ecológico de Neves, enfatiza os benefícios encontrados por aqueles que abrem mão do sedentarismo em prol das atividades físicas regulares. "Vários benefícios são observados, como o controle da pressão, ganho de força muscular, diminuição de dores na coluna e nas articulações, além do bem estar físico e mental", expõe a fisioterapeuta. Segundo Jussara Pimenta, o grupo também recebe apoio de uma nutricionista que dá dicas sobre a alimentação saudável. Além disso, antes dos exercícios são aferidas as pressões de todos os participantes com o objetivo de controlar e acompanhar possíveis picos de pressão. A dona de casa Vilma Maria da Silva, 45, sofria de depressão quando resolveu, por iniciativa própria, procurar o projeto. "Depois que eu comecei com essa fisioterapia eu não tomo mais remédio para depressão, minha pressão está normal", afirma. O projeto está fazendo sucesso entre a população. Segundo a fisioterapeuta, a lista de espera só está crescendo. Atualmente são cerca de 40 pessoas esperando por uma vaga. "No momento nós estamos ocupando uma sala de odontologia

Alunas em atividade durante aulas do projeto “Vida Saudável”, que leva pessoas a mudar de hábito, aumentando a disposição no dia a dia que ainda está vazia. Então, não cabe mais de 30 pessoas por horário", explica Jussara Pimenta. Ela salienta a importância do fisioterapeuta não cuidar somente da parte física motora, mas também da parte mental e emocional. "Nós fazemos festas comemorativas como Natal e festas juninas com o objetivo de unir o grupo e deixá-los mais alegres. Os idosos principalmente não têm estímulos em casa, não têm muita coisa para fazer, então, isso faz muito bem para eles", conta. O projeto Vida Saudável é destinado tanto aos homens quanto às mulheres. Mas, segundo Jussara, os homens são mais inibidos e, dessa forma, participam menos. A importância de se ter atividades físicas destinadas a esse tipo de público é visível. Isso porque, idosos e

hipertensos não podem fazer atividade física sem orientação. Nas academias, por exemplo, os idosos não aferem a pressão antes dos exercícios. "Na academia, o idoso não tem essa aferição todas as vezes que for fazer atividade física. Ele só vai ter isso se ele tiver um personal trainne com ele", explica a fisioterapeuta. Enquanto um dos focos da academia é o ganho de força muscular, o projeto se volta ao bem estar de seus participantes. "O nosso foco não é ficar forte fisicamente, os exercícios que nós fazemos não tem essa função", afirma Jussara. O projeto Vida Saudável focaliza mais no alongamento e no afastamento de dores, ou seja, no bem estar físico de seus participantes. Segundo a fisioterapeuta, o intuído do projeto é "dar à musculatura uma flexi-

bilidade, um ganho de massa, mas de forma saudável", comenta.

MENOS DORES A aposentada Nair Alves da Silva, 79, afirma que caía com certa frequência, mas admite que a prática de exercícios mudou sua vida. "Eu sentia muita dor no braço, não conseguia nem mexer. A dor no braço acabou apenas com a ginástica. Além disso, depois que eu comecei a fazer fisioterapia não caí mais", afirma. A diarista Iris Dalva da Silva, 56, relata que melhorou sua qualidade de vida com a prática das atividades físicas. "Eu tenho problema de pressão e diabetes, mas depois que comecei a participar do grupo tudo ficou controlado. Eu pesava 82 quilos, hoje peso 75. Não dormia sentindo dor no ombro e no joelho. Depois que eu

entrei aqui, minha vida mudou", explica. Para Jussara, uma das vantagens do atendimento em público é atingir várias pessoas ao mesmo tempo. Formada em Fisioterapia pela PUC Minas, ela passou a gostar da área da promoção de saúde quando ainda estava cursando a faculdade. "Eu gosto dessa área porque não trabalho com pessoas que vão ter uma lesão, eu trabalho para prevenir essa lesão. Eu trabalho promovendo a saúde para que as pessoas não precisem de ficar indo ao posto todos os dias", relata Jussara. "É muito bacana trabalhar com a promoção da saúde, promover saúde, ensinar as pessoas a cuidar dela para não passar por problemas depois", acrescenta.

