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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP FACULDADE DE ARQUITETURA, ARTES E COMUNICAÇÃO – FAAC DEPARTAMENTO DE DESENHO INDUSTRIAL – DDI

Veranie Bottosso

Plus a Go Go O nascimento de um novo conceito para moda plus size

Bauru 2010

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Veranie Bottosso

Plus a Go Go Trabalho de Conclusão de Curso de Desenho Industrial com habilitação em Projeto de Produto, apresentado ao Departamento de Desenho Industrial sob orientação do Professor Doutor Claudio Roberto Y Goya.

Bauru 2010 TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO

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apresentado para obtenção do título de Bacharel em Desenho Industrial pela comissão de avaliação composta pelos seguintes:

Claudio Roberto Y Goya Orientador Professor do Departamento de Desenho Industrial / FAAC / UNESP

José Carlos Placido Membro Professor do Departamento de Desenho Industrial / FAAC / UNESP

Luis Carlos Paschoarelli Membro Professor do Departamento de Desenho Industrial / FAAC / UNESP

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Agradecimentos Aos meus pais, Marcos e Marina, por me terem trazido ao mundo e claro por todo suporte e incentivo ao longo de toda minha vida, sem eles nada disso seria possível. Aos meus irmãos, Diego e Bruno, meus amados companheiros. Ao professor Claudio Goya, por me ensinar, me orientar neste trabalho de conclusão e, sobretudo por ser um grande amigo e excelente cozinheiro. Aos professores Luis Carlos Paschoarelli e José Carlos Plácido pela simpatia e pela sensibilidade que os diferenciam como educadores. À costureira Edna e à professora de costura Ana Claudia, à maquiadora e amiga – pois sem os ensinamentos, sem o auxílio e a experiência dela dessas duas mulheres jamais este trabalho teria se concluído. Às minhas novas amigas que fiz por conta deste trabalho, Fernanda Sampaio (maquiadora) e Ana Silvia (estudante) que me ajudaram muito durante todo o desenvolvimento do trabalho, especialmente na execução do photoshooting. Ás minhas amigas Michele, Ana Paula, Camila e Jenifer, por terem me incentivado a fazer este TCC, por cuidarem de mim, pelo carinho, por tudo que me ensinaram, pelos conselhos, pelo suporte em tempos difíceis, pelas sábias palavras, por toda paciência durante todos os anos de convivência, pela alegria, pelas risadas, pelas séries, pelas faxinas, pelas festas, pelas deliciosas refeições proporcionadas e ainda mais por serem minhas amigas.

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Aos amigos Andrézinho, Vaka, Tibúrcio, Montinho, Carlão, Regina, De Sá, Gu, Rodrigo, Dai, Vitor, Laurinha, Gi, Tchutchu, Milton, Carlãozão, Everton, Alessandro, Fábio, Liara, Ethiene, Paquito, Larissa, André Goiano, Bruno, Charlie, Juliana, Diogo, Fernanda, Gabriel, Fábio Medeiros e todos que passaram e contribuíram de alguma forma para que todos esses anos passassem de forma tão divertida e inesquecível. E, por fim, agradeço à Nina (in memorian), Dorinha, Doglaine (fujona), Catlaine, Zarinha, Pretinha, Branquinha, e Bacon (in memorian), pela companhia, pelos passeios, por ouvirem minhas lamentações sem reclamar, pelas brincadeiras, pelo carinho despretensioso, pois sem animais por perto a vida não tem graça.

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Dedicatória Dedico este trabalho a minha família, amigos e à todas gordinhas do mundo. 11


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“Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”. Voltaire 13


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Resumo O presente projeto “Plus a Go Go” consiste no desenvolvimento de uma marca de roupas plus size que traz uma proposta inovadora neste segmento no Brasil, o fast fashion habitado na esfera virtual, assim como já ocorre nos países mais desenvolvidos. O primeiro e principal objetivo da marca é criar roupas de tendência que vistam mais tamanhos além dos impostos pelo mercado de moda atual, tais quais se podem ver nas vitrines pelas ruas e shoppings, sem obrigatoriamente criar limitações ou gerar modificações nos modelos pelo fato de se destinarem a corpos maiores, ignorando regras que ditam o que pessoas gordas podem ou não podem vestir, quebrando o tabu de que elas têm que esconder seus corpos e acabando com a sensação que esse público tem quando observa nas passarelas uma moda que não será feita para eles, o que gera diferenciação, fator justificante para discriminação. Para o nascimento deste projeto foram coletadas diversas referências que abordam o universo e o comportamento do público alvo, moda, empreendedorismo, estratégias de mercado, comércio eletrônico e, por fim, eco design. Para que assim, os temas se interrelacionassem e dessem surgimento aos conceitos exclusivos da marca.

Palavras-chave Moda, gorda, plus size, tamanhos especiais, sustentabilidade, eco design, fast fashion, comércio virtual, consumo consciente, empreendedorismo, negócios, 15


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Sumário Introdução

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Felicidade

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A origem da idéia

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A geração ”Y”

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Onde conseguir dinheiro

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O comércio social

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Target

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As tendências do mercado atual

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Moda e Sustentabilidade

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O Mercado Plus Size

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Tendências para o verão 2010/2011

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Coleção amostral

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Confecção Confecção

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Coleção Coleção Amostral - Photoshooting

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Conclusão

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Referências

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Introdução A Plus a Go Go é mais do que uma marca, é um conceito. Talvez o conceito mais inovador a ser implantado no comércio brasileiro destinado ás mulheres plus size. Pois como foi dito por Diane Crane, em a Moda do Século, “O que torna a moda tão popular é a possibilidade democrática de acesso: todos participam do processo de vestir-se e adornar-se experimentando seu prazer e sua dor e, especialistas ou não, todos sentem confiança para tecer comentários.” Sendo assim, não faz sentido e nem é justo que mulheres, apenas por terem formas mais avantajadas, não sejam permitidas a exercer o direito de participar de algo que a princípio foi destinado à todas pessoas da sociedade independentemente de classe social, cor, religião e muito menos por aparência física. Afinal como a autora mesmo disse, trata-se de um exercício democrático.

Sendo assim, com foco nas tendências mais recentes, serão lançadas pequenas e exclusivas coleções com um curto intervalo de tempo entre uma e outra durante o ano, seguindo assim os moldes do comércio

fast fashion que acabou por educar um consumidor a querer sempre novidades a cada vez mais rapidamente. Paralelamente, o modelo de e-commerce é inspirado nas mais bem sucedidas empresas virtuais dos mais diferentes ramos de atuação ao redor do mundo, onde se primam por qualidade de serviço, rapidez de entrega e eficiente atendimento ao cliente. Este modelo de e-commerce seria mais bem chamado de “comércio social”, como foi abordado anteriormente.

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Pretendo, então, que minha loja seja antes de tudo, uma rede social, onde os membros desta comunidade possam trocar experiências e, sobretudo interagir e interferir neste ambiente de forma a ajudar desde o aprimoramento do site em si até a criação das roupas que eles desejam vestir. Este último recurso será ministrado em forma de concursos assim como acontece com a Threadless.com, os participantes enviarão idéias de modelos e /ou estampas para serem confeccionados e haverá então uma eleição para que se decidam o vencedor e assim a futura e imediata confecção do produto em questão. Além disso, a loja será um reduto para divulgação de opiniões, vontades, comportamentos e mais tudo que possa me auxiliar na compreensão dos desejos deste público. Trabalhar a auto-estima e a felicidade do público alvo andará juntamente na mesma escala de importância que as vendas. A confecção das roupas além de priorizar qualidade e o design, terá como mandamento o uso ecoconsciente dos recursos e matérias-primas assim como o cuidado para que as peças tenham o menor valor possível de fabricação para que assim o custo final ao consumidor não seja tão elevado quanto ao valor que as roupas plus sized são vendidas hoje em dia, tentando ao máximo ser compatível, na medida do possível, com os preços encontrados nas lojas de departamentos de tamanhos comuns. Mas, mais importante do que isso é também conscientizar meus futuros consumidores sobre a importância de um consumo consciente e incentivar a reciclagem de roupas. Por fim, Plus a Go Go trata-se de meu primeiro plano de empreendimento, mas antes de ser um plano é um sonho que virou realidade no momento que comecei dei início a este relatório.

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Felicidade “Pense no que você faria feliz, mesmo se não ganhasse dinheiro. Isso é o que você deveria estar fazendo agora”.

Quem disse a frase acima foi Tony Hsieh, 35 anos, fundador e presidente da Zappos.com, empresa de varejo on-line que começou vendendo sapatos e agora

pretende

despachar

tudo

quanto

é

mercadoria, tem como missão “entregar felicidade”. A felicidade é a principal filosofia de vida e está presente no âmago da empresa. Aos céticos, os números: com um atendimento ao consumidor fora do comum, a Zappos.com conseguiu multiplicar o seu faturamento em 625 vezes nos últimos nove anos e passou de milionária a bilionária. Foi partindo dessa premissa que escolhi o Design para estudar e decidi encarar este sonho de ter minha própria marca de roupas e assim poder trabalhar com o que realmente me faz feliz.

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A origem da idéia A idéia de ter uma marca de roupas voltada para gordinhas vem desde que cursei faculdade de Estilismo em Moda na Universidade Estadual de Londrina, no Paraná. Mas como não completei a graduação – cursei apenas três semestres – este objetivo ficou adormecido dentro de mim. Após largar a faculdade, fiquei por dois anos apenas trabalhando fazendo cursos com o objetivo de me qualificar para seguir uma carreira na área de Desenho Industrial, curso que tomei conhecimento ainda quando cursava moda e me apaixonei logo de cara pelo número infinito de possibilidades de atuação que ele proporciona ao profissional. Neste momento moda só fazia parte da minha vida como faz para todas as outras pessoas, talvez de uma maneira um pouco mais especial que o normal, mas ainda assim em segundo plano. Assim, ao final de 2005 decidi prestar dois vestibulares para Desenho Industrial apenas para saber como me sairia (e para viajar um pouco), pois já faziam quatro anos que tinha me formado na escola e jamais havia estuda para um vestibular. A surpresa foi que passei na UNESP para orgulho de minha família e minha imensa felicidade.

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Entrei na UNESP mais madura do que era na época da UEL, decidida a me tornar uma boa designer de produto, mas o que eu não esperava é que meu produto voltaria a ser moda. Ao longo do curso apliquei meus conhecimentos “fashions” da área em trabalhos acadêmicos sempre que pude e quando chegou a hora de decidir o tema do TCC, demorei um pouco, até mesmo hesitei em pensar em moda. Foi então que comentei despretensiosamente com minhas amigas que quando cursei estilismos pensava em fazer meu TCC sobre moda plus size, foi aí que elas me incentivaram a realizar este sonho que já estava quase morto. Ter me decidido por este tema foi muito mais que apenas uma escolha lógica, foi resultado de todo um processo difícil que passei em minha vida pessoal durante o quarto ano da faculdade. Este processo teve, dentre muitos outros motivos, um problema de baixa autoestima. Ser gordo no mundo de hoje não é fácil, existe um preconceito velado que nos atinge diariamente e que também nos mina internamente como se fosse uma autossabotagem. Estar de bem consigo mesmo é possível e extremamente necessário para todas as pessoas independentemente de peso, classe, cor ou crença. Pode-se dizer, portanto, que este projeto configura o fechamento de uma etapa do um processo particular de aceitação, redenção, auto-afirmação e autovalorização que todos passamos sejamos gordos ou não.

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Então, torna-se óbvio que essa vontade de criar roupas em tamanhos maiores surgiu para satisfazer uma causa própria. Desde que me recordo sempre fui uma menina ligeiramente acima do peso, porém após a puberdade, comecei a ganhar peso, rapidamente comecei a ter dificuldade em encontrar roupas que me servissem e ao mesmo tempo suprissem meus desejos da adolescência. Aliás, acredito que esta é a época mais difícil para se lidar com a questão do peso por isso hoje quero que minha marca atenda desde essas adolescentes a fim de minimizar pelo menos um pouco os árduos conflitos que atravessam durante esta fase da vida até as mulheres mais velhas que não se deixam abater nem querem se esconder da sociedade apenas por não fazerem parte de um estereótipo imposto por alguém ou alguma coisa que nem se quer lhe pediu a opinião. Enfim, nosso planeta é repleto de beleza e esta só é considerada assim por conta da diversidade estética que nos cerca, pois ela mora em cada particularidade dos seres e coisas que habitam esta terra.

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Pesquisa

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Tendo definido o tema que abordaria neste projeto iniciei minhas pesquisas pela web ainda em 2009. Comecei a acompanhar blogs sobre o assunto dos mais diversos segmentos, moda, comportamento, beleza, mas que tivessem como foco o público feminino padrão GG. Esta busca além de contribuir para o embasamento do argumento a ser defendido também foi muito prazerosa por causa da identificação gerada com o conteúdo. Descobri que no Brasil o movimento do “Orgulho Gordo”, embora ainda esteja engatinhando, está crescendo em ritmo acelerado, com repetidas reportagens sobre o assunto em programas de TV, revistas e principalmente em sites. Tudo isso acompanha o movimento do Fat Pride que já há certo tempo repercute e é tendência em países como Estados Unidos e países europeus, onde o mercado de já investe fortemente nesta parcela da população conquistando resultados para lá de satisfatórios. Investimentos que partem não apenas do setor da moda, mas que atingem desde o turismo até as indústrias de cosméticos e móveis.