Documentos e objetos lotam achados e perdidos MARIANA VIOTTI

n ALESSANDRA NARDINI GUILHERME AMÂNCIO MARCEL BEGHINI MARIANA VIOTTI 7º PERÍODO

Notebook, celular, chave de carro e até mesmo carrinho de bebê. Estes são apenas alguns dos objetos que costumam ser esquecidos no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Apenas em 2012, cerca de 4,2 mil objetos foram deixados por seus proprietários nas dependências do aeroporto, sendo apenas 1,5 mil devolvidos posteriormente. Segundo o gerente de segurança aeroportuária, Milton Siqueira, responsável pela área de achados e perdidos em Confins, é bem comum que passageiros com pressa para embarcar e desembarcar, esqueçam algum utensílio. "É bem difícil, entretanto, achar o dono de algum objeto quando não há nenhum tipo de identificação. Quando tem identificação, contactamos a pessoa imediatamente", afirma. Ainda segundo

Siqueira, após 90 dias da perda dos objetos, eles são encaminhados para doação após uma inspeção. No momento em que ocorria a apuração da reportagem, Maria Salim Murta, 38 anos, chegava às dependências do Aeroporto e se encaminhava para a sala de achados e perdidos, um ambiente apertado e repleto de estantes de ferro com objetos dos mais diversos, cuidadosamente embalados e catalogados. "Perdi meu carregador de celular na semana passada e só hoje me dei conta de que poderia ter ficado na sala de embarque. Ainda bem que o encontrei. Ninguém mais aguentava me emprestar", conta Maria Murta, que descobriu a existência do local por uma amiga, que trabalha no aeroporto. Assim como ela, o eletricista Ronaldo Cunha, 49 anos, também já perdeu um objeto importante, mas no Terminal Rodoviário da capital. Em 2011, quando viajaria para Ouro Branco e comemoraria o aniversário de uma tia, acabou deixan-

do o presente no terminal. "Só me dei conta no meio do caminho. Chegando lá, liguei para a rodoviária e me colocaram em contato com o responsável pelo achados e perdidos, que encontrou o presente", recorda. Outros itens curiosos também acabam aparecendo na pequena – menor ainda que a do aeroporto –, mas lotada sala do terminal, como dentadura, bola de futebol e brinquedos. São cerca de 100 a 150 objetos perdidos por mês. Entretanto, os itens mais comuns de serem encontrados são documentos, como RG e CPF. Após 90 dias, estes são encaminhados para os Correios, onde ficam armazenados.

DOCUMENTOS Desde o ano de 1981, os Correios mantêm um departamento de achados e perdidos na Agência Central de Belo Horizonte, localizada à Avenida Afonso Pena, no centro. O serviço funciona apenas para armazenar documentos perdidos na capital, e a pessoa que encontrar algum que

Estante da sala de "achados e perdidos" do Terminal Rodoviário, no centro de Belo Horizonte estiver perdido, pode depositá-lo em qualquer agência ou caixa de coleta dos Correios. Para Antônio Carlos Abraão, 19 anos, que havia perdido a permissão para dirigir após duas semanas de uso, o serviço está aprovado. "Me esforcei muito para tirar a

carteira de motorista e fiquei sem poder dirigir novamente, o que me causou transtorno no trabalho. Agora não preciso da segunda via", afirma. No ano passado, foram mais de 30 mil documentos encontrados e cadastrados para facilitar a busca dos proprie-

tários. Degmar Gomes dos Santos, gerente da Agência Central dos Correios, afirma que a procura não é muito grande. Os documentos ficam disponíveis por 60 dias na agência e depois são remetidos para os órgãos emissores, que destroem os mesmos.


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BARREIRAS PARA DEFICIENTES VISUAIS Deficientes visuais criticam a falta de acessibilidade em seus percursos na Região Noroeste. Denúncias para regularização de espaços físicos podem ser feitas por meio do BH Resolve RAQUEL DUTRA

n HUGO L'ABBATE LAYSA VIEGAS NATHÁLIA PEREIRA 1º PERÍODO

Calçadas irregulares, buracos e obras mal sinalizadas são constantes empecilhos para os deficientes visuais que residem em Belo Horizonte. O que para a maioria das pessoas é algo simples de ser feito, torna-se um fardo para aqueles que sofrem de deficiência visual ou com grande dificuldade de locomoção. O ex-garçom Ciro Paula Campos, 39 anos, é um deficiente visual que sofre de uveíte, uma doença que causa a inflamação do trato uveal e que pode levar à cegueira. Suas principais queixas são sobre a baixa qualidade das calçadas por onde passa, a dificuldade para pegar ônibus e a sujeira deixada por cães nas ruas, que acaba causando constrangimentos aos que não podem enxergá-la. Emerson Augusto Rosa, 33, é guia de corredores com deficiência