Para ilustrar a importância deste movimento, inseri abaixo dois textos: o primeiro é um artigo publicado pelo The New York Times e trata do preconceito contra os gordos e o segundo faz uma excelente crítica a como este tema vem sendo aplicado muitas vezes de forma errônea, seja por inocência ou despreparo, é fundamental que ressaltemos o que é o verdadeiro orgulho de ser gordo.

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Preconceito escancarado em relação a obesos Fonte: New York Times News Service

Em agosto do ano passado, Delos M. Cosgrove, cirurgião cardíaco e presidente da prestigiada Clínica Cleveland, disse a um colunista do New York Times que, se pudesse se escapar legalmente, nunca contrataria um obeso. Ele provavelmente conseguiria se safar, na verdade, pois nenhuma legislação federal protege os direitos civis dos trabalhadores gordos, e apenas um estado, Michigan, proíbe a discriminação baseada no peso. Cosgrove pode ser direto demais, mas está longe de estar sozinho. Posturas públicas sobre gordos nunca foram tão críticas; estigmatizar pessoas gordas se tornou não apenas aceitável mas, em alguns círculos, necessário. Já me sentei em reuniões com colegas que nem sonhariam em depreciar cor, sexo, classe social ou atratividade geral de alguma pessoa, mas que parecem tranquilos ao comentar sobre seu peso. Ao longo dos últimos anos, os gordos se tornaram bodes expiatórios para todos os tipos de desgraças culturais. "Hoje, existe uma atmosfera onde não há problema em colocar a culpa de tudo no peso", disse Linda Bacon, pesquisadora nutricional e autora de "Health at Every Size: The Surprising Truth About Your Weight" (Saúde de Todos os Tamanhos: a Surpreendente Verdade Sobre sua Saúde, sem versão em português). "Se estamos preocupados com a mudança climática, alguém aparece com um

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artigo sobre como as pessoas gordas pesam mais, portanto precisam de mais combustível, e culpam aqueles acima do peso pela mudança do clima. Temos essa forte crença de que é culpa deles, que tudo se explica pela gula ou falta de exercícios". Não é segredo que ser gordo raramente é bom para sua carreira. Heather Brown experimentou isso em primeira mão. Alguns anos atrás, ela se candidatou a um emprego de redatora numa pequena organização sem fins lucrativos na região de Boston. Depois de uma bem-sucedida entrevista por telefone, ela foi convidada a comparecer no escritório. "Assim que cumprimentei a entrevistadora, já sabia que ela não me contrataria", disse Brown. "Ela lançou um olhar de absoluto desdém. Durante a entrevista, ela nem mesmo olhava para mim, ficava olhando para o lado", diz. Brown, de 36 anos, trabalha hoje como reitora-assistente numa faculdade próxima a Chicago. Essa história é familiar para pessoas como Bill Fabrey, advogado que fundou, em 1969, a Associação Nacional para Acelerar a Aceitação dos Gordos nos Estados Unidos. Os arquivos da organização, segundo ele, são repletos de histórias de pessoas que perderam empregos ou promoções por conta do peso, ou que nem chegaram a ser contratas. Algumas das mais deliberadas discriminações a gordos vêm de profissionais da medicina. Rebecca Puhl, psicóloga clínica e diretora de pesquisa do Centro Rudd de Diretrizes Alimentares e Obesidade, em Yale, estudou o estigma da obesidade por mais de uma década. Mais da metade dos 620 médicos entrevistados para um estudo descreviam pacientes obesos como "estranhos, sem atrativos, feios e improváveis de obedecer a um

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tratamento" (essa última é significativa, pois médicos que acham que os pacientes não seguirão suas instruções acabam tratando e prescrevendo de maneira diferente). Puhl disse estar especialmente incomodada com o quão abertamente os médicos expressavam seus preconceitos. "Se estivesse estudando preconceitos de gênero ou raça, eu não poderia usar as ferramentas de avaliação que uso, pois as pessoas não seriam tão verdadeiras", afirmou. "Elas tentariam ser mais politicamente corretas". Apesar da abundância de pesquisas mostrando que a maioria das pessoas é incapaz de realizar mudanças significativas e de longo prazo em seu peso, fica claro que os médicos tendem a enxergar a obesidade como uma questão de responsabilidade pessoal. Talvez eles vejam a vergonha como uma estratégia de tratamento de saúde. Caso seja verdade, isso está funcionando? Não muito. Pessoas acima do peso fogem de tais julgamentos simplesmente evitando visitas ao médico, seja para exames de rotina, preventivos ou problemas de saúde urgentes. De fato, Peter A. Muennig, professor-assistente de política de saúde em Columbia, diz que o estigma pode fazer mais que manter as pessoas acima do peso longe dos médicos: ele pode até mesmo deixá-los doentes. "O preconceito é intensamente estressante", diz. "O estresse coloca o corpo em alerta total, o que eleva a pressão, o nível de açúcar, tudo que você precisa para combater ou fugir do predador". Com o tempo, esses estresses crônicos levam a um quadro de pressão alta, diabetes e outras doenças, muitas delas (surpresa!) associadas à obesidade.

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Em estudos, Muennig descobriu que as mulheres que dizem se sentir pesadas demais sofrem de mais doenças mentais e físicas do que aquelas que se dizem confortáveis com seu tamanho - não importando seu peso. Um recente estudo mostra que, quando mais alta a massa corporal de um paciente, menos respeito o médico expressa por ele. E quanto menos respeito um médico tem por seu paciente, segundo Mary Huizinga, principal autora do estudo e professora-assistente da Escola de Medicina Johns Hopkins, menos tempo o médico passa com o paciente - e menos informação ele oferece. No último outono nos Estados Unidos, a Universidade Lincoln, no sul da Pensilvânia, anunciou que iria pesar e medir todos seus calouros, e exigiriam que aqueles com um IMC acima de 30 se inscrevessem numa aula especial de fitness. Defensores dos direitos dos gordos chamaram isso de discriminação: se a aula de fitness era tão importante para a saúde do aluno, não deveria ser obrigatória para todos? Os administradores da universidade voltaram atrás após um furacão de repercussões negativas. Mas a controvérsia destaca o fato de que esse estigma não diz respeito a aprimorar a saúde dos indivíduos, como sustentam médicos como Delos Cosgrove. Se assim fosse, as conversas seriam sobre saúde, em vez de números na escala e tabela de IMC. Linda Bacon conta a história de uma adolescente acima do peso, cuja escola passava por uma "campanha de bem-estar". Os corredores foram cobertos com pôsteres dizendo: "Evite a obesidade adolescente". Depois que os cartazes foram afixados,

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segundo a menina, seus colegas de escola começaram a ridicularizá-la em público, apontando para a menina obesa dos cartazes e dizendo: "Olhem a menina gorda". Ela conta que os alunos mais pesados foram induzidos a sentir culpa por suas escolhas de almoço, enquanto os magros podiam comer qualquer coisa sem ouvir comentários - mesmo que fosse exatamente o que as crianças gordas estavam comendo. "O estigma dá às crianças magras permissão para achar que há algo de errado com as crianças mais pesadas", disse Bacon, a pesquisadora nutricional. "E isso não ajuda com que olhem para seus próprios hábitos de saúde. Tem de haver uma maneira de fazer isso de forma mais respeitosa e eficiente", diz. Harriet Brown leciona jornalismo para revistas na Newhouse School, em NY.

O tal do “Fat Pride” Retirado de http://grandesmulheres.com/weblog/?p=1026

Orgulho Gordo. Em inglês soa um pouco melhor, mas isso tudo é bobagem perto da real importância do movimento. Sim, porque está rolando todo um movimento mundial em prol do orgulho gordo. Por um milagre que ainda não compreendi, até a indústria da publicidade (finalmente!) enxergou a necessidade de exploração deste nicho, e nos últimos tempos fomos tomados por uma avalanche de campanhas publicitárias ressaltando a beleza das grandes mulheres, ou a “real beleza”, como alguns preferem dizer. Programas de

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televisão discutindo incansavelmente o assunto, Blogs de Gordinhas bombando, matérias em revistas de grande circulação, etc e tal. Tudo muito lindo, não fosse o ar fake que muitas dessas campanhas têm, o que as transforma numa espécie de auto-enganação com auto-piedade, coisas que abomino com todas as forças do mundo! Outro dia mesmo o tema estava sendo abordado num programa de TV, e uma gordinha engajada discursava em prol da “classe” utilizando a frase mais clichê e imbecil do mundo: “você precisa se aceitar do jeito que você é”. Não, NINGUÉM precisa se aceitar do jeito que é. Este é o pensamento mais conformista e derrotista de todos os tempos, e não combina com o que se espera de uma verdadeira Grande Mulher. Aceitar-se “como se é” é desistir de buscar o que “se quer ser”, e eu realmente não vejo sentido em viver uma vida insatisfeita, sem pelo menos tentar buscar aquilo que se idealiza. Toda essa onda fat pride, à exceção de uma ou outra ação realmente positiva, nada mais é que uma tentativa de vender um prêmio de consolação àquelas que continuarão renegadas pelo seu tamanho. O caminho é outro, e por isso eu me repito tanto em dizer que precisamos mudar nossos conceitos. Precisamos mudar nosso olhar sobre o mundo e as pessoas. Precisamos ter personalidade pra identificar a beleza fora dos padrões impostos por alguém que nunca teve procuração pra pensar em nosso lugar.

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Precisamos ter personalidade pra defender um ponto de vista, sem ter que sempre ceder a um ponto de vista inventado por outros olhos. Se a beleza está nos olhos de quem a vê, por que temos que aceitar o modelo visto por outros olhos que não os nossos? Só porque alguém disse que azul é a cor mais bonita você tem que concordar? E se você enxerga beleza no amarelo? Esse ponto de vista não é legítimo? Outro dia li um post em um Blog famoso onde a autora dizia não acreditar que alguém possa ser verdadeiramente feliz gorda. Dizia acreditar que qualquer mulher emagreceria, se pudesse, e que isso comprovaria sua tese. Eu discordo. Acho que o desejo de emagrecer que de fato existe em uma esmagadora maioria das mulheres fartas está muito mais ligado à necessidade de adequação ao padrão do que à infelicidade com a própria imagem. Uma grande mulher pode muito bem se olhar no espelho e se sentir linda, gostosa, desejável. Mas quer emagrecer porque quer caber na poltrona do avião, quer poder comprar roupas da moda, porque quer poder comer no restaurante sem ser alvo de todos os olhares, enfim, quer emagrecer para caber num mundo que não lhe abre espaço para exalar sua beleza como ela é do tamanho que ela realmente é. Precisamos lutar contra essa lavagem cerebral que nos fazem todos os dias. Precisamos ser coerentes e defender nosso ponto de vista com força, mantendo o foco no argumento correto, que é a existência de beleza também naquilo que foge ao padrão pré-estabelecido. O azul é bonito. E o amarelo também. E o vermelho também. E todas as cores. De

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tempos em tempos uma delas será tendência, mas nunca deixará de existir admiradores para todas as cores do arco-íris. Assim também é com as pessoas. E se somos todos tão diferentes uns dos outros, ora, é justamente para garantir essa dinâmica na vida. Seria muito chato se houvessem verdades absolutas, especialmente em questões tão subjetivas como essa. Por isso, minha Flor, hoje eu só vim aqui pra te dizer como é importante você se olhar sem referências, sem comparações, isenta de preconceitos, movida apenas por aquilo que reflete verdadeiramente o que você busca, o que você quer. Olhe pra sua imagem no espelho e esqueça os modelos de beleza que te ensinaram a aceitar. Olhe por um longo tempo, e encontre aquilo que realmente te agrada, ainda que seja algo que não agrade à maioria. Entenda que essa é a sua beleza, e que ela está aí, visível para os olhos que a quiserem ver. E muitos quererão! Se você realmente não conseguir se agradar com a sua imagem, e se sentir inteiramente inferior ao padrão existente, aí a melhor coisa é NÃO se aceitar do jeito que você é, e ir à luta. Porque ser uma Grande Mulher, antes de mais nada, é ser honesta consigo mesma. É prezar pela própria satisfação, e ser feliz apesar das opiniões diversas, é ter personalidade pra defender um ponto de vista controverso e para reconhecer as próprias deficiências. Você tem que ser LINDA, antes de mais nada, pra você mesma. Essa constatação é a única capaz de acender a sua luz, aquela que exibirá sua real beleza para o mundo todo, sem que você precise fazer nenhum esforço extra.

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A pesquisa revelou também inúmeros blogs gringos de jovens gordinhas que registram ali em forma de diário seus melhores looks, suas preferências na moda, produtos de beleza, whishlists, etc., assim como muitas garotas magras já fazem por aqui, mas que as gordas não o fazem ainda porque se escondem com medo de serem julgadas e também talvez porque não tenham muitos outfits dos quais realmente se orgulham como as americanas e européias.

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Observando tudo isso, reforcei a idéia de que no nosso país este é mesmo um mercado a ser decentemente explorado e, sobretudo incentivado. Temos que engrossar a massa em prol da igualdade e dar fim ao preconceito existente nos fazendo ser vistas e admiradas por sermos mulheres lindas, inteligentes e com um bom gosto antes de sermos obesas. Mas apenas querer que as coisas mudem não é o suficiente para que elas aconteçam. Iniciar um negócio nos dias de hoje exige muita cautela e estudo, principalmente quando o empreendedor é inexperiente e jovem. Para isto busquei artigos instrutivos direcionados para pequenas empresas e novos empreendedores, além de análises de tendências de mercado, perfis dos investidores, modelos de negócios e história de sucesso de jovens e de desbravadores do comércio eletrônico ao redor do mundo. Com este levantamento de dados em mãos, adquiri maior segurança para arriscar meus palpites sobre as diretrizes deveria seguir e enfim dar início a criação da marca e de uma coleção para o Verão 2010/2011 que servirá como produto para dar um pontapé inicial na divulgação e na procura por investidores e empréstimos de capital inicial para a produção das peças em série.

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A geração “Y” Os nativos digitais, como também são chamados, representam os jovens que nasceram em plena revolução da internet tendo todos os apelos da tecnologia funcionando a seu favor. Essa geração está criando novos valores e conceitos. Querem agilidade e inovação. Desejam trabalhar em algo que alimentem suas almas. Buscam o prazer em todos os âmbitos da vida, a realização pessoal deve vir antes da recompensa financeira. São empreendedores e responsáveis pelas empresas start ups e estão criando a chamada economia criativa. Encarando as dificuldades para entrar no mercado de trabalho devido à crise financeira mundial propõem novos caminhos.

Sem horários rígidos, partilhando o espaço de trabalho com outras empresas criativas nos

chamados escritórios coletivos, privilegiando as oportunidades não se importam de mudar de trabalho e empresa muitas vezes, querem ser ouvidos e respeitados, e extremamente criativos estão revolucionando o mercado com soluções inovadoras e ágeis. Apaixonados por tecnologia, não conseguem e nem imaginam como seria a vida sem seus gadgets. Na web percebem e exploram seus talentos. Blogs, twitters, revistas digitais, vídeos e podcasts são ferramentas para explorar sem limites seu potencial criativo. Não esperam convites para assumir cargos,

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criam de seus quartos seus negócios e empresas. E não demora muito para que os gigantes

do

mercado

se

ofereçam

para

comprar suas idéias como aconteceu com o

Youtube por exemplo. O futuro da mídia impressa está em suas mãos. Blogueiros já se tornam tão influentes quanto os poderosos editores de moda, aliás já dividem espaço na primeira filado desfile e a atenção dos estilistas. A partir dos twitters disparados durante os desfiles já se consegue saber quais serão as peças chaves da coleção e qual estilista estará na berlinda durante os próximos meses. Esperar um mês para o lançamento da próxima revista? Não, é tarde demais. As redes sociais crescem e a conversa por sms, twitter e MSN substituiu o telefone. O aparelho de celular é usado como uma extensão da vida pessoal. Neles estão fotos, músicas, vídeos, arquivos de computador, internet, torpedos e tudo mais que precisam para uma vida social ativa. A generosidade é a marca registrada dessa geração. Consumir sim, mas sem esquecer-se de compartilhar. Ajudar amigos e até desconhecidos a realizar seus sonhos através da doação de dinheiro em sites na internet.

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Os nativos digitais são rápidos, inovadores, criativos e generosos. Estão mudando o mundo e todos terão que seguir seus passos para se adaptara revolução que está por vir. Esta é a geração de jovens que está ganhando o mundo sem sair de casa, se diverte enquanto trabalha e até faturam milhões investindo muito pouco. Nascidos dos anos 80 para cá foi batizada de “geração Y” ou geração milênio, os representantes dessa camada da população se destaca por sua forma de agir e pensar que surpreende e desafia os mais velhos. Impacientes e criativos, imediatistas e versáteis, eles começam a ganhar milhões com os seus projetos. O maior diferencial desses rapazes e dessas moças está diretamente ligado ao domínio da tecnologia que eles possuem. Com uma afinidade instintiva, seja no lazer ou no trabalho, a tecnologia se tornou uma poderosa – e barata – ferramenta para a inserção de seus produtos no voraz mercado do século XXI. Por terem nascidos em um mundo já conectado ao mundo virtual, os jovens são mais abertos para cooperar com os outros, a dividir e discutir idéias assim como fazem nas comunidades virtuais que freqüentam. É o que podemos chamar de “Wikinomia”, termo inventado pelo americano Don Tapsott autor do Best-seller “Wikinomics”. Este detalhe concretiza uma das maiores mudanças entra esta geração e a anterior que era comumente vista completa de empreendedores solitários. Os empreendedores Y têm mais facilidade em quebrar paradigmas para conhecer novos produtos, serviços ou processos. Imediatistas por natureza, eles buscam a velocidade que estão acostumados com o clique no mouse. Tamanha pressa pode dar agilidade aos negócios – fator essencial para o sucesso num mundo que gira cada vez mais rápido. Mas este excesso de imediatismo também pode atrapalhar os planos,

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pois ainda não inventaram um modo de refletir e definir estratégias sem que isto demande uma boa quantia de tempo para se obter bons resultados. E quais são as vantagens de se empreender desde jovem? A principal vantagem é o desenvolvimento precoce de experiências e atitudes específicas da criação da empresa e o aprendizado da liderança induzido pelo crescimento do negócio. Tendo isso em vista, o processo empreendedor é o resultado de uma decisão e não de uma vocação ou uma pré-disposição genética: qualquer pessoa pode ser empreendedora. Cada vez mais, as pesquisas demonstram que existe uma relação entre o nível de estudos e a capacidade de criar um negócio com êxito. Portanto, as desvantagens principais dos jovens empreendedores são a falta de experiência setorial e a falta de conhecimento.

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Onde conseguir dinheiro Para conseguir capital para o fincanciar a abertura de suas empresas, os jovens Y hoje podem recorrer aos planos de empréstimos oferecidos pelos bancos e também contam com os chamados investidores “anjos” e os fundos de venture capital que compram participações de empresas com grande potencial de crescimento para, mais tarde, vendê-las com lucro a fundos de investimento, outras empresas ou até aos fundadores do empreendimento.

BNDES Para as pequenas empresas, o produto favorito é o cartão BNDES, um cartão de crédito com limite pré-aprovado de até R$ 500 mil, destinado à compra de 106.800 itens, entre máquinas, equipamentos, computadores, software, móveis e veículos. Também é possível adquirir insumos para setores como o coureiro-calçadista, moveleiro, têxtil, de panificação e de edição de livros. Obrigatoriamente, o portador do cartão deve fazer as suas compras entre os 11.800 fornecedores credenciados. As operações são financiadas em até 48 meses para os cartões emitidos pelo Banco do Brasil e Bradesco e em até 36 meses na Caixa Econômica Federal - apenas essas três instituições fornecem o cartão. Os juros mensais são modestos: 1% em abril. Para conseguir o cartão é preciso provar ao banco que está em dia com os pagamentos do INSS, FGTS e tributos federais - exigência do BNDES para todas as suas linhas.

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Os anjos De olho na futura rentabilidade do negócio, eles escolhem com rigor onde pôr o dinheiro. Só consegue fisgar um sócio capitalista quem provar ter uma idéia original e lucrativa. Mas apenas uma boa idéia, por melhor que seja, não é suficiente na busca de recursos para tirar um negócio do papel. Um plano de negócios consistente também é essencial. Demonstrar os investimentos necessários em infraestrutura, pessoal, processos e sistemas. Abordar as metas de produção, o faturamento previsto e as estratégias de marketing. Para adotar a estratégia, um aviso importante: é fundamental estar preparado para compartilhar a gestão do negócio com os novos sócios. "Os elegíveis precisam entender que terão a intervenção dos investidores, muito mais interessados em dividir sua experiência e bagagem em gestão do que em oferecer somente dinheiro", diz Ernesto Weber, ex-presidente da Petrobras, agora no comando da Gávea Angels, grupo de investidores no Rio de Janeiro.

Venture Capital Uma opção aos anjos são os fundos de venture capital. Com uma ressalva: muitos deles preferem investir em negócios existentes. Ainda assim, existiam cerca de R$ 500 milhões disponíveis para empresas nascentes em 2009. A cifra inclui empreendimentos com faturamento ou ainda sem receita, e é referente tanto a fundos privados como do governo.

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"Antes de procurar os fundos, busque informação em centros de empreendedorismo, de inovação ou incubadoras. Ir prematuramente pode matar sua chance de transformar uma oportunidade em negócio", recomenda Furtado.

Dicas para atrair investidores • Oferecer um negócio com produtos ou serviços inovadores, grande potencial de crescimento e previsão de alto retorno em curto prazo • Provar que tem capacidade de operar com custos baixos de produção - fator importante para garantir as altas margens de lucro almejadas pelos sócios capitalistas • Elaborar um plano de negócios com informações como dados do mercado, dos clientes e da concorrência, projeções de faturamento, custos e rentabilidade, previsões para utilização dos recursos solicitados, eventuais patentes envolvidas, canais de venda e estratégia de marketing • Preparar-se para vender a ideia em poucos minutos em apresentações que eventualmente possam reunir vários investidores • Negociar antecipadamente a forma com que os investidores venderão sua participação ao deixar o empreendimento

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O comércio social Focada em nichos específicos, a prática de mercado virtual tem se mostrado bastante atraente com os muitos resultados de sucesso ao oferecer produtos, que por algum motivo não aglomeram em uma única região

ou

cidade

um

número

suficiente

de

consumidores, mas que com o comércio eletrônico atingindo todo o globo conseguiu angariar uma demanda de cliente mais do que satisfatória a ponto de estar realmente chamando a atenção dos mais conservadores empresários do mundo. O comércio eletrônico tem se destacado a olhos vistos no Brasil e tem sido alvo de holofotes em todo o país devido às suas cifras e possibilidades. O seu crescimento ano a ano contrasta de forma significativa com os outros setores da economia, até mesmo diante de uma crise global. Porém, a urgência em montar sua plataforma de comércio eletrônico – muitas vezes porque o concorrente já o fez – gera um efeito colateral: faz com que as empresas não parem para se questionar qual o melhor modo de montá-la. Isso talvez aconteça porque eles só conheçam uma maneira, a mesma vitrine digital de produtos aliada ao velho “carrinho de compras”. Sendo assim, se todos utilizam a mesma estratégia de diferenciação, ela deixa de ser eficiente.

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Sabendo que dentre o povo brasileiro, 86% dos internautas estão conectados a redes sociais sendo que em abril cada brasileiro dedicou, em média, mais de cinco horas por mês a esses tipos de sites. Parte dessa popularidade se deve ao Orkut. Criado em 2004, em setembro de 2005 metade dos usuários do site já era brasileira. O estudo reflete um aumento de 24% nas visitas às redes sociais durante o último ano e afirma que a expansão e a presença das redes sociais e blogs é uma tendência irreversível. Pela primeira vez, os internautas dedicam às redes sociais uma de cada quatro horas que passam conectados a internet, 66% mais que um ano atrás. Então é natural que tal comportamento venha cada vez mais fazer parte dos planos de vendas das empresas de comércio eletrônico. Nasce assim o comércio social. Em poucas palavras, uma plataforma de comércio eletrônico que traz em sua gênese os conceitos de rede social, tendo como forte aliada a comunicação realizada na chamada web 2.0. O comércio social se apresenta como o próximo passo do comércio eletrônico no país ao aliar as, ainda pouco conhecidas, rotinas de vendas ligadas à geração de conteúdo colaborativo, que pode ser potencializado por meio da comunicação viral e coesa em redes sociais.

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Os três “Cês” Comércio, Conteúdo e Comunidade devem se somar de forma sinérgica em uma mesma plataforma de negócios digitais. Com um bom planejamento, essa estratégia vai gerar um número crescente de vendas qualificadas, porque trabalha continuamente a fidelização e a formação de uma comunidade de marca. Inicialmente é preciso gerar demanda, pois não há comunidade sem pessoas. O Google ainda é o melhor meio para gerar demanda para um site. Ter uma plataforma de comércio eletrônico otimiza o mecanismo de busca e é fundamental para gerar tráfego suficiente para manter uma comunidade sempre ativa e com novos membros. A geração de demanda também passa pelo marketing viral, esse, contudo, ainda é bastante misterioso às empresas para que tenha sua efetividade garantida. Após a geração de demanda, é preciso gerar “colas sociais”, ou seja, motivos para o usuário voltar e interagir com o site. Assim, a empresa deve realizar uma ação para não perder os usuários que visitaram o site pela primeira vez. Exemplo dessas ações são concursos culturais, promoções relâmpagos, fóruns em que os consumidores podem conversar entre si e, desse modo, contribuir com suas opiniões e construir o site a seu gosto por meio de API’s, (Interface de Programação de Aplicativos), ou áreas customizáveis. É importante tornar a navegação uma experiência e não se restringir à pura e simples compra. Para manter a experiência sempre vívida e atual, é preciso ser inovador e ativo na comunidade o tempo todo. É preciso gerar “buzz”, dar motivos para que falem bem da sua empresa.