visual e enfrenta complicações ao treinar com seus alunos. "Para eles tudo é difícil. O transporte público é ruim, os ônibus andam muito cheios, as pessoas não respeitam", conta. Cássio Henrique Damião, 39, treinador de corrida para deficientes, relata problemas encontrados no entorno do Campus da PUC Minas no Coração Eucarístico. "Há muitos degraus, pequena largura do passeio e descaso das obras, onde a sinalização não é feita da forma correta e os cegos podem cair em buracos. Já tivemos problemas como esse! O próprio piso tátil, que procura ajudar [os cegos] na locomoção, é muito difícil de ser percebido, dependendo do calçado utilizado", afirma. "No bairro Coração Eucarístico os buracos são antigos, os passeios são muito acidentados", diz Herivelton de Oliveira Ferraz, 36 anos, auxiliar de administração na PUC Minas. Mesmo tendo visão residual, encontra difi-

culdades pelo caminho do metrô ao campus da universidade, principalmente na calçada da Rua Coração Eucarístico de Jesus, no quarteirão mais próximo à universidade. "Se for dar uma nota de zero a dez para a acessibilidade no Coração Eucarístico sentido metrô - PUC, minha nota seria cinco e meio. Já o acesso pela passarela do Dom Cabral é ainda pior. Na verdade, são poucos os passeios em Belo Horizonte que têm boa acessibilidade. Não considero o piso tátil uma referência porque já vi alguns terminarem em orelhões e bancas de revistas", conclui Herivelton. A Prefeitura de Belo Horizonte disponibiliza, em seu portal na internet, a Cartilha de Construção e Manutenção de Passeios, com instruções para a construção de calçadas acessíveis a todos. Segundo a cartilha, as calçadas devem ter piso único, antiderrapante e sem obstruções, como raízes de árvores e mesas de

bar, e com devidas sinalizações em casos de obras. Na Rua Itamarati, próxima à Avenida Ressaca, um condomínio cumpriu o seu dever e fez o passeio adequado para os portadores de necessidades especiais. A calçada e os acessos ao prédio possuem piso tátil e antiderrapante, com rampas nos locais irregulares e grades ao redor das árvores recémplantadas. De acordo com a assessoria da Prefeitura de Belo Horizonte as denúncias de irregularidades nas calçadas podem ser feitas através do BH Resolve, pelo telefone 156 ou dirigindo-se à Avenida Santos Dumont, 363, no centro de Belo Horizonte. Feita a denúncia, um fiscal irá ao local e fará uma avaliação que será, mais tarde, transmitida a um responsável. Este, por sua vez, tratará da reforma e correção dos problemas encontrados.

Fidelidade facilita utilização de táxis em Belo Horizonte LAYSLA VIEGAS

n HUGO L'ABBATE LAYSA VIEGAS NATHÁLIA PEREIRA 1º PERÍODO

A população de Belo Horizonte sofre com a dificuldade para conseguir táxis, problema frequente em todos os horários, mas que se torna ainda pior durante a noite, em dias de chuva e nos finais de semana. Na tentativa de driblar essa dificuldade, muitas pessoas utilizam os programas de fidelidade, nos quais o cliente contata e utiliza os serviços de um mesmo taxista, sempre que necessário. Com 23 anos de experiência em sua profissão, o taxista Sílvio Macedo, 41, trabalha com fidelização de passageiros e diz que seus clientes costumam ligar e marcar o dia e horário para a corrida. A advogada Elizabete Rodrigues Pereira Chaves, 62, conta com o serviço de fidelização. "Devido à dificuldade para se conseguir um táxi em horário de pico, a ligação direta para o taxista, por diversas vezes, foi uma excelente alternativa encontrada", afirma. São muitas as ocasiões, porém, em que é necessário um táxi num momento não previamente esperado, não sendo possível marcar a corrida com antecedência. Mesmo com a ligação direta para o taxista, este