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Após gerar as “colas sociais” e fazer com que os usuários se mantenham unidos e ligados à marca, é preciso se comunicar com eles por meio de ferramentas da própria web, como Twitter, Blogs, Orkut, MSN, e-

mail e várias outras. O site tem que ter um caráter pessoal, deve se personificar e se comunicar com seu mercado de maneira personalizada e em massa. Em todas as ações citadas, são criadas oportunidades de venda de modo que naturalmente, elas sejam reiteradas por todo o processo do Comércio Social. Quanto mais interação, mais vendas. Como se pode perceber, comércio social é uma atitude, uma nova maneira de fazer a publicidade e vendas no seu negócio. Atualmente “vender” é “se relacionar” e a maior parcela de “relacionamento” na internet está nas redes sociais. O caminho natural do comércio eletrônico está no comércio social. É aí que entra uma das principais bases e filosofias de minha marca. Pois além do fato de ter um site na internet dá à empresa de moda uma presença forte e facilmente acessível no mercado, a internet está se tornando cada vez mais popular como ponto de vendas visto que os clientes são capazes de adquirir produtos mais facilmente sem depender de onde moram e o comércio eletrônico e social dá direito ao consumidor a ter voz ativa e a interagir de diversas formas, inclusive no processo de criação do produto. Isso tudo sem sair do mundo virtual, o que além de ser um espaço onde se requer menor investimento financeiro, este ambiente também proporciona um negócio sem limites físicos que por conseqüência consegue atender a um número sempre maior de clientes ao redor do mundo que vai depender apenas da prestação de um bom serviço.

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Na verdade existem três tipos de serviços: o mais barato, o mais rápido e o melhor. É possível oferecer dois deles, mas é impossível ter os três ao mesmo tempo. É aí que mora uma das maiores e mais difíceis decisões a serem tomadas quando se pretende abrir um negócio e lançar um novo produto, sobretudo se este for um negócio online. Por isso uma análise das novas tendências de mercado é bastante útil para auxiliar esta decisão. Tomando como exemplo o site americano Mywardrobe.com que faz parte do segmento que pretendo inserir minha marca foi observado que para superar a dificuldade de vender roupas na internet, já que a modelagem e diferentes tamanhos são um grande obstáculo, o Mywardrobe.com investiu pesado em serviço ao consumidor. Além de ter consultoras de estilo de plantão que podem tirar dúvidas por telefone, o cliente que comprar no site tem total liberdade para devolver o produto caso ele não sirva. Mesmo se simplesmente não gostar da peça, pode devolvê-la sem custos adicionais. O que isso diz? Diz que neste ramo o essencial é investir em uma excelente prestação de serviço, o que inclui rapidez na entrega e se for o caso a troca também. E o que pode se concluir com isso? Conclui-se que para atender a esta exigência do consumidor de moda pela internet é necessário um alto investimento em logística e atendimento ao cliente o que requer constantes injeções de capital e culmina na elevação do valor final do produto e/ou tendo que sacrificar parte dos lucros para não aumentar demais os preços para o consumidor. Ou seja, a tendência é ser rápido e atender bem ainda que para isso sejam necessárias medidas extremas.

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Quanto à questão qualidade do produto, o círculo que engloba uma série possibilidades, variantes e fatores que determinam o argumento para a escolha de um método ou outro de fabricação necessita de uma ampla explanação e cruzamento de dados para que tenha como resultado um produto com consistência que se encaixe perfeitamente ao seu destino mercadológico. Para isto questões como público alvo, sustentabilidade, consumo consciente, a efemeridade da moda, a prática do fast fashion, dentro outras, formam o quadro de referências para a análise e prospecção do produto a ser lançado.

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Target A análise das gerações e os estudos das faixas etárias estão mudando muito. O sexo e a idade não ajudam mais a definir categorias precisas de mercado, mas tornam-se variáveis estratégicas em um jogo paradoxal de opostos que se atraem. Avós e netos, meninos e meninas, adolescentes, jovens e adultos

trocam

colocando

em

suas xeque

experiências os

de

conceitos

maneira do

divertida,

marketing

de

segmentação e em evidência o consumo autor. Neste contexto convivem a globalização da experiência e a singularidade do sujeito. Segundo estudos do Future Concept

Lab, existirá no futuro próximo, profundas mudanças nos diferentes mercados devido à nova percepção da idade por parte dos consumidores. O envelhecimento da população, a convivência dos pais e filhos na mesma casa por mais tempo e a taxa de natalidade que diminui a cada ano são os indicativos reais das mudanças. Acima, no quadro da distribuição da população brasileira, por faixa etária, nota-se na projeção que até 2035 a pirâmide irá se inverter.

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A idade realmente não pode ser levada em consideração para definir um público fixo de um produto, quando se trata de moda essa premissa é ainda mais importante. Hoje, o público alvo muda e a moda transita pelas gerações.

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Exemplo: Duas senhoras muito interessadas em uma peça de paetês na Zara de Milão. Provavelmente o estilista pensou em desenvolver este produto para um público jovem, mas observando o comportamento dos consumidores no ponto de venda, nota-se que o produto, na verdade é transitório, ou seja, cativa as senhoras também. Não devemos mais imaginar que apenas um segmento de mercado será alvo de nossos produtos.

Os baby boomers se tornam seniores, a visão da terceira idade está totalmente renovada, nossos pais e avós estão voltando a estudar, lançam projetos, viajam e estão ativos no mercado, desta forma, seu comportamento está muito próximo de seus filhos e netos. A presença material dos objetos e dos produtos permite aos idosos e também às crianças, compartilhar o momento do consumo através do jogo como se fosse uma brincadeira. O fato é que idosos e crianças têm grande capacidade intuitiva, os idosos filtrando as informações e imagens da propaganda através de sua experiência de vida, e as crianças através de sua espontaneidade. Assim, o imaginário e a dimensão lúdica passam a serem propulsores para novas formas de consumo tangível e também inspirações para novos serviços e produtos.

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A geração “M” Eles são chamados de geração M, pois são multimídia e multitarefa. São consumistas, adoram grifes, mas não são fiéis a nenhuma marca. Um mercado jovem, composto por 21 milhões de brasileiros e que compõem uma grande parcela do público que a marca Plus a Go Go quer atingir.

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Grupo Kidults

Grupo Eco

Eles são chamados pelos estudiosos de eternas

É o grupo mais moralista e consciente de jovens,

crianças. Gostam de personagens, estampas, sabores

integrando a faixa etária mais avançada, acima dos 18

e cores que lembram sorvetes, balas e guloseimas.

anos.

Priorizam o bem-estar, o cuidar do corpo, a

politicamente corretas, que não agridem o meio

valorização da beleza e do ser feliz. Para eles, a TV é

ambiente e não usam mão-de-obra infantil ou escrava.

indispensável e a internet é acessada com grande

Para tê-los entre os seus consumidores é preciso

freqüência. Para falar com esse público é preciso

adotar uma comunicação verdadeira, investir em

uma

design e usar materiais recicláveis não só na matéria-

linguagem

jovem,

bem-humorada,

e

lançamentos constantes.

Esses

jovens

valorizam

as

empresas

prima, mas também nos materiais de apoio do pontode-venda e nas embalagens.

Grupo Classe A

Grupo Cult

São os primeiros a exibir as novidades. Com boas

O grupo, batizado nas pesquisas de conservador, tem

condições financeiras, eles não enxergam o preço

uma relação intensa com a leitura, incluindo jornais,

como o fator determinante para uma compra. São os

livros e revistas. É o grupo que se diz mais distanciado da

que mais possuem computadores, celulares, câmeras

televisão. Eles reconhecem a importância da internet,

digitais e MP3 player. Além disso, esse grupo não

acessam alguns sites em busca de informações, mas não

economiza cuidados com a beleza e a forma física.

são navegadores incondicionais.

Para tê-lo como seu consumidor será preciso apostar em design, investir na construção de uma grife e usar a internet para comunicá-la.

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O público alvo e os nichos de mercado Na era da internet, as tribos de consumidores estão substituindo o mercado de massa. Hoje existem nichos inexplorados e altamente lucrativos. Quem resolveu apostar na tendência já está faturando alto. E embora a obesidade já tenha sido declarada muitas vezes como uma questão se saúde pública por conta do número crescente de novos obesos, este mercado pode sim ser considerado um nicho no Brasil pela fraca exploração do segmento, ou seja, até existem um número próximo do razoável de lojas especializadas no país, porém quando se observa mais de perto é tudo mais do mesmo, pois essas empresas, visando atingir um número maior de clientes produzem uma moda genérica, sem personalidade. Enquanto na realidade se trata de um mercado específico com consumidores com as mais diferentes preferências, particularidades e desejos.

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O jornalista e escritor norte-americano Chris Anderson afirma, no livro A Cauda Longa, que “a era do tamanho único está chegando ao fim e em seu lugar está surgindo algo novo, o mercado de variedades”. Os consumidores do mundo todo deixaram de querer as mesmas coisas e passaram a fazer escolhas baseadas em hábitos e preferências individuais. Em vez de seguir em uma única direção, agora se dispersam em tribos e fragmentam o mercado em inúmeros nichos. “As empresas estão competindo em preço, mas não vêem que existem oportunidades bem debaixo do nariz, anseios não atendidos e estilos de vida contemporâneos que exigem novos produtos e serviços”, diz Carmen Migueles, professora da Fundação Dom Cabral e autora do livro Antropologia do Consumo.

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A internet intensifica essa tendência. Se antes era difícil trabalhar com um mercado de nicho, devido ao número restrito de consumidores, com a web o público-alvo passou a estar em qualquer lugar do planeta. Mesmo que a ideia surja em uma cidade perdida no interior do Brasil, terá chance de vingar e fazer muito sucesso. O enfoque único e padronizado está ultrapassado. As tribos se encontram e se multiplicam na rede. Buscam os produtos e serviços com os quais têm afinidade e, depois, compartilham suas experiências em blogs e comunidades virtuais. É o novo boca a boca, que facilita e amplifica a divulgação dos negócios de nicho. “As redes de relacionamento permitem que as pessoas se reúnam e troquem informações relativas a gostos e preferências. E, é claro, sobre as empresas que atendem a suas expectativas”. Quem apostar nos nichos também terá como eventual vantagem fugir da voraz competição por preços, que foi intensificada pela ascensão da internet. Pesquisa da Gouvêa de Souza realizada em mais de 11 países e divulgada em setembro mostra que o índice de internautas brasileiros que usam sites para comparação de preços é de 73%. A fidelidade é rara nos dias de hoje, porém se realmente compreender o que cada tribo valoriza tem mais chance de manter os clientes. Para ter um diferencial não só pelo que se cobra, é preciso outro tipo de valor. “Ninguém paga mais se o produto não tem um significado”.

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As tendências do mercado atual Estilistas, fashionistas e especialistas de todo o globo apontam a última tendência da moda: a ausência de tendências. É que não houve nenhuma época como esta, onde você tem tudo-ao-mesmo-tempo-

agora no quesito estilo de roupas, basta sair nas ruas para comprovar. Modelitos de outras épocas misturam-se a novos tecidos, cortes, modismos. Estabelecer um padrão virou demodê. A moda é uma forma de expressão individual. E a indústria fashion, que dita os costumes, começa a buscar referências naquilo que as pessoas comuns estão usando. Se dentro da gama do que é oferecido nas lojas você faz um recorte e escolhe aquilo que o representa, a moda ganha um sentido maior. O estilo é uma escolha pessoal. A moda passa. O estilo permanece, afirma Glória Kalil em seu livro "Chic Um Guia Básico de Moda e Estilo". A consultora de moda

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diz que estilo é aquilo que respeita sua personalidade E diz mais: quem tem estilo adota uma atitude sustentável, porque faz escolhas de forma consciente e não se deixa virar escravo da moda. Hoje em dia o luxo deu espaço ao exclusivo, o cliente quer se sentir especial, quer viver uma experiência nova e poder compartilhá-la com as pessoas da comunidade, quer interagir com a empresa além da compra do produto, quer que essa empresa seja do bem, seja sustentável e pratique boas ações. Enfim, esse consumidor quer ser feliz, quer o bem-estar mesmo que seja no curto período de tempo que ele consiga reservar para este momento, visto que em contrapartida eles estão cada vez mais impacientes e imediatistas. A empresa que enxerga a sua frente o número infinito de recursos para pesquisa que temos com a globalização está economizando mais e também vê que em um mundo conectado, onde todos parecem estar cada vez mais iguais, a procura por referência e diferenciação está nos levando naturalmente para um caminho de volta às raízes. Sem se esquecer que o consumo consciente é a palavra de ordem deste século, produtos que não provam sua utilidade com bons argumentos estão perdendo cada vez mais espaço, mas não vale usar de artifícios suspeitos nas argumentações e no marketing, a transparência e o jogo aberto andam de mãos das com o consumo consciente. A questão é sempre pensar maior do que a empresa é. Pensar maior diminui as chances de o negócio dar errado. Mas sem mudar o foco. Pensar em como quer que as pessoas se sintam ao interagir com seus produtos, pois hoje em dia é melhor apostar numa experiência do que em um produto.

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O fast fashion O conceito de fast fashion se torna cada vez mais importante para o varejo de moda mundial que visa atender aos indivíduos da atualidade, cada vez mais ávidos pelo consumo e mais informados em termos de moda. A moda nasce, entre outros fatores, como forma de representação social de pertença a uma classe mais abastada, por isso, ao longo da história, é atribuída à moda status. Com o passar dos anos, a diversificação do mercado de moda e das fontes geradoras de tendências, o status de pertença social foi se transformando. Aos poucos “os objetos, assim, convertem-se em extensão da identidade dos próprios indivíduos, parte importante nas representações que fazemos de nós e dos outros.” (Caldas, 2004:69). O estilo de objetos que consumimos será um reflexo da forma como nos comportamos e pensamos sobre a sociedade em que vivemos. A indústria da moda também seguiu essa lógica ao tentar atender a nichos de mercado cada vez mais segmentados e complexos, sobretudo a partir dos anos 50 e 60, cujos jovens passam a se constituir como os novos formadores de opinião e consumidores O mercado começa a se diversificar e a se segmentar com maior intensidade. Nos anos 80 e 90 ocorre a globalização da economia e das informações, sobretudo com o auxílio da internet.

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Nascido nas pequenas pronto entregas de Paris e no pronto moda italiano, o fast fashion europeu serviu de inspiração aos atacados de pronta entrega do bairro paulistano do Bom Retiro, no início dos anos 90, para atender a demanda do competitivo varejo e de seus consumidores, ávidos por novidades e diferenciação, e, desde então, isso mudou a forma de os confeccionistas trabalharem. Tudo porque muito mais do antes a moda tem seu caráter efêmero levado às últimas conseqüências ocasionando ciclos de vida cada vez mais curtos.

Fatores que levaram ao aparecimento do fast

fashion:

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O fast fashion trata-se de mercadorias de moda produzidas com grande rapidez e em pequenas quantidades, para servir aos mercados de adolescentes, jovens e de moda feminina. O ingrediente chave do sucesso desse modelo reside na habilidade de rastrear as mais novas tendências de moda e identificar, produzir e distribuir rapidamente produtos que serão desejados. Entretanto seus produtos já foram rotulados por muitos como a moda “descartável”, por conta da falta de qualidade em seus acabamentos e materiais. Mas para outros, foi classificado como a moda “acessível”, pois permitiu uma espécie de inclusão social, pelo design atualizado. É impossível ficar “fora da moda” graças a ele. Por isso é necessário que haja competência em design, aliada à capacidade de coordenar a cadeia produtiva para obter rapidamente novos tecidos, novas cores e estampas, desenvolver e aprovar amostras, produzir e distribuir os produtos em períodos muito curtos, se comparados ao calendário tradicional da moda, que dura cerca de nove meses. O sucesso é determinado pelo consumidor final, que deseja o produto certo no local certo, no tempo certo e por um preço justo. Dessa forma, para satisfazer as necessidades dos consumidores, uma cadeia de suprimentos deve ser orientada ao mercado e contemplar a demanda, minimizando não somente os custos, mas principalmente, o tempo de atendimento. Uma das formas de obter êxito nesse ambiente competitivo são os arranjos eficientes de empresas, ou seja, identificando e escolhendo fornecedores e prestadores de serviço competentes, motivados e cooperativos.

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É preciso ainda olhar continuamente para o que acontece no mercado, buscando perceber comportamentos de consumo emergentes, novos entrantes com propostas inovadoras e inovações tecnológicas. E mapear os processos para o desenvolvimento e a produção Mas agilidade na produção não é sinônimo de má qualidade nem significa copiar simplesmente o que foi apresentado em desfiles pelos estilistas famosos. Para evitar erros ao operar o fast fashion, sugere-se que toda a confecção trabalhe uma linha básica e lance quatro grandes coleções ao ano – que é o que realmente sustenta a empresa. Além disso, a ordem é reduzir os prazos dos lançamentos entre coleções, sempre de olho na demanda. “Democracia Fashion é o que define a moda atual, na qual inúmeras tendências se misturam, formando uma cartela infinita de possibilidades”. A empresa que segue este modelo de negócios apresenta um estilo de roupa muito interessante, mas de curta duração, já que o apelo visual é o que prevalece em suas coleções. A qualidade deixa de ser prioritária para atender à demanda por novidade que a moda tanto requer, sobretudo na atualidade. O sistema de fast fashion é a resposta da indústria a tal aceleração da demanda que se forma e que trabalha com quantidade limitada de mercadoria visando dois objetivos: reduzir as perdas se as vendas não forem tão satisfatórias quanto esperadas e dar a impressão de que os produtos são semi-exclusivos a um consumidor preocupado com produtos personalizados. “Enfim, o homem (pseudo) ‘individualizado’ é produto da crise dos anos 70. A criação do ‘produto personalizado’ foi a estratégia dos anos 80 que o capitalismo encontrou para sair dela.” (Op cit:86).

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Uma empresa “web 2.0” Acredito que para ilustrar de onde vem a inspiração para o molde de meu futuro negócio o site

Threadless.com

representa o máximo de eficácia quando se trata de empresas web 2.0. Embora seja um produto banal – camisetas – a forma como elas são feitas é extremamente inovadora. Lá quem faz o produto é o cliente,

rompendo

completamente

a

divisão entre quem é o produtor e quem é o consumidor. Tudo através de uma rede social online onde os membros participam de concursos de desenhos que serão votados por esse mesmo público para que se definam as estampas vencedoras que irão para a produção e assim eles possam comprar exatamente o produto que eles escolheram

e

produziram.

Assim,

os

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clientes acabam tendo um papel crítico em todas as suas operações: geração de ideias, marketing e previsão de vendas. O faturamento cresce pelo menos 200% ao ano, apesar de a empresa nunca ter anunciado, não empregar estilistas profissionais, não usar uma agência de modelos ou fotógrafos de moda e não ter uma equipe de vendas nem distribuição no varejo. Como conseqüência, os custos são baixos, as margens ficam acima de 30% e — porque os membros da comunidade dizem exatamente que camisas desejam — todos os produtos são vendidos. As chamadas empresas da web 2.0 encorajam os clientes a colaborar e, em alguns casos, a criar o produto como acontece na Threadless. Eles são o início de uma nova onda já prevista por especialistas renomados da área, que prevêem também um futuro em que a maioria das companhias abandonará a pesquisa de mercado e o design de produtos, e em vez disso terá comunidades de usuários para decidir o que será vendido. Além de atrair muitos talentos, o formato do concurso incentivava os artistas a contar a seus amigos menos artísticos sobre o site. Os desenhistas publicavam em seus sites, blogs e páginas do MySpace links para suas inscrições, pedindo aos amigos para clicar, votar — e comprar (A Threadless ajuda nesse processo, mandando aos artistas kits de inscrição digitais que incluem o código HTML e gráficos para ajudá-los a criar anúncios de aparência profissional para seus desenhos). Em artigo publicado na Sloan Management Review,

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em 2006, o pesquisador do MIT, Frank Piller, descobriu que apenas 5% dos clientes compravam camisetas sem antes votar nos desenhos. “Quase ninguém estava simplesmente consumindo”, ele diz. “Todos estavam participando.” Por que você não gostaria de fazer os produtos que as pessoas querem que você faça? De fato. Um estudo publicado no ano passado sugeriu que a vasta maioria das empresas é fundada por “empresáriosusuários” — pessoas que entraram no negócio para melhorar um produto que já usavam. Algumas grandes corporações estão começando a experimentar essas ideias. Mas a maioria ainda prefere o que se chama de paradigma do “encontre uma necessidade e a supra” —, que envolve pesquisa de mercado, grupos de foco, testes, retrabalho e reteste. Não apenas esse método é extremamente caro, como deixa de capitalizar os clientes mais dedicados de uma empresa — que muitas vezes já estão melhorando os produtos existentes para suprir suas necessidades. “Dizer que é apenas uma empresa de camisetas é absurdo”, diz Jeff Lieberman, diretor-gerente da Insight Venture Partners e membro do conselho de administração. “Eu a vejo como uma empresa comunitária que por acaso usa camisetas como tela.”

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Moda e Sustentabilidade Moda sustentável é a coqueluche do momento. Exatamente porque existe um público mais exigente quanto à procedência dos produtos, muitos fabricantes de roupas buscam se diferenciar usando materiais ecológicos e maneiras mais sustentáveis de produzir. Hoje é chique ter um guarda-roupa enxuto. Primeiro porque você está consumindo menos matéria-prima do planeta. Segundo porque você conseguirá usufruir melhor o que já tem, sem deixar roupas encalhadas no armário por anos a fio. E vai naturalmente aprender a fazer mais combinações com as peças que tem disponíveis à mão. E só é fashion quem usar roupas e acessórios que contribuem para a preservação do planeta, diz a socióloga americana Diane Crane, autora do livro "A Moda e seu Papel Social". Por essas e outras é que o lançamento de uma singela bolsa de algodão em junho causou o maior frisson em Londres. Estampada com os dizeres “Im not a plastic bag” (eu não sou uma sacola de plástico), a idéia era que a bolsa da designer Anya Hindmarch substituísse os bilhões de sacolas plásticas descartadas todo ano no país virou objeto de desejo e foi vendida em poucas horas nos supermercados de lá. Essa busca vem tímida desde a década de 70 e se intensificou nos últimos três anos, diz a jornalista inglesa Sally Lohan, do WGSN, prestigiado site de moda internacional. E arremata: Essa tomada de consciência deixou de ser coisa de hippie, e as roupas não têm mais um caráter artesanal, incorporaram design e tecnologia. 68


A indústria têxtil brasileira está começando a adaptar suas fábricas a esse novo conceito, mas já começa a apresentar os resultados: foram desenvolvidas fibras a partir de garrafas PET recicladas e fibras de plantas como o bambu e o cânhamo. Mas o hit dessa leva verde são as roupas feitas de algodão orgânico, cultivado sem o uso de agrotóxicos e pesticidas. Apenas 1% do algodão produzido no país é orgânico. A fábrica Coexis, de São Paulo, criou o primeiro tecido de algodão orgânico nacional, tingido com corantes naturais. Outro é o algodão que já nasce colorido, nos tons marrom, vermelho e verde uma saída aos estragos causados pelo tingimento químico. Desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) há seis anos através do melhoramento genético da planta, a nova espécie (que só cresce na Paraíba) é produzida por cooperativas que valorizam a agricultura familiar e o artesanato local. Porém, por serem produzidas em baixa escala, a maioria das roupas são cerca de 30% mais caras. Aliás, orgânico é a palavra de ordem nesse momento. Primeiro foram os alimentos e agora serve também para tratar as fibras que se transformam em tecidos. Para serem classificados como orgânico, algodão, juta e bambu devem ser produzidos sem o uso de inseticidas ou pesticidas. Para ter uma idéia do que isso significa, o cultivo de algodão pelo sistema convencional consome um quarto do inseticida produzido no mundo. Na versão orgânica, alguns agricultores usam água reciclada nas plantações para diminuir ainda mais o impacto ambiental.

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A maior novidade, no entanto, são as roupas produzidas com material reciclável. Aqui, as estrelas são a garrafa PET, transformada em tecido, e o pneu, que vira solado de sapato. E, na bijoux, destaque para a madeira de reflorestamento. Bom, se por aqui dizem que esse mercado engatinha, lá fora anda a passos firmes. A semana de moda de Londres, que acontece em setembro, terá o Esthetica, um espaço só para marcas ecológicas. E, em outubro, Paris é o palco da quinta edição de uma semana de moda exclusiva para marcas adeptas do comércio ético (todas as etapas de confecção priorizam a redução do impacto ambiental, promovem a atividade de artesãos e pequenas comunidades e valorizam os funcionários). Na Europa e nos Estados Unidos tem de tudo: marcas de sapatos, bolsas e lojas inteiras especializadas em peças ecologicamente corretas como a recém-inaugurada Organic Avenue, em Nova York.

As fibras naturais As fibras naturais, de origem vegetal ou animal, são matérias-primas renováveis, costumam ser mais agradáveis ao toque e absorvem melhor a umidade do corpo. As fibras sintéticas são derivadas do petróleo (repare na etiqueta: elas têm as iniciais “po”: poliamida, poliéster, polietileno, polipropileno). Dentre as fibras de maior destaque estão:

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Fibra de bambu: Planta de crescimento rápido, o que significa que é altamente renovável. Reproduz-se em abundância sem o uso de pesticidas e fertilizantes. Sua fibra é naturalmente antibactericida, biodegradável e extremamente macia. Tem característica termodinâmica, deixa a peça fresca no verão e mais quente no inverno. Juta: Com aparência semelhante a do linho, é plantada na região amazônica, sem nenhum impacto ambiental. É preciso apenas água para o seu cultivo, sem a necessidade do uso de agrotóxicos. Além disso, é biodegradável. Cânhamo: A utilização da fibra de cânhamo também é bastante comum, pois é simultaneamente muito macio e durável. Ela pode ser usada para muitas coisas como: vestuário, decoração, tecidos para cama, mesa e banho. Possui brilho intenso e pode ser tingido facilmente.

O Denim Comumente visto como o grande vilão da indústria têxtil, o denim é agora um dos tecidos que mais contribuem para a preservação ambiental. Que todo denim é feito de algodão todos sabem, mas o que a maioria nunca parou para pensar é que para se produzi-lo, é necessário usar produtos que não são biodegradáveis. As plantações de algodão e a produção do Denim têm causado grandes prejuízos ao nosso meio ambiente, tanto em termos de consumo de água (7000 a 29.000 litros de água para cada quilo de roupa confeccionada), quanto em termos de substâncias venenosas e inseticidas liberados na produção da matéria prima. As plantações de algodão são responsáveis por 25% de todos os inseticidas liberados no mundo. 71


Além de estudos na área bioquímica para melhorar a composição de corantes, está também o uso de materiais orgânicos, como a fécula de batata, o índigo pré-reduzido e o algodão colorido, para tornar o processo de fabricação de jeans 100% natural. Foi o que a Tavex Corporation, líder mundial em produção de denim diferenciado, lançou: o Bio Denim, produzido com algodão reciclado e feito exclusivamente com fibras e fios reaproveitados do seu próprio processo industrial. A fabricação utiliza ainda um amido natural no lugar de gomas sintéticas, proveniente do fatiamento da batata nas indústrias de batata-frita e em substituição aos amaciantes sintéticos foi desenvolvido a partir da manteiga de cupuaçu um amaciante natural que além de ser sustentável, seu consumo promove a responsabilidade social por meio do apoio ao desenvolvimento das comunidades locais da Amazônia. Nas últimas feiras e exposições têxteis os produtos que mais se destacaram foram o Ecosoft, de toque suave, alto frescor, ótimo caimento e low pilling e o Botanic Denim da Lenzing, o qual é originado a partir da mistura de algodão orgânico com 25% de Tencel®, apresentando menor impacto ambiental para a sua produção.