Programas de fidelidade são opção para pessoas que utilizam serviço de táxis e garantem agilidade no serviço pode estar ocupado, atendendo outros clientes. Em situações como essa, muitos fazem uso de aplicativos para smartphones, que permitem localizar, com rapidez, táxis próximos ao local em que a pessoa se encontra. A estudante Larissa Freitas, de 18 anos, que enfrenta dificuldades para pegar táxis, principalmente, em dias de grandes eventos, como shows e jogos à noite e, também, em dias de chuva, encontrou solução no aplicativo way táxi, que afirma nunca ter falhado para ela. "Costumo dizer que encontramos aplicativos pra quase tudo nos celulares e computadores. São programas criados para facilitar nossas vidas. Os

aplicativos de táxi são ótimos exemplos disso. Não diria que são solução para a falta de táxis em Belo Horizonte, mas ajudam a encontrar automóveis disponíveis em cada região da cidade", comenta. Ela cita um caso em que o aplicativo foi a solução. "Eu estava atrasada em casa poucas horas antes da virada de ano 2012/2013, procurado um táxi para ir à uma festa. Liguei para todos os pontos da região e não encontrei nenhum disponível. Foi quando me lembrei do aplicativo que tinha baixado uma semana antes por indicação dos amigos. Resultado: encontrei um táxi em poucos minutos. Salvou minha noite!", conta. Taxistas e clientes con-

cordam com o fato de que haveria mais corridas, caso a dificuldade para se conseguir um táxi fosse menor. Havendo maior facilidade, tanto Elizabete quanto Larissa declararam que utilizariam mais o serviço. Segundo Sílvio Macedo, a frota de táxis não é pequena, considera-a como ideal. O principal problema apontado por ele é o trânsito, que faz com que se gaste muito mais tempo para chegar ao destino do cliente, além de resultar na perda de muitas corridas. "Nos horários de movimento a gente está gastando três, quatro vezes mais o tempo para fazer uma corrida. Às vezes, em uma que você gastaria 15 minutos, acaba

Rua Dom João Pimenta apresenta obstáculos para deficientes visuais

Falta investimento em auxílio para deficientes Ciro Paula Campos, após ter de abandonar o emprego de garçom devido às dificuldades geradas por sua doença, passou a se dedicar ao ramo esportivo. Ciro pratica corridas regularmente e treina no clube da PUC, localizado no campus do Bairro Coração Eucarístico. Os treinos o ajudaram a perder peso e obter uma vida saudável, com a prática de exercícios físicos. Seus esforços lhe renderam a segunda melhor marca brasileira nas modalidades de

gastando uma hora, então são, pelo menos, duas corridas que você deixa de fazer". Sílvio ainda ressalta a questão da Lei Seca como responsável pelo aumento da procura por táxis em Belo Horizonte e a consequente dificuldade em consegui-los. Apesar de ser um ponto negativo para o passageiro, é positivo para o taxista, que realiza um número consideravelmente maior de corridas. Ramon Victor Cesar, diretor-presidente da BHTRANS, revela que haverá novas licitações. "O

800 e 1500 metros. Agora, está focado nas Olimpíadas de 2016. Ciro ressalta a questão da carência de guias como a maior dificuldade enfrentada pelos deficientes visuais na prática esportiva e queixa-se da pouca atenção dada pelo governo ao programa "bolsa guia". Sem o devido auxílio, muitos atletas com deficiência não têm condições de pagar um guia e acabam sendo obrigados a parar de praticar esportes.

aumento das permissões visa equilibrar a oferta do serviço com a demanda. Mas não é só isso. Com a exigência de maior número de horas do carro empenhado no serviço, também estamos garantindo maior oferta de corridas, para atender a um público que está crescendo", afirma. De acordo com a assessoria de comunicação da BHTrans, atualmente a frota de táxis em Belo Horizonte é de 6.109 carros, sendo por dia 96 mil usuários em um total de 68 mil viagens.