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Para a temporada de 2011, a coleção inclui três tecidos altamente funcionais, os quais integram inovações tecnológicas. O PCR Bioactive, é feito com materiais 100% recicláveis; seu poliéster é obtido em garrafas PET e agrega um toque bastante suave, ótima elasticidade e controle de umidade ao tecido. A incorporação de íons de prata nos polímeros das fibras ajuda na inibição do aumento das bactérias causadoras de odor. O PCR é, então, uma novidade bastante funcional para a confecção de underwear e vestimentas para a prática esportiva. Para a Primavera Verão 2010 2011 veremos, então, uma ascensão da tecnologia na moda democrática e urbana. A melhor utilização das fibras naturais e o alto potencial existente na nanotecnologia prometem possibilitar a construção de matérias-prima ecologicamente corretas e com benefícios valorizados pela sociedade.

Tênis de juta estampada e sola de pneu: A Goóc faz sandálias com este material pós-consumo. Mas o produto mais cool que eles têm é um tênis estampado feito de juta e solado reciclado de pneu.

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Recicle roupas! Imagina se você pudesse levar roupas junto com vidros, plásticos, metais e papéis para postos de reciclagem. Assim essa roupa seria encaminhada para quem precisa ou ainda seria desfeita e seus tecidos, reaproveitados. No Reino Unido isto já é uma realidade. A empresa LMB tem mais de 4.000 postos de coleta espalhados pelas terras da Rainha, sendo 1.000 somente em Londres. São de 170 a 200 toneladas de tecidos recolhidos por semana. E para onde eles vão? Uma pequena parte vai para o ateliê da estilista Lu Flux, que determina as cores e combinações que vai usar nas suas peças, pede para a empresa separar o que tem e depois vai ver e escolher o que quer comprar. Com isso, cada peça se torna única. Lu garante que mantém as mesmas cores e combinações para os grandes pedidos, mas nenhum look é igual ao outro. Sua coleção apresentada na Estethica tem como tema os folclores britânicos e Lu traduz isso em criações divertidas e irreverentes.

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O Mercado Plus Size Tomando em conta do sucesso crescente do segmento plus size observado na Europa e nos Estados Unidos que estão faturando a olhos vistos atendendo a demanda deste público, esta fatia do mercado ainda tão pouco explorada no Brasil chama atenção para seu grande potencial.

Neste nicho órfão de estilo presente em nosso país podemos dizer que ele sentencia as mulheres curvilíneas a se vestirem como verdadeiros sacos de batatas, sem forma, sem cores e sem graça. Todas as mulheres têm o direito de se vestir com elegância, independentemente do peso e das medidas, mas a indústria brasileira da moda parece ignorar essas mulheres embora elas representem um número significante de consumidoras ávidas por novidades tanto quanto as magrinhas. Isso tudo sem comentar que o público alvo em questão são as brasileiras que são conhecidas mundialmente por serem voluptuosas Marginalizadas, as mulheres padrão plus size se vêm obrigadas a se adaptarem ao que encontram nas lojas convencionais ou a gastarem rios de dinheiro em peças com design duvidoso nas raras lojas especializadas que dispõem de poucas opções e que ainda podem causar certo constrangimento devido ao preconceito da sociedade.

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Top Models Plus size: Fluvia Lacerda, Lizzie Miller, Kate Dillon, Tara Lynn e Johanna Dray.

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Tendências para o verão 2010.2011

Em 12 de abril de 2010 estive presente no lançamento do caderno de tendências para o verão 2010.2011 – PerfilModa, Inspirações + Tendências – elaborado pelo SENAI. O evento foi realizado no SENAI do Brás em São Paulo e contou com quatro palestras: “Planejamento do produto”, “TECNOBLU – Your ID”, “Audaces Idea” e por fim o lançamento do caderno com apresentação da Designer de moda Letícia Diniz que participou do desenvolvimento do caderno. Logo na primeira apresentação, a Profª Hannah Kramolicsk abordou temas que iam desde a definição do calendário

e

cronograma

do

departamento

de

desenvolvimento de produto, os prazos para entrega das

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coleções ao mercado para a venda, noções de lead time (capacidade de infraestrutura e mão de obra, etc), a importância das pranchas de público alvo para manter o foco e das constantes pesquisas para ter referência e não causa repetições, todos os passos no desenvolvimento de uma coleção, a importância de se coordenar as peças da coleção de modo que elas contem uma história e que o consumidor possa fazer mixagens mais facilmente, aos quais utilizei como modelo para o desenvolvimento da primeira coleção amostral de minha marca. Por fim ela arrematou a palestra com a seguinte conclusão:

“A moda vive de exclusividade, mesmo que seja em pequenos detalhes, mas no final, estes são os que mais importam.” As duas apresentações seguintes trataram sobre produtos e insumos da indústria da moda, como etiquetas, aviamentos e um software desenvolvido especialmente para ajudar as confecções a gerenciar e executar com maior facilidade todo o processo criativo de desenvolvimento de coleções Isso porque integra criação, engenharia de produtos, biblioteca de moda, fichas técnicas e geração de catálogos, através de cinco módulos que resultam num ganho significativo na produtividade e na qualidade do produto final, refletindo diretamente na imagem da sua empresa no mercado. Por fim, o tão esperado lançamento do caderno de tendências. A apresentação ficou por conta da Designer de Moda Letícia Diniz, que com muito bom humor demonstrou todo o processo de como ela e toda equipe do SENAI montaram este caderno especialmente para auxiliar as confecções e indústria de moda do Brasil. Ela começou a palestra falando sobre como hoje em dia, às vezes, uma tendência também

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pode surgir a partir dos chamados trendsetters, celebridades ou pessoas influentes no mundo fashion que tem o poder de lançar algo capaz de ser imitado por muita gente e invadir as ruas. Para entender melhor, algumas personalidades foram selecionadas para exemplificar conforme as cinco micro-tendências programadas para o verão 2011. Contemporânea, esportiva, romântica, sensual e irreverente. Megan Fox é uma trendsetter para sensualidade. Já Grazi Massafera é uma referência ao estilo romântico. "Antigamente, as tribos ditavam o estilo das pessoas, hoje acho que somos mais democráticos, podemos um dia ser totalmente românticas e outro seguir algo mais sensual, e o melhor de tudo, misturar os dois estilos em um só", disse. O mundo pós-crise mudou, os tecidos, o natural e o abstrato se relacionam e definem uma experiência emocional em produtos biológicos. Na mistura do tradicional com as técnicas contemporâneas recria-se o “Etno Chic” natural e sensual. Neste universo destacam-se os tecidos plissados, produtos de elegante movimento como o cetim, o dupla face com sombra em luz, as estruturas orgânicas, o rústico moderno de acabamentos tecnológicos e sofisticação primitiva, as texturas capturadas em uma arquitetura de vidro multifacetada de expressões indefinidas, onde caleidoscópios criam efeitos inesperados e surpreendentes de reflexos cristalinos. A moda elegante e responsável do consumidor pós-recessão deverá rever suas estratégias assim como a indústria. Os produtos têxteis de ponta irradiam modernidade e inovação em diversos setores: moda, calçados, estilos de vida, logo o segmento têxtil torna-se um precursor do desenvolvimento sustentável, a

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tendência verde também no design de interiores relaciona fibras naturais e químicas, estimula a criatividade, abrindo novas possibilidades no desenvolvimento de produtos. As armas de sedução estão à mostra. Lingeries, vestidos bandage, transparências, rendas, bordados, recortes, modelagens justas, tecidos fluidos, comprimentos curtos, cintura marcada e foco nos quadris. A conquista é um jogo e ele está declarado. Depois de uma fase onde o sombrio e estranho dominava percebe-se uma transição para imagens fortes e de apelo sensual. O erotismo está em alta, ele atrai e é ferramenta de venda quando usado na comunicação e construção da marca. O corpo feminino está mudando, apesar das cirurgias plásticas, culto ao corpo, e dietas da moda notase nos tamanhos das roupas que a mulher está se tornando mais voluptuosa. Atrizes que correspondem a esse novo padrão são musas como Scarlet Johansson, Eva Mendes e Beyoncé Knowles. Uma resposta à magreza excessiva cultuada pelas jovens celebridades e modelos. O corpo deve ser mais feminino e atraente.

Tendências para o Verão 10.11 segundo Li Edelkoort

Antes de estar nas vitrines, uma coleção passa por um longo caminho, seu início é marcado pelo processo criativo do estilista da marca. Esses se basearam em tendências, lançadas anos antes por consultores. Li Edelkoort é uma das mais conhecidas e consideradas como profeta das tendências, além de ser uma das 25 pessoas mais influentes na moda, segundo a revista People. Junto com sua equipe, ela indica

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quais serão os desejos e necessidades dos consumidores nos chamados books de tendências, usados em todo mundo por várias marcas. A "previsão" para o verão de 2011 ela revelou em sua visita ao Brasil, em uma palestra no auditório do Ibirapuera no início de 2010. Logo de cara, ela deixou claro que o espírito do medo, principalmente por conta dos atentados no início do século, acabou. "As pessoas estão à procura do bem estar e da felicidade". E claro, isso terá reflexo na moda. Na sua opinião, ideias originais são difíceis de serem feitas, pois cada vez mais o mundo está unido, globalizado, entretanto, o contrário poderá ocorrer marcas globais vão se preocupar com as ideias locais. Para a coleção de verão 2011, Li usou a água como base e criou vários desdobramentos a partir desse elemento vital à vida. Durante a palestra, a sua viagem começou na nascente do rio e o que acontece a sua volta. Da pesca e das pessoas que lavam suas roupas às margens deles surgem diversas inspirações: desenhos do cursos da água ou mesmo das cascatas, que tem o efeito de algodão. "A leveza se destaca com tecidos muito fluidos. A fluidez é o que estará em alta", destacou. O jeans, mais encorpado, recebe várias lavagens, o que se traduz em fluidez. Os modelos mais largos de jeans, como saruel, ou mesmo o modelo baggy, dos anos 80, também foram citados por Li para explicar a sua relação com o que é fluido.

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A moda folk e as pessoas do campo também são referências. O resultado se traduz em tecidos com pequenas camadas, entre eles, piquê ou anarruga, ou mesmo com desenhos de casas de abelhas, fio duplos e xadrez. Ao falar das cascatas, Li as correlaciona com as várias camadas de rendas antigas, saias sobrepostas, sempre com cores mais pálidas. Do silêncio do lago surgem pequenas ondas que se refletem nos pregueados dos tecidos e o azul marinho. "O novo preto”, ressaltou, cor também presente no fundo dos oceanos. A pesquisa de Li chega também chega às piscinas, com os desenhos sofisticados dos hotéis, e o glamour dos anos 50, com listras e o estilo navy. Já as redes de pescar ou arames servem de inspiração para as texturas. Do mar mediterrâneo, a consultora lembra a cultura grega. Drapeados, pregas, vestidos soltos, desenhos das estátuas são referências citadas. Várias amarrações e as sandálias estilo gladiador. A consultora de tendências lembrou-se de algo que poderá ser muito forte no Brasil, o arquétipo da sereia, da mulher sensual em busca do homem. Vestidos longos destacam as curvas e são baseados nas caudas das rainhas do mar. O efeito metálico e brilhante das escamas tanto servem para tecidos quanto para joias, ou mesmo remetem aos bordados em madripérolas. O formato de rabos de peixes ou água viva, por exemplo, também podem servir de inspiração para vestidos. Ainda nos oceanos, ela destacou o colorido dos corais de recifes, os olhos dos peixes e suas escamas. O desenho multicolorido das algas e o seu efeito gelatinoso e molhado traduzido em peças também estão em sua pesquisa. "No futuro, as algas serão incorporadas em cosméticos e tecidos. Por que não usar o colorido do peixe palhaço nas cores da maquiagem?", sugere. 82


As micromicro- tendências SENAI - contemporâneo

SENAC

CIFF

- Balmania - Popular Appeal

- esportivo

- Divas Modernas - Ode to Natures

- irreverente

- Doce Malícia - Light Tech

- romântico

- Étnico - Southern Folk

- sensual

- Náutico - Resort Tropical

Fazendo o cruzamento das tendências citadas nestes cadernos, que são uns dos mais respeitados do Brasil e do mundo, mais as pesquisas realizadas defini oito micro-tendências para minha coleção: Rock Soldier, Eco Chic, Navy, Bucolic, Diva, Etno, Funny Fluor e Riviera.

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Rock Soldier: Balmania, Militarismo, Punk Rock Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) os guarda-roupas masculinos e principalmente os femininos ganharam as formas e cores militares: os ombros foram destacados para expressarem o “poder” e os tons de bege e o verde musgo ganharam destaque. Esse estilo de vestir permeia a moda desde décadas passadas, tendo como destaque os trench-coat - peça que ganhou maior projeção com a grife Burberry. Porém o foco para os looks militares eram as coleções invernais. De acordo com sites e revistas, no último verão do hemisfério norte o military style (estilo militar) ganhou passarelas e as ruas. A edição de março da Vogue Americana traz o editorial “Military Issue”. O tema também tem inspiração no glamour selvagem, nas deusas primitivas, nas guerreiras Mad Max e na cultura punk rock.

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Balmania

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As musas do estilo: Kate Moss e Dayse Lowe

O funcionalismo é a palavra-chave. São bolsos de todas as formas e tamanhos, distribuídos em peças como: shorts, saias, calças, vestidos, macacões, jaquetas e trench-coat. Os abotoamentos duplos, lapelas, martingales; dragonas, botões de metal, botões “tartarugas” (aqueles redondinhos de metais), broches e brasões também caracterizam o estilo. As lavagens e os efeitos trazem o acid, os puídos cerzidos, rasgados, destroyed e estampas camufladas cobertas com paetês transparentes. As peças trarão detalhes como tachas, correntes e colchetes, além dos cintos e das botas eduardianas.

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As principais formas serão os vestidos curtíssimos com bainhas assimétricas, inacabadas e cortadas a fio; regatas com decotes; t-shirts estonadas; jaqueta biker; camisas, casacos e jaquetas com influência militar; e calças justas de cintura baixa. Os segredos são as camisas amplas e as jaquetas customizadas com buttons retro, capuzes, batas, minissaias e coletes, além das estampas xadrezes e grafites. As principais cores do tema são: preto, verdes cáqui e militar, cinzas, ouro, bronze, prata e prata-velha. Os tecidos são: denim, sarja, cetim encorpado com ou sem elastano, couro, camurça, nobuque, linho, jacquard, brocado, lamê, tricoline, gabardine, cetim leve de algodão ou viscose, meia-malha de algodão, malha flame, malha canelada de algodão ou viscose, plush de verão, cotton lycra, entre outros..

Eco Chic: Contemporâneo, Contemporâneo, Ode to Nature. Contemporâneo,,

Atemporalidade,

Harmonia,

Naturalidade,

Movimento, Sofisticação. Sustentabilidade ambiental e simplicidade definem este perfil. Os produtos são elaborados com matérias primas que respeitam o ecossistema. Os valores estéticos e a sutileza de detalhes permitem modelagens clássicas que ganham novo design por meio da alfaiataria e detalhes de costura sobre tecidos como o linho. O verão 2010/2011 é definido por um novo consumidor que mantém uma relação com o meio ambiente definida pelos recentes eventos do mundo de forma a comprar menos e apenas o justificável, o mundo mudou e os tecidos devem acompanhar os novos estilos de

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vida, deve-se pensar sobre novos fundamentos adaptados a vida moderna, onde um cidadão responsável permaneça elegante e com estilo. Macro-inspiração: natureza. Animais, flores e flores predominaram nas estampas de algumas coleções. Uma homenagem a natureza. Cores: uma suave e serena paleta. As cores são mais intensas acompanhadas de tons de bege e malva. Uma gama dinâmica: pastéis, e adicionado a esta base: rosa, verde, amarelo, laranja, verde vibrante. O Contemporâneo apresenta paleta urbana e gráfica com cores comerciais neutras e acizentadas. Composta por falsos pretos e brancos, contrastes acentuados entre claro e escuro, argila cinza, marrom, azul turquesa, índigo de suavidade leitosa e branco de cor crua. Silhueta: é esticada de comprimento para enfatizar estrutura vertical das saias, vestidos, túnicas fluidos, calças vaporosas. A antiga toga inspira uma peça de vestuário como cover-up ou T-shirt e vestidos jumpsuits (salopetes), mas também detalhes como aleatórios drapings, efeitos torcidos, nós ou tranças. A tônica é colocada na elegante facilidade: calças pijamas,

enquanto

a

fluidês

do

jerseys

suaviza

e

humor

a

alfaiataria

.

Tecidos: eles são leves e fluidos: crepe, crepon, voile, gaze ou tule fino, o georgette em algodão de fibra longa e o fino jérsei de linho com movimento levam à formalidade de códigos da cidade com indiferença para o feminino e são trabalhados isoladamente ou em camadas. Em um ambiente natural, vemos refinados, rústico efeitos: musselinas ou shantung de seda .Em complemento, a vegetação natural ou

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motivos são, por vezes, embaçada ou indefinida. Esses novos ideais exaltam a nobreza e a rusticidade delicada das fibras naturais, explorando o algodão orgânico, o linho e a seda misturada ao algodão.

Navy: Esportivo, Náutico, Light Tech

O

sport

style

influencia

o

urbano, principalmente com o estilo náutico,

inspirado

nos

clubes

marítimos, píeres e de modo retro, a Riviera

Francesa

dos

anos

1930.

Shorts, hot pants, ciclistas, leggings, treggings,

calça

jogging,

parkas,

jaquetas curtas, ombros marcados, mangas

raglã,

capuzes,

sukini,

corpetes com alças ou um ombro só, recortes

geométricos,

blocos

de

cores, minissaia pregueada, cardigãs leves, decote V e vestidos justos. Entre os detalhes estão o matelassê protetor nos joelhos ou ombros, emblemas, letras e números estampados ou aplicados, zíperes, fivelas em níquel e fechamentos em velcro. As estampas são as famosas listras corridas e localizadas, podendo ser horizontais, onduladas ou ópticas. O branco puro, cinza, cinza mescla, sépia, taupe, beges quentes e frios,

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azuis

acinzentados, índigo,

preto,

marinho, vermelho vivo, turquesa, amarelo vibrante, laranja, pink e coral serão as cores do tema. Entre os tecidos estão: organza, náilons, seda lavada, crepe de chine, shantung, cupro, sarja de lyocell, tricoline com elastano e algodão paper-touch. Oceano,

Movimento,

Aventura,

Prazer, Expedição, Roteiro. Este perfil remete ao universo navy, tendência ao clássico com um toque de atualidade. A temática de listras é combinada em peças confortáveis, que privilegiam os movimentos,

tanto

para

a

prática

esportiva quanto para um momento casual. O xadrez retorna ao cenário, mas com uma releitura campestre.

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Bucolic: Bucolic: Romântico, Doce Malícia

O clima de poesia invade o guarda-roupa feminino, com influências de lingerie, malícia angelical e sensualidade delicada, explorando o corset, laçagens, frufrus, sutiã com ou sem bojo sobreposto ou na pele, caleçon, vestido camisola, topdoll, macaquinho e calça pijama. O escapismo urbano é retratado através do vestido e da blusa smock; vestido com 3, 4 ou 5 marias; aventais; salopetes; babadinhos; peitilhos em crochê, sianinhas e bordados. Já o rural moderno com as cowgirls é visto por meio das camisas cowboy com botões de pressão em madrepérola e às vezes com pala de renda; saias de diversos comprimentos; shorts, bermuda; salopete; calça jeans com patches em diversas lavagens. As cores presentes serão: branco, off-white, nude, beges, rosados e corais, azuis suaves e lavanda, tons de caramelo e chocolate, vermelho, azul índigo e délavé e preto. Já os tecidos são de musselina de seda, cdc de seda, chiffon e cetim leve de seda ou poliéster, cetim leve 100% algodão, cetim com elastano, tecido lingerie de viscose, voal de algodão, viscose ou seda, voal maquinetado ou bordado ou devorê, entre outros.

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O tema é ora influenciado pela delicadeza

maliciosa

da

antiga

lingerie, ora pelo estilo bucólico rural dos vestidinhos em florais Liberty, em

“gingham”,

ingênuos

de

em

estampados

morangos,

cerejas,

corações. É ilustrado, ainda, pelo romântico

folk

hippie,

cowgirls,

bailarinas dos saloons do velho oeste.

Diva: Diva: Sensual, Divas Modernas

Neo-virilidade,

lingerie,

sensações, iguarias. Esse perfil é direcionado

a

mulheres

que

assumem posições de liderança na sociedade, mas que não querem perder a sensualidade. Para compor o look as peças foram elaboradas com mangas estruturadas, decotes que revelam os ombros e modelos justos, mas que preservam o conforto.

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Inspirado e dirigido à mulher contemporânea esculpido

pela

cujo

corpo

malhação,

é é

influenciado pelos anos 50 (em pauta Chanel), anos 60 (refletindo o estilo Brigitte Bardot) e anos 80 (reportando-se

à

alfaiataria

masculina). As mulheres estão cada dia mais rejuvenescidas e em forma, deixando o corpo em evidência. As inspirações deste tema vem dos Anos 50, com casaquetos, vestidos e saias drapeados, plissados, rodados ou lápis, saias e mangas em oval, babados,

dobraduras

tomara-que-caia; Anos

e 60,

muito com

casaquetos com costas drapeadas, vestidos coquetel, boleros, laços, gola Peter Pan e calças cigarrete; e Anos 80, com ombros marcados por ombreiras, spencers, calças com pregas, calça baggy, cintura clochard, macacão, balonês e manga morcego. As estampas vão desde xadrez Vichy, bolas, listras multicoloridas, até flores médias e gigantes, art print, 93


abstratas e geométricas. As cores principais são: preto e branco, vermelho Valentino, amarelo, azul, acqua, verde-piscina, rosa, lilás, beges cremosos ou empoeirados, nude, cinzas gelados, tons de metais nobres e tons de pedras preciosas. Os principais tecidos do tema são: chiffon, musselina, organza, gazar, cetim, cetim duchesse, shantung, tafetá jacquard, brocado, renda, tweeds leves, jérsei e tecidos de alfaiataria de verão.

Etno: Etno : Étnico, Southern Folk:

Um caldeirão criativo em um mix de influências e civilizações. A partir

deste

universo,

que

tenta

redescobrir o sex appeal,o glamour e a

elegância

humilde

de

trajes

folclóricos tradicionais. A África do Sul teve grande influência no estilo tribal e safári, além de inspirações na Turquia, México, Egito, Indonésia e Índia.

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Cores vibrantes. Vermelho e violeta profundo mistura com tons mais neutros e evoca a seca paisagens sulamericanas: ocres, argilas, beges, cactos verdes. Silhuetas

têm

em

conta

a

diversidade. Um uniforme militar com humor e atitude urbana. Big, rústico formas inspiradas pelos índios e seus ornamentos. As

formas

sahariennes, bermudas

apresentam

coletes, e

shorts

calças,

com

bolsos

utilitários em seda, linho ou algodão, túnicas e vestidos desdobrados do kaftan, calças harém ou sarouel em vários

comprimentos,

sarongues,

pareôs e diversas amarrações. As estampas que são destaques são o tie-dye, ikats, batiks, geométricos tribais e às vezes ópticos, astecas, xadrezes tipo madras, camuflagens, selva com animais mimétricos, peles de girafa, leopardo, cobra e crocodilo. As cores vêm da natureza, como o 95


branco, cru, areia, beges, cáquis, terrosos, verde-militar, verde-vegetal, vermelho e alaranjados, azuis intensos, amarelos e âmbar, e toques de dourado. Os principais tecidos que serão apostas são: linhos, gaze de linho ou algodão, tecidos duplos, cambraias, sarjas, seda, viscose de bambu e malhas compactas. Tecidos,uma folclórica inspiração: look bruto, rústico , algodões e linhos. A mais preciosa inspiração com tecidos decorados por opulentos ornamentos, bordados e apliques.

Funny Fluor: Fluor: Irreverente, Popular Appeal

Apelo

popular.

Alternativamente selvagens.

chic

Uma

e

mais

mulher-criança

(Lolitas) em um universo retrô: Twin Peaks.

Brincalhões,

humor

girly,

padrões vintages, os desbotados dos 60's

e

70's...

Irreverente,

antagonismo,

diversão,

transformação, subversão, protesto, ruptura.

Formas

e

cores

diferenciadas influenciam este perfil,

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inspirado no estilo dos Anos 80. A concentração de trabalhos artesanais evidencia o colo feminino, os padrões étnicos são revisados e algumas peças são, literalmente, customizadas em pontos estratégicos. Cores alegres, ainda levemente desbotadas gamas que evocam as cores dos anos 70, que parecem ter sido suavizadas na máquina de lavar. Abafados tons: pálido azul, bege desbotado, cáqui suave. Uma série concluí aos mais intensos matizes de cor amarela ou violeta com forte acento de vermelho ou azul céu. Uma mistura de elegância retrô à la Jackie O: calça Capri, saia lápis, mini blusas. Tecidos: Cultua-se o vintage, com algodões e lãs. Denin desbostados estilo 70s,crepes,chifons e cetins para uma femme fatale. Riviera: Riviera: Resort Tropical, Tropical, Jet Set

Traz cenários e paisagens do paraíso tropical, como Havaí, Austrália e Polinésia, além do Brasil, é claro! As apostas são os vestidos e tops com alças, decotes profundos nas costas, regatões, túnicas polo, corpetes, miniblusas, macaquinhos, ciclistas, bermudas surfista e shorts. As estampas retratam o tema através de fotos retrôs de praias com turistas, paisagens havaianas, cenário surf, fundo do mar e pintura aborígene.