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Especial • Cidade Junho • 2013

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MATEUS TEIXERA

População e turistas aproveitam o calçadão para praticar exercícios e passear; número de pessoas é maior nos finais de semana

LAGOA DA PAMPULHA CHEGA AOS 70 ANOS EM SITUAÇÃO PRECÁRIA Local de encontros, caminhadas e turismo, região faz aniversário, mas população anseia por conservação e melhorias n ADILSON BRAGA MATEUS TEIXEIRA 1º E 2º PERÍODOS

Mais tradicional cartão postal de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha completou 70 anos de existência no último dia 16 de maio, sem motivo para comemorações. Às vésperas da Copa do Mundo, que será disputada em 2014 e que tem o vizinho Mineirão como uma das sedes, o espelho d'água e seu entorno sofrem com a degradação e a recuperação ambiental continua como promessa. Apesar desse cenário, o local continua atraindo um grande número de turistas e moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que visitam e curtem momentos agradáveis. Com sete décadas de história, a Pampulha está em análise da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco), que poderá lhe conceder o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Além da lagoa, o complexo paisagístico e arquitetônico da Pampulha abriga diversos pontos turísticos, tais como Igreja de São Francisco de Assis, Museu de Arte da Pampulha, Casa do Baile, Iate Tênis Clube, Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão), Ginásio Mineirinho, Parque Promotor Lins do Rego, Jardim Botânico e Jardim Zoológico, além de diversos imóveis residenciais. "O conjunto arquitetônico da Pampulha é incrível, além do oferecer a possibilidade de contato com um ambiente belo e arborizado", comenta Lourdes Nascimento, que há 30 anos veio do interior do estado para morar em Belo Horizonte. A região atrai, diariamente, pessoas em busca de contato com a natureza e de um espaço público para convivência. Nos fins de semana, o local se torna ainda mais movimentado com a presença de turistas e pessoas que buscam atividades físicas na orla da Lagoa. "Sempre venho na praça em busca de exercí-

cios físicos. É um excelente local para caminhadas", revela Pedro Cecatti, morador de Ribeirão das Neves. O ambiente tranquilo é ressaltado como um atrativo para a população que frequenta a Pampulha. "A tranquilidade e o lazer são incríveis. É bem diferente de outros lugares a que estamos acostumados, como o Parque Municipal, por exemplo", diz Maria Aparecida, de Curvelo. A região atrai famílias, com crianças que brincam nas praças, nos arredores da lagoa. "É um local incrível e tranquilo para trazer as crianças", salienta a empresária e mãe Nueli Mendes. "Só acho que poderia ser mais democrático, com mais opções para elas. Mas não é algo grave. É um excelente lugar para a família", completa. A região terá todo seu conjunto arquitetônico reformado e a Fundação Municipal de Cultura investe cerca de R$ 32 milhões para a recuperação de espaços na região, como os Jardins Burle Marx na orla da Lagoa, a Casa do Baile e o Museu de Arte. O objetivo é conseguir levar o título de patrimônio histórico da humanidade e deve receber a resposta da aprovação até 2016. DESPOLUIÇÃO Apesar de ser um dos locais mais procurados pela população belo-horizontina, o Complexo da Lagoa da Pampulha tem na poluição do espelho d'água um dos fatores ameaçadores do futuro da região. "O local parece estar desleixado", observa o técnico em estradas, que se identificou apenas como Márcio. Ele acredita que não haverá futuro no complexo se a lagoa continuar "poluída como está". Em maio de 2012, em parceria com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), as prefeituras de Belo Horizonte e de Contagem iniciaram um programa de despoluição da Bacia da Lagoa da Pampulha, que recebe esgoto de ambas as cidades. "A lagoa é o que mais atrai a população para a Pam-

pulha. Sem ela, isto seria um espaço como outro qualquer. Portanto, o projeto de revitalização e despoluição tem que acontecer", disse Lenira, uma das frequentadoras da região. É esperado que a recuperação da lagoa beneficie 450 mil pessoas, além de dar mais conforto para quem caminha no local e que, hoje, tem de conviver com o mau cheiro, que se

torna, muitas vezes, "insuportável", como descreve, enfaticamente, a estudante Laís Rodrigues. A expectativa é que as obras estejam concluídas em dezembro deste ano. Porém, o projeto que conta com três etapas já teve a primeira fase comprometida por atrasos. Na primeira parte seriam feitos o bloqueio do esgoto e a drenagem dos córregos.