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Numa autêntica cartela de verão seguem as cores amarelo, coral,

melancia,

tangerina,

pink,

verde-jade, verde-flora, vermelho, púrpura, e azul em várias nuances. Os tecidos que chamam a atenção no

tema

são:

chiffon,

chiffon

creponado, seda, cetim, voal de algodão, crepe leve de algodão, cetim

de

gabardine,

algodão, sarja

leve,

tricoline, anarruga,

tafetá cristal, náilon paraquedas, chambray, denim leve, tweed de verão, linho, crepe de viscose, entre outros destaques.

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Estampas para o verão 2010.2011

Al Over Técnica aquarela e Atmosphere-Blue Studio - Técnicas - à mão, jato de tinta, tie-dye e digital.

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Gather No Moss - Técnicas à mão, scan e fotografia e Kaos Design Técnica digital

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Lasubi - Técnicas - shibori (tingimento japonês), aerografismo e grafite à mão e Robert Vernet - Técnicas impressão em chapa de metal.

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The Colorfield - Técnicas - tie-dye,sombreado e desenho à mão e Westcott - Técnica - à mão.

102


Whiston & Wright - Técnicas - difusão, pixelação e grafismo

103


Cartela de cores para o verão 2010.2011

De acordo com o caderno de tendências da PANTONE teremos como as dez cores principais para o próximo verão as cores listadas acima. Muito mais cores podem fazer parte da cartela, assim como me mostraram as pesquisas acerca deste tema. Porém observando atentamente, o sentido das cores é praticamente o mesmo, como se fosse uma espécie de desdobramento desta síntese a PANTONE fez., onde a variedade tonal pode ser bem estreita. Mesmo assim, incluí mais uma cartela com mais cores prevista para esta estação.

104


105


Coleção amostral “É incrível contar uma história em uma coleção, mas você nunca deve esquecer que, apesar de toda a fantasia, o principal é a roupa. Enquanto estiver editando em busca de um impacto mais forte, você precisa lembrar-se de que, no fim do dia, haverá uma coleção e ela tem de ser vendida. Temos que seduzir as mulheres a comprá-la. Este é o nosso papel. O que você vê na passarela não é tudo o que você terá. Isso representa menos de um quarto do que produzimos. Merchandising é vital. Temos de manter as lojas abastecidas, atuais e sedutoras.”

John Galliano, extraído de Galliano de Colin McDowell, Weidenfeld & Nicolson

Para então dar início á busca por investimentos para que eu consiga fundar a marca, resolvi desenvolver uma breve coleção de verão que me será útil para divulgação de meu trabalho e do nome da marca. Esta coleção, obviamente foi baseada nas oito microtendências apresentadas anteriormente. Os desenhos a seguir são parte do processo inicial de criação:

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107


EntĂŁo, a partir desses desenhos foram criados os modelos definitivos para as oito microtendĂŞncias:

Rock Soldier:

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Eco Chic:

109


Navy:

110


Bucolic:

111


Diva:

112


Etno:

113


Funny FlĂşor:

114


Riviera:

115


A idéia é que todas as peças conversem entre si, para que assim as diferentes microtendências possam se cruzar em diferentes combinações formando variados looks. Para que melhor fosse demontrado esses looks, confeccionei algumas peças dessa coleção para montar os outfits. Materiais e ferramentas utilizados:

- Máquina de costura reta industrial

Valor gasto :

Tecidos: R$ 217,58

- Máquina overloque industrial - Galoneira - Fios e linhas de diferentes cores. - 1,0 m de Brim Leve

Aviamentos: R$ 10,00 Mão de obra: R$ 100,00 Demais: 30,00

- 1,2 m de Crepe Burble - 2,0 m de Viscolycra - 1,2 m de Tricoline Estampado - 1 m de Tricoline Xadrez Vichy - 3,5 m de Cambraia Poá - 1,0 m de Viscolinho Stripe - 1,3 m de Cotton 8%

TOTAL: R$ 357, 58 58

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Confecção

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Conclusão “Ninguém está preparado para a quantidade de trabalho envolvida, mas é muito importante manter a integridade e a consciência de si mesmo quando atravessar os tempos difíceis. Faço isso com prazer e, sem dúvidas, há recompensas!”

Autumn Whitehurst, ilustrador de moda.

As peças prontas serão apresentadas na apresentação deste Trabalho de Conclusão de Curso em forma de fotos que serão posteriormente postadas no blog da marca, primeiro lugar onde habitará a Plus a Go Go antes de se tornar uma verdadeira rede social, pois para tanto, precisarei de ajuda de programadores e webdesigners experientes para confeccionar um site deste porte.

Assim como pretendo antes de

desenvolver definitivamente a identidade visual, contratar designers especialistas em programação visual para me auxiliar numa melhor elaboração do apelo imagético da marca. Isso também contará com reuniões interdisciplinares com profissionais de diversas áreas relacionadas a marketing, publicidade, administração, etc., a fim de riscar todas as estratégias e planejamentos iniciais do empreendimento. Enfim, fazer este projeto foi apenas o início de uma longa jornada de minha vida e pretendo caminhar com ele por muitos anos ou que então ele seja o causador de boas oportunidades para uma sólida carreira de designer de moda, a profissão que eu tive que escolher duas vezes. Muito obrigada!

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Referências: ALLEN, David. A ARTE DE FAZER ACONTECER. Editora Elsevier. BURLINGHAM, Bo. PEQUENOS GIGANTES. Editora Globo. ANDERSON, Chris. A Cauda Longa. Ed. Campus. BARNARD, Malcolm. Moda e comunicação. Rio de Janeiro: Rocco, 2003. Book Senac Moda Informação Verão 2011. CALDAS, Dario. Observatório de sinais: teoria e prática da pesquisa de tendências. Rio de Janeiro: Ed. SENAC Rio, 2004. CRANE, Diane. A Moda e seu Papel Social. Ed. SENAC ERNER, Guillaume. Vítimas da moda? Como a criamos, por que a seguimos. São Paulo: Senac, 2005. FAST FASHION: ESTRATÉGIA PARA CONQUISTA DO MERCADO GLOBALIZADO, Daniela Delgado JONES, Sue J. Fashion Design: Manual do Estilista. Ed. Cosac Naify, 2005. LAVER, James. A roupa e a moda: uma história concisa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

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LIPOVETSKY, Gilles; ROUX, Elyette. O luxo eterno: da idade do sagrado ao tempo das marcas. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. O´HARA, Georgina. Enciclopédia da moda. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. PENN, Mark J. Microtendências. Ed Best Seller SEELING, Charlotte. Moda: o século dos estilistas – 1900-1999. Lisboa: Könemann, 2000. UDALE, Jenny; SOGER, Richard. Fundamentos do Design de Moda. Ed Bookman, 2009. VILLAÇA, Nízia; CASTILHO, Kathia (org). Plugados na moda. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2006. VINCENT-RICARD, Françoise. As espirais da moda. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.

Sitiografia

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Blog An Olive a Day - http://an-olive-a-day.blogspot.com/ Blog Anomalous Allure - http://anomalousallure.blogspot.com/ Blog Beleza sem Tamanho - http://belezasemtamanho.blogspot.com/ Blog Big Gurl Fashion - http://www.biggurlfashion.com/ Blog Button Bows and Brogues - http://buttonsbowsandbrogues.blogspot.com/ Blog Corazones Rojos - http://corazonesrojos.tumblr.com/ Blog Corpulent - http://corpulent.wordpress.com/ Blog Dollface is Candysweet - http://dollface-is-candysweet.blogspot.com Blog Fashion Forestry - http://fashionforestry.blogspot.com/ Blog Fat Girls Like Nice Clothes Too - http://fatgirlslikeniceclothestoo.wordpress.com/ Blog Fatshionable - http://fatshionable.com/ Blog For Fatshion Sake - http://forfatshionssake.tumblr.com/ Blog Frocks and Frou Frou - http://frocksandfroufrou.blogspot.com/ Blog Gordinhas Lindas - http://www.gordinhaslindas.com/ Blog Gordinhas Maravilhosas - http://gmaravilhosas.blogspot.com/ Blog Grandes Mulheres - http://grandesmulheres.com/weblog/ Blog Jilly Beans Talk - http://jillybeanstalk.blogspot.com/

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Blog Le Blog de Big Beauty - http://www.leblogdebigbeauty.com/ Blog Letilor - http://letilor.blogspot.com/ Blog Mamushka Marie - http://mamushkamarie.blogspot.com/ Blog Manual Prático da Gordinha - http://manualpraticodagordinha.blogspot.com/ Blog Minne Tonka http://kminnetonka.blogspot.com/ Blog Miss Amelia Hart - http://missameliahart.blogspot.com/ Blog Mulherão - http://mulherao.wordpress.com/ Blog Mundo Gege - http://mundogege.blogspot.com/ Blog Musings of a Fatshionista - http://musingsofafatshionista.com/ Blog Pockets and Bows - http://pocketsandbows.blogspot.com/ Blog Poderosas Gordinhas - http://poderosasgordinhas.blogspot.com/ Blog Pretty-in-Plus - http://www.pretty-in-plus.com/ Blog Reizende Rundungen - http://reizende-rundungen.blogspot.com/ Blog Ruben Esq’s Sketchblog - http://rubenesq.blogspot.com/?zx=4b5d8f41b8d7bb67 Blog Saks in the City - http://saksinthecity.blogspot.com/ Blog Sou Gordinha Sim, e daí? - http://originaldani.blogspot.com/ Blog the Manfattan Project - http://themanfattanproject.tumblr.com/

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Blog To be Alive - http://blogtobealive.com/ Blog Young, Fat and Fabulous - http://www.youngfatandfabulous.com/ Castaluna - http://www.castaluna.com/ Catรกlogo Verรฃo Evans - http://viewer.zmags.com/publication/744f11a7#/744f11a7/30 Culherada Cultural - http://www.colheradacultural.com.br Descolex - http://www.descolex.com/ E-fabrics - http://www.e-fabrics.com.br/ Evans - http://www.evans.co.uk Fabric Paradise - http://www.fabricparadise.com/ FAF - http://www.fatandfabchic.com/ Fashion Bubbles - http://www.fashionbubbles.com/ Fashion Hayley - http://www.fashionhayley.com/ Fat Film - http://www.fat-film.com/ Fatshopaholic - http://www.fatshopaholic.com/ Forever 21 - http://www.forever21.com/ Garbage Dress - http://www.garbagedress.com/ H&M - http://www.hm.com/

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Instituto-e - http://www.institutoe.org.br/ Maréria Veja - http://veja.abril.com.br/111109/vida-muito-acima-media-p-114.shtml Matéria Blog Two Dots - http://www.twodots.com.br/?p=2635 Matéria Época - http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI121138-15228,00OS+SUPERTECIDOS+DA+MODA.html Matéria Globo.com - http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1512992-9798,00DESFILE+DE+MODA+POPULAR+MOSTRA+TENDENCIA+PARA+GORDINHAS+EM+SAO+PAULO.html Matéria Portal Terra - http://moda.terra.com.br/interna/0,,OI4278809-EI1119,00Estudante+tamanho+e+destaque+em+passarelas+londrinas.html Matéria UOL - http://estilo.uol.com.br/moda/ultnot/2010/04/22/agencia-ford-cria-departamento-para-modelos-commanequim-acima-de-42.jhtm Matéria Veja - http://veja.abril.com.br/noticia/saude/blogueira-defende-padrao-gg-fat-pride-obesidade-519432.shtml Matéria Veja - http://veja.abril.com.br/noticia/saude/fat-pride-orgulho-ser-gordinha-obesidade-519659.shtml Matéria Veja - http://veja.abril.com.br/noticia/saude/joy-nash-excesso-peso-humor-fat-pride-obesidade-519306.shtml Matéria Veja - http://veja.abril.com.br/noticia/saude/obesidade-saude-fat-pride-medico-americano-519367.shtml Matéria Veja - http://veja.abril.com.br/noticia/saude/ser-gordinha-saudavel-fat-pride-obesidade-522028.shtml Nakimuli - http://nakimuli.com/ Pequenas Empresas Grandes Negócios - http://revistapegn.globo.com/ Portais da Moda - http://www.portaisdamoda.com.br/

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Portal Costura Perfeita - http://www.costuraperfeita.com.br/secoes/mostrar_noticia.php?id=994 Rede Social Fat Activist Network - http://fatactivistnetwork.ning.com/ Revista Fattitude - http://issuu.com/fattitude/docs/outubro Revista Modeuses Rondes - http://modeuses-rondes.fr/ Revista Vida Simples - http://vidasimples.abril.com.br/ Style - http://www.style.com/ Style Like You - http://stylelikeu.com/ The curvy Fashionista - http://thecurvyfashionista.mariedenee.com/ Threadless - http://www.threadless.com/ TopShop - http://www.topshop.com/ Torrid - http://www.torrid.com/ Uniqlo - http://www.uniqlo.com/us/ Urban Outfitters - http://www.urbanoutfitters.com/ Verdinho Bรกsico - http://www.verdinhobasico.com.br/ Vogue Curvy Itรกlia - http://www.vogue.it/en/vogue-curvy Wardrobe - http://www.my-wardrobe.com/womenswear WGSN - http://www.wgsn.com

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Plus a Go Go  

Relatório do Trabalho de Conclusão de Curso.

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