População se divide sobre êxito dos projetos A população que frequenta a orla da Pampulha tem opiniões divergentes em relação aos anunciados programas de despoluição. Há aqueles que acreditam na revitalização, como João Paulo Senra, de Ribeirão das Neves, que frequenta o local todo domingo. "Sou mineiro. Desses que acredita que tudo vai dar certo. A gente de Minas não desiste", brinca. Outros se revelam descrentes. "Não acredito em revitalização. É algo impossível. Parece o Tietê, em São Paulo. Sem solução", disse Paula Tenório, de Contagem. Há ainda quem prefira levar na brincadeira o assunto e não ter uma opinião definida sobre o caso. "Não sei se acredito na despoluição, mas tenho medo que acabe virando o piscinão de Ramos", disse Terezinha, que trabalha no ramo de confecção na Grande BH. O movimento ‘Somos Pampulha’, que visa a contribuição por meio da preservação da lagoa junto com a sustentabilidade, disponibiliza um site, que permite ao internauta que acessá-lo, participar de um abaixo-assinado em favor do desassoreamento da lagoa. O documento será enviado para a Prefeitura de Belo Horizonte e pretende preservar as nascentes, eliminar o mau cheiro e garantir água limpa e transparente, dentre outros pontos. A Copasa assumiu, em 2002, o compromisso de melhorar a qualidade da

água da Lagoa da Pampulha. No total, já foram investidos cerca de R$ 430 milhões em obras, como a construção da Estação de Tratamento de Efluentes (Etaf Pampulha) e a implantação de mais de 100 quilômetros de redes coletoras nas nove estações elevatórias. Mais seis devem ser construídas em Belo Horizonte e Contagem, dentro do Programa Caça Esgoto em convênio com a prefeitura da última cidade. Para a despoluição da lagoa, a Prefeitura de Belo Horizonte deverá contar com um empréstimo de R$ 140 milhões no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para desassoreamento da barragem e retirada de resíduos e lixo da região. A previsão é que as obras estejam prontas ainda em 2014, durante a Copa do Mundo, quando a expectativa é de atingir os padrões de qualidade, que devem chegar ao grau três, onde é possível a prática de esportes náuticos. A Prefeitura de Contagem participa juntamente com a Prefeitura de Belo Horizonte, da Copasa e do Programa de Recuperação e Desenvolvimento Ambiental da Bacia da Pampulha (Propam), da revitalização da Lagoa, já que 56% da bacia da lagoa está na cidade. Conforme informações da Prefeitura, o objetivo é que a lagoa fique livre de 95% de lançamentos de esgoto e lixo, até 2014.

Apesar de poluídas, águas da Pampulha guardam histórias Inaugurada em 1943, a Lagoa da Pampulha representou um marco para a modernização da cidade de Belo Horizonte. A ideia foi do então prefeito Otacílio Negrão de Lima, que dá o nome da avenida que contorna a lagoa. Mas foi somente na administração de Juscelino Kubitschek, maior defensor do desenvolvimento da capital, que novos bairros foram sendo criados, como a Pampulha. Com um design arrojado para a época, largas avenidas e com obras que apresentavam arquitetura moderna, a Região da Pampulha se tornou referência em qualidade de vida e turismo. Foi pensando nisso que Juscelino compôs uma equipe de grandes artistas para adaptar seu projeto aos padrões internacionais, contando com a ajuda de artistas como Oscar Niemeyer, Portinari e Burle Marx. Em 1936, a lagoa era vista como uma alternativa para contribuir para o abastecimento de água da capital e para amortecer enchentes. Entretanto, após sua inauguração e ao longo dos anos, é hoje um dos pontos que atraem população e turistas para atividades físicas, manifestações artísticas, movimentos urbanos e convivência. "É um excelente local para a convivência", diz Flávio Dias, mecânico de

manutenções, de Betim. Os frequentadores da região notam mudanças expressivas ao longo do tempo. "A Pampulha já foi muito mais do que é hoje. Quem conheceu ela antigamente não acredita como está agora. Podíamos ver iates e barcos no seu interior e a água não era tão poluída", afirma Everton, morador de Santa Luzia. A gerente em finanças Clara Menezes revela que tem muitas histórias da região. "Venho aqui desde minha época como adolescente. Trago meus filhos hoje e percebo que a lagoa não é mais a mesma", comenta. Entretanto, ela destaca melhoras na estrutura da Pampulha. "A iluminação melhorou muito. Há opções de lazer, não temos prédios e é um local maravilhoso para se visitar, admirar e frequentar. E caminhar (risos)", completa. A Lagoa da Pampulha acumula uma série de histórias. "Sempre que venho aqui caminhar, saio com um novo amigo. O local é rejuvenescedor e nos cria possibilidades de convivência e é simplesmente incrível", diz o administrador Márcio Santos. "Cada vez que entro aqui, saio com uma nova história pra contar", completa.


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